segunda-feira, 26 de março de 2012

As Virtudes do Salvador


        Segundo o Dicionário de Língua Portuguesa Larousse, a palavra virtude significa entre outras coisas “disposição constante de praticar o bem e evitar o mal”.
       Olhando para o ministério do Senhor Jesus Cristo podemos constatar que Ele era uma pessoa altamente virtuosa, pois viveu fazendo o bem e curando os oprimidos do diabo. Na sua ministração a Cornélio, o apóstolo Pedro resumiu o ministério público de Jesus nestas palavras: “como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” At 10.38.
         Pedro, em sua primeira epístola, enfatiza os qualificativos da Igreja do Senhor, dizendo que ela é a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, e o povo de propriedade exclusiva de Deus. O apóstolo do Senhor citado, em seguida, mostra a essência do ministério da Igreja que é anunciar as virtudes do Senhor Jesus Cristo, daquele que libertou a Igreja das trevas e a transportou para o Reino da luz. “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” 1 Pe 2.9.
         De forma resumida podemos identificar em Jesus as seguintes virtudes: 
1) Virtude salvadora - Somente Jesus pode salvar o pecador da perdição eterna que é a consequência natural do pecado. Ele pagou o preço da nossa eterna redenção com o derramar do seu precioso sangue. “em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados;” Cl 1.14. “... mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” Hb 9.12.  
2) Virtude protetora – A Bíblia revela que os crentes em Cristo foram salvos da perdição eterna pelos méritos de Cristo. Ela nos diz também que o crente foi adotado por Deus como seu filho. “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” Jo 1.12,13.  Quando a pessoa se torna filho de Deus, começa aí a ação protetora do Senhor para com aqueles que lhe pertencem. “Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei. E, assim, com confiança, ousemos dizer: O Senhor é o meu ajudador, e não temerei o que me possa fazer o homem” Hb 13.5,6. 
 3) Virtude provedora -  Deus, através de Cristo, é o provedor do seu povo. Ele é o provedor das coisas espirituais e também das materiais. “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”. Ef 1.3. “Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos? (Porque todas essas coisas os gentios procuram.) Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas; Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” Mt 6.31-33.
        O Senhor Jesus, como foi visto acima, é o nosso Salvador, nosso Protetor e também nosso Provedor. Assim sendo, devemos ser eternamente gratos a Ele por tudo o que fez, está fazendo e vai fazer por nós. Consagremos a nossa vida a esse grande Senhor e O sirvamos de todo o nosso coração, procurando em tudo fazer a sua vontade, pois essa vontade é boa, perfeita e agradável conforme Paulo revela em Rm 12.2. Assim fazendo, iremos, com certeza agradar ao nosso Senhor.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti  

segunda-feira, 19 de março de 2012

Separados para Deus


   Dentre as peças componentes da indumentária sacerdotal (sumo sacerdote) tinha uma lâmina de ouro que era colocada na fronte do ministro do Senhor onde estava escrito em hebraico “santidade ao Senhor”. Aquela lâmina queria dizer que aquela pessoa que a usava era uma pessoa separada (santa) para uso exclusivo do Senhor. Era uma pessoa separada por Deus para servir ao Senhor como seu ministro, na obra da Casa do Senhor. “Também farás uma lâmina de ouro puro, e nela gravarás à maneira de gravuras de selos: Santidade ao Senhor” Ex 28.36.     
    No contexto da antiga dispensação, os sacerdotes israelitas eram da família de Arão, da tribo de Levi. Só esses homens separados por Deus podiam servi-Lo dentro do santuário. A nenhuma outra pessoa esse privilégio fora dado em Israel. “E ninguém toma para si essa honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão.” Hb 5.4.
       Os crentes em Cristo, na Nova Aliança, foram constituídos por Deus, indistintamente, sacerdotes espirituais, separados para servir a Deus na Sua  Igreja. “... Àquele que nos ama, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai, a ele, glória e poder para todo o sempre. Amém!” Ap 1.5,6. (Veja ainda Ap 5.10).
      Pedro, apóstolo, falando sobre os qualificativos da Igreja nos disse que ela era, dentre outras coisas, um sacerdócio real (1 Pe 2.9). Ainda explorando o assunto, esse apóstolo disse: “vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” 1 Pe 2.5.
     Observem os irmãos que esse qualificativo não foi dado a Igreja para a sua ostentação, ou para a sua vanglória. Não, não foi para isso. A Igreja foi constituída sacerdócio espiritual, para o serviço na casa do Senhor. Tanto o texto de 1 Pe 2.5 quanto o de Hb 13.15, esse último complementando o primeiro, nos dizem que a deferência da parte de Deus para nós de sermos sacerdotes espirituais visa o serviço. “... para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo”. 1 Pe 2.5. “Portanto, ofereçamos sempre, por ele, a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” Hb 13.15.
      A igreja local é a instituição que foi destinada por Deus para abrigar a expressão universal da Igreja, e para que, através dela, o serviço fosse prestado ao Senhor. Paulo escrevendo a Igreja local de Éfeso disse que pelo ministério da Igreja, a multiforme sabedoria de Deus seria conhecida dos principados e potestades (Ef 3.10).
      Considerando que o crente em Cristo foi separado por Deus para servi-Lo com exclusividade, e que esse serviço deve se expressar através do ministério da Igreja local, alertamos a todos os irmãos membros e congregados da nossa Igreja a  se engajarem no seu ministério, a se dedicarem a ele, de acordo com os dons dados pelo Espirito Santo, através dos quais glorificamos a Deus.
      Assim fazendo, estamos, como sacerdotes espirituais que somos, separados para o uso exclusivo do Senhor, nos desincumbindo da nossa responsabilidade.
      Lembremo-nos ainda, que o serviço que se deve prestar a Deus deve ser com qualidade, e também que isso deve ser prioridade em nossas vidas.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
        

sábado, 3 de março de 2012

O Perigo do ressentimento


     Segundo o Dicionário da língua portuguesa Larousse, ressentimento é “magoa que se guarda de uma ofensa; rancor”.
  A Bíblia diz que tudo o que foi escrito para o nosso ensino foi escrito (Rm 15.4). Assim sendo iremos enfatizar nesta reflexão um episódio que fala do resultado danoso do ressentimento que perdurou durante várias gerações, no caso o que envolveu o relacionamento dos descendentes de Esaú e os do seu irmão Jacó. O episódio relatado pela Bíblia remonta ao período patriarca, a época de Isaque filho de Abraão. Deus soberanamente já tinha definido que do ventre de Rebeca, esposa de Isaque, iria ser gerada duas nações correspondente aos gêmeos que estavam no seu ventre. Deus tinha revelado a Rebeca que o maior serviria ao menor, ou seja, o primeiro que nascesse que fora Esaú, iria, ao longo da historia, servir ao seu irmão Jacó que nascera agarrado ao seu calcanhar. No desdobramento do drama, Jacó aproveita-se da fraqueza de seu irmão Esaú e lhe compra, por um prato de comida, o direito de sua primogenitura. No final da vida de Isaque, que já estava cego, Rebeca e Jacó, seu filho, uniram-se para enganar o velho patriarca, e usando de um expediente eticamente incorreto tomou a benção destinada a Esaú.
   Esse episódio trouxe um profundo ressentimento ao coração de Esaú que resolveu matar seu irmão Jacó assim que seu pai Isaque falecesse, sendo esse proposito frustrado pelos desígnios de Deus.  
  O ressentimento de Esaú, apesar da paz celebrada entre ele e Jacó, passou para o coração de seus descendentes (os edomitas) que em diversos momentos da história de Israel se aliou aos inimigos históricos do povo de Deus. Isso se tornou tão ostensivo que o Senhor usou alguns de seus profetas para trazer uma mensagem de juízo sobre os descendentes de Esaú. (Leia o livro de Obadias e também Jeremias 49.7-22). Olhando para os textos citados, observamos que o ressentimento desaguou em ações de violência contra o povo de Deus.
   Contextualizando a mensagem do drama passado, alertamos a todos a não guardarem no coração ressentimento de ninguém, por mais grave que tenha sido a ofensa, pois o ressentimento, segundo o que se extrai do episódio citado, gerou o ódio e o ódio gerou ações de violência e as ações de violência tiveram uma resposta vingativa da parte de Deus.
   Considerando o estrago que o ressentimento pode causar na vida do cristão, ele não deve, por hipótese alguma acalentar esse sentimento pecaminoso no coração, sob pena de está estragando a sua vida e a de outros.
  O remédio que a santa Palavra de Deus nos apresenta para a vitória sobre o ressentimento no coração é o exercício do perdão, que devemos dispensar aos nossos ofensores, e deixar que Deus faça as devidas retribuições, pois Ele não autorizou ninguém a se vingar a si mesmo. “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira (de Deus), porque está escrito: Minha é a vingança eu recompensarei, diz o Senhor” Rm 12.19.
  O perdão, amados, é o segredo da vitória para esse grande mal, principalmente para os componentes da família de Deus. “Suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra outro; assim como o Senhor vos perdoou, assim fazei vós também” Cl 3.13.                    
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti