sábado, 26 de dezembro de 2015

Uma panorâmica sobre Hebreus

A carta aos Hebreus não identifica o seu autor, portanto é considerada uma epístola anônima. Pelo seu teor percebe-se que essa carta foi destinada, na época, aos crentes hebreus que estavam sendo tentadas a voltar para o judaísmo devido, dentre outras coisas, a perseguição que estava sedo movida contra os cristãos pelo império romano. Ainda pelo seu teor percebe-se que o autor da carta era profundamente versado nas Escrituras do Antigo Testamento devido citá-las com frequência no seu escrito. O tema central dessa epístola é a superioridade de Cristo e de sua obra sobre os anjos, os profetas e sobre os personagens principais centrais de Israel, tais como Moisés, Josué, Levi, Arão, etc, bem como sobre o culto do Antigo Testamento e dos que oficiavam nele. A palavra chave desse tema é “melhor”, que ocorre treze vezes. Essa carta tem as seguintes características especiais: 1) É o único livro que quanto a sua estrutura começa como um tratado, se desenvolve como um sermão e termina como uma carta (Orígenes); 2) É o único livro do Novo Testamento que desenvolve o conceito do ministério de nosso Senhor Jesus Cristo como Sumo Sacerdote; 3) Contém os mais variados aspectos da doutrina de Cristo (Cristologia), apresentando mais de vinte títulos de Cristo; 4) Contém o mais longo capitulo do Novo Testamento sobre a fé; 5) O livro contém as mais veementes advertências contra a apostasia da fé cristã. Quanto ao tema central de Hebreus (A superioridade de Cristo) nos é dito que Cristo é melhor do que os anjos e todos os mediadores do antigo concerto. Ele, Cristo, provê o melhor repouso, o melhor concerto, a melhor esperança; é o melhor sacerdote, autor da melhor expiação pelo sacrifício vicário, e faz as melhores promessas. O livro de Hebreus tem três divisões principais: 1) Jesus, o poderoso Filho de Deus é declarado a plena revelação de Deus à humanidade, superior aos profetas, aos anjos, a Moises e a Josué. Nessa divisão há uma solene advertência para o crente não cair depois de se tornar participante da graça divina (1.1-4.13); 2) Apresenta Jesus como o Sumo Sacerdote de nossa confissão, suas qualificações, caráter e ministério. Ainda nessa divisão há uma solene advertência para o crente não cair depois de se tornar participante da graça divina (4.14-10.18); 3) Contém uma admoestação enfática para os crentes perseverarem na salvação, na fé, no sofrimento e na santidade (10.19-13.17). A carta sermão aos Hebreus pode ser esboçada da seguinte maneira: I - O Argumento: Em se tratando de revelação - Cristo e a fé cristã sobrepujam o Judaísmo (Cristo é superior aos profetas, aos anjos, a Moisés e a Josué). Em se tratando da obra Medianeira - Cristo é superior em suas qualificações do sacerdócio, em seu caráter, em seu ministério (melhor santuário, melhor concerto, melhor sacrifício) (1.1-10.18); II – A Aplicação: Exortação à perseverança no âmbito da salvação, da fé da resignação e na santidade de vida (10.19-13.17). Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Uma panorâmica sobre Filemom

Filemom era um ilustre servo de Deus com quem Paulo se comunicava. Era um homem de posses. Servia a Deus na igreja de Colossos e tinha servos, dentre eles, um chamado Onésimo. Pela carta que Paulo enviou para Filemom entendemos que Onésimo tinha fugido da casa de Filemom e fora aprisionado e, pela providência divina, fora colocado na mesma prisão onde Paulo estava preso. Na prisão Paulo o ganhou para Cristo. A conversão de Onésimo foi tão profunda que Paulo gostaria de tê-lo consigo para servir no Evangelho, mas por questão de ética e de direito o devolveu a Filemom após a libertação de Onésimo. A carta de Paulo a Filemom, conhecida também como uma epistola pastoral, é uma carta em que Paulo intercedia por Onésimo junto a Filemom para que aquele servo de Deus o perdoasse e recebesse o foragido escravo não mais como escravo, mas como irmão caríssimo no Senhor. Na época, um escravo foragido poderia ser punido com a morte por causa da fuga. Essa carta é também conhecida como uma das epístolas que Paulo escreveu da prisão, quando de sua primeira prisão em Roma. A carta a Filemom, que foi escrita aproximadamente em 62 d.C. tem as seguintes características especiais: 1) É a mais breve das cartas escritas por Paulo; 2) Mais do que qualquer outra carta de Paulo mostra como a igreja primitiva tratava a questão da escravidão; 3) revela as entranhas do apóstolo Paulo no que se refere a identificação com os crentes em Cristo independente de sua posição social. Esboçando a carta a Filemom, vemos: Uma saudação como é comum nas cartas escritas por Paulo onde ele identifica o autor da carta, o destinatário, e abençoa aos destinatários com a graça e a paz da parte de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo (1-3); Paulo revela a estima que tinha por Filemom, por causa de sua fé em Cristo e pelo amor que ele nutria pelos irmãos (4-7); Paulo, em seguida, faz um apelo em favor de Onésimo onde ele explica o motivo da devolução de Onésimo e faz um apelo em favor dele e ao mesmo tempo espera uma resposta positiva de Filemom (8-21); No final da carta, Paulo manifesta a esperança de visitar Filemom em breve, informa os nomes daqueles irmãos que enviam saudações à Igreja de Colossos e impetra a bênção sobre eles (22-25). O tema escravidão merece destaque nessa carta. No mundo romano da época era comum a escravidão decorrida de espólio de guerra, de dívida não paga, etc, inclusive no meio da Igreja. É bom lembrar que Paulo orientava, através de suas cartas, aos escravos crentes a quem ele chama de servos que obedecessem aos seus senhores, servindo-os como se fosse ao próprio Senhor Jesus (Ef 6.5-8; Cl 3.22-25). Orienta ainda Paulo que se houvesse oportunidade de libertação de forma legal, aproveitassem eles a ocasião (1 Co 7.21). Quanto aos senhores que tinham escravos Paulo orienta a que os tratasse com humanidade, deixando as ameaças, pois o Senhor do Céu não fazia acepção de pessoas (Ef 6.9). Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Uma panorâmica sobre Tito

A carta de Paulo a Tito é considerada uma carta pastoral porque foi destinada a um obreiro companheiro do apóstolo numa de suas viagens missionárias. Tito era um convertido gentio através do ministério de Paulo, e fora designado por Paulo para ser o obreiro da igreja de Creta. “Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam...” Tt 1.5. Paulo tinha a Tito como um companheiro fiel e capaz e o cita em suas cartas treze vezes, sempre fazendo menção elogiosa a ele. Quatro foram os motivos que levaram a Paulo a escrever a Tito, a saber: 1) Orientar a Tito a por em ordem as coisas que ficaram pendentes no ministério daquela igreja, especialmente a questão da eleição de presbíteros. “Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros, como já te mandei” Tt 1.5; 2) Ajudar as igrejas daquela Ilha a crescerem na fé, no conhecimento da verdade e em santidade; 3) silenciar os falsos mestres que frequentavam as igrejas; 4) solicitar a Tito vir a Paulo, quando fosse substituído na direção do trabalho por Ártemas ou Tíquico. Essa carta tem as seguintes características especiais: 1) A carta contém dois breves, mas profundos resumos da obra redentora realizada por Cristo na cruz do Calvário; 2) A igreja e o seu ministério devem estar edificados sobre firmes alicerces espiritual, teológicos e éticos; 3) Contém uma das duas listas no Novo Testamento (a outra encontra-se em 1 Timóteo) sobre as qualificações exigidas por Deus dos obreiros de uma igreja local. Olhando para a carta de forma panorâmica, encontramos quatro temas que merecem destaque: 1) As qualificações espirituais necessárias para os que são separados para o ministério na igreja (Tt 1.5-9); 2) O ensino da sã doutrina como prioridade no ministério didático da igreja e a repreensão aos falsos mestres (Tt 1.10-2.1); 3) A ênfase na obra redentora de Cristo, mesmo que apresentada de forma sucinta (2.11-14; 3.4-7); 4) A ênfase nos papéis exercidos pelos diversos segmentos da igreja (pessoas idosas tanto do sexo masculino como do feminino, das mulheres e homens jovens, e dos servos) (2.1-10); 5) A ênfase nas boas obras e numa vida de retidão como provas evidentes de uma genuína conversão a Cristo (Tt 1.16; 2.7,14; 3.1,8,14). No esboço da carta, encontramos: 1) a introdução (1.1-4); 2) As instruções sobre o estabelecimento de Presbíteros na Igreja onde se encontram qualificações pessoais e qualificações familiares (1.5-9); 3) Instruções à respeito de falsos mestres onde se encontram revelado o caráter e conduta deles, e uma repreensão a eles (1.10-16); 4) Instruções a respeitos dos diversos segmentos de pessoas, contendo orientações para idosos, jovens e servos (2.1-15); 5) Exortações às boas obras (3.1-11); 6) A conclusão com recomendações, saudações pessoais e a ministração de uma bênção “A graça seja com vós todos. Amém” (3.12-15). Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

PREGAÇÃO PASTOR EUDES - 06/12/15

Uma panorâmica sobre 2ª Timóteo

Timóteo a quem Paulo destinou duas cartas pastorais era filho de uma judia crente chamada Eunice e de pai grego. Apesar de jovem era um crente fiel e dava bom testemunho do Evangelho e Paulo, quando esteve em Derbe onde Timóteo morava, o levou consigo como cooperador do Evangelho, depois dele ser circuncidado, pois o seu pai era grego como já dito, isto na segunda viagem missionaria do apóstolo. Quando da escrita da 2ª carta a Timóteo, Paulo estava preso pela segunda vez em Roma donde não mais sairia, sendo ali martirizado, sendo, portanto, a 2ª carta a Timóteo o último livro escrito por Paulo. Percebe-se, tanto pela primeira como pela segunda carta, que Timóteo era, por natureza, uma pessoa tímida e que precisava de encorajamento no ministério pastoral que exercia em Éfeso. Timóteo continuava enfrentando a oposição de maus obreiros dentro da Igreja. Na carta Paulo cita os nomes desses homens que exerciam liderança na Igreja, mas tinham pensamentos distorcidos referentes ao Evangelho e ao seu corpo doutrinário. Figelo e Hermógenes se apartaram de Paulo (2 Tm 1.15); Himeneu e Fileto ensinavam que a ressurreição já tinha sido realizada (2 Tm 2.16-18); e Alexandre, o latoeiro, causara grandes males a Paulo, resistindo aos seus ensinamentos (2 Tm 4.14,15). Olhando a 2ª carta de forma panorâmica podemos observar o seguinte: No capítulo 1 Paulo assegura a Timóteo o seu amor e incessante orações por ele, e exorta-o a nunca ser infiel ao Evangelho, a guardar com diligência a verdade revelada na Palavra de Deus, e a seguir o seu exemplo como ministro do Evangelho; No capítulo 2, Paulo orienta a Timóteo a preservar a fé, transmitindo-a a homens fieis visando o compartilhamento com outros, bem como sofrer com paciência as provações do ministério como bom soldado de Cristo, a servir a Deus com diligência manejando com fidelidade a Palavra de Deus, e a separar-se daqueles que se desviam da verdade, a manter-se puro e a trabalhar com paciência ensinando com mansidão a doutrina cristã. No capítulo 3 Paulo revela que a apostasia se instalará no meio do povo de Deus por causa do aumento da iniquidade, e traça o perfil da última geração dos homens da atual dispensação. No contexto do seu ministério, Paulo alerta a Timóteo a se apegar a Palavra inspirada por Deus. No último capítulo (4), Paulo incube a Timóteo de pregar a Palavra de Deus e a cumprir os seus deveres como ministro do Evangelho. Paulo termina essa carta informando a Timóteo quanto a assuntos pessoais bem como a expectativa de sua morte iminente e solicita a presença de Timóteo em Roma para lhe ver. Essa carta tem as seguintes características especiais: 1) É o último escrito inspirado por Deus pela instrumentalidade do apóstolo antes da sua execução pela Roma de Nero; 2) A carta contém uma das mais importantes declarações sobre a inspiração divina da Bíblia Sagrada e do propósito dela para a vida do cristão (2 Tm 3.16,17); 3) A carta ainda contém exortações sucintas para um viver cristão autêntico: despertar o dom de Deus; não se envergonhar do Evangelho de Cristo; sofrer pelo Evangelho; conservar o modelo das sãs palavras; guardar a verdade; fortificar-se na graça; passar adiante a mensagem do Evangelho; sofrer as aflições; sê diligente na Palavra; evitar os falatórios profanos; fugir dos desejos da mocidade; acautelar-se da apostasia que há de vir; permanecer na verdade; pregar a Palavra; fazer a obra de um evangelista; cumprir o ministério; 4) As exortações de Paulo a Timóteo visavam: Manter Timóteo firme na fé em Cristo; guardá-lo da distorção e da corrupção, opor-se aos falsos mestres e pregar o evangelho com perseverança; 5) O testemunho comovente de Paulo de despedida é um exemplo de coragem e esperança diante do martírio iminente. Dentre muitas coisas preciosas nessa carta temos a revelação do perfil da última geração que estará vivendo antes da segunda vinda do Senhor. Esses homens não regenerados, que não têm o Espirito, irão se opor ao Evangelho de Cristo, e irão provocar uma degradação moral e espiritual no mundo. Isso já foi profetizado por Daniel (Dn 12.10) e por Cristo (Mt 24.12). Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Uma panorâmica sobre 1ª Timóteo

O apostolo Paulo escreveu treze cartas que se encontram no Novo Testamento. Nove delas foram destinadas à igrejas e quatro à obreiros, companheiros seus no ministério da Palavra. As quatro cartas a obreiros são chamadas de cartas pastorais, sendo a primeira delas destinada a Timóteo. Paulo escreveu a primeira carta a Timóteo após sua soltura da prisão em Roma, depois dos relatos do último capítulo de Atos dos Apóstolos, isto em 65 d.C. Timóteo, na época, pastoreava a igreja de Éfeso e parece que se encontrava desanimado, com dificuldades com maus obreiros, opositores seus na igreja. Descobrimos lendo a carta que Paulo tinha em mente três propósitos ao escrevê-la, a seguir identificados: 1) Exortar a Timóteo a respeito do seu ministério e da sua vida pessoal; 2) Exortar a Timóteo a ser intransigente na defesa da fé cristã e de seus valores e refutar o ensino errado feito por mestres na igreja; 3) Fornecer instruções a Timóteo para tratamento de diversos problemas na igreja. Essa carta tem as seguintes características especiais: 1) É uma carta destinada diretamente a Timóteo como pastor da igreja de Éfeso, daí ser uma carta escrita com um profundo sentimento pessoal; 2) Esta carta, junto com a 2ª Timóteo, ressalta mais do que qualquer outra do Novo Testamento a responsabilidade pastoral de manter a pureza do Evangelho expurgando os falsos ensinos que enfraquecem o poder da mensagem salvífica; 3) Ela enfatiza o valor supremo do Evangelho bem como a influência maléfica que tenta corrompê-lo. Enfatiza ainda a santa vocação da igreja e o perfil que Deus requer dos seus obreiros; 4) Fornece orientações especificas sobre o correto relacionamento do pastor com os diversos segmentos dentro da igreja. No Esboço de 1ª Timóteo, encontramos: A introdução da carta ocupa todo o capitulo primeiro (1.1-20). Depois Paulo dá instruções a Timóteo acerca do ministério pastoral, enfatizando o valor da oração, a conduta apropriada das mulheres e as qualificações dos oficiais da igreja (2.1-45). Depois Paulo dá instruções a Timóteo sobre o desenvolvimento do seu ministério pessoal. (4.6-6.19). Paulo conclui essa carta alertando aquele obreiro sobre a necessidade de guardar o depósito que lhe fora confiado e a afastar-se da oposição da falsa ciência. Merece destaque nessa carta a questão da prática da oração perseverante que deve ser feita pela igreja em favor de todos os homens, especialmente daqueles que ocupam posição de autoridade. “Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade. Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” 1 Tm 2.1-4. Outro destaque da carta é a alta exigência da qualificação de bispos e diáconos para o exercício de seus ministérios: “Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?); não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Convém, também, que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta e no laço do diabo” 1 Tm 3.2-7. “Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância, guardando o mistério da fé em uma pura consciência. E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis”. “Os diáconos sejam maridos de uma mulher e governem bem seus filhos e suas próprias casas. Porque os que servirem bem como diáconos adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus”. 1 Tm 3.8-10, 12,13. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Uma panorâmica sobre 2ª Tessalonicenses

A primeira carta de Paulo à Igreja de Tessalônica causou um impacto na vida daquela comunidade no que concerne a revelação que o apóstolo fizera sobre a segunda vinda do Senhor e o seu desdobramento no arrebatamento da igreja. Tudo indica que muitos irmãos com o entendimento de um arrebatamento iminente deixaram seus empregos e ficaram esperando a vinda do Senhor. Como o Senhor não viera logo, esses irmãos começaram a buscar alimento e o atendimento de suas necessidades junto aos irmãos, causando transtorno na Igreja. “Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes, fazendo coisas vãs. A esses tais, porém, mandamos e exortamos, por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão. E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem” 2 Ts 3.10-13. A segunda carta foi escrita pouco tempo depois da primeira carta, cerca de 51 ou 52 d.C., quando Paulo ainda estava trabalhando na cidade de Corinto com Silas e Timóteo e tivera conhecimento do problema. Essa carta teve como propósitos animar seus novos convertidos que estavam sofrendo perseguição; exortá-los a dar bom testemunho da fé cristã e trabalhar cada um para ter o seu sustento a fim de não servir de peso para os outros; e para corrigir certos erros doutrinários sobre eventos ligados ao Dia do Senhor. A segunda carta tem as seguintes características especiais: 1) a carta contém um dos trechos mais completos a respeito da iniquidade e da impostura desenfreadas no final dos tempos; 2) O justo juízo de Deus vinculado à Segunda Vinda do Senhor é descrito, na carta, em termos apocalípticos como no livro de Apocalipse; 3) descreve o perfil do Anticristo como em nenhum livro da Bíblia Sagrada. Sobre a Segunda Vinda do Senhor, Paulo orienta a Igreja a não se demover facilmente do ensino correto sobre o assunto, mesmo que pessoas importantes do meio cristão falem sobre a iminência do dia do Senhor sem considerar os sinais que ele apresenta na carta. Merece destaque nessa carta a questão dos sinais que antecederão a Segunda Vinda do Senhor. Paulo pelo Espírito Santo revela que a Segunda Vinda do Senhor não ocorrerá sem antes ser instalada a apostasia e seja manifestado o Anticristo. “Ninguém, de maneira alguma, vos engane, porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição” 2 Ts 2.3. Com relação à apostasia, podemos correlacionar o assunto com o que o Senhor Jesus revelou em seu sermão escatológico sobre o aumento da iniquidade e o consequente esfriamento da fé (Mt 24.12). Em relação ao Anticristo, ele é a besta que sai do mar (nações) do livro de Apocalipse (Ap 13.1-10). Em Apocalipse é dito que o dragão (Satanás) deu o seu poder ao Anticristo. “E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés, como os de urso, e a sua boca, como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio” Ap 13.2. Em 2ª Tessalonicenses nos é dito que o Anticristo, o iníquo aparecerá com toda a eficácia de Satanás. “a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais, e prodígios de mentira, e com todo engano da injustiça para os que perecem,...” 2 Ts 2.9,10. Esse quadro assustador de apostasia e operação intensa de Satanás que antecederá a Segunda Vinda, terá como consequência uma geração maldosa, perversa que viverá no final dos tempos, conforme revelado por Paulo em 2 Tm 3.1-9. No cronograma de eventos escatológicos, podemos observar que a Segunda Vinda ocorrerá após a Grande Tribulação. (Mt 24.29-31) O Anticristo bem como a segunda besta (o Falso Profeta) será destruído (aprisionados e lançados vivos no lago que arde com fogo e enxofre) por Cristo em sua Segunda Vinda, conforme revelado na carta em apreço e no livro de Apocalipse. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Uma panorâmica sobre 1ª Tessalonicenses

A cidade de Tessalônica era uma das maiores da Macedônia e na época em que Paulo escreveu essa carta era uma das principais províncias romanas, inclusive, com um porto que servia para os interesses daquela potencia mundial. Os estudiosos bíblicos estimam que Tessalônica, na época, tinha uma população de aproximadamente 200.000 habitantes. O trabalho evangélico em Tessalônica começou na segunda viagem missionária de Paulo. Paulo passou pouco tempo naquela cidade, devido à perseguição movida pelos judeus que habitam ali. “Mas os judeus desobedientes, movidos de inveja, tomaram consigo alguns homens perversos dentre os vadios, e, ajuntando o povo, alvoroçaram a cidade, e, assaltando a casa de Jasom, procuravam tirá-los para junto do povo. Porém, não os achando, trouxeram Jasom e alguns irmãos à presença dos magistrados da cidade, clamando: Estes que têm alvoroçado o mundo chegaram também aqui, os quais Jasom recolheu. Todos estes procedem contra os decretos de César, dizendo que há outro rei, Jesus. E alvoroçaram a multidão e os principais da cidade, que ouviram estas coisas. Tendo, porém, recebido satisfação de Jasom e dos demais, os soltaram”. At 17.5-9. O resultado do trabalho de Paulo e Silas é relatado assim em Atos 17.4: “E alguns deles creram e ajuntaram-se com Paulo e Silas; e também uma grande multidão de gregos religiosos e não poucas mulheres distintas”. Como Paulo passara pouco tempo naquela cidade, não deu tempo de doutriná-la adequadamente, por isso escreveu essa carta visando confortar a Igreja e ao mesmo tempo instrui-la acerca de um ponto teológico muito importante que é a questão da segunda vinda de Cristo da ressurreição dos mortos e do arrebatamento da Igreja, bem como a necessidade do cristão andar em santidade de vida. Timóteo foi o obreiro enviado por Paulo à Tessalônica para levar a carta e ao mesmo tempo para ministrar naquela Igreja. A 1ª carta aos Tessalonicenses é um dos primeiros escritos do Novo Testamento e foi escrita aproximadamente em 51 d.C. Essa carta tem as seguintes características especiais: 1) Ela foi um dos primeiros livros escritos do Novo Testamento; 2) Contém textos chaves do Novo Testamento sobre a ressurreição dos santos falecidos por ocasião do arrebatamento da Igreja (4.13-18), e a respeito do Dia do Senhor (5.1-11); 3) A segunda vinda do Senhor é referenciada em todos os cinco capítulos dessa carta, dando uma relevância especial a esse assunto; 4) Oferece uma visão única do estado de uma igreja zelosa, mas ainda neófita na fé bem como uma visão das características do ministério apostólico de Paulo. Merece destaque nessa carta a ênfase dada por Paulo a algumas questões da vida prática de uma comunidade evangélica tais como: a pureza sexual (4.1-8), o amor fraternal (4.9,10), o trabalho honesto (4.11,12), A vinda de Cristo (4.13-5.11), a estima que deve ser dada aos dirigentes da Igreja (5.12,13), a vida cristã (5.14-18), e o discernimento espiritual que a Igreja deve ter (5.19-22). O grande assunto tratado por Paulo nessa carta é aquele relacionado à segunda vinda do Senhor e o seu desdobramento. Paulo revela que Jesus virá a segunda vez ele mesmo (o mesmo Senhor) e essa vinda será uma vinda gloriosa, ostensiva (com alarido, com a voz do arcanjo, com a trombeta de Deus -a sétima trombeta do Apocalipse). Paulo diz ainda que três coisas acontecerão, pela ordem, num abrir e fechar de olhos: 1) A ressurreição dos crentes falecidos (os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro); 2) A transformação dos crentes vivos (subtendido), (os que estiverem vivos). Essa questão é esclarecida por Paulo na primeira carta aos Coríntios 15.52; 3) o arrebatamento da Igreja (seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares). Paulo termina esse assunto dizendo que essa promessa deve ser um consolo para a Igreja no meio das tribulações que enfrentavam. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

PREGAÇÃO PASTOR EUDES 01/11/15

Uma panorâmica sobre Colossenses

A cidade de Colossos estava localizada próximo da cidade de Laodicéia, no sudeste da Ásia Menor, cerca de 160 quilômetros de Éfeso. Tudo indica que a Igreja de Colossos fora fundada por Epafras, companheiro de Paulo. “como aprendestes de Epafras, nosso amado conservo, que para vós é um fiel ministro de Cristo, o qual nos declarou também a vossa caridade no Espírito” Cl 1.7,8. O trabalho nessa cidade, sem dúvidas, surgira como um dos resultados da poderosa obra realizada pelo apóstolo Paulo em Éfeso, onde passou mais de dois anos pregando o evangelho. “E durou isto por espaço de dois anos, de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, tanto judeus como gregos” At 19.10. A carta aos Colossenses é considerada como uma epístola gêmea de Efésios por causa da similaridade dos temas enfocados, principalmente a questão da Cristologia e da questão das diretrizes para os componentes de um lar cristão. O tema da carta aos colossenses é a supremacia de Cristo. Essa supremacia abrange a obra da redenção realizada por Ele na cruz, sobre a criação, sobre a Igreja como o seu cabeça, também como autor da obra reconciliadora do homem com Deus. Cristo é retratado na epístola como aquele em que reside toda a plenitude da divindade (1.19; 2.9). Paulo escreveu essa carta em 62 d.C, aproximadamente, com o propósito de combater uma sutil heresia que surgira naquela igreja, que era uma mistura de tradições judaicas extra bíblicas e filosofias pagãs, num sincretismo religioso que enfatizava o culto aos anjos e contaminava a igreja, e deslocava a centralidade de Cristo na Igreja. Essa heresia não está descrita em detalhes na carta porque os colossenses a conheciam bem. Colossenses tem as seguintes características especiais: 1) Enfatiza mais do que em qualquer outro livro do Novo Testamento a proeminência de Cristo e da perfeição do crente nele; 2) Enfatiza com intensidade a plena divindade de Cristo e contém um belíssimo trecho a respeito de Sua glória; 3) A epístola gêmea de Efésios, devido tratar, até certo ponto, de temas similares e por terem sido escritas provavelmente na mesma época. A carta aos Colossenses, como as outras cartas de Paulo destinadas as Igrejas, tem uma parte teológica e outra parte prática. Olhando para essa carta de forma panorâmica, encontramos: 1) Uma saudação seguida de ações de graças pela fé, amor e esperança dos colossenses, e de uma oração em favor deles (1.1-12) ; 2) A exposição da poderosa doutrina sobre a proeminência de Cristo na redenção do crente. Jesus é apresentado por Paulo como o redentor vicário (1.13,14), como Senhor da criação (1.15-17), como cabeça da Igreja (1.18), como reconciliador de todas as coisas, inclusive dos colossenses (1.19-23); 3) A revelação de que Paulo fora o instrumento usado por Deus para falar acerca do mistério de Deus em Cristo (1.24-2.7); 4) Advertência de Paulo contra falsos ensinos que estava solapando a igreja. Essa advertência combatia o falso ensino acerca da pessoa de Cristo e das práticas religiosas contrárias à Sua lei (2.8-23); 5) Instruções práticas para a vida dos crentes, que englobam a conduta pessoal do crente em Cristo, o relacionamento familiar do crente como esposos, pais, filhos e servos sendo esses últimos considerados também como parte da família (3.1-4.6). Em relação a essa questão do lar, Paulo apresenta o segredo da felicidade dele: a obediência aos mandamentos divinos sobre o assunto; 6) O impacto da influência de um crente genuíno. Essa influência é derivada de uma vida dedicada à oração, de uma conduta sábia para com os estranhos a fé, e pela conversação sadia, cheia de graça (4.2-6). A carta termina, como as outras cartas de Paulo, com recomendações pessoais, saudações a irmãos da Igreja e a ministração da benção sobre ela: “A graça seja convosco. Amém” (4.7-18). Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Uma panorâmica sobre Filipenses

A Igreja de Filipos fora fundada por Paulo em sua segunda viagem missionária. Três acontecimentos registrados em Atos dos Apóstolos são marcos na fundação dessa Igreja. Um foi a conversão de Lídia à beira de um rio, o outro foi a libertação da jovem que tinha um espírito de adivinhação, e o outro foi a conversão do carcereiro de Filipos na própria prisão que comandava. O trabalho de Paulo começara naquela cidade em obediência a uma visão que tivera. “E Paulo teve de noite uma visão, em que se apresentou um varão da Macedônia, e lhe rogou, dizendo; Passa a Macedônia, e ajuda-nos” At 16.9. Paulo ao longo de seu ministério teve um estreito relacionamento com essa Igreja. Ela o ajudou muito em seu ministério apostólico. A carta escrita por Paulo aos Filipenses expressa a sua gratidão pela assistência pecuniária dada pela Igreja a ele. Paulo escreveu Filipenses quando estava prisioneiro, provavelmente em Roma, nos idos de 61 ou 62 d.C. Nessa carta não encontramos nenhuma censura a Igreja por problemas quaisquer, mas antes ações de graças. Alguém chamou essa carta de epístola da alegria. Fazendo uma análise do todo da epístola aos Filipenses, podemos observar: 1) Identificação dos remetentes, Paulo e Timóteo bem como os destinatários, Bispos e Diáconos (1.1,2); 2) Uma oração com ações de graças pela vida dos filipenses. Nessa oração Paulo enfatiza o fervor com que os filipenses receberam a mensagem do Evangelho e manifesta a sua confiança de que Deus que começou a obra em Filipos a completará, e agradece a Deus pela ajuda dos filipenses quando estava aprisionado (1.3-11); 3) Em seguida Paulo informa aos filipenses sobre o efeito benéfico do seu cativeiro. A prisão de Paulo fora divulgada por toda a guarda pretoriana, a guarda pessoal do imperador romano e estava dando um novo ânimo aos irmãos para a pregação do Evangelho em Roma (1.12-26); 4) Depois Paulo faz alguma exortações a Igreja no que refere a se manterem unidos no Espírito, fieis na fé em Cristo não temendo as perseguições por causa do Evangelho, inclusive revelando Paulo que sofrer por Cristo é a vocação da Igreja. “Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele” Fp 1.29 (1.27-2.18); 5) Em seguida Paulo revela a Igreja os seus projetos pessoais no que se refere a ela: o envio de Timóteo, a devoção de Epafrodito e sua ida a Filipos após a sua libertação que se estava configurando (2.19-30; 6) Paulo também faz algumas exortações tratando da alegria da humildade cristã, da vida de oração, da paz e da dignidade da profissão da fé cristã. Nessa exortação final, Paulo cita a sua abnegação pela causa de Cristo e convida aqueles irmãos a seguirem o seu exemplo como cristão e ministro do Evangelho. Ainda nessa exortação Paulo adverte a duas irmãs Evódia e Síntique a acabarem a discórdia que existia entre elas, pelo bem da paz e da unidade da Igreja (3.1-4.9); 7) Depois Paulo expressa a sua gratidão pelos donativos enviados a ele pelos filipenses (4.10-20); 8) E termina a sua carta com saudações cristãs e com a ministração da benção sobre a comunidade (4.21-23). Merece destaque nessa carta o hino cristológico que Paulo elabora quando cita Cristo como exemplo de humildade, que deve servir para toda a Igreja (5-11). Nesse hino Paulo fala do Cristo pré-existente (sempre existiu como eterno Filho de Deus), do esvaziamento da glória que lhe era peculiar, da sua encarnação, assumindo uma natureza humana limitada, da sua morte ignominiosa na cruz do Calvário (o Estado de Humilhação de Cristo) . Em seguida, nesse hino, Paulo fala do Estado de Exaltação de Cristo, quando lhe foi dado pelo Pai celestial um nome que está acima de todo outro nome quer nos céus quer na terra, e que toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai, falando do Cristo Senhor soberano do universo e da Igreja. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Uma panorâmica sobre Efésios

Uma panorâmica sobre Efésios Das treze cartas escritas pelo apóstolo Paulo, quatro delas são conhecidas como epístolas da prisão, ou seja, epístolas escritas quando ele se encontrava preso por causa do Evangelho, dentre elas a carta aos Efésios (as outras foram Filipenses, Colossenses e Filemon) que, tudo indica, foi escrita em 62 d.C., aproximadamente, quando estava Paulo preso em Roma. A carta aos Efésios não foi escrita para tratar de algum problema quer seja doutrinário ou moral da Igreja, e sim para revelar a grandiosidade do propósito redentor de Deus em Cristo Jesus. Ainda na carta, Paulo trata do viver cristão nas relações familiares e sociais no que se refere à vontade de Deus para uma convivência harmoniosa. A carta aos Efésios é similar a carta aos Colossenses a ponto de estudiosos bíblicos chamarem-nas de epístolas gêmeas. Alguns estudiosos bíblicos acham que essa epístola seja a mesma endereçada à igreja de Laodicéia (Cl 4.2). O propósito de Paulo ao escrever essa carta visava o crescimento espiritual (no amor, na fé, na sabedoria e na revelação do Pai) daquela comunidade evangélica, e com esse intento ele se prostrava em oração diante do Pai celestial. “não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação, tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos e qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder” Ef 1.16-19. Como já é do conhecimento dos irmãos, a carta aos Efésios é uma das nove cartas paulinas destinadas às igrejas, e essas cartas tem uma parte teológica e uma parte prática. A carta aos Efésios segue essa mesma estrutura. Na sua parte teológica (1-3) Paula enfatiza a redenção que há em Cristo Jesus e como essa redenção se realiza, e na parte prática (4-6) como os redimidos devem viver o Cristianismo. A carta aos Efésios tem as seguintes características especiais: 1) A revelação da grande verdade teológica da redenção que há em Cristo Jesus, que é intercalada por duas orações do apóstolo; 2) A expressão “em Cristo” que é um dos temas tratados com mais frequências em suas cartas (106 vezes), em Efésios é encontrada cerca de trinta e seis vezes; 3) Em Efésios é salientado o propósito e alvo eterno de Deus para a Igreja; 4) Há uma ênfase destacada no papel do Espírito Santo na vida cristã; 5) Efésios é tida como uma epístola gêmea de Colossenses pelo fato de apresentarem semelhanças em seus conteúdos e por terem sido escritas quase ao mesmo tempo. No esboço dessa carta, encontramos: I - Uma saudação (1.1,2); II – A revelação da doutrina da redenção do crente (1.3-3.21). Nessa parte encontramos a revelação da preeminência de Cristo na Redenção (1.3-14) seguida de uma oração; O resultado da redenção em Cristo (2.1-3.21) seguido de uma oração de Paulo. III – Instruções práticas para a vida do crente (4.1-6.20). Nessa segunda parte se encontra a descrição da nova vida do crente; as instruções sobre o relacionamento no lar; e batalha espiritual do crente. A carta termina com a informação de quem seria o mensageiro (Tíquico) que iria levá-la aos efésios, e com uma benção impetrada por Paulo sobre aquela Igreja. Na parte teológica encontramos um mistério revelado por Deus através de Paulo que é de unir judeus e gentios num só corpo espiritual que é a Igreja, que está sendo edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas e cuja pedra principal é o próprio Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo. Essa união é devido à poderosa obra realizada por Cristo na cruz, operacionalizada pela ação do Espírito Santo. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

PREGAÇÃO PASTOR EUDES 18/10/15

Uma panorâmica sobre Gálatas

Paulo, juntamente com Barnabé, fundara na sua primeira viagem missionária, pela graça divina, as quatro igrejas que compunham a região da Galácia do Sul, da época (Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe). Nessas cidades eles tiveram uma oposição ferrenha dos judeus que habitavam nelas (At 13.45, 50; 14.2, 5, 19), a ponto de em Listra, cidade onde Paulo curara um paralitico, o apedrejarem e o abandonarem como morto. É nos dito em Atos 13.43 e em Atos 14.1 que essas igrejas eram compostas de judeus e gentios convertidos à Cristo. Devido à presença judaica ser muito forte nessas cidades, bem como a oposição aos cristãos, as igrejas começaram a aceitar um modus vivendi com o judaísmo achando que poderiam ser cristãos seguindo a lei mosaica, deixando a fé em Cristo em segundo plano. Paulo ao tomar conhecimento de que as igrejas da Galácia estavam prestes a se deixar dominar pelo judaísmo, que ensinava que a salvação era consequência da obediência a lei mosaica, escreveu a carta aos Gálatas para combater essa heresia e ao mesmo tempo fortalecer o seu ensino da justificação somente pela fé em Cristo. Essa, como as outras cartas de Paulo as Igrejas, se compõe de uma parte teológica ou doutrinaria e uma parte prática. Em ambas as partes o apóstolo defende a liberdade do Evangelho, sendo que na primeira parte (1.11-4.31) ele fala sobre a autoridade do Evangelho, bem como de sua chamada pessoal para pregar o Evangelho; e fala da liberdade do Evangelho enfocando nessa parte a recepção do Espirito e da nova vida pela fé em Cristo e não pelas obras da lei. Fala ainda sobre a salvação como uma promessa messiânica baseada na fé e não na lei e fala sobre a questão da filiação versus escravidão. Paulo diz que os crentes em Cristo são os filhos de Deus e não os descendentes de Abraão etnia que se estribam na lei. Segundo ele, aqueles que confiam na lei são escravos e faz uma analogia sobre isso usando a figura de Isaque e Ismael filhos de Abraão um da livre (Sara) e o outro da escrava (Hagar). Na parte prática (5.1-6.10), Paulo fala sobre a liberdade do cristão na sua relação com a graça da salvação pela fé e fala sobre as consequências negativas do cristão se submeter à circuncisão. Paulo ainda trata da questão da liberdade do cristão sob a graça e da responsabilidade dele em andar no Espírito e não satisfazer as concupiscência da carne. “Digo, porém: Andai em Espirito, e não cumprireis a concupiscência da carne” Gl 5.16. Nessa parte da carta, Paulo fala sobre as obras da carne, fruto natural de uma vida não regenerada, e do fruto do Espírito como consequência natural de uma pessoa genuinamente convertida, senão vejamos: “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus” Gl 5.19-21. “Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” Gl 5.22. Sobre o assunto acima Paulo disse que os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências (Gl 5.24). Como características principais essa carta contém a mais veemente defesa da natureza do evangelho; Depois de 2 Coríntios é a mais autobiográfica das cartas de Paulo; É a única carta que é dirigida a mais de uma Igreja; e contém o relato mais completo das obras da carne. Terminando a sua carta, Paulo ainda fala sobre a assistência financeira que a Igreja deve dar aos ministros do Evangelho (Gl 6.6) bem como do cuidado que ela deve ter, prioritariamente, para com os irmãos necessitados (Gl 6.10). Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Uma panorâmica sobre 2 Coríntios

Diz-nos os historiadores bíblicos que Paulo fizera uma viagem a Corinto após o envio da primeira carta. Essa estada em Corinto não fora agradável nem para Paulo nem para aquela comunidade. Novamente em Éfeso Paulo tomara conhecimento de que a sua autoridade apostólica estava sendo minada em Corinto, inclusive os seus opositores estavam denegrindo a imagem do apóstolo. “Porque as suas cartas, dizem, são graves e fortes, mas a presença do corpo é fraca, e a palavra, desprezível” 2 Co 10.10. Depois da segunda carta, Paulo ainda esteve em Corinto, permanecendo ali três meses, conforme se extrai do relato de Atos 20.1-3. Paulo escreveu a segunda carta aos Coríntios com as seguintes finalidades: a) Encorajar a maioria da igreja que lhe era fiel, como seu pai espiritual; b) Contestar e desmascarar os falsos apóstolos que distorciam a sua mensagem e enfraqueciam o seu apostolado naquela comunidade; c) Repreender a minoria daquela comunidade que estava sendo seduzida pelos falsos obreiros, opositores de Paulo. A segunda carta aos Coríntios tem as seguintes características especiais: 1) É a mais autobiográfica das epístolas paulinas. Nela encontramos muitas referências pessoais, mas feitas com humildade, pedindo desculpas e até mesmo constrangido pelo que estava revelando; 2) Contém a mais completa teologia sobre o sofrimento do crente em todo o Novo Testamento, bem como sobre a questão da contribuição cristã para a manutenção da Igreja; 3) O uso de diversos termos-chaves que se destacam no conteúdo da carta, tais como: fraqueza, aflição, lágrimas, perigos, tribulação, sofrimento, consolação, jactância, verdade, ministério e glória. O tema dessa carta é “A Apologia do Ministério Apostólico”, e ela foi escrita entre os anos 55 e 56 depois de Cristo. No esboço da segunda carta aos Coríntios encontramos: 1) introdução (1.1-11). Nessa introdução observa-se a ausência de uma ação de graça comum nas cartas de Paulo, talvez devido a censura de Paulo à igreja. 2) Primeira parte (1.12-7.16) – Nessa parte encontramos Paulo justificando a sua conduta com relação aos coríntios. Fala de sua demora em fazer a viagem a Corinto; Faz uma apologia (defesa) do seu ministério apostólico (a sua fidelidade como apóstolo, a superioridade do apostolado na dispensação da graça, as fraquezas e sofrimentos do apóstolo, o apóstolo como embaixador e ministro de Deus, e conclui a apologia com uma manifestação de carinho pelos seus filhos na fé); 3) Segunda parte (8;9). Nessa segunda parte Paulo trata da coleta para os santos de Jerusalém. Ela começa tratando da recomendação da coleta e dos delegados que a levariam para Jerusalém e cita como exemplo o sucesso da oferta levantada pelos irmãos da Macedônia; 4) Terceira parte (10.1-13.10). Na terceira parte Paulo faz uma apologia de seu ministério. Primeiramente ele se defende contra acusações pessoais feitas pelos judaizantes; depois ele elogia-se a si mesmo como apóstolo e pelo trabalho realizado, mas faz isso com humildade pedindo desculpas a igreja. Depois ele faz um relato biográfico de seu ministério, enumerando os seus títulos, seus trabalhos, seus sofrimentos, os dons extraordinários concedidos por Deus a ele bem como as suas fraquezas que foram compensadas pela atuação poderosa da graça de Deus em sua vida. Essa seção termina com um último aviso de Paulo a igreja de que quando fosse novamente a ela puniria os impenitentes de acordo com a autoridade dada por Deus a ele. Essa carta termina (13.11-13) com a recomendação de que a igreja deveria viver a vida cristã com alegria e unida. Concluindo a carta, Paulo impetra sobre a Igreja a benção trinitária. “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com vós todos. Amém!” 2 Co 13.13. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

PREGAÇÃO DO PASTOR EUDES

PREGAÇÃO DO PASTOR EUDES

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Uma panorâmica sobre 1 Coríntios

Corinto era uma das maiores cidades da Grécia antiga. A Igreja naquela cidade fora fundada por Paulo em sua segunda viagem missionária durante os dezoito meses que trabalhou em Corinto junto com Áquila e Priscila (At 18.1-18). O fervoroso Apolo também trabalhou naquela cidade na ausência de Paulo (At 19.1). A Igreja em Corinto era composta de judeus e gentios, sendo esse último grupo bem maior do que o primeiro. Com o crescimento da Igreja surgiram também os problemas que foram administrados por Paulo através de suas duas cartas destinadas para aquela Igreja num intervalo curto de tempo entre uma e outra. Paulo escreve a primeira carta aos Coríntios quando ministrava em Éfeso. Nessa cidade, tomou conhecimento dos graves problemas que a Igreja de Corinto enfrentava e que fora informado pela família de Cloé (1 Co 1.11). Esses problemas giravam em torno das divisões dentro da Igreja tendo diversos grupos que se digladiavam entre si, causando problema na unidade da mesma. Outro problema grave que trazia uma imagem negativa da Igreja era relacionado a problemas morais: Um caso de incesto não tratado pela Igreja; litígios entre crentes arbitrados pela justiça comum; e problema de prostituição. Esses problemas maculavam a santidade da Igreja. Para solução desses problemas Paulo, pelo Espirito Santo, estabelece dois princípios que iriam nortear a Igreja de Corinto bem como a Igreja do Senhor em todos os tempos. O primeiro princípio revela a Igreja como o Corpo de Cristo, portanto indivisível. O segundo princípio revela o correto proceder de uma pessoa unida espiritualmente com Cristo. A segunda parte da carta aos Coríntios trata das respostas dadas por Paulo as perguntas inquietantes daquela comunidade evangélica (7.1-16.9). O primeiro questionamento da Igreja de Corinto era relacionado ao casamento. Nessa resposta Paulo trata do matrimônio e do celibato; dos deveres cristãos no casamento; aconselha aos solteiros; e orienta na questão de novo casamento. Nessas respostas de Paulo fica estabelecido o principio de que o matrimônio é uma dádiva de Deus, bem como o celibato por causa do Reino de Deus. A segunda pergunta girava em torno da liberdade cristã. Eles tinham dúvidas em relação a alimentos oferecidos a ídolos; Paulo os orienta ao uso disciplinado da liberdade cristã, bem como a incompatibilidade entre as festas idolátricas e a mesa do Senhor. Paulo pelo Espírito estabelece dois princípios para nortear essas questões: 1) Fazer tudo para a glória de Deus; 2) nada fazer que sirva de tropeço ao próximo. A terceira questão que incomodava os coríntios era a questão do culto público. Nessa área Paulo trata da questão da mulher na Igreja; a questão da celebração da Ceia do Senhor; e da questão do exercício dos dons espirituais nos cultos da Igreja. Paulo estabelece um princípio divino para tratar essa questão: Tudo deve ser feito no culto com ordem e decência. A quarta questão tratada por Paulo foi concernente à ressurreição corporal. Um grupo de irmãos dizia que não havia ressurreição dos mortos e outro sim. Com a argumentação mais longa de todas as suas cartas Paulo prova com maestria a questão da ressurreição corporal como parte final do programa de Deus para os crentes em Cristo. Fechando essa questão ficou estabelecido o principio de que assim como Cristo ressuscitou dentre os mortos, o mesmo ocorrerá aos que são de Cristo, na sua segunda vinda. Por fim Paulo trata da questão da coleta para os santos necessitados como um dos ministérios da Igreja que deveria ter a participação de todos. Em relação aos dons espirituais Paulo revela a sua existência como dádivas de Deus para o crescimento espiritual dos crentes, e que os mesmos devem ser exercidos com amor, o dom supremo. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Uma panorâmica sobre Romanos

O apóstolo Paulo, o orgulhoso fariseu, perseguidor da Igreja, que foi convertido a Cristo na estrada de Damasco, foi um exímio escritor, sendo usado por Deus para a produção de quase a metade dos livros do Novo Testamento. Dentre os livros que Paulo escreveu (treze ao todo), nove deles foram escritos às igrejas locais (Romanos a 2 Tessalonicenses) e quatro à pastores (1 Timóteo a Filemon). A carta aos Romanos não foi a primeira escrita por Paulo. Ela se encontra no início das cartas paulinas dado a sua importância teológica para a Igreja do Senhor bem como por ser a mais longa e mais influente das suas cartas. A Igreja de Roma não fora fundada por Paulo nem por nenhum dos apóstolos do Senhor, e sim, talvez, por irmãos que fugiram de Jerusalém devido à perseguição que houvera contra a Igreja naquela cidade na época de Estevão, ou por algum dos irmãos alcançados pelo Evangelho no dia de Pentecostes. Paulo escreveu essa carta para combater o segmento judaizante daquela Igreja que discriminava os crentes gentios bem como para consolidar perante aquela igreja a mensagem que vinha pregando a mais de vinte e cinco anos. Essa, como as outras cartas de Paulo destinadas as Igrejas, tem uma parte em que é enfatizada a doutrina cristã (teológica) (1 a 11) e a outra parte que enfoca a questão prática do Cristianismo (12 a 16). A epístola aos Romanos tem as seguintes características especiais: 1) É a mais sistemática das epístolas escritas por Paulo, é a epístola teológica por excelência do N.T.; 2) Paulo escreve a carta usando um estilo de perguntas e respostas; 3) Paulo usa intensamente o Antigo Testamento como autoridade bíblica na apresentação da verdadeira natureza do evangelho; 4) Paulo apresenta a doutrina da justiça de Deus como a revelação fundamental do Evangelho – O ato praticado por Jesus na cruz é a consumação da justiça de Deus. Deus ao mesmo tempo em que castiga Jesus pelos pecados dos homens o justifica pela fé em Jesus; 5) Paulo enfatiza a dupla natureza do pecado: uma como uma transgressão pessoal e a outra como algo inerente a natureza humana. Ele ainda enfatiza a obra meritória de Cristo para contemplar essas duas facetas do pecado; 6) O capítulo oito é o mais longo da Bíblia sobre a obra do Espirito Santo na vida do cristão; 7) a carta aos Romanos apresenta o estudo mais profundo sobre a razão da rejeição do Messias prometido, por parte dos judeus, bem como o plano de Deus para inserir o remanescente fiel através da eleição da graça no programa geral da Igreja; 7) A carta aos Romanos contém a mais longa lista de colaboradores do ministério de Paulo. A justificação do pecador através do Evangelho de Cristo é o tema central da carta aos Romanos. Sobre esse assunto Paulo apresenta o tema e o exemplifica com a experiência de fé do patriarca Abraão. Outro tema importante nessa carta é a poderosa obra do Espírito Santo na vida do crente em Cristo. Nessa obra Paulo revela que os crentes foram amados e predestinados por Deus na eternidade, chamados e justificados no tempo e serão glorificados no futuro. Paulo ainda revela o intenso amor de Deus por seus filhos adotivos. Um tratamento especial é dado nessa epístola à questão da rejeição de Israel à Cristo e o futuro desse povo no programa redentor de Deus. Somente o remanescente desse povo é que experimentará as benesses da nova vida em Cristo, isto no programa geral da Igreja, ou seja, serão salvos somente pela fé em Cristo (9 a 11). Nessa carta se encontra uma das mais belas doxologias do Novo Testamento: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!” Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Uma panorâmica sobre Atos

Atos dos Apóstolos é o livro histórico do Novo Testamento. Esse livro foi escrito pelo mesmo autor do Evangelho de Lucas, sendo Atos uma continuação do relato histórico da obra que o Senhor Jesus viera realizar, a edificação da Sua Igreja. É conhecido também pelo título de Atos do Espírito Santo, devido ser a terceira pessoa da Santíssima Trindade a mais proeminente em seus relatos. Lucas, o medido amado, companheiro de Paulo em duas viagens missionarias, escreveu esse livro para fornecer a um irmão na fé chamado Teófilo, o mesmo destinatário do Evangelho de Lucas, o registro do começo da Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo, a partir do dia de Pentecostes em Jerusalém e o seu desenvolvimento nas terras israelitas e principalmente a sua expansão pelo mundo gentílico, durante um espaço de tempo de aproximadamente trinta anos. Na sua fase inicial, o Cânon do Novo Testamento compunha-se dos quatro evangelhos e das cartas paulinas, constituindo-se Atos dos Apóstolos como um elo entre essas duas partes. Esse livro fornece o contexto histórico das cartas produzidas por Paulo. Olhando o livro de Atos de forma panorâmica podemos observar que o mesmo tem uma divisão bem distinta. Uma, contemplando os capítulos 1 a 12, cujo enfoque é a igreja em Jerusalém como centro irradiador da mensagem do Evangelho e o apóstolo Pedro como personagem principal. A outra parte corresponde ao capitulo 13 até o capitulo 28, enfocando como centro irradiador da mensagem do Evangelho a igreja de Antioquia da Síria e cujo personagem principal é o apostolo Paulo. Esse livro apresenta as seguintes características especiais: 1) Ênfase na Igreja – Atos revela a origem da Igreja na sua expressão visível, a natureza da sua missão neste mundo juntamente com alguns princípios que deve nortear o seu viver aqui na terra; 2) Ênfase no Espírito Santo - O Espírito de Deus é mencionado no livro cinquenta vezes, conferindo a Igreja poder, dons espirituais e direção na execução da obra do Senhor; 3) O teor verdadeiro da mensagem do Evangelho – boas novas de salvação através da morte e ressurreição de Cristo; 4) Ênfase na oração – a igreja primitiva dedicava-se regularmente a oração perseverante, dando condições para que o Espírito Santo operasse nela e através dela; 5) Ênfase nos milagres e sinais que acompanhavam a pregação do Evangelho (curas de enfermidades, exorcismo, libertação, etc.); 6) Ênfase nas perseguições sofridas pela igreja através dos judeus descrentes e por outros inimigos do Evangelho; 7) Ênfase no ministério feminino – Atos dos Apóstolos dá uma atenção especial ao ministério feminino revelando Deus usando mulheres para abençoar outras vidas; 8) Ênfase na marcha vitoriosa da Igreja – barreira alguma nacional, religiosa, cultural ou racial, nem oposição ou perseguição puderam impedir o progresso do Evangelho. Merece destaque nesse livro a descida do Espírito Santo sobre a Igreja representava por aqueles cento e vinte irmãos no dia de Pentecoste. O Espírito desceu como que línguas de fogo que pousou sobre cada um deles, batizando-os e concedendo-lhes poder para testemunhar do Evangelho de Cristo. A partir dali começa a dispensação que chamamos a Dispensação do Espírito que se encerrará quando o Espírito entregar a Igreja à Cristo, por ocasião da segunda vinda do Senhor. Outro destaque especial refere-se às duas figuras proeminentes nele, Pedro e Paulo. O primeiro tendo o privilégio de abrir o reino de Deus com a pregação do Evangelho no dia de Pentecostes e o outro o grande apóstolo aos gentios que levou a mensagem do Evangelho aos grandes centros do mundo antigo. Uns acham que Atos é apenas um livro histórico que não traz diretrizes para a Igreja, mas outros acham que nele encontram-se princípios que acompanham a Igreja através dos séculos. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Uma panorâmica sobre João

João, o autor do quarto Evangelho, era um dos doze apóstolos e, juntamente com Pedro e Tiago seu irmão, um dos mais íntimos do Senhor dentre os apóstolos. O Evangelho de João foi escrito para combater uma heresia que surgira no meio da Igreja primitiva que negava a deidade de nosso Senhor Jesus Cristo. Esse Evangelho tem uma estrutura diferente dos outros três primeiros evangelhos, por isso é considerado um evangelho não sinótico, ou seja, um evangelho que não tem relatos similares, a não ser na parte relacionada à paixão e ressurreição de Jesus. Os milagres registrados nesse evangelho são chamados de sinais e tinham e tem a finalidade de levar a pessoa a crer em Cristo como o Filho de Deus bem como a fortalecer a fé daqueles que já professam a Cristo. O Evangelho de João enfoca a Jesus como o Filho de Deus. Nele encontramos sete sinais, sete discursos de Jesus e sete declarações do Senhor sobre si mesmo (Eu sou a porta, Eu sou o bom pastor, Eu sou a luz do mundo,...). Esse evangelho tem oito características especiais que o distingue dos demais, senão vejamos: 1) Enfoca Jesus como o Filho de Deus, o Deus encarnado; 2) A ocorrência abundante (98 vezes) da palavra crer, equivalente a receber a Cristo; 3) Vida eterna nesse evangelho é um conceito chave referindo-se não só a uma existência sem fim com Deus mas a qualidade de vida abundante do crente em Jesus; 4) Encontro de pessoas com Cristo. Nesse evangelho encontramos 27 desses encontros; 5) Ênfase no ministério do Espirito Santo através do qual ele capacita o crente comunicando-lhe continuamente vida e o poder de Jesus; 6) Ênfase na palavra verdade. Jesus é a verdade, o Espirito é a verdade, a Palavra de Deus é a verdade. A verdade liberta e purifica; 7) A ênfase no número sete. Sete sinais, sete discursos, sete declarações Eu sou; 8) O uso de outras palavras de destaque tais como luz, palavra, carne, amor, testemunho, conhecer, trevas e mundo. Olhando esse evangelho de forma panorâmica podemos perceber que o mesmo tem quatro divisões além do prólogo e do epílogo, senão vejamos: 1) A apresentação de Jesus a Israel (1.19-51); 2) Os sinais e sermões de Cristo diante de Israel e a sua rejeição (2.1-12.50); 3) Conversa íntima de Jesus com os seus discípulos culminando com a oração sacerdotal quando ele ora por si e pelo povo do novo concerto (13.1-17.26); 4) A paixão e ressurreição do Senhor (18.1-20.29). Quanto ao prólogo, o mesmo começa apresentado a Jesus como o Logos divino (o Verbo) que sempre existiu como o eterno Filho de Deus, e que esse Logos é uma pessoa distinta do Pai, e também que esse Logos é Deus. Depois o prólogo apresenta o Logos como coparticipante da obra criadora. Em seguida ele é identificado como a Luz verdadeira que alumia a todo o homem. Apresenta ainda o precursor do Verbo, ou seja, aquele que fora designado por Deus para preparar o caminho do Senhor. Depois o prólogo revela a rejeição que o povo de Israel fez não O aceitando como o Messias prometido. Revela ainda que essa rejeição abriu espaço para todas as pessoas de todas as etnias crerem no Verbo divino. Finalmente o prólogo nos revela que esse Logos divino, o Filho de Deus, encarnou, assumiu uma natureza humana, fazendo-se homem, para oferecer pelos homens sua preciosa vida em sacrifício. Nesse prólogo ainda é revelada o dom gratuito de Deus para o pecador que crer nele, a vida eterna. No epílogo encontramos a revelação da finalidade ou propósito do evangelho de João que é levar as pessoas a crer em Jesus bem como fortalecer a fé daqueles que professam a Cristo. O epílogo termina com uma aparição de Jesus aos seus apóstolos, depois de um sinal realizado por Ele, e a restauração espiritual do apóstolo Pedro que tinha negado o Senhor quando de sua prisão. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Colação de Grau – 10/12/2011 - Discurso do Patrono

Seminário Teológico Evangélico Congregacional de João Pessoa Colação de Grau – 10/12/2011 Discurso do Patrono Sr. Presidente da ALIANÇA, Sr. Diretor do Departamento Teológico da ALIANÇA, Sr. Diretor do STEC/JPA, demais autoridades eclesiásticas, irmãos em Cristo em geral e, especialmente, caríssimos formandos: Honra-nos muito a escolha da turma concluinte para ser o seu patrono e nos sentimos extremamente lisonjeados com isso. Agradecemos a deferência. Nestas breves palavras aos formando queremos enfatizar uma dicotomia que reputamos de magna importância para aqueles que foram chamados por Deus para ministrar em Sua casa no excelentíssimo ministério da Palavra, que são: o conhecimento bíblico e a piedade. Tratando-se do conhecimento bíblico queremos enfatizá-lo em sua maior amplitude e não só o conhecimento teológico, da doutrina, aprendido em Seminários. É sabido que Deus graciosamente se revelou a Si mesmo através da natureza e principalmente através das Sagradas Escrituras. Tudo aquilo que Deus quis que conhecêssemos acerca dele (o Seu ser, os Seus atributos, o Seu caráter e principalmente a Sua vontade) está registrado na Sua Santa Palavra. Isso faz da Bíblia um livro especial que deve ser conhecido por todos aqueles que professam a fé em Cristo, principalmente aqueles que labutam como obreiro na seara do Senhor. Conhecer todo o conselho de Deus é imprescindível para o ministro do evangelho. A Bíblia Sagrada é o manual por excelência daquele que é obreiro do Senhor. Diante disso, urge que nos debrucemos diante da Palavra de Deus de dia e de noite como foi recomendado pelo Senhor a Josué. “não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita nele dia e noite, para que tenhas o cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e então prudentemente te conduzirás” Js 1.8. Particularmente somos de opinião de que não se precisa, necessariamente, conhecer a profundidade de todas as heresias que grassam no meio evangélico, que brotaram do inferno para confundir a igreja, mas é imprescindível que o ministro do Senhor conheça toda a verdade revelada na Palavra de Deus. A razão disso é simples: a verdade de Deus enchendo o coração de uma pessoa rechaça com facilidade o erro, de onde ele vier, por mais sutil que seja. A piedade, o segundo tema da dicotomia proposta, enfoca a vivência dos ensinamentos contidos na Palavra de Deus. O ministro do Senhor deve ser uma pessoa piedosa e essa piedade passa necessariamente pela vida de oração do obreiro, pela integridade de caráter e pela dedicação ao serviço na igreja, a casa do Senhor. Alguém já disse com propriedade sobre a oração, o seguinte: “muita oração muito poder, pouca oração, pouco poder, e nenhuma oração, nenhum poder”. No seu programa eterno Deus colocou a oração como o instrumento que deve ser utilizado para nos relacionarmos com Ele. Tiago, o irmão do Senhor, em sua carta disse que a oração de um justo pode muito em seus efeitos. O Salvador disse através de uma parábola que deveríamos orar sempre e nunca desfalecer. Paulo, um dos paradigmas como obreiro, ensinou sobre a necessidade do crente orar sem cessar. A prática da oração perseverante atrai o poder de Deus para a vida do ministro do Senhor. Quanto à integridade de caráter, é isso de fundamental importância para que a mensagem pregada pelo servo de Deus não caia no vazio, não perca a sua força, se a mesma for proferida por quem não vive uma vida exemplar. Alguém já disse que os nossos atos falar muito mais alto do que as nossas palavras. O Salvador censurou fortemente os fariseus da sua época porque eles falavam em nome do Senhor, mas não viviam aquilo que ensinavam ao povo de Deus. Queira o bondoso Deus livrar os senhores formandos da hipocrisia, pois ela descredencia o ministério. Tratando-se do serviço na casa do Senhor, nada neste mundo é mais importante do que ele. Assim entende a alma crente, redimida, que foi regenerada pela instrumentalidade do Espirito Santo. O serviço divino é prioridade na vida de todos aqueles que professam a fé em Cristo, principalmente para aqueles que foram convocados por Deus para o ministério da Palavra. Discordamos visceralmente daqueles que são ministros do evangelho, consagrados, que vivem imiscuídos em questões seculares, principalmente na política. Esses ministros perderam a visão do reino de Deus, perderam o foco da vida cristã. O apóstolo Paulo já dizia pelo Espirito Santo, que ninguém que milita como soldado no reino espiritual deve se embaraçar com os negócios desta vida (2 Tm 2.4). Espera-se do ministro do evangelho uma dedicação exclusiva. Isso se extrai facilmente das palavras do Salvador ditas a um homem chamado por Deus para o ministério, quando ao ouvir a chamada quis protelar alegando que tinha compromisso com a sua família. O Salvador disse para ele enfaticamente: “... Deixa aos mortos o sepultar os seus mortos; porém tu vais e anuncia o reino de Deus” Lc 9.60. Amados formandos, terminamos as nossas palavras desejando de coração que o Deus dos céus faça todas as provisões para que vocês tenham um ministério profícuo para a glória de Deus. Um abraço fraternal do pastor e amigo, Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Uma panorâmica sobre Lucas

Lucas foi o único autor dos livros da Bíblia que não era judeu. Ele era médico e foi um dos companheiros de Paulo em duas viagens missionárias. A sua mensagem no Evangelho visava ao público gentio, ao contrário de Mateus que escreveu para os crentes judeus e Marcos para os crentes romanos. O destinatário do Evangelho de Lucas foi um crente chamado Teófilo por quem ele tinha uma profunda estima. A esse ilustre irmão, Lucas destina também o livro de Atos dos Apóstolos. Lucas escreveu o seu Evangelho após uma acurada investigação dos fatos relacionados com a vida do Salvador, senão vejamos: “Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio e foram ministros da palavra, pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio, para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado” Lc 1.1-4. O Evangelho de Lucas é um dos evangelhos sinóticos, só que nele encontramos o mais extenso relato do ministério do amado Mestre, inclusive nele se encontram relatos exclusivos como, por exemplo, a parábola do filho pródigo, a do rico e Lázaro, a parábola do Bom Samaritano, a cura dos dez leprosos, a ressurreição do filho da viúva de Naim, e o único relato sobre a adolescência do Senhor Jesus. Esse Evangelho segue o mesmo padrão dos outros dois sinóticos, principalmente Mateus, começando com o relato do nascimento de Jesus e continuando com o seu ministério até sua prisão, condenação, morte, sepultamento, ressurreição e ascensão. Ainda esse Evangelho no que se refere à genealogia do Salvador remonta a Adão e não só a Abraão como faz Mateus, querendo isso dizer que a mensagem do Evangelho é universal, para todos, aliás a ênfase desse Evangelho é na humanidade de Jesus, sendo identificado no livro com o título messiânico de Filho do Homem. O Jesus identificado em Lucas é o salvador divino-humano, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. O Evangelho de Lucas tem as seguintes características especiais: 1) Um amplo alcance dos registros dos eventos sobre a vida do Senhor Jesus desde a anunciação do seu nascimento até a sua ascensão; 2) A qualidade excepcional do estilo literário empregando um vocabulário rico e diversificado; 3) O alcance universal da mensagem do Evangelho – Jesus veio salvar judeus e gentios; 4) Salienta a compaixão de Jesus pelos pobres e necessitados bem como as mulheres e crianças; 5) Ênfase na vida de oração de Jesus e no seu ensino sobre isso; 6) O notável título dado a Jesus, o Filho do Homem; 7) O enfoque da vida abundante do crente em Cristo; A ênfase sobre o ministério do Espirito Santo na vida do Senhor e na dos seus discípulos. No esboço do livro, encontramos: Prefácio (1.1-4); A vinda do Salvador (1.5-25); Preparação do Salvador para o Seu ministério (3.1-4.13); O ministério do Salvador na Galiléia (4.14-9.50); A Viagem Final de Jesus a Jerusalém (9.51-19.28); A semana da paixão (19.28-23.56); Ressurreição e ascensão do Senhor (24.1-53). Olhando o Evangelho de Lucas de forma panorâmica, encontramos: 1) O relato mais completo da infância de Jesus; 2) Depois de descrever o ministério de João Batista e apresentar a genealogia de Jesus, Lucas divide o seu evangelho em três seções principais: a) O ministério de Jesus na Galileia; b) O ministério durante a viagem para Jerusalém; c) A última semana de Jesus em Jerusalém, tendo como fatos principais a prisão, julgamento, condenação, morte, sepultamento, ressurreição de Jesus e sua ascensão aos Céus depois de ter dado aos seus discípulos a promessa do derramamento do Espírito Santo. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Uma panorâmica sobre Marcos

O Evangelho de Marcos é o mais sucinto dos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos, Lucas) e foi escrito para os cristãos que habitavam em Roma. Marcos era sobrinho de Barnabé e era um dos componentes da primeira geração de cristãos. Ele fez parte da equipe que compunha a primeira viagem missionária de Paulo, abandonando-a depois de certo tempo. Ele ainda teve o privilegio de trabalhar com os três proeminentes apóstolos do Senhor – Paulo (At 13.1-13; Cl 4.10; Fm 24), Barnabé (At 15.39) e Pedro (1 Pe 5.13). Como Marcos não fora testemunha ocular do ministério do Senhor Jesus, a tradição nos diz que ele tomou conhecimento dos fatos da vida de Jesus Cristo através do relato do apóstolo Pedro. Esse evangelho foi escrito para fortalecer a fé dos cristãos romanos que sofriam perseguição na época de Nero, e para inspirá-los a sofrer pelo evangelho, apresentando-lhes como modelo a vida, sofrimento, morte e ressurreição de Cristo. O tema desse evangelho enfatiza o Senhor Jesus como servo, enquanto Mateus como Jesus como rei de Israel e João enfatiza Jesus com o Filho de Deus. Quatro características distinguem esse evangelho dos demais, como segue: 1) É um evangelho de ação, enfatizando mais as obras realizadas por Cristo do que os seus ensinamentos. Marcos registra dezoito milagres realizados por Cristo e apenas quatro parábolas; 2) Como foi escrito aos romanos, ele explica mais os costumes hebraicos do que os outros evangelhos, omitindo genealogias judaicas, narrativas sobre o nascimento de Jesus, e explica os termos aramaicos e emprega termos latinos; 3) Marcos inicia o seu evangelho repentinamente sem se preocupar com a introdução que os outros dois sinóticos fazem. Os eventos da vida do Senhor Jesus são descritos de forma sucinta, utilizando-se do advérbio grego que corresponde a palavra “imediatamente” para demonstrar ação; 4) Sendo um evangelho de relatos vigorosos e vividos o autor descreve os fatos com pericia pitoresca de um gênio literário. Esboçando o evangelho de Marcos, podemos fazer isso em sete partes, a saber: 1) Preparação para o ministério de Jesus. Nessa parte encontramos o ministério de João Batista, o precursor de Cristo; o batismo de Jesus; e a tentação do Senhor; 2) O ministério inicial na Galiléia onde encontramos o chamado dos quatros primeiros discípulos de Jesus; o relato de um sábado em Cafarnaum; a primeira viagem de pregação; e conflitos com fariseus; 3) O ministério posterior na Galiléia onde encontramos uma retirada a beira-mar; a escolha dos doze discípulos; identificação de amigos e inimigos de Jesus; o ensino do Mestre através de parábolas e através de obras poderosas; sua ida a Nazaré onde fora criado; a missão dos doze apóstolos; o relato sobre Herodes e João Batista; milagres e ensinos de Jesus junto ao Mar da Galiléia; e conflitos com os seus oponentes sobre as tradições israelitas; 4) O ministério de Jesus além da Galiléia onde se encontram duas curas de gentios e outros milagres; um episódio em Cesaréia de Filipo; e a cena da transfiguração do Senhor; 5) A caminho de Jerusalém onde se encontram os relatos sobre a caminhada através da Galiléia; e o ministério na Peréia no lado oriental do rio Jordão; 6) A semana da Paixão onde é encontrado os relatos da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém; a figueira amaldiçoada; a purificação do templo; ensino através de parábolas; controvérsias com seus oponentes; o sermão profético; a unção em Betânia por Maria Madalena; a última celebração da Páscoa; a instituição da Ceia Memorial; Jesus no Getsêmani; perante o Sinédrio israelita; perante Pilatos; a crucificação; e sepultamento de Cristo; 7) Nessa última parte encontramos a ressurreição de Cristo anunciada por um anjo; as aparições do Cristo ressurreto; a grande comissão dada a igreja, representada ali pelos apóstolos; e, finalmente a ascensão do Senhor e um breve relato da realização da obra missionária pelos apóstolos. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Uma panorâmica sobre Mateus

O Evangelho de Mateus é o primeiro livro do Novo Testamento. Mateus era um apóstolo de nosso Senhor Jesus Cristo, portanto uma testemunha ocular dos acontecimentos da vida do Salvador, a partir de sua chamada para o ministério apostólico. Esse Evangelho, como os Evangelhos de Marcos e Lucas, é chamado de Evangelho Sinótico devido os relatos desses Evangelhos ser similares. Mateus foi escrito visando informar aos crentes judeus que Jesus era de fato o Messias prometido no Antigo Testamento, e para alcançar esse objetivo usa essa parte da Bíblia Sagrada. A expressão “isto aconteceu para que se cumprisse ao que estava escrito no profeta...” é usada intensamente nesse Evangelho. Outra coisa que prova essa finalidade é que a genealogia de Jesus remonta a Abraão, diferente de Lucas que liga Jesus a Adão. O Evangelho de Mateus segue o padrão dos outros dois sinóticos, principalmente o de Lucas, enfocando as fases da vida e ministério do Senhor (anunciação, concepção miraculosa, nascimento, crescimento, início ministério aos trinta anos, tentação, ministério de ensino através de parábolas e sermões, ministério miraculoso, prisão, condenação, morte, sepultamento ressurreição e a grande comissão dada a Igreja. Mateus foi escrito com o propósito de prover os seus leitores de um relato da vida de Jesus por uma testemunha ocular; para assegurar aos seus leitores que Jesus é o Filho de Deus e o Messias esperado desde o remoto passado, predito pelos profetas do Antigo Testamento; para demonstrar que o reino de Deus se manifestou em Jesus de maneira incomparável. Mateus deixa claro que Israel rejeitou a Jesus e ao seu reino e se recusou a crer nele por ter ele vindo como um Messias espiritual e não político e só no final da presente era Ele virá em glória para julgar e governar o mundo. Visualizando Mateus de forma encadeada, encontramos esse Evangelho apresentando Jesus como o cumprimento da esperança profética de Israel (como nasceu, lugar do nascimento, regresso do Egito para onde fora levado a fim de escapar da morte projetada por Herodes, residência em Nazaré, precedido por um profeta, território principal do seu ministério, ministério de cura, metodologia de ensino através de parábolas, entrada triunfal em Jerusalém, morte sacrificial, sepultamento e ressurreição). O evangelho também enfoca os cinco principais sermões de Jesus: o sermão do monte (capítulos 5-7); instruções para os pregadores do Evangelho (capítulo 10); as parábolas do reino (capítulo 13); O perfil do verdadeiro discípulo de Cristo (capítulo 18); o sermão Escatológico (capítulos 24 e 25). O Evangelho de Mateus ainda faz uma narrativa sobre as obras realizadas por Jesus como testemunho da realidade do reino de Deus; do irrompimento desse reino através da pessoa de Jesus; da oposição à proclamação do Reino; da viagem de Jesus a Jerusalém pela última vez e a sua última semana ali; da prisão, crucificação, sepultamento e ressurreição de Jesus dentre os mortos; e da grande comissão dada por Jesus aos seus apóstolos. Esse Evangelho ainda tem as seguintes características especiais: 1) é o mais judaico dos evangelhos; 2) Contém a exposição mais sistemática dos ensinos de Jesus e do seu ministério de cura e libertação; 3) Os cinco sermões principais já mencionados contêm os textos mais extensos dos Evangelhos sobre o ministério de ensino de Jesus; 4) Esse Evangelho, de modo especifico, identifica eventos da vida de Jesus como sendo cumprimento do Antigo Testamento mais do que qualquer outro livro da Bíblia; 5) Enfoca mais do que outro livro da Bíblia a questão do Reino dos Céus (Reino de Deus); 6) Mateus destaca o padrão ético do reino de Deus, o poder divino em operação no reino sobre o pecado, a doença, os demônios e a morte, o triunfo do reino na vitória final de Cristo, nos fins dos tempos; 7) Mateus é o único Evangelho que menciona a igreja como entidade futura pertencente a Jesus. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Uma Panorâmica da Introdução ao Novo Testamento

