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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Amém

Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual  foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.
      O Credo  Apostólico termina com uma declaração que fecha todo o conjunto de declarações, que é AMÉM.
     A palavra AMÉM é de origem hebraica e transliterada para o grego (hebraico e grego são línguas nas quais foram escritas as Sagradas Escrituras) e para a nossa língua. Esta palavra tem diversos significado dentre eles aquele que diz “é verdade” ou “assim seja”.
    No Antigo Testamento a palavra AMÉM é empregada para afirmar uma adesão a uma expressão, a uma aceitação de uma missão, para ratificar um compromisso, para a conclusão de uma oração ou de uma doxologia (expressão de adoração a Deus). No Novo Testamento significa uma aclamação no culto que indica uma adesão àquilo que foi dito ou conclusão de uma doxologia. Esta expressão foi usada por Jesus em diversas ocasiões para reforçar uma afirmação sua (em verdade, em verdade vos digo). A palavra ainda refere-se no Novo Testamento a  concordância à uma oração feita por um ministro do evangelho ou pela comunidade de crentes.
    Merece especial destaque o uso desta palavra com a qual é nomeado o Senhor Jesus em Apocalipse 3.14 “E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus” Ap 3.14. Neste texto a palavra AMÉM significa que Jesus é a verdade absoluta e que tudo que ele falou é verdadeiro, ou seja, o que ele falou ou já se cumpriu ou se cumprirá inexoravelmente.
      No que refere as declarações de fé do Credo Apostólico, a palavra AMÉM significa que tudo aquilo que é mencionado ali como declaração de fé é verdadeiro e aceito pelo crente como algo que é crido por ele de todo o coração.
     No que é relacionado à Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espirito Santo) as sentenças que diz “Creio em Deus Pai,  Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, e Creio no Espirito Santo”, o AMÉM quer dizer que o Deus Triúno é o único objeto verdadeiro de fé do cristão. Estamos ao dizer o AMÉM a essas declarações que estamos concordando com a revelação das Santas Escrituras sobre o assunto.
   No que se refere às outras sentenças (Creio na Santa Igreja Universal; na Comunhão dos Santos; na Remissão dos Pecados; na Ressurreição do Corpo; na Vida Eterna.), quando se profere o AMÉM estamos dizendo que as mesmas são verdadeiras, reais, conforme reveladas nas Sagradas Escrituras.
   Essa expressão ainda nos remete a questão da concordância que deve ser feita pela Igreja reunida, e que garante a resposta divina à oração. “Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” Mt 18.19,20. A presença de Jesus nas reuniões da Igreja é uma realidade como também o é a resposta que Deus dá as orações da Igreja quando há unanimidade, quando a comunidade diz AMÉM àquilo que foi apresentado a Deus em oração. É por isso que quando alguém ora, quando a comunidade está reunida, a sua oração deve ser ouvida por todos para que ela entenda e se diga a Deus “AMÉM”, ou seja, “Assim Seja”. “Doutra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto o Amém sobre a tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes?” 1 Co 14.16.
   Naquelas comunidades onde existe o costume de todos orarem ao mesmo tempo não se tem espaço para  dizer o AMÉM as orações feitas, em outras palavras, estar se perdendo a bênção do “de acordo da Igreja” a oração feita, que garante a resposta divina. Isto não quer dizer que Deus não houve a Igreja quando todos oram ao mesmo tempo, mas se perde a bênção do AMÉM que deve ser dito por ela.     
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Celebrando a Deus de forma organizada

O homem foi criado por Deus para viver para a Sua glória e para o Seu louvor. Para que isso fosse possível Deus fez o homem conforme a Sua imagem e semelhança, para que ele pudesse se relacionar com a Deidade de uma forma cultual, que Lhe fosse agradável.

Com a entrada do pecado no mundo, a Imago Dei (imagem de Deus) no homem foi deteriorada, mas não destruída totalmente. É por isso que vemos na História, as manifestações cultuais do homem em todas as culturas mesmo que, na grande maioria dos casos, equivocadas.

Graciosamente, Deus em Cristo está reconstruindo no homem crente essa imagem, até chegar a sua plenitude, para que o homem possa fazer aquilo para o qual foi criado, viver para a glória de Deus.

Quando se estar em Cristo, ou seja, nascido de novo, é que se tem condições de se viver para a glória de Deus e, consequentemente, de ser um adorador, que adora a Deus em espírito e em verdade.

O homem crente foi chamado por Deus para ser, antes de tudo, um adorador. Também é propósito do Senhor que os adoradores individuais se juntem e se organizem em Igreja, para que o propósito primeiro do Seu programa, que é a adoração (os outros são: edificação, proclamação e beneficência), seja realizado de forma comunitária.

Dentro das comunidades locais, é da intenção de Deus que aqueles a quem Ele deu dons específicos (vocalistas e instrumentistas) se organizem para que, de forma harmoniosa (conjuntos musicais e instrumentais) seja o nome do Senhor celebrado através de cânticos.

A organização de conjuntos musicais e instrumentais remonta a época do Rei Davi, que era poeta, instrumentista e cantor. Davi, pela orientação do Espírito, entendeu que o grande Deus não só deveria ser celebrado por solistas, mas também por conjuntos organizados. Ainda pelo Espírito, Davi escolheu três homens extremamente capacitados nessa área: Hemã, Jedutum e Asafe. Esses homens eram levitas e tiveram o privilegio de ter os seus filhos envolvidos nesse grandioso ministério, de celebrar ao Senhor com cânticos acompanhados de instrumentos. “E Davi, juntamente com os capitães do exército, separou para o ministério os filhos de Asafe, e de Hemã, e de Jedutum, para profetizarem com harpas, e com alaúdes, e com saltérios;...” 1 Cr 25.1. “Todos estes estavam ao lado de seu pai para o canto da Casa do Senhor, com saltérios, e alaúdes e harpas, para o ministério da Casa de Deus; e, ao lado do rei, Asafe, e Jedutum, e Hemã” 1 Cr 25.6.

Antes da época de Davi, encontramos na Bíblia a primeira manifestação de louvor a Deus por um grupo de pessoas, que foi a feita por Miriam, irmã de Moisés, que juntou algumas mulheres e com tamboris e cânticos louvou a Deus pela vitória dada a Israel, após a passagem do Mar Vermelho.

Um dos nossos conjuntos, o Getsêmani, está hoje celebrando ao Senhor pela sua organização que aconteceu há dois anos. Esse conjunto é liderado pelo irmão André Fragoso.

O Getsêmani tem sido uma benção no ministério da III IEC/JPA, e tem sempre se apresentado na casa do Senhor, conforme escala do Departamento de Louvor, com qualidade. Não temos dúvidas de que Deus tem sido glorificado e a Igreja edificada com as apresentações desse conjunto.

Parabenizamos ao Getsêmani e rogamos sobre ele as inumeráveis bênçãos de Deus.

Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Preparados para adorar melhor

Em duas ocasiões, no livro de Salmos, o salmista Davi inspirado pelo Espírito Santo disse que preparado estava o seu coração para salmodiar e cantar louvores a Deus. “Preparado está o meu coração, ó Deus, preparado está o meu coração; cantarei e salmodiarei” Sl 57.7. “Preparado está o meu coração, ó Deus; cantarei e salmodiarei com toda a minha alma” Sl 108.1. Observem que na primeira ocasião o salmista disse duas vezes que o seu coração estava preparado para louvar a Deus e na segunda ocasião ele disse que pelo fato de estar preparado o seu coração poderia adorar a Deus com toda a intensidade, com todo o seu ser.

Em outra ocasião o salmista novamente inspirado por Deus exortou aos cantores que cantassem e tocassem bem. “Louvai ao Senhor com harpa, cantai a ele com saltério de dez cordas. Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo” Sl 33.2,3.

Quando Davi organizou os conjuntos musicais para cultuarem a Deus os entregou nas mãos de pessoas especialmente preparadas (Asafe, Jedutum e Hemã), com dons de Deus, para instruir os componentes dos conjuntos a fim de celebrarem a Deus da melhor forma possível, e o resultado dos esforços desses homens foram conjuntos bem organizados que louvavam a Deus nos cultos celebrados pelos israelitas. “E era o número deles, juntamente com seus irmãos instruídos no canto do Senhor, todos eles mestres, duzentos e oitenta e oito” 1 Cr 25.7.

Observem os irmãos, especialmente aqueles que labutam nesse ministério, que não era de qualquer maneira que se devia celebrar ao Senhor.

Nos textos citados podemos observar duas coisas preciosas para quem quer servir a Deus de uma maneira que lhe seja agradável. A primeira delas é a questão do coração, pois tudo o que se deve fazer para Deus deve ser feito de todo o coração. Quando se fala nesse assunto tem que se levar em consideração a questão da santidade. É necessário que todos aqueles que servem a Deus, que professam o nome de Jesus apartem-se da impiedade. “Todavia, o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade” 2 Tm 2.19. A outra coisa a considerar é a questão do preparar-se bem tecnicamente, pois o que deve ser apresentado a Deus deve ser bem feito. Isto serve para quem prega, para quem canta, para quem toca, para quem faz qualquer outra coisa para Deus. Fazer as coisas para Deus de qualquer maneira, sem um preparo adequado, é incorrer no juízo do texto de Jeremias 48.10, que diz: “Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente!...”.

Em diversas ocasiões na Bíblia encontramos situações que nos mostram que o que deve ser oferecido a Deus deve ser o melhor. Por exemplo: o cordeiro que seria oferecido a Deus na festa da Páscoa teria que ser sem defeitos. Deus não aceitaria um sacrifício de um animal cego, sarnento, aleijado, etc. Outro exemplo foi a confecção do tabernáculo. Tudo naquela obra teria que ser bem feito, sob medida, com materiais especiais, etc. Por que essa exigência? A razão é simples: Deus é perfeito, puro, santo e tudo o que deve ser apresentado a ele deve ser da melhor qualidade.

Estamos celebrando ao Senhor neste domingo pelo aniversário do Conjunto Ebenézer. Esse Conjunto tem sido um exemplo para os demais grupos da Igreja no que se refere a sua dedicação ao grandioso ministério de louvar a Deus. Todos de nossa Igreja são testemunhas da postura do Ebenézer em se preparar com esmero para bem servir ao Senhor, e por causa disso os louvores ministrados por esse Conjunto têm sido misturados com a bênção do Espírito, por isso tem agradado a Deus e a Igreja.

Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A intenção e a forma

Muito tem se falado sobre adoração. Diríamos até que é um dos temas dominantes na vida da Igreja da atualidade.

Olhando para as Sagradas Escrituras podemos extrair que a Igreja do Senhor tem quatro grandes atribuições neste mundo, nessa ordem: adoração, edificação, proclamação e beneficência. No que se refere a essas atribuições, se a Igreja não adorar bem ela não consegue realizar a contento as outras atribuições, pois tudo depende dela.

Um dos grandes momentos da vida da Igreja é quando ela se reúne nos dias convencionados para celebrar ao Deus dos Céus. Esse é um momento sagrado, quando o povo se reúne com o Seu Deus para exaltá-Lo e para bendizer o Seu grande e glorioso nome. Pensamos que nesses momentos os Céus ficam em expectativa esperando que a Igreja celebre ao Senhor de uma maneira que Lhe seja agradável.

Aí é que está a questão – celebrar a Deus de uma maneira que Lhe seja agradável. Observe que a adoração deve ser de uma maneira que agrade ao Senhor e não ao adorador, pois afinal de contas o adorador é apenas o agente e Deus o objeto da adoração.

Ainda olhando para as Escrituras descobrimos que Deus estabelece dois grandes critérios através dos quais podemos ter certeza de que estamos adorando a Deus de uma maneira que Lhe agrade. Um dos critérios é a intenção e o outro é a forma. Isto pode ser observado no primeiro ato de adoração que temos notícia, que foi os cultos prestados por Abel e Caim. Abel ofereceu das primícias do seu rebanho uma oferenda a Deus e Caim dos frutos da terra. A Bíblia diz que Deus agradou-se de Abel, ou seja, da sua intenção, e também do tipo da sua oferta, ou seja, da forma. Diz ainda a Bíblia que Deus não se agradou de Caim nem de sua oferta. (Gn 4.3-5).

Por que essa aparente discriminação por parte de Deus se os dois Lhe ofereceram cultos?

Tratando-se da intenção, precisamos entender que as coisas que fazemos para Deus devem ser feitas de todo o nosso coração, como oferta de amor e de gratidão. “E, tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens” Cl 3.23.

Tratando-se da forma, é preciso compreender, olhando para o culto prestado por Abel, que ele foi do agrado de Deus porque Abel estava oferecendo algo sintonizado com o programa redentor de Deus através de Cristo, ou seja, um sacrifício com sangue (Jesus era o cordeiro de Deus que iria derramar o seu sangue pelo seu povo). Já Caim com o oferecimento de frutos da terra demonstrou que não tinha nenhuma sintonia com o programa divino.

Irmãos, o Senhor Jesus é o mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5) e tudo o que oferecemos a Deus deve ser por ele. “Portanto, ofereçamos sempre, por ele, a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” Hb 13.15. Isto quer dizer que Deus só aceita o culto prestado por alguém que estar em Cristo, que seja um crente de fato.

