Este blog veicula reflexões bíblicas feitas pelo Reverendo Eudes Lopes Cavalcanti
sexta-feira, 6 de março de 2015
Uma panorâmica sobre Salmos
O livro de Salmos é uma coletânea de cento e cinquenta salmos. O rei Davi, o homem segundo o coração de Deus, escreveu quase a metade (73) desses salmos. Os outros autores são: Ezequias (15), Asafe (12), Os filhos de Corá (10), Salomão (2), e Moisés, Hemã, Etã, Jeremias, Ageu, Zacarias e Esdras, todos escreveram cada um, um salmo. O restante dos salmos não tem os seus autores identificados, são anônimos.
O livro de Salmos, como foi dito na panorâmica sobre o livro de Jó, é um dos livros chamados hínicos, o outro é o de Cantares. Esse precioso livro serviu como hinário de Israel e da Igreja cristã durante séculos.
Esse precioso livro foi escrito com as seguintes finalidades: 1) “Foram escritos pelos salmistas como reações sinceras diante de Deus ao experimentarem as inúmeras alegrias, tristezas e provações da vida; b) Eram veículos de expressão do povo de Deus por meio de toda uma gama de experiência que os tornava aptos a apresentar os sentimentos e pedidos ao Senhor em termos significativos e intensos; c) Serviam para expressar os anseios de Israel pela vinda do Messias, revelando, por inspiração divina, muitos detalhes proféticos de sua primeira e segunda vinda; d) Eram o hinário de Israel para muitos rituais e cerimônias, tais como festividades religiosas, culto no templo e reuniões locais e nacionais” (Stanley Ellisen, Conheça Melhor o Antigo Testamento).
Os salmos são classificados, segundo Leopold Sabourin, citado pelo livro de Ellisen, da seguinte maneira: a) Hinos de Louvor (31 salmos); b) Lamentos, expressões de confiança em Deus, ou ação de graças individuais (59 salmos); c) Lamentos, confiança ou ação de graças da comunidade (27 salmos); d) Salmos reais (10); e) Salmos de instrução ou didático (23 salmos).
Outra divisão do livro de Salmos informa que o mesmo compõe-se de cinco livros. O primeiro livro corresponde aos salmos 1-41; o segundo aos salmos 42-72; o terceiro aos salmos 73-89; o quarto aos salmos 90-106; e o quinto aos salmos 107-150. Uma correlação interessante é feita por Ellisen entre o livro de Salmos e o Pentateuco, levando em consideração o tema de cada um dos cinco livros, senão vejamos: o livro 1 corresponde ao livro de Gênesis e o tema é “O homem justo e seus caminhos”; o livro 2 corresponde ao livro de Êxodo e o tema é “Ruína e redenção de Israel”; o livro de nº 3 corresponde ao livro de Levítico, e o tema é “Santuário e congregação de Israel”; o livro 4 corresponde ao livro de Números cujo tema é “Reincidência e restauração de Israel”; e o livro 5 corresponde a Deuteronômio cujo tema é “Palavra de Deus e louvor universal”.
Um enfoque especial deve ser dado aos Salmos Messiânicos, pois os mesmos falam da pessoa, do caráter, das obras e das funções do Messias. Em relação à pessoa do Messias ele é retratado nesses salmos como homem (Sl 8.4,5), como Deus (Sl 45.6,11), como ser eterno (Sl 102.25-27) e como Filho de Deus (Sl 2.7,12). Em relação ao caráter do Messias esses salmos retratam-no como benévolo (Sl 72.4,12-14), justo (Sl 45.7) e santo (Sl 89.18). Quanto a sua obra esses salmos falam sobre obras na vida do Messias (Sl 40.6-8), na morte (Sl 22), na ressurreição (Sl 16.10), na ascensão (Sl 68.18), no julgamento (Sl 72.2-14; 86.13; 98.9) no domínio (Sl 72.8; 96.10; 103.19). Quanto às funções do Messias, os salmos messiânicos retratam-no como profeta (Sl 22.22; 40.9,10), sacerdote (Sl 110.4), juiz (Sl 72.2; 96.10-13) e rei (Sl 2.6; 89.27).
Duas palavras usadas nos salmos precisam de uma explicação especial, que são: “Selá” e “Aleluia”. Quanto à palavra Selá os estudiosos não são unânimes, sendo a explicação de maior aceitação aquela que diz que “Selá” “pede uma pausa ou um interlúdio, ou para os instrumentos musicais ou para solene reflexão dos declamadores”. Quanto a “Aleluia” ela é traduzida em nossas Bíblias como “Louvai ao Senhor”, sendo essa palavra composta de duas palavras hebraicas “hallel” (louvar) e Yah (abreviatura de Yahweh, um dos nomes de Deus no Antigo Testamento). “Aleluia é uma aclamação empregada pela liturgia hebraica e retomada em todas as liturgias cristãs como expressão de alegria e de louvor”. No Novo Testamento essa palavra é empregada quatro vezes e só no livro de Apocalipse (Ap 19.1,3,4,6).
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
MISSÕES NO ANTIGO TESTAMENTO
INTRODUÇÃO
Entendemos pelo estudo das Sagradas Escrituras que o pecado de nossos primeiros pais (Adão e Eva) atingiu toda a humanidade, sua descendência, conforme Rm 3.23 e Rm 5.12. Entendemos também pelas Escrituras que o programa redentor de Deus, através do Seu Filho Jesus Cristo, alcança toda a humanidade desde os seus primórdios. Isso se deduz da proclamação do Evangelho em sua fase embrionária pelo próprio Deus ao casal Adão e Eva que caíra (Gn 3.15), da promessa feita por Deus a Abraão quando disse que na sua descendência (Cristo) seriam abençoadas todas as famílias da terra (Gn 12.3), da profecia sobre o servo sofredor, proferida por Isaías no capitulo cinquenta e três do seu livro, e da grande comissão quando o Senhor mandou que o Evangelho fosse proclamado a toda a criatura, no mundo inteiro, conforme Mt 28.18-20; Mc 16.15,16; Lc 24.47 e At 1.8. No livro de Apocalipse podemos ver o resultado dessa proclamação em todas as épocas e em toda a face da terra. “Depois destas coisas, olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos” Ap 7.9.
Assim sendo, não podemos limitar o programa redentor de Deus apenas a nova dispensação que foi inaugurada com a encarnação do Verbo Divino e sim pensar que Deus sempre teve interesse em alcançar o mundo inteiro com a sua mensagem redentora.
Apresentaremos neste artigo a ação poderosa da mensagem redentora na vida de outros povos, no contexto exclusivista judaico, e até antes do aparecimento desse povo.
I - MISSÕES NO PERIODO PRÉ PATRIARCAL
Antes da chamada de Abraão, através do qual é inaugurada a era patriarcal, o homem já existia na face da terra há milhares de anos. Antes daquele patriarca não existia um povo de Deus exclusivo neste mundo, mas o Senhor tratava com todas as etnias, que passaram a existir com o episódio da torre de Babel e a consequente diversificação das línguas.
a) OS PRIMEIROS MISSIONÁRIOS DO ANTIGO TESTAMENTO
Se Missões é a disseminação da mensagem redentora entre os seres humanos, os primeiros missionários que existiram entre os homens foram Adão e Eva. Com a falha desse casal, Deus anunciou para eles a mensagem redentora dizendo que da semente da mulher nasceria aquele que esmagaria a cabeça da serpente (Gn 3.15). Essa mensagem proclamada audivelmente por Deus logo após a queda, tipificada com a morte de animais feita pelo próprio Deus, que falava de seu programa redentor através do Cordeiro de Deus que iria ser imolado pelos pecados do mundo no futuro, foi absorvida pelo casal, que a experimentou e a compartilhou com os seus filhos. O resultado dessa obra missionária foi a conversão de Abel, segundo filho de Adão e Eva, que é considerado o primeiro herói da fé, cuja galeria encontra-se em Hebreus 11. Também foi alcançado Sete, outro filho de Adão que deu origem a uma geração piedosa, chamada de filhos de Deus (Gn 6.2). A obra missionária continuou alcançando Enos, que a partir dele o grande nome do Senhor passou a ser invocado. (Gn 4.25,26). Também há de se considerar a vida de Enoque, o sétimo depois de Adão, que foi alcançado, tudo indica, pela obra missionária de Adão, sendo este homem trasladado vivo para o Céu porque agradara a Deus em seu viver de fé (Gn 5.21-24; Hb 11.5).
b) A OBRA MISSIONÁRIA REALIZADA POR NOÉ
Com o crescimento da humanidade e a consequente corrupção generalizada, Deus resolveu destruir o mundo antigo com água (o diluvio). A obra missionária iniciada por Adão foi sendo disseminada pelos seus descendentes a ponto de Noé ter sido alcançado. A obra da graça de Deus foi tão poderosa na vida daquele homem que Deus se agradou dele, pois as Escrituras nos revelam que Noé andava com Deus. Noé pregou a mensagem redentora durante cento e vinte anos, mas do ponto de vista numérico foi muito acanhado o seu resultado, pois somente oito pessoas, inclusive ele, foram salvas da destruição provocada pelo dilúvio (Gn 6.3,13; 7.13; Hb 11.7; 1 Pe 3.19,20).
II – MISSÕES NO PERIODO PATRIARCAL
a) O MINISTÉRIO MISSIONÁRIO DE ABRAÃO
Abraão era um habitante da cidade de HUR dos caldeus, portanto um idólatra, mas Deus graciosamente o alcançou, fez-lhes promessas preciosíssimas, dentre elas de que, através de um de seus descendentes (o Messias, o Cristo), seriam abençoadas todas as famílias da terra. Abraão recebeu ordem de Deus de sair da sua terra e da sua parentela para viver em Canaã e ali, através de seu exemplo de homem de Deus, monoteísta, adorador de Javé, disseminar a obra transformadora produzida pela mensagem redentora. Observem que Abraão aonde chegava erguia um altar onde adorava ao Deus dos Céus. Mas o grande fruto de sua obra missionária foi o seu filho Isaque que seria o continuador da obra do seu pai. (Gn 12.1-3; 2.63). Outra pessoa alcançada pela obra missionária de Abraão foi o seu servo Eliezer, tornando esse homem num homem de confiança, temente a Deus e piedoso. Abraão, como missionário, lutou com Deus em oração em favor de Sodoma, mas Deus já tinha determinado destruir aquela cidade, e a sua oração não foi atendida, pois o Senhor não encontrou nela sequer dez justos conforme a súplica de Abraão (Gn 18.32). Desse episódio só escaparam da destruição, como fruto da atividade missionária de Abraão, Ló e suas duas filhas e a sua mulher, sendo esta última transformada numa estátua de sal por ter desobedecido a Deus.
b) A OBRA MISSIONÁRIA DE JÓ
Jó viveu no período patriarcal. Há quem diga que ele foi contemporâneo de Abraão. O livro de Jó faz parte do conjunto de livros conhecidos como livros poéticos devido ao estilo literário dos mesmos. O livro de Jó nos diz em seu início que aquele homem de Deus fez uma grande obra missionária em sua casa, tendo alcançado a sua família. Além de ser um missionário de vida limpa, exemplar, ele era uma pessoa que a muitos ensinara a justiça e fortalecera os joelhos trôpegos. Veja o testemunho dado por Elifaz, um dos seus amigos que viera se condoer com ele, por causa de suas agruras: “Eis que ensinaste a muitos e esforçaste as mãos fracas. As tuas palavras levantaram os que tropeçavam, e os joelhos desfalecentes fortificaste” Jó 4.3,4.
c) O MINISTERIO MISSIONÁRIO DE ISAQUE
A vida de Isaque foi uma vida pacata como pastor de ovelhas. Houve alguns incidentes, mas o testemunho daquele homem foi o grande legado de sua obra missionária. O seu testemunho de um homem de Deus falava mais alto do que as suas palavras. Isaque também como seu pai Abraão foi um dos heróis da fé. O texto sagrado não nos diz, mas podemos inferir que Isaque testemunhara à sua família da promessa redentora de Deus, pois ele a tinha experimentado. Esse homem de vida limpa e crente na obra redentora é conhecido também como um herói da fé (Hb 11.20).
d) O MINISTÉRIO MISSIONÁRIO DE JACÓ
A vida de Jacó foi uma vida tumultuada, com fatos pitorescos, e também com outros eticamente inaceitáveis, mas ele também foi agraciado por Deus com a benção da salvação e, depois da visão que teve de uma escada que ligava o céu a terra e a visão de Deus no topo da mesma, fez com que a vida de Jacó tomasse um novo rumo e, a partir daquele maravilhoso momento, ele resolveu viver para a glória de Deus. A partir daí Jacó começou a erigir altares onde adorava a Deus. Isto era visto pela sua família e por todos aqueles que o cercavam. Certamente que o testemunho daquele homem trouxe bênçãos para os seus e para os que o cercavam. Jacó também é computado como um dos heróis da fé (Hb 11.21).
