segunda-feira, 29 de junho de 2015

Pregações Pastor Eudes 27/06/2015

O Cristo Entronizado

No estudo da doutrina da pessoa do Senhor Jesus, temos um tema conhecido pelo nome de Os Estados de Cristo. O primeiro Estado é conhecido pelo nome de Estado de Humilhação que consiste das fases: Encarnação, Nascimento, Sofrimento, Morte e Sepultamento de Cristo. O segundo Estado de Cristo é chamado de Estado de Exaltação que consiste das fases: Ressurreição, Ascensão, Entronização e Segunda Vinda de Cristo em glória. Nesta reflexão teceremos um breve comentário sobre a fase conhecida como a Entronização de Cristo. A Bíblia diz que o Senhor Jesus como o eterno Filho de Deus habitava na glória celeste e estava revestido da glória que Lhe era própria como Deus Filho. “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” Jo 17.5. Com a encarnação, o Verbo, o Senhor Jesus, esvaziou-se daquela glória que tinha e assumiu uma natureza humana, limitada, frágil, sujeita as tentações e a morte. Com a entronização, Cristo reassumiu a glória que Lhe pertencia por direito eterno. “Ora a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus a destra do trono da majestade” Hb 8.1. “Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte,...” Hb 2.9. Esse estado atual de Cristo tem uma implicação muito profunda na vida da Igreja, tendo em vista a Bíblia dizer que estão sujeitas a Cristo todas as coisas. “Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos, e pondo-o a sua direita nos céus. Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da Igreja” Ef 1.20-22. (Veja ainda 1 Pe 3.22). Diante disso, a Igreja pode se regozijar na revelação da Palavra de Deus de que Jesus exerce um poder soberano sobre tudo e todos. É Ele quem controla e mantém todas as coisas. O escritor aos Hebreus nos diz que Ele sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder (Hb 1.3). Tudo estar sob o controle do Senhor, inclusive as nossas vidas, os nossos projetos, nossos sonhos, os nossos empreendimentos, portanto, dependamos dele e confiemos nele e tudo correrá bem. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Uma panorâmica sobre Naum

Naum, cujo nome significa consolação, profetizou no reino de Judá, na época de Josias, um dos reis reformadores daquele reino (os outros foram Josafá e Ezequias). O livro de Naum enfoca o juízo de Deus sobre a Assíria, especialmente sobre Nínive a capital daquele reino, a grande potência militar da época. Quanto a Nínive, ela já tinha sido poupada por Deus quando os ninivitas se arrependeram ao ouvir a pesada mensagem de Deus através do profeta Jonas, isso um século antes. (Veja o livro de Jonas). Os assírios tornaram-se famosos na história pela crueldade com que tratava os povos conquistados, inclusive o reino do Norte (Israel) que foi destruído por eles e o restante levado cativo e espalhado noutros reinos conquistados pela Assíria. Lembrando aos leitores que para a terra de Israel foi baldeado outros povos conquistados pelos assírios que mais tarde deram origem aos samaritanos (2 Rs 17.24-41). O declínio assírio começou com a invasão do reino de Judá na época de Ezequias, liderado pelo rei Senaqueribe, sendo destruído o exército assírio, que tinha um contingente de 185.000 guerreiros, por intervenção divina conforme relato de 2 Crônicas 32.1—23 e Isaías capítulos 36 e 37. “Pelo que assim diz o Senhor acerca do rei da Assíria: Não entrará nesta cidade, nem lançará nela flecha alguma; tampouco virá perante ela com escudo, ou levantará contra ela tranqueira. Pelo caminho por onde vier, por esse voltará; mas nesta cidade não entrará, diz o Senhor. Porque eu ampararei esta cidade, para a livrar, por amor de mim e por amor do meu servo Davi. Então, saiu o Anjo do Senhor e feriu, no arraial dos assírios, a cento e oitenta e cinco mil; e, quando se levantaram pela manhã cedo, eis que tudo eram corpos mortos. Assim, Senaqueribe, rei da Assíria, se retirou, e se foi, e