sábado, 30 de novembro de 2013

Creio que Jesus ressuscitou dos mortos

Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual  foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna.  Amém.
      Dando continuidade ao estudo do Credo Apostólico, neste boletim iremos tratar da ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, conforme confessado nesse importante documento da fé cristã: Creio que Jesus “ressurgiu dos mortos ao terceiro dia”.
      A Bíblia nos revela que Deus é Todo Poderoso, não sendo nada impossível para Ele, inclusive tornar a dá vida a quem faleceu. No Antigo Testamento encontramos dois casos de ressurreição de mortos: o do filho da mulher sunamita registrado em 2 Rs 4.17-37, e o de um cadáver que foi lançado apressadamente na sepultura de Eliseu que ao tocar nos ossos do profeta, ressurgiu dos mortos (2 Rs 13.20,21). No Novo Testamento três pessoas ressurgiram dos mortos através do ministério do Senhor Jesus: a filha de Jairo (Mt 9.18,19,23-26), o filho da viúva de Naim (Lc 7.11-17) e o mais famoso, o de Lázaro (Jo 11.1-45). Ainda encontramos o caso de Dorcas que foi ressuscitada pela instrumentalidade do apóstolo Pedro, pelo poder de Deus (At 9.36-42).Tem ainda o caso de Êutico que caiu de um terceiro andar e  morreu, mas Paulo pelo poder de Deus o levantou dos mortos (20.7-12), e o outro, a ressurreição de diversos santos quando da morte de Cristo (Mt 27.50-53).
   Quanto à ressurreição de Cristo todos os evangelhos fazem referência a ela (Mt 28.1-10; Mc 16.1-8; Lc 24.1-12; Jo 20.1-18). Esse grande acontecimento já tinha sido vaticinado no Antigo Testamento no Sl 16.8-11, texto este citado por Pedro no seu sermão no dia de Pentecostes (At 2.25-28). O próprio Jesus em diversas ocasiões, em seu ministério, revelara que iria morrer, mas que ressuscitaria ao terceiro dia (Mt 16.21; 17.22,23; 26.32; 27.63,64).
Olhando para um dos relatos históricos desse grande acontecimento (o de Mateus) nos é dito que no terceiro dia de morto, houve um grande terremoto localizado, pois um anjo desceu dos Céus e removeu a pedra que tapava o sepulcro. Os soldados que guardavam o sepulcro desmaiaram, e Jesus ressurgiu dos mortos.
     O Senhor Jesus que sempre existiu como Deus (forma espiritual), assumiu uma natureza humana na encarnação. Viveu e morreu com o corpo encarnado e com esse mesmo corpo ressurgiu dos mortos, agora glorificado, revestido de imortalidade, incorruptível, e ainda com esse mesmo corpo apareceu aos seus discípulos, sendo reconhecido por eles.
   As provas da ressurreição de Jesus são pela ordem crescente: o túmulo vazio (Mt 28.6); o testemunho de dois anjos que presenciaram o acontecimento (Lc 24.4-6), e as aparições de Jesus depois de ressurreto, inclusive ao apóstolo Tomé que dissera, após ouvir o testemunho dos que O viram ressuscitado, que só acreditaria se tocasse no Seu corpo, no que foi atendido pelo Senhor conforme relato de João (Jo 20.19-29).
    Segundo as Escrituras, o Cristo ressurreto apareceu às testemunhas previamente escolhidas por Deus para serem testemunhas da ressurreição do Senhor (At 1.3; 10.40,41), sendo elas: “Maria Madalena (Mc 16.9-11; Jo 20.11-18); algumas mulheres (Mt 28.8-10); Pedro (Lc 24.34; 1 Co 15.5); dois discípulos a caminho de Emaús (Lc 24.13-35); dez discípulos uma semana depois (Jo 20.19-24); onze discípulos com Tomé presente (Jo 20.26-29); quinhentos  irmãos de uma vez (1 Co 15.6); Tiago irmão do Senhor (1 Co 15.7); onze irmãos  na Galiléia (Mt 28.16-20; Mc 16.14-18); onze discípulos em Jerusalém quarenta dias depois ( Lc 24.36-53; At 1.3-12); e a Paulo (1 Co 15.8)”. (fonte: Bíblia Anotada, Ryrie).
    A crença e a profissão de fé na morte e na ressurreição de Cristo (a essência do Evangelho) são de primordial importância para a salvação do homem. “O qual (Jesus) por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para a nossa justificação” Rm 4.25. “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo” Rm 10.9.
    A ressurreição de Cristo é o padrão da ressurreição dos crentes falecidos (Fp 3.20,21), sendo Ele as primícias (1 Co 15.20,49) e depois dEle os Seus, na Sua segunda vinda (1 Co 15.23). 
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Creio que Jesus foi sepultado

Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual  foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.
      Avançando no estudo do Credo Apostólico iremos neste boletim falar sobre o fato histórico do sepultamento do corpo de nosso Senhor Jesus Cristo logo após a sua ignominiosa morte na cruz do Calvário, pois o Credo diz que Jesus padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado.
      A sepultura é o último estágio do processo de degradação do ser humano, é o lugar final na terra da terrível sentença de Deus sobre o pecado. Ainda a sepultura é o lugar onde o corpo sem vida é depositado para se desfazer em pó. “... porquanto és pó, e em pó te tornarás” Gn 3.19.
   No estudo da Cristologia encontramos uma parte que trata dos Estados de Cristo (Estado de Humilhação – encarnação, sofrimento, morte e sepultamento, e o Estado de Exaltação – ressurreição, ascensão, entronização e segunda vinda), sendo, como vimos, o sepultamento o ultimo estágio do Estado de Humilhação de Cristo.

   Reportando-nos ao fato histórico, os evangelhos nos dizem que após a morte de Jesus, o seu corpo foi tirado da cruz e levado a um sepulcro novo, escavado numa  rocha, próximo ao lugar onde  morrera, e ali sepultado. Esse sepulcro pertencia a um discípulo de Jesus,  mesmo que em oculto, membro do Sinédrio judaico, mas que não tivera nenhum envolvimento com a condenação do Senhor (Mt 27.57-66; Mc 15.42-47; Lc 23.49-56; Jo 19.38-42).
O texto sagrado nos diz que foi José de Arimatéia quem se dirigiu a Pilatos e pediu que lhe desse o corpo do Senhor  para ser sepultado, o que foi atendido por Pilatos (Mt 27.57-60; Mc 15.43-46; Lc 23.50-53; Jo 19.38). Diz ainda um dos evangelhos que Arimatéia, junto com outro discípulo chamado Nicodemos, envolveu o corpo num lençol junto com as especiarias, como faziam os judeus nos sepultamentos (Mt 27.59; Mc 15.46; Lc 23.53; Jo 19.39,40). Após ser colocado o corpo de Jesus no sepulcro escavado na rocha foi rolada uma pedra para fechá-lo. Concluído todo esse processo cumpriu-se uma Escritura profética do Antigo Testamento que vaticinara que Jesus seria sepultado entre os ricos (Is 53.9).
   Mateus nos revela ainda que os líderes religiosos de Israel pediram a Pilatos que lacrasse o sepulcro e colocasse guarda diante dele para, segundo eles, evitar que os discípulos de Jesus viessem de noite e tirassem o corpo de Jesus  e depois propagasse que ressuscitara dos mortos. Nesse pedido eles fizeram referência às palavras do Senhor que dissera que depois de três dias ressuscitaria dos mortos. Na ocasião injuriaram a Jesus chamando-o de enganador (Mt 27.62-66).
   Considerando que na ocasião da morte física há uma separação da parte material (corpo) da parte espiritual (alma ou espírito) e que esta última se projeta na eternidade, onde estaria a alma de Jesus entre a sua morte e a sua ressurreição? Uns alegam que nesse período Jesus desceu ao Hades (lugar dos mortos desencarnados) e ali pregou aos espíritos das pessoas antediluvianas, que estavam aprisionados, e para isso se apoiam em 1 Pe 3.19,20. Outros ensinam - o que é correto - que o corpo de Jesus logo após a sua morte foi depositado numa sepultura e a sua alma foi para o Céu, para a presença do Pai celestial donde voltaria para reassumir o seu corpo quando de sua ressurreição. Lembrem-se de que Ele disse a um dos que foram crucificados com Ele, que apelou para a sua misericórdia: “... Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” Lc 23.43. E lembre-se ainda o que foi dito pelo Senhor quando estava morrendo: “... Pai, nas tuas mãos entrego o meu espirito...” Lc 23.46.
  Quanto à explicação do texto de  Pedro, o ensino correto é que Jesus pregou através de Noé à geração antediluviana, enquanto aquele patriarca preparava a arca que  salvaria a si e sua família daquela catástrofe universal.               
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Creio que Jesus morreu na cruz

Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual  foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.
      Dando continuidade ao estudo do Credo Apostólico iremos neste boletim falar sobre o fato histórico da morte de nosso Senhor Jesus Cristo na cruz do Calvário e sua implicação teológica na vida dos seres humanos.
      Vimos no artigo anterior que Jesus foi condenado à morte pelo tribunal judaico por ter blasfemado, segundo os seus acusadores, contra Deus. Como os judeus não podiam aplicar a pena de morte, que no caso seria por apedrejamento, por estar sob a jurisdição do império romano, o caso foi levado a Pilatos, procurador romano,  para ser consumado. Mesmo o tribunal romano não tendo razões para condenar Jesus à morte, segundo o próprio juiz que julgou o caso, Pilatos, por conveniência politica e pressão das autoridades judaicas Jesus foi entregue à morte de crucificação que era a pena aplicada pelos romanos. Isto aconteceu para que se cumprissem as palavras de Jesus quando profetizou que seria esse o tipo de morte que iria sofrer (Mt 20.18,19; Jo 18.31,32).
     Na hora terceira (nove horas da manhã) Jesus foi pregado na cruz e nela passou seis horas, vindo a falecer na hora nona (três horas da tarde) do mesmo dia, sexta-feira, o dia anterior ao sábado.

    Segundo o relato do evangelista João os líderes judeus pediram a Pilatos que quebrassem as pernas dos três condenados para que os seus corpos não ficassem pregados na cruz no dia de sábado, no outro dia da crucificação (Dt 21.22,23). Autorizados por Pilatos os soldados quebraram as pernas dos dois malfeitores que ladeavam Jesus, mas a Ele não fizeram isso porque já tinha morrido, e também para se cumprir a palavra profética que dizia que nenhum de seus ossos seria quebrado (Ex 12.46; Jo 19.36). Um dos soldados para se certificar de que de fato Jesus tinha morrido o feriu com a lança num de seus lados, saindo do ferimento sangue e água, conforme relato de João (Jo 19.34,37).
   Alguém poderia objetar por que Jesus morreu tão cedo, comparado com os outros dois que foi preciso que lhes quebrassem as pernas para que isso acontecesse. A questão é que nenhum dos malfeitores que foi crucificado com Ele sofreu o que Ele sofrera. Os flagelos que Jesus sofreu, antes da sua crucificação, por si mesmo poderiam acarretar a sua morte. Ele foi terrivelmente chicoteado, sofreu uma pressão psicológica inimaginável, levou pancadas na cabeça, cravaram uma coroa de espinhos em sua cabeça, etc (Mt  20.19; 27.26; Jo 19.1; Mt 27.30; Mc 15.19).
   Todos os relatos feitos pelos quatro evangelistas afirmam categoricamente que Jesus morreu (Mt 27.50; Mc 15.37; Lc 23.46; Jo 19.30). Transcrevemos a seguir um desses relatos: “E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou” Lc 24.46.
    Quanto às implicações teológicas da morte de Jesus, ela foi: 1) uma morte sacrificial, um sacrifício pelos pecados dos homens (Hb 10.12); uma morte propiciatória, tornando Deus favorável ao homem (1 Jo 4.10); uma expiação pelo pecado, removendo a culpa (Hb 2.17 ); uma morte redentora, pagou o preço da redenção do seu povo (Ef 1.7); uma morte vicária, em favor de outros (1 Pe 3.18 ); uma morte substitutiva, em lugar de outrem (1 Pe 2.24); foi ainda um grande brado de vitória sobre os poderes das trevas (Cl 2.14,15). Nada na história da redenção se compara com a morte de Cristo na cruz, essa foi a maior de todas as suas obras realizadas em seu ministério terreno, pois ela foi o único ato que reconciliou o homem pecador com Deus.
   Aqueles que dizem que Jesus não morreu na cruz,  que desmaiou, que teve uma sincope, e que depois de ser tirado da cruz desapareceu da história, e por não acreditarem também em sua posterior ressurreição, labutam em terrível  erro que vai lhes custar a perdição eterna.             
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Creio que Jesus foi crucificado

Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual  foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.
      O método de executar pessoas com a crucificação começou na Pérsia e foi trazido por Alexandre Magno para o Ocidente e utilizado frequentemente pelos romanos. Na crucificação combinavam-se dois elementos - vergonha e tortura, e por isso era considerado um ato ignominioso.
      O castigo imposto pela crucificação começava com a flagelação do condenado, depois de ser sido despojado de suas vestes. Na flagelação a vítima era amarrada num tronco e chicoteada com um azorrague que tinha pregos e pedaços de ossos nas pontas. Às vezes no ato da flagelação o condenado morria devido não resistir aos ferimentos. Ainda no ato de flagelação o réu era obrigado a levar a haste menor da cruz até o local de sua execução onde já se encontrava a haste maior fixada no chão.
    No ato em si da crucificação, a vitima era pendurada de braços abertos em uma cruz de madeira, tendo as mãos e os pés amarrados ou  fixados por pregos. A morte ocorria por asfixia devido ao peso sobre as pernas sobrecarregar a musculatura abdominal dificultando, barbaramente, o processo de respiração. Era uma morte lenta e terrível. Às vezes para abreviar a morte da pessoa quebravam-lhe as pernas (Jo 19.31-34).

   Segundo a lei mosaica, a pessoa que sofresse a morte por crucificação (pendurada num madeiro) seria considerada maldita. “Quando também em alguém houver pecado, digno do juízo de morte, e haja de morrer, e o pendurares num madeiro, o seu cadáver não permanecerá no madeiro, mas certamente o enterrarás  no mesmo dia, porquanto o pendurado é maldito de Deus...” Dt 21.22,23. O apóstolo Paulo falando da morte de Cristo cita esse texto em Gálatas 3.13, quando disse que Cristo se fez maldição por nós, morrendo na cruz.
   O Senhor no final de seu ministério revelara aos seus discípulos que seria condenado e morto por crucificação. “Eis que vamos para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e condená-lo-ão a morte. E o entregarão aos gentios para que dele escarneçam, e o açoitem e crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará”  Mt 20.18,19.
   A lei mosaica determinava que os blasfemadores fossem mortos (Jo 19.7) por apedrejamento (Lv 24.10-16,23). Jesus foi condenado pelo tribunal judaico, segundo os seus acusadores, pelo pecado de blasfêmia, mas como os judeus estavam sob o controle do império romano,  não tinham autorização para executar ninguém (Jo 18.31), foi por isso que os sacerdotes o levaram ao tribunal  romano para que fosse condenado por ele e aplicado a pena de morte por  crucificação, como estava previsto no programa divino (Jo 18.32).
   Os evangelhos revelam que depois de flagelado pelos soldados romanos, Jesus foi obrigado a levar a cruz (haste menor) até o lugar onde seria supliciado, sendo ajudado por Simão Cirineu que carregou a cruz por ele, visto que não aguentava mais de tão ferido que estava (Mt 27.26-32; Mc 15.15-22; Lc 23.25,26; Jo 19.1,16,17).
   Num monte próximo a Jerusalém chamado Calvário, Jesus foi pregado na cruz às nove horas da manhã e morreu às três horas da tarde do mesmo dia. Ao seu lado foram crucificados dois malfeitores, um a sua direita e o outro a sua esquerda (Mt 27.33-50; Mc 15.22-37; Lc 23.33-46; Jo 19.17-30).
   Na cruz, Jesus proferiu as suas últimas palavras: 1) perdoou os seus algozes; 2) garantiu o paraíso a um dos condenados arrependido; 3) entregou Maria sua mãe aos cuidados de João e João aos cuidados dela; 4) clamou: “Eli, Eli, lemá sabactâni”; 5) disse que estava com sede; 6) disse ainda “está consumado”; 7) e disse “Pai nas tuas mãos entrego o meu espirito”. 
  Quanto à cruz, o instrumento usado para a morte de Cristo, ela não deve ser venerada. A verdadeira veneração deve ser dada ao crucificado, Aquele que morreu pelos nossos pecados. 
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Creio que Jesus padeceu sob Pôncio Pilatos

Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual  foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.
      Muitos teólogos acham estranho que numa declaração de fé se contenha uma informação histórica como tem o Credo Apostólico, quando cita o nome do procurador romano Pôncio Pilatos sob cujo governo padeceu Jesus Cristo. Hoje vemos como foi importante essa informação, devido alguns negarem a historicidade de Jesus.
     Segundo os historiadores, Pôncio Pilatos foi o quinto procurador romano na Judéia, e governou aquela difícil província do império romano nos anos de 26 D.C. a 36 D.C. sendo destituído do cargo devido à excessiva força com que tratou uma revolta entre os galileus (Lc 13.1,2).
    Paulo escrevendo aos Gálatas (4.4) nos revelou que na plenitude dos tempos Deus enviou o seu Filho nascido de mulher. Tratando-se da plenitude dos tempos no programa divino, é preciso que nos reportemos ao livro do profeta Daniel onde encontramos uma revelação sobre as grandes potencias que iriam dominar o mundo conhecido, até ao primeiro advento de Cristo, pela ordem, Caldeus, Persas, Gregos e Romanos (cabeça de ouro, tórax e braços de prata, ventre e coxas de cobre, pernas de ferro e pés de ferro e de barro, da estátua do sonho de Nabucodonosor). Dn 2.31-45.

   As pernas de ferro e os pés de ferro e de barro, que Daniel falou era o império romano que depois de submeter o dilacerado império grego conquistou o mundo todo.
Esse império é retratado ainda por Daniel como o animal terrível do capitulo sete de sua profecia, que a tudo destruía. “Depois disto, eu continuava olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro; e devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; e era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez pontas” Dn 7.7.
    Como era grande a extensão física do império romano, para administrá-lo os imperadores romanos nomeavam procuradores para representar o império nas províncias conquistadas, cabendo a Pilatos a Judéia, a província mais difícil de ser administrada, devido ao nacionalismo judaico alicerçado em sua religião monoteísta.
   Lucas no início do seu evangelho trata de informar os lideres políticos da época em que João Batista e, pouco depois, Jesus começaram os seus ministérios (Lc 3.1), dentre eles Pilatos. Todos os quatro evangelhos dizem que o Senhor Jesus foi apresentado a Pilatos pelas autoridades religiosas de Israel para ser dada a sentença final já decidida pelo tribunal judaico (Mt 27.11-26; Mc 15.1-15; Lc 23.1-25; Jo 18.28-40; 19.1-16). Isso aconteceu devido Roma ter puxado para si a decisão final quando se tratava de condenar alguém à morte, no âmbito do império (Jo 18.31). Além disso, estava já determinado por Deus que a morte de Seu filho seria por crucificação, que era a pena comum aplicada pelo império romano aos piores criminosos (Mt 26.2; Jo 18.32; At 4.27,28). Se a pena de morte de Jesus fosse executada pelos judeus, ele teria sido apedrejado e não crucificado conforme mandava a lei mosaica, quando se tratava de pecado de blasfêmia  –  a acusação contra Jesus (Lv 24.10-16,23).
   Pilatos até tentou libertar Jesus, pois percebeu que a acusação fora motivada por inveja (Mt 27.18; Mc 15.10). Além disso, sua mulher lhe revelara que tivera um sonho e muito sofrera por isso, e aconselhou ao seu marido a não se envolver com a causa daquele justo (Mt 27.19), mas devido a pressão dos principais lideres religiosos de Israel e por conveniência politica, condenou Jesus a morte por crucificação.  
   Segundo se infere do texto de Atos 4.27,28, Pilatos já tinha sido designado por Deus para ser um dos instrumentos para levar Jesus à cruz, a fim de realizar a obra redentora. O fato de ter sido usado por Deus com esse propósito não o exime da responsabilidade moral pelo ato praticado.         
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti