sexta-feira, 27 de junho de 2008

Tempos Trabalhosos


Todos sabem pelas Escrituras que Deus tem estabelecido um plano para a humanidade, consistindo esse plano, como todos os planos, de início, desenvolvimento e conclusão. Está previsto nesse plano que, quando estiver perto de sua conclusão ou consumação, a humanidade experimentará tempos difíceis ocasionados por problemas em diversas áreas da vida social. Segundo o texto de Paulo, na segunda carta a Timóteo 3.1-9, esses tempos trabalhosos serão ocasionados, também, pela intensidade da maldade do coração do homem. ”Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te...”.
Nesse plano, ainda está previsto o juízo de Deus sobre essa última geração, cujo perfil está delineado no texto citado, através dos selos, trombetas e taças do livro de Apocalipse, que é a grande Tribulação prevista no Antigo e no Novo Testamento (Dn 12.1; Mt 24.21,22; Ap 3.10).
Considerando que a Igreja viverá também nesse contexto de dificuldades até o grande dia da segunda vinda do Senhor, para buscá-la e levá-la para Si, ela deve está preparada para enfrentar as lutas e atribulações que virão sobre si. Aliás, Jesus nunca prometeu aos seus servos que não enfrentariam dificuldades neste mundo, pelo contrário, o Senhor disse que no mundo eles teriam aflições, mas, que tivesse bom ânimo porque ele vencera o mundo (Jo 16.33).
Hoje podemos observar como está ficando difícil viver neste mundo: O aumento assustador da população mundial, a escassez dos recursos naturais, a degradação do meio ambiente (o aumento do buraco da camada de ozônio, o degelo do Ártico, a poluição das fontes dàgua, etc.), a desvalorização da vida humana, a escassez de emprego devido à informatização, automatização e robotização das empresas, a banalização do sexo estimulada pelos meios de comunicação de massas, a relativização dos valores da sociedade, a desvalorização de instituições outrora sólidas como, por exemplo, o casamento, etc. Como a tendência dessa degradação geral é aumentar à medida que nos aproximamos do fim, segundo as Escrituras, os homens ficarão perplexos angustiados e até alguns desmaiarão mas não se arrependerão dos seus pecados (Lc 21.26; Ap 16.9).
Irmãos amados, devemos levar a sério essas revelações da Bíblia Sagrada e procurarmos viver uma vida de santidade, consagrada, servindo ao Senhor de todo o nosso coração, aguardando a manifestação do Senhor Jesus em glória. Portanto, valorizemos mais os cultos da Igreja, o seu ministério envolvendo-nos nele, contribuindo assim para a expansão do Reino de Deus.

Missões - a obra maior da Igreja

Deus instituiu a Igreja neste mundo para realizar uma obra que estava prevista no Seu plano eterno. “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” Ef 2.10. Dentre essas obras quatro se destacam: Cultuar a Deus (Adoração); Edificar espiritualmente os crentes (Edificação); Proclamar o Evangelho aos perdidos (Proclamação); e Cuidar dos santos necessitados (Beneficência). Dessas quatro obras destacadas, a Proclamação do Evangelho se sobressai por se tratar da anunciação da obra redentora feita por nosso Senhor Jesus Cristo, na cruz do Calvário, para salvar o pecador perdido da condenação do pecado e, consequentemente, da perdição eterna. “Não me envergonho do Evangelho, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” Romanos 1.16.
A obra de pregação do Evangelho ou a obra missionária foi dada como comissão a Igreja, segundo os registros de Mateus 28.18-20; Marcos 16.15,16; Lucas 24.47; Atos 1.8; 1 Coríntios 9.16, etc. Sendo uma comissão direta de Jesus para a Igreja, deve ela procurar cumpri-la como prioridade em seu ministério. Quando o Senhor comissionou a Igreja, deu-lhe a dimensão da obra: todas as pessoas, de todas as épocas, no mundo inteiro. “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda à criatura” Marcos 16.15.
Diante do gigantismo da obra, como uma Igreja local como a nossa pode realizá-la? Primeiramente precisamos entender que a obra foi entregue a Igreja do Senhor como um todo. Isto quer dizer que todas as Igrejas locais são responsáveis para executá-la, seja lá onde estiver instalada. Uma coisa que é comum e que todas as Igrejas locais podem fazer é orar por essa obra, por todos os obreiros, missionários, e contribuir para ajudar aqueles que se dispõe, segundo o chamado especifico de Deus, realizá-la. “E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara” Lucas 10.2. “Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o Evangelho, que vivam do evangelho” 1 Coríntios 9.14.
A nossa Igreja, junto com as outras igrejas do bairro do Geisel, bem como da cidade de João Pessoa são responsáveis diretas diante de Deus pela evangelização da mesma como um todo, e as igrejas do Geisel responsáveis diretas pela evangelização do bairro e a nossa, especificamente, responsável diante de Deus pela evangelização de suas adjacências.
Amados, quando Deus estabelece uma igreja em uma determinada localidade, cabe a ela a responsabilidade de anunciar o Evangelho de Cristo aos seus habitantes. É seu dever envidar esforços para que as pessoas que não conhecem a Cristo o conheçam através da pregação do Evangelho. Quando falamos de Igreja estamos nos referindo a todos os seus membros bem como aos seus congregados. A responsabilidade é distribuída entre todos aqueles que professam o nome de Jesus e não só ao pastor ou aos oficiais da Igreja.
Uma coisa que podemos fazer como Igreja local para realizar essa obra, além de orar pela salvação dos perdidos, pelos missionários e de contribuir, é falar de Jesus a alguém, convidá-los e trazê-los para a Igreja, distribuir folhetos, Novos Testamentos, Bíblias etc.
Temos um Departamento de Missões organizado em nossa Igreja que tem como objetivo coordenar o seu esforço evangelístico, visando atender ao Ide de Jesus, e precisamos nos engajar em suas atividades. Esforcemo-nos e façamos à obra do Senhor, pois assim Ele se agradará de nós.

Usos e Costumes

O crente em Cristo é uma nova criatura, foi transformado pela graça de Deus, nasceu de novo, do Espírito Santo e tem no seu coração o desejo de viver para a glória de Deus. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”.
2 Coríntios 5.17.
Deus revelou a sua vontade para o crente também em relação na sua maneira de viver neste mundo, estabelecendo assim um padrão para ele. Esse padrão sendo estabelecido por Deus não pode mudar com o passar dos anos e não se adapta a evolução do mundo que, segundo a Bíblia, jaz no maligno. Cabe a nós humildemente se conformar com esse padrão, pois é a vontade de nosso Deus para nós. Esse padrão ou modelo contempla muitas coisas do cotidiano de nossas vidas, tais como: o falar, o vestir, o se conduzir, etc.
Essa reflexão visa enfocar o padrão estabelecido por Deus na área da indumentária ou da vestimenta dos crentes, pois temos observado que há muito desmantelo nessa área principalmente no meio das irmãs, especialmente das mais novas que são mais susceptíveis de seguir o curso deste mundo.
Tratando-se de nossa Igreja a coisa não é muito diferente da maioria das Igrejas de nossa Capital e isso nos preocupa como Pastor, responsável que somos diante de Deus por esse rebanho, pois a nós compete a tarefa de ensinar aquilo que agrada a Deus e aquilo que lhe desagrada.
Assim sendo, vejamos o que a Bíblia diz sobre o assunto: “Da mesma forma, quero que as mulheres se vistam modestamente, com decência e discrição, não se adornando com tranças e com ouro, nem com pérolas ou com roupas caras” 1 Timóteo 2.9. É verdade que a Palavra de Deus não estabelece o tamanho das vestes das mulheres, nem as cores, nem tampouco o modelo que elas devem usar. Ela estabelece um princípio muito importante que é o da modéstia, decência e discrição no vestir. Isto quer dizer que a veste de uma mulher crente, seja ela de que idade for, deve ser uma veste discreta, composta, descente que cubra bem o seu corpo, que não seja transparente que possa trazer uma conotação sensual, e que não ostente a vaidade.
No Antigo Testamento havia uma recomendação para que a mulher não vestisse roupa de homem nem que o homem vestisse roupa de mulher, lembrando Deus aos judeus o princípio da diferenciação entre os sexos. Para o Novo Testamento o princípio estabelecido por Deus é o que citamos no parágrafo anterior que é o reflexo da graça divina no coração da crente, conforme encontramos em 1º Pedro 3.3-5.
Tratando-se de mulheres crentes usando calça comprida, é conveniente que a mesma não seja ligada ao corpo para não trazer uma conotação sensual, isso também serve para bermudas. Diante do exposto, pedimos aos pais que tenham cuidado com as vestes de suas filhas pequenas. Lembremos-nos de que enquanto é tempo podemos influenciar nessa área. Às moças pedimos um cuidado especial nesse assunto, que evitem usar na Igreja e fora dela roupas que destilem sensualidade, lembrando de que são servas de Deus. Para as mulheres casadas à recomendação é mais forte ainda, devido ser elas exemplo para as mais novas. Pedimos aos maridos que ajudem suas mulheres nessa área e aconselhem se for necessário. Se fizermos isso resolveremos um problema que a Igreja enfrenta e Deus se agradará de nós.

O Jejum na Bíblia

Dentre os recursos que Deus pôs a nossa disposição para buscar a sua face encontra-se o jejum, que é a privação deliberada de alimento por um determinado período de tempo por parte de um crente, visando alcançar de Deus uma bênção específica. O jejum é um meio usado para buscar a face de Deus em época de crise, tanto na vida do individuo quanto na da comunidade, para que Ele intervenha com o seu grande poder, debelando algum problema ou mudando uma determinada situação como, por exemplo, na época de Esdras quando os israelitas estavam voltando do cativeiro babilônico e estavam preocupados com segurança e proteção. “Então apregoei ali um jejum junto ao rio Aava, para nos humilharmos diante da face do nosso Deus, para lhe pedirmos caminho direito para nós, e para nossos filhos, e para toda a nossa fazenda” Ed 8.21.
Esse método foi apresentado pelo próprio Deus como eficaz na solução de problemas que do ponto de vista do homem seja insolúvel “Mas esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum”. Mt 17.21. “Nós, pois, jejuamos e pedimos isto ao nosso Deus, e moveu-se pelas nossas orações” Ed 8.23.
Olhando para as Sagradas Escrituras observamos que o povo de Deus sempre usou esse método visando solucionar alguma dificuldade em época de crise. O primeiro jejum feito pelo povo de Israel foi na época dos Juízes quando havia uma luta interna entre as tribos de Israel (Jz 20.26). O segundo jejum foi na fase de transição do período dos Juízes para o do estabelecimento da Monarquia - o povo tinha pecado contra Deus, envolvendo-se com a idolatria e estava debaixo de juízo sob os filisteus. O objetivo do jejum, sob a orientação do profeta Samuel, foi restaurar a comunhão com Deus rompida pelo pecado e provocar uma obra de libertação. “... E congregaram-se em Mispá, e tiraram água, e a derramaram perante o Senhor, e jejuaram aquele dia, e disseram ali: Pecamos contra o Senhor...” 1 Sm 7.1-6. Na época de Ester o povo de Deus jejuou devido à ameaça de morte que pairava sobre eles (Et 4.16). O profeta Daniel também jejuou buscando a face do Senhor quando percebeu, pelo Espírito Santo, que estava se aproximando o grande dia da libertação do povo de Deus do cativeiro babilônico. “E eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e rogos, com jejum, saco e cinza” Dn 9.3.
No Novo Testamento encontramos o Senhor Jesus jejuando antes de iniciar o seu ministério. “E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome” Mt 4.2. Uma mulher de oitenta e quatro anos costumava servir a Deus com jejum e oração (Lc 2.36,37). No episódio do jovem possesso, o Senhor enfatizou a eficácia do jejum (Mt 17.21). Os oficiais de uma Igreja local eram consagrados num período de oração e jejum (At 14.23); e ao encaminhar obreiros para a obra missionária fazia-se o mesmo (At 13.3). O apóstolo Paulo, no exercício do seu ministério, frequentemente, jejuava visando uma eficácia maior do seu trabalho (2 Co 11.27).
Deve-se observar, ainda, que o jejum bíblico sempre foi acompanhado de oração e em alguns casos de uma profunda humilhação diante de Deus, de confissão e de abandono de pecado.
Diante do desejo de melhorar a vida espiritual da Igreja, usemos, irmãos, essa poderosíssima arma posta por Deus à nossa disposição. Temos muitas razões porque devemos consagrar a Deus um jejum: Temos pecados contra Deus! Há descaso para com a obra de Deus, avareza, frieza espiritual, rancor, desunião, críticas mordazes, vaidade, irreverência nos cultos, desobediência dos filhos aos pais, apego as coisas deste mundo, e os pecados de omissão.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

A PESSOA DE CRISTO (CRISTOLOGIA)

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
1. A PESSOA DE CRISTO
1.1. A Natureza Humana de Jesus Cristo
1.1.1. A Ascendência Humana de Jesus
1.1.2. As Limitações da Natureza Humana de Jesus
1.1.3. Os Nomes Humanos Dados a Jesus
1.1.4. A Relação Humana que Jesus Tinha com Deus
1.2. A Natureza Divina de Jesus Cristo
1.2.1. Os Nomes Divinos Dados a Cristo
1.2.2. O Culto Divino Tributado a Cristo
1.2.3. Os Ofícios Divinos Possuídos por Cristo
1.2.4. Os Atributos Divinos Possuídos por Cristo
1.2.5. Os Atos Poderosos Atribuídos a Cristo
1.2.6. A Associação do Nome de Jesus, o Filho, com o de Deus, o Pai
1.2.7. A Identificação de Jesus com o Jeová da Velha Dispensação
1.3. A União Hipostática das duas Naturezas de Cristo
1.4. O Caráter de Jesus Cristo
1.4.1. A Santidade de Jesus Cristo
1.4.2. O Amor de Jesus Cristo
1.4.3. A Mansidão de Jesus Cristo
1.4.4. A Humildade de Jesus Cristo
1.4.5. O Altruísmo de Jesus Cristo
2. A OBRA REALIZADA POR JESUS CRISTO
2.1. Obras de Curas, Milagres e Expulsão de Demônios
2.1.1. A Cura de Enfermidades
2.1.2. Milagres
2. 1.3. Expulsão de Demônios
2.2. Obras Ligadas a Pregação e ao Ensino
2.2.1. As Parábolas Proferidas por Jesus
2.3. Obra Especial da Redenção do Ser Humano (A Morte de Jesus)
2.3.1. As Características da Morte de Jesus
2.3.2. O Alcance da Obra Expiatória de Jesus Cristo
2.3.3. Os Resultados da Morte de Jesus
3. O SEPULTAMENTO DE JESUS CRISTO
4. A RESSURREIÇÃO GLORIOSA DE JESUS CRISTO
4.1. O Fato da Ressurreição de Jesus Cristo
4.1.1. Foi Um Fato Predito
4.1.2. Foi Um Fato Acontecido Conforme Predito
4.2. A Natureza da Ressurreição de Jesus Cristo
4.2.1. Capaz de Aparecer e Desaparecer de Repente
4.2.2. Capaz de Transpor Paredes e Portas Fechadas
4.2.3. Capaz de Deslocar-se de Um Lugar Para Outro com Velocidade Espantosa
4.2.4. Capaz de Vencer a Gravidade sem o Auxílio de Máquina
4.3. Os Agentes da Ressurreição de Jesus Cristo
4.3.1. O Pai Ressuscitou a Jesus
4.3.2. Jesus Ressuscitou a Si Mesmo
4.3.3. O Espírito Santo Ressuscitou a Cristo
4.4. As Implicações Teológicas da Ressurreição de Jesus Cristo
4.4.1. Quanto à Confiabilidade do Evangelho
4.4.2. Quanto à Validade da Fé Salvadora
4.4.3. Quanto à Justificação do Crente
4.4.4. Quanto à Salvação Eterna da Pessoa
4.4.5. Quanto ao Perdão dos Pecados
4.4.6. Quanto à Glorificação do Salvo
5. A ASCENSÃO E A ENTRONIZAÇÃO DE CRISTO
6. A SEGUNDA VINDA DE CRISTO
7. CONCLUSÃO
ANEXO
BIBLIOGRAFIA


DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho ao Deus Triúno, que me fez,
salvou-me e me separou para o Santo Ministério da
Palavra.

Dedico-o ainda à Igreja, noiva de nosso Senhor Jesus Cristo, a quem interessa mais de perto a
Cristologia.

AGRADECIMENTO

Agradeço ao Deus Todo-Poderoso que me impulsionou a escrever sobre este tema, que reputo ser de magna importância, devido ser Jesus, no Pacto da Graça, o nosso representante diante do Conselho da Santíssima Trindade.

Agradeço a minha esposa e filhos, especialmente a André e a Júnior que me ajudaram, no início do trabalho, no que se refere a “mexer” no computador.

Agradeço ao Pastor Jônatas Ferreira Catão pela doutrina aprendida durante a minha assistência aos cultos da Igreja, nos quais ele como mestre nos ensinava a santa Palavra de Deus.

Agradeço a Professora Virgínia Macedo pela correção do Português, no qual ela é especialista.

Agradeço a Joadecí Brito, secretária da 1ª Igreja Evangélica Congregacional de João Pessoa, pela preciosa colaboração dada na digitação desta monografia.

Agradeço a Igreja Evangélica Congregacional de João Pessoa pela cessão dos equipamentos necessários para a digitação do trabalho.


INTRODUÇÃO


Na Teologia Sistemática, encontramos uma parte que trata sobre o estudo da pessoa de Jesus Cristo, conhecida pelo nome de Cristologia.

A Cristologia estuda a pessoa de Jesus desde a sua pré-existência, passando pela Sua encarnação, pelo Seu ministério terreno, pela Sua morte expiatória, Sua ressurreição e ascensão até Sua entronização à destra do Pai nos Céus.
Achamos por bem também fazer uma incursão, mesmo que de forma sucinta na Escatologia, no que se refere ao Senhor Jesus Cristo, por entender que os assuntos que tratam da Sua segunda vinda, do conseqüente arrebatamento da Igreja, e do julgamento final, têm-No como personagem central.

O estudo da Cristologia reveste-se de especial importância devido, ter sido Jesus escolhido pelo Conselho da Santíssima Trindade, para ser o Redentor do ser humano, sendo Ele, também, no Pacto da Graça, o nosso representante diante de Deus.

Nas Sagradas Escrituras, o Senhor Jesus Cristo, desde o Gênesis até o Apocalipse, ocupa o papel central. Em Gênesis, Jesus é simbolizado como a Semente da Mulher; em Êxodo, como o Cordeiro Pascal; em Levítico como o Sacrifício Expiatório; em Números como a Rocha; em Deuteronômio, como o Profeta Prometido; em Josué, como o Príncipe do Exército do Senhor; em Juízes, como o Libertador; em Rute como o Parente Remidor; em 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, como o Rei de Israel; em Esdras e Neemias, como o Restaurador; em Ester, como o nosso Advogado; em Jó, como o Redentor que Vive; em Salmos, como Tudo em todos; em Provérbios, como a Sabedoria Divina; em Eclesiastes, como a Razão Suprema do Nosso Viver; em Cantares, como o Amado; nos Profetas, como o Messias Prometido; nos Evangelhos, Jesus é o Cristo; em Atos, o Senhor é o Espírito; nas Epístolas, Ele é a Cabeça da Igreja; no livro de Apocalipse, Jesus é o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim.

No Antigo Testamento, encontramos as profecias apontando para o Messias que haveria de vir. No Novo Testamento, encontramos o testemunho de que as profecias sobre o Messias tiveram o seu fiel cumprimento na pessoa ímpar de Jesus Cristo.

A fim de enriquecer mais este trabalho, no final dele, anexamos um quadro onde encontramos o ministério de Jesus, no qual os acontecimentos estão em ordem cronológica, para que tenhamos também uma visão geral daquilo que os Evangelhos dizem de Jesus Cristo, num relato histórico (anexo I).


1 - A PESSOA DE JESUS CRISTO


Na pessoa de Jesus encontramos duas naturezas distintas: Uma natureza divina e uma natureza humana, unidas de forma hipostática, ou seja, unidas sem perda de suas características peculiares, mas compondo uma só pessoa, que é a do Bendito Salvador. Daí, podermos afirmar com segurança que, Jesus Cristo é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. É o Deus-Homem.

O Senhor Jesus sempre existiu como eterno Filho de Deus. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” Jo 1.1. No Antigo Testamento encontramos as teofanias, ou seja, as revelações do Filho de Deus em aparência humana, ora como o Anjo do Senhor (Gn 23.15,16; Ex 3.2-6; Jz 6.11-24, etc), ora como o Príncipe do Exército do Senhor (Js 5.13-15). Na plenitude dos tempos (Gl 4.4), o Deus Filho, esvaziou-se de Sua glória, encarnou (Jo 1.14; Fp 2.5-8) e veio a este mundo para realizar a reconciliação do homem com Deus através do sacrifício de Si mesmo, de forma expiatória. “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados...” 2 Co 5.19. “E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades” Ef 2.16.

A natureza humana de Jesus foi gerada no ventre da virgem Maria por obra e graça do Espírito Santo, segundo os relatos dos Evangelhos de Mateus (1.20) e Lucas (1.34,35).

A seguir procuraremos detalhar os aspectos das duas naturezas de Cristo, e para isto citaremos, abundantemente, as Sagradas Escrituras por entender, serem elas a única regra de fé e prática do cristão e por entender também que elas dão testemunho fidedigno do Senhor (Jo 5.39).

1.1. A NATUREZA HUMANA DE JESUS CRISTO

Estudando a natureza humana de nosso Senhor Jesus Cristo, podemos constatar, pelos relatos das Escrituras, o que se segue abaixo:

1.1.1- A ascendência humana de Jesus
O Senhor Jesus teve uma ascendência humana bem definida nas Sagradas Escrituras e ela pode ser provada pelos eventos ali identificados, senão vejamos:

1.1.1.1. Ser descendente de Abraão – Jesus como homem era de descendência judaica. Os judeus como se sabe, descendem fisicamente do patriarca Abraão, considerado o pai da raça hebraica. Jesus como judeu descendeu de Abraão. Os relatos das suas duas genealogias tratam da questão, especialmente Mateus que começa o relato biográfico do Senhor Jesus nestes termos: “Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” Mt 1.1.

1.1.1.2. Ter descendido da casa e família de Davi - O Senhor Jesus Cristo era da linhagem da casa de Davi, o rei de Israel, tanto por parte de José bem como por parte de Maria, sua mãe, conforme registros das duas genealogias encontradas nos evangelhos de Mateus 1.1-17 e Lucas 3.23-38, bem como nos textos a seguir identificados: “Bendito o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e remiu o seu povo! E nos levantou uma salvação poderosa na casa de Davi, seu servo” Lc 1.68,69. “Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne” Rm 1.3. “Achei a Davi, filho de Jessé, varão conforme o meu coração, que executará toda a minha vontade. Da descendência deste, conforme a promessa levantou Deus a Jesus para Salvador de Israel” At 13.22,23.

1.1.1.3. Ter nascido da virgem Maria - Jesus, como homem, foi gerado no ventre de uma jovem israelita chamada Maria, por obra e graça do Espírito Santo, conforme relato encontrado nos Evangelhos de Mateus e Lucas, livros do Novo Testamento: “Ora o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem achou-se ter concebido do Espírito Santo” (Mt 1.18). “Disse-lhe então o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus, E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e por-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai” Lc 1.30-32. “Mas vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” Gl 4.4. Os textos citados identificam o cumprimento de uma profecia registrada no livro do profeta Isaías (7.14) há aproximadamente setecentos anos antes de sua realização: “Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel”.

1.1.2 – O Desenvolvimento de Jesus como ser Humano

1.1.2.1. Jesus teve um crescimento e desenvolvimento naturais - O Senhor Jesus foi gerado de forma sobrenatural no ventre de Maria, mas a partir da concepção o seu crescimento físico, intelectual e psicológico foi como de qualquer outro homem, pois assim entendemos dos seguintes escritos: “E o menino crescia, e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria, e a graça de Deus esta sobre ele” Lc 2.40. “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens” Lc 2.52. “E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo, e interrogando-os” Lc 2.46.

1.1.2.2. Jesus tinha uma aparência humana (pessoal) - Jesus não apareceu neste mundo como um espírito de luz, ou como um ser extraterrestre, mas sim como um homem de carne e ossos, com todas as características físicas de um tipo biológico característico da raça judia. Assim foi Ele identificado pelos seus contemporâneos. “O homem chamado Jesus, fez lodo, e untou-me os olhos, e disse-me: Vai ao tanque de Siloé; e lava-te. Então fui, lavei-me, e vi” Jo 9.11. “Saiu, pois Jesus fora, levando a coroa de espinhos e o vestido de púrpura. E disse-lhes Pilatos: Eis aqui o homem” Jo 19.5. “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou em mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho” Lc 24.39. “O que era desde o princípio, o que vimos com os nosso olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida” 1 Jo 1.1.

1.1.2.3. Jesus teve uma natureza humana composta de uma parte material e outra espiritual – Segundo os relatos dos Evangelhos, a natureza humana de Jesus era composta, como a de todos os seres humanos de uma parte material (corpo físico) e uma parte espiritual, sendo essa última identificada por ele em certas ocasiões como alma e em outras como espírito, conforme a seguir explicitados:

1.1.2.3.1. Corpo físico – O corpo do Senhor Jesus era um corpo físico, semelhante ao nosso, com todos os membros inerentes a ele, como revela a Palavra de Deus: ‘‘Ora, derramando ela este ungüento sobre o meu corpo, fê-lo preparando-me para o meu enterramento” Mt 26.12. “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; tocai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés” Lc 24.39,40. “Pelo que, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste” Hb 10.5.

1.1.2.3.2. Alma racional ou um espírito imortal – O Senhor Jesus era possuidor de uma alma racional ou de um espírito imortal semelhante ao nosso, capaz de amar, ter tristeza, angústia, ira e alegria, bem como capaz de se relacionar com o Pai Celestial como homem que era. Nas Escrituras encontramos: “Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui e velai comigo” Mt 26.38. “Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra,...” Lc 10.21. “E Jesus, clamando outra vem com grande voz, rendeu o espírito” Mt. 27.50. “E clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto expirou” Lc 23.46.

1.1.3 - As limitações da natureza humana de Jesus

O Senhor Jesus Cristo, tinha como homem, as mesmas limitações físicas, intelectuais e espirituais que todo o ser humano tem. Devemos esclarecer que Ele sendo o homem perfeito não teve limitações na área moral, no sentido de que nunca cometeu pecado nem dolo algum se achou em sua boca, apesar de ser ele susceptível à tentação, conforme registros da Palavra de Deus: “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” Hb 4.15. “O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” 1 Pe 2.22. Veja ainda 2 Co 5.21 e 1 Jo 3.5.

1.1.3.1. As limitações físicas de Jesus

Jesus como homem teve limitações físicas, identificadas a seguir:

1.1.3.1.1. Ele teve fadiga corporal – O Senhor Jesus estava sujeito à fadiga corporal como homem que era. “E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase a hora sexta” Jo 4.6.

1.1.3.1.2. Ele teve sono – Jesus também teve necessidade de dormir. “E eis que no mar se levantou uma tempestade tão grande que o barco era coberto pelas ondas; ele, porém, estava dormindo. E os seus discípulos, aproximando-se, o despertaram,...” Mt 8.24,25. Os evangelistas Marcos (Mc 4.38) e Lucas (Lc 8.23,24) registraram também o fato de Jesus ter adormecido quando de uma de suas travessias do Mar da Galiléia.

1.1.3.1.3. Ele teve fome - Os evangelistas Mateus, Marcos e Lucas relataram fatos que mostram que Jesus teve fome. Um foi quando passou quarenta dias e quarenta noites de jejum no deserto, e o outro foi quando saiu de Betânia com destino a Jerusalém e procurou figo numa figueira para comer e não encontrou. “E tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites teve fome” Mt 4.2. “E, no dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome” Mc 11.12. “E os fariseus, vendo isto, disseram aos seus discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores” Mt 9.11.

1.1.3.1.4. Ele teve sede - o Evangelista João, em duas ocasiões, testificou que Jesus teve sede de água potável. Uma foi quando Jesus se encontrou com a mulher samaritana no poço de Sicar e a outra foi quando estava pendurado na cruz do Calvário. O apóstolo João descreve essas situações da seguinte maneira: “Veio uma mulher de Samaria tirar água; disse-lhe Jesus: Dá-me de beber” Jo 4.27. “Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede” Jo 19.28.

1.1.3.1.5. Ele teve sofrimento e dor física - O profeta Isaías no capítulo 53.4,5 do seu livro relata que o Messias vindouro teria dores e sofreria fisicamente: “... e nós o reputámos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades...”. A coroa de espinhos, os açoites, os cravos, que furaram as mãos e os pés de Jesus eram reais (Jo 19.1,2; 20.25,27), e certamente provocaram um profundo sofrimento físico no Salvador. Também no Getsêmani Jesus sofreu fisicamente: “E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor tornou-se grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão” Lc 22.44.

1.1.3.1.6. Ele sofreu morte física – O Senhor Jesus, como homem, provou a morte física. A parte imaterial (alma ou espírito) separou-se do seu corpo quando morreu. Ele passou pela mesma experiência que passa todos os seres humanos quando termina a sua jornada aqui neste mundo. “E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito” Mt 27.50. “E Jesus, dando um grande brado, expirou” Mc 15.37. “E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito e, havendo dito isto, expirou” Lc 23.46. “E quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” Jo19.30. “Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” 1 Co 15.3.

1.1.3.2 - As limitações intelectuais do homem Jesus

O Senhor Jesus, como homem, não veio a este mundo sabendo de todas as coisas. O conhecimento humano de Jesus foi adquirido gradativamente graças à observação, a investigação e ao processo de ouvir, ler e estudar. Podemos observar as limitações intelectuais de Jesus, considerando os seguintes fatos registrados nos Evangelhos:

1.1.3.2.1. Ele era capaz de crescer em conhecimento – Jesus quando nasceu, a sua mente estava capacitada, como a de todo ser humano, a crescer intelectualmente com a observação e a pesquisa. “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens” Lc 2.52. “E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os, e interrogando-os” Lc 2.46.
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1.1.3.2.2. Ele tinha limitações de conhecimento – Como homem o Senhor Jesus tinha limitação de conhecimento, ou seja, não sabia de todas as coisas, é o que entendemos do texto a seguir: “Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai” Mc13.31.

1.1.3.2.3. Ele, para aprender, usava a observação - “E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos” Mc 11.13.

1.1.3.3 - As limitações morais de Jesus

Entendamos como limitações morais à possibilidade que ele tinha como homem de ser sujeito a tentação em todas as áreas de Sua vida, e nunca ao fato dEle ter cometido alguma falha. Jesus era o homem perfeito, portanto, isento e livre do pecado. Não tinha uma natureza pecaminosa como a nossa que é herdada de Adão. A natureza humana dele fora gerada e santificada pelo Espírito Santo. “Porque naquilo que ele mesmo sendo tentado, padeceu, pode

socorrer aos que são tentados” Hb 2.18. “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” Hb 4.15. Nos Evangelhos Sinóticos, cujos relatos sobre a vida do Senhor são semelhantes, encontramos um fato que nos mostra que Jesus foi tentado por Satanás em diversas áreas de Sua vida. “Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo...” Mt 4.1-11. Veja ainda os textos de Mc 1.12,13 e Lc 4.1-13.

1.1.3.4. As Limitações Espirituais de Jesus

Entendamos como limitações espirituais, a necessidade que Jesus tinha como homem de utilizar recursos espirituais para cumprir o ministério que veio realizar neste mundo, como enviado especial de Deus que era, senão vejamos:

1.1.3.4.1. Ele dependia da oração e jejum para ter poder – Jesus usava da prática da oração constante e perseverante, inclusive, em alguns casos, da prática também do jejum como meio para receber poder para ministrar a Palavra e realizar milagres e maravilhas. “E, levantando-se de manhã muito cedo, fazendo ainda escuro, saiu e foi para um lugar deserto, e ali orava” Mc 1.35. “E tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome” Mt 4.2. “O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia” Hb 5.7.

1.1.3.4.2. Ele dependia da unção do Espírito Santo para exercer o ministério – Jesus precisou ser cheio do Espírito Santo para poder exercer com eficácia o ministério de ensino, da pregação e da libertação dos cativos. “Mas, se eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente a vós é chegado o reino de Deus” Lc 11.20. “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude, o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” At 10.38. “O Espírito do Senhor está sobre mim pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a pregar liberdade aos cativos, e dar vista aos cegos; a por em liberdade os oprimidos; a anunciar o ano aceitável do Senhor” Lc 4.18,19.

1.1.4 - Os Nomes Humanos Dados a Jesus

Ao Senhor Jesus foram dados alguns nomes que nos falam de uma maneira bem consistente da sua humanidade considerando que no oriente antigo, na época, os nomes das pessoas eram significativos. Esses nomes foram dados ora pelo próprio Deus, ora pelo próprio Cristo, ora pelos seus contemporâneos, senão vejamos:

1.1.4.1. Jesus - O nome Jesus, o mesmo que Joshua (Josué) no Antigo Testamento, foi dado por Deus ao Seu Filho encarnado, e significa Salvador. Um dos anjos de Deus que anunciou o nascimento de Jesus disse para José, esposo de Maria: “Ela dará a luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados dele” Mt 1.21. A Maria disse o anjo Gabriel quando anunciou o nascimento do Salvador: “E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus” Lc 1.31.

1.1.4.2. Filho do Homem - O nome Filho do Homem era o nome com o qual Jesus mais a si mesmo se nomeou, e tem implicações com a Sua humanidade perfeita. Com este nome estava o Senhor se identificando plenamente com a humanidade da qual viera fazer parte. Quando Ele se referiu à obra redentora em favor dos homens, Ele assim se expressou: “O Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” Lc 19.10. Também quando tratou do aspecto escatológico do Reino de Deus, o Senhor Jesus usou também esse nome: “Quando o Filho do Homem vier...” Lc 18.8.

1.1.4.3. Jesus, o Nazareno - O Senhor Jesus na sua fase adulta era conhecido pelo nome de Jesus, o Nazareno, isto é, Jesus natural de Nazaré, cidade da Galiléia, onde fora criado. Lembremo-nos de que ele nascera em Belém da Judéia, mas criara-se naquela cidade onde passou a maior parte de sua vida. A cidade de Nazaré que tinha má fama tornou-se com a Sua presença um lugar especial, dentro do plano de Deus: “E foi habitar numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito, por intermédio dos profetas: Ele será chamado Nazareno” Mt 2.23. No seu discurso no dia de Pentecostes, o apóstolo Pedro enfatizou essa questão: “Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós, com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre nós, como vós mesmos sabeis” At 2.22.

1.1.4.4. O Profeta - A atividade de um profeta era a atividade de um homem escolhido por Deus. O profeta bíblico representava Deus diante dos homens. O Senhor Jesus foi identificado e reconhecido pelos seus contemporâneos como profeta, conforme os textos citados a seguir: “E as multidões clamavam: Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia” Mt 21.11. “Senhor, disse a mulher: vejo que tu és profeta” Jo 4.19. “... Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo” Jo 6.14.

1.1.4.5. O Carpinteiro – Jesus, na cidade de Nazaré, onde fora criado, era conhecido também pelo ofício que aprendera do seu pai José, carpinteiro. Interessante observar que em dado momento a Escritura diz que ele era o filho do carpinteiro (aprendiz) e em outro lugar diz que ele era já um profissional reconhecido naquela cidade. Tudo indica que Jesus assumira a profissão de carpinteiro com o falecimento de seu pai José: “Não é este o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, e José, e Simão, e Judas?” Mt 13.55. “Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se nele” Mc 6.3.

1.1.4.6. Cristo Jesus, Homem - Jesus é chamado também, pelo apóstolo Paulo, entre outros nomes que esse apóstolo usou em seus escritos para se referir a ele, pelo nome de Cristo Jesus, homem. A ênfase paulina é na humanidade de Cristo. “Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” 1 Tm 2.5.

1.1.5 - A Relação Humana que Jesus Tinha com Deus

Jesus, no momento de sua crucificação, no Gólgota, dirigiu-se a Deus, como homem, chamando-O de meu Deus. Era o homem clamando ao seu Deus no momento mais difícil de sua vida: “A hora nona clamou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Mc 15.34. Em outra ocasião, isto depois da Sua ressurreição, quando apareceu a Maria Madalena Ele fez referência à mesma maneira de tratamento quando mencionou a sua relação com Deus: “Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” Jo 20.17.

1.2 - A NATUREZA DIVINA DE JESUS CRISTO

O Senhor Jesus Cristo, como Eterno Filho de Deus, é possuidor da mesma essência e dos mesmos atributos de Deus Pai Todo-Poderoso. A Doutrina da Deidade de Jesus Cristo permeia toda a Santa Palavra de Deus, especialmente nos escritos do Novo Testamento. A natureza divina de Cristo, a sua divindade, é provada pelas razões expostas abaixo:

1.2.1 - Os Nomes Divinos Dados a Cristo

1.2.1.1. Deus - Jesus é chamado de Deus em alguns textos do Novo Testamento. Esse nome revela a sua Deidade, como eterno Filho de Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, conforme os textos transcritos a seguir: “Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; cetro de equidade é o cetro do teu reino” Hb 1.8. “Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém” Rm 9.5. “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo” 2 Pe 1.1. “E sabemos que já o Filho de Deus é vindo e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” 1 Jo 5.20. “Tomé respondeu e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!” Jo 20.28.

1.2.1.2. Filho de Deus - Jesus é chamado também pelo nome de Filho de Deus. Este nome quer dizer que Ele foi gerado pelo Pai desde os tempos eternos (Hb 1.5) e que é da mesma essência, e possui os mesmos atributos inerentes ao Pai Eterno. Isto é observado nos textos citados a seguir: “E ouviu-se uma voz dos céus, que dizia: Tu és o meu Filho amado em quem me comprazo” Mc 1.11. “Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso Senhor” Rm 1.4. “... Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido” Ap 2.18. “Natanael respondeu, e disse-lhe: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel” Jo 1.49. “E o centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto, e as coisas que haviam sucedido, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era Filho de Deus” Mt 27.54.

1.2.1.3. O Santo - Jesus foi chamado pelo nome de o Santo e o Justo, querendo dizer isto que Ele é separado dos pecadores, puro, perfeito, de forma absoluta, conforme os textos a seguir: “Mas vós negastes o Santo e o Justo, e pedistes que se vos desse um homem homicida” At 3.14. “E, respondendo o anjo, disse: Descerá dobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” Lc 1.35. “... Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá” Ap 3.7.

1.2.1.4. Senhor - Esta palavra com a qual Jesus foi nomeado tem um significado especial, considerando em que na cultura em que fora criado, denotava que Senhor (kirios) significava soberano, dono absoluto, senhor de todas as coisas. Os textos citados a seguir identificam Jesus como Senhor: “Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador que é Cristo, o Senhor” Lc 2.11. “E os apóstolos davam com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça” At 4.33. “E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” Fp 2.11. “E apedrejaram a Estevão, que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito” At 7.59.

1.2.1.5. Messias (hebraico), Cristo (grego) - Jesus foi identificado com o nome de Messias (Ungido), na língua hebraica, nome usado para identificar o enviado de Deus nos escritos do Antigo Testamento e esse nome corresponde no grego, língua em que foi escrito o Novo Testamento, ao nome de Cristo. O Messias ou o Cristo era um personagem divino prometido por Deus para abençoar a nação de Israel e o mundo todo. “A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo. Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo” Jo 4.25,26. “Este achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo)” Jo 1.41. “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo” Mt 16.16. “Estes, porém foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que crendo tenhais vida em seu nome” Jo 20.31.
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1.2.1.6. O Primeiro e o Último; o Alfa e o Ômega - O Senhor Jesus é identificado na Bíblia como o Primeiro e o Último, o Alfa e o Ômega (a primeira e a última letra do alfabeto grego), isto quer dizer, que Ele é o início e o fim de todas as coisas. Tudo começou com Ele e para Ele convergem todas as coisas. “E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” Cl 1.17. “Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na Dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” Ef 1.9,10. A seguir, identificamos outros textos que se referem a Jesus com o nome do título acima: “E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o Primeiro e o Último” Ap 1.17. “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, que é, e que há de vir, o Todo-Poderoso” Ap 1.8. “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, o Primeiro e o Derradeiro” Ap 22.13.

1.2.2 - O Culto Divino Tributado a Cristo

Diversas pessoas contemporâneas de Jesus tributavam culto a Ele, e Ele o aceitava. Em diversas ocasiões, nos Evangelhos, encontramos pessoas aproximando-se de Jesus Cristo reverenciando-O e prestando-Lhe culto como se fosse a Deus, e só devido ao Todo-poderoso, isso antes da Sua gloriosa ressurreição bem como depois dela. “Então, aproximaram-se os que estavam no barco, e adoraram-no, dizendo: És, verdadeiramente, o Filho de Deus” Mt 14.33. “E um deles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz; E caiu aos seus pés, com o rosto em terra, dando-lhe graças; e este era samaritano” Lc 17.15,16. “Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor socorre-me” Mt 15.25. “E, adorando-O eles, tornaram com grande júbilo para Jerusalém” Lc 24.52.

1.2.3 - Pelos Ofícios Divinos Possuídos por Cristo - A Jesus são creditados pelas Sagradas Escrituras os ofícios de Profeta, Sacerdote e Rei.

1.2.3.1. Ofício de Profeta – O profeta bíblico representava Deus diante dos homens. Era o porta-voz especial de Deus. Javé punha as palavras na boca do profeta e ele a entregava como mensagem divina ao povo. O profeta pregava, ensinava e fazia predições ou vaticínios. Como profeta, Jesus ministrou a Palavra de Deus ao povo, inclusive fazendo predições. No Antigo Testamento, o oficio profético de Cristo foi profetizado no Pentateuco: “O Senhor teu Deus te despertará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis...” Dt 18.15. O povo de Israel chegou de imediato a conclusão de que Jesus era o profeta prometido. “E a multidão dizia: Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galiléia” Mt 21.11. “E de todos se apoderou o temor, e glorificavam a Deus, dizendo; Um grande profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo” Lc 7.16. “Então muitos da multidão, ouvindo esta palavra, diziam: verdadeiramente este é o profeta” Jo 7.4. “Eis que eu vo-lo tenho predito” Mt 24.25.

1.2.3.2. Ofício de Sacerdote - O ofício sacerdotal foi instituído por Deus no meio do povo de Israel. Deus na Sua soberania escolhera a família de Arão, da tribo de Levi para exercer o sacerdócio diante dele em Israel. Esse sacerdócio tinha duas grandes finalidades: uma era oferecer sacrifícios a Deus, e a outra fazer intercessão pelo povo. Prevendo que esse sacerdócio arônico, por causa das falhas humanas e da transitoriedade de seus ritos, iria caducar, Deus instituiu outro sacerdócio não mais da casa de Arão e sim da ordem de Mesquisedeque, identificado como sacerdote do Deus Altíssimo (Gn 14.18), perdendo o sacerdócio arônico o seu valor quando do advento do Senhor Jesus que é o Sumo Sacerdote da nossa confissão, segundo a linhagem espiritual de Melquisedeque, e como sacerdote Jesus atendeu todas as perspectivas exigidas para tamanho oficio: Ofereceu-se a si mesmo em sacrifício pelos pecados da humanidade. Ele era a vítima e, ao mesmo tempo, o ministro oficiante do sacrifício. “Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito Eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” Hb 9.14. “Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação” Hb 9.28. “Mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus” Hb 10.12. Jesus também como sacerdote junto ao Pai intercede pela Sua Igreja. Graças a essa poderosa intercessão é que a Igreja se mantém de pé diante da presença de Deus. “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” Hb 7.25. “Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está a direita de Deus, e também intercede por nós” Rm 8.34. “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo” 1 Jo 2.1.

1.2.3.3. Ofício de Rei - Jesus nasceu para ser Rei. Quando argüido por Pilatos sobre ser Ele rei, Jesus respondeu sem titubear: “... eu para isso nasci e para isso vim ao mundo” Jo 18.37. Em diversas ocasiões as Sagradas Escrituras testemunham da realeza do senhor Jesus, senão vejamos: “Ora, tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta, que diz: Dizei a filha de Sião: Eis que o teu Rei aí te vem, humilde e assentado sobre um jumentinho, filho de animal de carga” Mt 21.4,5. “Tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do Senhor! Jo 12.13. “Que guardes este mandamento sem mácula e repreensão, até a aparição de nosso Senhor Jesus Cristo; a qual, a seu tempo, mostrará o bem-aventurado e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores” 1 Tm 6.14,15. Veja ainda Ap 19.16. Essa realeza incontestável de Jesus tem dois aspectos: o primeiro é que Ele reina no coração dos salvos, da Igreja, dominando e dirigindo a vida daqueles que lhe pertencem - o aspecto presente do Seu reino. A segunda é a que se trata de um reino escatológico, futuro, onde todas as coisas ficarão sob o controle absoluto de Cristo, e isso ocorrerá quando da Sua segunda vinda. Os teólogos chamam esses dois aspectos da realeza de Cristo de “Já e ainda não”.

1.2.3.3.1. Aspecto Presente do Reino de Cristo - Na Dispensação da Graça, Jesus reina no coração daquelas pessoas que O aceitarem como Salvador e Senhor de suas vidas. Neste sentido é que é entendido que o reino de Deus está dentro de nós. “E interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o Reino de Deus, respondeu-lhes e disse: O Reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou, Ei-lo ali; porque eis que o Reino de Deus está dentro em vós” Lc17.20,21. “Porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” Rm 14.17. Quando se referiu a sua presença aqui neste mundo, Jesus disse que o reino de Deus estava entre eles, tinha irrompido na história através de sua pessoa. “Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, é conseguintemente chegado a vós o Reino de Deus” Mt 12.28.

1.2.3.3.2. Aspecto Futuro do Reino de Cristo - Num futuro determinado por Deus, o Senhor Jesus reinará sobre todas as coisas, incluindo o mundo visível e o invisível. Isso ocorrerá quando do seu segundo advento. Todo este sistema de coisas passará para o controle absoluto de Cristo e Ele reinará como rei supremo, Rei dos reis e Senhor dos senhores. Quando isto acontecer cumprir-se-á a profecia de Daniel 2.44, que diz assim: “Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e esse reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos e será estabelecido para sempre”. Em outros textos esse aspecto escatológico da realeza de Cristo é identificado: “E tocou o sétimo anjo a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que dizia: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre” Ap 11.15. “Que guardes este mandamento sem mácula e repreensão, até a aparição de nosso Senhor Jesus Cristo; a qual à seu tempo mostrará o bem-aventurado, e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores” 1 Tm 6.14,15. “E no vestido e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores” Ap 19.16.

1.2.4 - Os Atributos Divinos Possuídos por Cristo

O Senhor Jesus como Eterno Filho de Deus possui os mesmos atributos de que as outras duas pessoas da Santíssima Trindade são possuidoras. Esses atributos, tanto os naturais (incomunicáveis) como os morais (comunicáveis) são peculiares à pessoa do Filho de Deus, e Ele os possui de forma plena, completa, absoluta. O próprio Jesus disse, certa feita, aos seus contemporâneos judeus que Ele e o Pai eram um (Jo 10.30). Em outra ocasião, Ele declarou ao seu apóstolo Filipe que quem o via, via ao Pai que o enviou (Jo 14.9). O apóstolo Paulo disse que Jesus é a imagem do Deus Invisível (Cl 1.15). Mesmo limitado num corpo humano, o Filho de Deus manifestou alguns dos atributos de que é possuidor, tais como Onipotência ao acalmar as ordens bravias do Mar da Galiléia (Mc 4.35-41), e Onisciência ao “vê” o que havia no coração do homem (Mt 9.4), etc.
Vejamos agora os Atributos Naturais declarados pela Bíblia de que Jesus é possuidor:

1.2.4.1. Onipotência - Jesus é Deus Todo-Poderoso, possuindo toda a autoridade nos céus e na terra. Tudo o que existe foi feito por ele e para ele. “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” Jo 1.3. “E Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, e os céus são obra de tuas mãos” Hb1.10. Ele pode fazer todas as coisas. É capaz de realizar prodígios e maravilhas. Ele mesmo testificou isso: “E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra” Mt 28.18. “... Porque tudo quanto ele (o Pai) faz, o Filho o faz igualmente” Jo 5.19. O apóstolo Paulo, escrevendo inspirado pelo Espírito Santo, declarou que nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Cl 2.9).

1.2.4.2. Onisciência - O Senhor Jesus, como Deus, conhece todas as coisas, as passadas, as presentes e as futuras, inclusive aquelas alojadas dentro do mais profundo do coração do homem. No cotidiano do seu ministério terreno essa verdade foi revelada e mais tarde ratificada pelos escritores inspirados do Novo Testamento. “Sabendo pois Jesus todas as coisas que sobre ele haviam de vir, adiantou-se, e disse-lhes: A quem buscais?” Jo 18.4. “E não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem” Jo 2.25. “... e Jesus, conhecendo logo em seu espírito que assim arrazoavam entre si, lhes disse: Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração?” Mc 2.7,8. “...e disse-lhe: Senhor tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo...” Jo 21.17. “E ferirei de morte a seus filhos, e todas as Igrejas saberão que eu sou aquele que sonda os rins e os corações” Ap 2.23. Nas sete cartas do Apocalipse encontramos uma frase comum a elas que revela o atributo de Onisciência de Jesus: “Eu sei as tuas obras” (Ap 2.2,9,13,19; 3.1,8,15).

1.2.4.3. Onipresença - Onipresença é um dos atributos da Divindade Suprema que possibilita Deus está em todos os lugares do Seu domínio ao mesmo tempo. Jesus, como eterno Filho de Deus, é possuidor desse atributo. É verdade que, como homem, Ele estava limitado ao tempo e ao espaço, mas como Deus não há limitação de espaço nem também de tempo para Ele. Estava ao mesmo tempo como Deus em todos os lugares do seu domínio, quer seja na terra ou nos céus. Essa doutrina é encontrada nos textos a seguir identificados: “Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu” Jo 3.13. “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” Mt 18.20.. “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá” Sl 139.7-10. “Escreve ao anjo da Igreja que está em Éfeso: isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro” Ap 2.1.

1.2.4.4. Eternidade - Jesus sempre existiu como eterno Filho de Deus. Isso quer dizer que Ele não teve começo nem terá fim. Todos os seres vivos passaram a existir a partir do momento em que foram gerados, mas com Jesus não foi assim. Não estamos tratando aqui da sua geração como homem no ventre de Maria e sim como um atributo da Deidade. Em Hebreus encontramos esta expressão que fala da eternidade do Senhor Jesus: “Porque a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei?...” Hb 1.5. Esse hoje identificado no texto citado é o hoje eterno de Deus, ou seja, não é o advérbio de tempo que nós conhecemos. Num episódio em que foi confrontado pelos seus conterrâneos, Jesus fez a seguinte declaração que os escandalizou, por não entenderem essa verdade: “... antes que Abraão existisse, eu sou” Jo 8.58. Na Bíblia, encontramos diversos outros textos que falam da eternidade de Jesus Cristo: “... e o seu nome será Pai da Eternidade...” Is 9.6. “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá; de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” Mq 5.2. “Eles perecerão, mas tu permanecerás; e todos eles, como roupa, envelhecerão, e, como um manto, os enrolarás, e, como uma veste, se mudarão; mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão” Hb 1.11,12. “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso” Ap 1.8.

1.2.4.5. Imutabilidade - O Senhor Jesus, como eterno Filho de Deus, é imutável, isto quer dizer que não é passível de mudança com o passar do tempo. Ele é o mesmo desde a eternidade, sem sombra de variação. O ciclo natural dos seres vivos é nascer, crescer, procriar e morrer. É verdade que como homem Jesus teve uma mudança no que se refere ao aspecto físico de sua humanidade. Ele nasceu como toda a criança nasce e teve um desenvolvimento normal tanto ao relacionado ao seu aspecto fisiológico quanto ao seu desenvolvimento mental já que o texto sagrado diz que ele crescia em estatura e em conhecimento. Mas como Deus, ser divino que era, Jesus nunca envelheceu, nem perdeu os seus atributos, nem houve mudança em Seu ser com o passar do tempo. Sobre a imutabilidade de Jesus a Bíblia assim declara: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” Hb 13.8. Ainda em Hebreus (1.12), encontramos: “E como um manto os enrolarás, e como um vestido se mudarão, mas tu és o mesmo,...”.
Além destes atributos, o Senhor Jesus é possuidor de todos os outros atributos da Deidade, quer Naturais (Incomunicáveis) quer Morais (Comunicáveis).

Identifiquemos, agora, alguns Atributos Morais de que Jesus é possuidor como Deus Bendito:

1.2.4.6. Amor - Encontramos no Novo Testamento diversos textos que provam que Jesus é possuidor desse atributo em sua plenitude. O amor de que o Senhor Jesus é possuidor é um amor incondicional, não circunstancial, nem passageiro, mas o amor de Deus, pleno, conhecido na língua original do Novo Testamento como ágape. Esse amor foi manifestado e ainda se manifesta por Jesus tendo como objeto o ser humano especialmente os eleitos de Deus. “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” Jo 15.13. “... sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim” Jo 13.1. “... Aquele que nos ama, e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados” Ap 1.5. “E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus em aroma suave” Ef 5.2.

1.2.4.7. Verdade – Este outro atributo moral foi identificado em Jesus e nos revela que Ele é digno de nossa crença e aceitação, pois, ele é verdadeiro e não há falsidade nem mentira nele. Ele mesmo declarou que era a verdade. “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida;...” Jo 14.6. Em certa ocasião ele declarou que quem o conhecesse (a verdade) ele o libertaria da escravidão do pecado. “E conhecerei a verdade e verdade vos libertará”. “Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” Jo 8.32,36. No livro de Apocalipse ele se declara possuidor desse atributo: “... Estas cousas diz o Santo, o Verdadeiro,...” Ap 3.7. “... Estas cousas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus” Ap 3.14. No prólogo do seu Evangelho, João revela que Jesus na sua manifestação a esse mundo era cheio da verdade. “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do Unigênito do Pai” Jo 1.14.

1.2.4.8. Santidade - Jesus, como Eterno Filho de Deus, é possuidor do atributo da santidade absoluta. Isto quer dizer que Ele nunca pecou nem cometeu nada que ferisse a santidade do Pai celestial. Mesmo limitado num corpo humano, quando de Sua encarnação, conservou a santidade de vida, isto é, a isenção do pecado. A vida de Jesus era tão santa e ilibada que Ele desafiou os judeus, seus conterrâneos, a apresentarem algo que a denegrisse. “Quem dentre vós me convence de pecado?...” Jo 8.46. Diz ainda a Bíblia sobre a santidade de Jesus Cristo: “Com efeito nos convinha um sumo sacerdote, assim como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus” Hb 7.26. No livro de Apocalipse, encontramos: “Estas cousas diz o Santo, o verdadeiro,...” Ap 3.7. “O qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca” 1 Pe 2.22.

1.2.4.9. Justiça – O Senhor Jesus é reconhecido na Bíblia como possuidor deste atributo. Este atributo diz do Senhor que Ele é justo em todos os Seus atos, que não há injustiça em suas ações. No livro de Salmos, encontramos: “Justo és, Senhor, e reto os teus juízos” Sl 119.137. “Justo é o Senhor em todos os seus caminhos, benigno em todas as suas obras” Sl 145.17. Jesus manifestou atos de justiça quando viveu aqui neste mundo. “... porquanto nunca fez injustiça, nem houve engano na sua boca” Is 53.9. “O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” 1 Pe 2.22. “Amaste a justiça e aborreceste a iniqüidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros” Hb 1.9. O Senhor Jesus, também, como justo juiz, julgará num futuro escatológico a cada um segundo as suas obras. “Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos” At 17.31.

1.2.5 - Os Atos Poderosos Atribuídos a Cristo

A Deidade de nosso Senhor Jesus Cristo é confirmada ainda pela declaração da Palavra de Deus de atos poderosos realizados por Ele. Senão, vejamos:

1.2.5.1. Criador do Universo - A Bíblia diz que Jesus é o criador de todo o universo, isto quer dizer que tudo o que existe tanto nos céus como na terra, debaixo da terra e dentro dos mares foi obra das mãos poderosas do Senhor Jesus: “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez” Jo 1.3. “Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo não o conheceu” Jo 1.10. “Nestes últimos dias nos falou pelo Filho a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo” Hb 1.2. “Pois nele foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele” Cl 1.16.

1.2.5.2. Preservador de Todas as Coisas - O mesmo Jesus que tudo criou, preserva com o Seu poder o que foi criado. Tudo o que existe, estar existindo porque o Senhor Jesus preserva a existência dessas coisas. “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas” Hb 1.3. “Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste” Cl 1.17.

1.2.5.3. Perdoador de Pecados - Jesus perdoou os pecados dos que se aproximavam dele, arrependidos. Esse poder extraordinário de liberar os homens da culpa do pecado, exclusivo da Deidade, foi peculiar a Jesus no cotidiano de sua vida ministerial. Nos Evangelhos encontramos Jesus liberando o seu poder perdoador aos que o buscavam com o coração dilacerado pela culpa. “Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados...”. “Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados - disse ao paralítico: Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para a tua casa” Mc 2.5,10. “Então disse à mulher: Perdoados são os teus pecados” Lc 7.48. “... perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? ninguém te condenou? Respondeu ela; Ninguém, Senhor. Então lhe disse Jesus: Nem eu tão pouco te condeno; vai, e não peques mais” Jo 8.10,11.

1.2.5.4. Doador da Vida Eterna - Jesus revelou-se como Aquele que doa a vida eterna àqueles que nEle crêem. Esse dom glorioso que fará o homem viver plenamente feliz para sempre, que começa neste mundo e se projeta para a eternidade, pertence ao Doador da vida, o Senhor Jesus e Ele o distribuir aos seus escolhidos. “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão” Jo 10.28. “Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede, para sempre; pelo contrário, a água que lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” Jo 4.14. “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” Ef 2.1. “Assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne a fim de que lhe conceda a vida eterna a todos os que lhe deste” Jo 17.2.

1.2.5.5. Ressuscitador de Mortos - Jesus, com o Seu poder imensurável, chamou a vida pessoas que estavam mortas fisicamente. Isso aconteceu no Seu ministério terreno. O caso mais contundente foi o de Lázaro que fazia quatro dias que estava sepultado, em estado de decomposição. “E, tendo dito isto, clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora. Saiu aquele que estivera morto...” Jo 11.43,44. Outro caso foi o do filho da viúva da cidade de Naim. “Chegando-se, tocou o esquife e, parando os que o conduziam, disse: Jovem, eu te mando: Levanta-te. Sentou-se o que estivera morto e passou a falar; e Jesus o restituiu a sua mãe” Lc 6.14,15. Ainda encontramos nos Evangelhos a ressurreição da filha de Jairo: “... Tua filha já morreu; por que ainda incomodas o Mestre?...Tomando-a pela mão, disse: Talita Cumi, que quer dizer: Menina, eu te mando, levanta-te. Imediatamente a menina se levantou e pôs-se a andar...” Mc 5.35-42.

1.2.5.6. Pelo Exercício de Autoridade Sobre a Natureza - Jesus exerceu autoridade sobre os fenômenos da natureza em diversas ocasiões: Acalmou tempestade, andou sobre o mar, transformou água em vinho, multiplicou pães e peixes, são os milagres conhecidos que tem haver com alguma alteração na ordem das coisas como foram criadas por Deus. “E ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou e fêz-se grande bonança” Mc 4.39. “... Veio ter com eles, andando por sobre o mar; e queria tomar-lhe a dianteira. Eles, porém, vendo-o andar sobre o mar, pensaram tratar-se de um fantasma, e gritaram... Mas logo lhes falou e disse: Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais” Mc 6.48-50. “E, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira secou imediatamente” Mt 21.19.

1.2.5.7. Doador da Vida Ressurreta - O Senhor Jesus ressuscitou mortos em Seu ministério terreno, com corpos naturais, hoje está ressuscitando espiritualmente aqueles que crêem nele, mas ressuscitará no futuro, quando da sua segunda vinda, com corpos glorificados, semelhantes ao Seu corpo depois da sua ressurreição, todos aqueles que morreram na fé. Essa benção do evangelho alcançará o corpo dos redimidos do Senhor, daqueles que tiveram a coragem de se render as poderosas evidências do Evangelho. “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas” Fp 1.21. “... porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida...” Jo 5.28,29. “Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” Jo 6.44. “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” Jo 1.25. (Conforme o texto citado de Jo 5.28,29, até os ímpios receberão de Jesus corpos ressuscitados, especiais, diferentes dos corpos dos salvos que serão corpos glorificados, para serem julgados no Juízo Final, e suportarem todo o peso da justa ira de Deus).

1.2.5.8. Juiz dos Vivos e dos Mortos - Jesus foi designado pelo Conselho da Santíssima Trindade para ser juiz dos vivos e dos mortos. Isso é um direito que lhe assiste por ser o eterno Filho de Deus e soberano Senhor e Juiz. O Senhor Jesus hoje distribui os seus juízos sobre os pecados dos homens, tantos dos salvos como dos perdidos, como lhe apraz. Uns recebem nesta vida a paga pelos seus erros, outros não. (É bom observar que o castigo neste mundo não purga os pecados). No Juízo Final todos, inclusive aqueles que receberam de Jesus uma paga pelos seus pecados neste mundo, receberão no Juízo Final a recompensa completa. Todos os seres humanos, tanto os que foram alcançados com a salvação quanto os perdidos, num dia determinado por Deus, irão comparecer diante de Cristo para dar contas de sua vida, dos dons e dos bens que receberam de Deus por graça e por misericórdia. “Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” At 17.31. “Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino” 2 Tm 4.1. “E o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo o julgamento” Jo 5.22. “Quando vier o Filho do homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então se assentará no trono de sua glória, e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros...” Mt 25.31,32. “Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo” Rm 14.10. (Veja ainda 2 Co 5.10).

1.2.6 - A Associação do Nome de Jesus, o Filho, com o de Deus, o Pai

Em diversos textos da Bíblia, encontramos o nome de Jesus em íntima associação com o do Pai Celestial, demonstrando que as duas pessoas da Santíssima Trindade estão no mesmo pé de igualdade, não havendo subordinação uma a outra, tendo em vista que elas são da mesma essência e possuidoras dos mesmos atributos, senão vejamos: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” 2 Co 13.13. “Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” Jo 14.23. “Eu e o Pai somos um” Jo 10.30. “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que se encontram na Dispersão, saudações” Tg 1.1. “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim” Jo 14.1. “E clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação” Ap 7.10. “... Àquele que está sentado no trono, e ao Cordeiro (Jesus) seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos” Ap 5.13. “Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor” 2 Pe 1.2.

1.2.7 - A Identificação de Jesus com o Jeová da Antiga Dispensação

As Escrituras que fazem referências a Javé (um dos nomes mais importantes que Deus era nomeado no Antigo Testamento) são interpretadas no Novo Testamento como relacionadas a Jesus Cristo, conforme podemos observar nas referências abaixo:

Antigo Testamento Novo Testamento

Sl 102.24-27 Hb 1.10-12
Is 40.3,4 Lc 1.68,69,76
Jr 17.10 Ap 2.23
Is 60.19 Lc 2.32
Is 6.9,10 Jo 12.38-41
Is 8.13,14 1 Pe 2.7,8
Ez 34.11,12 Lc 19.10

Estes e outros textos identificam Iavé (Jeová aportuguesado) da Antiga Dispensação como o Jesus do Novo Pacto. Javé, Iavé, Jeová (o Senhor), palavra hebraica é o mesmo Kyrios (Senhor), palavra grega usada para referenciar a pessoa do Senhor Jesus Cristo.

1.3 - UNIÃO HIPOSTÁTICA DAS DUAS NATUREZAS DE CRISTO

Por união hipostática das duas naturezas de Cristo, a divina e a humana, queremos dizer que elas estão unidas numa só pessoa (Jesus), sem perdas de suas propriedades individuais e essenciais. Isto quer dizer que Jesus é ao mesmo tempo Divino-Humano. É o Deus-Homem. A união hipostática aconteceu quando da Sua Encarnação, quando o Verbo (Princípio ativo da vida - Deus) se fez carne, conforme revelado no Evangelho de João 1.14 e na carta de Paulo aos Filipenses 2.6,7.
Louis Berkhof, em seu Manual de Doutrina Cristã, páginas 166 e 167, comentando sobre o assunto, disse: “Há somente uma pessoa no Mediador, e essa pessoa é o imutável Filho de Deus. Na encarnação, Ele não se mudou numa pessoa humana, nem adotou uma pessoa humana. Simplesmente assumiu a natureza humana, que não se tornou uma personalidade independente, mas se tornou pessoal na pessoa do Filho de Deus. Sendo uma só pessoa divina que possuía a natureza divina desde a eternidade, assumiu uma natureza humana, e agora tem as duas naturezas. Depois de assumir uma natureza humana a pessoa do Mediador não é apenas divina, mas divino-humana; é agora o Deus-homem. É um só indivíduo, mas possui todas as qualidades essenciais tanto da natureza humana como da divina.” .

1.4 - O CARÁTER DE JESUS CRISTO

O Senhor Jesus Cristo ao se revelar ao mundo, manifestou em seu viver as facetas do Seu caráter. Nos Evangelhos, tanto nos Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) quanto no de João, encontramos a biografia de Jesus. Estudando-os com atenção podemos observar como era maravilhosa a pessoa de Jesus. Como era glorioso o Seu caráter, desprovido de egoísmo, de maldade, de vingança, de ganância, enfim do pecado.

A seguir identificamos cinco áreas do caráter sublime de Jesus, que o credencia como modelo para a sua Igreja:

1.4.1 - A Santidade de Jesus Cristo
O Senhor Jesus é identificado na Bíblia como uma pessoa santa, perfeita em santidade, isenta de pecados, separado dos pecadores e feita mais sublime do que o próprio Céu.

1.4.1.1. Imaculado - Jesus quando foi concebido no ventre de Maria não trouxe o germe do pecado no seu coração, tendo em vista que o homem (José, marido de Maria) não participou do ato conceptivo. Ele foi gerado por obra e graça do Espírito Santo (Mt 1.20; Lc 1.35). Infere-se, daí, que de alguma maneira Deus santificou, pela instrumentalidade do Espírito Santo, o ventre de Maria para Jesus não fosse contaminado pelo pecado e nascesse sem mácula. Isso quer dizer que Jesus não tinha culpa nem mácula, era realmente o homem perfeito. As Escrituras, sobre o assunto, revelam assim: “Por que nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus” Hb 7.26. “E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” 1 Jo 3.3. ‘Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo...” Jo 8.12. “Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo” Jo 1.9.

1.4.1.2. Isento de Pecado - Pelo fato de Jesus, em essência, ser puro Ele não cometeu pecado, mesmo estando limitado em uma natureza humana com todas as suas fraquezas. O texto de Hebreus (7.26) nos diz que ele, Jesus, era separado dos pecadores, ou seja, era um homem comum, mas nele não havia pecado. Sobre a isenção de pecado na vida de Jesus, a Bíblia assim revela: “O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” 1 Pe 2.22. “E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado” 1 Jo 3.5. “... porquanto nunca fez injustiça, nem houve engano na sua boca” Is 53.9. Certa feita, Jesus desafiou os seu contemporâneos nestes termos: “Quem dentre vós me convence de pecado...” Jo 8.46.

1.4.2 - O Amor de Jesus Cristo

O Senhor Jesus demonstrou com as suas palavras e com os seus atos um profundo e inigualável amor. Todos os seus atos estavam permeados do amor ágape, do amor de Deus, amor verdadeiro e incondicional. O ponto culminante desse amor foi a oferta que fez de Sua preciosa vida pelos nossos pecados. “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” Jo 15.13. Encontramos na Bíblia o amor de Jesus demonstrado em relação:

1.4.2.1. Ao Pai Celestial - Jesus devotava um profundo amor ao Pai Celestial. Assim Ele declarou num determinado momento de Sua vida: “Mas é para que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço como o Pai me mandou...” Jo 14.31. A prova suprema do amor de Jesus pelo Pai foi demonstrada através da obediência incondicional a Sua vontade. “Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” Jo 4.43. “E aquele que me enviou está comigo; o Pai não me tem deixado só, porque eu faço sempre o que lhe agrada” Jo 8.29.

1.4.2.2. A Sua Igreja - O amor de Jesus pela Sua Igreja é evidenciado na doação de Sua vida em favor dela bem como pelo seu constante cuidado por ela. “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas” Jo 10.11. “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja e a Si mesmo se entregou por ela” Ef.5:25. “... como havia amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim” Jo 13.1. “... Aquele que nos ama, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados” Ap 1.5.

1.4.2.3. Aos Crentes Individuais - Jesus ama a Igreja enquanto organismo, como corpo, mas ama também a cada um dos seus componentes, ou seja, ama a cada um dos crentes individualmente. Isto quer dizer que cada um daqueles que professa o nome de Jesus e crê nele de todo o seu coração é objeto do amor de Jesus. “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” Gl 2.20. “Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo amou-os até ao fim” Jo 13.1.

1.4.2.4. Aos Pecadores Perdidos - Jesus ama a todos os seres humanos, independentes de serem crentes ou não. Aliás, Ele morreu por todos os pecadores. Deu a Sua preciosa vida para salvar a todos. Isto quer dizer que a morte de Jesus, motivada pelo seu amor, potencialmente é capaz de alcançar todos os seres humanos, se todos pudessem crer. “Ide, porém, e aprendei o que significa: misericórdia quero e não sacrifício. Porque eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento” Mt 9.13. “Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer. Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” Rm 5.6-8.

1.4.2.5. As Crianças - O Senhor Jesus tinha um carinho especial para com as crianças. Ele as recebia, tomava-as em Seus braços e as abençoava e até as usou como exemplo para aqueles que queriam se habilitar para o Reino dos Céus. “Jesus, porém, vendo isso, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir os pequeninos a mim e não os impeçais, porque dos tais é o Reino de Deus” Mc 10.14. “E, tomando-as nos seus braços e impondo-lhes as mãos, as abençoou” Mc 10.16.

1.4.2.6. Aos Seus Opositores - Até para com os Seus opositores Jesus demonstrou amor. No Getsêmani quando vieram prendê-lo tratou Judas, o traidor, com respeito e até o chamou de amigo, mesmo sabendo qual o designo funesto daquele seu apóstolo. “Jesus, porém, lhe disse: Amigo, a que vieste?...” Mt 26.50. Quando estava sendo crucificado, sofrendo as terríveis dores daquele suplício, Ele intercedeu pelos seus algozes ao Pai pedindo que lhes perdoasse pela maldade que estavam fazendo. “E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem...” Lc.23:34.
Realmente, Jesus viveu aquilo que pregou. Pregou amor a Deus e ao próximo e viveu em plenitude esse amor.

1.4.3 - A Mansidão de Jesus Cristo

A mansidão é definida por Aurélio como a qualidade de ser manso (de gênio brando ou índole pacífica; sereno; sossegado...).
A Palavra de Deus (Is 53.7) diz de Jesus Cristo que Ele iria ser oprimido, mas não abriria a boca; que como um cordeiro iria ser levado ao matadouro, e que como uma ovelha muda perante os seus tosquiadores, não abriria a boca. Ainda em 1 Pe 2.23, o apóstolo Pedro diz: “O qual, quando o injuriavam, não injuriava e, quando padecia, não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente”.
O Senhor Jesus enfrentou, ao longo de sua vida neste mundo, diversas ocasiões que, se não fosse o que era, poderia ter agido de maneira vingativa. Ele, detentor de todo o poder como eterno Filho de Deus, foi rejeitado, desprezado, insultado, cuspido, chicoteado, blasfemado, e objeto de outros agravos. Poderia, se o quisesse, acionar o poder que tinha para recompensar com todo o rigor o mal que lhe fizeram. Mas Jesus não fez assim. Quando os discípulos revoltados por não ter sido acolhidos por uma aldeia de samaritanos, pediram a Ele que os autorizassem a fazer descer fogo do céu para destruir os seus habitantes, Jesus não concedeu a autorização e os repreendeu por terem guardado no coração ressentimento, rancor e alimentado o sentimento de vingança (Lc 9.51-56). No Getsêmani, na hora de sua prisão, os apóstolos quiseram reagir, usando a espada, chegando um deles a decepar a orelha direita de Malco, servo de Sumo Sacerdote, mas Jesus o repreendendo, disse: “...Mete no seu lugar a tua espada, ... ou pensas tu que eu não poderia, agora, orar a meu Pai e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?” Mt 26.52,53. Na cruz, o Senhor Jesus revelou toda a sua mansidão orando pelos seus algozes: “E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem...” Lc 23.34.
Só Ele poderia abrir a sua boca e dizer: “...Aprendei de mim, que sou manso ... de coração...” Mt 11.29.

1.4.4 - A Humildade de Jesus Cristo

Jesus foi uma pessoa humilde, não só no sentido de ter vindo a este mundo desprovido de riquezas materiais, mas, principalmente, no sentido de ter ele aquela disposição íntima de reconhecer as suas limitações humanas e depender do Pai em tudo em sua vida, e de aceitar, incondicionalmente, a soberana vontade de Deus. Jesus era, na acepção da palavra, humilde de coração. Aliás, Ele até declarou isso: “...Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” Mt 11.29.
Ele poderia, se quisesse, ostentar toda a grandeza própria daquele que possui tudo, pois é o Rei da Glória (Sl 24.7-10). Mas Ele não procedeu assim. O fato de Jesus, como eterno e glorioso Filho de Deus, vir a este mundo pecaminoso, assumir um corpo humano com todas as suas limitações, assumir um modo de vida desprovido de bens materiais, sendo Ele o dono de tudo é, em nossa opinião, uma grande demonstração de humildade. O Apóstolo Paulo disse: “porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre, para que, pela sua pobreza, enriquecêsseis” 2 Co 8.9.
Sobre a humildade de nosso Senhor Jesus, encontramos ainda na Bíblia: “Dizei à filha de Sião: Eis que o teu Rei aí te vem, humilde e assentado sobre uma jumenta e sobre um jumentinho, filho de animal de carga” Mt 21.5 (Veja Zc 9.9). Há na Bíblia (Jo 13.4-12), ainda um acontecimento que demonstra a humildade de Jesus, quando Ele pegou uma bacia com água e uma toalha e lavou e enxugou os pés dos seus discípulos. O trabalho de lavar e enxugar os pés dos convidados era de um serviçal e não do dono da casa. Ainda sobre a humildade de Jesus Cristo, encontramos em Filipenses 2.6-8, o seguinte: “... Cristo Jesus... sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens, e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte e morte de cruz”.

1.4.5 - O Altruísmo de Jesus Cristo

Uma pessoa altruísta é aquela que tem a qualidade de se doar em favor dos outros, que vive em função de seus semelhantes. Enquanto o egoísta vive só em função de si mesmo, o altruísta vive em função dos outros; serve aos outros por amor e pelo prazer de servir, sem esperar contrapartida alguma. Ninguém foi mais altruísta do que Jesus. Ele declarou em certa ocasião: “Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” Mc 10.45. “Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós, sou como aquele que serve” Lc 22.27. O altruísmo de Jesus foi tão grande que Ele deu a Sua preciosa vida por nossa causa. “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” Jo 15.13. “Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre, para que, pela sua pobreza, enriquecêsseis” 2 Co 8.9.

2 - A OBRA REALIZADA POR JESUS CRISTO

O Senhor Jesus no seu ministério terreno realizou muitas obras maravilhosas. Os seus contemporâneos foram privilegiados com a ação poderosa do Filho de Deus operando portentosos milagres que tiveram, dentre outras coisas, a finalidade de aliviar o sofrimento humano. O escritor sacro Lucas no livro de Atos (10.38) resume esse ministério nestes termos: “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele”. Ainda no evangelho de Lucas 4.18,19, Lucas registrou o que saiu dos próprios lábios de Jesus, identificando o cumprimento de uma profecia do livro de Isaías no seu ministério terreno: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a por em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor”.
Além dessas obras maravilhosas, Jesus também realizou uma obra especial, que é a maior do plano redentor, que foi a doação de sua vida em sacrifício pelos pecados do homem.
A seguir detalharemos as obras realizadas por nosso Senhor Jesus Cristo quando esteve conosco aqui neste mundo:

2.1 - Obras de Curas, Milagres e Expulsão de Demônios

2.1.1. A Cura de Enfermidades - O ministério de Jesus foi marcado por inúmeras curas de pessoas enfermas. “E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo” Mt 4.23. (Veja ainda Mt 9.35; 12.15; 14.14; 15.30).
Algumas das curas que o Senhor Jesus realizou foram detalhadas nos Evangelhos, isto é, há referência sobre quem foi curado, em que ocasião, como Jesus realizou a cura, em que circunstâncias, etc. Exemplificando citaremos apenas três: a cura dos dez leprosos (Lc 17.11,10); a cura da mulher com o fluxo de sangue (Mt 9.20-22; Mc 5.25-29; Lc 8.43-48); a cura da sogra de Pedro (Mt 8.14, 25; Mc 1.30, 31; Lc 9.38, 39).

2.1.2. Milagres – Um milagre é uma ação sobrenatural de Deus, em favor de uma pessoa ou em favor de uma comunidade, visando debelar um problema que não existe possibilidade de ser resolvido pela ação do homem. Para exemplificar, citaremos quatro milagres realizados por Jesus: o milagre da restauração do paralítico do tanque de Betesda (Jo 5.1-9); o milagre da restauração da visão do cego de nascença (Jo 9.1-7); o milagre da multiplicação dos cinco pães e dois peixes (Mt 4.15-21; Mc 6.35-44; Lc 9.12-17); o milagre da ressurreição de Lázaro (Jo 11.43,44), sendo este último o mais contundente de todos, devido que o morto já se encontrava em estado de decomposição.

2.1.3. Expulsão de Demônios – Na época e no País (Israel) em que Jesus viveu havia uma obra intensa do diabo, pois muitas pessoas estavam possessas de espíritos malignos e eram atormentadas pelas forças das trevas. O Senhor Jesus possuidor de toda a autoridade divina libertou muitas pessoas, expulsando os demônios meramente com a palavra do seu poder. Esses episódios mostram a autoridade de Jesus sobre o reino das trevas. Neste trabalho identificaremos apenas três fatos ocorridos e registrados nos Evangelhos: a expulsão de demônio de um homem mudo (Mt 9.32,33); a expulsão de um demônio de um homem cego e mudo (Mt 12.22); a expulsão de demônios de um menino (Mt 17.14-18; Mc 9.17-29; Lc 9.38-43).
No quadro a seguir, encontramos as obras completas realizadas por Jesus, relacionadas a curas, milagres e expulsão de demônios, registradas nos Evangelhos:

OS MILAGRES DE JESUS

Milagres de cura e libertação Mateus Marcos Lucas João

O leproso
8.2-4
1.40-42
5.12,13

O servo do centurião romano
8.5-13
7.1-10

A sogra de Pedro
8.14,15
1.30,31
4.38,39

Dois homens de Gadara
8.28-34
5.1-15
8.27-35

O paralítico
9.2-7
2.3-12
5.18-25

A mulher hemorrágica
9.20-22
5.25-29
8.43-48

Dois cegos
9.27-31

O endemoninhado mudo
9.32,33

O homem da mão mirrada
12.10-13
3.1-5
6.6-10

O endemoninhado surdo-mudo
12.22
11.14

A filha da mulher cananéia
15.21-28
7.24-30


O menino endemoninhado
17.14-18
9.17-29
9.38-43

Dois cegos (inclusive Bartimeu)
20.29-34
10.46-52
18.35-43

Um surdo-mudo
7.31-37

Um endemoninhado na sinagoga
1.23-26
4.33-35

Um cego de Betsaida
8.22-26

Uma mulher paralítica
13.11-13

Um homem hidrópico
14.1-4

Dez leprosos
17.11-19

O servo do sumo sacerdote
22.50,51

O filho de um oficial do rei
4.46-54

O paralítico do tanque de Betesda
5.1-9

O cego de nascença
9.1-7

Milagres demonstrando o poder de Jesus sobre a natureza

Acalmando a tempestade
8.23-27
4.37-41
8.22-25

Andando sobre o mar
14.25
6.48-51
6.19-21

Alimentando 5.000 pessoas
14.15-21
6.35-44
9.12-17
6.5-13

Alimentando 4.000 pessoas
15.32-38
8.1-9

A moeda encontrada no peixe
17.24-27

A figueira que secou
21.18-22
11.12-14,20-25

A pesca milagrosa

5.4-11

Água transformada em vinho
2.1-11

Outra pesca milagrosa
21.1-11

Milagres de ressurreição de mortos

A filha de Jairo
9.18,19,23-25
5.22-24,38-42
8.41,42,49-56

O filho da viúva de Naim
7.11-15

Lázaro
11.1-44
Fonte: Bíblia de Estudo Pentecostal - 1996.

2.2 - Obras Ligadas a Pregação e ao Ensino

O Senhor Jesus exerceu um ministério poderoso nas áreas do ensino e da pregação da Palavra de Deus. O seu ministério foi itinerante, isto é, não estava circunscrito a uma cidade ou a uma aldeia ou mesmo a uma região (veja anexo II). “E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o Evangelho do Reino...” Mt 9.35. Jesus, no seu ensino, popularizou uma técnica de ensino que usava exemplos do cotidiano da vida do Oriente para revelar verdades espirituais, de valor eterno – as parábolas. Ele proferiu muitas parábolas (veja quadro abaixo), sendo as mais conhecidas: O Filho Pródigo (Lc 15.11-32); O Bom Samaritano (Lc.10.30-37); A Ovelha Perdida (Mt 18.12-14; Lc 15.4-7). Encontramos ainda nos Evangelhos os discursos proferidos por Jesus Cristo, a maioria deles citados por João Evangelista, por exemplo: Jesus, o Pão da Vida (Jo 6.22-59); Jesus, o Bom Pastor (Jo 10.1-18); Jesus, a Luz do Mundo (Jo 8.12-59); etc.
No quadro a seguir, apresentamos as parábolas proferidas por Jesus e registradas nos Evangelhos.

2.2.1. As Parábolas Proferidas Por Jesus

Parábola
Mateus
Marcos
Lucas

A lâmpada debaixo do alqueire
5.15,16
4.21,22
8.16; 11.33

Construtores prudentes e insensatos
7.24-27
6.47-49

Pano novo em vestido velho
9.16
2.21
5.36

Vinho novo em odres velhos
9.17
2.22
5.37,38

O semeador
13.3-8, 18-23
4.3-8, 14-20
8.5-8, 11-15

O joio
13.24-30, 36-43

O grão de mostarda
13.31,32
4.30-32
13.18,19

O fermento
13.33
13.20,21

O tesouro escondido
13.44

A pérola de grande valor
13.45,46

A rede
13.47-50

O pai de família
13.52

A ovelha perdida
18.12-14

15.4-7
O credor incompassivo
18.23,34

Os trabalhadores na vinha
20.1-16

Os dois filhos
21.28-32

Os lavradores maus
21.33-44
12.1-11
20.9-18

As bodas
22.2-14

A figueira
25.32-35
13.27,29
21.29-31

O servo fiel e prudente
24.45-51
12.42-48

As dez virgens
25.1-13


Os talentos (minas)
25.14-30
19.12-27

Ovelhas e bodes
25.31-46


A semente que brota e cresce
4.26-29

Servos vigilantes
13.35-37
12.36-40

O credor
7.41-43

O bom samaritano
10.30-37

O amigo necessitado
11.5-8

O rico insensato
12.16-21

A figueira infrutífera
13.6-9

O último lugar na festa
14.7-14

A grande ceia
14.16-24

O preço do discipulado
14.28-33

A dracma perdida
15.8-10

O filho pródigo
15.11-32

O mordomo infiel
16.1-8

O rico e Lázaro
16.19-31

O senhor e o servo
17.7-10

A viúva persistente
18.2-8

Fonte: Bíblia de Estudo Pentecostal - 1996

2.3 - Obra Especial da Redenção do Ser Humano (A Morte de Jesus)

O Senhor Jesus veio a este mundo com a finalidade maior de oferecer a sua preciosa vida em sacrifício pelos nossos pecados. Essa obra é considerada a mais importante do plano redentor de Deus e tem implicações profundas e valor eterno para o ser humano e foi projetada deste os tempos eternos pelo Conselho da Santíssima Trindade. Segundo a Bíblia, o Cordeiro de Deus fora morto antes da fundação (Ap 5.12), ou seja, antes dele vir a este mundo, segundo o plano eterno de Deus, a morte sacrificial de Jesus já era tida como certa, de acordo com o eterno propósito dAquele que faz todas as coisas segundo o conselho de Sua vontade.

2.3.1. As Características da Morte de Jesus

A morte expiatória de nosso Senhor Jesus Cristo tem diversas características, conforme identificado, a seguir:

2.3.1.1. Foi pré-determinada - A morte de Jesus na cruz do Calvário não foi obra do acaso, nem a ocorrência de um fato intempestivo, nem como conseqüência de circunstâncias políticas ou produto da inveja das autoridades israelitas da época, nem tampouco causada pela possível decepção que Judas Iscariotes, o traidor, tenha tido, mas parte componente de um plano estabelecido por Deus antes dos tempos eternos. Segundo as Escrituras a morte do Senhor Jesus fora decidida pelo conselho da Santíssima Trindade antes que as coisas existissem e que esse fato viesse a acontecer. “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-o vós, o crucificastes e mataste pelas mãos de injustos” At 2.23. “Porque, verdadeiramente, contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer” At 4.27,28. “E, na verdade, o Filho do Homem vai segundo o que está determinado;...” Lc 22.22. “Mas Deus assim cumpriu o que já dantes pela boca de todos os seus profetas havia anunciado: que o Cristo havia de padecer” At 3.18.

2.3.1.2. Foi voluntária - Jesus não foi constrangido nem obrigado pelo Conselho da Santíssima Trindade a vir a este mundo e morrer pelos pecados dos outros, ao contrário, Ele ofereceu-se espontaneamente para a realização dessa obra em favor dos seres humanos. A voluntariedade do Senhor Jesus é observada em alguns textos das Sagradas Escrituras, conforme identificados a seguir: “Por isso, o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para dar e poder para tornar a tomá-la. Esse mandamento recebi de meu Pai” Jo 10.17,18. “... e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” Gl 2.20. “O qual se deu a si mesmo por nossos pecados...” Gl 1.4. “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas” Jo 10.11. “o qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos ...” 1 Tm 2.6.

2.3.1.3. Foi vicária - Jesus não morreu como conseqüência de seus pecados, nem por causa de suas falhas, pois, Ele não os tinha, mas morreu em favor de outros. O profeta Isaías falando sobre o aspecto vicário da morte do Redentor assim se expressou em sua profecia: “Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados” Is 53.5. A Bíblia ainda diz sobre o assunto: “Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus;...” 1 Pe 3.18. “Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios” Rm 5.6. “Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos...” Hb 9.28.

2.3.1.4. Foi sacrificial - A morte de Jesus foi um sacrifício, onde o altar foi a cruz e a vítima o próprio Jesus, que também foi o ministro oficiante do sacrifício. Antes mesmo de Jesus oferecer a Sua vida em sacrifício já fora Ele identificado pelo seu precursor, João Batista, como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo Jo 1.29. João estava se utilizando de uma figura do sistema sacrificial israelita onde um cordeiro era imolado pelos pecados do povo, para falar sobre o sacrifício expiatório de Cristo na cruz. A Bíblia diz ainda sobre o assunto: “...Cristo ... se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” Ef 5.2. “... mas, agora, na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo” Hb 9.26. “Mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre a destra de Deus” Hb 10.12.

2.3.1.5. Foi propiciatória - Propiciar é tornar favorável. Na propiciação, diz Scofield, não há nenhum pensamento de se aplacar um Deus vingativo, mas antes, que foi satisfeita a Sua santa Lei, tornando possível assim que ele demonstrasse misericórdia com toda a justiça. Os versículos a seguir confirmam essa verdade: “Nisto está a caridade: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” 1 Jo 4.10. “Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos sob a paciência de Deus” Rm 3.25. “E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” 1 Jo 2.2.

2.3.1.6. Foi redentora - Redimir é resgatar por meio de pagamento. Segundo Bancroft, o termo resgate deriva-se das transações efetuadas entre os homens, como a libertação de um cativo mediante o pagamento do resgate, ou a soltura de um devedor encarcerado, ao liquidar sua dívida. Os textos bíblicos a seguir dão consistência à doutrina da morte redentora de Cristo: “Cristo nos resgatou da maldição da Lei, fazendo-se maldição por nós, porque está escrito: maldito todo aquele que for pendurado no madeiro” Gl 3.13. “...Deus enviou seu Filho... para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” Gl 4.4,5. “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” Ef 1.7. “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” 1 Co 6.20. “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição, recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” 1 Pe 1.18,19.

2.3.1.7. Foi substitutiva – Como morte substitutiva, queremos dizer que o Senhor Jesus Cristo tomou o lugar dos pecadores, levando sobre o seu corpo, no madeiro, a culpa e o castigo que eles mereciam. Essa doutrina foi esboçada no Antigo Testamento, no livro de Isaías e confirmada no Novo Testamento. “Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Is 53.6. “Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados” Is 53.5. No Novo Testamento, tanto o apóstolo Pedro como o apóstolo Paulo nos dizem assim: “Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos aos pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas fostes sarados” 1 Pe 2.24. “O qual por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação” Rm 4.25. “Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” 2 Co 5.21. “Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” 1 Co 15.3.

2.3.2 - O Alcance da Obra Expiatória de Jesus Cristo

A morte do Senhor Jesus tem um alcance extraordinário, senão vejamos:

2.3.2.1. Pelo mundo inteiro – O Senhor Jesus Cristo morreu pelo mundo inteiro. A morte de Jesus foi suficiente para salvar todas as pessoas do mundo em todas as épocas. Ela tem um alcance universal. Se todas as pessoas pudessem crer elas seriam salvas pelo poder da morte redentora de Jesus. A Bíblia diz sobre o assunto que “... Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” Jo 3.16. Diz ainda a Escritura que Jesus “é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” 1 Jo 2.2. Quando João Batista viu Jesus num dado momento do seu ministério teve a revelação de que Ele era o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. “No dia seguinte, João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” Jo 1.29. Paulo escrevendo a Timóteo revelou também essa faceta da morte do Senhor. “Porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis” 1 Tm 4.10.

2.3.2.2. Pela Sua Igreja - Jesus morreu pela Sua Igreja, isto é, pelos eleitos de Deus, por aqueles que foram predestinados para a salvação desde os tempos eternos. Aliás, esse é o aspecto mais importante e eficaz da morte de Jesus porque tem como certo o resultado desse sacrifício feito pelo Redentor. A Igreja sempre foi e será objeto especial da graça de Deus. Foi pela Igreja que Jesus veio a este mundo e foi por ela que Ele padeceu o suplício da cruz do Calvário. Isso nos foi revelado especialmente pelo apostolo Paulo em suas cartas. “Maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem da água pela palavra...” Ef 5.25,26. “Em que temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” Ef 1.7. Paulo, no seu discurso aos presbíteros da Igreja de Eféso, disse para eles o que está registrado em Atos 20.28: “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a Igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” At 20.28. O apóstolo João no livro de Apocalipse também confirma essa verdade. “... Aquele que nos ama, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados” Ap 1.5. “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação” Ap 5.9.

2.3.2.3. Por Israel - Jesus morreu também pela nação de Israel, apesar da rejeição formal da Sua pessoa por parte daquele povo como nação constituída. De alguma maneira a morte de Jesus beneficiou aquela nação. “Ora, ele não disse isso de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação. E não somente pela nação, mas para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos” Jo 11.51,52. Os israelitas, os remanescentes segundo a eleição da graça, serão contemplados pelo benefício da morte de Jesus no programa geral da Igreja. “E assim, todo o Israel será salvo, como estar escrito: De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades. E este será o meu concerto com eles, quando eu tirar os seus pecados” Rm 11.26,27. “Este é o concerto que farei com eles depois daqueles dias diz o Senhor: Porei as minhas leis em seu coração e as escreverei em seus entendimentos, acrescenta: e jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniqüidades. Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado” Hb 10.16-18.

2.3.3. Os Resultados da Morte de Jesus

A morte de Jesus produz na pessoa que crê muitas coisas preciosas, de dimensão eterna. Essas bênçãos advindas do sacrifício de Cristo são dadas aos crentes em caráter irrevogável:

2.3.3.1. A regeneração – A primeira bênção da graça de Deus, que foi possível mediante a morte de Jesus, foi à transformação do homem, deformado pelo pecado, em uma nova criatura, nascida de novo, do Espírito, regenerada. A regeneração é o ato gracioso de Deus no qual o homem, morto em seus delitos e pecados, é habilitado pelo Espírito Santo a entender, aceitar e crer no plano salvífico do Redentor. “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” Jo 3.6. “Não pelas obras de Justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador” Tt 3.5,6. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” 2 Co 5.17.

2.3.3.2. O perdão dos pecados – O perdão dos pecados que é algo da exclusiva competência de Deus é dado ao crente graças à morte redentora de Jesus. Essa morte tem o poder para perdoar todos os pecados das pessoas que arrependidas aceitam e crêem nEle para a salvação. Segundo as Escrituras, ser perdoado é ser feliz, é ser bem-aventurado. “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada e cujo pecado é coberto” Sl 32.1. Esse perdão em relação aos crentes envolve os pecados passados e os pecados que venham a ocorrer após a experiência da salvação. “Antes, sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” Ef 4.32. “Filhinhos, escrevo-vos porque, pelo seu nome, vos são perdoados os pecados” 1 Jo 2.12. “E, em seu nome, se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém” Lc 24.47. “Seja-vos, pois, notório, varões irmãos, que por este (Jesus) se vos anuncia a remissão dos pecados” At 13.38.

2.3.3.3. A justificação – Encontramos nas Escrituras, que a justificação é atribuída à pessoa, através da eficácia do sangue de Jesus derramado na cruz do Calvário. Justificar é o ato do Juiz Supremo em absolver o pecador da culpa. Deus em Cristo declarou justo todo aquele que tem fé em Jesus. Assim sendo, o pecador justificado, declarado justo, graças à justiça de Cristo, não tem mais sobre si, culpa. Foi já justificado diante de Deus. Está livre para sempre da condenação provocada pelo pecado. “Sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” Rm 5.9. “Por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos” Rm 5.19. “E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê” At 13.39. (Veja ainda Gl 2.16; Fp 3.9.

2.3.3.4. A adoção – Adotar é receber como filho aquele que o Pai quer. É um ato da livre graça de Deus. Deus determinou que aqueles que cressem em seu Filho Jesus Cristo fossem adotados como Seus filhos, com todos os direitos que essa relação permite, inclusive a de ser herdeiro de Deus e co-herdeiro com Cristo. Isso foi possível graças à morte sacrificial de Jesus. “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome” Jo 1.12. “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” Ef 1.5. “Mas vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” Gl 4.4,5. “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai” Rm 8.15. “Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo” Gl 4.6. (Veja ainda Rm 8.17).

2.3.3.5. A redenção – Resgatar é adquirir mediante pagamento. A idéia que se tem aqui é de uma pessoa idônea que num mercado de escravos adquire para si mediante pagamento os escravos que quer. Quando Jesus morreu foi pago o preço de nossa eterna redenção. Fomos adquiridos por preço de sangue, o sangue do Cordeiro Imaculado. Fomos resgatados de nossa vã maneira de viver, do pecado, da condenação da lei e das garras do diabo. Por causa dessa poderosa redenção fomos transportados do reino das trevas para o reino da luz, onde Cristo é o rei supremo que governa a sua Igreja. “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” Ef 1.7. “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a Igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” At 20.28. “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” 1 Pe 1.18,19.

2.3.3.6. A santificação - A morte de Jesus possibilitou também a santificação do crente, tanto no aspecto posicional quanto no experimental. Posicionalmente, somos declarados, em Cristo, santos (1 Co 1.2; Ef 1.1; Fp 1.1). Isto quer dizer que todos os crentes em Cristo são considerados por Deus como santos, graças à ação poderosa do sangue de Jesus. No aspecto experimental, estamos vivenciando a santificação de nossas vidas graças ainda à eficácia do sangue de Jesus, derramado na cruz do Calvário, para o perdão e contínua purificação de nossos pecados. A santificação experimental do crente é uma obra de Deus, mas, que também o crente tem responsabilidade. “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” 1 Jo 1.7. “E é o que alguns têm sido, mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus” 1 Co 6.11. “Quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito Eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” Hb 9.14.

2.3.3.7. A glorificação – O último resultado da morte de Jesus no que se refere ao homem é a glorificação do seu corpo. No plano eterno de Deus relacionado à Igreja esse é o estagio final. Sabemos pelas Escrituras que o pecado atingiu também a natureza humana do homem, que teve o seu corpo fragilizado, capaz de deteriorar-se com o passar do tempo. “Tu és pó e em pó te tornarás”. A glorificação do corpo do salvo é uma benção escatológica e ocorrerá quando do segundo advento de Cristo. Essa benção é tão certa que, segundo o plano divino, o apóstolo Paulo escrevendo aos romanos já a identificou como algo componente dele e como se os crentes já a tivesse experimentando. “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” Rm 8.30. Graças a morte de Jesus, o homem tem a promessa divina de que será revestido de imortalidade no porvir. “Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam” 1 Co 2.9. “Num momento, num abriu e fechar de olhos, ante a última trombeta, porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” 1 Co 15.52. “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” Fp 3.20,21.

3 - O SEPULTAMENTO DE JESUS CRISTO

A sepultura é um dos símbolos da fragilidade humana. O sepultamento de Cristo é o último estágio do estado de Sua humilhação de Cristo, que engloba as fases da encarnação, nascimento, sofrimento, morte e sepultamento. Ela faz parte do castigo imposto ao homem pelo Criador, por causa do pecado. “... Porquanto és pó e em pó te tornarás” Gn 3.19. Todos os homens do passado, exceto Enoque e Elias, que são tipos da Igreja que será arrebatada no futuro, morreram e foram sepultados. O Senhor Jesus, como homem, também morreu e foi sepultado. Sepultaram a Jesus num sepulcro novo, pertencente a um membro do Sinédrio judaico, chamado José, da cidade de Arimatéia. Vejamos como o Evangelista Mateus relatou o fato: “E José (de Arimatéia), tomando o corpo, envolveu-o num fino e limpo lençol, e o pôs no seu sepulcro novo, que havia aberto em rocha, e, rolando uma grande pedra para a porta do sepulcro, foi-se” Mt 27.59,60. O relato do sepultamento de Jesus foi também feito pelos outros três Evangelistas (Mc. 15:42-47; Lc. 23:49-56; Jo. 19:38-42). É importante que enfatizemos o sepultamento de Jesus, porque a sepultura vazia, apesar de não ser a prova mais contundente, mas é também uma das provas de Sua gloriosa ressurreição.
Quando fizemos uma viagem a Jerusalém, tivemos o privilégio dado por Deus de entrar na sepultura onde o corpo do Senhor Jesus fora sepultado, e de onde ressurgiu dos mortos. O local onde foi sepultado encontra-se num jardim, próximo ao monte Calvário.

4 - A RESSURREIÇÃO GLORIOSA DE JESUS CRISTO

O Senhor Jesus Cristo morreu, foi sepultado e ao terceiro dia ressuscitou gloriosamente dentre os mortos, conforme profetizara quando ainda estava vivo.
A ressurreição de Jesus é a confirmação real de que Deus aceitara plenamente o sacrifício do Seu Filho amado. No programa divino, a ressurreição de Jesus teria que acontecer porque assim Deus determinara. O Apóstolo Pedro em seu discurso, no dia de Pentecostes, disse que não era possível que Jesus fosse retido pela morte, pois já estava profetizada que ele ressurgia dos mortos (Sl 16.10). “ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela.” (At. 2:24).
A ressurreição foi mais uma das etapas do programa divino relacionado à redenção do ser humano.

4.1 - O Fato da Ressurreição de Jesus Cristo

Ao analisarmos o fato da ressurreição de Jesus, temos que considerar o que se segue:

4.1.1. Foi um Fato Predito

4.1.1.1. Predito pelos profetas da Antiga Dispensação - Em seus vaticínios quando se referiam ao Messias vindouro, alguns profetas fizeram referência à ressurreição de Jesus. “Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu santo veja corrupção” Sl 16.10. Esse texto do salmo 16 é usado por Pedro em seu discurso no dia de Pentecostes quando tratou da ressurreição do Senhor Jesus (At 2.25-28). “... Quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará em suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma, e ficará satisfeito... Por isso eu lhe darei muitos como a sua parte e com os poderosos repartirá ele o despojo” Is 53.10-12. “Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra” Jó 19.25.

4.1.1.2. Predito pelo próprio Jesus - O Senhor Jesus, quando de Sua estada neste mundo, em diversas ocasiões, fez referência a Sua ressurreição dos mortos. Ele tinha consciência plena de que iria morrer e de que iria ressuscitar dentre os mortos. “Desde então, começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muito dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia” Mt 16.21. “E, descendo eles do monte, Jesus lhes ordenou, dizendo: A ninguém conteis a visão até que o Filho do Homem seja ressuscitado dos mortos” Mt 17.9. “Porque ensinava os seus discípulos e lhes dizia: O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens e matá-lo-ão; e morto, ele ressuscitará ao terceiro dia” Mc 9.31. Encontramos ainda registros sobre esta predição de Jesus em Mc 9.9,31; 10.34; 14.28; Lc 9.22; 18.33; Mt 20.19.

4.1.2. Foi um Fato Acontecido Conforme Predito

Conforme fora predito assim aconteceu. Abaixo elencamos as provas irrefutáveis da gloriosa ressurreição de Jesus Cristo:

4.1.2.1. A anunciação de Anjos - Aos anjos foi dado por Deus o privilégio de serem os primeiros a anunciarem a ressurreição de Jesus. “Mas o anjo, respondendo, disse às mulheres: Não tenhais medo; pois eu sei que buscai a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como tinha dito...” Mt 28.6. “Porém ele lhes disse: Não vos assusteis; buscais a Jesus o Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui;...” Mc 16.6. “E, estando elas muito atemorizadas e abaixando o rosto para o chão, eles lhe disseram: Por que buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galiléia” Lc 24.5,6. “É verdade que também algumas mulheres dentre nós nos maravilharam, as quais de madrugada foram ao sepulcro; e, não achando o seu corpo, voltaram, dizendo que também tinham visto uma visão de anjos, que dizem que ele vive” Lc 24.23,24.

4.1.2.2. As Aparições de Jesus Ressurreto às testemunhas escolhidas por Deus
Depois de ressurreto o Senhor Jesus apareceu vivo a diversas pessoas escolhidas por Deus, que seriam testemunhas oculares desse glorioso evento, incluindo aí os Seus apóstolos que foram identificados como testemunhas oficiais de Sua gloriosa ressurreição (At 1.21,22; 10.40,41).
No quadro a seguir encontramos as aparições do Cristo que ressuscitou dos mortos, conforme relato das Sagradas Escrituras:

AS APARIÇÕES DE JESUS RESSURRETO

Ocorrência
Local
Dia da semana
Mt
Mc
Lc
Jo
At
I Co

A Maria Madalena junto ao túmulo
Jerusalém
1º dia da semana
16.9-11
20.11-18

A duas mulheres
Jerusalém
1º dia da semana
28.1-10

A Dois discípulos
Estrada de Emaús
1º da semana
16.12,
13
24.13-32

À Pedro
Jerusalém
1º da semana
24.34
15.5

A dez discípulos no Cenáculo
Jerusalém
1º da semana
16.14
24.36-43
20.19-25

Aos onze discípulos no cenáculo
Jerusalém
Domingo seguinte
20.26-31
15.5

A sete discípulos no monte
Mar da Galiléia
Algum tempo depois
21.1-25

Aos onze discípulos no monte
Galiléia
Algum tempo depois
28.16-20
16.15-8

A mais de quinhentos irmãos
Desconhecido
Algum tempo depois
15.6

À Tiago
Desconhecido
Algum tempo depois
15.7

Aos discípulos
Monte das Oliveiras
Quarenta dias depois
24.44-51
1.3-9
15.7

À Paulo
Damasco
Vários anos depois
9.1-19
22.3-16
26.9-18
9.1
15.8

Fonte: A Bíblia de Estudo Pentecostal - 1996

4.1.2.3. O túmulo vazio - Embora o túmulo vazio não seja uma prova incontestável, pois até os próprios líderes religiosos judeus, para tentar enganar o povo, disseram que vieram os discípulos de noite e roubaram o corpo de Jesus (Mt 28.11-15), mas mesmo assim é considerarão como uma das provas da ressurreição do Salvador. Geralmente nas sepulturas encontra-se esse epitáfio: “Aqui jaz os restos mortais de fulano de tal”, mas no túmulo de Jesus a inscrição encontrada, é: “Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como tinha dito. Vinde e vede o lugar onde o Senhor jazia” Mt 28.6. As mulheres que madrugaram esperando ver o corpo do Senhor tiveram o consolo de ouvir de um anjo de Deus, o seguinte: “Porém ele lhes disse: Não vos assusteis; buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram” Mc 16.6. Diz ainda a Escritura sobre o assunto: “E, estando elas muito atemorizadas e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: Por que buscais o vivente entre os mortos. Não está aqui, mas ressuscitou...” Lc 24.5,6. “Chegou, pois, Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulcro, e viu no chão os lençóis e que o lenço que tinha estado sobre a sua cabeça não estava com os lençóis, mas enrolado, num lugar à parte” Jo 20.6,7.

4.1.2.4. A declaração de testemunhas oculares – Os anjos de Deus foram testemunhas oculares da ressurreição de Jesus, estavam lá quando isso aconteceu. Mas também devem ser arroladas como testemunhas aquelas pessoas que viram o Cristo ressurreto e são consideradas como testemunhas da ressurreição do Senhor e comissionadas para testemunharem daquilo que tinham visto. “E, partindo ela, anunciou-o àqueles que tinham estado com ele, os quais estavam tristes e chorando” Mc 16.10. “E, voltando do sepulcro, anunciaram todas essas coisas aos onze e a todos os demais. E eram Maria Madalena, e Joana, e Maria, mãe de Tiago, e as outras que com elas estavam as quais diziam estas coisas aos apóstolos” Lc 24.9,10. “E eles lhes contaram o que lhes acontecera no caminho, e como deles foi conhecido no partir do pão” Lc 24.35. “Ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela” At 2.24. “E mataste o Príncipe da vida, ao qual Deus ressuscitou dos mortos, do que nós somos testemunhas” At 3.15. “Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas” At 2.32. “A este ressuscitou Deus ao terceiro dia e fez que se manifestasse, não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus antes ordenara; a nós que comemos e bebemos juntamente com ele, depois que ressuscitou dos mortos” At 10.40,41. Aliás, um dos pré-requisitos para ser apóstolo de Jesus Cristo era ter visto o Senhor ressurreto. (At 1.21,22).

4.1.2.5. A declaração das Escrituras - Em sua mensagem, especialmente no Novo Testamento, as Sagradas Escrituras declaram que Jesus ressuscitou dos mortos, sendo essa mensagem vital para o cumprimento do propósito de Deus. Como havia sido profetizado que o Messias seria morto e que ressuscitaria, o seu cumprimento tornara-se inexorável, ou seja, teria que acontecer, pois Deus não pode falhar, no cumprimento de suas promessas pois é fiel e vela pela sua Palavra para a cumprir. Vejamos algumas declarações da Bíblia sobre o assunto: “Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos - Jesus Cristo, nosso Senhor” Rm 1.4. “Ora, Deus, que também ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará a nós pelo seu poder” 1 Co 6.14. “Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e pondo-o à sua direita nos céus” Ef 1.20. Nas escrituras do Novo Testamento podem ser encontrados ainda outros textos que declaram o fato da ressurreição de Jesus Cristo.

4.2 - A NATUREZA DA RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO

O Senhor Jesus ressuscitou dos mortos com um corpo de carne e ossos, sem sangue, mas glorificado. A fim de tirar as dúvidas que subiram ao coração de seus discípulos quando o viram ressurreto pela primeira vez, Ele falou assim: “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; tocai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés” Lc 24.39,40. Ainda, para desfazer qualquer sombra de dúvidas Jesus comeu na presença deles. “Então, eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado e um favo de mel, o que ele tomou e comeu diante deles” Lc 24.42,43. O corpo que Jesus ressuscitou foi o mesmo corpo com o qual morreu, só que agora glorificado, com outras propriedades que o corpo mortal não tinha.

O Senhor Jesus com o corpo glorificado era capaz de:

4.2.1. Aparecer e Desaparecer de Repente - “E falando ele dessas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio deles e disse-lhes: Paz seja convosco.” Lc 24.36. “Abriram-se-lhes, então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes.” Lc 24.31.

4.2.2. Transpor Paredes e Portas Fechadas - “Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco.” Jo 20.19.

4.2.3. Deslocar-se de um Lugar para o Outro com Velocidade Espantosa - “Então, Jesus disse-lhes: Não temais! Ide dizer a meus irmãos que vão a Galiléia e lá me verão.” Mt 28.10). “E os onze discípulos partiram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.” Mt 28.16,17.

4.2.4. Vencer a Gravidade sem o Auxílio de Máquina - “E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu.” Lc 24.51. “E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos.” At 1.9.

4.3 - Os Agentes da Ressurreição de Jesus

As três pessoas da Santíssima Trindade atuaram juntas na ressurreição do Senhor Jesus Cristo, pois assim o revela a Santa Palavra de Deus.

4.3.1. O Pai Ressuscitou a Jesus - A Bíblia diz categoricamente que Deus o Pai, ressuscitou a Seu Filho Jesus Cristo. “Ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela.” At 2.24. “Ressuscitando Deus a seu Filho Jesus...” At 3.26. “Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos somos testemunhas.” At 2.32.

4.3.2. Jesus Ressuscitou a Si mesmo - Declaram as Sagradas Escrituras que o próprio Jesus ressuscitou a si mesmo. “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida...” Jo 11.25. “Por isso o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma toma de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para dar e poder para tornar a tomá-la. Esse mandamento recebi de meu Pai.” Jo 10.17,18. “Jesus respondeu e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei... Mas ele falava do templo do seu corpo. Quando ele ressuscitou dos mortos, os seus discípulos lembraram-se de que lhes dissera isso;...” Jo 2.19-22.

4.3.3. O Espírito Santo Ressuscitou a Cristo - A terceira pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo, participou ativamente da ressurreição do Senhor Jesus. “O Espírito é o que vivifica...” Jo 6.63. “E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita.” Rm 8.11. “E sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair das vossas sepulturas, ó povo meu. E porei em vós o meu Espírito e vivereis...” Ez 37.13,14.

4.4 - As Implicações Teológicas da Ressurreição de Jesus

A ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo é uma prova inconteste de que o ato redentor realizado por Ele na cruz do Calvário teve a aprovação total do Deus Todo-Poderoso. Assim sendo, a ressurreição de Cristo tem profundas implicações teológicas no plano da salvação do ser humano.
Abaixo relacionamos algumas implicações teológicas decorrentes da ressurreição de Jesus:

4.4.1. Quanto à Confiabilidade do Evangelho - “E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação...” 1 Co 15.14.

4.4.2. Quanto à Validade da Fé Salvadora - “E, se Cristo não ressuscitou... também é vã a vossa fé.” 1 Co 15. 14.

4.4.3. Quanto à Justificação do Crente - “O qual por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação.” Rm 4.25.

4.4.4. Quanto à Salvação Eterna da Pessoa - “A saber: Se, com a tua boca confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos serás salvo.” Rm 10.9. “E, se Cristo não ressuscitou... os que dormiram em Cristo estão perdidos.” 1 Co 15.17,18.

4.4.5. Quanto ao Perdão dos Pecados - “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.” 1 Co 15.17.

4.4.6. Quanto à Glorificação do Salvo - “Mas, agora, Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem.” 1 Co 15.20. “Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias; depois os que são de Cristo na sua vinda.” 1 Co 15.23.

5 - A ASCENSÃO E A ENTRONIZAÇÃO DE CRISTO

Depois de ressurreto, Jesus passou ainda com os seus discípulos quarenta dias neste mundo, falando-lhes de coisas concernentes ao Reino de Deus (At 1.3).O próprio Jesus já tinha revelado, que subiria para o Pai Celestial. “Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.” Jo 20.17.
Depois de dar mandamento aos apóstolos que escolhera, Jesus subiu aos céus, donde viera. O Evangelista Lucas fez o relato da seguinte maneira: “E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, estando com os olhos fitos nos céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois varões vestidos de branco”. At 1.9,10. Lucas, ainda diz em seu Evangelho: “E aconteceu que, abençoando-o ele, se apartou e foi elevado ao céu”. Lc 24.51. O Evangelista Marcos relatou o fato assim: “Ora, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu...” Mc 16.19. A ascensão de Jesus deu-se na aldeia de Betânia, conforme registro em Lucas 24.50.
Elevado às alturas, o Senhor Jesus foi recebido no céu e assentou-se à destra da Majestade nas alturas, reassumindo aquela glória da qual esvaziou-se no ato de sua encarnação. “...O Senhor... foi recebido no céu e assentou-se à direita de Deus.” Mc 16.19. “Mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus.” Hb 10.12. “O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio.” At 3.20,21. “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do Trono de Deus” Hb 12.2. “O qual depois de ir para o céu, está à destra de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, e potestades, e poderes” 1 Pe 3.22.
Nos céus Jesus está exercendo outro aspecto do seu sacerdócio em favor de seu povo que é interceder por eles. “Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu ou, antes quem ressuscitou dos mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” Rm 8.34. “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” Hb 7.25. À direita do Pai, Jesus é o Advogado do seu povo, que representa as nossas causas diante de Deus. “Meus filhinhos, estas coisa vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo” 1 Jo 2.1.
Nos céus, Jesus ficará até o tempo determinado por Deus, quando virá buscar a Sua amada Igreja e estabelecer o Seu Reino Eterno.

6 - A SEGUNDA VINDA DE JESUS

O Senhor Jesus veio a este mundo a primeira vez e prometeu que voltaria uma segunda vez para buscar a sua amada Igreja e consumar todas as coisas. A doutrina da Segunda Vinda do Senhor é uma das mais bem documentadas do Novo Testamento. Quase todos os livros tratam direta ou indiretamente do assunto. Essa vinda, segundo o Novo Testamento: a) Será uma vinda pessoal, isto é, Cristo virá em pessoa mesmo. “Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus descerá do céu,...” 1 Ts 4.16. “E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também.” Jo 14.3; b) Será uma vinda física. Jesus virá com o mesmo corpo que ascendeu aos céus depois da sua ressurreição. “E lhes perguntaram: Varões galileus, por que estais olhando para os céus? Esse Jesus que dentre vós foi recebido no céu, virá do mesmo modo como para o céu o vistes ir” At 1.11; c) Será uma vinda visível. Todas as pessoas o verão. “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória” Mt 24.30. “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até quantos os traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém!” Ap 1.7; d) Será uma vinda gloriosa. Jesus veio a primeira vez em humilhação, mas, na Sua segunda vinda virá em glória, acompanhado dos anjos dos céus. “Então verão o Filho do homem vir nas nuvens, com grande poder e glória” Mc 13.26. “... e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.” Mt 25.30.
Quando da Segunda Vinda de Jesus, a Igreja será arrebatada, e o Senhor estabelecerá o seu tribunal para julgar o mundo ímpio e retribuir, a cada um, segundo as suas obras.

7 - CONCLUSÃO

Procuramos, neste trabalho, trazer à lume as informações básicas sobre a vida de nosso Senhor Jesus Cristo, desde a Sua Pré-Existência, passando pela Sua Encarnação, Sua Vida Ministerial, Sua Morte Expiatória na cruz do Calvário, Seu Sepultamento, Sua gloriosa Ressurreição, Ascensão, Entronização, Segunda Vinda, Estabelecimento do Reino Eterno, culminando com a entrega de tudo ao Pai Celestial na inauguração do Estado Eterno.

É de máxima importância que tenhamos essas coisas guardadas em nossos corações, porque o destino eterno da pessoa está diretamente relacionado com a sua fé na gloriosa pessoa do Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo.

Este trabalho não teve a pretensão de ser original, pois muitos já discorreram sobre tão significativo tema, inclusive com muito mais profundidade, mas para este autor tem uma significação toda especial por se tratar também de uma declaração de fé, bem como de um embrião para um futuro livro.

Procuramos fazer uso abundante das Sagradas Escrituras por acreditar que elas foram inspiradas por Deus, e são elas que nos trazem a revelação fidedigna sobre a pessoa de Cristo Jesus.

Esperamos ter trazido com este trabalho uma contribuição para a Igreja, que, certamente, irá ajudá-la na sua edificação, bem como mantê-la sadia na Doutrina Cristã e fiel aos ensinamentos da santa Palavra de Deus.

(ANEXO)
O MINISTÉRIO DE JESUS
O ANO INICIAL
Evento
Local
Mateus
Marcos
Lucas
João

Batismo de Jesus
Rio Jordão
3.13-17
1.9-11
3.21-23
1.29-39

Tentação de Jesus por Satanás
Deserto
4.1-11
1.12,13
4.1-13

Primeiro milagre de Jesus
2.1-11

Jesus e Nicodemos
3.1-21

Diálogo de Jesus com uma samaritana
4.5-42

Jesus cura o filho de um oficial do rei
4.46-54

O povo de Nazaré intenta matar Jesus
4.16-30

O ANO DA POPULARIDADE
Evento
Local
Mateus
Marcos
Lucas
João

Jesus chama quatro pescadores
Mar da Galiléia
4.18-22
1.16-20
5.1-11

Jesus cura a sogra de Pedro
Cafarnaum
8.14-17
1.29-34
4.38-41

Jesus começa a pregar na Galiléia
Galiléia
4. 23-25
1.35-39
4.42-44

Mateus segue a Jesus
Cafarnaum
9.9-13
2.13-17
5.27-32

Jesus escolhe doze apóstolos
Galiléia
10.2-4
3.13-19
6.12-15

Jesus prega o Sermão da Montanha
Galiléia
5.1-7.29
6.20-49

Uma mulher pecadora unge os pés de Jesus
Cafarnaum
7.36-50

Jesus viaja outra vez pela Galiléia
Galiléia
8.1-3

Jesus profere as parábolas do reino
Galiléia
13.1-52
4.1-34
8.4-18

Jesus acalma a tempestade
Mar da Galiléia
8.23-27
4.35-41
8.22-25

Jesus ressuscita a filha de Jairo
Cafarnaum
9.18-26
5.21-43
8.40-56

Jesus envia os doze
Galiléia
9.35-11.1
6.6-13
9.1-6

O ANO DA OPOSIÇÃO
Evento
Local
Mateus
Marcos
Lucas
João
João Batista morto por Herodes
Maqueros na Judéia
14.1-12
6.14-29
9.7-9

Jesus alimenta 5.000 pessoas
Perto de Betsaida
14.13-21
6.30-44
9.10-17
6.1-14
Jesus caminha sobre o mar
Mar da Galiléia
14.22,23
6.45-52

6.16-21
Jesus alimenta 4.000 pessoas
Perto do Mar da Galiléia
15.32-39
8.1-9

Pedro declara que Jesus é o Filho de Deus
Cesaréia de Filipe
16.13-20
8.27-30
9.18-21

Jesus prediz sua morte
Cesaréia de Filipe
16.21-26
8.31-37
9.22-25

Jesus transfigura-se
Monte Hermon
17.1-13
9.2-13
9.28-36

Jesus paga o tributo no templo
Cafarnaum
17.24-27

Jesus vai à Festa dos Tabernáculos
Jerusalém
7.11-54

Jesus cura um cego de nascença
Jerusalém
9.1-41

Jesus visita Maria e Marta
Betânia
10.38-42

Jesus ressuscita Lázaro dentre os mortos
Betânia
11.1-44

Jesus inicia sua última viagem a Jerusalém
Estrada junto à fronteira
17.11

Jesus abençoa as criancinhas
Transjordânia
19.13-15
10.13-16
18.15-17

Jesus fala com o jovem rico
Transjordânia
19.16-30
10.17-31
18.18-30

Jesus prediz outra vez a sua morte
Perto do rio Jordão
20.17-19
10.32-34
18.31-34

Jesus cura o cego Bartimeu
Jericó
20.29-34
10.46-52
18.35-43

Jesus fala com Zaqueu
Jericó
19.1-10

Jesus visita Maria e Marta outra vez
Betânia
11.55-12:1

A SEMANA FINAL
Evento
Local
Dia
Mateus
Marcos
Lucas
João

A entrada triunfal
Jerusalém
Domingo
21.1-11
11.1-10
19.29-44
12.12-19

Jesus amaldiçoa uma figueira
Jerusalém
Segunda
21.18,19
11.12-14

Jesus purifica o templo
Jerusalém
Segunda
21.12,13
11.15-18

A autoridade de Jesus posta em dúvida
Jerusalém
Terça
21.23-27
11.27-33

Jesus ensina no templo
Jerusalém
Terça
21.28-
23.29
12.1-44
20.9-21:4

A unção dos pés de Jesus
Betânia
Terça
26.6-13
14.3-9
12.2-11

Conspiração contra Jesus
Jerusalém
Quarta
26.14-16
14.10-11
22.3-6

A última ceia
Jerusalém
Quinta
26.17-29
14.12-25
22.7-20
13.1-38

Jesus conforta seus discípulos
Jerusalém
Quinta
14.1-16.33

Jesus ora por si e pelos seus
Jerusalém
Quinta
17.1-26

Getsêmani
Jerusalém
Quinta
26.36-46
14.32-42
22.40-46

Prisão e julgamento de Jesus
Jerusalém
Sexta
26.47-27.26
14.43-15.15
22.47-23.25
18.2-19.16

Crucificação e morte de Jesus
Gólgota
Sexta
27.27-56
15.16-41
23.26-49
19.17-30

Sepultamento de Jesus
Túmulo do jardim
Sexta
27.57-66
15.42-47
23.5056
19.31-42

Fonte: Bíblia de Estudo Pentecostal – 1996

BIBLIOGRAFIA

- BANCROFT, Emery H. Teologia Elementar. Trad. João Marques Bentes,
Imprensa Batista Regular. São Paulo, 1966
- BERKHOF, Louis. Manual de Doutrina Cristã. Campinas. Luz para o Caminho
Publicações, 1985.
- BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Trad. Odayr Olivetti. Campinas. Luz
para o Caminho Publicações, 1990.
- CHAFFER, Lewis Spency. Teologia Sistemática. Vol.1. Imprensa Batista. São
Paulo, 1986.
- CLARK, David S. Compêndio de Teologia Sistemática. Trad. Samuel Falcão.
Casa Editora Presbiteriana.
- DAGG, John L. Manual de Teologia. Editora Fiel, 1989.
- DUFFIELD, Guy P. Fundamentos da Teologia Pentecostal. Vol. 1 e 2, Trad.
Neid Siqueira. Editora Publicadora Quadrangular, 1991.
- KOEHLER, Edward W. A. Sumário da Doutrina Cristã. Trad. Arnaldo Schüler.
Concórdia S/A. Porto Alegre, 1981.
- PENDLETON, J.M. Compêndio de Teologia Cristiana. Casa Bautista de
Publicaciones, 1981.
- SHEDD, Russel P. Bíblia Vida Nova. Edições Vida Nova/Sociedade Bíblica do Brasil.
São Paulo, 1976.
- STAMPS. Donald C. & Outros. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD. Rio de
Janeiro, 1996.