voltou, e ficou em Nínive. E sucedeu que, estando ele prostrado na casa de Nisroque, seu deus,... seus filhos, o feriram à espada...; e Esar-Hadom, seu filho, reinou em seu lugar”. Is 37.33-38. Os assírios foram conquistados pelos caldeus que ocupou a posição de nação líder do mundo na época. Nessa conquista cumpriu-se a profecia de Naum sobre a destruição dos assírios. Quanto ao livro de Naum podemos dividi-lo em três partes cada uma correspondendo a um capítulo. O capítulo 1 contém uma descrição clara de uma faceta do caráter de Deus como justo em punir os pecados, no caso, da cidade de Nínive; O capítulo 2 trata da predição do castigo iminente de Nínive e como se daria esse juízo; e no capítulo 3 encontramos o profeta descrevendo as razões porque Deus iria castigar os assírios (prostituição, impiedade e feitiçaria). Ainda sobre o livro, Naum é um dos três livros proféticos (os outros são Obadias e Jonas) que não trata dos erros do povo de Deus. Isso leva a crer que o mesmo foi escrito no reinado de Josias quando aquele jovem rei empreendeu uma grande reforma religiosa no reino de Judá. É bom lembrar que o reino de Israel (Norte) já não existia na época de Josias. Como Naum significa consolação como já foi dito, esse livro traz também uma pequena, mas ao mesmo tempo grande mensagem de consolação para Judá. “Eis sobre os montes os pés do que traz boas-novas, do que anuncia a paz! Celebra as tuas festas, ó Judá, cumpre os teus votos, porque o ímpio não tornará mais a passar por ti; ele é inteiramente exterminado” Na 1.15. Desse precioso livro e do seu contexto profético/histórico podemos extrair algumas verdades, senão vejamos: 1) Deus é o Senhor do universo. Ele usou os assírios para punir Israel; 2) Deus mesmo usando os ímpios para cumprir um propósito Seu não os isenta da responsabilidade pelos atos praticados. 3) Deus é o protetor do seu povo; 4) Deus é o justo Juiz e retribui a cada um (nação ou indivíduo) segundo as suas obras, doutrina essa consolidada no Novo Testamento. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Uma panorâmica sobre Miquéias

O profeta Miquéias exerceu o seu ministério nos reinados de Jotão, Acaz e Ezequias sendo, portanto, contemporâneo do profeta Isaías. Enquanto ele ministrava no interior da Judéia, Isaías ministrava em Jerusalém, a capital do reino do Sul. Apesar de viver em Judá a profecia de Miquéias enfocou também o reino do Norte (Israel), pois ambos os reinos estavam praticando pecados similares, que eram: idolatria, violência, injustiça social e a religião formal. Miquéias informa que fora capacitado por Deus para o seu ministério profético nos dois reinos: “Mas, decerto, eu sou cheio da força do Espírito do Senhor e cheio de juízo e de ânimo, para anunciar a Jacó a sua transgressão e a Israel o seu pecado” Mq 3.8. Olhando de forma panorâmica o livro, descobrimos que o mesmo divide-se em três partes: 1) a primeira parte envolve os capítulos 1 a 3 e o enfoque é a recriminação a Samaria, capital do reino de Israel e a Jerusalém, capital do reino de Judá pelos pecados citados acima; 2) na segunda parte, que engloba os capítulos 4 e 5, o enfoque é feito na advertência do juízo de Deus se esses dois reinos, o povo de Deus da época, persistissem nos seus pecados; 3) a terceira parte envolve os capítulos 6 e 7, e enfatiza a acusação divina como se fosse feita num tribunal, e o consequente arrependimento e confissão de Israel e a promessa de restauração futura. Miquéias escreveu o seu livro visando advertir o povo de Deus de que o Senhor não toleraria o pecado cometido por eles, e que isso levaria inevitavelmente a destruição dos dois reinos, o que de fato aconteceu em 722 a.C. (reino do Norte) pelos assírios e em 586 a.C. (reino do Sul) pelos caldeus. Ele escreveu ainda para revelar que o Messias prometido nasceria em Belém de Judá, terra natal do rei Davi. “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” Mq 5.2. Sobre a profecia messiânica do nascimento do Messias, o seu cumprimento histórico foi nos dias do rei Herodes, conforme relato de Mateus (2.1-6). Miquéias ainda falou sobre o reino futuro do Messias, que seria um reino de paz e justiça. O profeta Miquéias enfatizou em sua profecia qual a expectativa de Deus em relação aos israelitas: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?” Mq 6.8. O profeta em apreço também menciona a futura inserção dos gentios (os não judeus) no programa redentor de Deus, o que começou de forma ostensiva no dia de Pentecostes, conforme relato de Atos 2. “E irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor e à Casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e nós andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor, de Jerusalém. E julgará entre muitos povos e castigará poderosas nações até mui longe; e converterão as suas espadas em enxadas e as suas lanças em foices; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra. Mas assentar-se-á cada um debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os espante, porque a boca do Senhor dos Exércitos o disse. Porque todos os povos andarão, cada um em nome do seu deus; mas nós andaremos no nome do Senhor, nosso Deus, eternamente e para sempre” Mq 4.2-5. No capitulo 7 do seu livro, Miquéias falou sobre o estado deplorável do povo de Deus na época entregue aos ditames de sua natureza pecaminosa, texto esse usado por Paulo na carta aos Romanos para falar sobre a universalidade do pecado (Mq 7.2-4; Rm 3.10-18). Na última parte do seu ministério profético Miquéias ajudou ao rei Ezequias na obra de reforma religiosa que aquele rei empreendeu, sendo ele um dos homens de Ezequias que compilou um grupo de provérbios (Pv 25.1). Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Uma panorâmica sobre Jonas

O livro do profeta Jonas é um livro autobiográfico, nele não se encontra nenhuma mensagem profética. Nesse livro o profeta Jonas conta a sua experiência nas lides ministeriais como profeta do Senhor. Jonas profetizou no reinado de Jeroboão II (reino do Norte) 2 Rs 14.25. Fora da informação constante do texto citado e do seu livro não temos nenhuma outra informação no Antigo Testamento sobre ele. Esse profeta é citado por Cristo duas vezes. Numa como tipo de Cristo e na outra como profeta enviado por Deus para falar em nome do Senhor (Mt 12.39-31). O livro começa com a sua chamada para uma obra especifica junto a grande cidade de Nínive, capital da Assíria, a potência mundial da época. No capitulo 1 do livro de Jonas temos a convocação divina para ele ir pregar em Nínive e a fuga do profeta para um lugar distante do que Deus lhe tinha ordenado. No trajeto de sua viagem, num navio para Társis, por ordem de Deus o mar se agita e a embarcação enfrenta uma terrível tempestade que só é aplacada quando o profeta confessa que por sua causa aquilo acontecera, e o seu consequente descarte do navio e o tragamento dele por um grande peixe que Deus deparara para essa finalidade. O capitulo 2 do livro relata a angustiosa oração feita pelo profeta e a sua salvação como resposta divina. A Bíblia diz que o peixe que engolira Jonas o vomitou numa das praias do Mar Mediterrâneo por ordem de Deus, depois do profeta ter passado três dias e três noite no seu ventre. O capitulo 3 do livro relata a repetição da ordem dada por Deus para que ele fosse para Nínive e cumprisse a missão de pregar contra ela. A mensagem de Jonas, curta, objetiva, sem nenhum rodeio tem um efeito extraordinário. Toda a população daquela cidade se arrepende de seus pecados e se converte ao Senhor e por isso é poupada do juízo anunciado na mensagem profética. Foi um avivamento espiritual poderoso o que aconteceu em Nínive naquela época por graça e misericórdia de Deus. No capitulo 4 é relatado o desagrado do profeta pelo resultado de sua pregação. Esse seu desagrado foi consequência do seu preconceito contra os ninivitas, pois era um povo que não fazia parte da aliança que Deus estabelecera com Israel. Além disso, o profeta tinha consciência de que aquele povo seria usado por Deus para punir o reino de Israel (Norte), o que aconteceu em 722 a. C., quando os assírios conquistaram as cidades desse reino, e levavam o povo em cativeiro, e colocado povos estrangeiros conquistados na terra de Israel que mais tarde deram origem aos samaritanos. O desagrado do profeta é punido por Deus, numa lição dada pelo Senhor a ele, quando uma árvore que crescera da noite para o dia e dera conforto ao servo do Senhor secara também de imediato por uma ação divina. As palavras ditas por Deus a ele foi uma lição sobre o exercício da misericórdia. Parece que essa palavra (misericórdia, graça) era estranha ao rigoroso profeta. Algumas lições pode-se extrair desse precioso livro, senão vejamos: 1) Deus é o Senhor do Universo, todas as nações lhe interessam; 2) Os pecados de uma nação incomodam a Deus; 3) Geralmente antes de Deus entrar em juízo com um povo ou alguém, o adverte chamando ao arrependimento, quando Ele tem propósito nisso; 4) Os fenômenos da natureza estão sob o controle do Altíssimo; 5) Quando Deus tem um propósito em curso Ele opera com obras contingenciais para que o seu propósito seja realizado; 6) A oração é um recurso extraordinário em momentos de angústias; 7) Um avivamento espiritual sempre é provocado pela pregação da Palavra de Deus; 8) O arrependimento, que envolve sentimento e vontade, é tratado por Deus com misericórdia; 9) Mesmo sendo servos de Deus, somos ainda preconceituosos, muito ou pouco; 10) A vontade divina sempre prevalecerá, quer o homem queira ou não. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A Ceia do Senhor

O nosso Senhor Jesus na noite em que foi traído instituiu a Ceia Memorial, logo após celebrar a páscoa judaica. Os registros bíblicos sobre a instituição e celebração da Ceia encontram-se nos evangelhos sinóticos (Mateus 26.26-30; Marcos 14.22-26; Lucas 22.14-20) e na primeira carta de Paulo aos Coríntios 11.23-32. Na instituição da Ceia, o Senhor Jesus utilizou-se de dois elementos que estavam presente na celebração da páscoa: o pão e o vinho. Ao tomar o pão o Senhor Jesus deu graças e o partiu entregando-o aos SEUS discípulos dizendo esta célebre expressão: “Tomai e comei isto é o meu corpo fazei isto em memória de mim”. Em seguida, o Senhor tomou o vinho e disse aos seus discípulos: “Bebei dele todos, pois isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança que é derramado em favor de muitos”. O pão e o vinho quando da celebração da Ceia adquirem uma representatividade: o pão representa o corpo do Senhor Jesus que foi supliciado na cruz do Calvário e o vinho representa o Seu precioso sangue que foi derramado para a eterna redenção dos escolhidos de Deus e para a contínua purificação de seus pecados. Aos ministros do Senhor, devidamente credenciados, foi dada a autorização para oficiarem a Ceia do Senhor. Só os crentes em Cristo, batizados cerimonialmente com água em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, e que estejam em comunhão com Deus e com a Igreja que pertence, é que devem participar da Ceia. À Igreja Deus deu autoridade para determinar a periodicidade da celebração da Ceia do Senhor. Nós, como Igreja organizada que somos (Igreja Evangélica Congregacional), determinamos que essa celebração deva ser realizada, a priori, no primeiro domingo de cada mês. Ainda quanto à participação dos crentes na Ceia do Senhor, os mesmos devem fazê-lo com a compreensão correta do seu significado e com a consciência tranquila. O apóstolo Paulo ensina que participar da Ceia dignamente traz benção para a vida do crente e que participar indignamente traz juízo de Deus sobre ele. Nenhum crente em Cristo deve se privar da Ceia exceto se estiver sob disciplina da Igreja, pois ela é uma ordenança que o Senhor Jesus deixou para ele. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Uma panorâmica sobre Obadias

