sábado, 15 de dezembro de 2012

Nem uma hora?


                                         
    Na quinta-feira da última semana de Jesus neste mundo Ele levou os onze apóstolos (Judas Iscariotes já tinha abandonado o grupo) para o jardim do Getsêmani. Ao adentrar mais no jardim o Senhor levou consigo a Pedro, Tiago e João e pediu que eles ficassem próximo dele enquanto Ele orava ao Pai. “Então lhes disse: a minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo” Mt 26.38. Nesse período de oração, que teve três momentos, o Senhor depois do segundo para o terceiro momento de oração, aproximou-se dos três apóstolos e os encontrou dormindo, e fez a Pedro a seguinte pergunta: “Então nem uma hora pudestes velar comigo?” Mt 26.40.
  Observando o texto que fala da agonia do Senhor Jesus no Getsêmani podemos dentre outras extrair uma lição importante para a vida da igreja na atualidade. O Senhor dera aqueles três apóstolos um grande privilégio como também uma grande responsabilidade. Privilégio porque o Senhor os escolhera para aquele momento particular de sua vida. Responsabilidade porque eles deviam fazer companhia ao Senhor naquele momento de aflição. No entanto eles não conseguiram nem sequer passar uma hora atento ao que estava ocorrendo naquele jardim, e dormiam o sono da indiferença.
  O Senhor, independente do apoio de seus amigos, saiu vitorioso daquele momento de oração, capacitado para enfrentar o que estava previsto para ele no programa redentor.
   Queríamos refletir com os irmãos sobre essa dificuldade de alguns de nossos irmãos ficar quieto diante de Deus no momento em que O cultuamos. Temos observado “um senta levanta” na Igreja no momento em que ela se reúne, mormente nos cultos de domingo a noite, o que incomoda e traz para os visitantes uma conotação negativa.
    O culto é um todo que tem início, desenvolvimento e conclusão. Os nossos cultos tem uma duração de aproximadamente duas horas.    Espera-se de um cristão, discípulo de Cristo, que durante o culto ele se comporte reverentemente na casa do Senhor. Não converse, não brinque no celular, não se levante para sair do santuário (a não ser por uma necessidade urgente).
   É sabido pelas Escrituras que a presença do Senhor Jesus no meio de sua Igreja quando ela se reúne é uma maravilhosa realidade. “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ai, estou eu no meio deles” Mt 18.20.  Se Jesus é nosso Senhor e Salvador, e grande Deus, que está em nosso meio quando instalamos o culto, a sua santa presença deve ser reverenciada por todos. Por ter essa compreensão disse o sábio Salomão em certa ocasião: “Guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus; e inclina-te mais a ouvir do que a oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal” Ec 5.1. Ademais a Bíblia diz que na presença do Senhor há abundância de alegria.
   Ainda outra questão a ser observada, no que se refere à presença do Senhor em nossas reuniões, é justamente a falta de pontualidade de alguns dos irmãos. Temos observado que alguns de nossos amados chegam ao culto depois dele ter sido instalado, quando algumas partes já foram concluídas. Isso não é bom.
    A queixa de Jesus aos seus discípulos sobre “nem uma hora eles puderam velar comigo”, procede também na atualidade, pois falhar nessa área é desprezar a presença do Senhor da glória que fez, está fazendo e irá fazer tudo por nós.
    Considerem isso!   
 Pr. Eudes Lopes Cavalcanti 

As Sagradas Escrituras



     Aprouve a Deus, segundo a sua vontade, revelar-se as suas criaturas. Uma parte da revelação foi feita através das coisas que foram criadas, através do próprio homem, da história, da providência,... Em teologia essa revelação é chamada de Revelação Geral. A outra parte da revelação de Deus, a mais importante, foi feita através das Sagradas Escrituras. Essa revelação é chamada de Revelação Especial e ela tem caráter salvífico. Nas Escrituras, Deus revelou-se de forma progressiva. A Bíblia Sagrada foi escrita num período de 16 séculos, por aproximadamente 40 escritores de diversos segmentos sociais (profetas, reis, sacerdotes,...).
As Sagradas Escrituras compõem-se de duas partes: O Antigo e o Novo Testamento. O Antigo Testamento contém 39 livros, assim classificados: O Pentateuco (cinco livros): Gênesis a Deuteronômio; os Livros Históricos (doze livros); Josué a Ester; os Livros Poéticos (cinco livros): Jó a Cantares; e os Livros Proféticos (dezessete livros): Isaías a Daniel (Profetas Maiores) e Oseías a Malaquias (Profetas Menores). O Novo Testamento contém 27 livros, classificados desta maneira: Os Evangelhos (quatro livros): Mateus a João; Livro Histórico (um livro): Atos dos Apóstolos; as Epístolas Paulinas (treze livros): Romanos a Filemon; a Epístola aos Hebreus; as Epístolas Gerais (sete livros): Tiago a Judas; e o Livro da Revelação: Apocalipse.
As Sagradas Escrituras, no seu conjunto, foi inspirada por Deus verbal e plenariamente (2 Tm 3.16; 2 Pe 1.19-21), isto quer dizer que ela foi escrita sob a poderosa ação do Espírito Santo, usando homens escolhidos por Deus para essa finalidade.
O Senhor Jesus Cristo é o tema central das Sagradas Escrituras. Em Gênesis Ele é a Semente da Mulher. Em Êxodo é o Cordeiro Pascoal. Em Levítico é o Sacrifício Expiatório. Em Números é a Rocha e em Deuteronômio é o Profeta. Em Josué é o Comandante dos Exércitos do Senhor.  Em Juízes é o Libertador. Em Rute é o Parente Remidor. Em 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis e 1 e 2 Crônicas é o Rei de Israel. Em Esdras e Neemias é o Restaurador. Em Ester é o Advogado. Em Jó é o Redentor que vive. Em Salmos é Tudo em todos. Em Provérbios é a Sabedoria Divina. Em Eclesiastes é a Razão Suprema do Viver. Em Cantares é o Amado. Nos Profetas é o Messias. Nos Evangelhos é o Cristo. Em Atos é o Espírito. Nas Epístolas é a Cabeça da Igreja. Em Apocalipse é o Alfa e o Ômega.
Hoje, segundo domingo de dezembro, estamos comemorando o Dia da Bíblia. Agradeçamos ao Senhor pela existência desse extraordinário livro, que revela o ser de Deus, os Seus atributos, o Seu caráter e a Sua vontade. Agradecemos ainda pelo privilégio de ter conosco as Sagradas Escrituras.
   Procuremos, amados, valorizar a Bíblia Sagrada, lendo-a continuamente para sermos sábios e obedecendo aos seus mandamentos para sermos santos.
                       Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O Estado Eterno


    O último tema a ser tratado na Escatologia Geral é o Estado Eterno, ou seja, a consumação de todas as coisas, quando tudo será definido e continuará permanentemente sem alteração.
   O plano eterno de Deus em relação as suas criaturas morais tem início meio e fim. A execução do plano começou quando da criação dos seres morais (anjos e homens), e continuará até a consumação no futuro, numa época já definida pelo Todo-Poderoso.
   Esse Estado Eterno envolve os seres morais (anjos e homens) e, evidentemente, a santíssima Trindade. Esse período se instalará logo após o Juízo Final, depois que o Senhor julgar os seres humanos e os anjos. A Bíblia Sagrada nos fala deste assunto nestes termos: “Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora o último inimigo que a de ser aniquilado é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará aquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos” 1 Co 15.24-28.
    A Bíblia diz também que quando da consumação de todas as coisas os crentes com seus corpos glorificados estarão para sempre com o Senhor (1 Ts 4.17), gozando plenamente da beatitude eterna, daquelas coisas preparadas por Deus para eles antes da fundação do mundo (1 Co 2.9). Diz ainda a Bíblia Sagrada que os descrentes padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e da glória do seu poder (2 Ts 1.9). Dos anjos caídos diz a Bíblia que após o julgamento final o Diabo e seus anjos serão lançados no inferno quando, junto com os ímpios, e serão atormentados para todo o sempre (Ap 20.10).
     Este mundo, como nós o conhecemos, será destruído (purificado) pelo fogo e Deus reorganizará todas as coisas criando novos céus e nova terra. “Mas o céu e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios... Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há, se queimarão... Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra em que habita a justiça” 2 Pe 3.7-13.
     No livro de Apocalipse (21.1-4) nos é revelado sobre o assunto o que se segue: “E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem prato, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas”.
   Como tudo acontecerá conforme previsto nas Sagradas Escrituras devemos, irmãos, alimentar essa esperança gloriosa de que viveremos felizes para sempre nos Céus com Jesus.
                                       Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
    

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A Perseverança dos Santos


                                               
    A Teologia Reformada chamada também de Calvinista elencou cinco princípios que norteiam o seu escopo soteriológico, a saber: Depravação Total, Eleição Incondicional, Expiação Limitada, Graça Irresistível e Perseverança dos Santos.
   Por Depravação Total os Reformados ensinam que a culpa do pecado de Adão, cabeça Federal da raça humana, foi imputada aos seus descendentes fazendo com que todos eles sejam considerados pecadores. Sobre o assunto entende ainda a Teologia Reformada que herdamos de Adão a natureza corrompida pelo pecado.
   Por Eleição Incondicional entende a Teologia Reformada que Deus graciosamente escolheu a Igreja para a salvação independente de qualquer ato previsto desses eleitos.
   Por Expiação Limitada a Teologia Reformada advoga que Cristo morreu apenas pelos eleitos, sendo eles o único objeto da obra redentora realizada pelo Salvador na Cruz do Calvário.
   Por Graça Irresistível entende os reformados que os eleitos inexoravelmente atenderão o chamado para a salvação, durante a sua vida, através da mensagem do Evangelho.
   Em relação à Perseverança dos Santos a Teologia Reformada ensina que os salvos perseverarão na fé até ao fim de suas vidas e se, porventura, vieram a cair em pecado retornarão ao convívio do Senhor antes de partirem para a eternidade.
Os homens de nossa Igreja escolheram como tema de suas festividades de aniversário: “Perseverança, a marca do verdadeiro cristão”. Sobre esse tema dissertaremos de forma sucinta:
   Perseverar significa, segundo o Dicionário de Larousse, “Permanecer firme e constante em um sentimento, uma resolução; Persistir; Permanecer, ficar; Resistir, suportar”.
  Do ponto de vista teológico ou doutrinário a Perseverança dos Santos significa que todos aqueles que de fato são convertidos a Cristo perseverarão na fé até o final de suas vidas, uma vez que a poderosa obra da graça de Deus na vida deles foi tal que eles nasceram de novo, foram selados e habitados pelo Espírito Santo, foram constituidos por Deus como filhos por adoção em Jesus Cristo, foram reconciliados com Deus, dentre outras coisas maravilhosas.
  Encontramos nas Escrituras diversos textos que asseguram que todos os verdadeiros crentes perseverarão na fé durante a sua vida, dentre eles citamos: “Porque sete vezes cairá o justo e se levantará; mas os ímpios tropeçarão no mal” Pv 24.16. “Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo” Fp 1.6. “Tudo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” Jo 6.37.
   A Perseverança dos Santos não quer dizer que os mesmos não possam ter os seus momentos de fracassos, mas quer dizer que mesmo em seus fracassos o Senhor os levantará e eles não morrerão afastados do Senhor.
   Também a Perseverança dos Santos não quer dizer que eles podem viver no pecado pensando que Deus os restaurará antes de morrer. Quem pensa assim, talvez, não tenha nascido de novo, pois a alma redimida nao tem prazer no pecado (1 Jo 5.18).
            Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Julgamento Final


    Deus ao criar o ser humano o criou a Sua imagem e semelhança e o responsabilizou pelos seus atos morais. A prova disso é que quando o homem desobedeceu a um mandado Seu,Deus o puniu com a morte. “No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que te tornes a terra; porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás” Gn 3.19.
    No seu programa eterno Deus determinou julgar todos os seres humanos num dia designado por Ele. E esse julgamento terá ocasião quando da segunda vinda do Senhor Jesus Cristo. “Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu Reino” 2 Tm 4.1. (Veja ainda Sl 96.13; 98.9; At 17.31; Ap 11.15-19;...).
   Esse julgamento final está alicerçado em duas facetas do caráter de Deus, a sua santidade e a sua justiça. Deus é santo, puro e perfeito e não tolera o pecado. O pecado do homem fere a Sua santidade e O insulta. Considerando a Sua justiça, Deus tem em mente que o pecado do homem exige uma reparação e que ele deve ser punido por isso, e a retribuição é de acordo com as obras de cada um. “Ante a face do Senhor, porque vem, porque vem a julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, com a sua verdade” Sl 96.13.
   Segundo nos revela a santa Palavra de Deus o Senhor Jesus Cristo será o grande juiz daquele Tribunal. Deus o Pai confiou ao Filho todo o julgamento, tanto dos salvos como dos perdidos, bem como dos anjos caídos. “E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo” Jo 5.22. Isso também é visto em outros textos da Palavra de Deus, tais como o de Atos 17.31: “porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos”.
   Esse grande Julgamento terá três etapas, sendo  a primeira a do julgamento dos crentes em Cristo. “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal” 2 Co 5.10. (Veja ainda Rm 14.10; 1 Co 3.11-15; Ap 22.12). O julgamento dos crentes não é para condenação tendo em vista que Jesus pagou na cruz o preço da eterna redenção deles. Esse julgamento é para o galardoamento dos servos fiéis. A segunda etapa do julgamento final refere-se aqueles que morreram sem serem salvos da condenação do pecado. Essas pessoas irão ressuscitar dentre os mortos com corpos especiais e comparecerão diante de Deus (Cristo) para serem julgados pelas suas obras. “... E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros... E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras” Ap 20.11-13. A terceira etapa do julgamento final refere-se ao julgamento dos anjos caidos, inclusive Satanás: “Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais às coisas pertencentes a esta vida?” 1 Co 6.3. (Veja ainda Mt 8.29; 2 Pe 2.4; Ap 20.10).
   Nas duas últimas etapas do Julgamento Final (ímpios e anjos caidos) a igreja estará ao lado de Cristo participando ativamente dele (1 Co 6.2,3).
   Como resultado desse julgamento os anjos caidos e os impios receberão a sua devida condenação.             Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

A Ressurreição Geral


     Já vimos no estudo da Escatologia Geral os temas a Grande Tribulação, a Segunda Vinda do Senhor, o Arrebatamento da Igreja e o Milênio. Neste boletim iremos tratar da Ressurreição Corporal dos mortos que é outro tema encontrado na Escatologia Geral.
   As Sagradas Escrituras falam também de uma ressurreição espiritual que ocorre no momento em que a pessoa nasce de novo pela instrumentalidade do Espirito Santo quando crer na mensagem do Evangelho. “Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão”. Jo 5.25. Este texto trata da ressurreição espiritual, que é objeto da Soteriologia (A Doutrina da Salvação) e não da Escatologia, mas no capitulo cinco versiculos 28 e 29 do Evangelho de João o Senhor Jesus trata de outro assunto que é a ressurreição do corpo. “Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação”.
    Considerando que o ser humano é uma dicotomia (alma chamada também de espirito e corpo) no programa redentor está previsto uma benção eterna não só para a alma, mas também para o corpo, ambos atingidos pelo pecado original. Para a alma o Evangelho concede Regeneração, perdão, salvação. Para o corpo o evangelho garante uma restauração que é a ressurreição em glória.
    Paulo escrevendo aos Corintios tratou da ressurreição dos salvos que já  morreram. “Assim também a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção, ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual” 1 Co 15.42-44.
    A ressurreição dos mortos, tanto de salvos como de perdidos é um assunto tratado tanto no Antigo como no Novo Testamento. O profeta Daniel feriu o assunto desta maneira: “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna e outros para vergonha e desprezo eterno” Dn 12.2. No Novo Testamento o assunto é tratado mais profundamente pelos seus escritores. Temos registro nos quatros evangelhos, no livro de Atos, em algumas das cartas paulinas, no livro de Hebreus e no livro de Apocalipse.
     Lendo esse assunto nesses livros percebemos que a ressurreição contempla salvos e perdidos. Todos que morreram irão ressuscitar dentre os mortos.  Os salvos com corpos glorificados semelhantes ao corpo de nosso Senhor Jesus Cristo quando ressuscitou dos mortos (Fp 3.1,2) e os nao salvos ressuscitarão com corpos especiais capaz de suportar o juizo eterno de Deus.
     Os teólogos cristãos se dividem quanto à ordem da ressurreição no que se refere aos dois grupos (salvos e perdidos). Uns acham que a ressurreição entre um grupo e outro será  separada por um periodo de mil anos. Outros acham que a ressurreição de salvos e perdidos será ao mesmo tempo, por ocasião da segunda vinda do Senhor, ideia essa mais coerente segundo os textos de Dn 12.2 e Jo 5.28,29.
                                 Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

PREGAÇÃO PASTOR EUDES 04/11/12

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Comprometidos com o maior dos projetos

Paulo, apóstolo de nosso Senhor Jesus Cristo, escrevendo a Tito revelou que fora comissionado por Deus para proclamar o Evangelho de Cristo visando despertar a fé daqueles contemporâneos seus que foram escolhidos por Deus para a salvação desde a eternidade. “Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para promover a fé que é dos eleitos de Deus e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade” Tt 1.1. Sabia Paulo que Deus tinha um projeto definido na eternidade que estava sendo executado no tempo e que esse projeto envolvia a chamada, através do Evangelho, daquelas pessoas que foram escolhidas para a salvação desde os tempos eternos. Descobrimos pelas Escrituras que o homem é pecador aos olhos de Deus, e que essa condição foi herdada de Adão quando esse personagem pecou desobedecendo a uma ordem expressa de Deus. O texto sagrado nos diz em Romanos 3.23 que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Que todos os seres humanos herdam a natureza pecaminosa de Adão, e que a culpa do pecado do cabeça federal da raça humana foi imputada a sua descendência se extrai do texto de Romanos 5.12, que diz: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”. As Sagradas Escrituras ainda nos revelam que Deus graciosamente, movido por amor, preparou uma obra redentora através de seu Filho Jesus Cristo, que assumiu uma natureza humana, e morreu na cruz pelos pecados do homem. “o qual (Jesus Cristo) foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação” Rm 4.25. (Veja ainda 1 Co 15.1-4). Ainda encontramos nas Escrituras que o Senhor Jesus comissionou a sua Igreja para que pregasse o Evangelho, que é as boas novas de salvação, em todo o mundo e a toda a criatura, para testemunho. “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” Mc 16.15,16. Ainda determinou Deus que essa salvação apregoada pela Igreja, fosse crida e recebida pela fé a fim de que o pecador perdido pudesse ser salvo e passasse a gozar das beatitudes da vida eterna neste mundo e em plenitude no porvir. “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” Ef 2.8,9. Dissemos acima que Deus comissionou a Igreja para ser um instrumento de propagação da mensagem que redime o homem da perdição eterna. Lembramos que a Igreja é composta de pessoas que servem ao Senhor. Assim sendo, apresentamos um grande desafio para todos que fazem a nossa Igreja, que é se comprometerem com esse que é um dos maiores projetos de Deus - alcançar os eleitos através da pregação do Evangelho. É sabido que missões se faz orando, indo e contribuindo. Lembramos que todos nós somos responsáveis por essa obra e que precisamos nos engajar nesse projeto divino. Ninguém deve ficar ausente. Todos devem dar testemunho de Jesus Cristo através de um viver santo, separado do pecado, e também abrindo a sua boca e falando de Jesus, de suas virtudes, especialmente, da virtude salvadora, pois só ele pode salvar o pecador perdido. “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” At 4.12. Deve o crente ainda orar por missões, pela salvação das almas perdidas e contribuir financeiramente para que essa obra seja realizada. Deus ainda decidiu conceder o poder do Espirito para que essa obra seja realizada, conforme At 1.8: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”. Assim sendo desafiamos a todos os que fazem a III IEC/JPA a se comprometerem com esse projeto que é de Deus. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O Milênio

Um outro tema a ser tratado no programa escatológico geral de Deus segundo as Escrituras, é o Milênio. Os profetas antigos previram um tempo em que Deus iria implantar um reino, através de um representante seu onde imperasse a paz, a justiça e a prosperidade (Isaías 11; Dn 2.44; 7.13,14,27;...). Esse representante seria da casa real de Davi – o Messias. “Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre” 2 Sm 7.16. Esse reino iria submeter todos os reinos do mundo, que passariam para o seu controle. “Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu, levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo, esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido para sempre” Dn 2.44 (Veja ainda Dn 7.13,14, 27). Devido à reiterada ênfase nesse reino nos escritos do Antigo Testamento, na época em que Jesus viveu neste mundo havia uma expectativa muito grande, por parte dos judeus, inclusive de seus discípulos, quanto à sua implantação. “Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?” Atos 1.6. A expressão Milênio foi tirada do texto de Apocalipse 20.1-4, onde há uma referência a um reino de mil anos, onde são mencionados os salvos ou a Igreja e Cristo, o Rei. Os estudiosos bíblicos se dividem quanto à interpretação do Milênio, havendo três escolas de interpretação: 1) Existem aqueles que interpretam o Milênio como um reino literal, cuja capital será Jerusalém e que o rei Jesus governará o mundo com a Igreja, como rei de Israel, e que esse reino durará mil anos. Acreditam, eles, que a segunda vinda de Cristo inaugurará o Reino Milenial – são os Premilenistas; 2) Outros entendem que o Milênio não é necessariamente um período de mil anos e sim um período de tempo indeterminado em que as instituições sociais do mundo inteiro serão melhoradas,graças à poderosa ação do Evangelho, trazendo para o mundo um período de paz, justiça e prosperidade nunca visto, e que a segunda vinda do Senhor dar-se-á logo após esse período – são os Posmilenistas; Outros entendem que a mensagem do livro de Apocalipse é apresentada de forma simbólica, portanto, não se pode entender o Milênio como um reino literal e sim de natureza espiritual, símbolo da vida perfeita dos crentes nos céus. Esse segmento diz ainda que o Milênio é o símbolo do reino de Cristo no coração dos crentes, fazendo-os gozar de paz com Deus, alegria e felicidade plena – são os Amilenistas. Os Premilenistas ainda se dividem em Premilenismo Histórico e Premilenismo Dispensacional, conforme descritos a seguir: 1) Premilenismo Histórico - A Segunda Vinda do Senhor dará ocasião ao estabelecimento do Reino Milenar. O Milênio é considerado um reino político onde Cristo governará o mundo durante um período de 1.000 anos. Nesse reino a Igreja governará com Cristo e será um período de paz, prosperidade e justiça. Os Premilenistas Históricos são Postribulacionistas, acreditam que a Igreja passará pela Grande Tribulação sendo preservada pelo Senhor nela; 2) Premilenismo Dispensacional - O Milênio é considerado um período dispensacional de 1.000 anos literais. A Segunda Vinda do Senhor terá duas fases sendo uma secreta para a Igreja e a outra visível para estabelecer o Reino Milenial. Nesse reino haverá uma distinção entre a Igreja, a nação de Israel e o mundo gentílico. O Senhor Jesus governará o mundo como rei messiânico prometido a nação de Israel, como príncipe da casa real de Davi. Considerando que a mensagem do livro de Apocalipse nos é apresentada de forma simbólica, e que a única referência a um reino de mil anos se encontra nele, é melhor optar pela linha Amilenista por uma questão básica de coerência na interpretação desse precioso livro. Com isso descartamos a ideia de um milênio literal bem como a ideia de um Milênio produzido pela pregação do Evangelho, tendo em vista que a Bíblia nos diz que, na medida em que se aproxima o fim de todas as coisas, o mundo piorará. Deve-se considerar, também, que uma opção literal do Milênio tem que se pensar nesse reino também para o estado israelita da atualidade, o que é incoerente dentro do esquema geral das Escrituras, que contempla os remanescentes judeus com as bênçãos celestiais no programa geral da Igreja, que é formada de judeus e gentios. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

O Arrebatamento da Igreja

No boletim anterior dissemos que segundo o programa divino o Senhor Jesus voltará em glória a este mundo. Por ocasião dessa Segunda Vinda, ocorrerá o Arrebatamento da Igreja. As promessas acerca do Arrebatamento encontram-se em Jo 14.1-3, 1 Ts 4.16-19, e 2 Ts 2.1. Segundo o texto de 1 Ts, quando Cristo vier pela segunda vez, os crentes falecidos irão ressuscitar com corpos glorificados e os crentes que estarão vivos naquela ocasião serão transformados, terão o seu corpo mortal revestido de imortalidade, num abrir e fechar de olhos conforme o que está dito em 1 Co 15.51,52. Todos os crentes ressuscitados, desde a primeira pessoa que foi salva neste mundo até o dia da Segunda Vinda de Cristo, juntos com os crentes transformados (a Igreja completa, sem faltar ninguém), serão impulsionados pelo Espírito Santo para se encontrar com o Senhor Jesus nos ares (céus atmosféricos) e a partir daí estarão para sempre com o Senhor (1 Ts 4.17). Para efeito didático podemos segmentar o Arrebatamento da Igreja em três partes, a saber: 1) a ressurreição em glória dos crentes falecidos – “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” 1 Ts 4.16 (Veja ainda Dn 12.2; Jo 5.28,29; 1 Co 15.52); 2) a transformação dos crentes vivos– “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” 1 Co 15.51,52 (Veja ainda Fp 3.21; 1 Ts 4.17); 3) o encontro com o Senhor Jesus nos ares – “Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” 1 Ts 4.17 (Veja ainda os textos de Jo 14.3 e 2 Ts 2.1). É importante esclarecer outros assuntos acerca do Arrebatamento da Igreja, devido às diversas ideias que grassam no meio evangélico, sendo a mais comum aquela que ensina uma segunda vinda de Cristo secreta para arrebatar a sua igreja. Segundo as Escrituras o Arrebatamento da igreja está intimamente ligado a Segunda Vinda do Senhor, a manifestação pública de Cristo ao mundo (Mt 24.29-31; 1 Ts 4.16,17), sendo essa Segunda Vinda um evento só e não em duas fases como pregam os irmãos dispensacionalistas (não há registro bíblico que apoie essa doutrina). Ainda é importante enfatizar que o Arrebatamento da Igreja dar-se-á depois da grande tribulação, já que o evento é simultâneo a Segunda Vinda do Senhor e essa ocorrerá após o período tribulacional, conforme nos revela o texto de Mt 24.29-31 e os textos correlatos encontrados nos evangelhos de Marcos e Lucas, bem como o texto da segunda carta de Paulo aos Tessalonicenses (2.1-12). Outra coisa a considerar é que não haverá um arrebatamento parcial como ensinam alguns (os que estiverem preparados subirão e os outros ficarão para outra ocasião). Todos os verdadeiros crentes, tanto os falecidos que irão ressuscitar como aqueles que estarão vivos, por ocasião da Segunda Vinda, serão arrebatados, não havendo distinção entre os que são considerados mais espirituais e menos espirituais, pois todos estão escondidos com Cristo em Deus (Cl 3.3.), guardados por Jesus Cristo (Jd 1), já foram perdoados e lavados pelo sangue de Cristo (1 Co 6.11), são filhos de Deus por adoção em Jesus Cristo (Ef 1.5); já foram santificados por Cristo (1 Co 1.2), estão ligados eternamente ao Filho de Deus (Rm 8.1) e estão assentados nos lugares celestiais em Cristo (Ef 2.6). A posição que eles ocupam no plano de Deus é de membros do corpo de Cristo, da Igreja lavada e remida pelo sangue de Jesus (1 Co 12.13,27). Assim sendo, regozijemo-nos irmãos pela bênção eterna de sermos filhos de Deus, e por sermos sustentados pelo poder de Cristo, e por essa certeza de que quando do Arrebatamento estaremos participando deste glorioso evento. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O Enfoque Missiológico de Paulo

Introdução
 No ensejo de preparar um artigo sobre a Teologia Paulina de Missões, optamos em apresentá-lo conforme se verá a seguir, por entender que uma leitura daquilo que o apóstolo aos gentios acreditava, produzira e vivenciava, é de extrema importância para a Igreja da atualidade, tão descaracterizada em sua teologia e práticas ministeriais, seguindo ensinamentos não fundamentados nas Sagradas Escrituras mas oriundos da mente de homens, muitos deles com objetivos não compatíveis com a santidade do Evangelho. Diante do exposto, pretendemos com a graça divina, fazer ver ao leitor como Paulo encarava a questão missionária e a ênfase que se descobre numa leitura de seus escritos. Isto posto, trataremos primeiramente sobre a Escritura que o apóstolo lia, acreditava e pregava. Essa Escritura, que era a escritura dos hebreus, a primeira parte de nossa Bíblia - o Antigo Testamento, era a parte inicial da revelação divina, tida por Paulo como escritura verídica, autoritária e canônica. Em seguida, examinaremos o assunto das Escrituras produzidas por Paulo, ou seja, o grupo de treze cartas, escritas pelo apóstolo, sob inspiração divina, que faz parte do cânon do Novo Testamento, que legisla sobre quase todos os assuntos ligados à igreja do Senhor, inclusive sobre a obra missionária. Na terceira divisão do trabalho, enfatizaremos a mensagem pregada por Paulo no cotidiano do seu ministério, a mensagem do Evangelho, que tem como pilares a morte e a ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, mensagem essa que para aquele apóstolo era o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. No quarto momento deste trabalho, trataremos da questão do crescimento harmonioso e sadio das comunidades evangélicas fundadas por Paulo ou por outros, mostrando a sua preocupação para com a Igreja do Senhor que ele, como apóstolo, entendia que era responsabilidade sua. Por fim, trataremos da questão social segundo a ótica paulina, através da qual faremos referência a temas como a família, a escravidão, as relações de trabalho, a obediência às autoridades constituídas, os tributos e a ação social da igreja na área da beneficência. Neste trabalho, faremos menção constante das Escrituras principalmente das cartas escritas por Paulo e do livro de Atos dos Apóstolos, no qual encontramos alguns sermões daquele que foi o apóstolo dos gentios. Objetivamos com isto mostrar a atualidade de Paulo bem como a necessidade de uma releitura de suas cartas, para promover uma mudança na postura ministerial de muitos obreiros do Senhor bem como das comunidades que têm o privilégio de dirigir. Evidentemente que este trabalho tem as suas limitações, pois não foi nossa pretensão fazer um minucioso estudo sobre a teologia paulina, o que caberia na atualidade, mas apenas enfocar alguns temas que achamos importantes para a Igreja do século XXI que tem uma forte preocupação missionária. Um aprofundamento da questão paulina deve ser buscado nos abundantes livros já produzidos, principalmente, naqueles ligados à teologia do Novo Testamento ou mesmo à teologia paulina, estando alguns desses livros listados na bibliografia identificada no final deste texto.
 I - As Escrituras que Paulo lia 
 Quando o apóstolo Paulo surgiu no cenário cristão, as escrituras hebraicas, a primeira parte da revelação divina do Cânon Sagrado, já era uma realidade histórica de mais de quatrocentos anos. As escrituras hebraicas compostas dos livros da lei (Torá), dos Escritos e dos Profetas na classificação do judaísmo, que fora compilada pelo sacerdote-escriba Esdras, no período de 464 - 424 a.C. eram a única escritura aceita pelos judeus como canônica na época de Paulo, bem como até ao dia de hoje. Devido à cultura grega ter dominado o mundo antigo, surgiu à necessidade de essa Escritura ser traduzido das línguas originais (hebraico e aramaico) para o grego, o que foi feito entre os anos de 284 - 247 a.C. em Alexandria no Egito, por setenta anciãos de Israel, segundo a tradição judaica. Essa versão conhecida pelo nome de Septuaginta, era a escritura usada livremente pelo povo da época ao contrário do texto em hebraico/aramaico, que tinha o seu uso circunscrito aos serviços religiosos da Sinagoga e do Santuário. A Septuaginta distribuiu os livros por assunto, arrumando-os diferentemente da compilação feita por Esdras (A Lei, os Profetas e os Escritos), em livros da Lei, livros Históricos, livros Poéticos e livros Proféticos, mas mantendo-se fiel aos escritos originais. Paulo, como judeu-romano que era, poliglota, conhecia as Escrituras Hebraicas bem como a sua tradução para o grego, a Septuaginta. Na escola onde Paulo estudou a de Gamaliel, neto do famoso rabino Hillel, fundador da escola liberal de interpretação das Escrituras, aprendeu os Escritos Sagrados, segundo o seu próprio testemunho: “Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me aos pés de Gamaliel, segundo a exatidão da lei de nossos antepassados, sendo zeloso para com Deus, assim como todos vós sois no dia de hoje” At 22.3. Certamente as duas versões das Escrituras eram trabalhadas em sala de aula, na escola de Gamaliel. De maneira que, podemos concluir que Paulo conhecia as Escrituras hebraicas e a sua versão grega e as considerava como a revelação divina, autoritativa, verídica e que continha todo o plano de Deus revelado até então. Paulo entendia que as Escrituras proféticas tinham o seu cumprimento na pessoa e obra de Jesus Cristo nosso Senhor, e na sua argumentação para convencer tanto os judeus apegados ao texto hebraico como aos judeus helenizados, ele fazia uso da mesma de forma abundante. A mensagem de Paulo tinha uma base escriturística muito forte, isto é o que entendemos da leitura de textos como os a seguir identificados: “Saulo, porém, mais e mais se fortalecia e confundia os judeus que moravam em Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo” At 9.22. “Mas, alcançando socorro de Deus, permaneço até ao dia de hoje, dando testemunho, tanto a pequenos como a grandes, nada dizendo, senão o que os profetas e Moisés disseram haver de acontecer, isto é, que o Cristo devia padecer e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, anunciaria a luz ao povo e aos gentios” At 26.22,23. “Havendo-lhe eles marcado um dia, vieram em grande número ao encontro de Paulo na sua residência. Então, desde a manhã até à tarde, lhes fez uma exposição em testemunho do reino de Deus, procurando persuadi-los a respeito de Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas” At 28.23. No poderoso sermão pregado na sinagoga de Antioquia da Pisídia, registrado em Atos 13.16-41, Paulo usou abundantemente as Sagradas Escrituras para provar que o Senhor Jesus Cristo era o Salvador e que todos os que cressem nele seriam justificados diante de Deus. Em Tessalônica, Paulo ao pregar o Evangelho fê-lo argumentando em cima das Escrituras: “Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los, e por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras, expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos; e este, dizia ele, é o Cristo, Jesus, que eu vos anuncio”. At 17.2,3. Em Beréia, a argumentação escriturística fora atentamente acompanhada pelos bereanos, resultando na conversão de muitos deles. No sermão, no areópago em Atenas, registrado em At 17.22-31, perante uma seleta plateia gentia, Paulo usa as Escrituras para testificar àqueles homens a graça divina, inclusive fazendo uma incursão na própria cultura grega, citando um de seus poetas. Em Corinto, na sinagoga que existia naquela cidade, Paulo testemunha aos judeus, baseado nas Escrituras, que Jesus era o Cristo, o Messias esperado (At 18.1-5). Em Éfeso (At 19.8), o apóstolo Paulo prega na sinagoga e o livro texto de seu sermão era as Sagradas Escrituras que chamamos de Antigo Testamento. Também em seu testemunho pessoal sobre a conversão a Cristo Jesus, Paulo faz alusão ao antigo texto sagrado (At 26.1-27). Diante do exposto, concluímos este assunto, realçando que Paulo era um profundo conhecedor das Escrituras hebraicas, e que a interpretava corretamente, e que fazia a sua aplicação de forma contextualizada em suas pregações e ensino ao longo de seu ministério apostólico. Essa postura de Paulo acerca da valoração das Escrituras do Antigo Testamento nos faz refletir sobre a importância dessa parte do Cânon Sagrado bem como do teor das mensagens pregadas hoje nos púlpitos das igrejas evangélicas e nos campos missionários, muitas delas fugindo da real veracidade do texto bíblico, bem como de sua aplicação correta.
 II - As Escrituras produzidas por Paulo 
 Deus, segundo o beneplácito de Sua soberana vontade, escolheu o apóstolo Paulo para ser um dos instrumentos de Sua revelação especial. Paulo, pela graça de Deus, além de ter sido um eficaz pregador foi também um exímio escritor. Ele produziu sob inspiração divina, treze dos vinte e sete livros do Novo Testamento. Dentre as suas cartas, nove foram destinadas a Igrejas organizadas, e quatro a obreiros e colaboradores seus. Paulo em suas epístolas tratou, praticamente, de todos os grandes assuntos da fé cristã, e esses ensinamentos consolidaram o corpo doutrinário como nós o conhecemos hoje. A seguir veremos sucintamente o conteúdo de cada escrito do apóstolo aos gentios: Carta aos Romanos - A mais formal das cartas escritas por Paulo. A epístola aos Romanos apresenta, de maneira sistemática, a doutrina da justificação pela fé e suas ramificações. O tema da epístola é a justiça de Deus (1.16,17). Um bom número de doutrinas fundamentais da fé cristã é discutido: a revelação natural (1.19,20), a universalidade do pecado (3.9-20), a justificação pela fé (3.24), a propiciação através do sangue de Jesus (3.25), a fé (cap. 4), o pecado original (5.12), a união com Cristo (cap. 6), a vida no Espírito (cap. 8), a eleição e rejeição de Israel (cap. 9-11), os dons espirituais (12.3-8) e o respeito às autoridades (13.1-7). Carta aos Coríntios (Primeira) - Essa carta é predominantemente prática em sua ênfase, tratando de problemas espirituais e morais de uma igreja local. É um manual prático de teologia pastoral. Ênfases importantes incluem: a preservação da unidade da igreja (1.10-13), Cristo, o centro da mensagem de Paulo (1.23,24), Cristo, o fundamento da igreja (3.10-15), o tribunal de Cristo (3.11-15), a habitação do Espírito (6.19,20), a glória de Deus (10.31), a ceia do Senhor (11.23-34), o exercício dos dons espirituais (cap. 12-14), o amor (cap. 13), e a ressurreição do corpo (cap. 15). Carta aos Coríntios (Segunda) - Contém detalhes pessoais e autobiográficos da vida de Paulo (4.8-18; 11.22-33). O tratamento mais importante da contribuição cristã, no Novo Testamento, é encontrado nos capítulos 8 e 9. Carta aos Gálatas - O tema justificação pela fé é defendido, explicado e aplicado. Outros assuntos significativos são a estada de Paulo na Arábia por três anos (1.17), sua repreensão a Pedro (2.11), a lei como aio ou pedagogo (3.24) e o fruto do Espírito (5.22,23). Carta aos Efésios - O grande tema dessa carta é o propósito eterno de Deus de estabelecer e completar o Seu povo, a Igreja de Cristo. Ao desenvolver este tema, Paulo trata da predestinação (1.3-14), a liderança de Cristo sobre o corpo, como cabeça (1.22,23; 4.15,16), a Igreja como edifício e templo de Deus (2.21,22), o mistério de Cristo (3.1-21), dons espirituais (4.7-16), o viver do cristão (4.17-32), e a Igreja como noiva de Cristo (5.24-32), e a armadura espiritual do crente (6.10-18). Carta aos Filipenses - Uma das mais importantes passagens doutrinárias do Novo Testamento é Filipenses 2.5-8; nela Paulo apresenta a doutrina da kenosis - a auto-humilhação ou auto-esvaziamento de Cristo. É enfatizada a oração (4.6,7). Um retrato autobiográfico significativo aparece em 3.4-14. Carta aos Colossenses - O tema é a supremacia e plena suficiência de Cristo. Assuntos importantes incluem a pessoa e obra de Cristo (1.15-23), heresia gnóstica (2.8-23) e a união do crente com Cristo (3.1-4). Carta aos Tessalonicenses (Primeira) - As passagens chaves dessa epístola são escatológicas, ou seja, relacionadas aos acontecimentos dos últimos dias, como a segunda vinda de Cristo, o arrebatamento da Igreja (4.13-18) e o dia do Senhor (5.1-11). Carta aos Tessalonicenses (Segunda) - A divisão principal trata sobre o homem do pecado (2.1-12) deve ser comparada com outras passagens na Bíblia que falam desse anticristo (Dn 9.27; Mt 24.15; Ap 11.7; 13.1-10). Carta a Timóteo (Primeira) - Em relação a Timóteo pessoalmente, o tema da carta é “combater o bom combate” (1.18). Em relação à Igreja como um corpo, o tema é “a conduta na casa de Deus” (3.15). Assuntos importantes na epístola incluem a lei (1.7-11), oração (2.1-8), traje e atividades das mulheres (2.9-15), qualificações para bispos ou presbíteros e diáconos (3.1-13), os últimos dias (4.1-3), o cuidado para com as viúvas (5.3-16), e o uso do dinheiro (6.6-19). Carta a Timóteo (Segunda) - O tema pode ser derivado de 2.3, “um bom soldado de Cristo Jesus”. Assuntos importantes na carta incluem a apostasia dos últimos dias (3.1-9; cf. 1 Tm 4.1-3), a inspiração das Escrituras (3.16), e a recompensa do crente fiel (4.8). Carta a Tito - Tópicos importantes discutidos nesta carta incluem as qualificações para o presbiterato (1.5-9), instruções a várias faixas etárias na Igreja (2.1-8), relação entre a regeneração, as obras humanas e o Espírito (3.5). Carta a Filemom - É a mais pessoal das cartas de Paulo. O apóstolo Paulo intercede por um escravo que se tornara cristão através de sua instrumentalidade. Em algumas dessas cartas, observa-se o grande interesse de Paulo em consolidar e estruturar as Igrejas conforme os textos encontrados em 2 Co 11.2,3; 1 Co 4.17; Gl 4.19,20;... Paulo com os seus escritos deu uma contribuição extraordinária à obra missionária, considerando que fazer missões é muito mais do que pregar o Evangelho, mas também edificar igrejas autóctones, sadias, equilibradas. Os ensinos de Paulo em suas cartas têm a finalidade de atender essa necessidade, ou seja, fornecer um padrão estabelecido por Deus para a obra missionária, padrão esse que é o paradigma nessa área em todas as épocas.
 III - A mensagem do Evangelho pregada por Paulo
 A mensagem pregada por Paulo, em seus sermões e escritos, tinha como pontos centrais a morte e a ressurreição do Senhor Jesus Cristo, conforme os textos a seguir identificados: “e, embora não achassem nenhuma causa de morte, pediram a Pilatos que ele fosse morto. Depois de cumprirem tudo o que a respeito dele estava escrito, tirando-o do madeiro, puseram-no em um túmulo. Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos” (At 13.28-30). “expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos, e que este é o Cristo, Jesus, que eu vos anuncio” At 17.3. “Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” At 17.31. Na apresentação da essência do Evangelho, quando escrevia aos Romanos e aos Coríntios, Paulo disse: “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação”. Rm 4.25. “Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão. Porque primeiro vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”. 1 Co 15.1-4. O Evangelho de Cristo que significa boas novas de salvação através de Jesus Cristo, que segundo Paulo é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16,17), é a mensagem redentora proporcionada pela morte de Jesus Cristo que, de acordo com o apóstolo, tinha as seguintes características teológicas: 1) Uma morte expiatória - A expiação é a anulação da culpa ou a remoção do pecado por meio de alguma interposição meritória. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição em nosso lugar, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro”. Paulo vê a morte do Senhor Jesus Cristo como uma morte expiatória. Em várias referências, ele associa distintamente a morte de Cristo com o ritual e conceito de sacrifício do Antigo Testamento. Em Romanos 3.25, Paulo faz uma alusão direta à oferenda pelo pecado que era apresentada pelo sumo sacerdote no ritual judaico do grande Dia da Expiação. Ele descreve a morte de Cristo como oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave (Ef 5.2). O aspecto expiatório da morte de Cristo é visto nas frequentes referências ao Seu sangue, conforme os textos de Rm 3.25; 5.9; Ef 1.7; 2.13 e Cl 1.20. 2) Um sacrifício pelos pecados - a morte de Cristo foi um sacrifício eficaz a favor do pecado do homem. Por conseguinte, cada membro da raça humana nasce em tese sobre a sombra protetora da cruz. Assim como a culpa do pecado de Adão é imputada a sua posteridade, assim também a sua posteridade compartilha da ação meritória da obra redentora realizada por Cristo na cruz do Calvário. A morte de Jesus Cristo é, potencial e provisionalmente, um sacrifício em favor dos pecados do mundo. Nesse sentido, Ele provou a morte em favor de todo homem e a si mesmo se deu em resgate por todos, e é o Salvador dos homens. “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois de fato sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro Pascoal, foi imolado” 1 Co 5.7. Evidentemente que deve ser considerado todos os homens, nesse contexto, como todos aqueles que foram eleitos por Deus para a salvação na eternidade. 3) Uma morte vicária - A morte de Cristo não foi acidental, nem foi um martírio, nem foi motivada porque a merecesse, mas foi uma morte em favor de outros, e não foi por sua própria causa que ele morreu. “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” 1 Co 15.3. A ideia aqui apresentada é de que o sacrifício de Cristo foi um sacrifício vicário, isto é, em favor de outros. Cristo não morreu pelos seus próprios pecados porque não os tinha. A sua morte não foi um acidente, nem foi a morte de um mártir, mas sim uma morte em favor dos outros. Essa é a ideia transmitida por Paulo apreendida da leitura dos textos encontrados em 1 Ts 5.10; Rm 5.8; 8.32; Ef 5.2 e Gl 3.13. 4) Uma morte redentora - O termo resgate pressupõe o livramento por meio de um substituto, de um cativo ou devedor incapacitado de efetuar seu próprio livramento. Segue-se, naturalmente, que a emancipação e a restauração resultam do pagamento do resgate. Cristo remiu-nos da maldição imposta por uma lei desobedecida, ao fazer-se maldição em nosso lugar. Sua morte foi o preço do resgate que foi pago. “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” Gl 4.4,5. O homem, segundo Paulo, está sob o controle do pecado, sendo seu escravo. A morte redentora de Cristo o libertou da escravidão do pecado, do império das trevas e o transportou para o reino do Filho do seu amor (Cl 1.13). A ideia geral é que essa redenção foi possível graças ao preço pago por ela, a morte de Jesus. Os textos de Paulo que consolidam o assunto são Tt 2.14; 1 Tm 2.6; Rm 3.24,25; Ef 1.7; l Co 6.19,20; 1 Co 7.22,23; Gl 3.13; 4.4;5. 5) Uma morte propiciatória - O caráter propiciatório da morte de Jesus é adiante apoiado pelo texto de Rm 3.25,26. A morte de Cristo foi um ato de justiça, uma demonstração de que Deus era de fato um Deus justo e que puniria o pecado do homem. A ira de Deus contra o pecador fora aplacada pela morte de Seu filho. Uma propiciação foi concedida, para livrar os seres humanos da ira de Deus, que é revelada nos céus contra toda sorte de impiedade e injustiça dos homens (Rm 1.18). 6) Uma morte substitutiva - O nosso Senhor sendo inocente (2 Co 5.21) não tinha porque morrer como morreu. Sua morte não foi o resultado de seu próprio pecado ou culpa; ela foi sofrida no lugar de outros, que eram culpados e mereciam morrer. Por causa de sua morte não merecida, os pecadores são libertados da condenação à morte e da experiência da ira de Deus que eles grandemente mereciam. Os textos de Paulo sobre o assunto se encontram em Gl 2.20; 1 Tm 2.6; 2 Co 5.15; Gl 3.13. O segundo ponto sobre o qual a mensagem do Evangelho está fundamentada, segundo a ótica paulina, é a ressurreição de Cristo. No entendimento de Paulo, a ressurreição de Cristo autenticou a eficácia da obra redentora realizada na cruz do Calvário. A ressurreição de Cristo está tão intimamente ligada a Sua morte que os apóstolos dentre eles, Paulo, entendiam que a primeira (a morte de Cristo) implicaria necessariamente na segunda (a ressurreição de Cristo) e que a segunda seria consequência natural da primeira. Eles diziam que era impossível que Jesus fosse retido pela morte (At 2.24) ou que era necessário que assim acontecesse, pois, estava escrito que o Cristo deveria morrer e que ressuscitaria no terceiro dia (At 2.25-31). O apóstolo Paulo que ministrou sob a direção e inspiração do mesmo Espírito que operara nos outros apóstolos, estava alinhado com a ideia da importância crucial da ressurreição de Jesus no programa redentor de Deus. Nas suas pregações, Paulo fazia referência à ressurreição do Senhor tanto quanto à Sua morte ignominiosa. “Depois de cumprir tudo o que a respeito dele estava escrito, tirando-o do madeiro, puseram-no em um túmulo. Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos” At 13.29,30. “Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras, expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos” At 17.2,3. “Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” At 17.31. Segundo Paulo, esse ponto era de fundamental importância para a redenção do pecador. Na sua argumentação acerca da ressurreição do salvo, no capítulo 15 de sua primeira carta aos Coríntios, embasando o assunto, fazendo referência à ressurreição de Cristo ele nos revelou a importância dela na mensagem do Evangelho, conforme registros encontrados a seguir: a) Quanto à confiabilidade da pregação o Evangelho - “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação...” 1 Co 15.14; b) Quanto à validade da fé salvadora - “E, se Cristo não ressuscitou... também é vã a vossa fé” 1 Co 15.14. c) Quanto ao perdão dos pecados – “E, se Cristo não ressuscitou... ainda permaneceis nos vossos pecados” 1 Co 15.17 c) Quanto à salvação eterna da pessoa - “E, se Cristo não ressuscitou... os que dormiram em Cristo estão perdidos” 1 Co 15.18. d) Quanto à ressurreição do salvo - “Mas, agora, Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem” 1 Co 15.20. “Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias; depois os que são de Cristo na sua vinda” 1 Co 15.23. Concluímos este assunto, enfatizando que a mensagem pregada por Paulo e pelos seus colegas apóstolos era a pura mensagem do Evangelho de Cristo, que de forma autoritativa dizia que as boas novas para redenção do homem fora possível graças à morte e à ressurreição do Senhor. “Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei; o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” 1 Co 15.1-4. Contextualizando o assunto, entendemos que a Igreja da atualidade deve se espelhar em Paulo e voltar a pregar a verdadeira mensagem do Evangelho, fazendo ver a todos que Cristo morreu pelos pecados e ressuscitou para a justificação do homem, conforme o apóstolo escreveu em Romanos 4.25.
 IV - O ensino Paulino visando o crescimento harmonioso da Obra Missionária
 No entendimento de Paulo, a obra missionária não se restringia apenas à pregação do Evangelho, mas também arregimentar os salvos, organizando-os em ekklesia e estruturando-os para que pudessem se edificar mutuamente, visando um crescimento espiritual sadio. Paulo não entendia a obra missionária apenas como campanhas evangelísticas itinerantes, mas como um profundo trabalho local, autóctone. Na sua vida como ministro do Evangelho se percebia isso de forma clara. No livro de Atos dos Apóstolos (14.23), na sua primeira viagem missionária, encontramo-lo promovendo a eleição de liderança para que o trabalho tivesse a sua forma adequada conforme o propósito de Deus. “E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em que haviam crido”. Essa era a sua prática: Pregava o Evangelho, as pessoas eram convertidas e, à medida que o grupo crescia, Paulo tratava logo de organizar uma igreja, instituindo sua liderança - os Presbíteros, que haveriam de tomar conta do trabalho dali por diante. Em suas instruções a Timóteo e a Tito, dois ministros do Evangelho, seus colegas, Paulo trata da questão. Na carta a Timóteo ele traça o perfil da liderança presbiterial bem como da liderança diaconal, que haveriam de gerir os negócios da Igreja cada um na sua área específica de atuação (1 Tm 3.1-13). Na carta a Tito, Paulo orienta aquele ministro a, democraticamente, escolher com os membros da Igreja os Presbíteros, traçando também o perfil dos mesmos (Tt 1.5-9). Esse posicionamento de Paulo, dirigido pelo Espírito Santo, consolidava a obra missionária, porque a tendência natural da igreja organizada era crescer e avançar na pregação do Evangelho. “Porque de vós repercutiu a palavra do Senhor não só na Macedônia e Acaia, mas também por toda a parte se divulgou a vossa fé para com Deus, a tal ponto de não termos necessidade de acrescentar coisa alguma” 1 Ts 1.8. “Desde que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os santos; por causa da esperança que vos está preservada nos céus, da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho, que chegou até vós: como também, em todo o mundo, está produzindo fruto e crescendo, tal qual acontece entre vós,...” Cl 1.4-6. Sabia Paulo que, uma coisa era uma pessoa sozinha pregar o Evangelho, ou mesmo fazer isso acompanhado de outra pessoa, mas outra coisa era o esforço feito na pregação do Evangelho por uma igreja organizada, contando com a colaboração de seus membros e congregados, todos imbuídos de um só propósito de fazer o Reino de Deus avançar neste mundo. Paulo tinha conhecimento de que esse esforço organizado pela comunidade eclesial produzia o crescimento numérico da mesma para a glória de Deus. Além disso, preocupava-se o apóstolo do Senhor com o crescimento espiritual (qualitativo), através dos dons espirituais distribuídos por Deus a Igreja, conforme os registros encontrados em suas cartas destinadas aos Romanos (Rm 12.6-8), aos Coríntios (1 Co 12.4-11) e aos Efésios (Ef 4.10-16). Na compreensão de Paulo, os dons espirituais de diversas naturezas, principalmente os dons de liderança, foram dados a Igreja visando o crescimento harmonioso do corpo de Cristo. “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos, para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo”. Ef 4.11-13. Hoje, temos a tendência de exaltar o ministério pastoral como completo em si mesmo e capaz de atender a todas as demandas da Igreja. Paulo não pensava assim. No seu entendimento, os dons eram diversos, inclusive os de liderança, e dados a pessoas diferentes, com a finalidade como já dissemos, de promover o crescimento espiritual da Igreja do Senhor. “Os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos” 1 Co 12.4-6. “Mas um só e o mesmo Espírito, realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um individualmente” 1 Co 12.11. Não havia na visão de Paulo, um ministério só que concentrasse todos os dons do Espírito que seriam usados na edificação da Igreja, e sim uma multiplicidade de ministérios, todos úteis para o crescimento tanto quantitativo como qualitativo do corpo místico de Cristo, a Igreja. Paulo compreendia também que a Igreja fora instituída para cumprir diversas funções neste mundo, sendo as mais importantes a adoração (1 Co 14.1-40), a edificação espiritual (Ef 4.11-16), a evangelização (Rm 1.16,17; 1 Co 9.16) e a beneficência (2 Co 8, 9; Gl 6.9,10; 2 Ts 3.13).
 V - O Ensino Paulino enfocando a questão social
 O apóstolo Paulo, o instrumento de Deus, usado para a produção da maior parte dos escritos do Novo Testamento, não deixou escapar esse assunto de tão relevância na vida da Igreja aqui neste mundo. Paulo não somente trabalhou a questão espiritual em todas as áreas, mas dedicou uma boa parte de seus escritos para trabalhar essa questão que muitos acham que não merece atenção. Ele tinha uma visão holística da Igreja, ou seja, via a Igreja em todas as áreas, tanto no plano espiritual quanto no plano do cotidiano da vida social da mesma, e assim, movido pelo Espírito e pela visão que tinha, feriu esse assunto para servir de regras ou normas para obediência da comunidade eclesial, principalmente no que se refere ao seu testemunho. Paulo entendia que a pessoa mesmo se tornando crente pela graça de Deus, regenerada, cidadã do Céu, assentada nos lugares celestiais em Cristo Jesus, possuidora da vida eterna, herdeira de Deus, continuaria a viver na sociedade durante um tempo determinado por Deus. Enquanto vivessem no mundo, essas pessoas estavam inseridas dentro de um contexto social do qual eram participantes ativos. Não há no corpus paulinus (escritos de Paulo) aquela ideia de isolamento, de reclusão visando uma busca de uma vida santificada, afastada das pessoas que vivem no mundo. O que Paulo ensinava era que os crentes vivessem dentro do contexto social, com uma vida ilibada, santa, deixando transparecer neles a glória de Cristo. Assim sendo, investiguemos nos escritos de Paulo, os assuntos sociais a seguir identificados: 1) A Escravidão - Esse assunto que para nós do século XXI é um anátema, era para o mundo antigo uma realidade aceita e vivenciada, inclusive nos dias de Paulo. Interessante observar que Paulo sendo um homem capacitado por Deus, com uma ética cristã refinada, não pregou nenhuma rebelião armada ou de qualquer outra maneira nem fomentou nenhuma revolução dos escravos, visando à liberdade. Quando feriu o assunto, ele o fez de forma sutil, principalmente, no que tange as comunidades evangélicas das quais se sentia responsável como apóstolo diante de Deus. Isso é o que entendemos analisando os seus escritos. “Foste chamado, sendo escravo? Não te preocupes com isso; mas, se ainda podes tornar-te livre, aproveita a oportunidade. Porque o que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; semelhantemente, o que foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo” 1 Co 7.21,22. Observe no texto citado, que Paulo alertava aos crentes escravos a que se aparecesse a oportunidade de se tornarem livres, aproveitassem. Noutra escritura, na carta a Filemon, Paulo fez uma calorosa petição a um crente identificado pelo nome de Filemon, em favor de um escravo seu foragido chamado Onésimo, que o apóstolo ganhara para Cristo, quando ambos estava preso em Roma. Nessa carta, Paulo nivela em Cristo a diferença social existente na época, conclamando Filemom a receber Onésimo não mais como escravo, mas como irmão caríssimo no Senhor. “Peço-te por meu filho Onésimo, que gerei nas minhas prisões; o qual noutro tempo te foi inútil, mas agora a ti e a mim muito útil; eu to tornei a enviar. E tu tornas a recebê-lo como às minhas entranhas... não já como servo, antes, mais do que servo, como irmão amado, particularmente de mim: e quanto mais de ti, assim na carne como no Senhor? Assim pois, se me tens por companheiro, recebe-o como a mim mesmo” Fm 10-17. 2) As Relações Trabalhistas - Outro tema abordado por Paulo, dentro da questão macro social, foi o tema das relações trabalhistas, ou seja, a relação entre patrão e servo, entre servo e patrão, no que se refere a execução dos trabalhos e na retribuição pertinente. Paulo se revelou, através de suas instruções, como expert em gerência de recursos humanos, quanto tratou da questão. Sabia ele das tensões nessa área, por isso visando sempre à glória de Deus e as relações harmoniosas dentro da comunidade evangélica, legislou sobre o assunto em três de suas cartas. Na carta aos Efésios, o grande apóstolo escreveu dirigindo-se aos empregados ou servos nestes termos: “Quanto a vós outros, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus; servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens, certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre” Ef 6.5-8. E aos patrões, assim: “E vós, senhores, de igual modo procedei para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que para com ele não há acepção de pessoas” Ef 6.9. Na carta aos Colossenses, Paulo escreveu dirigindo-se aos servos nestes termos: “Servos, obedecei em tudo ao vosso senhor segundo a carne, não servindo apenas sob vigilância, visando tão somente agradar homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor. Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, temendo ao Senhor. Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, Senhor, é que estais servindo; pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas”. Cl 3.22-25. Dirigindo-se aos patrões, Paulo disse: “Senhores, tratai os servos com justiça e com equidade, certos de que também vós tendes Senhor no céu”. Cl 4.1. Na primeira carta a Timóteo, Paulo também trata dessa questão, geralmente tempestuosa: “Todos os servos que estão debaixo de jugo estimem a seus senhores por dignos de toda a honra, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. E os que têm senhores crentes não os desprezem, por serem irmãos; antes os sirvam melhor, porque eles, que participam do benefício, são crentes e amados, Isto ensina e exorta” 1 Tm 6.1,2. Os crentes da atualidade também devem se pautar por essas instruções de Paulo, porque foram inspiradas pelo Espírito Santo e entregue a Igreja para obediência. Nessa relação, que muitas vezes torna-se tempestuosa e angustiante, os servos de Deus, tanto no seu papel de senhor como no papel de servo, devem se portar convenientemente para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. 3) A Obediência às Autoridades - No entendimento de Paulo, a sociedade organizada, com as suas autoridades constituídas eram dádivas de Deus, para possibilitar o funcionamento ordeiro da vida social da mesma. Paulo compreendia e ensinava que toda a autoridade era constituída por Deus, e por isso a obediência a ela se fazia necessária, e quem resistisse às autoridades, estava resistindo a Deus. “Todo o homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmo condenação” Rm 12.1,2. É interessante observar que a carta de Paulo que trata com mais profundidade a questão da obediência às autoridades, aos Romanos, foi escrita a uma Igreja que estava sob a jurisdição política, econômica e social, daquilo que era considerado o centro do império romano - a cidade de Roma, governada, na época, por um dos seus mais cruéis e desajustados governantes, Nero. Escrevendo a Tito (3.1), o apóstolo orientou aquele ministro do Evangelho a instruir a igreja que pastoreava a que se sujeitasse as autoridades e as obedecesse. Paulo ensinava também que os crentes orassem pelas autoridades constituídas para que a comunidade cristã tivesse uma vida quieta e sossegada. “Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade. Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador” 1 Tm 2.1-3. Evidentemente, que quando Paulo levava os crentes nessa direção, ele o fazia com critério, porque sabia que a obediência às autoridades não era de uma forma incondicional e que deveria ser feita desde que as leis humanas não colidissem com a lei maior que é a Palavra de Deus. Muitas coisas ruins, comprometedoras e nocivas à fé cristã eram legisladas no império romano como, por exemplo, o culto ao imperador. É claro que a obediência nesse caso não era obrigatória aos olhos de Deus, pois a Bíblia diz que só Deus deve ser adorado. “... Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto” Mt 4.10. Paulo, ainda sobre o assunto, tratou da questão de pagamento de tributos, como uma obrigação legal de todos, inclusive dos membros da Igreja. Escrevendo aos Romanos, disse o apóstolo do Senhor: "Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a esse serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto: ..." Rm 13.6,7. A fraude e a sonegação fiscal estavam fora, na ótica paulina, da ética cristã vivenciada e ensinada por ele. 4) A Beneficência ou ação social da Igreja - Outra questão social trabalhada por Paulo em suas cartas, foi a questão da beneficência. O apóstolo entendia e ensinava que os irmãos mais abastados financeiramente deveriam ajudar aos irmãos carentes. A ênfase apostólica era de que a ajuda fosse de indivíduo para individuo. "Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé" Gl 6.10. Escrevendo a Timóteo, Paulo voltou a ferir a questão. "Se algum crente ou alguma crente tem viúvas, socorro-as, e não se sobrecarregue a igreja...". 1 Tm 5.16. Ainda nessa mesma carta, quando fazia referência àqueles irmãos a quem Deus dera abastança, Paulo disse: "que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prestos a repartir;..." 1 Tm 6.18. Paulo entendia, ainda, que a responsabilidade social não era só do crente enquanto indivíduo, mas de toda a comunidade cristã organizada. Isto percebemos da leitura dos textos: "Se algum crente tem viúvas em sua família, socorro-as e não sobrecarregando a igreja, para que esta possa socorrer as que são verdadeiramente viúvas" 1 Tm 5.16. Nessa mesma carta, o apóstolo dá algumas diretrizes a Timóteo quanto ao cadastramento de crentes carentes para receber a assistência social da Igreja. Na segunda carta aos Coríntios, o apóstolo leva a Igreja a levantar uma oferta para atender aos santos necessitados de Jerusalém (2 Co 8.1-9.15). É interessante observar que o apóstolo não fez nenhuma observação quanto à causa da pobreza dos irmãos carentes, quer como comunidade quer como indivíduos. Paulo em nenhum momento diz que a pobreza foi ocasionada por falta de profundidade na vida espiritual, ou por pecado cometido, ou por falta de fé. Nem tampouco ele diz que todos os crentes deveriam ser ricos, abastados, cabeça e não pés. Ele não pregava a Teologia da Prosperidade. O seu coração, cheio do amor de Deus, via apenas a necessidade dos amados do Senhor que deveriam ser supridas, e usando de todo o seu prestígio e do poder que lhe dera o Senhor, ele tenta mobilizar a Igreja para ocupar esse espaço tão importante aos olhos de Deus. 5) A questão da família – Paulo deu uma ênfase especial a essa que é maior de todas as instituições sociais. Nos seus escritos, respondendo a uma pergunta feita pela igreja de Corinto (1 Co 7), encontramos mandamentos que valorizam o matrimônio. Nesse capítulo a monogamia (casamento com um só cônjuge), a heterodoxidade (casamento de macho e fêmea) e a indissolubilidade do matrimônio são enfocadas, Tratando-se da indissolubilidade do casamento Paulo identifica duas situações em que ela possa ser quebrada: no caso de adultério e no caso da deserção irreversível, sendo essa última envolvendo um cônjuge crente e outro descrente quando o descrente não quer mais viver com o crente por questão da fé em Cristo. Paulo trata também das relações dentro do lar envolvendo marido e mulher e pais e filhos (Ef 5.22-33; 5.1-4; Cl 3.18-21). Nessas relações a submissão da mulher ao seu marido é identificada bem como o amor que o marido deve devotar a sua mulher. Ainda Paulo quando trata de pais e filhos e diz que os primeiros devem criar os seus filhos no temor do Senhor e não provocá-los a ira e ao segundo que devem obedecer em tudo aos seus pais, exceto no pecado. Essa preocupação social de Paulo visava, além de atender necessidades específicas, um viver cristão digno do povo de Deus no meio de uma sociedade corrompida e perversa. Conclusão 
 Vimos neste artigo questões diversas atinentes à vida ministerial do apóstolo Paulo, registradas no cânon do Novo Testamento. Procuramos mostrar que Paulo era um profundo conhecedor das Escrituras do Antigo Testamento e as usava nas suas pregações e argumentações teológicas. Vimos também que Paulo foi um exímio escritor, produzindo, sob inspiração divina, treze dos vinte e sete livros do Novo Testamento e que essas escrituras contribuíram para a consolidação do corpo doutrinário da Bíblia. Vimos ainda que Paulo pregava a mensagem do Evangelho em sua essência, em sua pureza, fundamentando-a na morte e na ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Trabalhamos também a questão do crescimento da Igreja tanto no seu aspecto quantitativo como no seu aspecto qualitativo, segundo a ótica paulina e por fim tratamos da questão social segundo fica subentendida da leitura das cartas daquele servo de Deus. Essas questões trazidas a lume nos faz refletir sobre o posicionamento das igrejas da atualidade e da obra missionária em geral quanto aos assuntos tratados neste trabalho. Pensamos que todos nós devemos fazer uma releitura dos escritos de Paulo e deixarmos que eles nos pautem a vida, para que possamos viver de uma forma que realmente agrade a Deus. Se assim fizermos, temos certeza de que as nossas vidas e as nossas comunidades evangélicas viverão de maneira que o nome do Senhor Jesus será nelas glorificado e que serão mais eficazes na realização da obra missionária.
 Bibliografia
 ____________ Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida no Brasil, com letras grandes. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1998. BANCROFT, Emery H. Teologia Elementar. Traduzido por João Marques Bentes. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1966. BRUCE, F. F. Paulo, o apóstolo da graça – sua vida, cartas e teologia. Traduzido por Hans Udo Fuchs. São Paulo: Shedd Publicações, 2003. CERFAUX, Lucien. Cristo na Teologia de Paulo. Traduzido pelas Monjas Beneditinas de Santa Maria, São Paulo. São Paulo: Editora Teológica, 2003. CERFAUX, Lucien. O Cristão na Teologia de Paulo. Traduzido por José Raimundo Vidigal. São Paulo: Editora Teológica, 2003. CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol 2 e 5. Traduzida por João Marques Bentes. São Paulo: Editora e Distribuidora Candeia, 1991. KASËMANN, Ernst. Perspectivas Paulinas. Traduzido por Benôni Lemos. São Paulo: Editora Teológica, 2003 LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento. Traduzido por Darci Dusilek e Jussara Marindir Pinto Simões Árias. Rio de Janeiro: Junta de Educação Religiosa e Publicações, 1985. REGA, Lourenço Stelio. Paulo, sua vida e sua presença ontem, hoje e sempre. Organizador: Lourenço Stelio Rega. São Paulo: Editora Vida, 2004. RIDDERBOS, Herman. A Teologia do Apóstolo Paulo. Traduzido por Suzana Klassen. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.
 Rev. Eudes Lopes Cavalcanti

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A Segunda Vinda do Senhor

A Segunda Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo é dentre os eventos escatológicos o mais bem documentado do Novo Testamento. Em quase todos os livros dessa porção das Escrituras temos pelos menos um registro desse glorioso evento. Três palavras foram usadas pelos escritores do Novo Testamento quando faziam referência a Segunda Vinda do Senhor: Parousia (1 Ts 3.13; 4.15;...) que tem o sentido transliterado de presença, vinda, chegada; Apocalipse (1 Co 1.7; 2 Ts 1.6,7; 1 Pe 4.13;...) que significa revelar, trazer à luz aquilo que estava oculto; e Epifania (1 Tm 6.14; 2 Tm 4.8; Tt 2.13,14;...) que significa aparecimento. O Senhor Jesus, ao longo de seu ministério terreno, já vinha profetizando que depois que realizasse a obra redentora e voltasse ao Pai, aos Céus, voltaria a este mundo para buscar a Sua Igreja, que resgatara com o Seu precioso sangue. Em João 14.2, encontramos uma dessas profecias: "E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também". A segunda vinda de Jesus é o próximo grande evento escatológico tendo como consequência imediata o Arrebatamento da Igreja. O apóstolo Paulo escrevendo aos Tessalonicenses explica como isso acorrerá: "Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor" 1 Ts 4.16,17. As características da segunda vinda do Senhor são: Será uma vinda pessoal. O texto de Tessalonicenses diz que o Senhor mesmo descerá dos céus. Em Atos 1.11 encontramos dois anjos dizendo aos discípulos do Senhor: "Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir". A segunda característica é que será uma vinda física e, consequentemente, visível, ou seja, o Senhor Jesus voltará com o corpo que ressuscitou dos mortos, dando ensejo para que todos O possam ver: "Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu,..." Mt 24.30. (Veja ainda Ap 1.7). A terceira característica é que será uma vinda gloriosa. Jesus veio a primeira vez em humilhação, mas virá a segunda vez com poder e grande glória. "... e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória" Mt 24.30. (Veja ainda Mt 25.31). Quanto à data da Segunda Vinda não nos foi revelado nem pelo Senhor nem pelos Seus apóstolos. O Senhor Jesus disse que daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos nem o próprio Filho como homem sabia (Mt 24.36; 25.13;...). É uma data da exclusiva competência de Deus. A Igreja não está autorizada a marcar a data da Segunda Vinda do Senhor, e todos aqueles que tentaram fazer isso erraram. Quando à época da Segunda Vinda em relação ao período tribulacional, existem pelos menos três posições escatológicas: O Pré-Tribulacionismo que ensina que a Segunda Vinda e o consequente Arrebatamento da Igreja, ocorrerão antes do estabelecimento da Grande Tribulação. O Meso-Tribulacionalismo que prega que a Segunda Vinda e o consequente Arrebatamento, ocorrerão no meio do período tribulacional e o Pós-Tribulacionismo que ensina que a Segunda Vinda ocorrerá logo após a Grande Tribulação. Amados irmãos, a Segunda Vinda do Senhor Jesus é certa, preparemo-nos, portanto, para esse grande e glorioso evento. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti