Este blog veicula reflexões bíblicas feitas pelo Reverendo Eudes Lopes Cavalcanti
sexta-feira, 5 de junho de 2015
A Ceia do Senhor
O nosso Senhor Jesus na noite em que foi traído instituiu a Ceia Memorial, logo após celebrar a páscoa judaica. Os registros bíblicos sobre a instituição e celebração da Ceia encontram-se nos evangelhos sinóticos (Mateus 26.26-30; Marcos 14.22-26; Lucas 22.14-20) e na primeira carta de Paulo aos Coríntios 11.23-32.
Na instituição da Ceia, o Senhor Jesus utilizou-se de dois elementos que estavam presente na celebração da páscoa: o pão e o vinho. Ao tomar o pão o Senhor Jesus deu graças e o partiu entregando-o aos SEUS discípulos dizendo esta célebre expressão: “Tomai e comei isto é o meu corpo fazei isto em memória de mim”. Em seguida, o Senhor tomou o vinho e disse aos seus discípulos: “Bebei dele todos, pois isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança que é derramado em favor de muitos”.
O pão e o vinho quando da celebração da Ceia adquirem uma representatividade: o pão representa o corpo do Senhor Jesus que foi supliciado na cruz do Calvário e o vinho representa o Seu precioso sangue que foi derramado para a eterna redenção dos escolhidos de Deus e para a contínua purificação de seus pecados.
Aos ministros do Senhor, devidamente credenciados, foi dada a autorização para oficiarem a Ceia do Senhor.
Só os crentes em Cristo, batizados cerimonialmente com água em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, e que estejam em comunhão com Deus e com a Igreja que pertence, é que devem participar da Ceia.
À Igreja Deus deu autoridade para determinar a periodicidade da celebração da Ceia do Senhor. Nós, como Igreja organizada que somos (Igreja Evangélica Congregacional), determinamos que essa celebração deva ser realizada, a priori, no primeiro domingo de cada mês.
Ainda quanto à participação dos crentes na Ceia do Senhor, os mesmos devem fazê-lo com a compreensão correta do seu significado e com a consciência tranquila. O apóstolo Paulo ensina que participar da Ceia dignamente traz benção para a vida do crente e que participar indignamente traz juízo de Deus sobre ele.
Nenhum crente em Cristo deve se privar da Ceia exceto se estiver sob disciplina da Igreja, pois ela é uma ordenança que o Senhor Jesus deixou para ele.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
Uma panorâmica sobre Obadias
O livro do profeta Obadias é o menor dos livros proféticos, pois só tem um capítulo. O alvo de sua profecia é o povo de Edom, descendentes de Esaú irmão de Jacó.
Sobre esse profeta pouco se sabe senão que profetizou no reino de Judá. O nome Obadias era comum em Israel e significa servo do Senhor. A ocasião de sua mensagem profética foi uma invasão de Jerusalém por um povo inimigo, mas não se sabe qual. Segundo a Bíblia, Jerusalém foi pilhada cinco vezes durante o tempo do Antigo Testamento (pelo Egito, durante o reinado de Roboão; pelos filisteus e árabes durante o reinado de Jorão; por Israel, reino do Norte na época de Joás e pelos caldeus duas vezes, uma na época de Joaquim e a outra na época de Zedequias). A razão da profecia contra Edom foi porque esse povo se alegrou com a desventura do povo de Deus bem como ter participado dos despojos numa dessas invasões.
As razões históricas do ódio desse povo para com os seus parentes distantes remonta a época de Jacó e Esaú, quando o primeiro comprou o direito de primogenitura de seu irmão e depois tomou a sua benção (Gn 27). Mesmo Esaú e Jacó tendo se reconciliado (Gn 32, 33), os descendentes de Esaú não aceitaram com facilidade o que acontecera e, em diversas ocasiões, se postaram contra Israel, sendo a identificada no livro de Obadias uma delas. Na história bíblica os edomitas, em diversas ocasiões, se opuseram ao povo de Deus e se aliaram aos seus algozes. A primeira delas foi quando Israel ia em direção à terra prometida e os edomitas não o deixaram passar pelos seus termos (Nm 20.14-21). Depois, em outras duas ocasiões, sendo uma relatada no livro de 2 Cr 21 e a outra em 2 Rs 25.
