segunda-feira, 30 de março de 2009

OS PRESBÍTEROS SÃO PASTORES?

Numa recente Convenção Regional de nossa Denominação um dos preletores, numa de suas palestras, trouxe “uma nova verdade” para os convencionais, dizendo que os Presbíteros de uma igreja local são os seus Pastores, indistintamente. O palestrante baseou a sua assertiva no texto de 1 Pe 5.1-4. Na sua exposição o ilustre Pastor, ou melhor, Presbítero já que ele disse que era a mesma coisa, não fez nenhuma diferenciação entre Pastores e Presbíteros, e, consequentemente, não identificou os Pastores como os líderes de uma igreja local. Para reforçar o seu argumento ele fez menção ao sacerdócio universal dos crentes, em que todos os crentes são iguais e que não existe entre eles uma hierarquia sacerdotal como se tinha na antiga dispensação.
A palavra do Pastor, aliás, Presbítero, foi muito boa a não ser num detalhe sutil, mas perigoso para o ministério convencional das Igrejas Congregacionais, que já enfrentam, algumas delas, muitas dificuldades na área de liderança.
À bem da verdade, é de suma importância que tragamos um esclarecimento sobre o assunto, baseado nas Escrituras já que presentes a essa Convenção estavam Pastores, Presbíteros, Evangelistas, Missionárias e delegados de igrejas que não ocupam posição de liderança dentro delas no que se refere aos seus ofícios.
Observem os irmãos que Pedro no início de suas duas cartas apresenta aos seus leitores a credencial de apóstolo de nosso Senhor Jesus Cristo (1 Pe 1.1; 2 Pe 1.1). “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo...” 1 Pe 1.1. Na sua primeira carta, no capítulo 5.1-4, Pedro se identifica com os Presbíteros no que se refere ao ministério de supervisão da igreja. “... admoesto eu, que sou também presbítero como eles” 1 Pe 5.1. Na leitura desses dois textos podemos constatar com facilidade que o ofício de Pedro na igreja do Senhor era o de Apóstolo e desse ofício ele não abria mão, como enviado que era do Senhor com comissão exclusiva (Veja Mt 10.1-5), mas que também era um Presbítero no sentido de ser um supervisor da obra do Senhor, ou seja, Pedro era Apóstolo e era também Presbítero, mas os Presbíteros não eram Apóstolos, pois para isso teriam que ter uma chamada exclusiva para aquela função, conforme os Apóstolos tiveram.
Escrevendo aos Efésios (4.11), o apóstolo Paulo, outro que não abria mão de seu ofício nem de sua autoridade apostólica, revela que Deus graciosamente deu a igreja para promover o seu crescimento harmonioso, dons de liderança, com as identificações de Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Pastores e Mestres. “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres” Ef 4.11. Destacamos neste texto que os ministros citados são dádivas exclusivas de Deus a igreja, e isto pressupõe uma chamada específica para esses ministérios. Como os ofícios estão blocados num texto só, não temos dúvidas de usar o mesmo critério de interpretar a questão como foi tratados os textos de 1 Pe 1.1. e 1 Pe 5.1 e, por analogia, concluir, que assim como o ofício de Apóstolo é distinto do ofício de Presbítero por natureza, assim também o é o ofícios de Pastor, ou seja um Pastor é um Presbítero também no sentido de ter sobre si a responsabilidade de pastorear o rebanho de Deus, mas nem todo Presbítero é um Pastor, porque para esse último pressupõe uma chamada exclusiva conforme explicitado acima.
Não nos revela a Escritura que exista uma chamada especifica para ser Presbítero de uma igreja neotestamentária. Os textos que tratam do assunto mostram um líder (Apóstolo ou Pastor) capitaneando o processo de escolhas desses oficiais, como foi o caso dos Apóstolos Paulo e Barnabé em At 14.23 e o Pastor Tito em Tt 1.5. Observando o perfil dos Presbíteros delineado por Paulo em 1 Tm 3.1-7 e Tt 1.5-9, e o contexto dessas duas escrituras, podemos concluir que necessariamente não haveria a necessidade de uma chamada específica para exercer esse ministério no seio da Igreja, mas uma vez aprovado pela igreja e consagrado, esses oficiais passaram a ser constituídos por Deus para ajudar no pastoreio da Igreja do Senhor, conforme At 20.28 e 1 Pe 5.1-4. A diferença é sutil, é verdade, mas fundamental. Nunca se ouviu alguém manifestar um intenso desejo de ser Presbítero de uma igreja e em função dessa chamada deixar tudo e priorizá-la sobre tudo e todos para se envolver no pastoreio do rebanho, muito pelo contrário, o contexto nos dá a entender e a história eclesiástica o confirma que muitos Presbíteros continuaram ou continuam em seus afazeres seculares a exercerem essa função na Igreja. Para o pastorado é diferente. Aqueles que são de fato Pastores, chamados por Deus para esse ofício, sentem em sua alma a indelével chama do Espírito a impulsioná-lo para realizar o ministério para o qual foi chamado, pois ele é uma dádiva de Deus a igreja, conforme o texto de Ef 4.11.
O palestrante nas entrelinhas também questionou a doutrina reformada que enfoca essa área, e enfatiza uma diferenciação entre Pastores e Presbíteros, mas é importante observar que ela não está errada quando advoga uma diferenciação entre os Presbíteros docentes (os Pastores) e regentes (os não Pastores). Olhando para texto de 1 Tm 5.17, Paulo ensina a igreja para que olhe com mais deferência para os Presbíteros que se afadigam no ministério da Palavra, fazendo Paulo assim uma certa distinção entre aqueles que foram chamados para o ministério da Palavra e aqueles que simplesmente ajudam no governo espiritual da Igreja. “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina” 1 Tm 5.17.
As sete cartas do Apocalipse foram destinadas as sete igrejas que na época existiam na Ásia Menor, e nelas são identificadas as pessoas responsáveis por elas diante de Deus, chamadas de anjos das Igrejas. Os melhores comentadores bíblicos, dentre eles o Ph.D. Simon Kistemaker, autor do comentário do livro de Apocalipse, editado pela Editora Cultura Cristã, dizem que esse anjo é o pastor da igreja, aquele que tem a liderança dentro delas, sendo responsabilizado por Deus pelo desempenho da mesma. [“Ao anjo da igreja em Éfeso, escreva.” Jesus instruiu João a escrever uma breve carta endereçada ao pastor da igreja em Éfeso].
O Dr. William Hendriksen comentando a carta aos Efésios, sobre o assunto em questão, disse o seguinte: “Posto que aqui em 4.11 todos os que servem a igreja de uma forma especial (grifo nosso) – não somente os apóstolos, profetas e evangelistas, mas também pastores e mestres – são designados como dons de Cristo para a igreja, eles devem ser objetos do amor de toda a igreja”. Ainda comentando esse mesmo assunto na parte que cabe a pastores e mestres, ele disse: “O que temos aqui, portanto, é uma designação de ministros de congregações locais, presbíteros docentes (ou supervisores) (grifo nosso). Por meio da exposição da Palavra estes homens pastoreiam os seus rebanhos”.
Escrevendo a Tito, um jovem Pastor seu companheiro de ministério, Paulo orienta aquele obreiro a instituir Presbíteros nas igrejas locais de Creta. “Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei” Tt 1.5. Observe os irmãos, neste texto, um detalhe importante: Quem iria liderar o processo de estabelecimento de Presbíteros dentro das igrejas eram os próprios membros das igrejas ou uma pessoa que tinha um ofício reconhecido de liderança no meio do povo de Deus? A resposta é clara, pois Paulo delegou essa tarefa ao Pastor Tito.
É verdade que o Novo Testamento usa as palavras Presbíteros, Bispos e Anciãos como termos gregos intercambiáveis, ou seja, que significam a mesma coisa. Mas é verdade também que Paulo quando fala dos dons do ministério de Cristo em Efésios 4.11, usa uma grega palavra diferente para nomear Pastores. “Esta é a única ocasião no NT em que o substantivo poimen ocorre como título de um líder da Igreja. Sem dúvida é a palavra proveniente da aplicação da figura de linguagem do pastor, a qual caracterizava o relacionamento do Senhor Jesus com seus discípulos. Jesus é o bom pastor (o poimen ho kalos)”. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo (Efésios, Colossenses, Filemom), Arthur G. Patzia.
Mesmo não existindo uma hierarquia dentro da Igreja do Senhor, a exemplo de que existe nos meios empresariais, militares e em algumas instituições eclesiásticas, pois todos os crentes estão nivelados no que se refere a serem receptáculos das bênçãos oriundas da obra redentora de Cristo, há de se observar que o Senhor fez uma distinção entre quem tem um ofício dentro da Igreja e quem não tem, senão vejamos: “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” Hb 13.17. “Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos os santos em Cristo Jesus, que estão em Filipos, com os bispos e diáconos” Fp 1.1.
Concluímos este artigo dizendo que existe uma diferenciação entre Pastor e Presbíteros, sendo Presbítero, que significa supervisor, um termo genérico e Pastor um termo especifico, apesar de a eles pertencerem à mesma atividade de pastoreio do rebanho do Senhor, conforme explicitado em At 20.28 e 1 Pe 5.1-4. Ainda nesta conclusão é conveniente lembrar que os Congregacionais têm como paradigma, em relação ao assunto, o que se segue: “Ministro do Evangelho é o ofício perpétuo a que são consagrados os formados em Teologia ou, em casos especiais, os não formados, com privilégios e deveres específicos, sendo este ofício o primeiro em dignidade na Igreja” “Designa-se pastor o cargo do Ministro do Evangelho eleito e empossado em uma ... Igreja, com responsabilidade executiva e administrativa”. “Presbítero é o oficial auxiliar do ministro que pastoreia na administração dos interesses espirituais das igrejas”. Ainda nesta conclusão lembramos aos irmãos que nós da ALIANÇA temos em alta estima os Presbíteros, e que este signatário sugestionou quanto era relator da reforma dos instrumentos normativos da Denominação, a criação de um quadro especial de ministros para contemplar os Presbíteros, dando-lhes certos privilégios e também responsabilidades, sendo os mesmos jurisdicionados também por nossa Denominação.
JPA, 28/03/2009, Rev. Eudes Lopes Cavalcanti
Pastor da III IEC/JPA

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A Vocação da Igreja


Aprouve a Deus, segundo o beneplácito de Sua soberana vontade instituir a Igreja. Essa Igreja, segundo as Sagradas Escrituras é composta de judeus e gentios unidos pela cruz de Cristo. Antigamente, na Dispensação do Velho Testamento, Deus escolhera um povo em Abraão, os judeus. No Novo Testamento encontramos Deus instituindo um povo Seu especial, zeloso de boas obras, a Igreja que é composta de judeus e não judeus (gentios). Essa benção de incluir os gentios no âmbito de povo de Deus tinha sido prometido a Abraão, conforme registro em Gn 12.3: “em ti serão benditas todas as famílias da terra”. O apostolo Paulo trata do assunto, mui especialmente em sua carta aos Efésios: “Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derribando a parede de separação que estava no meio, ... e, pela cruz, reconciliar ambos com Deus em um corpo, ...” Ef 2.13-16.
Agora, constituídos em Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo, se nos apresentam diante de nós, da parte de nosso Deus, algumas atividades que precisamos fazer segundo o plano de Deus: Adoração, edificação, proclamação e beneficência.
Considerando que a Igreja é um organismo vivo com tendência natural para o crescimento segundo a vontade daquele que a instituiu, precisamos como membros de uma Igreja local, que é também uma instituição divina, nos esforçar para promover o crescimento da Igreja visando à glória de Deus. Quando se trata de crescimento da Igreja deve-se levar em consideração, tanto o aspecto qualitativo quanto ao aspecto quantitativo. Crescer nessas duas áreas é a vocação da Igreja. Na segunda carta de Pedro (3.18), o apóstolo trata de crescimento qualitativo. “Antes crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. No livro de Atos, Lucas nos informa que as igrejas na Judéia, em Samaria e na Galiléia, regiões de Israel, cresciam em número e se multiplicavam. (At 9.31).
Amados irmãos, reflitamos sobre a vocação da Igreja e lutemos para promover o seu crescimento espiritual e para promover também o seu crescimento numérico. Contribuamos, oremos, e nos dediquemos à obra do Senhor para que Ele acrescente, a cada dia, a Igreja aqueles que hão de ser salvos. Procuremos dar a nossa contribuição e, certamente, Deus se agradará de nós.

A PÁSCOA


A Páscoa é uma festividade judaica que é comemorada como memorial da libertação do povo israelita do cativeiro egípcio no passado. A primeira páscoa foi celebrada no Egito antigo (Êxodo 12.1-28) e nessa celebração foi morto um cordeiro ou um cabrito de um ano por cada família, o seu sangue espargido nos umbrais da porta da casa, depois o animal foi assado e comido pelos familiares com pães sem fermento e ervas amargas. A colocação de sangue nos umbrais das portas dos israelitas era um sinal para que o anjo da destruição que iria passar sobre o Egito matando os seus primogênitos poupasse os filhos de Israel. Daí por diante essa celebração tornou-se obrigatória para os israelitas e seu ponto culminante era a celebração no templo de Jerusalém.
O cordeiro da páscoa foi identificado por João Batista e pelo apóstolo Paulo como um símbolo de Cristo, que foi morto na cruz do Calvário para nos libertar da escravidão do pecado.
No plano de Deus, a páscoa perdeu o seu significado quando Cristo, a nossa páscoa, foi oferecido em sacrifício por nós, não havendo, portanto, a necessidade dessa celebração no seio das Igrejas Evangélicas. O memorial da redenção feita por Cristo é a Ceia do Senhor e não a páscoa judaica. O coelho da páscoa e ovos da páscoa usados como símbolos dessa comemoração são inovações que não tem nada a ver com o verdadeiro sentido da Páscoa.

Jesus, Salvador e Senhor


A Bíblia identifica o Senhor Jesus como o Salvador do mundo. “Esta é uma palavra fiel e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”. 1 Tm 1.15. Jesus veio a este mundo para oferecer a sua preciosa vida pelos pecados da humanidade “mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à desta de Deus.” Hb 10.12.
Segundo a Palavra de Deus, que é a verdade absoluta, a salvação só pode ser obtida quando o indivíduo arrependido aceita e crer em Jesus como salvador. “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome”. Jo 1.12. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus”. Ef 2.8. Não existe outra maneira da pessoa se reconciliar com Deus a não ser através de Jesus Cristo. “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”. At 4.12. “E tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo e nos deu o ministério da reconciliação”. 2 Co 5.18.
Mas ainda, segundo a Bíblia, Jesus ressuscitou dos mortos para ser Senhor de vivos e mortos. “Foi para isto que morreu Cristo e tornou a viver; para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos”. Rm 14.9.
A palavra Senhor, no Novo Testamento, quando se refere a Jesus Cristo, significa, dono, dominador, aquele que tem toda a autoridade, .... É significativo que esse título está ligado ao estado de exaltação de Cristo. Em Filipenses 2.10, 11, encontramos: “para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai”.
Agora, amados irmãos, sendo Jesus Senhor, inclusive soberano Senhor, como se encontra a nossa relação como servo desse Senhor? Muitos crentes aceitaram a Cristo como Salvador mas na experiência do cotidiano da vida cristã demonstram que ainda não o aceitaram como Senhor, como Aquele que domina, controla e dirige as suas vidas.
Não há como separar o binômio Salvador – Senhor. A pessoa de Jesus é ambas as coisas. Nós que, pela graça de Deus, um dia já recebemos a Jesus como Salvador precisamos agora completar o ciclo, ou seja, aceitá-Lo e considerá-Lo como Senhor, ou seja, submetermos as nossas vidas ao Seu senhorio.

O Pecado da Maledicência


Na última mensagem que entregamos a Igreja falamos sobre as coisas que agradam a Deus e aquelas que não lhe agradam, mensagem esta baseada no texto de Mateus 9.1-8. Dissemos, na ocasião, que as coisas que agradam a Deus nesse texto, são: 1) Os crentes levarem pessoas para Jesus; 2) Deus contemplar no coração do homem a fé; 3) Deus dispensar o seu perdão a quem precisa dele; 4) Deus libertar os cativos de qualquer mal que lhe aflige; 5) Deus ser glorificado pelas ações daqueles que lhe pertencem. Dissemos ainda que nesse texto encontram-se três coisas que não agradam a Deus: 1) Comentários maldosos; 2) Contemplar o mal no coração do homem; 3) A incredulidade.
Carregamos com palavras fortes a questão daquilo que desagrada a Deus principalmente no item 1 – comentários maldosos. O texto diz que quando o Senhor Jesus dispensou o perdão para o paralítico, o coro entre os líderes religiosos de Israel (os escribas) foi: “ele blasfema”. Jesus os censurou prontamente repreendendo a maldade de seus corações, com a expressão: “por que pensais mal em vossos corações?”
Amados a atitude maldosa dos religiosos da época de estarem espiando a vida do Senhor, as suas palavra e os seus atos parece-se com aquilo que temos observado, infelizmente, no meio do povo de Deus da atualidade: irmãos julgando os outros irmãos e falando mal deles.
A Bíblia censura fortemente aqueles que se dizem crentes e vivem julgando os outros e falando mal deles. “Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão, e julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; e, se julgas a lei, já não és observador da lei, mas juiz. Há só um legislador e um juiz que pode salvar e destruir. Tu, porém, quem és, que julgas a outrem? Tg 4.11,12. No livro de Provérbios 6.16-19, encontramos seis coisas que não agradam a Deus, e uma sétima que Ele ABOMINA: “o que semeia contendas entre irmãos”. A Bíblia diz ainda que o pecado da língua é mais difícil de vencer do que qualquer outro. “Mas nenhum homem pode dominar a língua. É um mal que se não pode refrear; está cheia de peçonha mortal. Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede benção e maldição...” Tg 3.8-10.
Diante do exposto, tenhamos cuidado com os nossos comentários sobre os nossos irmãos na fé. Não falemos mal uns dos outros, não teçamos comentários maldosos, não denigramos a imagem de quem quer que seja. Se, porventura, observarmos alguma atitude de um de nossos irmãos em Cristo que, ao nosso ver, seja repreensível oremos por ele e sigamos o que Paulo disse em Gálatas 6.1-3. Lembremo-nos do episódio da mulher adúltera que foi acusada pelos santarrões da época achando que eram menos pecadores do que ela. Lembremo-nos de que Jesus disse que aquele que não tivesse pecado, atirasse a primeira pedra (Jo 8.1-11).
Se quisermos que Deus opere com poder em nosso meio, faz-se necessário que aqueles que têm dificuldade de controlar a língua se humilhem diante de Deus e peçam perdão por esse pecado, que tanto tem entristecido o Espírito Santo e causado males aos outros. Vigiemos e oremos como Davi: “Põe, ó Senhor, um guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios” Sl 141.3.

domingo, 16 de novembro de 2008

A Evangelização e a Soberania de Deus


Por causa do pecado de nossos primeiros pais, já previsto no programa divino, Deus, segundo seu propósito e graça, elaborou na eternidade e o executou no tempo o plano redentor, através da morte sacrificial do Seu Filho Jesus Cristo (segundo esse plano o Cordeiro, o Senhor Jesus, foi morto antes da fundação do mundo - Ap 13.8).
A culpa do pecado de Adão atingiu todos os seus descendentes, num efeito dominó, fazendo com que toda raça humana seja considerada pecadora aos olhos de Deus. “Por um homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte; a morte passou a todos os homens porque todos pecaram” Rm 5.12 (Veja ainda Rm 3.23).
Dentre os seres humanos, atingidos pela culpa do pecado de Adão, Deus segundo a sua graça, misericórdia e bondade, independente de qualquer ato de bondade ou fé previsto neles (Ef 2.8,9), escolheu um grupo deles, que é a Igreja para demonstrar nela a sua graça e bondade, contemplando-a assim com a salvação eterna. “Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou” Rm 9.23.
O plano redentor para o indivíduo tem etapas estabelecidas por Deus, segundo nos revela a Bíblia Sagrada: “Porque os que dantes conheceu (devotou amor intenso), também os predestinou para serem conforme a imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou” Rm 8.29,30. As etapas segundo o texto acima são: amados por Deus (escolhidos), predestinados, chamados, justificados e glorificados, sendo as duas primeiras estabelecidas na eternidade, as duas seguintes concretizadas no tempo e a última num futuro escatológico.
Ainda segundo o plano de Deus, a chamada do indivíduo predestinado para a salvação dar-se-á no tempo de sua existência neste mundo, e isto através da pregação do Evangelho. “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação” 1 Co 1.21. O apóstolo Paulo tinha consciência de que Deus o chamara para promover a fé que era dos eleitos de Deus de sua geração (Tt 1.1). (Veja ainda 2 Tm 2.10).
A pregação do Evangelho deve ser feita a todas as pessoas em todo o mundo para testemunho, conforme dito por Jesus em seu sermão escatológico (Mt 24.14), mas a Igreja deve ter a consciência de que só os eleitos atenderão a chamada divina. O Senhor Jesus disse que as suas ovelhas, e só elas, ouvirão a sua voz (Jo 10.26,27). Deve-se considerar ainda que para cada eleito Deus determinou o dia e a hora em que eles serão chamados e contemplados com a salvação eterna. “E de um só fez toda a geração dos homens para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação” (Veja ainda At 13.36). Os eleitos de Deus estão espalhados pelo mundo inteiro de acordo com a vontade soberana do Senhor, por isso a ordem do Senhor Jesus deixada para a Igreja foi para que o evangelho fosse pregado a todas as pessoas em todas as nações (Mc 16.15,16; Mt 28.18-20; Lc 24.47; At 1.8). Através do Seu Espírito, Deus move a Igreja e a dirige na pregação do Evangelho para alcançar os seus eleitos nascidos, que ainda não foram alcançados com a chamada eficaz. No livro de Atos podemos observar esta verdade: “E Paulo teve de noite uma visão, em que se apresentou um varão da Macedônia, e lhe rogou, dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos. E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciar o evangelho” At 16.9,10. “E disse o Senhor em visão a Paulo: Não temas, mas fala e não te cales; Porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade” At 18.9,10. “E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos quantos estavam ordenados para vida eterna” At 13.48. “Louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo, E todos os dias acrescentava o Senhor à Igreja aqueles que se haviam de salvar” At 2.47. Ainda nessa linha de raciocínio, devemos entender que quando os eleitos, em sua geração estão concentrados numa determinada área geográfica e que o tempo da chamada de Deus para cada um deles é próximo um do outro ou num mesmo tempo, será grande a colheita de almas quando se lançar à rede da pregação do Evangelho “De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia, agregaram-se quase três almas” At 2.41 (Veja ainda At 14.1; 12.24).
Mas acontece que, às vezes, os eleitos não estão concentrados num lugar, na sua geração. Nesse caso o resultado da colheita de almas será numericamente pequeno ou nulo. Reportando-se ao Antigo Testamento, vejamos o caso de Nínive, capital da Assíria: Numa época ela foi totalmente salva pela pregação feita por um homem de Deus (Jn 3.1-10) e noutra foi destruída totalmente, sem informações sobre conversão de seus habitantes (Na 2.1-13; 3.1-19). Veja o resultado da pregação de Paulo em Filipos em duas reuniões: só duas famílias foram alcançadas pela graça de Deus – a de Lídia e a do carcereiro daquela cidade (At 16.12-33). Houve caso no ministério de Paulo que o Espírito de Deus o proibiu de pregar o Evangelho em duas localidades e ocasiões (At 16.6,7). Por quê? A ordem de pregar o evangelho não fora dado a Igreja para alcançar o mundo inteiro? Não havia eleitos naquelas localidades? Se havia, chegara o tempo da chamada eficaz para eles? Por que Paulo pediu oração a Igreja de Colossos (Cl 3.4) para que Deus abrisse portas à pregação da Palavra e também para que ele fosse orientado como fazê-la? Não é porque as coisas, no reino espiritual, devem ser de acordo com o plano eterno estabelecido por Deus?
Como pudemos observar neste texto, evangelização e soberania de Deus andam juntas, não são inconsistente, nem incongruente, nem tão pouco um paradoxo, mas fazem parte do programa redentor de Deus. A tarefa de evangelização é uma das grandes tarefas da Igreja e nessa obra ela deve investir pesado, mas ela deve entender que os frutos numéricos não são resultados só dos seus esforços evangelísticos, mas sim da ação soberana do Espírito de Deus. “Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento...” 1 Co 3.6,7.

A Graça de Deus

Graça significa favor dispensado por Deus aos homens que, por causa do seu estado pecaminoso, de miséria espiritual, não têm merecimento algum. A palavra é de origem grega (charis) e tem entre outros significados o de dádiva ou dom.
É sabido pelas Escrituras que o homem não tem nada em si mesmo que venha a atrair o favor de Deus para a sua vida, pois ele é pecador aos olhos do Senhor, culpado, estando afastado de Deus e morto em seus delitos e pecados. “Pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” Rm 3.23.
A Bíblia Sagrada ainda nos revela que em Cristo a graça de Deus se tem manifestado (Tt 2.11). Isto quer dizer que tudo que o homem tem e possa ter é por concessão divina mediante os méritos de Cristo. Os méritos do grande Mediador é a única causa de termos o favor de Deus. João Batista disse que ninguém pode receber coisa alguma se do Céu não lhe for dada (Jo 3.27). Tiago, o irmão do Senhor, disse que toda a boa dádiva e todo o dom perfeito descem dos Céus, de Deus, para o homem. Tg 1.17.
A graça de Deus proporciona ao homem, através de Cristo, tudo o que pode fazê-lo verdadeiramente feliz, tanto neste mundo quanto na eternidade. Vejamos o que essa grandiosa graça nos proporciona, gratuitamente, em Cristo:
1) A graça nos proporciona perdão – O perdão dos pecados do homem é concedido graciosamente por Deus àquele que crê em Cristo. “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” Ef 1.7. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” Ef 2.8.
2) A graça nos proporciona libertação – O homem está escravizado pelo pecado, mas quando ele crê em Cristo a graça de Deus o liberta dessa escravidão. “ E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” Jo 8.32. “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres” Jo 8.36.
3) A graça nos proporciona restauração – O homem carcomido internamente pelo pecado, afastado de Deus, é restaurado a comunhão do Altíssimo unicamente pela graça. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” 2 Co 5.17. “E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo e nos deu o ministério da reconciliação” 2 Co 5.18.
4) A graça nos proporciona vida abundante – O homem está morto em seus delitos e pecados, mas quando recebe a graça de Deus em sua vida, ele passa a experimentar a verdadeira vida, vida abundante, vida feliz neste mundo e na eternidade. “Ele vos deu vida estando vós mortos em delitos e pecados” Ef 2.1. “E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará das minhas mãos” Jo 10.28. “ ... Eu vim para que tenha vida e a tenham com abundância” Jo 10.10.
5) A graça nos proporciona provisões – Deus prometeu provisionar todas as coisas para que os seus filhos tivessem as suas necessidades supridas neste mundo. “Porque o Senhor Deus é um sol e escudo; o Senhor dará graça e glória; não negará bem algum aos que andam na retidão” Sl 84.11. “Mas buscai o reino de Deus e a sua justiça e as demais coisas vos serão acrescentadas” Mt 6.33.
Amados, glorifiquemos a Deus pela sua abundante graça.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Cheios do Espírito

No seu plano eterno Deus determinou que aqueles que cressem no Seu Filho Jesus Cristo recebessem o dom do Espírito Santo. “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios d’água viva correrão do seu interior. E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem;...” Jo 7.38,39. “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” Ef 1.13.
Segundo as Sagradas Escrituras, a presença do Espírito Santo no interior do salvo é uma realidade inquestionável. O Espírito Santo foi-nos dado para habitar em nossas vidas, selando-nos para o dia da redenção, e para fazer de nossos corpos santuários de Deus. “Não sabeis vós que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” 1 Co 3.16. (Veja ainda 1 Co 3.17; 6.19; 2 Co 6.16).
A presença do Espírito Santo no salvo o torna alvo das suas inúmeras atuações, pois segundo a Bíblia, o Espírito foi-nos dado para nos ensinar as verdades espirituais, guiar os crentes nos caminhos do Senhor, santificar a vida do salvo, levá-lo a obedecer a Deus, moldar o seu caráter ao modelo estabelecido por Deus em Sua Palavra, fortalecê-lo para enfrentar os embates espirituais, dar-lhe força espiritual para testemunhar das grandezas de Deus, mui especialmente das virtudes de nosso Senhor Jesus Cristo que nos tirou das trevas para a sua maravilhosa luz. O Espírito Santo foi-nos dado também para consolar o nosso coração nos momentos de dificuldades e tribulações. Aliás, Ele foi chamado por Jesus de o Consolador.
O dom do Espírito Santo, como dissemos, é recebido pela fé em Cristo. A partir do momento em que a pessoa crê em Jesus e o aceita como Salvador e Senhor, o Espírito de Deus vem habitar nela. Isto quer dizer que todo o crente verdadeiro tem o Espírito Santo. O apóstolo Paulo disse que se alguém não tem o Espírito Santo esse tal não pertence a Jesus (Rm 8.9).
Ainda de acordo com o plano de Deus, é da vontade do Senhor, encher todos os crentes com o Espírito Santo, fazer o Espírito transbordar na vida do crente, controlando-a totalmente, para fazer cumprir nele o Seu propósito. Para que essa vontade de Deus possa ser realizada, é necessário que o crente dê espaço no seu coração para que essa benção o alcance. Como Deus respeita a nossa individualidade, é propósito seu que essa benção seja desejada e buscada pelos crentes em Cristo. “Enchei-vos do Espírito“ Ef 5.18.
Uma vida cheia do Espírito deve ser o sonho de todo aquele que professa o nome de Jesus. Essa benção deve ser buscada de todo o coração e prioritariamente pelos servos de Deus. Só com a plenitude do Espírito em nossas vidas é que seremos crentes felizes, abençoados, renovados, realizados, e úteis a causa do Senhor. “E tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus” At 4.31. “E os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo” At 13.52.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

AS FASES DA LIDERANÇA CRISTÃ

Introdução

O estudo da liderança é de suma importância, principalmente, na época em que estamos vivendo, a fim de ajudar o homem escolhido por Deus a ter sucesso em sua missão. O desconhecimento deste magno assunto leva o líder cristão a incorrer em erros e problemas que poderiam ser evitados, caso fossem tratados de acordo com as técnicas de liderança conhecidas nos livros que versam sobre o assunto.
Neste artigo, abriremos uma janela por onde poderemos descortinar a possibilidade de melhorarmos o exercício da liderança no meio do povo de Deus.
Diante disto, na janela aberta, descortinaremos as fases macros da liderança cristã: A Chamada para a Liderança, A Capacitação para a Liderança, A Definição do Espaço da Liderança, O Exercício da Liderança e a Recompensa da Liderança.
O aprofundamento do assunto, caso se deseje, deverá ser buscado nos livros que tratam do assunto, existentes no mercado e aos pés do Senhor em oração.
Antes de desenvolvermos sucintamente as fases da liderança cristã, é conveniente fazermos conhecidas dois conceitos sobre Liderança:
a) Liderança Natural: “Pode ser definida como sendo aquela qualidade num homem, que inspira suficiente confiança a seus comandados de modo a aceitarem suas idéias e obedecerem ao seu comando”.
b) Liderança Cristã: “É uma vocação em que há uma perfeita mistura de qualidades humanas e divinas, ou um trabalho harmonioso entre o homem e Deus destinado ao ministério e bênção das demais pessoas”.

Nas definições de Liderança constantes dos Manuais de Administração é comum encontrarmos as expressões: “ser aceito e respeitado pelo grupo”, “Capacidade de unir e manter coeso o grupo”; “Manter um bom relacionamento com o grupo”; “Identificação com o grupo”; “Levar o grupo a consecução dos objetivos”; “Influenciar”; “Inspirar confiança”, etc.

A Chamada para a Liderança

“Paulo chamado pela vontade de Deus, para ser apóstolo de Jesus Cristo...” 1 Co 1.1

A Chamada da genuína liderança cristã vem exclusivamente de Deus. Na obra de Deus ninguém deve querer levantar-se a si mesmo como líder, isto é o que entendemos estudando a Bíblia Sagrada. O Senhor, segundo o beneplácito de Sua Soberana Vontade, tem escolhido e chamado pessoas, de ambos os sexos, para exercerem atividade de Liderança no meio da Igreja. Para consolidar o assunto, mostraremos alguns versículos bíblicos: “Veio a mim a Palavra do Senhor dizendo: antes que eu te formasse no ventre, te conheci e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta”, Jr 1.4, 5. “Mas quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe separou, e me chamou pela Sua graça” Gl 1.15. “Jesus subiu a um monte, e chamou os que ele quis...” Mc 3.13. “Paulo, servo Jesus Cristo, chamado para apostolo, separado para o Evangelho de Deus” Rm 1.1.
A Chamada eficaz para a liderança alcança o salvo onde e quando Deus achar conveniente. Com Paulo, foi na estrada de Damasco quando ia perseguindo a Igreja do Senhor. Com Moisés, foi no monte Horebe na visão da sarça ardente. Com Samuel, foi na Casa do Senhor. Com Pedro, André, Tiago e João foram às margens do Mar da Galiléia. Com Mateus, foi no local onde ele trabalhava, e assim por diante.
Entendendo que a Chamada é divina, nós devemos orar como Jesus ensinou em Lucas 10.2, para que Deus envie obreiros para a Sua Seara, ou seja, levante lideranças firmes, vocacionadas e eficazes para o Seu trabalho.
A Capacitação para a Liderança

“... Mas a nossa capacidade vem de Deus” 2 Co 3.5

As pessoas chamadas por Deus para exercerem a atividade de liderança são por Ele capacitadas para a executarem a contento. Deus, quando chama, se responsabiliza para capacitar a pessoa. A capacitação, segundo o propósito divino, é de acordo com a atividade de liderança que o Senhor tem designado para o seu servo. A Bíblia diz que quando o Senhor distribuiu os talentos deu a cada um segundo a sua capacidade (Mt 25.15). Referindo-se aos dons carismáticos, Paulo diz que o Espírito Santo os distribui particularmente a cada um como quer (1 Co 12.11). Entendemos por estes e outros textos bíblicos que a capacitação de Deus pode diferir de uma pessoa para outra. Deus, quando chamou a Moisés, o capacitou poderosamente para a grande tarefa que queria que ele realizasse: Tirar Israel do Egito e conduzi-lo até a terra da promessa. A capacitação de Moisés, como a de Paulo, começou muito antes da experiência de conversão. Moisés, no Egito, foi instruído em toda a ciência e sabedoria daquele grande povo (At 7.22). Paulo, nascido em Tarso, foi instruído aos pés de Gamaliel em Jerusalém, uns dos maiores mestres do seu tempo, (At 22.3). A capacitação de Moisés continuou no deserto de Midiã, pastoreando o rebanho de Jetro, seu sogro, e culminou com a concessão do poder de Deus, na experiência da sarça ardente, no Monte Horebe. A de Paulo continuou na estrada de Damasco, quando daquela experiência em que ouviu a voz do Senhor e viu a Sua luz e culminou naquela cidade quando foi cheio do Espírito Santo, após receber a imposição de mãos de Ananias. Tanto Paulo como Moisés foram capacitados por Deus para o exercício dos seus respectivos ministérios. Foram capacitados com profundo conhecimento humano, capacitados com um profundo conhecimento das Sagradas Escrituras e com concessão do poder de Deus.
Como em toda a Bíblia se percebe, as áreas da soberania divina e da responsabilidade humana andam juntas. Devemos entender que nessa área de capacitação a mesma coisa deve ser considerada. Deus tem feito Sua parte e nós também devemos fazer a nossa, no que se refere à capacitação. Para isso temos que dedicar mais tempo a oração, ao estudo da Palavra de Deus, a termos humildade de aprendermos como os nossos erros e com os dos outros e dedicarmos mais tempo a leitura em geral, especialmente, desse precioso assunto.
A Definição do Espaço da Liderança

“Mas, agora, Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis” 1 Co 12.18

Diante do que já vimos desenvolvendo, começamos a perceber que o Deus que chama e capacita, define também o espaço para que o seu servo exercite a atividade de liderança. É o que chamamos do homem certo no lugar certo. Se um homem foi chamado e capacitado para ser um Evangelista jamais será eficaz como Pastor. A mesma coisa acontece com um Pastor. Ele pode fazer a obra de um Evangelista como orientou Paulo a Timóteo (2 Tm 4.5), mas não será tão eficaz quanto um homem chamado para ser Evangelista. Um Evangelista só vê diante de si uma necessidade que é a de salvar almas, e, na propagação do Evangelho, ele é altamente eficaz. Já o Pastor tem a grande responsabilidade de pastorear as pessoas que já encontraram a salvação em Cristo Jesus.
A questão de definição de espaço é muito importante. Somente dentro do espaço reservado por Deus é que seremos líderes eficazes. A dificuldade que João marcos, sobrinho de Barnabé, sentiu foi a de justamente não ter sido chamado por Deus para ocupar o espaço na Obra Missionária da Igreja de Antioquia. O Espírito Santo tinha separado Barnabé e Paulo e não João Marcos. O resultado todos nós conhecemos, inclusive sendo ele a causa da separação daqueles dois grandes servos de Deus (At 13.1-5,13 e 15.36-39). Coré, Datã e Abirão sofreram duras conseqüências quando tentaram ocupar o espaço da liderança não designado por Deus. (Nm 16.1-3). O Caso de Saul, primeiro rei de Israel, mostra um líder querendo ocupar o espaço designado por Deus para outro líder (1 Sm 13.8-13). Também para ele a conseqüência não foi boa.
Assim como Paulo que tinha consciência do espaço reservado por Deus para o seu ministério (Gl 2.7,8), assim também devemos ter certeza do lugar onde Deus quer que desenvolvamos a nossa capacidade de liderança. Isto é possível se buscarmos a vontade de Deus para nossas vidas (Rm 12.1, 2; Ef 5.17).
O Exercício da Liderança

“Contanto que cumpra, com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus”. At 20.24

Chamado, capacitado e ocupando o espaço definido por Deus, começa o líder a exercer a sua atividade de liderança sob a bênção do Todo-Poderoso. Os frutos serão abundantes na medida em que ele for sendo fiel ao Senhor. Foi assim com Paulo, com Moisés, com Davi, com Salomão e com inúmeros servos de Deus ao longo da história bíblica e também da Igreja. Vejamos apenas um exemplo que foi o de Paulo. “Servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: apartai-me a Barnabé e a Paulo para a obra que os tenho chamado. Então depois de jejuarem e orarem, impuseram sobre eles as mãos e os despediram. Assim, enviados pelo Espírito Santo...” At 13.2-4. Chamado, capacitado, ocupando o espaço de Deus reservado para ele, vai agora Paulo confiante exercer o seu ministério, no caso, a sua primeira viagem missionária. Depois de executar aquela obra voltou para Antioquia, onde tinha sido recomendado à graça de Deus, juntamente com o seu companheiro Barnabé para a obra que acabara de realizar. “...Quando chegaram reuniram a Igreja, relataram quão grandes coisas o Senhor fizera por eles, e como abrira as portas aos gentios”. At 14.26, 27.
Escrevendo a Timóteo, o Apóstolo Paulo lembra ao jovem líder a necessidade de, no espaço definido por Deus, cumprir o ministério para o qual fora chamado. “... Cumpre o teu ministério”. 2 Tm 4.5.
É bom lembrar que no exercício da liderança surgem muitas lutas e problemas. Em nossa opinião, uma das maiores dificuldades que o líder cristão vai enfrentar é consigo mesmo, principalmente se ele tiver características autocráticas. Certamente, sentirá grandes dificuldades em delegar autoridade para que outros executem alguma tarefa. Terá dificuldade de trabalhar em equipe, de envolver a Igreja ou o grupo com uma metodologia de trabalho democrática. Sentirá também dificuldade de conviver harmoniosamente com outras lideranças, e assim por diante.
Acreditamos que, pensando nessa tendência do líder autocrático querer dominar e controlar tudo é que o Espírito Santo usando a instrumentalidade de Pedro diz: “Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu ... Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente, não por torpe ganância, mas de boa vontade; não como dominadores dos que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho”. 1 Pe 5.1-3.
A Recompensa da Liderança

“...E, se alguém me servir, meu Pai o honrará”. Jo 12.26

Sabemos pelas Sagradas Escrituras que o trabalho cristão tem sua recompensa determinada por Deus. Escrevendo aos Coríntios. Paulo diz: “Portanto, amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na Obra do Senhor, sabendo que, no Senhor Jesus Cristo o vosso trabalho não é vão” 1 Co 15.58. O nosso Senhor Jesus Cristo falou também sobre uma recompensa designada por Deus para aqueles que o servem fielmente: “E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terra, por causa do meu nome, receberá cem vezes, herdará a vida eterna” Mt 19.29. O apóstolo Paulo tinha uma convicção profunda sobre a recompensa que iria receber do Senhor; “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” 2 Tm 4.7, 8. O apóstolo Pedro também feriu o assunto quando disse: “... e quando se manifestar o sumo Pastor recebereis a imarcescível coroa de glória” 1 Pe 5.1-4. No livro do profeta Daniel, encontramos uma palavra dita pelo Senhor sobre o assunto àquele servo Seu: “Tu, porém, vai até ao fim; porque repousarás e estarás na tua sorte no fim dos dias” Dn 12.13.
Para àqueles líderes que desempenharam bem o seu papel, certamente receberão do Senhor a recompensa devida, conforme as promessas registradas em Sua Santa Palavra. Acreditamos que o líder deve trabalhar para Deus não visando uma recompensa e sim por gratidão. A recompensa é uma conseqüência natural de um bom trabalho. Deus é fiel e dará a cada um segundo a sua obra.

Conclusão

Temos visto que para se ter sucesso na vida cristã, como líder, a pessoa tem que ter sido chamada e capacitada por Deus, tem que ter de maneira bem clara, em seu coração, a noção do espaço de liderança definido por Deus, tem que estar trabalhando sob a direção divina e ter confiança nas promessas recompensadoras do Senhor.


terça-feira, 5 de agosto de 2008

O Deus que ouve as orações

Na esfera do relacionamento do homem com Deus, aprouve ao Senhor determinar os meios pelos quais esse relacionamento se tornasse eficaz.
Deus decidiu falar conosco, principalmente, através de Sua Palavra e para isso entregou, através dos seus profetas, homens inspirados pelo Espírito Santo, as Sagradas Escrituras onde encontramos tudo o que Deus queria nos revelar sobre Si mesmo, principalmente sobre a sua vontade para nós; e para que nós falássemos com Ele determinou que o meio que deveria ser utilizado fosse a oração.
Prometeu Deus ouvir as orações que fossem feitas com sinceridade de coração e com fé, e em nome do Seu Filho Jesus Cristo, e para isso empenhou a sua palavra fiel e verdadeira, conforme concluímos através de textos como os citados a seguir: “Clama a mim e responder-te-ei; anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes” Jr 33.3. “Por isso vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á; pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á” Lc 11.9,10.
Se Deus prometeu ouvir as orações dos Seus filhos devemos em tudo priorizá-la em nossas vidas. “Orai sem cessar”. 1 Ts 5.17. Escrevendo aos Efésios, Paulo orientou que aquela Igreja orasse em todo o tempo com toda a oração e súplica e vigiando nisso no Espírito (Ef 6.18). Escrevendo aos Romanos e aos Colossenses Paulo os orientou a perseverarem em oração (Rm 12.12; Cl 4.2). O Senhor Jesus ensinou também uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca desfalecer (Lc 18.1-8) e concluindo essa parábola o Senhor disse o seguinte: “Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los? Digo-vos que depressa, lhes fará justiça...”.
Observando o exemplo de alguns homens poderosos na Bíblia concluímos que o segredo de suas constantes vitórias foi a intensa vida de oração que tinham. Por exemplo: Abraão, Davi e Daniel (só para citar três do Antigo Testamento). Diz-se de Davi e Daniel que esses homens, diariamente, tinham três momentos de oração a sós com Deus (Sl 55.17; Dn 6.10). No Novo Testamento temos Ana, profetisa de oitenta e quatro anos, Paulo e Cristo, sendo o Senhor o exemplo maior. Diz-se de Cristo que ele vivia uma vida de intensa oração e que, às vezes, passava a noite inteira em oração a Deus (Lc 6.12).
E você caro irmão? Como está a sua vida de oração? Você tem orado regularmente? Você sempre ora a sós? Tem freqüentado os cultos de oração da Igreja?
Infelizmente tem pessoas que só se preocupam em orar a Deus quando tem problemas e estão enfrentando dificuldades na vida. Quando os problemas são resolvidos por Deus, esquece-se de continuar orando. Até quando teremos esse posicionamento pecaminoso?
Sigamos o exemplo do salmista Davi que cantou: “Eu te invoquei, ó Deus, pois me queres ouvir...” Sl 17.6.

A fé da pessoa salva os seus parentes?

Josafá, rei de Judá, da casa de Davi, era um rei piedoso. Ele assumiu o reino com a idade de trinta e cinco anos e reinou vinte e cinco anos. A Bíblia dá o seguinte testemunho dele: “E o Senhor foi com Josafá, porque andou nos primeiros caminhos de Davi, seu pai, e não buscou a Baalim. Antes buscou ao Deus de seu pai, e andou nos seus mandamentos, e não segundo as obras de Israel” 2 Cr 17.3,4. Esse rei preocupou-se em fazer com que o povo do seu reino andasse nos caminhos do Senhor e para isso designou mestres que ensinaram aos israelitas a lei do Senhor. “E ensinaram em Judá e tinham consigo o livro da lei do Senhor; e rodearam todas as cidades de Judá, e ensinaram entre o povo” 2 Cr 17.9. Depois de uma grandiosa obra que realizou e de grandes vitórias que Deus lhe dera, Josafá veio a falecer com a idade de sessenta anos e o seu filho Jeorão reinou em seu lugar. Jeorão assumiu o reinado de Judá com a idade de trinta e dois anos e reinou oito anos sobre o povo de Deus. Diferentemente de seu pai, Jeorão viveu uma vida de pecado, caindo na idolatria, inclusive, assassinando os seus irmãos, e pior ainda, levou o povo de Deus a afastar-se do Senhor, incentivando a idolatria.
Esse rei, filho de um pai piedoso (crente), foi ferido por Deus com uma terrível enfermidade e morreu na impiedade e o texto bíblico nos diz que ele foi-se e não deixou saudades. “E... foi-se sem deixar de si saudades algumas;...” 2 Cr 21.20.
Queremos irmãos afirmar com o exemplo acima, e com outros encontrados na Bíblia Sagrada, com segurança, que o fato de um membro da família ser crente não é nenhuma garantia de que os outros parentes inevitavelmente serão crentes também. Deus não fez nenhuma promessa nesse sentido. A salvação é um mistério de Deus, e só Ele sabe a quem escolheu para essa finalidade. E a escolha de Deus não está condicionada a crença de ninguém. Ela é baseada na sua livre graça e soberania. Ele escolhe a quem quer e rejeita a quem quer (Rm 9.18). Tratando-se do lar, onde existe cônjuge crente ou descrente, o apóstolo Paulo, disse: “Porque, donde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, donde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher? 1 Co 7.16. Se houvesse uma promessa de Deus, Paulo não iria levantar essa dúvida, pois o próprio apóstolo disse que todas as promessas de Deus são sim (2 Co 1.20), o que Deus prometeu ele infalivelmente cumprirá.
Tratando do texto de Atos 16.31, onde se lê “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu, e a tua casa”, é preciso interpretá-lo corretamente a luz da doutrina, pois a Bíblia explica a própria Bíblia: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu” é a promessa de Deus para todos (Ef 2.8). “e a tua casa” foi uma promessa especifica de Deus para o carcereiro de Filipos, mas não é promessa para todos os que crêem em Cristo.
É obrigação dos pais, dos cônjuges e dos filhos orarem pelos seus parentes descrentes, mas todos devem entender que na área da salvação esse assunto é da inteira competência de Deus.

Simão, o mágico (At 8.9-13) No relato do texto em apreço, nos é apresentada a figura de um homem famoso na cidade de Samaria, onde De...