No boletim passado fizemos uma síntese do período entre o Antigo e o Novo Testamento, informando sobre as instituições e outros assuntos que surgiram nesse período e que estavam em plena utilização quando do período do Novo Testamento. Neste artigo iremos dar uma visão panorâmica sobre o Novo Testamento, e depois iremos tratar de cada livro individualmente. O Novo Testamento tem o seu nome devido ao enfoque principal nele de uma nova aliança estabelecida com Deus, através de nosso Senhor Jesus Cristo. Todo o Novo Testamento foi escrito na língua grega popular da época (grego Koiné). Essa parte da Bíblia Sagrada contém vinte e sete livros, classificados da seguinte maneira: Os Evangelhos – Mateus, Marcos, Lucas e João. Os três primeiros são chamados de Sinóticos, devido os seus relatos ser similares. Esses evangelhos tratam da biografia de nosso Senhor Jesus Cristo, e para termos um relato histórico completo da vida de nosso Senhor devem ser harmonizados uns com os outros. O ponto principal dos relatos dos Evangelhos é a morte e a ressurreição de nosso Senhor. Os Evangelhos falam ainda do irrompimento do Reino de Deus no mundo através de Jesus de Nazaré. Depois dos Evangelhos encontramos o livro histórico do Novo Testamento, Atos dos Apóstolos, que relata o início da história da Igreja na sua expressão local e a sua expansão em Israel e em terras gentílicas. Dois personagens ocupam papel de destaque nesse livro, que são Pedro e Paulo. Em seguida encontramos as treze cartas escritas pelo apóstolo Paulo, chamadas de epístolas paulinas (Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito e Filemom). Dessas cartas, nove foram escritas a Igrejas e quatro a pastores, dai essas últimas serem chamadas de epístolas pastorais, e as outras epistolas à Igreja em Roma, em Corinto, na Galácia, em Éfeso, etc.. Paulo em suas Cartas estrutura o Cristianismo, dando-lhe um corpo doutrinário conforme a vontade e a inspiração do Espirito Santo. Das cartas paulinas, as que enfocam mais os problemas do dia a dia de uma Igreja são as duas cartas aos Coríntios. Depois das cartas paulinas encontramos a carta aos Hebreus cujo autor não é identificado no livro, e que trata da supremacia de Cristo e do novo concerto sobre as instituições, personagens e oferendas do culto israelita e do concerto antigo. Em seguida encontramos as epístolas gerais ou universais escritas por Tiago, o irmão do Senhor (Tiago) Pedro (1 e 2 Pedro), Joao (1, 2 e 3 João), e Judas (Judas). Essas epístolas são chamadas de epístolas gerais porque não foi destinadas a alguma comunidade cristã da época e sim ao povo de Deus em geral. O enfoque de Tiago é a questão das boas obras como prova evidente da salvação. Pedro escreveu para fortalecer os crentes espalhados no império romano que sofriam perseguição por causa do Evangelho. João escreveu para combater uma perigosa heresia que surgira no meio da Igreja, o gnosticismo que negava a deidade de nosso Senhor Jesus Cristo. Judas escreveu para advertir a Igreja sobre os falsos mestres que pululavam pelas Igrejas da época ensinando coisas erradas não condizentes com a doutrina cristã. Por fim encontramos o livro do Apocalipse que foi uma mensagem entregue por Jesus a João Evangelista visando fortalecer a Igreja que sofria nas mãos do império romano. Esse livro em seu estilo literário é diferente dos outros livros do Novo Testamento, pois a sua mensagem foi entregue usando uma linguagem simbólica, com visões, com uso da numerologia, figuras de linguagem, etc. Nesse livro encontramos uma parte epistolar nas sete cartas destinadas pelo Senhor as sete Igrejas da Ásia Menor da época. Esse livro delineia o futuro da Igreja e do mundo todo. Fala também da consumação de todas as coisas, da felicidade dos justos e da punição dos ímpios. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Pregações Pastor Eudes

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Entendendo a Mensagem do Apocalipse