O culto evangélico é um conjunto de quatro coisas: oração, louvor, leitura e exposição da Palavra de Deus e ofertório. Tudo Isso deve ser feito com fé, com sinceridade de coração, com gratidão, com reverência e com muito temor.

Outra coisa a considerar é que culto a Deus não é nenhum show onde o homem é celebrado e honrado, e não deve ser feito de qualquer maneira, nem muito menos para agradar ao adorador e sim somente a Deus. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sábado, 25 de junho de 2011

A Teologia do Culto

Introdução
Este artigo está enfocando um tema de extrema importância na vida prática da Igreja que é o culto a Deus. O assunto é pertinente porque hoje mais do que em qualquer outra época o culto a Deus está perdendo as suas características conforme definidas nas Sagradas Escrituras. Há fogo estranho no arraial de Deus. Muitos do povo de Deus, seguindo as orientações de líderes que não conhecem a doutrina cristã, ou se as conhecem estão deliberadamente fugindo do padrão que o Altíssimo definiu para disciplinar o assunto, estão adorando a Deus de uma forma errada, de qualquer jeito e de qualquer maneira, onde o homem ocupa o lugar de Senhor e Deus o lugar de servo. Além disso, estão introduzindo muitas práticas estranhas para agradar ao adorador e não ao objeto da adoração que é o Deus Verdadeiro.
Neste artigo iremos abordar o assunto de forma introdutória enfocando a parte teológica da questão, partindo do geral para o particular, começando explicando o título do artigo.
A palavra Teologia é uma palavra derivada de duas palavras gregas: Theos – Deus e Logos (logia) – estudo, tratado. Assim sendo, de uma forma simplificada, podemos conceituar Teologia como sendo o estudo acerca de Deus. “Comumente a Teologia se divide em Bíblica, Sistemática, Histórica, e Prática” (STRONG). Este artigo enfoca uma parte da Teologia Prática, que é o estudo das práticas do relacionamento do cristão com Deus; A palavra culto é de origem latina (cultus), e significa, dentre outras coisas, reverência, homenagem que se presta a uma divindade, ofício religioso; Teologia do Culto é, portanto, o estudo da maneira como se deve prestar o culto a Deus de uma forma que Lhe seja agradável.
I – Um Relance da Questão Cultual na História
As manifestações cultuais estão em quase todas as culturas. O homem desde os tempos mais remotos sempre teve uma reverência por um ser superior a quem tem procurado agradar. É verdade que pela falta de conhecimento do verdadeiro Deus o homem tem se dobrado diante do sol, da lua, das estrelas, de estátuas, pinturas, totens reverenciando uma divindade qualquer, adorando a criatura no lugar do Criador. Na Bíblia nos é revelado esse aspecto religioso dos povos, por Paulo, em seu escrito aos Romanos. “Porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e o coração insensato deles obscureceu-se. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis” Rm 1.21,22. Paulo está aqui falando que, por causa do descaso do homem para com a revelação que Deus fez de si mesmo através da natureza (A Revelação Geral), tem-se cultuado de forma errada, servindo a criatura em vez do Criador. No discurso de Paulo no areópago, registrado em Atos 17, encontramos o apóstolo falando sobre o aspecto religioso dos gregos, que era a maior cultura da época, fazendo referência aos deuses que existiam nos seus locais de adoração. “... porque passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: Ao Deus Desconhecido...” At 17.22,23.
II - Identificando o Objeto do Culto (O Deus Triúno)
O objeto do culto é o Deus verdadeiro, revelado na natureza e nas Sagradas Escrituras. A Bíblia nos revela que só a Deus é devido o culto. “... Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele prestarás culto” Mt 4.10. Quando se fala em Deus deve-se pensar no Deus triúno, na Santíssima Trindade. As Sagradas Escrituras nos revelam que só existe um Deus verdadeiro (Dt 6.4; 1 Co 8.4; 1Tm 2.5;...) e que esse Deus subsiste em três pessoas da mesma essência e possuidoras dos mesmos atributos, o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mt 3.16,17; 28.19; Jo 14.16,17; 2 Co 13.13;...). Assim sendo, as três pessoas da Santíssima Trindade podem ser celebradas individualmente ou em conjunto e assim estamos adorando a Deus. Existe uma unidade tão perfeita na Deidade que adorando a uma pessoa as outras estão sendo adoradas também. Quando celebramos ao Pai estamos ao mesmo tempo celebrando ao Filho e ao Espírito Santo. A mesma coisa acontece quando tributamos hinos a Cristo, estamos também tributando hinos ao Pai e ao Espírito e quando celebramos ao Espírito estamos celebrando as outras duas pessoas da Trindade. Na hinologia Congregacional (Salmos e Hinos) temos alguns hinos que celebram as três pessoas da Trindade conjuntamente como, por exemplo, o hino de nº 29 que destina uma estrofe ao Pai (Eterno Pai, Teu povo congregado,...) outra ao Filho (Jesus, aos Teus benditos pés sentados,...) e outra ao Espírito Santo (Ensina aos Teus, Espírito divino,...). Não estamos adorando a três deuses e sim a um único Deus verdadeiro que subsiste em três pessoas. Considerando que Jesus é o Mediador entre Deus e os homens (Jo 14.6; 1 Tm 2.5; Hb 8.6;...) toda a adoração a Deus deve ser feita em Cristo (2 Co 5.17; Ef 1.13 ) e por Cristo (Ef 2.18; Hb 13.15; 1 Pe 2.5) para ser agradável ao Altíssimo.
III – Identificando os Verdadeiros Adoradores
Cultuar a Deus é uma obrigação de todo os seres humanos. Essa exigência divina no devido tempo será cobrada do homem. Paulo escrevendo aos Romanos nos revela que, pelo fato de Deus ter se revelado através da natureza, todo o homem é indesculpável diante Dele por não Lhe prestar o culto devido. “Porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e o coração insensato deles obscureceu-se. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis” Rm 1.21-23.
A adoração a Deus só se expressa de forma satisfatória por aquelas pessoas que foram alcançadas pela graça redentora de Cristo, isso tanto no Antigo como no Novo Testamento, tanto na antiga como também na nova dispensação. A Bíblia nos revela que os crentes em Cristo foram constituídos por Deus sacerdócio santo para celebrar ao Senhor neste mundo e na eternidade. “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido...” 1 Pe 2.9. (Veja ainda Ap 1.6; 5.10). “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” 1 Pe 2.5. “Portanto ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” Hb 13.15.
A Igreja é uma comunidade cultual. Dentre suas atribuições ministeriais a adoração a Deus vem em primeiro lugar, seguida da edificação espiritual dos crentes, da proclamação da obra redentora e depois, da beneficência.
IV – Identificando as Partes Constitutivas do culto
Observando a prática cultual do povo de Deus identificada nas Sagradas Escrituras, principalmente no Novo Testamento, constatamos que existem quatro partes básicas num culto tributado a Deus: A Oração, A leitura e exposição das Sagradas Escrituras, o Louvor e o ofertório.
1) A Oração – Quando estavam cultuando os servos do Senhor sempre elevavam as suas vozes a Deus em súplicas e orações. Assim foi com Ana que na tenda da Congregação orava a Deus pedindo um filho (1 Sm 1.9-19). Dizem-nos as Escrituras que a profetiza Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, não se afastava do templo orando e jejuando ao Senhor (Lc 2.36-38). Diz-se da Igreja de Antioquia que os irmãos se reuniam para jejuar e orar ao Senhor (At 13.1-3). A Igreja de Jerusalém diz-nos Lucas, que ela perseverava em oração (At 2.41,42).
2) Leitura e Exposição das Sagradas Escrituras – As Escrituras devem ocupar lugar preponderante nos cultos celebrados pela Igreja. Sempre foi assim na história do povo de Deus. Nas festividades religiosas de Israel alguns livros das Escrituras eram lidos publicamente e outros lidos e explicados (Ne 8.1-12); nas Sinagogas as Escrituras eram lidas e explicadas ao povo (Lc 4.14-21); Nas reuniões da Igreja as Escrituras eram lidas e expostas segundo se extrai dos textos de At 6.1-4; 8.4; 13.44; 17.11;...
3) Louvor – A Bíblia diz que os crentes são sacerdotes reais (1 Pe 2.9; Ap 1.6; 5.10) e têm um ministério de louvor a exercer na Igreja. “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.” 1 Pe 2.5. “Portanto ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, Isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” Hb 13.15. Um dos grandes momentos do culto é quando o povo uníssono louva ao Deus dos Céus com alegria e gratidão no coração. Encontramos na Bíblia dois episódios que mostram como é maravilhoso louvar ao Senhor. Um foi na época do rei Josafá quando a vitória sobre os inimigos do povo de Deus foi concedida no momento em que o povo celebrava ao Senhor (2 Cr 20.21-24) e o outro foi quando Paulo e Silas estavam aprisionados e, mesmo em circunstâncias difíceis, celebravam ao Senhor, advindo daí uma poderosa ação libertadora de Deus (At 16.25,26).
4) Ofertório – Faz parte do culto a Deus o ofertório. Nos cultos a Deus, ao longo do relato bíblico, encontramos sempre alguém oferecendo algo a Deus no momento em que cultuava. No primeiro culto que a Palavra de Deus nos apresenta encontramos Caim e Abel oferecendo a Deus algo: Caim, do fruto da terra e Abel, das primícias do seu rebanho (Gn 4.1-5). Após o dilúvio, a primeira coisa que o patriarca Noé fez ao descer da arca foi fazer um culto a Deus e nesse culto ofereceu sobre o altar animais e aves limpos (Gn 8.15-22). Os patriarcas bíblicos sempre quando cultuavam a Deus ofereciam algo ao Senhor. Abraão, um deles, entregou o seu dízimo ao sumo sacerdote Melquisedeque (Gn 14.18-20). No Novo Testamento as ofertas feitas na Igreja não eram mais de animais ou de aves, pois, aquelas oferendas simbolizavam o sacrifício de Cristo que já acontecera. No relato de Atos encontramos os irmãos cultuando a Deus através da oferta de suas propriedades para atendimento das necessidades da Igreja (At 4.32-35). Nesse relato é identificado o nome de Barnabé que doou a Igreja o valor correspondente a propriedade que vendera (At 4.36,37). Na segunda carta aos Coríntios Paulo fala sobre a contribuição para o atendimento das necessidades da Igreja especialmente a da beneficência (capítulos 8 e 9).
V – Identificando o Local Adequado do Culto
No antigo Testamento os servos de Deus cultuavam a Javé em lugares aleatórios, geralmente onde ocorria uma manifestação de Deus (Gn 12.6-8; 28.10-22,...). Com a construção do tabernáculo (templo portátil) o culto era realizado nele (Ex 40.17-38). Depois que Salomão em Jerusalém edificou o templo ali ficou sendo o local onde o Deus dos céus era adorado, através das festividades e dos sacrifícios, realizado pelo povo mediante o ofício de seus sacerdotes (1 Rs 9.1-3). Uma comunidade dissidente em Israel (os samaritanos) estabeleceu que o culto fosse realizado num monte em Samaria (Jo 4.20,21). No Evangelho de João o Senhor Jesus Cristo nos revelou que não existe um local específico estabelecido por Deus para se fazer o culto, e sim em qualquer lugar em que o Seu nome fosse celebrado em espírito e em verdade (Jo 4.21-24). No princípio a Igreja de Jerusalém se reunia numa área do templo de Jerusalém, chamada de alpendre de Salomão (At 2.46; 5.12,42) e também nas casas dos irmãos (At 5.42). No mundo gentílico a Igreja se reunia nas casas de seus membros (Rm 16.3-5,14,15).
Um local específico (um templo), separado só para culto, como nós o conhecemos, começou a surgir com a suspensão das perseguições contra o Cristianismo, por Constantino, imperador romano. A religião cristã fora aceita pelo imperador, que facilitou a construção de santuários.
A luz da Bíblia, o local do culto não é tão relevante assim. O que faz o local do culto importante não são as suas instalações e sim a presença da Igreja nele, pois Deus habita na vida e no meio do seu povo. “... vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo” 2 Co 6.16.
Conclusão
Vimos neste artigo o que significa a teologia do culto. Vimos ainda um pouco da história do culto de uma forma geral. Vimos ainda que o Deus Triúno é o objeto do culto. Vimos também que só os redimidos é que tem condições de prestar o culto a Deus que Lhe seja agradável, por causa da mediação de Cristo, e que é um dever de todos celebrarem ao Senhor pelo que Ele é e pelo que Ele fez. Vimos ainda que o local em si não é tão relevante como se pensa e sim a presença da Igreja nele é que faz a diferença.
Estamos concluindo este artigo enfatizando a necessidade dos crentes em Cristo levarem a sério a questão cultual na Igreja, pois o culto é um dever de todos os homens especialmente do homem que foi alcançada com a graça redentora de nosso Senhor Jesus Cristo.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Simão, o mágico (At 8.9-13) No relato do texto em apreço, nos é apresentada a figura de um homem famoso na cidade de Samaria, onde De...