sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Uma panorâmica sobre 2ª Crônicas

2ª Crônicas detém-se basicamente sobre os reis da casa real de Davi, Reino de Judá ou do Sul, a exceção é a referência feita a Acabe, rei de Israel, com quem Josafá, rei de Judá fez aliança, aliança essa condenada pelos profetas Micaías e, especialmente, Jeú (2 Cr 19.1-3). 2ª Crônicas começa fazendo referência ao reinado de Salomão e dedica a esse rei nove de seus capítulos. Nesses nove capítulos nos é informado que aquele rei teve duas visões de Deus sendo que na primeira Deus perguntou a ele o que ele queria, pois isso Ele lhe daria. Salomão pediu a Deus sabedoria para governar o Seu povo (2 Cr 1.7-12) A outra visão foi quando Salomão construiu o santuário de Jerusalém e o consagrou (2 Cr 7.11-22). Depois o livro trata sobre Roboão, filho de Salomão, em cujo reinado houve a divisão do reino em dois reinos, o de Judá (02 tribos) e o do reino de Israel (10 tribos). A causa da divisão do reino foi os pecados de Salomão e a intransigência de Roboão em atender a uma reivindicação justa do povo que estava oprimido com os pesados tributos taxados por Salomão. Como vimos de relance acima, o livro de 2ª Crônicas destaca a monumental obra realizada por Salomão que foi a construção do tão almejado santuário. O templo construído seguiu a mesma estrutura básica do tabernáculo: o átrio, o lugar santo e o lugar santo dos santos. No primeiro se encontravam duas peças: a bacia de lavar e o altar do holocausto. No lugar santo, três peças: o candelabro de ouro, a mesa dos pães da proposição e o altar de incenso. No santo dos santos, a arca da aliança. A sabedoria dada por Deus a Salomão o tornou famoso no mundo antigo (proferiu 3.000 provérbios, fez 1005 cânticos dentre eles o mais famoso, Cantares, e dissertou sobre os reinos animal e vegetal), vindo governantes do mundo de então para ouvir a sua sabedoria, dentre eles a famosa rainha de Sabá, conforme relato de 2 Cr 9.1-12. Como foi dito no inicio, o livro em questão enfoca a dinastia de Davi, fazendo menção de um rei de Israel, Acabe, por causa da aliança que Josafá fez com ele. Dentre os reis elencados, temos os reis Abias, Asa e Uzias, famosos pelas obras que realizaram, mas os mais famosos do ponto de vista espiritual foram os reis Josafá, Ezequias e Josias, todos eles empreendedores de reforma da vida religiosa do povo de Israel. Josafá teve um cuidado especial em abolir a idolatria e instruir o povo de Deus na lei divina, e para isso utilizou-se dos levitas. Dentre as vitorias de Josafá temos a mais decantada que foi a vitória sobre os filhos de Moabe, Amom e de Seir. Nessa peleja, segundo a ordem divina, Josafá não teve de pelejar, apenas levou o povo a um momento de adoração, enquanto o anjo do Senhor destruía o exército inimigo. “Nesta batalha não tereis que pelejar; postai-vos, ficai parados e vede o livramento que o Senhor vos concederá, ó Judá e Jerusalém. Não temais, nem vos assusteis; amanhã saí-lhes ao encontro, porque o Senhor está convosco”. 2ª Cr 20.17. Ezequias teve por pai Acaz um rei ímpio, mas não seguiu os seus passos. Esse grande homem de Deus empreendeu também uma poderosa obra reformatória no meio do povo de Deus. Purificou o templo profanado por seu pai Acaz, restabeleceu o culto a Deus, instruiu o povo na lei divina, celebrou de uma forma especial a páscoa em Jerusalém convidando todo o seu reino para essa festividade. Depois dessa obra, o rei da Assíria, a potência mundial da época, depois de destruir o reino de Israel, intentou fazer o mesmo com o reino de Judá, cercando Jerusalém, mas Deus deu uma vitória estrondosa ao seu povo; um anjo enviado por Deus destruiu o exército assírio (185.000 homens). Josias teve também por pai um rei ímpio, Amom, mas como Ezequias não seguiu os passos de seu pai, ao contrário, andou nos caminhos do Senhor e fez uma grande obra no meio do povo de Deus. Pena que, por uma decisão política errada sua, tenha sido morto prematuramente pelo faraó Neco. O livro em apreço também fala, em seu final, da destruição de Jerusalém, do templo e do cativeiro babilônico na época de Zedequias, e fala também do retorno do cativeiro babilônico, autorizado por Ciro, rei persa. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Uma panorâmica sobre 1ª Crônicas

Os livros de 1ª e 2ª Crônicas contam a história do povo de Israel no período dos reis, do ponto de vista sacerdotal, enquanto os livros de 1º e 2º Reis contam a história desse mesmo período na perspectiva profética, é por isso que 1ª Crônicas se ocupa nos primeiros oito capítulos com genealogias, inclusive, dos levitas e das tribos de Israel. Também esse livro não enfoca o grave pecado de adultério de Davi com Bate-Seba bem como o assassinato de seu esposo Urias, um dos heróis do exército de Israel, enquanto o livro de 2º Samuel os pinta com cores fortes. O livro 1ª Crônicas apresenta em seu primeiro capitulo a genealogia dos primórdios da raça humana indo de Adão a Noé e depois continua com a genealogia de Sem, filho de Noé, até Abraão e a genealogia de Abraão bem como a de Jacó (os seus doze filhos formaram as doze tribos de Israel). As genealogias são afuniladas com a genealogia de Judá e de Davi, descendente de Judá, o rei teocrático. Também o livro apresenta a genealogia de Davi, os reis seus sucessores, inclusive, os seus descentes no exilio. Outra genealogia importante enfocada nesse livro é a de Levi (filho de Jacó), tribo sacerdotal. Nessa genealogia há uma bifurcação sendo uma a dos levitas e a outros dos principais sacerdotes (é bom lembrar que todo o sacerdote israelita era levita, mas nem todo o levita era sacerdote, só os da casa de Arão). O livro em questão, no capitulo 10, faz uma retrospectiva da morte de Saul e de seus filhos no monte Gilboa, na batalha contra os filisteus, e revela porque Deus o puniu com uma morte prematura (não obedeceu a Palavra do Senhor, não o buscou em suas aflições, e por ter consultada uma necromante) 1 Cr 10.13,14. Em seguida o livro começa a falar sobre o rei Davi, de sua unção como líder da nação israelita, dos seus guerreiros e dos seus aliados. Depois o livro trata da arca da aliança que estava em Quiriate-Jearim e do seu transporte para a cidade de Jerusalém e do grave incidente ocorrido, em que um jovem chamado Uzá foi fulminado porque segurou a arca quando ela era transportada num carro de bois. Interpretando o incidente, podemos observar que houve um grave erro no episódio do transporte da arca. A arca só podia ser transportada nos seus varais que eram enfiados nas argolas de suas laterais pelos levitas, filhos de Coate, um dos filhos de Levi. Também ninguém poderia tocar na arca a não ser esses homens escolhidos por Deus. (1ª Cr 15.2,15). Quando do transporte da arca, agora de uma forma correta, Davi ia louvando e dançando diante do Senhor, e Mical, filha de Saul, sua mulher, o desprezou porque ele dançava no cortejo. Por causa disso Mical, punida por Deus, tornou-se infértil, por ter zombado do seu marido. Depois o livro trata do desejo de Davi de construir um templo para acomodar a arca do Senhor, símbolo da presença do Deus Altíssimo no meio do povo de Israel, mas Deus não permitiu porque Davi tinha feito muitas guerras e tinha derramado muito sangue nelas, cabendo essa honra a Salomão um dos seus filhos gerado de Bate-Seba, que tinha se tornado sua esposa, após a morte de seu marido Urias. O livro ainda relata o pecado de Davi por ter recenseado Israel sem autorização divina bem como a punição dada por Deus pelo erro daquele rei. Em relação à construção do templo, o livro informa que Davi preparou todo o material necessário para esse grande empreendimento bem como o projeto de construção do mesmo em seus detalhes. Depois o livro detalha a organização feita por Davi dos diversos ministérios que iriam operar quando o templo fosse construído (as turmas dos guardas do templo, dos cantores, dos porteiros, dos turnos dos sacerdotes, assim por diante). No final de seu ministério, relata o livro, que Davi aconselha a Salomão de como deveria se relacionar com o Deus verdadeiro: “E tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai, e serve-o de coração integro e espirito voluntário, porque o Senhor examina todos os corações, e conhece todas as intenções da mente...” 1 Cr 28.9. Depois o livro mostra a última oração feita por aquele ilustre homem de Deus, e relata a sua morte: “Ele morreu em boa velhice, com vida longa, riquezas e honra...” 1 Cr 29.28. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Uma panorâmica sobre 2º Reis

O livro de 2º Reis continua a história dos reis de Judá e de Israel começada no livro de 1º Reis. Lembremo-nos de que o povo de Deus na época estava dividido em dois reinos, devido Deus ter rasgado o reino das mãos de Roboão por causa dos pecados de Salomão. A partir dessa divisão, o povo de Deus estava dividido entre o reino de Judá (Sul) composto de duas tribos e o reino de Israel (Norte) composto de dez tribos. Por amor a Davi, Deus preservou a sua linhagem, por causa do seu propósito redentor através de Cristo descendente da casa de Davi. Os dois reinos tiveram dezenove reis cada um até o período do cativeiro assírio (reino de Israel) e do cativeiro babilônico (reino de Judá). No reino de Judá só teve uma dinastia que foi a de Davi. O reino de Israel teve diversas dinastias. Esses dois reinos continuaram até a destruição do reino de Israel pelos assírios em 722 a.C (2º Rs 17.1-41) e a do reino de Judá em 586 a.C, pelos caldeus (2º Rs 25.1-22), sendo os respectivos remanescentes levados em cativeiro, cumprindo-se as Escrituras que diziam que se os judeus não guardassem a aliança estabelecida por Deus eles seriam levados cativos (Dt 28.63,64; 2º Rs 17.7-23). No livro em questão nos é informado que o ministério do profeta Elias terminara e começara o de seu sucessor, Eliseu. Elias realizara sete milagres e Eliseu quatorze, por causa da porção dobrada do Espirito que estava sobre ele (2 Rs 2.9,10). Ainda nesse livro nos é relatada algumas histórias maravilhosas como, por exemplo, o caso da cura de Naamã, general sírio leproso (2º Rs 5.1-19) e, também, a história do aumento do azeite de uma viúva que estava na miséria e com esse milagre feito por Deus, através de Eliseu, ela pode pagar as suas dividas e viver com o restante do dinheiro com a venda do azeite (2º Rs 4.1-7). Uma questão interessante relatada no livro é a da origem dos samaritanos que no Novo Testamento nos é dito que os judeus não se comunicavam com eles. Essa animosidade começou quando os assírios, de acordo com a sua politica de conquista, tiraram quase todos os judeus do reino do Norte e trouxe povos de outros países conquistados e os colocou na terra de Israel, especialmente, na região de Samaria (Leia o capitulo 17 de 2º Reis). O problema agravou-se na época de Neemias quando os samaritanos dificultaram a obra de reconstrução da cidade de Jerusalém e do templo. Como foi dito na visão panorâmica de 1º Reis no reinado dos reis de Israel não teve um rei sequer piedoso, todos eles (dezenove) andaram nos caminhos de Jeroboão, o primeiro rei. No reino de Judá, da dinastia de Davi, tiveram alguns reis piedosos. No livro de 2º Reis temos os reis Ezequias e Josias, dois servos de Deus autênticos. Ezequias teve um ministério com mais tempo do que Josias porque Deus aumentou os seus dias de vida em quinze anos, após uma enfermidade mortal de que foi acometido. Depois da conquista do reino do Norte pelos assírios, o rei Senaqueribe voltou-se contra Judá na época de Ezequias. Esse rei piedoso buscou o auxilio divino e Deus destruiu o exército assírio sem ter havido nenhuma batalha. Um anjo do Senhor, despachado por Deus, destruiu todo o exército inimigo (2º Rs 19.35-37). O profeta Isaías foi contemporâneo de Ezequias e o ajudou espiritualmente nessa época de ameaça dos assírios. Ezequias também promoveu uma reforma religiosa no meio do povo de Deus, relatada também no livro de 2ª Crônicas. O rei Josias também fez uma reforma religiosa no meio do povo de Deus em sua época, inclusive fez uma obra de restauração do templo em Jerusalém que estava degradado pela ação dos reis anteriores, mas por causa de uma decisão politica errada sua foi morto em batalha aos trinta e nove anos, morte essa lamentada profundamente em Israel (2 Rs 23.28-30). O ultimo rei da casa de Davi foi o rei Zedequias, em cujo reinado a cidade de Jerusalém foi tomada pelos caldeus, o templo destruído, os seus filhos mortos em sua presença e teve vazado os seus olhos, sendo ele levado cativo para a Babilônia onde morreu. 2º Reis nos diz que a causa dessa tragédia foi a continua quebra da aliança que Deus estabelecera com o seu povo no Sinal, por ocasião da entrega da lei divina (2º Rs 24.3,4). Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Uma panorâmica sobre 1º Reis

O livro de 1º Reis começa informando sobre a velhice de Davi e a pretensão de Adonias, filho de Davi, em ocupar o trono de Israel em lugar de seu pai que estava à beira da morte. Graças à providência divina, o reino de Israel foi entregue a Salomão, conforme promessa de Davi a Bate-Seba no leito de morte. Salomão foi ungido rei por Zadoque o sacerdote, que estava acompanhado pelo profeta Natâ, segundo a ordem expressa de Davi. Salomão começa o seu reinado sob a benção do Deus Todo-Poderoso. Logo no início ao constatar a grande responsabilidade que tinha diante de Deus, humildemente o rei pede a Deus sabedoria para governar o Seu povo. Deus graciosamente responde a oração de Salomão e lhe dá sabedoria e riquezas sem par, sendo Salomão considerado um dos reis mais sábios que já existiu. Segundo o texto de 1 Rs 4.29-34, Salomão produziu três mil provérbios, mil e cinco cânticos, sendo o mais famoso o de Cantares. Dissertou também sobre os reinos animal e vegetal. A sua fama como homem sábio voou pelo mundo de então a ponto de potentados estrangeiros irem a Jerusalém para ouvir a sua sabedoria. Salomão teve o privilégio de duas vezes ter visões de Deus (1 Rs 3.5; 9.2), numa delas Deus disse: “Pede o que quiseres que te dê”. Conforme tinha sido determinado por Davi, seu pai, Salomão começa e conclui a construção do templo em Jerusalém, conhecido como o templo de Salomão. Quando da inauguração daquele santuário, após orar a Deus, a glória divina encheu aquela casa. Apesar dessa glória magnificente dispensada por Deus aquele homem, ele fraquejou numa área que Deus já tinha alertado através de Moisés quando falava sobre os privilégios e as responsabilidade do futuro rei de Israel (Dt 17.14-20). As muitas mulheres estrangeiras de Salomão (Ele teve mil, sendo setecentas princesas e trezentas concubinas) lhe perverteram o coração, fazendo com que ele se dobrasse diante de seus deuses, fazendo Salomão infringir o primeiro e o segundo mandamentos da Lei Divina. Por causa desse pecado Deus resolveu rasgar o reino de Israel em dois, o que aconteceu na época de Roboão, filho de Salomão que lhe sucedeu no trono. A partir dessa ruptura, o povo de Deus estava dividido em dois reinos: o reino de Judá (Sul) composto de duas tribos e o reino de Israel (Norte) composto de dez tribos. Por amor a Davi Deus preservou a linhagem davídica, por causa do seu propósito redentor através de Cristo descendente da casa de Davi. Os dois reinos tiveram dezenove reis cada um até o período do cativeiro assírio (reino de Israel) e do cativeiro babilônico (reino de Judá). No reino de Judá só teve uma dinastia que foi a de Davi. O reino de Israel teve diversas dinastias. Menção especial deve se fazer nesse período a atuação do grande profeta Elias, o tisbita. Elias profetizou na época de Acabe (rei do reino de Israel) cuja mulher Jezabel ficou famosa na história por sua maldade e por ter introduzido o culto a Baal em Israel. Elias ficou famoso pelo desafio que fez aos quatrocentos e cinquenta profetas de Baal, vencendo-os quando Deus ouviu a sua oração e fez descer fogo do Céu que consumiu o holocausto oferecido por Elias. Diante dessa vitória o povo de Deus bradou: “Só o Senhor é Deus”. Deve-se observar que segundo os livros de Reis (1º e 2º) no reino de Israel (reino do norte) não se levantou nenhum rei piedoso. Todos eles seguiram as pegadas do primeiro rei Jeroboão, que foram as pegadas da idolatria e da impiedade, sendo esse rei um paradigma da maldade. Foi ele que com medo de que o povo de Deus aderisse ao reino da casa de Davi, fez dois bezerros de ouro e os instalou em lugares estratégicos em Israel (Betel e Dã), ordenando ao povo que os adorasse. Dois grandes reis que o livro de 1º Reis realça foram Asa e Josafá. De Asa, a Bíblia testifica: “Asa fez o que era reto aos olhos do Senhor, como Davi, seu pai” 1 Rs 15.11. Josafá foi contemporâneo de Acabe. Deus o abençoou muito e lhe deu grandes vitórias porque buscou a Deus de todo o seu coração. “Era Josafá da idade de trinta e cinco anos quando começou a reinar, e reinou vinte e cinco anos em Jerusalém... E andou em todos os caminhos de seu pai Asa; não se desviou deles, mas fez o que era reto aos olhos do Senhor” 1 Rs 22.42,43. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Uma panorâmica sobre 2º Samuel

O livro de 1º Samuel termina com a morte de Saul e alguns de seus filhos no monte Gilboa, numa batalha contra os filisteus. No livro de Crônicas (1 Cr 10.13,14) nos é dito que Saul morreu, prematuramente, porque não guardou a palavra do Senhor, não buscou a Deus em seus momentos de aflição, e porque consultou uma necromante. Depois da morte de Saul, Isbosete, um de seus filhos foi escolhido rei sobre Israel e Davi foi ungido rei sobre Judá, começando a partir daí uma disputa pelo controle de todo o Israel, que durou sete anos. Depois da morte de Isbosete, Davi foi aclamado rei sobre todo o Israel, tendo o seu reinado durado quarenta anos (sete anos sobre Judá e trinta e três sobre todo o Israel). O livro de 2º Samuel se detém no reinado de Davi, o rei segundo o coração de Deus. É importante que nos reportemos ao Gênesis para entender melhor a questão do reino ser transferido da casa de Saul para a casa de Davi. Quando Jacó abençoou os seus filhos no leito da morte, uma benção especial foi dada a Judá. Nessa benção Jacó, inspirado pelo Espirito Santo, disse que o reino teocrático em Israel seria, por direito, dessa tribo (Gn 49.10). Em Davi, descendente da tribo de Judá começou a se cumprir a promessa dada por Deus, culminando o seu cumprimento com o Senhor Jesus, o Rei eterno, o leão da tribo de Judá, ou seja, o personagem mais forte e mais poderoso. Estabelecido o trono sobre todo o Israel, Davi começou uma obra de ampliação desse reino submetendo ao seu controle povos limítrofes: filisteus, moabitas, amonitas, edomitas, sírios, amalequitas, e outros. O livro de 2º Samuel registra um fato muito triste na vida desse extraordinário homem de Deus, que foi o seu pecado de adultério com Bate-Seba, a mulher de Urias, um dos seus heróis. Esse pecado o levou a cometer outro mais grave aos nossos olhos que foi o de perpetrar a morte daquele ilustre militar. Esses dois odiosos pecados foram tratados por Deus através do ministério do profeta Natã. Deus puniu o pecado de Davi com a morte do filho adulterino e das inúmeras dificuldades que surgiram na casa de Davi. O arrependimento de Davi e a sua penitencia está registrada no livro de 2º Samuel e no livro de Salmos (Salmos 32 e 51, que são chamados salmos penitenciais). Deus graciosamente perdoou o pecado de Davi, no entanto, as consequências perduraram, senão vejamos: a morte do filho adulterino, o incesto de Amom que forçou sexualmente a sua meia irmã Tamar, a morte de Amom por Absalão, a rebelião de Absalão e a fuga de Davi, a morte de Absalão, e lá mais adiante a morte de Adonias por seu meio irmão Salomâo. Davi cometeu outro erro quando recenseou Israel sem o consentimento divino, acarretando juízo de Deus sobre o povo, que só foi mitigado quando Davi comprou um terreno e ofereceu sacrifícios ao Senhor. Mais tarde nesse terreno foi construído o templo de Jerusalém. O livro ainda relata sobre o desejo de Davi em construir um santuário permanente em Jerusalém para o culto a Deus. Deus o proíbe por ele ser um homem de guerra e ter derramado muito sangue, mas Deus graciosamente fez com ele uma aliança dizendo que um dos seus descendentes construiria o templo almejado por ele. Nessa aliança, Deus estava se comprometendo com Davi, com Salomão, mas também com o Seu filho Jesus Cristo que iria estabelecer, no futuro, um reino com dimensão eterna. “Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, que sair das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino. Eu lhe serei pai, e ele me será filho. E, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens; mas não retirarei dele a minha benignidade como a retirei de Saul, a quem tirei de diante de ti. A tua casa, porém, e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre. 2 º Sm 7.12-16. No final de sua vida Davi preparou todo o material para a construção do templo e, junto com a planta, o entregou a Salomão. Ainda no final de sua vida Davi celebrou a Deus com um salmo, que é o Salmo 18, do livro de Salmos. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Uma panorâmica sobre 1º Samuel

O livro de 1º Samuel é, no seu inicio, uma continuação do período dos juízes que vai até o estabelecimento da monarquia que começa com Saul. O profeta Samuel foi o último juiz levantado por Deus antes do reinado. O livro começa falando sobre o pai de Samuel, Elcana, efraimita que tinha duas mulheres Penina e Ana, sendo Ana estéril e Samuel, seu filho, uma resposta de Deus a um voto feito por ela. Quando Samuel nasceu foi entregue, após o desmame, ao sacerdote Eli, para o serviço no santuário em Siló. Desde cedo Samuel estava envolvido com o serviço na casa do Senhor culminando com o seu chamado para o ministério profético. Através dele Deus mandou uma mensagem de juízo para a casa de Eli, devido aos desmando de seus dois filhos sacerdotes, que tiveram morte numa batalha contra os filisteus. Eli ao saber da morte de seus filhos e da tomada da arca da aliança pelos filisteus caiu da cadeira e quebrou o pescoço e morreu. Samuel assumiu o sacerdócio e como profeta do Senhor arregimentou o povo de Deus para a batalha contra os filisteus e os venceu. Depois dessa vitória, Samuel levantou um memorial e disse as célebres palavras que até hoje ecoa como um brado de vitória do povo de Deus. “... Ebenézer;...: Até aqui nos ajudou o Senhor” 1 Sm 7.12. Samuel envelheceu e os lideres israelitas pediram que ele ungisse um rei sobre o povo de Deus. O argumento dos lideres é que Samuel estava velho, seus filhos não andavam nos caminhos do Senhor e eles queriam ser semelhante às outras nações. Deus, de acordo com a sua vontade permissiva, escolheu Saul, da tribo de Benjamim. Saul começou bem o seu ministério e tinha tudo para fazer um bom reinado, mas cometeu dois graves erros que fizeram com que Deus o rejeitasse, e mandasse Samuel escolher um dos filhos de Jessé, da tribo de Judá, para reinar no lugar de Saul, que foi Davi, o caçula. O livro trás o relato de uma batalha entre os filisteus e os israelitas em que Golias, o campeão filisteu, foi vencido por Davi quando ainda era jovem. O filisteu afrontava Israel quando os exércitos estavam esperando o inicio da batalha. Davi movido pelo Espirito de Deus foi ao encontro de Golias e o venceu com uma pedra atirada de sua funda. Antes do confronto, Davi disse a Golias: “Davi, porém, lhe respondeu: Tu vens a mim com espada, com lança e com escudo; mas eu venho a ti em nome do Senhor dos exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado” 1 Sm 17.45. Depois desse episódio Davi foi grandemente exaltado no meio do povo de Deus e casou-se com a filha de Saul, Mical. Saul que estava ainda como rei, colocou Davi como um dos lideres do seu exército e Davi conseguiu muitas vitórias para o povo de Deus, a ponto das mulheres cantarem: Saul matou os seus milhares e Davi os seus dez milhares. Isso incomodou muito a Saul e a partir daí começou uma perseguição contra Davi, o escolhido de Deus. O restante do livro fala das diversas perseguições de Saul a Davi obrigando-o a fugir e a viver escondido. Por duas ocasiões Saul ficou a mercês de Davi que lhe poupou a vida, pois no seu entendimento só Deus podia tocar num de seus ungidos. Davi temia a Deus. No final do livro, os filisteus venceram os israelitas numa batalha e Saul e os seus filhos foram mortos, inclusive Jônatas, o amigo de Davi. A morte de Saul, deveu-se a consulta a mortos, não ter guardado a palavra do Senhor e não ter buscado ao Senhor (1 Cr 10.13,14). Diversas lições podem ser extraídas desse livro, senão vejamos: O fato do pai ser piedoso não é garantia de que os filhos serão piedosos. Os filhos de Eli e de Samuel eram ímpios; Ninguém deve entrar numa área do ministério se Deus não o escolheu para isso. Saul, rei, ofereceu sacrifício em lugar de Samuel, sacerdote, por isso perdeu o reino; Obediência parcial aos mandamentos de Deus não é obediência. Aconteceu com Saul no caso dos amalequitas. Deus mandou fazer uma coisa e ele fez pela metade. Nos ungidos de Deus ninguém deve mexer, mesmo eles cometendo erros. Davi tinha um profundo respeito por Saul e entendia que só Deus podia tocar nele. A inveja é uma tragédia na vida de um homem. Aconteceu com Saul que invejava Davi porque Deus era com ele, e o tinha abandonado. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sábado, 20 de dezembro de 2014

Uma panorâmica sobre Rute

A história de Rute deu-se no período dos juízes, conforme relatado no primeiro versículo do livro de Rute. “Nos dias em que os juízes governavam, houve uma fome na terra; pelo que um homem de Belém de Judá saiu a peregrinar no país de Moabe, ele, sua mulher, e seus dois filhos” Rt 1.1. O livro não identifica o seu autor, provavelmente a autoria do mesmo é do profeta Samuel. Conforme o texto acima, a história começa com uma migração de uma família de Belém da Judéia para Moabe, um país vizinho de Israel. Moabe foi o filho incestuoso de Ló com a sua filha mais velha (o outro filho incestuoso foi Amom, filho da mais nova). (Gn 19.37,38). Diz-nos o livro de Rute que a família que emigrou para Moabe compunha-se de quatro pessoas: Elimeleque, Noemi, Malom e Quiliom. Quando a família migrou teve de se desvencilhar de seus bens. Na terra de Moabe os dois filhos casaram com duas moabitas, Ofra e Rute. Lá em Moabe morreram Abimeleque e seus dois filhos, ficando Noemi viúva e desfilhada. Ao ser informado de que a fome da terra de seus ancestrais tinha cessado e que Deus dera novamente fartura ao seu povo, Noemi resolve voltar para a terra natal no que foi acompanhada até certo ponto pelas duas noras; foi quando Noemi orientou a voltarem para a casa de seus pais, mas Rute optou ficar com ela e disse estas célebres palavras: “Respondeu, porém, Rute: Não me instes a que te abandone e deixe de seguir-te. Porque aonde quer que tu fores, irei eu; e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo será o meu povo, o teu Deus será o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu, e ali serei sepultada. Assim me faça o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti” Rt 1.16,17. A chegada de Noemi e Rute em Belém causou uma profunda comoção pelas desventuras que tinham acontecido com Noemi. Diziam eles: “Não é esta Noemi?”. “Ela, porém, lhes respondeu: Não me chameis Noemi;chamai-me Mara, porque o Todo-Poderoso me encheu de amargura. Cheia parti, porém vazia o Senhor me fez tornar. Por que, pois, me chamais Noemi, visto que o Senhor testemunhou contra mim, e o Todo-Poderoso me afligiu?” Rt 1.20,21. Em Belém havia um parente de Noemi chamado Boaz que era proprietário de terra, e Rute pediu autorização a Noemi para apanhar as espigas que os segadores deixavam cair, pois esses não podiam mais apanhá-las porque aquilo era destinado aos pobres e estrangeiros, conforme a lei mosaica estabelecia. (Lv 19.9,10; 23.22). A fama de Rute como mulher virtuosa impressionou Boaz que orientou aos seus segadores que de propósito deixassem cair espigas para ser apanhadas por Rute, surgindo dai uma simpatia que culminou em casamento. Havia na sociedade israelita da época um costume baseado na lei mosaica em que a terra que alguém se desfizesse dela por necessidade poderia voltar à família por compra ou por decurso de tempo, mas quem poderia fazer isso seria um remidor credenciado (Lv 25.25-28), que no caso não era Boaz, sendo ele o segundo na linha de sucessão. Boaz tinha interesse em casar com Rute, mas esse direito de levirato (o irmão casar com a mulher do seu irmão falecido, para lhe suscitar descendência) pertencia ao sucessor. Esse sucessor, que a Bíblia não revela o nome, abre mão de seu direito porque na compra da propriedade tinha que aceitar Rute como esposa o que ele não tinha intenção de fazer. Daí Boaz comprar o terreno e casar com Rute, e com ela teve filhos sendo um deles Obede, avô do rei Davi. Dessa belíssima história se podem extrair algumas lições para a vida da Igreja, sendo umas delas a questão do estigma de que sogra é problema. Noemi foi uma sogra maravilhosa. A outra lição é a questão da severidade de Deus em punir o pecado do seu povo. Ainda outra lição é a providência de Deus em restituir os bens de seus servos. Também outra lição, a mais importante, é aquela de natureza espiritual que aponta Boaz como tipo de Cristo, que como remidor resgatou para si algo valioso, no caso de Boaz a propriedade, e no caso de Cristo a Igreja que Ele comprou com o seu próprio sangue (At 20.28). Rute, a exemplo de Raabe, duas gentias, faz parte da genealogia do Salvador, conforme Mt 1.5. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Pregação Pastor Eudes, 07/12/2014

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Uma panorâmica sobre Juízes

Depois da conquista da terra da promessa estabeleceu-se um período de trezentos anos, considerando algumas judicaturas simultâneas, em que cada tribo governava-se a si mesma, pois o povo de Deus não tinha uma liderança nacional, tendo em vista Josué ter falecido e não ter deixado sucessor nem orientado nessa direção. No inicio da época contemplada pelo livro de Juízes as coisas iam bem (Jz 1.7), mas depois se complicaram, pois nos é dito nesse livro que toda aquela geração de conquistadores falecera e surgira outra geração que não conhecia ao Senhor nem os seus feitos. “O foi também congregada toda aquela geração a seus pais, e após ela levantou-se outra geração que não conhecia ao Senhor, nem tampouco a obra que ele fizera a Israel“ Jz 2.10. Esse desconhecimento do povo em relação a Deus e aos seus feitos levou-o a fazer aquilo que era mau aos olhos do Senhor. Por causa disso Deus entregava o povo nas mãos de opressores. Quando o povo se arrependia e clamava ao Senhor, Deus levantava juízes para libertar Israel da opressão e julgar o povo durante o tempo de vida do juiz. É por isso que podemos resumir aquele período em quatro palavras: pecado, opressão, arrependimento e libertação. Foram treze juízes considerando a judicatura em conjunto de Baraque e Débora e a do profeta Samuel que foi o último dos juízes. Dentre os juízes encontramos aqueles que exerceram judicatura plena (libertar e julgar) e aqueles que apenas julgavam o povo em época de paz. Os seus nomes foram, pela ordem: Eúde, Sangar, Debora/Baraque, Gideão, Tola Jair, Jefté, Ibsã, Elom, Abdom e Sansão. As informações sobre Samuel, o último juiz, que exerceu um tríplice ministério (juiz, profeta e sacerdote) encontram-se no livro de 1 Samuel. Os juízes que judicaram em época de paz, foram: Tola, Jair, Ibsã, Elom e Abdom. Os outros foram usados por Deus para libertar o Seu povo da opressão de povos vizinhos. Os juízes mais famosos, excluindo Samuel, foram Gideão, Jefté e Sansão. Gideão ficou famoso por ter sido usado por Deus para libertar o povo da opressão de sete anos pelos midianitas. Com trezentos guerreiros Gideão venceu um exército poderoso. Outro juiz famoso foi Jefté, filho de uma concubina de seu pai, que libertou Israel da opressão dos amonitas. Ele ficou famoso também porque fez um voto a Deus de que se ajudado na batalha, quando voltasse para casa, ofereceria em holocausto o primeiro ser vivo que aparecesse na porta de sua casa, saindo sua filha única. O voto irrefletido causou muitas angústias aquele homem que fora usado por Deus numa obra de libertação. Talvez o mais famoso dos juízes tenha sido Sansão, notável pela sua força física, incapaz de ser vencido por quem quer que fosse. Com uma queixada de jumento ele destruiu o exército filisteu. Sansão tinha lá as suas fraquezas especialmente mulheres tendo uma delas, Dalila, traído o famoso juiz, traição essa que lhe custou à perda dos dois olhos e a morte prematura. “Então os filisteus pegaram nele, arrancaram-lhe os olhos e, tendo-o levado a Gaza, amarraram-no com duas cadeias de bronze;...” Jz 16.21. (Veja ainda Jz 16.26-31 que trata da morte de Sansão). Uma mulher, Débora, também foi usada por Deus como juíza na época. Essa poderosa mulher levantou-se em Israel para libertar o povo de Deus da opressão dos cananeus. Ela movida pelo Espirito Santo convocou Baraque para comandar o exército do Senhor, e grande foi a vitória dada por Deus. Depois da vitória Débora fez um cântico exaltando ao Deus de Israel que dera vitória ao seu povo. (Jz 5.1-31). Um triste episódio relatado no livro foi o de Abimeleque, filho de Gideão, que quis levantar-se a si mesmo como rei sobre o povo de Deus. Traiçoeiramente matou os seus setenta irmãos por parte de pai e foi aclamado rei pelos habitantes de Siquém e de Bete-Milo. Diz-nos Juízes que uma mulher lançou da muralha da torre que estava sitiada uma mó de moinho que rachou a cabeça de Abimeleque, ferindo-o mortalmente. Outro triste episódio foi o abuso sexual da mulher de um levita pelos habitantes de Gibeá levando-a a morte, com a conivência dos lideres daquela cidade, e que ocasionou uma guerra fraticida onde a tribo de Benjamim quase foi extinta. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Uma panorâmica sobre Josué

Por causa do pecado de desobediência de Moisés, Deus não permitiu que ele introduzisse Israel na terra da promessa. (Nm 20.12). A responsabilidade de introduzir Israel em Canaã foi dada a Josué, conforme Deus já tinha determinado (Dt 31.7; Js 1.1-3). O livro de Deuteronômio nos apresenta Israel aquartelado na planície do Jordão se preparando para entrar em Canaã. Na época, nos diz o livro de Josué, o rio Jordão estava num período de cheia. Deus graciosamente represou o rio e o povo passou a pé enxuto, defronte de Jericó (Js 3.15,16) Antes de entrar na terra prometida foi feito um acordo com as duas tribos e meia, que se estabeleceram no lado oriental do Jordão (Transjordânia), de que os guerreiros dessas tribos acompanhariam o restante do exército para ajudá-los na conquista da terra. (Leia Números 32). Dois espias foram enviados por Josué para Jericó, e lá eles fizeram um acordo com Raabe, a prostituta, de livrá-la junto com a sua família da destruição que viria, porque ela os acolhera e os livrara dos seus perseguidores. Ainda antes de empreender a conquista da terra houve um preparo de natureza espiritual: a circuncisão da nova geração de guerreiros e a celebração da Páscoa. (Js 5). Na época da conquista, a terra de Canaã era densamente povoada. Nela habitavam cananeus, amorreus, jebuseus, heteus, girgaseus, heveus e fereseus. Nela havia trinta e uma cidades fortificadas, cada uma com o seu rei. (Leia Josué 12.7-24). Todas essas cidades foram conquistadas em três campanhas militares: centro, sul e norte. A primeira conquista de Israel foi a cidade de Jericó. Nessa conquista Deus ordenou que os soldados rodeassem a cidade uma vez por dia em silêncio. No sétimo dia Deus ordenou que a cidade fosse rodeada sete vezes. Na sétima vez as trombetas tocaram e o povo gritou e os muros de Jericó ruíram miraculosamente. Deus tinha dito que a cidade de Jericó estava sob anátema e nenhum despojo poderia ser requisitado pelos soldados, mas um deles chamado Acâ pegou do anátema e o escondeu em sua tenda. Por causa disso o povo de Deus teve dificuldade de conquistar a cidade de Ai. O pecado de Acã foi descoberto e ele recebeu a devida punição e o povo continuou a sua obra de conquista. Depois da conquista das duas primeiras cidades, em Siquém foi feita a leitura da Lei dada por Deus através de Moisés. Nessa leitura seis tribos ficaram em frente do monte Gerizim e seis defronte do monte Ebal, dizendo amém sobre as bênçãos oriundas da obediência e as maldições oriundas da desobediência, respectivamente. Numa das campanhas militares Deus operou um milagre que tem desafiado a ciência, que foi o sol e a lua serem detidos em sua marcha natural. Aquele dia foi um dia especial, relatado assim por Josué: “Então Josué falou ao Senhor,..., e disse na presença de Israel: Sol, detém-se sobre Gibeão, e tu, lua, sobre o vale de Aijalom. E o sol se deteve, e a lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos.... O sol, pois, se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro. E não houve dia semelhante a esse, nem antes nem depois dele, atendendo o Senhor assim à voz dum homem; pois o Senhor pelejava por Israel” Js 10.12-14 . Um episódio interessante aconteceu nessa época de conquista que foi a questão dos gibeonitas que enganaram a Josué e não foram destruídos por ele. Josué fez um acordo com eles pensando se tratar de um povo que não fazia parte da terra de Canaã. (Js 9.1-27). Depois da conquista da terra, que durou sete anos, houve a divisão da mesma entre as nove tribos e meia, pois as outras duas tribos e meia já tinham recebido o seu quinhão na Transjordânia. Cada tribo tinha a responsabilidade de acabar a limpeza da terra em seus territórios. Foi por isso que Josué disse que ainda faltava muita terra para conquistar. Há uma questão ética na conquista da terra que foi a destruição daquelas nações (homens, mulheres, jovens e crianças). Acontece que aquele povo tinha descido ao mais baixo nível moral e espiritual e Deus já os tinha condenado (Gn 15.16). Israel fora o instrumento humano que Deus usara para punir os pecados e limpar aquela terra das maldades dos habitantes de Canaã. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Simão, o mágico (At 8.9-13) No relato do texto em apreço, nos é apresentada a figura de um homem famoso na cidade de Samaria, onde De...