III – MISSÕES NO PERÍODO ANTERIOR A MONARQUIA
O período anterior à monarquia é composto de dois momentos: um de conquista sob Josué, o sucessor de Moisés e o outro de anarquia, o período dos juízes. Vejamos abaixo dois exemplos de ação missionária, sendo um em cada período anterior a monarquia que seria estabelecida com Saul em Israel.
a) A OBRA MISSIONÁRIA NO PERIODO DA CONQUISTA (RAABE e família)
Nesse período de aproximadamente sete anos não temos a informação de uma obra efetiva de missões, mas a mensagem de salvação fora propagada por missionários anônimos de tal maneira que os habitantes de Jericó tinham conhecimento da ação poderosa de Deus no Egito, e na vida do Seu povo no percurso entre aquele País e a terra de Canaã (Js 2.9-11).
A prostituta Raabe foi alcançada por essa mensagem, temeu a Deus, aceitou e O serviu protegendo os dois espias de Canaã, enviados por Josué, sendo ela também uma missionária, pois falou aos seus parentes sobre o acordo com os espias, e os abrigou em sua casa que fora marcada com um fio de escarlate, que representava a proteção divina, sendo ela e os seus poupados da destruição de Jericó (Js 2.1-24). Mais tarde, Raabe, casa com um crente e dá continuidade à linhagem messiânica (Mt 1.5).
b) A OBRA MISSIONÁRIA DE NOEMI
No período dos Juízes vemos também em vislumbre uma obra missionária feita por uma serva de Deus chamada Noemi que fora peregrinar nas terras de Moabe, devido a terrível fome que assolava, na época, a terra pertencente à tribo de Judá. Noemi fora com seu marido e dois filhos para aquele país estrangeiro, casando-se os seus filhos com mulheres moabitas. O testemunho de Noemi foi tão poderoso naquela terra estrangeira, com a vida e as palavras, que Rute, a nora moabita, foi alcançada pela mensagem redentora. Rute num momento de decisão optou pelo Deus de Israel, acompanhando sua sogra no seu retorno para a terra de Judá. Rute, a moabita, como Raabe é arrolada na linhagem messiânica, conforme registro de Mateus (Mt 1.5).
IV – MISSÕES NO PERIODO MONARQUICO
No período monárquico da história de Israel, aconteceram episódios missionários nos reinados de Davi, Salomão e nos dias dos reis Josafá, Ezequias e Josias, quando tiveram ocasião, através destes três últimos reis, poderosos movimentos missionários no Reino de Judá.
a) A OBRA MISSIONÁRIA NA ÉPOCA DE DAVI
Davi, rei, poeta, músico e cantor, enfatizou muito a obra missionária nacional e também transcultural através de seus salmos, como por exemplo: “A minha boca relatará as bênçãos da tua justiça e da tua salvação todo o dia, posto que não conheça o seu número. Sairei na força do Senhor Deus; farei menção da tua justiça, e só dela” Sl 71.15,16. “Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome; anunciai a sua salvação de dia em dia. Anunciai entre as nações a sua glória; entre todos os povos, as suas maravilhas” Sl 96.2,3. Veja o que diz também o versículo 10 desse mesmo salmo: “Dizei entre as nações: O Senhor reina! O mundo também se firmará para que se não abale. Ele julgará os povos com retidão”.
b) A OBRA MISSIONÁRIA NA ÉPOCA DE SALOMÃO
No livro de Provérbios que, em sua maior quantidade de capítulos, foi escrito por Salomão há uma ênfase na obra missionária, quando se diz que, quem ganha alma sábio é. “O fruto do justo é árvore de vida, e o que ganha almas sábio é” Pv 11.30. Em Eclesiastes, outro livro escrito por Salomão, encontramos um texto interessante que fala da obra missionária, quando se diz: “Lança o teu pão sobre as águas, porque, depois de muitos dias, o acharás. Reparte com sete e ainda até com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra” Ec 11.1,2. Salomão ainda se envolveu com a obra missionária, no caso transcultural, quando testemunhou diante da rainha de Sabá das grandezas de Deus, fazendo com que aquela mulher exaltasse o grande nome do Deus de Israel. “Então, (ela) disse ao rei: Foi verdadeira a palavra que ouvi na minha terra acerca dos teus feitos e da tua sabedoria. Porém não cria nas suas palavras, até que vim, e meus olhos o viram; e eis que me não disseram a metade da grandeza da tua sabedoria; sobrepujaste a fama que ouvi. Bem-aventurados os teus homens, e bem-aventurados estes teus servos, que estão sempre diante de ti e ouvem a tua sabedoria! Bendito seja o Senhor, teu Deus, que se agradou de ti para te pôr como rei sobre o seu trono, pelo Senhor, teu Deus, porquanto teu Deus ama a Israel, para o estabelecer perpetuamente; e pôs-te como rei sobre eles, para fazeres juízo e justiça” 2 Cr 9.5-8.
c) A OBRA MISSIONÁRIA DE JOSAFÁ
Josafá governou o Reino de Judá, conhecido também como o Reino do Sul, que se compunha das tribos de Judá e Benjamim, na mesma época em que Acabe governava o reino de Israel, chamado de Reino do Norte, composto das tribos restantes. O piedoso rei Josafá movido pelo Espirito de Deus empreendeu uma poderosa obra missionária em todo o seu reino. Ele comissionou os levitas (componentes da tribo de Levi) a percorrerem o território do seu reino para ensinar ao povo a Lei do Senhor. O resultado da ministração da Palavra de Deus gerou um poderoso avivamento espiritual, uma grandiosa obra da graça onde milhares foram alcançados. “E ensinaram em Judá, e tinham consigo o livro da Lei do Senhor, e rodearam todas as cidades de Judá, e ensinaram entre o povo. E veio o temor do Senhor sobre todos os reinos das terras que estavam em roda de Judá e não guerrearam contra Josafá” 2 Cr 17.9,10.
d) A OBRA MISSIONÁRIA DE EZEQUIAS
Ezequias foi outro piedoso rei da casa de Davi, que liderou uma poderosa obra missionária no seu reino, conforme registros de 2 Cr 29; 30; 31; e 32. Além da obra de restauração do culto a Javé que fora deteriorada na gestão de seu pai, Acaz. Ezequias convocou, através de uma carta missionária, a todos os habitantes do seu reino bem como algumas tribos do Reino de Israel, os remanescentes, pois esse Reino fora destruído pelos assírios em 722 a.C., a se reunirem em Jerusalém. O resultado desse apelo missionário é que se fez naquela cidade uma celebração só rivalizada a feita nos dias de Salomão. “Foram, pois, os correios com as cartas das mãos do rei e dos seus príncipes por todo o Israel e Judá e segundo o mandado do rei, dizendo: Filhos de Israel, convertei-vos ao Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, para que ele se volte para aqueles de vós que escaparam e escaparam das mãos dos reis da Assíria. E não sejais como vossos pais e como vossos irmãos, que transgrediram contra o Senhor, Deus de seus pais, pelo que os pôs em assolação como o vedes. Não endureçais, agora, a vossa cerviz, como vossos pais; dai a mão ao Senhor, e vinde ao santuário que ele santificou para sempre, e servi ao Senhor, vosso Deus, para que o ardor da sua ira se desvie de vós. Porque, em vos convertendo ao Senhor, vossos irmãos e vossos filhos acharão misericórdia perante os que os levaram cativos e tornarão a esta terra; porque o Senhor, vosso Deus, é piedoso e misericordioso e não desviará de vós o rosto, se vos converterdes a ele... E em Judá esteve a mão de Deus, dando-lhes um só coração, para fazerem o mandado do rei e dos príncipes, conforme a palavra do Senhor. E ajuntou-se em Jerusalém muito povo para celebrar a Festa dos Pães Asmos, no segundo mês; uma mui grande congregação... “E houve grande alegria em Jerusalém, porque, desde os dias de Salomão, filho de Davi, rei de Israel, tal não houve em Jerusalém” 2 Cr 30.6-26.
e) A OBRA MISSIONÁRIA DE JOSIAS
Josias começou a reinar muito moço sobre Judá, mas desde cedo norteou os seus caminhos segundo os mandamentos do Senhor. A obra realizada por esse piedoso rei começou quando de uma reforma feita no templo de Jerusalém e os reconstrutores encontraram “perdido” o livro da Lei de Deus. O livro lido gerou no coração do Rei Josias um profundo desejo de envolver toda a nação sob o seu controle, especialmente a capital do seu reino, Jerusalém. Veja o que o texto bíblico diz: “Então, o rei convocou e ajuntou todos os anciãos de Judá e Jerusalém. E o rei subiu à Casa do Senhor com todos os homens de Judá e os habitantes de Jerusalém, e os sacerdotes, e os levitas, e todo o povo, desde o maior até ao menor; e ele leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro do concerto, que se tinha achado na Casa do Senhor. E pôs-se o rei em pé em seu lugar e fez concerto perante o Senhor, para andar após o Senhor e para guardar os seus mandamentos, e os seus testemunhos, e os seus estatutos, com todo o seu coração e com toda a sua alma, cumprindo as palavras do concerto, que estão escritas naquele livro. E fez estar em pé a todos quantos se acharam em Jerusalém e em Benjamim; e os habitantes de Jerusalém fizeram conforme o concerto de Deus, do Deus de seus pais. E Josias tirou todas as abominações de todas as terras que eram dos filhos de Israel; e a todas quanto se achara em Israel obrigou a que com tal culto servissem ao Senhor, seu Deus; todos os seus dias não se desviaram de após o Senhor, Deus de seus pais” 2 Cr 34.29-33.
V – A OBRA MISSIONÁRIA NO PERÍODO PROFÉTICO
a) A OBRA MISSIONÁRIA NA PRÓPRIA NAÇÃO
Os profetas dividem-se em profetas da escrita e profetas da palavra. Essa divisão está relacionada ao Cânon Sagrado. Os profetas foram levantados por Deus em época de crise na vida do povo de Israel. Eles ministravam geralmente para um contexto puramente israelita, mas também alcançando outras nações que de alguma maneira tiveram relacionamentos com o povo de Deus. Essas mensagens traziam uma palavra de exortação, ou de edificação ou de consolação. Poderosos profetas foram levantados por Deus, tanto no Reino do Norte como no Reino do Sul, tanto escritores como não escritores. O profeta, por excelência, no que se refere a missões em Israel foi o profeta Isaías, prestando a sua profecia também para o mundo inteiro. Foi ele quem mais falou do Redentor que haveria de vir. Dentre as célebres profecias acerca do Redentor encontramos aquelas de Is 7.14; 9.6,7 e a do capítulo 53 que fala do Messias sofredor, de sua morte expiatória.
b) A OBRA MISSIONÁRIA ENTRE OS CATIVOS DE JUDÁ
As dez tribos do Norte (o reino de Israel) foram destruídas pelos Assírios em 722 a.C. Os assírios, como tinham por costume, fizeram uma baldeação de povos. Tiraram os judeus do seu território e os espalharam pelo mundo antigo e trouxeram povos estrangeiros e os colocaram no lugar dos judeus, fazendo assim uma miscigenação, dando origem aos samaritanos (2 Rs 17.24-41). O reino de Judá (tribos Judá e Benjamim) foi destruído pelos babilônicos em 586 a.C. Os judeus foram levados cativos pelos caldeus e lá na Babilônia, entre os cativos, trabalharam como missionários os profeta Ezequiel e Daniel, o primeiro no meio do povo e o outro no palácio de Nabucodonosor, Belsazar, Dario e Ciro, enquanto Jeremias ficou ministrando no meio do remanescente que estava em Judá, tudo de acordo com a providência de Deus. Daniel exerceu uma poderosa influencia missionária junto aos mandatários babilônicos (Nabucodonosor e Belsazar) e persas (Dario, Ciro). Veja o que esses reis confessaram sobre o Deus de Daniel: “Então, o rei Nabucodonosor caiu sobre o seu rosto, e adorou a Daniel, e ordenou que lhe fizessem oferta de manjares e perfumes suaves. Respondeu o rei a Daniel e disse: Certamente, o vosso Deus é Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador dos segredos, pois pudeste revelar este segredo” Dn 2.46,47. (Veja ainda Dn 4.34,35). “Então, o rei Dario escreveu a todos os povos, nações e gente de diferentes línguas, que moram em toda a terra: A paz vos seja multiplicada! Da minha parte é feito um decreto, pelo qual em todo o domínio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel; porque ele é o Deus vivo e para sempre permanente, e o seu reino não se pode destruir; o seu domínio é até ao fim. Ele livra, e salva, e opera sinais e maravilhas no céu e na terra; ele livrou Daniel do poder dos leões” Dn 6.25-27. Também podemos mencionar nesse período a ação missionária de Neemias, copeiro do rei da Pérsia, que certamente com a sua vida e com as suas palavras testificou da grandeza do Deus dos Céus, bem como a do sacerdote escriba Esdras que foi o homem usado por Deus para restaurar o culto quando do retorno dos cativos para a sua terra natal.
c) A OBRA MISSIONÁRIA TRANSCULTURAL (JONAS)
Jonas profetizou no reino do Norte, na época de Jeroboão II, quando aquele reino, sob esse rei, teve um grande desenvolvimento econômico (2 Rs 14.23-28). Deus comissionou Jonas a ir pregar na cidade de Nínive, capital da Assíria, a potência militar da época. O profeta a contra gosto, depois da amarga experiência de ter passado três dias e três noites no ventre do grande peixe por ter desobedecido a Deus na primeira vez que Deus o comissionara, pregou em Nínive, que distava do seu campo de trabalho uns 1.000 quilômetros, entregando uma curta e duríssima mensagem aos habitantes daquela capital. Graciosamente Deus operou de uma maneira tão poderosa que a cidade inteira foi convertida, poupada da destruição. Inexplicavelmente o profeta Jonas não gostou do resultado do seu trabalho. Diante dessa expectativa mesquinha Deus amorosamente lhe deu uma lição onde é enfatizada a sua graça perdoadora e a sua soberania. (Leia o livro de Jonas).
CONCLUSÃO
Concluímos este artigo enfatizando que o Antigo Testamento, desde o primeiro livro até o último, Malaquias, está permeado de fatos que mostram que missões era uma realidade naquelas épocas passadas. Isso nos mostra a preocupação de Deus em alcançar os seus eleitos que estão espalhados em toda a face da terra, em todas as épocas.
Hoje também precisamos entender que o homem é o mesmo, que Deus é o mesmo, que o programa redentor é o mesmo e que existe a necessidade da Igreja, que é a comunidade que tem a responsabilidade de anunciar esse programa redentor, proclame as virtudes salvadoras de Jesus Cristo, pois para isso ela foi comissionada pelo seu Senhor.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
sábado, 28 de fevereiro de 2015
Uma panorâmica sobre Jó
O livro de Jó é o primeiro dos cinco livros chamados Livros Poéticos (Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares). Por sua vez os Livros Poéticos dividem-se em livros de sabedoria (Jó, Provérbios e Eclesiastes) e livros hínicos (Salmos e Cantares). Os três primeiros tem objetivo didático, ou seja, promover o ensino visando um viver ético por parte do crente segundo a Palavra de Deus. Os outros dois tem o objetivo de ser utilizado como hinário para o povo de Deus, na época Israel.
Tudo indica que o livro de Jó conta uma história que ocorreu no período patriarcal, pois nele não se fala sobre o templo, tanto o móvel como o fixo, sobre a lei mosaica, nem sobre o sacerdócio arônico nem tampouco sobre a nação de Israel (tribos, cidades, etc), e onde o próprio pai de família era o sacerdote do lar . É por isso que na Bíblia por Ordem Cronológica esse livro está inserido entre os capítulos 11 e 12 de Gênesis.
O livro em apreço começa falando sobre o seu personagem principal e o identifica como um homem íntegro e temente a Deus, com uma família bem estruturada e possuidor de muitos bens, sendo considerado pelo escritor do livro como o maior do oriente antigo. Depois o livro fala sobre uma cena acontecida no Céu onde os personagens principais são Deus e o Diabo. Em seguida o livro fala sobre a desventura de Jó, que por instigação do Diabo tem os seus bens roubados por tribos guerreira que viviam de pilhagens. Continuando o relato das desventuras de Jó, o livro informa da perda de uma só vez dos seus dez filhos (a casa onde estavam se confraternizando caiu e todos morreram soterrados). Quando perdeu a sua família e os seus bens Jó adorou a Deus dizendo: “... Nu sai do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” Jó 1.21.
Ainda para aumentar as desventuras de Jó, em seu segundo capitulo, o livro fala que Jó foi acometido de uma doença maligna que tomou conta de todo o seu corpo, desde o alto da cabeça até a planta dos pés.
Três amigos de Jó souberam de suas desventuras e vieram se condoer com ele (Elifaz, Bildade e Zofar) e mais tarde ajuntou-se outro (Eliú).
A partir do capítulo três até ao capitulo 41 o livro mostra os discursos proferidos por esses personagens, terminando com o discurso de Deus respondendo as inquietações e dúvidas de Jó. Os discursos começam com o de Jó se lamentando pelo drama que estava passando. Os amigos de Jó o acusavam de pecado e Jó se defendia dizendo que não tinha cometido pecado. Na época a teologia predominante era a da causa-efeito, ou seja, se a pessoa prosperava era porque estava bem com Deus e se tivera perda e estava passando por sofrimento a causa desses males era necessariamente consequência do pecado cometido.
Esse debate só ganha outra conotação quando o mais jovem dos quatro amigos de Jó, Eliú, discursa sobre o plano de Deus para a vida dos seres humanos, incompreensível ao homem, mas com uma finalidade benéfica, mesmo nas perdas e no sofrimento físico. A teologia de Eliú, que era a correta, teve mais tarde, a confirmação do apóstolo Paulo, que disse: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto” Rm 8.28.
Depois do discurso de Eliú, que não foi refutado por Jó, discursa o Deus dos Céus revelando a sua soberania e o seu propósito. Nas humildes palavras de Jó depois do discurso de Deus, podemos perceber que todo aquele drama teve uma finalidade benéfica para aquele homem, que foi o seu aprofundamento espiritual. “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza” Jó 42.5,6.
O livro termina com Deus restaurando a sorte de Jó, restituindo em dobro os bens perdido, a sua saúde, e dando-lhe novamente dez filhos. Não sabemos que se esses filhos foram com a mesma mulher que desesperada tinha dito ao seu marido que amaldiçoasse a Deus e se suicidasse ou se foi com outra mulher. Também encontramos no livro Jó orando e intercedendo pelos seus três amigos segundo uma ordem divina, porque eles não falaram o que era correto em relação a Deus.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
Uma panorâmica sobre Ester
O livro de Ester, o último dos livros históricos do Antigo Testamento, tem duas particularidades interessantes: É o único livro da Bíblia em que o nome de Deus (Elohim, Adonai, Yahweh) não é mencionado, mas nele se percebe a ação da providência divina em todo o seu conteúdo. A outra particularidade é que é o segundo livro que tem como heroína uma mulher, Ester, que dá o seu nome ao livro, a exemplo de Rute.
A história de Ester se dar no período do cativeiro babilônico, quando governava o mundo os persas. A rainha persa Vastir, esposa de Assuero, recusa-se em obedecer a uma ordem de seu marido e por causa disso é destituída de sua posição e em seu lugar é escolhida rainha uma jovem judia chamada Hadassa (hebraico) ou Ester (persa). Ester, cujo pai falecera, fora criada por seu primo Mardoqueu. Esse Mardoqueu descobriu uma conspiração contra o rei Assuero por parte de dois de seus assessores próximos e os denunciou a Ester e essa ao seu marido, sendo ambos executados, mas a sua ação foi esquecida e ele não foi recompensado.
Depois o livro fala de um importante homem chamado Hamã, extremamente vaidoso, que fora galgado a uma posição muito importante junto ao trono de Assuero. Esse homem por causa de sua alta posição e por causa do favoritismo que tinha junto à corte persa era reverenciado por todos, menos por Mardoqueu por causa de sua fé. Essa atitude de Mardoqueu gerou no coração de Hamã um ódio profundo e ele resolveu destruir a vida do servo de Deus bem como a de seu povo. Hamã consegue convencer a Assuero sobre a destruição dos judeus, alegando o seguinte: “... Existe espalhado e disperso entre os povos em todas as províncias do teu reino um povo, cujas leis são diferentes das leis de todos os povos, e que não cumprem as leis do rei; pelo que não convém ao rei tolerá-lo. Se bem parecer ao rei, decrete-se que seja destruído; e eu pagarei dez mil talentos de prata aos encarregados dos negócios do rei, para os recolherem ao tesouro do rei” Et 3.8. A assinatura do decreto que autorizava a destruição dos judeus em todos os domínios persas (cento e vinte e sete províncias) causou um reboliço em todo o reino, levando Mardoqueu a pedir a Ester que intercedesse pelos judeus, sendo ela também judia. Ester no inicio relutou, mas Mardoqueu insistiu com ela: “... Não imagines que, por estares no palácio do rei, terás mais sorte para escapar do que todos os outros judeus. Pois, se de todo te calares agora, de outra parte se levantarão socorro e livramento para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se não foi para tal tempo como este que chegaste ao reino?” Et 4.13,14. Isto levou Ester a orientar a Mardoqueu que convocasse o povo a um jejum de três dias. Depois desse jejum Ester se apresenta ao seu marido, mesmo sem ser convidada, o que era uma falta grave na cultura persa. Assuero a recebe de boa vontade e promete atender a sua petição mesmo que fosse a metade do reino. Ela pede apenas que ela e o seu povo fossem poupados da destruição articulada por Hamã. A trama de Hamã é descoberta e ele é enforcado na forca que preparara para Mardoqueu.
Antes de Ester fazer a sua petição, o rei perdeu o sono e mandou trazer as crônicas do reino e nelas leu o que Mardoqueu fizera e descobriu que aquela bondade não fora recompensada. De imediato o rei manda Hamã beneficiar a Mardoqueu com a própria sugestão que Hamã fizera pensando que se tratava de si mesmo. Hamã foi obrigado a acompanhar a Mardoqueu perante o povo de Susã, capital do reino persa, que estava montado numa montaria real e vestido regiamente.
Para resolver o problema, Assuero emite outro decreto no qual autoriza aos judeus a se defenderem e matarem aos que procuravam matá-los. Com a importância que Mardoqueu alcançara, o decreto autorizando a defesa dos judeus foi executado com sucesso em todo o reino persa, e os judeus para comemorar essa grande vitória instituiu a festa do Purim, que significa sorte. “Mardoqueu escreveu estas coisas, e enviou cartas a todos os judeus que se achavam em todas as províncias do rei Assuero, aos de perto e aos de longe, ordenando-lhes que guardassem o dia catorze do mês de adar e o dia quinze do mesmo, todos os anos” Et 9.20,21.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
domingo, 22 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Uma panorâmica sobre Neemias
Os livros de Esdras e Neemias tratam de uma obra de reconstrução realizada no meio do povo de Deus. Zorobabel reconstruiu o templo, Esdras restaurou o culto, e Neemias reconstruiu a cidade de Jerusalém, representada pela reconstrução de seus muros.
O livro de Neemias começa falando que o personagem Neemias era copeiro do rei persa Artaxerxes, e trabalhava em Susã, capital daquele reino. Através de seu irmão Hanani, Neemias tomou conhecimento do deplorável estado em que se encontravam os judeus e a cidade de Jerusalém. “Eles me responderam: Os restantes que ficaram do cativeiro, lá na província estão em grande aflição e opróbrio; também está derribado o muro de Jerusalém, e as suas portas queimadas a fogo” Ne 1.3. Essas informações deixaram Neemias transtornado, levando-o a buscar a presença de Deus e em seguida pedir ao rei que o enviasse para Jerusalém a fim de reconstruir a cidade de seus pais. Segundo a boa mão do Senhor sobre ele, o rei atendeu a solicitação de Neemias e ele vai para Jerusalém a fim de reconstruí-la. Ao chegar lá, Neemias faz uma averiguação in loco e constata a dimensão da obra. Segundo a bondade de Deus, ao conversar com os líderes judeus, consegue a sua adesão ao projeto que Deus colocara em seu coração e a obra é iniciada.
Logo que a obra é iniciada três indivíduos se levantaram para dificultar o trabalho de reconstrução: Sambalate, o horonita, Tobias, o amonita, e Gesem, o arábio. Apesar dessa oposição, inclusive com ameaças de fazer parar a obra à força, o trabalho de reconstrução é concluído em um tempo recorde para a época, cinquenta e dois dias (Ne 6.15).
Neemias usou de algumas estratégias para a execução da obra, sendo uma delas: cada pessoa construía a parte em frente de sua casa, inclusive sacerdotes e mulheres. Houve aquelas pessoas que fizeram mais do que o convencionado. Uma expressão comum no livro retrata bem como a obra foi executada “E ao seu lado reparou”. Essa expressão mostra a colaboração do povo de Deus em fazer aquela obra. No capitulo três do livro de Neemias encontramos a relação desses preciosos colaboradores e a parte do trabalho que fizeram.
Como os inimigos não conseguiram impedir a obra tentaram incutir temor no coração de Neemias, inclusive subornando alguns israelitas para sugerir a ele que se escondesse na parte interna do santuário, para escapar de um atentado, mas Neemias, discerniu a questão e entendeu que aquela sugestão não vinha de Deus. “Fui à casa de Semaías,..., que estava em recolhimento; e disse ele: Ajuntemo-nos na casa de Deus, dentro do templo, e fechemos as suas portas, pois virão matar-te; sim, de noite virão matar-te. Eu, porém, respondi: Um homem como eu fugiria? e quem há que, sendo tal como eu, possa entrar no templo e viver? De maneira nenhuma entrarei. E percebi que não era Deus que o enviara; mas ele pronunciou essa profecia contra mim, porquanto Tobias e Sambalate o haviam subornado” Ne 6.10-12.
Depois da obra de reconstrução do muro, Neemias o consagrou numa bonita festa com a presença de cantores que louvavam e exaltavam o Deus dos Céus.
Neemias ainda corrigiu alguns abusos que eram praticados pelos ricos e potentados, que oprimiam os pobres cobrando juros exorbitantes de empréstimos.
Em seguida, Neemias resolveu registrar as genealogias dos remanescentes do cativeiro babilônico e graças a essa obra pode constatar que alguns indivíduos que não eram da casa de Arão estavam exercendo o sacerdócio indevidamente, os quais foram expulsos.
O livro fala ainda de uma obra de natureza espiritual realizada por Esdras que foi a leitura da lei que provocou uma comoção profunda no povo de Deus, seguida da celebração da festa dos tabernáculos. O povo impactado pela palavra de Deus arrependeu-se e fez confissão de pecado, abandonando os pecados de casamento misto, de desprezo à obra de Deus, e da não guarda do sábado.
O livro ainda enfoca a relação de pessoas que optaram em morar na Jerusalém reconstruída, bem como nas cidades de Judá. O livro de Neemias ainda trata sobre a remoção por parte de Neemias de diversos abusos que estavam sendo praticados pelos judeus da época.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
Uma panorâmica sobre Esdras
O livro de Esdras começa com as mesmas palavras do final do livro de 2ª Crônicas, e isto nos dá indício de que quem escreveu Esdras escreveu também os livros de Crônicas, e ninguém estava mais qualificado para isso, na época, do que o sacerdote escrita Esdras. O livro de 2ª Crônicas termina com a autorização de Ciro, rei persa, para o retorno dos judeus do cativeiro babilônico, e o de Esdras conta a mesma história no seu início.
O livro em apreço é um livro que trata da restauração do templo e do culto após o retorno dos cativos para a terra de Israel, depois de setenta anos de cativeiro.
O rei Ciro fora usado por Deus para autorizar o retorno dos judeus cativos à sua terra natal. A ordem de Ciro envolvia também a liberação das peças que eram usadas no culto judaico no templo quando o mesmo existia, e que tinham sido levadas para a Babilônia.
O livro de Esdras mostra a relação da primeira leva de judeus que voltaram do cativeiro e que vieram sob o comando de Zorobabel. Em seguida, o livro revela o início da reconstrução do templo sendo o altar do holocausto a primeira peça colocada. Em seguida é lançado o alicerce do templo. Nessa ocasião houve uma intensa emoção, relatada assim pelo escritor sacro: “Muitos, porém, dos sacerdotes e dos levitas, e dos chefes das casas paternas, os idosos que tinham visto a primeira casa, choraram em altas vozes quando, a sua vista, foi lançado o fundamento desta casa; também muitos gritaram de júbilo; de maneira que não podia o povo distinguir as vozes do júbilo das vozes do choro do povo; porque o povo bradava em tão altas vozes que o som se ouvia de mui longe” Ed 3.12,13.
O trabalho de reconstrução do templo teve a oposição dos samaritanos (povo misto remanejado pela politica expansionista assíria, quando destruíra o reino do Norte-Israel). A partir desse episódio, começou o cisma samaritano que perdurou por séculos, inclusive na época em que viveu Jesus de Nazaré. Por causa dessa oposição a reconstrução do templo foi interrompida por um determinado tempo, só sendo retomada quando o rei Dario, persa, autorizou a continuação do trabalho. Nesse ínterim, dois profetas estimularam o povo a continuar a obra de reconstrução do templo (Ageu e Zacarias), e quando a obra foi acabada houve um culto de consagração seguido da celebração da festa da Páscoa.
Depois o livro trata do retorno de Esdras da Babilônia para a terra de Israel com a finalidade de ensinar ao povo a lei do Senhor. Esdras, o sacerdote escrita, estava bem qualificado para essa obra, conforme relato do próprio livro: “este Esdras subiu de Babilônia. E ele era escriba hábil na lei de Moisés, que o Senhor Deus de Israel tinha dado;...” Ed 7.6. “Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar e cumprir a lei do Senhor, e para ensinar em Israel os seus estatutos e as suas ordenanças” Ed 7.10.
Antes de empreender a viagem, Esdras proclamou um jejum para pedir a proteção divina na longa caminhada de Babilônia para a terra de Israel. Deus abençoou de uma maneira especial e o povo chegou em paz ao seu destino (Ed 8.21-23). Logo após a sua chegada, Esdras constatou algumas irregularidades na vida do povo de Deus, dentre elas o casamento misto, ou seja, o casamento de judeus com mulheres hetéias.
Após repreender o povo com argumentos tirados da Palavra de Deus, Esdras fez uma oração intercessória por eles. Impactados pela poderosa ação da palavra divina e pela oração do sacerdote Esdras o povo de Deus (os infratores) resolveu despedir as suas mulheres estrangeiras. “Agora, pois, façamos um pacto com o nosso Deus, de que despediremos todas as mulheres e os que delas são nascidos, conforme o conselho do meu Senhor, e dos que tremem ao mandamento do nosso Deus; e faça-se conforme a lei” Ed 10.3. Após esse posicionamento, os infratores, de fato, fizeram o que prometeram ao Senhor, e o livro termina apresentando a relação dos envolvidos nesse episódio.
Podemos extrair desse livro algumas lições: 1) o cuidado com as coisas espirituais vem em primeiro lugar; 2) Uma obra de restauração sempre encontra oposição; 3) Para ser usado por Deus como Esdras foi, é preciso de um preparo; 4) É preciso se conformar (obedecer) com a lei divina.
Pr. Eudes L. Cavalcanti
domingo, 1 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Uma panorâmica sobre 2ª Crônicas
2ª Crônicas detém-se basicamente sobre os reis da casa real de Davi, Reino de Judá ou do Sul, a exceção é a referência feita a Acabe, rei de Israel, com quem Josafá, rei de Judá fez aliança, aliança essa condenada pelos profetas Micaías e, especialmente, Jeú (2 Cr 19.1-3).
2ª Crônicas começa fazendo referência ao reinado de Salomão e dedica a esse rei nove de seus capítulos. Nesses nove capítulos nos é informado que aquele rei teve duas visões de Deus sendo que na primeira Deus perguntou a ele o que ele queria, pois isso Ele lhe daria. Salomão pediu a Deus sabedoria para governar o Seu povo (2 Cr 1.7-12) A outra visão foi quando Salomão construiu o santuário de Jerusalém e o consagrou (2 Cr 7.11-22).
Depois o livro trata sobre Roboão, filho de Salomão, em cujo reinado houve a divisão do reino em dois reinos, o de Judá (02 tribos) e o do reino de Israel (10 tribos). A causa da divisão do reino foi os pecados de Salomão e a intransigência de Roboão em atender a uma reivindicação justa do povo que estava oprimido com os pesados tributos taxados por Salomão.
Como vimos de relance acima, o livro de 2ª Crônicas destaca a monumental obra realizada por Salomão que foi a construção do tão almejado santuário. O templo construído seguiu a mesma estrutura básica do tabernáculo: o átrio, o lugar santo e o lugar santo dos santos. No primeiro se encontravam duas peças: a bacia de lavar e o altar do holocausto. No lugar santo, três peças: o candelabro de ouro, a mesa dos pães da proposição e o altar de incenso. No santo dos santos, a arca da aliança.
A sabedoria dada por Deus a Salomão o tornou famoso no mundo antigo (proferiu 3.000 provérbios, fez 1005 cânticos dentre eles o mais famoso, Cantares, e dissertou sobre os reinos animal e vegetal), vindo governantes do mundo de então para ouvir a sua sabedoria, dentre eles a famosa rainha de Sabá, conforme relato de 2 Cr 9.1-12.
Como foi dito no inicio, o livro em questão enfoca a dinastia de Davi, fazendo menção de um rei de Israel, Acabe, por causa da aliança que Josafá fez com ele. Dentre os reis elencados, temos os reis Abias, Asa e Uzias, famosos pelas obras que realizaram, mas os mais famosos do ponto de vista espiritual foram os reis Josafá, Ezequias e Josias, todos eles empreendedores de reforma da vida religiosa do povo de Israel.
Josafá teve um cuidado especial em abolir a idolatria e instruir o povo de Deus na lei divina, e para isso utilizou-se dos levitas. Dentre as vitorias de Josafá temos a mais decantada que foi a vitória sobre os filhos de Moabe, Amom e de Seir. Nessa peleja, segundo a ordem divina, Josafá não teve de pelejar, apenas levou o povo a um momento de adoração, enquanto o anjo do Senhor destruía o exército inimigo. “Nesta batalha não tereis que pelejar; postai-vos, ficai parados e vede o livramento que o Senhor vos concederá, ó Judá e Jerusalém. Não temais, nem vos assusteis; amanhã saí-lhes ao encontro, porque o Senhor está convosco”. 2ª Cr 20.17.
Ezequias teve por pai Acaz um rei ímpio, mas não seguiu os seus passos. Esse grande homem de Deus empreendeu também uma poderosa obra reformatória no meio do povo de Deus. Purificou o templo profanado por seu pai Acaz, restabeleceu o culto a Deus, instruiu o povo na lei divina, celebrou de uma forma especial a páscoa em Jerusalém convidando todo o seu reino para essa festividade. Depois dessa obra, o rei da Assíria, a potência mundial da época, depois de destruir o reino de Israel, intentou fazer o mesmo com o reino de Judá, cercando Jerusalém, mas Deus deu uma vitória estrondosa ao seu povo; um anjo enviado por Deus destruiu o exército assírio (185.000 homens).
Josias teve também por pai um rei ímpio, Amom, mas como Ezequias não seguiu os passos de seu pai, ao contrário, andou nos caminhos do Senhor e fez uma grande obra no meio do povo de Deus. Pena que, por uma decisão política errada sua, tenha sido morto prematuramente pelo faraó Neco.
O livro em apreço também fala, em seu final, da destruição de Jerusalém, do templo e do cativeiro babilônico na época de Zedequias, e fala também do retorno do cativeiro babilônico, autorizado por Ciro, rei persa.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
Uma panorâmica sobre 1ª Crônicas
Os livros de 1ª e 2ª Crônicas contam a história do povo de Israel no período dos reis, do ponto de vista sacerdotal, enquanto os livros de 1º e 2º Reis contam a história desse mesmo período na perspectiva profética, é por isso que 1ª Crônicas se ocupa nos primeiros oito capítulos com genealogias, inclusive, dos levitas e das tribos de Israel. Também esse livro não enfoca o grave pecado de adultério de Davi com Bate-Seba bem como o assassinato de seu esposo Urias, um dos heróis do exército de Israel, enquanto o livro de 2º Samuel os pinta com cores fortes.
O livro 1ª Crônicas apresenta em seu primeiro capitulo a genealogia dos primórdios da raça humana indo de Adão a Noé e depois continua com a genealogia de Sem, filho de Noé, até Abraão e a genealogia de Abraão bem como a de Jacó (os seus doze filhos formaram as doze tribos de Israel). As genealogias são afuniladas com a genealogia de Judá e de Davi, descendente de Judá, o rei teocrático. Também o livro apresenta a genealogia de Davi, os reis seus sucessores, inclusive, os seus descentes no exilio.
Outra genealogia importante enfocada nesse livro é a de Levi (filho de Jacó), tribo sacerdotal. Nessa genealogia há uma bifurcação sendo uma a dos levitas e a outros dos principais sacerdotes (é bom lembrar que todo o sacerdote israelita era levita, mas nem todo o levita era sacerdote, só os da casa de Arão).
O livro em questão, no capitulo 10, faz uma retrospectiva da morte de Saul e de seus filhos no monte Gilboa, na batalha contra os filisteus, e revela porque Deus o puniu com uma morte prematura (não obedeceu a Palavra do Senhor, não o buscou em suas aflições, e por ter consultada uma necromante) 1 Cr 10.13,14.
Em seguida o livro começa a falar sobre o rei Davi, de sua unção como líder da nação israelita, dos seus guerreiros e dos seus aliados. Depois o livro trata da arca da aliança que estava em Quiriate-Jearim e do seu transporte para a cidade de Jerusalém e do grave incidente ocorrido, em que um jovem chamado Uzá foi fulminado porque segurou a arca quando ela era transportada num carro de bois. Interpretando o incidente, podemos observar que houve um grave erro no episódio do transporte da arca. A arca só podia ser transportada nos seus varais que eram enfiados nas argolas de suas laterais pelos levitas, filhos de Coate, um dos filhos de Levi. Também ninguém poderia tocar na arca a não ser esses homens escolhidos por Deus. (1ª Cr 15.2,15).
Quando do transporte da arca, agora de uma forma correta, Davi ia louvando e dançando diante do Senhor, e Mical, filha de Saul, sua mulher, o desprezou porque ele dançava no cortejo. Por causa disso Mical, punida por Deus, tornou-se infértil, por ter zombado do seu marido.
Depois o livro trata do desejo de Davi de construir um templo para acomodar a arca do Senhor, símbolo da presença do Deus Altíssimo no meio do povo de Israel, mas Deus não permitiu porque Davi tinha feito muitas guerras e tinha derramado muito sangue nelas, cabendo essa honra a Salomão um dos seus filhos gerado de Bate-Seba, que tinha se tornado sua esposa, após a morte de seu marido Urias.
O livro ainda relata o pecado de Davi por ter recenseado Israel sem autorização divina bem como a punição dada por Deus pelo erro daquele rei.
Em relação à construção do templo, o livro informa que Davi preparou todo o material necessário para esse grande empreendimento bem como o projeto de construção do mesmo em seus detalhes. Depois o livro detalha a organização feita por Davi dos diversos ministérios que iriam operar quando o templo fosse construído (as turmas dos guardas do templo, dos cantores, dos porteiros, dos turnos dos sacerdotes, assim por diante).
No final de seu ministério, relata o livro, que Davi aconselha a Salomão de como deveria se relacionar com o Deus verdadeiro: “E tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai, e serve-o de coração integro e espirito voluntário, porque o Senhor examina todos os corações, e conhece todas as intenções da mente...” 1 Cr 28.9.
Depois o livro mostra a última oração feita por aquele ilustre homem de Deus, e relata a sua morte: “Ele morreu em boa velhice, com vida longa, riquezas e honra...” 1 Cr 29.28.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
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