O livro de Obadias divide-se em duas partes: a primeira parte corresponde aos versículos 1-14. Nessa parte, Deus expressa a sua ira contra os edomitas por causa de sua soberba e por se julgar inexpugnável visto que moravam em montanhas, e também pelo que fizera a Israel, pois esse povo se alegrara com a desgraça alheia. Como o juízo contra Jerusalém viera da parte de Deus por causa dos pecados daquela cidade ninguém tinha o direito de dizer “bem feito”, porque Deus estava tratando com o seu povo visando uma correção. Em relação ao povo de Deus existe uma máxima: com esse povo ninguém mexe sem sofrer as consequências.
A segunda parte do livro, que contempla os versículos 15 a 21, trata do dia do Senhor quando Edom seria destruído juntamente com todos os inimigos de Deus e do seu povo, ao passo que o povo escolhido seria salvo, e o seu reino triunfaria.
Sobre a expressão “dia do Senhor”, no caso, deve-se observar duas coisas: a primeira é o dia em que Edom seria destruído, ou seja, um juízo localizado na história. A outra questão é a que trata do juízo divino sobre as nações, no caso, representadas por Edom, no dia escatológico da segunda vinda do Senhor, evento que está para acontecer. Na história, o dia do Senhor para Edom foi ao tempo dos romanos quando esse povo invadiu o Oriente Médio e controlou toda aquela região. Segundo os historiadores bíblicos, a partir do ano 70 d.C., os edomitas desaparecem da história sendo assimilados pelos árabes nabateus.
Quanto ao dia escatológico do Senhor em que todas as nações irão receber o tratamento devido, esse dia, que não é necessariamente um dia de 24 horas, e sim um tempo em que Deus tratará com as nações que tem se postado contra o seu povo, perseguindo a fé cristã. “Porque o dia do Senhor está perto, sobre todas as nações; como tu fizeste, assim se fará contigo; a tua maldade cairá sobre a tua cabeça. Porque, como vós bebestes no monte da minha santidade, assim beberão de contínuo todas as nações; beberão, e engolirão, e serão como se nunca tivessem sido” Ob 15,16. O livro ainda fala de forma profética sobre o futuro livramento do povo de Deus, o que acontecerá na segunda vinda de Cristo.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
domingo, 31 de maio de 2015
Vendo o que se não ver
A Bíblia nos revela a existência de um mundo de natureza espiritual que não se vê pelos olhos naturais e sim pelos olhos que são iluminados pelo Espirito Santo. Esse reino de natureza espiritual se divide no reino da Luz e no reino das trevas. O reino da Luz tem como rei o Deus verdadeiro, e o reino das trevas é liderado pelo anjo caído, Satanás.
Sobre o reino da Luz, a Bíblia fala no Céu um lugar paradisíaco, no trono de Deus, em querubins, serafins, arcanjo e anjos. Diz ainda que os Céus governa a terra. “O Senhor tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo” Sl 103.19. “Mas, ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o meu entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é um domínio sempiterno, e cujo reino é de geração em geração. E todos os moradores da terra são reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão e lhe diga: Que fazes?” Dn 4.34,35.
O reino das trevas existe por permissão do rei do reino da Luz, mas esse reino já tem os seus dias contados. O diabo e seus anjos serão lançados num futuro escatológico no fogo eterno, o inferno, que foi preparado para esses sinistros personagens. De uma maneira misteriosa Deus permitiu que esse reino se estabelecesse para provar os homens.
Para se enxergar as ações desses dois reinos e atender as orientações do rei do reino da Luz faz-se necessário que se tenha a iluminação do Espirito Santo. Paulo quando orava pelas igrejas de Éfeso e de Colossos pediu a Deus que iluminasse o entendimento daqueles irmãos para que eles pudessem conhecer a vontade do Rei eterno. Paulo revelou ainda que a luta do cristão não é contra a carne e o sangue (o homem) e sim contra as forças espirituais da maldade nos lugares celestiais (Ef 6.10-12). Fala ainda Paulo que os espíritos das trevas exercem uma influência perniciosa sobre os homens, e diz que Deus livrou os crentes do espirito que opera nos filhos da desobediência. (Ef 2.1,2; Cl 1.13).
Peçamos amados a Deus que nos abra os olhos espirituais para ver essas coisas, pois essa visão vai nortear o nosso viver. A Bíblia diz que Moisés viu o invisível (Hb 11.27) e nós o que estamos vendo?
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
Uma panorâmica sobre Amós
O profeta Amós nasceu em Tecoa uma pequena aldeia que existia, na época, próxima a Belém de Judá. Ele era um fazendeiro, criador de gado e plantador de sicômoro (figueira), e foi chamado por Deus para profetizar no Reino do Norte (Israel). Veja o testemunho desse profeta sobre o seu chamado: “E respondeu Amós e disse a Amazias: Eu não era profeta, nem filho de profeta, mas boieiro e cultivador de sicômoros. Mas o Senhor me tirou de após o gado e o Senhor me disse: Vai e profetiza ao meu povo Israel” Am 7.14,15.
O Reino de Israel, na época, tinha alcançado uma prosperidade material muito grande através da administração do rei Jeroboão II. O problema desse reino do ponto de vista espiritual era que a prosperidade gerou arrogância e injustiça social, ou seja, os ricos explorando os pobres e negando-lhes os seus direitos.
O livro de Amós começa com profecias de juízo sobre os povos limítrofes de Israel: Siros, filisteus, tírios, edomitas, amonitas e moabitas, e a razão apresentada por Deus para esse juízo eram as ações vingativas perpetradas por esses povos contra os israelitas. Ainda nesse juízo Deus aponta o pecado do seu povo sob o reino de Israel: “Assim diz o Senhor: Por três transgressões de Israel e por quatro, não retirarei o castigo, porque vendem o justo por dinheiro e o necessitado por um par de sapatos” Am 2.6. Deus também aponta os erros do seu povo do reino do Sul (Judá), e as razões foram as seguintes: “Assim diz o Senhor: Por três transgressões de Judá e por quatro, não retirarei o castigo, porque rejeitaram a lei do Senhor e não guardaram os seus estatutos; antes, se deixaram enganar por suas próprias mentiras, após as quais andaram seus pais” Am 2.4.
Na sua mensagem de juízo entregue ao reino de Israel (Norte) que, por sinal, foi mais intensa, o profeta Amós teve a oposição do principal sacerdote daquele reino chamado Amazias, porque Amós tinha profetizado contra o rei Jeroboão II. Amazias, que era o sacerdote em Betel onde Jeroboão I tinha instalado um dos dois bezerros de ouro em Israel e que era cultuado naquele reino, disse a Amós: “... Vai-te, ó vidente, foge para a terra de Judá, e ali come o pão, e ali profetiza; mas, em Betel, daqui por diante, não profetizarás mais, porque é o santuário do rei e a casa do reino” Am 7.12,13. Em resposta, Amós entregou a esse sacerdote uma duríssima mensagem vinda da parte do Senhor: “Portanto, assim diz o Senhor: Tua mulher se prostituirá na cidade, e teus filhos e tuas filhas cairão à espada, e a tua terra será repartida a cordel, e tu morrerás na terra imunda, e Israel certamente será levado cativo para fora da sua terra” Am 7.17.
A mensagem de juízo de Deus contra Israel foi entregue também através de visões simbólicas, sendo elas: A visão da locusta, do fogo e do prumo (cap. 7) a visão dum cesto de frutos (cap. 8) e a visão da ruína do altar em Betel (cap. 9).
Através dessas mensagens Deus estava dizendo a Israel que Ele era o Deus santo e que não iria tolerar a quebra contínua, por parte daquele povo, da aliança que fora estabelecida no Sinai, quando Israel estava aquartelado lá, e recebera a lei que iria nortear o viver do Seu povo na terra da promessa. Deus também estava revelando, mais uma vez, ao Seu povo que Ele era o Deus misericordioso que restauraria a Israel no devido tempo após a destruição de ambos os reinos pelos assírios e pelos babilônicos. Essa restauração deu-se através de Ciro, governante persa.
É bom lembrar que a restauração espiritual de Israel dar-se-á através do programa geral da Igreja onde judeu e gentio são reconciliados com Deus pela cruz de Cristo.
Quanto a Cristologia o texto de Am 9.11 é citado por Tiago, o irmão do Senhor, em Atos 15.14-18, referindo-se a essa restauração através do programa geral da Igreja onde são contemplados judeus e gentios.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Questões de Teologia Sistemática para Avaliação de Candidatos ao Ministério Pastoral
1) O que é Revelação segundo a Bíblia?
2) O que é Revelação Geral? Justifique biblicamente a resposta.
3) O que é Revelação Especial? Justifique biblicamente a resposta.
4) O que é Inspiração da Bíblia? Justifique biblicamente a resposta.
5) Descreva sucintamente sobre as teorias da Inspiração da Bíblia.
6) O que é um atributo quando relacionado a Deus?
7) O que é atributo natural de Deus? Usando a Bíblia, mencione cinco deles.
8) O que é atributo moral de Deus? Usando a Bíblia, mencione cinco deles.
9) Defina o que é Trindade.
10) Justifique biblicamente a existência da Trindade no Velho e no Novo Testamento.
11) O que é a Providência de Deus? Cite três fatos bíblicos onde a Providência de Deus pode ser observada.
12) A doutrina que estuda o homem do ponto de vista teológico chama-se __________________ .
13) Em relação à constituição do homem, discorra sobre as teorias existentes. Embase com a Bíblia a sua preferência.
14) Sobre a origem da alma, quais são as teorias existentes? Descreva-as sucintamente.
15) O que é a imago Dei?
16) O que é pecado?
17) Segundo a Bíblia, o pecado está inerentemente arraigado a ______________________ . Justifique biblicamente a resposta.
18) Quais as conseqüências do pecado sobre o ser humano?
19) Justifique biblicamente a morte em seus aspectos físico, espiritual e eterno.
20) Prove biblicamente a natureza humana de Cristo.
21) Prove biblicamente a natureza divina de Cristo.
22) O que é união hipostática das naturezas de Cristo. Justifique biblicamente a resposta.
23) Quais são os estágios do Estado de Humilhação de Cristo? Justifique biblicamente a resposta.
24) Quais são os estágios do Estado de Exaltação de Cristo? Justifique biblicamente a resposta.
25) Quais os Ofícios de Cristo? Descreva sucintamente cada um deles provando-os biblicamente.
26) O que é Arminianismo e qual a seqüência dos passos ensinados pelo mesmo quanto à ordem dos decretos de Deus no que se refere à salvação?
27) O que é Calvinismo e qual a seqüência dos passos ensinados pelo mesmo quanto à ordem dos decretos de Deus no que se refere à salvação?
28) O que é Justificação segundo a Bíblia. Prove biblicamente a resposta.
29) O que é Adoção segundo a Bíblia. Prove biblicamente a resposta.
30) O que é Redenção segundo a Bíblia. Prove biblicamente a resposta.
31) O que é Regeneração segundo a Bíblia. Prove biblicamente a resposta.
32) O que é Santificação segundo a Bíblia. Prove biblicamente a resposta.
33) Quais os aspectos teológicos da morte de nosso Senhor Jesus Cristo. Use a Bíblia na resposta.
34) O que é Igreja local?
35) O que é Igreja invisível?
36) Quais os tipos mais conhecidos de governo de Igreja. Comente sucintamente cada um deles.
37) Quais as ordenanças deixadas por nosso Senhor Jesus para a Igreja? Comente sobre cada uma delas, usando a Bíblia.
38) Que são anjos?
39) Os anjos bons (eleitos) foram confirmados por Deus na ____________ e os anjos maus foram confirmados por Deus na ________________.
40) Existe uma gradação entre os anjos (maus e bons)? Comente o assunto a luz da Bíblia.
41) O que é Escatologia?
42) Qual a divisão do estudo da Escatologia?
43) Quais os assuntos tratados em cada uma dessa divisão da Escatologia?
44) Sucintamente, comente sobre o Estado Intermediário?
45) Prove biblicamente a Segunda Vinda do Senhor?
46) Prove biblicamente o Arrebatamento da Igreja?
47) Quais são as teorias Tribulacionistas do Arrebatamento da Igreja? Comente-as sucintamente.
48) O que são Amilenismo, Pós-Milenismo e Pré-Milenismo?
49) O que é o Juízo Final? Comprove biblicamente o assunto.
50) O que é o Estado Eterno. Comprove biblicamente o assunto.
(Contribuição do Pastor Eudes Lopes Cavalcanti)
quarta-feira, 27 de maio de 2015
A prioridade do Reino
A Bíblia nos revela que Deus é o rei do universo. “O Senhor tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo” Sl 103.19. Revela ainda que esse reino é de natureza espiritual “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espirito Santo” Rm 14.17 (Veja ainda Jo 18.36), e também de natureza material. Deus governa tudo e todos. “Portanto, quer comais ou bebais, ou façais qualquer coisa, fazei tudo para a gloria de Deus” 1 Co 10.31.
Em relação ao reino em sua natureza espiritual entra-se nele pela fé em Cristo, pelo novo nascimento. Uma vez dentro do reino, renascido espiritualmente, o cristão é súdito do reino de Deus, é um cidadão dos céus.
As prioridades naturais do indivíduo, depois de entrar no reino de Deus, perdem a sua força e em seu lugar surge a prioridade que o próprio Rei dá as coisas do Seu reino. “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Cl 3.1-3.
Uma vez convertido a Cristo, a única opção que se oferece ao crente é viver intensamente a sua fé, envolvido com as atividades do reino de Deus. O Senhor Jesus foi bem claro, não enganou ninguém, quanto às exigências do reino. Vejamos o que Ele disse sobre o assunto: “E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão ao arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus” Lc 9.62.
Quando o Senhor viu os súditos do seu reino preocupados com as coisas deste mundo e vivendo em função delas, Ele disse o seguinte: “Não andeis, pois inquietos, dizendo: que comeremos, ou, que beberemos, ou, com que nos vestiremos?... mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” Mt 6.33.
Reflitamos amados, sobre esse assunto que é de uma importância capital para a vida do cristão. Priorizemos o reino de Deus, pois o Rei prometeu provisionar tudo o que for necessário para você viver feliz neste mundo e na eternidade.
Pr. Eudes Lopes Cavacanti
Uma panorâmica sobre Joel
Sobre o profeta Joel, autor do segundo livro dos Profetas Menores, pouco se sabe a não ser o nome do seu pai, o que também não diz muita coisa para o leitor da Bíblia.
Esse profeta profetizou no reino de Judá (Sul) que era composto das tribos de Judá e Benjamim. A profecia do livro foi dada por Deus quando Judá enfrentava uma terrível devastação na agricultura provocada por uma praga de gafanhotos, bem como pela seca, como consequência do juízo de Deus sobre o pecado daquele reino. Tudo indica que, na época, governava o reino de Judá, o rei Joás, que era uma criança (subiu ao trono quando tinha sete anos), mas que estava sob a tutela do sumo sacerdote Joiada. Como não há referência a realeza na profecia de Joel, pois governava o reino os sacerdotes e é a esses lideres que recai a responsabilidade dos pecados do povo, talvez pelo mau exemplo dado por eles ou pela falta de instrução ao povo na lei do Senhor, ou ainda ambas as coisas. No capítulo 1 do seu livro, Joel fala sobre a devastação provocada pelo enxame de gafanhotos e pela seca.
No capítulo dois do livro, o Senhor através do profeta, diante da tragédia que se abatia sobre a nação, chama o povo ao arrependimento. “Ainda assim, agora mesmo diz o Senhor: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor, vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em beneficência e se arrepende do mal. Quem sabe se se voltará, e se arrependerá, e deixará após si uma bênção, em oferta de manjar e libação para o Senhor vosso Deus?” Jl 2.12-14.
Em seguida ao chamado ao arrependimento, o Senhor promete abundância caso seja obedecido pelo povo. “E vós, filhos de Sião, regozijai-vos e alegrai-vos no Senhor, vosso Deus, porque ele vos dará ensinador de justiça e fará descer a chuva, a temporã e a serôdia, no primeiro mês. E as eiras se encherão de trigo, e os lagares transbordarão de mosto e de óleo. E restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto, e a locusta, e o pulgão, e a oruga, o meu grande exército que enviei contra vós. E comereis fartamente, e ficareis satisfeitos, e louvareis o nome do Senhor, vosso Deus, que procedeu para convosco maravilhosamente; e o meu povo não será mais envergonhado” Jl 2.23-26.
Ainda no capitulo dois do livro o Senhor promete derramar o seu Espirito sobre o seu povo, como benção espiritual, antes do grande e terrível dia do Senhor, que é a segunda vinda de Cristo para julgar o mundo. Essa profecia do derramamento do Espírito cumpriu-se no dia de Pentecostes, inaugurando oficialmente a era da Igreja, conforme informado pelo apóstolo Pedro em seu discurso. “Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos; e também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e minhas servas, naqueles dias, e profetizarão; e farei aparecer prodígios em cima no céu e sinais em baixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes de chegar o grande e glorioso Dia do Senhor” At 2.16-20.
Em seguida, o livro fala do juízo de Deus sobre as nações inimigas do seu povo que ao longo da história perseguiram o povo de Israel, no livro Tiro, Sidom, Filistia, Egito e Edom, juízo esse que já ocorreu na história, e que também é representativo do juízo de Deus sobre as nações na segunda vinda do Senhor. “Congregarei todas as nações, e as farei descer ao vale de Jeosafá; e ali com elas entrarei em juízo, por causa do meu povo, e da minha herança, Israel,...” Jl 3.2. O livro termina com a promessa da habitação de Deus no meio do seu povo, o que se cumpre na dispensação da Igreja, pois nela Deus habita pelo Seu Espírito (Veja 1 Co 3.16; 2 Co 6.16).
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
sábado, 16 de maio de 2015
Tempos Trabalhosos
O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo, inspirado por Deus, disse que nos últimos tempos o mundo inteiro enfrentaria tempos trabalhosos, e ele diz a razão desse tempo trabalhoso, que é o perfil da geração que estará vivendo sobre a face da terra. “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te” 2 Tm 3.1-5.
Segundo o texto acima, a natureza pecaminosa do homem natural, instigada pelas forças espirituais da maldade, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência (Ef 2.2,3), chegará a um ponto alto comparado aos dias antediluvianos quando a Bíblia diz que a terra encheu-se de violência e de maldade (Veja Gn 6.1-12).
Além do homem corrompido pelo pecado, egoísta, amante de si mesmo, temos o descontrole na própria natureza, na economia, na família, na sociedade em geral, causado pela ação predatória e gananciosa do próprio homem.
Essa situação calamitosa que se intensificará e perdurará até o grande dia da vinda do Senhor, não será resolvida por programas de governo, nem educacional, pois a raiz está na natureza corrompida do homem. A Bíblia diz ainda que os últimos dias terá uma atuação demoníaca mais intensa, pois a corrente que amarra o diabo será por ordem de Deus afrouxada (Veja Ap 20.7-10).
Mas, o que assusta mesmo é a atitude alienada da Igreja que está no mundo e não está percebendo a caótica situação que estamos enfrentando, a prova disso é o descaso para com a oração por parte da maioria dos crentes em Cristo. Crentes esses que só buscam a oração quando estão passando dificuldades. É hora de despertar, de buscar intensamente a face do Senhor, independente de circunstâncias, pois os dias são maus. (Leia Ef 6.10-18).
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
Uma panorâmica sobre Oséias
O livro de Oséias é o primeiro livro do grupo de livros chamados Profetas Menores. Oséias profetizou no reino do Norte, chamado também de Israel, que era composto na época de dez tribos (das doze tribos que formavam a nação israelita, excetuam-se as tribos de Judá e Benjamim que formavam o reino do Sul, chamado também de reino de Judá).
O livro retrata o drama pessoal de Oséias que casou, a mando de Deus, com uma mulher de vida duvidosa e que após o casamento foi infiel ao seu esposo, mas que ainda, a mando de Deus, o profeta a buscou para voltar ao convívio do lar. A experiência amarga do profeta simbolizava a relação de Deus com Israel, que nesse livro era uma relação conjugal. Deus era o marido de Israel e Israel sua esposa. Assim como Oséias tomou a Gomer como esposa, uma mulher de vida duvidosa, Deus tomara Israel na incredulidade e na idolatria (Abraão, o patriarca hebreu, antes de sua conversão era um idólatra) para fazer dele sua esposa. Como a mulher do profeta Oséias foi infiel ao seu marido assim Israel estava sendo infiel ao seu esposo, Deus. É bom lembrar que a idolatria na Bíblia é sempre considerada uma prostituição, um adultério espiritual.
O reino de Israel (Norte), após a divisão do povo de Deus na época de Roboão, filho de Salomão, começou a se prostituir, ou adulterar, quando o seu rei Jeroboão fez dois bezerros de ouro e os colocou em pontos estratégicos (Dã e Betel) e disse ao povo que aqueles bezerros eram os deuses de Israel, e que esquecessem o templo em Jerusalém, em Judá. “E disse Jeroboão no seu coração: Agora, tornará o reino à casa de Davi. Se este povo subir para fazer sacrifícios na Casa do Senhor, em Jerusalém, o coração deste povo se tornará a seu senhor, a Roboão, rei de Judá, e me matarão e tornarão a Roboão, rei de Judá. Pelo que o rei tomou conselho, e fez dois bezerros de ouro, e lhes disse: Muito trabalho vos será o subir a Jerusalém; vês aqui teus deuses, ó Israel, que te fizeram subir da terra do Egito. E pôs um em Betel e colocou o outro em Dã. E este feito se tornou em pecado, pois que o povo ia até Dã, cada um a adorar” 1 Rs 12.26-30. É importante ainda observar que todos os reis do reino de Israel (Norte) seguiram as pegadas de Jeroboão I, ou seja, trilharam o caminho da idolatria. Esse rei tornou-se um paradigma para os outros reis. É comum a expressão: “e não se apartou dos caminhos de Jeroboão”.
Mas, a grande mensagem do livro de Oséias é a que enfatiza o amor de Deus por Israel. Mesmo Deus sendo traído pela esposa infiel (Israel), ele a amava profundamente e queria trazê-la ao convívio do lar. “Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei a meu filho. Mas, como os chamavam, assim se iam da sua face; sacrificavam a baalins e queimavam incenso às imagens de escultura. Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os pelos seus braços, mas não conheceram que eu os curava. Atraí-os com cordas humanas, com cordas de amor; e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas; e lhes dei mantimento” Os 11.1-4.
A história do reino do Norte foi uma história de continua prostituição espiritual. Deus levantou muitos profetas, tanto profetas da palavra como profetas escritores, dentre eles o profeta Oséias, para ministrar aquele povo tentando levá-lo ao arrependimento, mas, infelizmente, a mensagem de Deus nunca entrou no coração daquela parte do povo de Deus, e essa indiferença levou-o a destruição pelos assírios em 722 a.C. Em Oséias, Deus notifica o pecado de Israel, o ameaça com castigo, demonstra-lhe amor, mas tudo em vão.
O livro de Oséias termina com uma exortação ao arrependimento e a promessa divina de que Israel será tratado com misericórdia no futuro. Uns acham que esse tratamento será no período tribulacional e outros acham que a misericórdia de Deus está sendo derramada sobre Israel no programa geral da Igreja, quando os judeus são tratados com amor e graça como indivíduos e não como nação.
Em relação à Cristologia, o livro de Oséias não tem referências diretas a Cristo, mas o amor de Deus revelado no livro em relação a Israel que é comparado ao amor matrimonial, simboliza o amor de Cristo pela Igreja, hoje sua noiva e depois da vinda do Senhor, sua esposa. Mateus cita Os 11.1b (Mt 2.15), referindo-se ao episódio da fuga da família de José e Maria com Jesus criancinha para o Egito por causa de Herodes, e o seu retorno para a terra de Israel após a morte desse rei.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
domingo, 10 de maio de 2015
Uma panorâmica sobre Daniel
O livro de Daniel é o último dos livros chamados de profetas maiores. Em relação ao seu autor, Daniel, o mesmo foi levado cativo junto com outros jovens quando da primeira investida do exército babilônico contra o reino de Judá. Daniel na corte babilônica foi prestigiado devido ao dom espiritual de interpretação que Deus lhe dera. Em duas ocasiões Daniel se distinguiu porque solucionou, através do dom que Deus lhe dera, dois sonhos que Nabucodonosor tivera. A benção de Deus na vida de Daniel caiu sobre ele desde o momento em que ele resolveu viver uma vida de santidade no meio de um povo estrangeiro.
No que se refere ao livro que escreveu, o mesmo pode ser dividido em duas partes distintas. A primeira parte vai do capitulo 1 a 6 e trata de um relato histórico. Nesse relato histórico encontramos primeiramente o testemunho de Daniel de como Deus o levara a Babilônia e a sua decisão de não se contaminar com as iguarias da corte babilônica. O outro fato registrado no livro é o sonho que Nabucodonosor tivera e que ninguém conseguira interpretar, mas que Daniel conseguiu com a ajuda divina. No capitulo três encontramos a história da estátua de ouro que Nabucodonosor construíra e da recusa deliberada de Sadraque, Mesaque e Abednego, jovens que vieram cativos com Daniel, em adorá-la. A fornalha de fogo ardente em que foram lançados não conseguiu destruir aqueles jovens, graças à presença do quarto homem (o Filho de Deus, teofania) na fornalha, tirando a força do fogo. No capítulo quatro encontramos o juízo de Deus sobre o soberbo rei Nabucodonosor fazendo com que ele, depois de sete anos, reconhecesse que o Altíssimo reinava sobre o universo. No capitulo cinco encontramos o juízo de Deus sobre o filho de Nabucodonosor, Belsazar, porque profanou os utensílios do templo de Jerusalém que foram levados para a Babilônia. No capitulo seis encontramos a famosa história de Daniel na cova dos leões. Devido a sua devoção a Yavé,Daniel foi pego numa armadilha preparada por homens invejosos devido a sua habilidade e fidelidade em tratar dos negócios do rei Dario, persa, a quem servia. Daniel foi jogado na cova dos leões, mas Deus estava lá para tapar a boca daqueles animais famintos. Os seus acusadores foram devorados no lugar de Daniel, como castigo pelos seus pecados.
A segunda parte do livro de Daniel (capítulos 7 a 12) é chamada de parte profética porque nela encontramos revelado o futuro do povo de Deus em relação aos impérios mundiais (caldeu, persa, grego e romano), cada um desses impérios é representado em visões simbólicas: Caldeus – leão com asas de águia; persas – um urso tendo três costelas entre os seus dentes. Grego – um leopardo com quatro asas de ave nas costas; e os romanos – um animal terrível e espantoso com dentes de ferro e dez chifres. Essa profecia cumpriu-se admiravelmente na história.
O livro também menciona o prolongado conflito entre os reinos dos Ptolomeus (Egito) e dos Seleucos (Síria), reinos esses originados pela divisão do império que Alexandre Magno construíra e que fora dividido entre os seus quatro generais após a sua morte.
No capitulo nove, Daniel é impulsionado por Deus a orar por Israel, pois chegara o tempo do fim do cativeiro babilônico, que ocorreu no governo persa. Em resposta a oração de Daniel lhe é revelado uma profecia conhecida como As Setenta Semanas de Daniel. Nessa profecia é revelado o futuro de Israel a partir da ordem dada por Ciro para a reconstrução do templo e da cidade de Jerusalém. As semanas dessa profecia são semanas de anos (uma semana = sete anos). Portanto, essa profecia atinge um período de quatrocentos e noventa anos, desde Ciro até o Messias, Cristo. Uns acham que no cumprimento dessa profecia o relógio profético de Deus em relação a Israel parou na sexagésima nona semana de anos, para dá espaço para a Igreja, que é o mistério oculto que não fora revelado a Daniel. A última semana de Daniel (a septuagésima) terá o seu cumprimento no período tribulacional, após o arrebatamento da Igreja, quando Deus irá tratar com a nação de Israel. Outros acham que a profecia das setenta semanas já se cumpriu e o que está pendente é a segunda vinda de Cristo e a inauguração de seu governo sobre o mundo, o que é também profetizado por esse profeta.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
Assinar:
Postagens (Atom)
Simão, o mágico (At 8.9-13) No relato do texto em apreço, nos é apresentada a figura de um homem famoso na cidade de Samaria, onde De...
-
A Parábola da Candeia (4.21-25) Depois de proferir a parábola do semeador e explicar aos seus discípulos o motivo dele falar por pará...
-
Reflexões no Evangelho de Marcos O Sermão Profético – A Vigilância (Mc 13.32-37) Depois de profetizar sobre a sua segunda vinda, o Senhor Je...