O livro de Apocalipse é o último livro do Canon do Novo Testamento. Ele foi escrito por João, apóstolo, quando estava exilado na Ilha de Patmos por causa do evangelho, sob o governo de Domiciano, provavelmente em 95 d.C. O livro foi escrito visando consolar a Igreja do Senhor Jesus que sofria oposição e perseguição por parte da potência mundial da época, o império romano. Ele foi escrito num estilo literário conhecido como apocalíptico em que, dentre outras coisas, a mensagem é apresentada através de visões, símbolos e figuras. Esse estilo literário foi usado de forma abundante por escritores religiosos do período entre 200 a.C a 100 d.C. No Canon Sagrado temos o livro de Apocalipse escrito nessa linguagem, partes de Daniel, de Isaías, de Ezequiel, e de Zacarias. Existem ainda diversos outros livros que usam esse tipo de linguagem, mas apócrifos. A mensagem básica passada pelos apocalípticos era que o povo de Deus estava sofrendo nas mãos dos ímpios, mas que tivesse paciência porque Deus, no devido tempo, se manifestaria punindo os opressores e libertando o seu povo e dando-lhe um futuro feliz. No meio acadêmico conhece-se quatro escolas de interpretação do livro de Apocalipse: a Preterista, que trata os acontecimentos do livro como acontecidos no primeiro século da era cristã, ficando pendente apenas a consumação (segunda vinda do Senhor e o consequente juízo final). A historicista, que identifica os acontecimentos do livro de Apocalipse com os acontecimentos ao longo da historia da humanidade a partir do século primeiro. A futurista, que ensina que apenas os capítulos um, dois e três pertencem à história da Igreja, sendo o restante do livro objeto do futuro após o arrebatamento da mesma. A idealista, que ensina que o livro de apocalipse trata de princípios revelados por Deus no que se refere ao sofrimento da Igreja, o cuidado de Deus sobre ela e o Seu juízo sobre os perseguidores da mesma, bem como o futuro glorioso do povo de Deus. Fazendo uma análise crítica das escolas citadas no item anterior podemos chegar às seguintes conclusões: a preterista mostra o Apocalipse como um livro que é apenas um referencial e que não traz uma mensagem objetiva para a igreja, pois praticamente tudo é passado. Para essa escola o Apocalipse não serve para a igreja depois do século primeiro. Essa concepção faz do livro apenas uma fonte informativa sem mensagem para a Igreja a não ser uma vaga esperança escatológica. A Historicista cai no grave erro de tentar identificar os acontecimentos passados da história do mundo com os selos, trombetas e taças do Apocalipse, etc. Observem que para os autores dessa escola os acontecimentos referem-se praticamente ao mundo ocidental. A Futurista faz do livro mais judaico do que cristão já que a igreja será arrebatada no final do capítulo terceiro, pois no capítulo quatro ela está nos céus com Jesus. Assim sendo, o livro perde o seu objetivo que é consolar uma igreja que enfrentou, enfrenta e enfrentará oposição neste mundo. Outra ênfase equivocada dessa escola é ensinar explicitamente que haverá mais de uma ressurreição corporal de mortos (a dos santos da velha dispensação, da igreja, dos salvos da grande tribulação e dos salvos do milênio - isto está subtendido no programa dessa escola, e a dos ímpios). Ainda outro problema grave da escola futurista é enfatizar uma interpretação literal do livro em grande parte quando o mesmo foi escrito num estilo de linguagem em que a mensagem é transmitida através de símbolos e figuras de linguagem (literatura apocalíptica). Fica a escola Idealista que vê o livro como uma forte mensagem para a igreja em todas as suas épocas até a sua consumação, visto que o mesmo é uma mensagem de conforto para a Igreja do Senhor que sofre no mundo com a oposição e perseguição do diabo, do mundo e da falsa religião. Segundo a escola idealista o livro de Apocalipse divide-se em duas partes: capítulos 1-11 que trata da luta do mundo político/econômico/social/militar, posto no maligno, contra a Igreja do Senhor; e 12-22 que trata da luta de satanás e seus aliados (as duas bestas, a prostituta, e os aliados da besta) contra Cristo e sua Igreja, ou seja, a luta aqui na terra é o reflexo de uma batalha maior no reino espiritual. Essa escola ainda identifica no livro sete seções paralelas (todas cobrem o mesmo período, do primeiro ao segundo advento de Cristo, sendo reveladas algumas coisas novas e variando outras de intensidade à medida que se aproxima do fim de todas as coisas), conforme explicitado pelo Dr. William Hendricksen em seu livro “Mais que Vencedores - os mistérios do Apocalipse desvendados com profundidade e fidelidade”, Editora Cultura Cristã: 1ª seção, capítulos 1 a 3 - Cristo no meio da sua igreja (sete candeeiros de ouro) ao longo de sua existência; 2ª seção, capítulos 4 a 7 - A visão do Céu e dos sete selos; 3ª seção, capítulos 8 a 11 - As sete trombetas; 4ª seção, capítulos 12 a 14 - o dragão perseguidor da igreja; 5ª seção, capítulos 15 e 16 - As sete taças; 6ª seção, capítulos 17 a 19 - A queda da Babilônia; 7ª seção, capítulos 20 a 22 - A grande consumação. Essa escola ainda considera que os juízos de Deus através dos sete selos, das sete trombetas e das sete taças, são eventos paralelos ou simultâneos e não sequenciais, considerando que nos últimos setes (sétimo selo, sétima trombeta e sétima taça) encontram-se a descrição de um mesmo evento que é a consumação de todas as coisas com o segundo advento de Cristo. Tratando do livro em si, ele começa com a identificação da autoria divina do mesmo (revelação de Jesus Cristo), do meio utilizado para trazer essa mensagem (pelo seu anjo) e do instrumento humano que iria lançar mão da pena para escrevê-lo (João). Em seguida o livro identifica os destinatários do mesmo (as sete igrejas da Ásia Menor: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia). Ainda no capítulo primeiro nos é apresentado o Senhor da Igreja, glorificado, através de uma figura aterradora (cabelos brancos como a neve, olhos como chamas de fogo, espada que sai da boca, pés semelhante a latão reluzente, etc), Tendo cada descrição um significado aderente aos atributos e ofícios de Cristo (onisciência, onipotência, onipresença, santidade, eternidade, ofícios sacerdotal e real, supremo juiz, etc). Nos capítulos dois e três encontramos a parte epistolar do livro, as sete cartas destinadas às sete igrejas da Ásia Menor. Nessas cartas encontramos quatro coisas em comum: 1) uma apresentação de Jesus a Igreja tirada do capitulo primeiro; 2) uma análise da vida interna de cada igreja onde são identificados pelo Senhor os pontos positivos e os negativos delas; 3) uma advertência a Igreja; 4) e uma promessa ao vencedor. Ainda em cada carta encontramos frases em comum, como segue: ao anjo da Igreja escreve; eu sei as tuas obras; quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz as Igrejas; e, ao que vencer, dar-lhe-ei. Quanto à análise interna, em duas delas não foram identificados pontos negativos (Esmirna e Filadélfia) e numa não foram identificados pontos positivos (Laodicéia). Quanto ao destinatário imediato das cartas (anjo da igreja) eles são os responsáveis humanos pelas comunidades locais (o pastor auxiliado pelos presbíteros. Veja At 20.28; 1 Pe 5.1-4). No capitulo quatro encontramos uma visão do trono de Deus. Nessa visão é descrita o fulgor do trono de Deus e os seres que estavam diante dele (seres celestiais - quatro seres viventes, e seres humanos glorificados, vinte e quatro anciãos que representam o povo de Deus da antiga e da nova dispensação). Nesse capítulo é proclamada a santidade de Deus pelos seres viventes e também Deus é exaltado e celebrado pela sua obra criadora. “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder, porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas” Ap 4.11. No capitulo cinco é visto na mão direita do que está assentado no trono um livro selado com sete selos. Esse livro contém o programa de Deus para o mundo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, que é revelado, paulatinamente, com a abertura de cada selo. A seguir a visão dominante do capítulo é a do Cordeiro que foi morto, que com a sua dignidade e com o que Ele fez (redenção do povo de Deus pelo sacrifício de si mesmo) o credencia a abrir o livro e a desatar os seus sete selos. Isto quer dizer que o Senhor Jesus é o Senhor da história e que as coisas que aconteceram, acontecem e acontecerão na história do mundo principalmente aquelas relacionadas à Igreja estão sob o Seu controle ou comando. Ainda na visão do Cordeiro que foi morto são realçados dois atributos Seus: a onipotência (sete chifres) e a onisciência (sete olhos). Ainda nesse capitulo o Cordeiro é reverenciado e adorado por anjos e pelos homens redimidos representados pelos vinte e quatro anciãos. Nessa celebração a Cristo é dada ênfase a sua obra redentora realizada na cruz do Calvário. “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra” Ap 5.9,10. No capítulo seis encontramos os sete selos, que revelam o juízo de Deus sobre o mundo ímpio perseguidor da Igreja. Esses juízos são derramados (foram, estão sendo, e serão) na história do período da igreja, desde o seu nascedouro até a sua consumação. Os cavaleiros montados nos cavalos branco, vermelho, perto e amarelo, representam respectivamente Cristo vencendo através da pregação do Evangelho, a guerra contra a Igreja, o desequilíbrio da economia provocado pela guerra e a morte que se segue a guerra e a fome. Observem que Deus pune os homens sempre em função do seu povo, no caso a sua Igreja. Ainda nesse capítulo encontramos a revelação da vida após a morte (imortalidade da alma) naquelas almas debaixo do altar quando se abre o quinto selo. Na abertura do sexto selo encontramos cataclismos na natureza semelhantes aos mencionados por Jesus no seu sermão escatológico que antecederão de imediato a segunda vinda do Senhor (Mt 24.29). No capítulo sete encontramos duas visões parentéticas (entre as duas séries de juízos de Deus através de selos e trombetas), ambas falando da Igreja do Senhor. A primeira visão, a dos 144.000 selados refere-se à Igreja do Senhor, o novo Israel de Deus, que está sendo selada pelo Espírito Santo ao longo da sua história. Na visão a Igreja é apresentada com todos os seus componentes. A visão seguinte refere-se à igreja completa, vencedora, nos céus, composta de todos os salvos de todas as épocas e de todas as tribos, povos, línguas e nações. Esses amados vieram de grande tribulação durante as suas existências e, principalmente, no período de intensa tribulação que ocorrerá antes da segunda vinda do Senhor. Nos capítulos oito e nove e parte do capitulo onze, encontramos a visão dos toques das sete trombetas que engloba o mesmo período contemplado pelos sete selos (o panorama da história da Igreja delineado, desde o seu nascedouro até a sua consumação). Observem que o sexto selo (Ap 6.12-17) é similar a sétima trombeta (Ap 11.15-19). Ambos terminam com a segunda vinda do Senhor e o consequente juízo final. Nas trombetas nos é mostrado acontecimentos mais detalhados do que nos sete selos. No capítulo dez e parte do capítulo onze, encontramos outras duas visões parentéticas, a do livrinho comido por João e a das duas testemunhas, referindo-se as duas ao mesmo assunto que é o testemunho da Igreja ao longo de sua história. Um testemunho que traz prazer aos que são alcançados pela mensagem do Evangelho e perspectiva de juízo para quem não aceita (doce ao paladar e amargo no ventre), e o testemunho que é dado pela Igreja no poder do Espírito, mas que recebe oposição e enfrenta martírio provocado pelo diabo, seus aliados e pelo mundo que jaz no maligno (as duas testemunhas). Em momentos da história da Igreja o seu testemunho é parecido como se ela tivesse sido morta, mas em outros momentos, vivo, poderoso como se tivesse ressuscitado, principalmente antes do fim da presente era. Nos capítulos doze e treze nos é apresentado os formidáveis inimigos do povo de Deus que atuam contra ele ao longo da sua história, principalmente da história da Igreja, mui especialmente quando do final da sua existência aqui na terra: o dragão (satanás), a besta que sai do mar (o mundo político representado pelo anticristo), e a besta que sai da terra (as falsas religiões representadas pelo falso profeta). Nesse capítulo nos é revelado o ódio que o dragão tem pela Igreja, não lhe dando trégua, mas revela também a proteção divina sobre ela em seus momentos de perseguições. No capitulo quatorze encontramos outra visão da Igreja glorificada após o seu traslado para os céus. Nessa visão a Igreja é novamente representada pelos 144.000 mil selados. Ainda nos é revelado que os seus componentes foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro e que estão sempre com Ele. “... estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes são os que dentre os homens foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro. E na sua boca não se achou engano; porque são irrepreensíveis diante do trono de Deus” Ap 14.4,5. Encontramos também uma descrição do terrível juízo de Deus por ocasião da consumação de todas as coisas com o segundo advento de Cristo. Nos capítulos quinze e dezesseis encontramos a consumação da ira de Deus através do derramar de sete taças. Essas taças contemplam todo o período da história da Igreja, ou seja, é outra visão do mesmo juízo de Deus derramado sobre o mundo ímpio, opositor da Igreja. Isto quer dizer que os sete selos, as sete trombetas e as sete taças contemplam o mesmo período da história da Igreja desde o seu nascedouro em Pentecostes até a sua consumação por ocasião da segunda vinda do Senhor. Observem que os juízos de Deus através de selos, trombetas e taças trazem certa similaridade, e as diferenças que existem são mais luzes que se nos traz sobre o tratamento de Deus com o mundo ímpio perseguidor da Igreja. A questão da simultaneidade de selos, trombetas e taças, é similar aos relatos dos quatro evangelhos, quando um relato de um evangelista lança mais luz sobre o mesmo relato feito por outro evangelista, dando-nos no todo, na análise conjunta, um relato completo daquilo que Deus queria nos revelar. Nos capítulos dezessete, dezoito e parte do capítulo dezenove (19.1-10), encontramos uma descrição sobre Babilônia, a grande prostituta que seduz os homens com os seus encantos. Encontramos ainda a revelação do juízo de Deus sobre Ela e a repercussão desse juízo entre aqueles que se prostituíram com ela. Essa grande Babilônia não é uma cidade física e sim o mundo com o seu encanto e sedução, que está sob a influência do diabo. Esse mundo posto no maligno (Mt 4.8,9; Ef 2.2; 1 Jo 5.19) é expressado pelos grandes impérios que dominaram o mundo (assírio, babilônico, persa, grego, romano, etc), que seduziram a alma do homem e perseguiram o povo de Deus. Ainda nessa visão é revelado o regozijo nos Céus quando da execução do juízo de Deus sobre o mundo perseguidor da Igreja (Ap 19.1-10). No capítulo dezenove (19.11-21) encontramos um relato da segunda vinda do Senhor em glória para buscar a sua Igreja e para trazer juízo sobre o mundo ímpio na grande batalha de Armagedom. O Senhor vem nessa visão como um guerreiro poderoso, com os seus anjos para trazer juízo sobre os aliados do dragão. Observem os dois símbolos desse juízo: a espada que sai da boca do Senhor para ferir as nações, e as vestes salpicadas de sangue. O juízo de Deus é descrito assim: “E vi um anjo que estava no sol, e clamou com grande voz, dizendo a todas as aves que voavam pelo meio do céu: Vinde e ajuntai-vos à ceia do grande Deus, para que comais a carne dos reis, e a carne dos tribunos, e a carne dos fortes, e a carne dos cavalos e dos que sobre eles se assentam, e a carne de todos os homens, livres e servos, pequenos e grandes. E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo e ao seu exército. E a besta foi presa e, com ela, o falso profeta, que, diante dela, fizera os sinais com que enganou os que receberam o sinal da besta e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no ardente lago de fogo e de enxofre. E os demais foram mortos com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes” Ap 19.17-21. Nesse juízo é dada ênfase sobre o julgamento do anticristo e do falso profeta. (Ap 19.20), representantes máximos, respectivamente, do mundo e da falsa religião.. No capitulo vinte encontramos uma solene descrição do juízo final quando todos irão comparecer diante de Deus para prestar conta dos seus atos enquanto viveram. Neste capitulo encontramos uma ênfase sobre o castigo imputado ao diabo e seus anjos (subtendido em relação aos anjos caídos) bem como aos seus adeptos. É-nos dito nesse capitulo (Ap 20.1-3) que o diabo estava sob certo castigo de Deus durante a dispensação da Igreja (amarrado por mil anos, o tempo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo), tendo o seu raio de ação limitado, pois Cristo o venceu na cruz e o expôs ao desprezo e a ignomínia, conforme nos foi revelado por Paulo (Cl 2.15) e por Pedro (1 Pe 3.22). Esse capítulo ainda fala sobre a libertação do diabo depois de sua prisão por mil anos. Significa que lhe será dada mais liberdade para atuar nos dias que antecederem de imediato a segunda vinda do Senhor. Isso quer dizer que quando da aproximação da vinda de Jesus a ação diabólica será mais intensa. Isso se coaduna com o que está escrito no capítulo 9 de Apocalipse com o toque da quinta trombeta (Ap 9.1-12). Ainda nesse capítulo há uma referência a um reino de mil anos. Considerando que a linguagem do apocalipse é uma linguagem simbólica, entende-se que esses mil anos são o tempo total da história da Igreja quando a mesma reina com Cristo na esfera espiritual (Ef 2.6; Cl 3.1; Ap 1.6; 5.10). Entende-se ainda que esse milênio simbolize a vida perfeita que os crentes goza no reino espiritual, assentados nos lugares celestiais com Cristo Jesus, gozando de salvação, paz com Deus graças a poderosa obra do Espírito Santo em suas vidas. Há ainda uma referência a uma primeira e a uma segunda ressurreição dos mortos. A primeira ressurreição, no entendimento dos teólogos reformados, refere-se à ressurreição espiritual quando da conversão do pecador a Cristo. Observe que o texto diz que sobre esses a morte não tem poder algum, coadunando-se assim com o que disseram o Senhor Jesus (Jo 5.25) e Paulo (Ef 2.1,5; Rm 8.1,2). A segunda ressurreição identificada nesse capitulo é a ressurreição corporal dos mortos (salvos e perdidos) num bloco só conforme explicitado por Daniel (Dn 12.2), pelo Senhor Jesus (Jo 5.28,29) e por Paulo (At 24.15). Nos capítulos vinte e um e vinte e dois encontramos uma descrição dos novos céus e da nova terra (o lugar eterno dos santos), resultado da purificação feita por Deus no mundo, conforme revelado também pelo apóstolo Pedro em sua segunda carta (2 Pe 3.7,10-13). Encontra-se também nesse capítulo uma revelação surpreendente sobre a glória que envolve a Igreja do Senhor na consumação de todas as coisas (a nova Jerusalém, a esposa do Cordeiro - Ap 21.9-27). Ainda se encontra no capitulo vinte e dois um convite do Senhor ao pecador perdido para que ele aceite a mensagem do Evangelho pregada pela Igreja mediante o poder do Espírito, uma advertência para os leitores e uma reiteração da promessa da segunda vinda do Senhor e a ministração de uma benção sobre a vida da Igreja. --------------- Ainda no livro de apocalipse encontram-se sete bem aventuranças: - “Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” Ap 1.3. - “Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam” Ap 14.13. - “Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas” Ap 16.15. - “E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus” Ap 19.9. - “Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele mil anos” Ap 20.6. - “Eis que presto venho. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro” Ap 22.7. - “Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à árvore da vida e possam entrar na cidade pelas portas” Ap 22.14. -------------- Quanto à numerologia da literatura apocalíptica, veja o quadro abaixo: N.º Significado 1 Ideia de unidade, ou de existência independente. 2 Fortaleza, confirmação, coragem e energia redobrada (as duas testemunhas) 3 N.º divino, Trindade 4 O mundo em que os homens vivem, labutam e morrem. 5 Perfeição humana física (cinco dedos dos pés e mãos) 6 N.º de homem (falha, queda, derrota) 7 N.º divino, perfeição, inteireza (sete Espíritos, sete Igrejas, sete anjos, sete castiçais) 3 1/2 Coisa incompleta 10 (5x2) Completo, poderio humano absoluto (dez reis, dez chifres, dez mandamentos) 12 Religião organizada no mundo (doze tribos, doze apóstolos, doze portas) 24 (12x2) Espectro abrangente da religião organizada no mundo (24 anciãos) 70 (7x10) Ideia de ilimitado (setenta discípulos, setenta anciãos, setenta membros do Sinédrio) 144.000 (12x12x10) N.º representativo da religião perfeita (144.000 selados) -------------- A literatura apocalíptica apresenta características peculiares, a saber: a) Significação Histórica - Toda a literatura apocalíptica está associada a uma contexto histórico bem definido. O conhecimento dessa situação facilita a compreensão da mensagem do autor. b) Uso de Pseudônimo - Os autores desses escritos, geralmente, usavam pseudônimos, isto é, nomes de personagens importantes das Sagradas Escrituras e, quase nunca, os seus próprios nomes. c) A Mensagem Apresentada por Meio de Visões - Os escritores desse tipo de literatura geralmente apresentavam a sua mensagem fazendo uso de visões, sendo esse um dos principais métodos utilizados para expressar aquilo que se queria dizer. d) Uso do Elemento Preditivo - A literatura apocalíptica trata de acontecimentos futuros ou escatológicos. A predição é feita das coisas principais e se refere mais ao caráter do evento predito do que aos seus detalhes. e) Uso Intensivo de Símbolos - Na literatura apocalíptica, encontramos um elaborado sistema de símbolos secretos e de figuras de linguagem para expressão das ideias espirituais. O uso da simbologia dificulta sensivelmente a interpretação da mensagem, principalmente, para quem não está com ela familiarizado. f) Uso de Figura de Linguagem Dramática - A literatura apocalíptica é caracterizada pelo sentido de um iminente drama. Frequentemente, os símbolos são usados de forma dramática para enfatizar a seriedade da mensagem. __________ Observação: as divisões do livro de apocalipse em duas partes e em sete seções, o quadro com a numerologia e as informações sobre as características da literatura apocalíptica é fruto de pesquisa. Exceto os textos bíblicos transcritos, o restante é de autoria deste pastor. _________ Para uma compreensão mais detalhada desse extraordinário livro (Apocalipse) recomendamos a bibliografia abaixo, principalmente o livro de William Hendricksen: - Apocalipse, o futuro chegou – Hernandes Dias Lopes, Editora Cultura Cristã - Apocalipse – Simon Kistermaker, Editora Cultura Cristã - A Igreja e as Últimas coisas – Dr. Martyn Lloyd-Jones, PES - A Mensagem do Apocalipse – Michael Wilcock, ABU - Mais que Vencedores (os mistérios do Apocalipse desvendados com profundidade e fidelidade) - William Hendricksen, Editora Cultura Cristã Rev. Eudes Lopes Cavalcanti Ministro congregacional da ALIANÇA