O livro do profeta Obadias é o menor dos livros proféticos, pois só tem um capítulo. O alvo de sua profecia é o povo de Edom, descendentes de Esaú irmão de Jacó. Sobre esse profeta pouco se sabe senão que profetizou no reino de Judá. O nome Obadias era comum em Israel e significa servo do Senhor. A ocasião de sua mensagem profética foi uma invasão de Jerusalém por um povo inimigo, mas não se sabe qual. Segundo a Bíblia, Jerusalém foi pilhada cinco vezes durante o tempo do Antigo Testamento (pelo Egito, durante o reinado de Roboão; pelos filisteus e árabes durante o reinado de Jorão; por Israel, reino do Norte na época de Joás e pelos caldeus duas vezes, uma na época de Joaquim e a outra na época de Zedequias). A razão da profecia contra Edom foi porque esse povo se alegrou com a desventura do povo de Deus bem como ter participado dos despojos numa dessas invasões. As razões históricas do ódio desse povo para com os seus parentes distantes remonta a época de Jacó e Esaú, quando o primeiro comprou o direito de primogenitura de seu irmão e depois tomou a sua benção (Gn 27). Mesmo Esaú e Jacó tendo se reconciliado (Gn 32, 33), os descendentes de Esaú não aceitaram com facilidade o que acontecera e, em diversas ocasiões, se postaram contra Israel, sendo a identificada no livro de Obadias uma delas. Na história bíblica os edomitas, em diversas ocasiões, se opuseram ao povo de Deus e se aliaram aos seus algozes. A primeira delas foi quando Israel ia em direção à terra prometida e os edomitas não o deixaram passar pelos seus termos (Nm 20.14-21). Depois, em outras duas ocasiões, sendo uma relatada no livro de 2 Cr 21 e a outra em 2 Rs 25. O livro de Obadias divide-se em duas partes: a primeira parte corresponde aos versículos 1-14. Nessa parte, Deus expressa a sua ira contra os edomitas por causa de sua soberba e por se julgar inexpugnável visto que moravam em montanhas, e também pelo que fizera a Israel, pois esse povo se alegrara com a desgraça alheia. Como o juízo contra Jerusalém viera da parte de Deus por causa dos pecados daquela cidade ninguém tinha o direito de dizer “bem feito”, porque Deus estava tratando com o seu povo visando uma correção. Em relação ao povo de Deus existe uma máxima: com esse povo ninguém mexe sem sofrer as consequências. A segunda parte do livro, que contempla os versículos 15 a 21, trata do dia do Senhor quando Edom seria destruído juntamente com todos os inimigos de Deus e do seu povo, ao passo que o povo escolhido seria salvo, e o seu reino triunfaria. Sobre a expressão “dia do Senhor”, no caso, deve-se observar duas coisas: a primeira é o dia em que Edom seria destruído, ou seja, um juízo localizado na história. A outra questão é a que trata do juízo divino sobre as nações, no caso, representadas por Edom, no dia escatológico da segunda vinda do Senhor, evento que está para acontecer. Na história, o dia do Senhor para Edom foi ao tempo dos romanos quando esse povo invadiu o Oriente Médio e controlou toda aquela região. Segundo os historiadores bíblicos, a partir do ano 70 d.C., os edomitas desaparecem da história sendo assimilados pelos árabes nabateus. Quanto ao dia escatológico do Senhor em que todas as nações irão receber o tratamento devido, esse dia, que não é necessariamente um dia de 24 horas, e sim um tempo em que Deus tratará com as nações que tem se postado contra o seu povo, perseguindo a fé cristã. “Porque o dia do Senhor está perto, sobre todas as nações; como tu fizeste, assim se fará contigo; a tua maldade cairá sobre a tua cabeça. Porque, como vós bebestes no monte da minha santidade, assim beberão de contínuo todas as nações; beberão, e engolirão, e serão como se nunca tivessem sido” Ob 15,16. O livro ainda fala de forma profética sobre o futuro livramento do povo de Deus, o que acontecerá na segunda vinda de Cristo. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti