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sábado, 21 de agosto de 2010

Os Pecados dos Crentes

A Bíblia nos revela que todos os homens são pecadores aos olhos de Deus. "Porque todos pecaram e destituidos estão da gloria de Deus" Rm 3.23. Revelam ainda as Sagradas Escrituras que o Senhor Jesus veio a este mundo, segundo um plano estabelecido pela Santíssima Trindade na eternidade, para salvar aqueles a quem Deus escolheu segundo o beneplácito de Sua soberana vontade. “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fossemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado. Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” Ef 1.4-7.

A poderosa obra redentora realizada por Jesus na cruz do Calvário satisfez plenamente a justiça divina ultrajada pelo pecado do homem. “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o que, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós” 1 Pe 1.18-20. Ainda de acordo com o plano estabelecido por Deus ficou definido que os méritos dessa obra seriam creditados aqueles que acreditassem em Jesus como o Filho de Deus e o recebessem como Salvador de suas vidas e o confessassem como Senhor. “... se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração e creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Visto que o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” Rm 10.9,10. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” Ef 2.8. Assim sendo, quando uma pessoa arrependida aceita a Cristo como o seu Salvador todos os seus pecados lhe são perdoados, o passado é apagado e a pessoa renasce para uma nova vida pela instrumentalidade do Espírito Santo. “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados...” At 3.19. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no seu nome” Jo 1.12. “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador” Tt 3.5,6.

Mas a obra redentora não só contempla os crentes com o perdão dos pecados cometidos no passado, mas também no presente e no futuro. No ato da aplicação da obra redentora na vida do crente nos é dito nas Escrituras que ele foi purificado ou lavado (1 Co 6.10,11; Tt 3.5), transformado ou regenerado (2 Co 5.17; Tt 3.5,6) e ressuscitado espiritualmente e assentado nos lugares celestiais em Cristo (Ef 2.4-7; Cl 3.1). É-nos dito também nas Escrituras para os que crêem em Cristo não há mais nenhuma condenação. “Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito. Porque a lei do espírito de vida, em Cristo Jesus me livrou da lei do pecado e da morte”. Rm 8.1,2. Isto quer dizer que espiritualmente o crente em Cristo está livre da condenação do pecado e goza de paz com Deus pelos méritos de Cristo. É uma pessoa abençoada por Deus com toda a sorte de bênçãos espirituais. “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares espirituais em Cristo” Ef 1.3. Os crentes em Cristo, ainda nas Escrituras, são identificados como santos (santificados em Cristo), e declarados justos (justificados diante de Deus). “À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos,...” 1 Co 1.2. O crente ainda segundo a Bíblia está morto para o pecado e está escondido com Cristo em Deus (Cl 3.3), e está guardado em Cristo (Jd 1). Isso quer dizer que espiritualmente os crentes em Cristo já estão seguros em Cristo e nada que ele venha a fazer que se caracterize pecado irá mudar essa posição que ele goza em Cristo.

Mesmo com essa posição definida e imutável, ou seja, o crente jamais cairá da graça de Deus, graças aos méritos do Redentor que disse que todo aquele que viesse a Ele não o lançaria fora. “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” Jo 6.37, o salvo ainda é uma pessoa propensa ao pecado, pois a natureza pecaminosa não é dele erradicada, pelos menos enquanto estiver no corpo desta carne. “Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros” Rm 7.22,23. “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” 1 Jo 1.8. “Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós” 1 Jo 1.10.

Considerando que a obra redentora de Cristo é tão poderosa que liberta o homem da condenação ocasionada pelo pecado, conforme o dito de Paulo em Rm 8.1,2: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte”, não haverá tratamento do pecado do crente na eternidade. Quando o crente falece ele não leva consigo pecado algum para ser julgado por Deus no julgamento final, pois todos os seus pecados já foram perdoados, apagados, pelos méritos de Cristo na cruz do Calvário, independente de confessá-los neste mundo ou não.

Os possíveis pecados cometidos pelos crentes no corpo da sua carne são tratados por Deus neste mundo. Considerando que Deus é justo e julga a todos sem fazer acepção de pessoas, o crente quando comete algum pecado seja de que natureza for e por alguma razão não o confessa a Deus ele recebe aqui neste mundo em diversos graus a disciplina do Pai Celestial até que venha a se arrepender, reconhecer o seu erro, pois se trata agora de um filho de Deus. Na carta aos Hebreus, no capítulo 12, o Espírito Santo trata a questão dos pecados cometidos pelos crentes em Cristo. “Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado. E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, E não desmaies quando por ele fores repreendido; Porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos. Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela” Hb 12.4-11.

É importante também esclarecer que o pecado na vida de um crente é um acidente de percurso e não algo costumeiro, pois a Bíblia nos revela que a nova natureza implantada pelo Espírito Santo no salvo o leva a não sentir prazer no pecado. “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus” 1 Jo 3.9. “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca” 1 Jo 5.8.

Cometido o pecado, deve o crente, para manter a sua comunhão com Deus, confessá-lo e pedir forças ao Senhor para não mais cometê-lo “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” 1 Jo 1.9. “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” Pv 28.13. “Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado. (Selá.)” Sl 32.5. “Esconde a tua face dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniqüidades. Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. Sl 51.9,10. Feito isso, os pecados dos crentes que já foram perdoados quando foi alcançado pela obra redentora de Cristo, é apagado e ele volta a gozar de comunhão com Deus.

No nosso entendimento o Espírito de Deus que habita no crente, quando esse comete uma falha qualquer o convencerá do erro e o levará a confessar e a se apropriar do perdão que por direito lhe é seu graças aos méritos de Cristo na cruz do Calvário. Cedo ou tarde isso ocorrerá na vida do salvo pois o Espírito não descansará enquanto essa obra não for realizada. Eis aí a diferença entre o salvo e o perdido, entre o justo e o ímpio, entre quem é filho de Deus e quem é filho do maligno.

Imaginem os irmãos se não fosse assim, poucos seriam arrebatados por ocasião da segunda vinda do Salvador, pois, é impossível do ponto de vista humano que de todos os componentes da igreja militante (os que estiverem vivos no dia do arrebatamento) não tenha alguém que não tenha cometido uma falha qualquer ou mesmo um pecado grosseiro que ainda não tenha sido tratado por Deus (lembramos aos irmãos que pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus ou a transgressão dessa lei).

Poderia alguém objetar que se é assim, então os crentes podem pecar à vontade porque todos os seus pecados (passados, presentes e futuros) já foram perdoados e que não há mais nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus. Quem pensa assim é porque desconhece que no programa redentor, há uma fase que fala da regeneração, novo nascimento, transformação, ou seja, o indivíduo quando de fato é salvo ele não tem mais prazer no pecado, pois, tem outra natureza consigo, sendo essa nova natureza implementada pela instrumentalidade do Espírito Santo nele, como já dissemos. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” 2 Co 5.17. É a semente divina implantada pelo Evangelho no crente. “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus” 1 Jo 3.9. Segundo o texto de João citado quem é nascido de Deus não tem mais prazer no pecado sendo o mesmo uma possibilidade, um acidente, mas não algo costumeiro em sua vida.

Na eternidade, como dissemos, não haverá tratamento do pecado de crente, pois eles não os têm mais, foram santificados plenamente pela poderosa obra realizada por Cristo na cruz do Calvário. Os crentes receberão na eternidade galardões, recompensas pelo serviço prestado a obra do Senhor enquanto tiveram vida humana. Se foi um crente consagrado, operoso, dedicado esse receberá de Deus recompensas. Se tiver sido um crente relapso, que viveu mais pra si do que para Deus, esse tal, cujas obras não suportarão o olhar perscrutador de Deus, serão salvos como que pelo fogo, mas não serão punidos pelos seus erros e pecados cometidos após a conversão. “Porque ninguém pode por outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo” 1 Co 3.11-15.

Oh irmãos como é poderosa a obra que Jesus realizou na Cruz, como ela é eficaz, capaz de apresentar todos os crentes puros, santos, imaculados diante de Deus. “O profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém” Rm 11.33-36.

Pastor Eudes Lopes Cavalcanti


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

HAMARTIOLOGIA

A DOUTRINA DO PECADO
1) Etimologia
Hamartia = pecado; logia (logos) = palavra, estudo, tratado

2) Conceito de Hamartiologia
Hamartiologia é a parte da Teologia Sistemática que estuda a doutrina do pecado.

3) Conceitos de Pecado
a) Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus ou a transgressão dessa lei.
b) Pecado é tudo aquilo que pensamos, falamos e praticamos que não esteja de acordo com a lei moral de Deus.
c) Pecado é qualquer falta de conformidade, ativa ou passiva, com a lei moral de Deus. Isso pode ser uma questão de ato, de pensamento ou de disposição.
d) Pecado é errar o alvo.

4) A Origem do Pecado
a) No Céu - O pecado teve origem no Céu, entre os anjos de Deus, quando Lúcifer, o querubim ungido, rebelou-se contra o Criador, sendo expulso do Céu juntamente com um terço dos anjos que o seguiram (Is 14.12-17; Ez 28.11-19; Ap 12.3,4,9).
b) Na Terra - O pecado surgiu na terra quando os nossos primeiros pais, Adão e Eva, desobedeceram à ordem dada por Deus e comeram, por instigação do Diabo, do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.16,17; 3.1-6,17).
5) Perspectiva Bíblica da Natureza do Pecado
a) Pecado é uma inclinação interna da natureza do homem – Gn 8.21; Sl 51.5; Jr 17.9;
Mt 5.21,22,27,28; 15.19;...
b) Pecado é uma atitude de rebelião e de desobediência a Deus - Gn 2.16,17; 3.6; 4.6-8; 9.17; 11.1-9; Rm 2.14,15;...
c) Pecado tem consequência na incapacidade espiritual do homem – Rm 1.18-22; 2 Co 4.3,4;
Ef 2.1,5;...
d) Pecado é o não cumprimento dos padrões que Deus estabeleceu nas Escrituras – 1 Sm 15.23; Mt 5.48; 6.2,5,16; Ef 5.1; Tg 2.10,11.

6) A Fonte do Pecado
a) Várias fontes (filósofos)
- A natureza animalesca do homem
- A ansiedade causada entre o querer e as limitações próprias da natureza humana
- A alienação existencial de Deus
- A competitividade provocada pelo individualismo do ser humano
b) O Ensino Bíblico
- Desejo de desfrutar das coisas (concupiscência da carne) – Gn 3.6; 1 Jo 2.16
- Desejo de obter as coisas (concupiscência dos olhos) Gn 3.6; 1 Jo 2.16
- Desejo de fazer as coisas (soberba da vida) Gn 3.6; 1 Jo 2.16

7) As conseqüências do Pecado
a) Que afetam o relacionamento do homem com Deus
- Desfavor divino
A. T. - Sl 5.5; 11.5; Os 9.15; Jr 12.8 (Deus se aborrece com o pecado)
- Pv 6.16,17; Zc 8.17 (Deus odeia a iniqüidade)
N. T. – Rm 8.7; Cl 1.21; Tg 4.4 (inimizade contra Deus)
- Jo 3.36; Rm 1.18; 2.5 (A ira de Deus futura)
- Culpa (o homem tornou-se culpado por ter violado o propósito de Deus para a humanidade, e assim estar sujeito à punição) Ed 9.6; 2 Cr 28.13; Tg 2.10
- Punição (justiça retributiva – Deus punirá o pecador impenitente; Deus puniu o seu Filho pelos pecados dos eleitos)
A. T. - Is 1.24; 6.1,2,34; Jr 46.10; Ez 25.14; Sl 94.1;…
N. T. - Rm 12.19; Hb 10.30;...
- Morte (Separação)
. Espiritual (separação do homem de Deus) – Mt 8.22; Lc 9.60; Jo 5.24,25; Ef 2.1,5; Cl 2.13;...
. Física (separação da parte material do homem da imaterial) – Gn 3.19; 35.18; Ec 12.7;
Tg 2.26;...
. Eterna (eterna separação de Deus) – Sl 9.17; Mt 25.41-46; 2 Ts 1.7-9; Ap 20.14;...
b) Que afetam o próprio pecador
- Escravidão – Jo 8.34; Rm 6.17; 8.2; Cl 1.13;...
- Inquietação – Sl 32.3,4; Is 48.22;...
- Confusão espiritual (negação do pecado) – Sl 14.1; Pv 10.23; 14.9;...
- Egocentrismo – Mt 20.21; Mc 10.35-37; 2 Tm 3.2;...
c) Que afetam o seu relacionamento com o próximo
- Competição – 1 Co 3.3; Tg 4.1,2;...
- Antipatia – Rm 12.16; Fp 2.3-5;...
- Rejeição da autoridade – Tt 3.1; 1 Pe 2.13; Jd 8;...
- Incapacidade de amar – 2 Tm 3.3; 1 Jo 4.8

8) A Extensão do Pecado (toda a raça humana é pecadora)
a) O ensino do A. T. – Gn 6.5; 8.21; 1 Rs 8.46; Sl 143.2; Ec 7.20; Is 53.6;...
b) O ensino do N. T. - Mc 16.15,16; Lc 24.47; At 13.30,31;Rm 3.19,23; 5.12; 6.23; Hb 9.27;...

9) A Intensidade do Pecado (o pecado atingiu toda a estrutura do ser humano – corpo e alma ou espírito)
a) O ensino do A. T. – Ex 20.17; Dt 5.21; Jr 17.9; Ez 11.9; Sl 51.5-10;...
b) O ensino do N. T. – Mt 5.21,22,27,28; 15.19,20; Rm 7.5,23;...
10) O Pecado e a Depravação Total
O pecado é um problema da pessoa como um todo. O corpo foi afetado pelo pecado – Rm 6.6,12; 7.24; 8.10,13;... A alma ou o espírito foi afetado também (razão/mente, vontade e emoções) – Rm 1.21; 2 Co 3.14,15; 4.4;... (razão e mente); Rm 1.26,2; Gl 5.24; 2 Tm 3.2-4;... (emoções); Gn 4.7; Rm 6.16,17; 7.18,19;... (vontade).
Fonte (partes): Introdução à Teologia Sistemática; Millard J. Erickson; Editora Vida Nova

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Decadência Moral (A Violência)

Neste artigo iremos enfatizar a violência que sempre foi um dos males do mundo mui especialmente nesta época em que estamos vivendo.
A violência é uma experiência da vida do homem, comum em todas as culturas, inclusive naquelas mais refinadas. Para se constatar essa verdade é só abrir os jornais do dia de qualquer cidade que, inclusive já tem até uma página policial para registrar esse fato. Constata-se isso também com facilidade através de outros meios de comunicação de massa tais como rádio, televisão, Internet, etc.
Este assunto será abordado olhando para a Bíblia porque entendemos que ela é a Palavra de Deus, a verdade absoluta, e que este assunto não lhe é estranho muito pelo contrário, nela encontramos abundante material sobre o assunto. Assim sendo, está fora de cogitação tratar esse assunto a luz das ciências sociais tais como Sociologia, Psicologia etc. e até porque este autor não é especializado nessas ciências citadas.
Antes de entrarmos no desenvolvimento do artigo é conveniente trazer ao conhecimento do leitor, um conceito de violência: "Violência é um comportamento que causa dano a outra pessoa, ser vivo ou objeto. Nega-se autonomia, integridade física ou psicológica e mesmo a vida de outro. É o uso excessivo de força, além do necessário ou esperado. O termo deriva do latim violentia (que por sua vez é amplo, é qualquer comportamento ou conjunto que deriva de vis, força, vigor); aplicação de força, vigor, contra qualquer coisa ou ente”. (Wikipédia, a enciclopédia livre).
I – A Violência é fruto da natureza corrompida do homem
Na corrupção da natureza pecaminosa do homem, motivada pelo pecado de nossos primeiros pais, está o cerne da questão que estamos abordando nesta lição. O Senhor Jesus disse que do interior do coração do homem saem toda a espécie de males, inclusive a violência. “Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura” Mc 7.21,22. Observem que dos males citados pelo Senhor, pelo menos três deles tratam da violência: homicídios, furtos e maldades.
Quando se abre a Bíblia, logo no início se percebe esse mal brotando do coração de um homem (Caim) que sem razões aparentes tirou de forma violenta a vida de seu irmão Abel. “ E falou Caim com seu irmão Abel: e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou” Gn 4.8. Ainda no livro de Gênesis nos é dito que Deus ao diagnosticar os males da humanidade antidiluviana, diagnosticou a violência como o mal maior. “Então disse Deus a Noé: O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra” Gn 6.13.
II – A Violência é o fruto predileto do egoísmo e da inveja
O egoísmo que é a vontade ou o desejo do indivíduo de querer tudo para si (bens, fama, atenção, espaço, etc) é o originador da violência. A inveja também é originadora da violência. Segundo o Dicionário de Larousse, inveja é: “Sentimento de pesar ou desgosto em face da felicidade de outrem. Desejo intenso de possuir o que é de outrem”. Um indivíduo egoísta e invejoso, com certeza, vai querer penetrar em espaços que não são seus, de querer ter coisas que pertencem a outros, etc. Veja o caso de Caim. O egoísmo e a inveja de Caim eram tão fortes que quando Deus não atentou para a sua oferta e sim para a do seu irmão Abel, sentiu-se frustrado e tornou-se violento a ponto de matar a seu irmão.
Todo ser humano é egoísta e invejoso desde o seu nascimento, por causa do pecado. Veja o caso dos gêmeos Esaú e Jacó que desde o ventre de sua mãe Rebeca já disputavam entre si. “E os filhos lutavam dentro dela; então disse: Se assim é, por que sou eu assim? E foi-se a perguntar ao Senhor” Gn 25.22. É bom esclarecer que em algumas pessoas essa faceta do caráter é mais exarcebada do que em outras pessoas.
Olhando ainda para as Sagradas Escrituras, encontramos um homem chamado Lameque que se vangloriava do seu egoísmo; “E disse Lameque as suas mulheres: Ada e Zilá, ouvi vós; vós, mulheres de Lameque, escutai o meu dito: porque eu matei um varão por me ferir, e um mancebo por me pisar. Porque sete vezes Caim será vingado; mas Lameque setenta vezes sete” Gn 4.23,24. Observem os irmãos que o egoísmo desse homem era tão exarcebado que matou um jovem porque o pisou, acredito até que o pisou involuntariamente. Observem também o tamanho do eu daquele cidadão quando disse que a vingança pela sua morte seria dez vezes maior do que a vingança pela morte de Caim. No Novo Testamento, Paulo também falou sobre esse mal na vida do um homem quando disse que todos buscavam só o que era seu e não o que era de Cristo Jesus. (Fp 2.21). Veja também o caso de Acabe que desejou fortemente ter a posse da vinha de Nabote, a ponto de instigado por sua mulher Jesabel, maquinar a morte daquele homem para ficar com a sua vinha (1 Rs 21.1-16).
III – A Violência é uma agressão a um princípio estabelecido por Deus
Quando Deus fez o homem o fez com um profundo sentimento de liberdade e ao fazê-lo estabeleceu um princípio que ninguém está autorizado a entrar nele sob pena de está cometendo uma violência, sendo este principio o principio da liberdade individual. Quando esse limite é ultrapassado está se invadindo uma privacidade que só a pessoa e a Deus pertence e só esses dois tem o direito de usufruir. A sabedoria popular corrobora inconscientemente esse principio estabelecido por Deus quando diz: “o seu direito vai até aonde começa o meu”.
Somente Deus como Criador é que tem o direito de entrar na área de liberdade de cada individuo, pois a Bíblia diz que é Ele quem dá a vida e a tira quando achar conveniente. “O Senhor é o que tira a ida e a dá: faz descer a sepultura e faz tornar a subi dela” 1 Sm 2.6. “... o Senhor o deu e o Senhor o tomou;...” 1.21. Quando um individuo usando de violência mata alguém está entrando numa area que só pertence a outrem e a Deus, que é a liberdade de dispor da sua vida. Quando alguém rouba está entrando também na área que não é a sua pois estamos algo que pertence a outrem.
Buscando nas Escrituras luz sobre o assunto, vemos, por exemplo alguns exemplos negativos de pessoas que invadiram a liberdade de outrem e cometeram violência que teve um desdobramento extremamente ruim para todos os envolvidos. O primeiro caso que citaremos foi o estrupo de Tamar filha de Davi pelo seu meio irmão Amom. Esse jovem príncipe pôs os olhos em sua meia irmã e arquitetou um plano para forçá-la sexualmente. Conseguiu o seu intento mas o seu próprio meio irmão Absalão o matou traiçoeiramente, vingando assim o ultraje a sua irmã. (2 Sm 13.1-36). Outro caso semelhante a esse foi o estupro da filha de Jacó, Diná que foi forçada também sexualmente por um jovem príncipe chamado Siquem de um dos povos que habitavam Canaã na época. Também essa invasão a privacidade de Diná foi um ato de violência que teve uma resposta a altura pelos irmãos de Diná, Semeão e Levi (Gn 34.1-31).
Analisando esses dois casos a luz do principio da liberdade de Tamar e de Diná, invadidas por Amom e Siquém respectivamente, descobrimos que essas moças não queriam o relacionamento sexual, mas Amom e Siquém, sendo mais fortes fisicamente do que elas, as forçaram. Ao fazer isso esses dois jovens entraram numa área que não tinham nenhum direito de fazê-los.
IV – A Violência que é pecado é punida por Deus
A Bíblia condena veementemente a violência em todas as suas manifestações, principalmente, quando se trata da violência na sua expressão maior, que é o assassinato, o roubo, o estupro, o seqüestro, etc. No Decálogo encontramos dois mandamentos proibindo o uso da violência contra outra pessoa, que são o sexto e o oitavo mandamentos, respectivamente “Não matarás” e “Não furtarás”. A punição para quem matasse alguém de forma dolosa era a morte sumária e sem apelação. “Quem ferir alguém, que morra, ele também certamente morrerá” Ex 21.12. Havia só um atenuante se a morte fosse por caso fortuito e não premeditada (Ex 21.13). Quem roubasse alguém teria que restituir ao seu dono o que roubara (Ex 22.1). O seqüestro também era punido com a morte. “E quem furtar algum homem, e o vender, ou for achado na sua mão, certamente morrerá” Ex 21.16.
Voltando para o mundo antigo quando Deus o puniu com o dilúvio, observamos que foi principalmente por causa da violência que tanto afligira a Deus que Ele decidiu destruir todos os seres humanos poupando, por graça e misericórdia, a família de Noé, preservando-a da destruição. (Gn 6.13-22). Sodoma e Gomorra, duas cidades de Canaã, também foram destruídas por causa dos seus pecados, dentre eles o pecado da violência como se percebe no costume de seus habitantes principalmente de Sodoma de violar sexualmente com práticas homossexuais os estrangeiros que peregrinavam nelas (Gn 19.1-9). O próprio povo de Deus, do Reino de Judá, foi punido severamente por causa da prática da violência. “E, na verdade, conforme o mandado do Senhor, assim sucedeu a Judá, que a tirou de diante da sua face, por causa dos pecados de Manassés, conforme tudo o que fizera. Como também por causa do sangue inocente que derramou, enchendo a Jerusalém de sangue inocente: e por isso o Senhor não quis perdoar” 2 Rs 24.3,4.
V – A solução para o problema da violência
Vimos num dos itens deste artigo que a violência é fruto da natureza corrompida do homem e que ela tem sua origem no pecado de egoísmo do homem. Para esse e outros males o remédio eficaz é o Evangelho de Cristo, pois ele é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crer. (Rm 1.16,17). Quando o Evangelho penetra no coração de um homem, o Espírito Santo o transforma numa nova criatura, num filho de Deus, gerando em sua alma novos propósitos, novos ideais. Vejamos o caso de Moisés que na sua juventude era violento pois matara um egípcio porque espancara um judeu (Ex 2.11,12. Depois da experiência transformadora da sarça ardente, em que fora alcançado pela graça de Deus, Moisés tornou-se um homem extremamente pacato a ponto da Bíblia testemunhar que ele era o homem mais manso da face da terra (Nm 12.3). Vejamos o caso de Saulo de Tarso feroz perseguidor da Igreja do Senhor, mas que fora alcançado pela graça divina que o transformou noutro homem gerando no seu coração a vontade de pregar a fé que outrora destruía. (At 9.1-8; Gl 1.23).
Outra prova evidente de que o Evangelho transforma as vidas é que é muito difícil encontrar um crente genuíno num presídio seja lá onde for por causa da prática da violência. Pode-se até encontrar crentes em presídios mas eles foram convertidos dentre deles ou em caso de prisão por causa do Evangelho, o que acontece em países em que é proibido pregar a mensagem de Deus.
Conclusão
Vimos neste artigo que a violência é dos males que tem acompanhado o homem desde a sua queda. Foi-nos mostrado ainda que a violência tem a sua causa motriz o egoísmo e a inveja. Ainda vimos que mesmo que a sociedade faça campanhas e mais campanhas contra o álcool, o tabagismo, as drogas, a prostituição infantil, e outros males sociais, e que invista no aparelho policial e que tenha políticas sociais que venham a minimizar os males da sociedade a solução definitiva contra a violência é somente através da aceitação e da crença na mensagem salvadora do Evangelho de Cristo, pois essa a única mensagem que transforma o ser humano numa nova criatura.
É bom também observar e enfatizar que a violência não é só as citadas aqui, mas que existe aquelas pequenas violências perpetradas nos lares, no trabalho e até infelizmente nas igrejas, como por exemplo, violência verbal, censura sem caridade, etc.
Permita Deus que o Evangelho cresça e alcance muitas vidas transformando-as. Permita ainda Deus que os crentes sejam cheios do Espírito Santo e tenham o fruto do Espírito no que se refere ao domínio próprio.

Decadência Moral (Corrupção)

Introdução
Neste artigo iremos tratar de um importante assunto revelado nas Sagradas Escrituras e observado no cotidiano da vida do homem sobre a face da terra que é a decadência moral. Ainda neste artigo será enfocado um aspecto da decadência moral do ser humano que é a corrupção.
Segundo o Dicionário de Aurélio, decadência significa “estado daquele ou daquilo que decai; declínio, crespúculo. Segundo esse mesmo Dicionário, corrupção significa “ato ou efeito de corromper; decomposição. Devassidão, depravação. Suborno, peita; Ainda de acordo com esse Dicionário corromper significa: Deteriorar, decompor, alterar, perverter, induzi a realizar ato contrário ao dever, à ética, apodrecer, adulterar-se,... Os significados identificados acima nos dão a idéia clara desse mal no homem, de como ele desceu da posição em que foi criado por Deus.
Devido à importância do assunto, convido ao leitor a seguir os passos identificados nesta lição, relacionados a esse assunto, principalmente olhando para as Escrituras e extrair o que Deus revelou nelas sobre a corrupção.
I – O Homem foi criado puro
Tentando dá um encadeamento lógico ao assunto objeto deste artigo, abordaremos primeiro o estado original do homem, quando saiu das mãos de Deus. A Bíblia nos revela que Deus ao criar o homem o fez a sua imagem e a sua semelhança (Gn 1.26,27). Diz ainda as Sagradas Escrituras que tudo o que Deus fez foi bem feito, perfeito. “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom: ...” Gn 1.31. No livro de Eclesiastes, a doutrina da pureza do homem na criação original é confirmada, pois, o sábio Salomão, inspirado pelo Espírito Santo, disse que Deus fez o homem reto, mas, ele buscou muitas invenções. “Vede, isto tão-somente achei: que Deus fez ao homem reto, mas eles buscaram muitas invenções” Ec 7.29. Considerando os textos citados concluímos dizendo que o homem foi criado num estado de perfeição e que a corrupção que se instalou em sua natureza foi algo posterior a criação original, pois a Bíblia nos revela que tudo o que saiu das mãos de Deus na criação, especialmente o homem, foi num estado de perfeição, sem pecado, sem corrupção.
II – O Pecado corrompeu a natureza do homem
É necessário voltar ao Édem para explicar o estado corrupto do ser humano a partir da sua desobediência a Deus. A Bíblia nos diz que Deus quando criou ao homem o criou com capacidade de escolher, de livre arbítrio, além de criá-lo puro, perfeito. Dizem-nos as Escrituras que Deus deu uma ordem ao homem para que não comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois, disse Deus, que no dia em que a comesse certamente morreria (Gn 2.16,17). Infelizmente Adão não conseguiu obedecer a Deus e comeu do fruto proibido, pecando contra o Senhor, e caindo do estado de graça em que tinha sido criado. Ao pecar Adão, imediatamente a corrupção se instalou em sua alma, transtornando a sua natureza que era pura, perfeita. No ato de pecar, de transgredir a ordem de Deus, a corrupção invadiu o seu ser, afetando os seus sentimentos, a sua vontade e a sua inteligência, ou seja, toda a sua personalidade. Isso é tão verdade que o próprio Deus testemunhou da corrupção da natureza humana, quando disse que a imaginação do homem é só má desde a sua meninice. “... porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice...” Gn 8.21.
O pior de tudo é que a natureza corrompida de Adão é transmitida de pai para filho, fazendo com que toda a humanidade seja considerada por Deus corrupta e depravada, precisando ser regenerada pelo Espírito Santo para poder ter comunhão com Ele. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” Rm 3.23. “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” Rm 5.12.
O pecado cometido por Adão não só trouxe sobre si e sobre os seus descendentes a morte, mas também a corrupção, a deformação da imagem de Deus, a depravação.
III – A Alma é a sede da corrupção
Segundo as Escrituras, na constituição da natureza humana encontram-se duas partes: uma material ou física (o corpo) e a outra imaterial ou espiritual (a alma ou o espírito). A alma ou o espírito expressa-se através do corpo. Quando a alma sai do corpo o individuo morre. Diz a Bíblia que Raquel, esposa de Jacó morreu, porque lhe saiu a alma (Gn 35.18). Tiago disse em sua epístola que um corpo sem o espírito está morto (Tg 2.26).
A alma tem três faculdades: inteligência, vontade e emoções. O corpo como disse alguém é o mero invólucro da alma, pois ela se expressa através dele. Quando Paulo diz que na sua carne não habitava bem algum (Rm 7.18) ele não estava se referindo especificamente aos nervos, tecidos e órgãos que compunham o seu corpo e sim a sua alma, a sua natureza pecaminosa, corrompida pelo pecado. Ele, sábio teólogo que era, compreendia que a raiz do problema residia na sua alma e não especificamente no seu corpo. Comentando Romanos 7.5,6, Dr. William Hendriksen disse: “A expressão “quando estávamos na carne” significa “quando basicamente éramos governados por nossa natureza humana pecaminosa” ... “Embora estas e paixões semelhantes pertençam ao coração e mente de uma pessoa, elas se expressam fisicamente...”. A Igreja Romana na sua doutrina, equivocadamente, ao longo da história, confundiu o problema da raiz do mal do homem deslocando o eixo da sua alma para o seu corpo, daí as flagelações e as penitências para mortificar o corpo, tão incentivadas por ela, tinham a finalidade de evitar o pecado.
Apesar do corpo também ter sido atingido pelo pecado, e a corrupção se expressar através dele como diremos a seguir, é na alma do homem que reside o problema, pois assim declarou o Senhor Jesus quando rebateu a acusação dos fariseus que censuravam os seus discípulos por comerem sem lavar as mãos. O Senhor Jesus disse que do coração do homem procedia tudo o que não presta aos olhos de Deus. “O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca isso é o que contamina o homem” Mt 15.11. “Mas o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias” Mt 15.18,19. ( Veja ainda Mc 7.20-23; Gn 7.21). Quando o Senhor Jesus fala sobre o coração ele está usando uma linguagem figurada, ele está se referindo a alma e não ao órgão que bombeia o sangue para fazê-lo circular no corpo humano, pois se fosse assim apenas um transplante colocando um coração artificial resolveria o problema do pecado e não haveria necessidade da obra redentora de Cristo.
IV – A Corrupção se exterioriza através do corpo
Dissemos no item anterior que o corpo é o invólucro da alma. Dissemos também que o corpo sem a alma habitando dentro dele está morto e a tendência natural é decompor-se no pó da terra.
No seu plano eterno o Criador proveu para a alma, a partícula imortal do ser humano, um invólucro físico que é o seu corpo. O texto sagrado de Gênesis nos diz que Deus fez primeiro o corpo e depois soprou nele o fôlego de vida e o homem tornou-se alma vivente, ou seja, Deus colocou através do seu sopro a alma dentro do corpo e o homem viveu. (Gn 2.7).
Sendo a alma a partícula espiritual do homem e a sede da corrupção ela se expressa através do corpo, tanto em direção ao bem como ao mal. Vejamos o que a Bíblia de Genebra, num breve comentário sobre Rm 7.24, nos diz sobre o assunto quando comenta a expressão “corpo desta morte”: “ou seja, o corpo físico, visto como o meio pelo qual o pecado se expressava....”. O apóstolo Paulo escreveu dizendo que num dia especialmente designado para esse fim Deus irar retribuir aos homens o bem ou mal praticado através do corpo (2 Co 5.10).
Entendemos assim que a corrupção se expressa através do corpo do homem, de suas ações. O roubo, o assassinato, o adultério, a idolatria, ... tudo se expressa através do corpo, mas a intenção é da alma.
É oportuno lembrar que o corpo também foi atingido pelo pecado, fragilizando, tornando-o mortal (Rm 6.23). Convém ainda esclarecer que apesar dessa dicotomia (corpo, alma) o homem é um ser integral aos olhos de Deus, pois no seu plano eterno os atos praticados pelo homem (a alma usando o corpo para se expressar) são de responsabilidade do indivíduo como um todo e não só de sua alma. A prova disso é a ressurreição dos mortos. Tanto o salvo como o perdido ressuscitarão num futuro escatológico. O primeiro para a bem-aventurança eterna e o último para vergonha e horror eterno (Dn 12.2; Jo 5.28). Quando se fala em ressurreição deve se entender que a alma reassumirá o corpo em que viveu neste mundo, evidentemente que com outras propriedades, para habilitá-lo para a eternidade (corpo glorioso ou corpo especial) a fim de poder gozar da felicidade eterna ou sofrer o castigo eterno, dependendo da atitude tomada em relação ao Evangelho de Cristo neste mundo.
Tentar mortificar o corpo ou mesmo mutilá-lo sem tratar com a alma espiritualmente não vai se resolver o problema, porque mesmo com o seu corpo mutilado, sem mãos ou pés, mudo, cego ou surdo o homem continua perverso, mal e depravado diante de Deus, e, se, se não tivesse essas limitações elas iriam se expressar, com certeza, através do seu corpo.
V - O Remédio para a corrupção do homem
Quando o corpo do homem enquanto com vida se apresenta com problema temos médicos e remédios para curá-lo. Isso é a área da medicina e da farmacologia. Quando há distúrbios na mente, os psicólogos e psiquiatras entram em ação até certo ponto, pois os problemas psicológicos e psiquiátricos são distúrbios da alma. A ação dos psicólogos e psiquiatras é extremamente limitada, pois apesar de suas técnicas e drogas utilizadas só alcançam uma pequena parte do problema. As questões maiores, principalmente a deformação do caráter do homem por causa do pecado, só pode ser resolvido, definitivamente, pela benção do Evangelho de Cristo, pois o Evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16,17). Diz ainda a Bíblia que o Evangelho de Cristo pode salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus (Hb 7.25). A proposta do Evangelho de Cristo atinge o âmago da questão da corrupção, tanto da alma como do seu invólucro, o corpo. Para um grande mal o maior e o melhor de todos os remédios.
A Bíblia nos revela que o Evangelho regenera o homem (Tt 3.4-6), transforma-o em uma nova criatura (2 Co 5.17), o faz nascer de novo (Jo 3.3-8), enfim restaura nele a imagem de Deus. Veja o caso de Zaqueu (Lc 19.1-10) e o de Saulo de Tarso (At 9.1-6), como exemplos de transformação de vidas pelo poder do Evangelho de Cristo.
A morte e a ressurreição de Cristo, que são os pilares do Evangelho, é o único remédio para o mal da corrupção do homem e o homem para ser curado, precisa aceitar a Jesus como Salvador e crer nele.
Investir em educação, moradia, segurança, cultura, são apenas paliativos para a solução do problema da corrupção do coração do homem. Só Deus é capaz de operar esse milagre, de gerar de novo ou regenerar o pobre homem pecador, corrompido pelo pecado, fazendo-o um novo homem que não anda mais segundo a carne, mas, segundo o Espírito.
Conclusão
Neste artigo aprendemos que Deus criou o homem puro, sem pecado e que a corrupção é um mal que alcançou o homem a partir da sua queda no Édem quando nossos primeiros pais desobedeceram a Deus. Vimos também que antes da queda o homem estava livre da corrupção, mas quando a queda aconteceu, ele tornou-se depravado, corrupto. Vimos ainda que a alma, a partícula espiritual do homem é a sede da corrupção. Vimos também que a corrupção se expressa através do corpo e que só o Evangelho de Cristo é a solução para o problema desse terrível mal.
Permita Deus que todos os que vierem a ler este artigo já tenham sido alcançados com a benção do Evangelho de Cristo. Permita ainda Deus que os crentes vivam o Evangelho em sua plenitude, gozando de suas bênçãos e vivendo vitoriosamente em Cristo Jesus.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

O Pecado da Maledicência


Na última mensagem que entregamos a Igreja falamos sobre as coisas que agradam a Deus e aquelas que não lhe agradam, mensagem esta baseada no texto de Mateus 9.1-8. Dissemos, na ocasião, que as coisas que agradam a Deus nesse texto, são: 1) Os crentes levarem pessoas para Jesus; 2) Deus contemplar no coração do homem a fé; 3) Deus dispensar o seu perdão a quem precisa dele; 4) Deus libertar os cativos de qualquer mal que lhe aflige; 5) Deus ser glorificado pelas ações daqueles que lhe pertencem. Dissemos ainda que nesse texto encontram-se três coisas que não agradam a Deus: 1) Comentários maldosos; 2) Contemplar o mal no coração do homem; 3) A incredulidade.
Carregamos com palavras fortes a questão daquilo que desagrada a Deus principalmente no item 1 – comentários maldosos. O texto diz que quando o Senhor Jesus dispensou o perdão para o paralítico, o coro entre os líderes religiosos de Israel (os escribas) foi: “ele blasfema”. Jesus os censurou prontamente repreendendo a maldade de seus corações, com a expressão: “por que pensais mal em vossos corações?”
Amados a atitude maldosa dos religiosos da época de estarem espiando a vida do Senhor, as suas palavra e os seus atos parece-se com aquilo que temos observado, infelizmente, no meio do povo de Deus da atualidade: irmãos julgando os outros irmãos e falando mal deles.
A Bíblia censura fortemente aqueles que se dizem crentes e vivem julgando os outros e falando mal deles. “Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão, e julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; e, se julgas a lei, já não és observador da lei, mas juiz. Há só um legislador e um juiz que pode salvar e destruir. Tu, porém, quem és, que julgas a outrem? Tg 4.11,12. No livro de Provérbios 6.16-19, encontramos seis coisas que não agradam a Deus, e uma sétima que Ele ABOMINA: “o que semeia contendas entre irmãos”. A Bíblia diz ainda que o pecado da língua é mais difícil de vencer do que qualquer outro. “Mas nenhum homem pode dominar a língua. É um mal que se não pode refrear; está cheia de peçonha mortal. Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede benção e maldição...” Tg 3.8-10.
Diante do exposto, tenhamos cuidado com os nossos comentários sobre os nossos irmãos na fé. Não falemos mal uns dos outros, não teçamos comentários maldosos, não denigramos a imagem de quem quer que seja. Se, porventura, observarmos alguma atitude de um de nossos irmãos em Cristo que, ao nosso ver, seja repreensível oremos por ele e sigamos o que Paulo disse em Gálatas 6.1-3. Lembremo-nos do episódio da mulher adúltera que foi acusada pelos santarrões da época achando que eram menos pecadores do que ela. Lembremo-nos de que Jesus disse que aquele que não tivesse pecado, atirasse a primeira pedra (Jo 8.1-11).
Se quisermos que Deus opere com poder em nosso meio, faz-se necessário que aqueles que têm dificuldade de controlar a língua se humilhem diante de Deus e peçam perdão por esse pecado, que tanto tem entristecido o Espírito Santo e causado males aos outros. Vigiemos e oremos como Davi: “Põe, ó Senhor, um guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios” Sl 141.3.

sábado, 19 de julho de 2008

Pecadinho, Pecado, Pecadão?


Muita gente acha que existe uma gradação quando se trata do pecado, ou seja, existem pecados pequeninhos, pecados mais ou menos e pecados graves, mas não é isto que as Sagradas Escrituras nos ensinam. Na Teologia encontramos uma definição de pecado que, a nosso ver, está em consonância com as Escrituras: “Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus ou a transgressão dessa lei”. Observem que nesse conceito uma palavra se destaca para aquilo que queremos mostrar que é a palavra “qualquer”. Para Deus a desobediência a qualquer de seus mandamentos constitui-se pecado. Seja matar, roubar, adulterar ou a não obediência da mulher ao seu marido ou ainda a não obediência dos filhos aos seus pais. É tão grave aos olhos de Deus a pessoa tomar o nome de Deus em vão como falar mal de seu irmão ou ainda deixar de fazer aquilo que Deus ordenou em sua Palavra como, por exemplo, pregar o Evangelho, ser cheio do Espírito Santo,...

Considerando a santidade de Deus, a sua pureza plena, qualquer coisa que pensamos, praticamos ou deixamos de fazer que vá de encontro a Sua Palavra isto é uma afronta ao caráter santo de Deus. “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a vexação não podes contemplar” Hc 1.13

No Antigo Testamento, certos pecados eram punidos com a morte como, por exemplo, matar alguém, adulterar, profanar o sábado, blasfemar do nome de Deus, etc., Não se punia com a morte os pecados de roubar, de não entregar o dízimo do Senhor, casar-se com estrangeiras, etc., não porque fosse espiritualmente menos grave do que os outros, pois, espiritualmente, pecado sempre foi pecado e uma vez cometido gera a morte (Tg 1.15). Para Deus tudo aquilo que vá de encontro a sua Palavra, fere a sua santidade, magoa o seu coração, constitui-se grave pecado aos seus olhos.

A pena máxima visava purificar o povo de Israel e facilitar a sua convivência com Deus e de uns com os outros. Convém também explicar o tal pecado para a morte que a Bíblia diz que não orássemos por ele (1 Jo 5.16). Esse tipo de pecado é cometido pelo falso crente, por aquele que abandona a fé cristã, por aquele que ainda está morto espiritualmente. Há ainda o pecado que não tem perdão, a blasfêmia contra o Espírito Santo (Mt 12.31,32). Esse pecado é a resistência do ímpio à ação do Espírito, que quer levá-lo a fé em Cristo, é a recusa deliberada do indivíduo em acreditar que Jesus é o Salvador, desprezando assim aquilo que é mais caro aos olhos de Deus.

Pensemos, agora, irmãos, um pouco naquilo que aparentemente são pequenos deslizes, mas, que são pecados e entristecem ao Espírito Santo, como por exemplo: a língua ferina, a avareza, a prepotência, não respeitar os ministros do Senhor, tratar os outros mal, guardar ira no coração, não entregar corretamente o dízimo do Senhor, não consagrar a vida a obra de Deus, etc. Isso tudo se constitui pecado e impede uma ação poderosa de Deus no meio da Igreja. São essas e outras as “raposinhas” que destroem a vinha do Senhor.

Simão, o mágico (At 8.9-13) No relato do texto em apreço, nos é apresentada a figura de um homem famoso na cidade de Samaria, onde De...