quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Cheios do Espírito

No seu plano eterno Deus determinou que aqueles que cressem no Seu Filho Jesus Cristo recebessem o dom do Espírito Santo. “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios d’água viva correrão do seu interior. E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem;...” Jo 7.38,39. “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” Ef 1.13.
Segundo as Sagradas Escrituras, a presença do Espírito Santo no interior do salvo é uma realidade inquestionável. O Espírito Santo foi-nos dado para habitar em nossas vidas, selando-nos para o dia da redenção, e para fazer de nossos corpos santuários de Deus. “Não sabeis vós que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” 1 Co 3.16. (Veja ainda 1 Co 3.17; 6.19; 2 Co 6.16).
A presença do Espírito Santo no salvo o torna alvo das suas inúmeras atuações, pois segundo a Bíblia, o Espírito foi-nos dado para nos ensinar as verdades espirituais, guiar os crentes nos caminhos do Senhor, santificar a vida do salvo, levá-lo a obedecer a Deus, moldar o seu caráter ao modelo estabelecido por Deus em Sua Palavra, fortalecê-lo para enfrentar os embates espirituais, dar-lhe força espiritual para testemunhar das grandezas de Deus, mui especialmente das virtudes de nosso Senhor Jesus Cristo que nos tirou das trevas para a sua maravilhosa luz. O Espírito Santo foi-nos dado também para consolar o nosso coração nos momentos de dificuldades e tribulações. Aliás, Ele foi chamado por Jesus de o Consolador.
O dom do Espírito Santo, como dissemos, é recebido pela fé em Cristo. A partir do momento em que a pessoa crê em Jesus e o aceita como Salvador e Senhor, o Espírito de Deus vem habitar nela. Isto quer dizer que todo o crente verdadeiro tem o Espírito Santo. O apóstolo Paulo disse que se alguém não tem o Espírito Santo esse tal não pertence a Jesus (Rm 8.9).
Ainda de acordo com o plano de Deus, é da vontade do Senhor, encher todos os crentes com o Espírito Santo, fazer o Espírito transbordar na vida do crente, controlando-a totalmente, para fazer cumprir nele o Seu propósito. Para que essa vontade de Deus possa ser realizada, é necessário que o crente dê espaço no seu coração para que essa benção o alcance. Como Deus respeita a nossa individualidade, é propósito seu que essa benção seja desejada e buscada pelos crentes em Cristo. “Enchei-vos do Espírito“ Ef 5.18.
Uma vida cheia do Espírito deve ser o sonho de todo aquele que professa o nome de Jesus. Essa benção deve ser buscada de todo o coração e prioritariamente pelos servos de Deus. Só com a plenitude do Espírito em nossas vidas é que seremos crentes felizes, abençoados, renovados, realizados, e úteis a causa do Senhor. “E tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus” At 4.31. “E os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo” At 13.52.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

AS FASES DA LIDERANÇA CRISTÃ

Introdução

O estudo da liderança é de suma importância, principalmente, na época em que estamos vivendo, a fim de ajudar o homem escolhido por Deus a ter sucesso em sua missão. O desconhecimento deste magno assunto leva o líder cristão a incorrer em erros e problemas que poderiam ser evitados, caso fossem tratados de acordo com as técnicas de liderança conhecidas nos livros que versam sobre o assunto.
Neste artigo, abriremos uma janela por onde poderemos descortinar a possibilidade de melhorarmos o exercício da liderança no meio do povo de Deus.
Diante disto, na janela aberta, descortinaremos as fases macros da liderança cristã: A Chamada para a Liderança, A Capacitação para a Liderança, A Definição do Espaço da Liderança, O Exercício da Liderança e a Recompensa da Liderança.
O aprofundamento do assunto, caso se deseje, deverá ser buscado nos livros que tratam do assunto, existentes no mercado e aos pés do Senhor em oração.
Antes de desenvolvermos sucintamente as fases da liderança cristã, é conveniente fazermos conhecidas dois conceitos sobre Liderança:
a) Liderança Natural: “Pode ser definida como sendo aquela qualidade num homem, que inspira suficiente confiança a seus comandados de modo a aceitarem suas idéias e obedecerem ao seu comando”.
b) Liderança Cristã: “É uma vocação em que há uma perfeita mistura de qualidades humanas e divinas, ou um trabalho harmonioso entre o homem e Deus destinado ao ministério e bênção das demais pessoas”.

Nas definições de Liderança constantes dos Manuais de Administração é comum encontrarmos as expressões: “ser aceito e respeitado pelo grupo”, “Capacidade de unir e manter coeso o grupo”; “Manter um bom relacionamento com o grupo”; “Identificação com o grupo”; “Levar o grupo a consecução dos objetivos”; “Influenciar”; “Inspirar confiança”, etc.

A Chamada para a Liderança

“Paulo chamado pela vontade de Deus, para ser apóstolo de Jesus Cristo...” 1 Co 1.1

A Chamada da genuína liderança cristã vem exclusivamente de Deus. Na obra de Deus ninguém deve querer levantar-se a si mesmo como líder, isto é o que entendemos estudando a Bíblia Sagrada. O Senhor, segundo o beneplácito de Sua Soberana Vontade, tem escolhido e chamado pessoas, de ambos os sexos, para exercerem atividade de Liderança no meio da Igreja. Para consolidar o assunto, mostraremos alguns versículos bíblicos: “Veio a mim a Palavra do Senhor dizendo: antes que eu te formasse no ventre, te conheci e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta”, Jr 1.4, 5. “Mas quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe separou, e me chamou pela Sua graça” Gl 1.15. “Jesus subiu a um monte, e chamou os que ele quis...” Mc 3.13. “Paulo, servo Jesus Cristo, chamado para apostolo, separado para o Evangelho de Deus” Rm 1.1.
A Chamada eficaz para a liderança alcança o salvo onde e quando Deus achar conveniente. Com Paulo, foi na estrada de Damasco quando ia perseguindo a Igreja do Senhor. Com Moisés, foi no monte Horebe na visão da sarça ardente. Com Samuel, foi na Casa do Senhor. Com Pedro, André, Tiago e João foram às margens do Mar da Galiléia. Com Mateus, foi no local onde ele trabalhava, e assim por diante.
Entendendo que a Chamada é divina, nós devemos orar como Jesus ensinou em Lucas 10.2, para que Deus envie obreiros para a Sua Seara, ou seja, levante lideranças firmes, vocacionadas e eficazes para o Seu trabalho.
A Capacitação para a Liderança

“... Mas a nossa capacidade vem de Deus” 2 Co 3.5

As pessoas chamadas por Deus para exercerem a atividade de liderança são por Ele capacitadas para a executarem a contento. Deus, quando chama, se responsabiliza para capacitar a pessoa. A capacitação, segundo o propósito divino, é de acordo com a atividade de liderança que o Senhor tem designado para o seu servo. A Bíblia diz que quando o Senhor distribuiu os talentos deu a cada um segundo a sua capacidade (Mt 25.15). Referindo-se aos dons carismáticos, Paulo diz que o Espírito Santo os distribui particularmente a cada um como quer (1 Co 12.11). Entendemos por estes e outros textos bíblicos que a capacitação de Deus pode diferir de uma pessoa para outra. Deus, quando chamou a Moisés, o capacitou poderosamente para a grande tarefa que queria que ele realizasse: Tirar Israel do Egito e conduzi-lo até a terra da promessa. A capacitação de Moisés, como a de Paulo, começou muito antes da experiência de conversão. Moisés, no Egito, foi instruído em toda a ciência e sabedoria daquele grande povo (At 7.22). Paulo, nascido em Tarso, foi instruído aos pés de Gamaliel em Jerusalém, uns dos maiores mestres do seu tempo, (At 22.3). A capacitação de Moisés continuou no deserto de Midiã, pastoreando o rebanho de Jetro, seu sogro, e culminou com a concessão do poder de Deus, na experiência da sarça ardente, no Monte Horebe. A de Paulo continuou na estrada de Damasco, quando daquela experiência em que ouviu a voz do Senhor e viu a Sua luz e culminou naquela cidade quando foi cheio do Espírito Santo, após receber a imposição de mãos de Ananias. Tanto Paulo como Moisés foram capacitados por Deus para o exercício dos seus respectivos ministérios. Foram capacitados com profundo conhecimento humano, capacitados com um profundo conhecimento das Sagradas Escrituras e com concessão do poder de Deus.
Como em toda a Bíblia se percebe, as áreas da soberania divina e da responsabilidade humana andam juntas. Devemos entender que nessa área de capacitação a mesma coisa deve ser considerada. Deus tem feito Sua parte e nós também devemos fazer a nossa, no que se refere à capacitação. Para isso temos que dedicar mais tempo a oração, ao estudo da Palavra de Deus, a termos humildade de aprendermos como os nossos erros e com os dos outros e dedicarmos mais tempo a leitura em geral, especialmente, desse precioso assunto.
A Definição do Espaço da Liderança

“Mas, agora, Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis” 1 Co 12.18

Diante do que já vimos desenvolvendo, começamos a perceber que o Deus que chama e capacita, define também o espaço para que o seu servo exercite a atividade de liderança. É o que chamamos do homem certo no lugar certo. Se um homem foi chamado e capacitado para ser um Evangelista jamais será eficaz como Pastor. A mesma coisa acontece com um Pastor. Ele pode fazer a obra de um Evangelista como orientou Paulo a Timóteo (2 Tm 4.5), mas não será tão eficaz quanto um homem chamado para ser Evangelista. Um Evangelista só vê diante de si uma necessidade que é a de salvar almas, e, na propagação do Evangelho, ele é altamente eficaz. Já o Pastor tem a grande responsabilidade de pastorear as pessoas que já encontraram a salvação em Cristo Jesus.
A questão de definição de espaço é muito importante. Somente dentro do espaço reservado por Deus é que seremos líderes eficazes. A dificuldade que João marcos, sobrinho de Barnabé, sentiu foi a de justamente não ter sido chamado por Deus para ocupar o espaço na Obra Missionária da Igreja de Antioquia. O Espírito Santo tinha separado Barnabé e Paulo e não João Marcos. O resultado todos nós conhecemos, inclusive sendo ele a causa da separação daqueles dois grandes servos de Deus (At 13.1-5,13 e 15.36-39). Coré, Datã e Abirão sofreram duras conseqüências quando tentaram ocupar o espaço da liderança não designado por Deus. (Nm 16.1-3). O Caso de Saul, primeiro rei de Israel, mostra um líder querendo ocupar o espaço designado por Deus para outro líder (1 Sm 13.8-13). Também para ele a conseqüência não foi boa.
Assim como Paulo que tinha consciência do espaço reservado por Deus para o seu ministério (Gl 2.7,8), assim também devemos ter certeza do lugar onde Deus quer que desenvolvamos a nossa capacidade de liderança. Isto é possível se buscarmos a vontade de Deus para nossas vidas (Rm 12.1, 2; Ef 5.17).
O Exercício da Liderança

“Contanto que cumpra, com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus”. At 20.24

Chamado, capacitado e ocupando o espaço definido por Deus, começa o líder a exercer a sua atividade de liderança sob a bênção do Todo-Poderoso. Os frutos serão abundantes na medida em que ele for sendo fiel ao Senhor. Foi assim com Paulo, com Moisés, com Davi, com Salomão e com inúmeros servos de Deus ao longo da história bíblica e também da Igreja. Vejamos apenas um exemplo que foi o de Paulo. “Servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: apartai-me a Barnabé e a Paulo para a obra que os tenho chamado. Então depois de jejuarem e orarem, impuseram sobre eles as mãos e os despediram. Assim, enviados pelo Espírito Santo...” At 13.2-4. Chamado, capacitado, ocupando o espaço de Deus reservado para ele, vai agora Paulo confiante exercer o seu ministério, no caso, a sua primeira viagem missionária. Depois de executar aquela obra voltou para Antioquia, onde tinha sido recomendado à graça de Deus, juntamente com o seu companheiro Barnabé para a obra que acabara de realizar. “...Quando chegaram reuniram a Igreja, relataram quão grandes coisas o Senhor fizera por eles, e como abrira as portas aos gentios”. At 14.26, 27.
Escrevendo a Timóteo, o Apóstolo Paulo lembra ao jovem líder a necessidade de, no espaço definido por Deus, cumprir o ministério para o qual fora chamado. “... Cumpre o teu ministério”. 2 Tm 4.5.
É bom lembrar que no exercício da liderança surgem muitas lutas e problemas. Em nossa opinião, uma das maiores dificuldades que o líder cristão vai enfrentar é consigo mesmo, principalmente se ele tiver características autocráticas. Certamente, sentirá grandes dificuldades em delegar autoridade para que outros executem alguma tarefa. Terá dificuldade de trabalhar em equipe, de envolver a Igreja ou o grupo com uma metodologia de trabalho democrática. Sentirá também dificuldade de conviver harmoniosamente com outras lideranças, e assim por diante.
Acreditamos que, pensando nessa tendência do líder autocrático querer dominar e controlar tudo é que o Espírito Santo usando a instrumentalidade de Pedro diz: “Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu ... Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente, não por torpe ganância, mas de boa vontade; não como dominadores dos que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho”. 1 Pe 5.1-3.
A Recompensa da Liderança

“...E, se alguém me servir, meu Pai o honrará”. Jo 12.26

Sabemos pelas Sagradas Escrituras que o trabalho cristão tem sua recompensa determinada por Deus. Escrevendo aos Coríntios. Paulo diz: “Portanto, amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na Obra do Senhor, sabendo que, no Senhor Jesus Cristo o vosso trabalho não é vão” 1 Co 15.58. O nosso Senhor Jesus Cristo falou também sobre uma recompensa designada por Deus para aqueles que o servem fielmente: “E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terra, por causa do meu nome, receberá cem vezes, herdará a vida eterna” Mt 19.29. O apóstolo Paulo tinha uma convicção profunda sobre a recompensa que iria receber do Senhor; “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” 2 Tm 4.7, 8. O apóstolo Pedro também feriu o assunto quando disse: “... e quando se manifestar o sumo Pastor recebereis a imarcescível coroa de glória” 1 Pe 5.1-4. No livro do profeta Daniel, encontramos uma palavra dita pelo Senhor sobre o assunto àquele servo Seu: “Tu, porém, vai até ao fim; porque repousarás e estarás na tua sorte no fim dos dias” Dn 12.13.
Para àqueles líderes que desempenharam bem o seu papel, certamente receberão do Senhor a recompensa devida, conforme as promessas registradas em Sua Santa Palavra. Acreditamos que o líder deve trabalhar para Deus não visando uma recompensa e sim por gratidão. A recompensa é uma conseqüência natural de um bom trabalho. Deus é fiel e dará a cada um segundo a sua obra.

Conclusão

Temos visto que para se ter sucesso na vida cristã, como líder, a pessoa tem que ter sido chamada e capacitada por Deus, tem que ter de maneira bem clara, em seu coração, a noção do espaço de liderança definido por Deus, tem que estar trabalhando sob a direção divina e ter confiança nas promessas recompensadoras do Senhor.


terça-feira, 5 de agosto de 2008

O Deus que ouve as orações

Na esfera do relacionamento do homem com Deus, aprouve ao Senhor determinar os meios pelos quais esse relacionamento se tornasse eficaz.
Deus decidiu falar conosco, principalmente, através de Sua Palavra e para isso entregou, através dos seus profetas, homens inspirados pelo Espírito Santo, as Sagradas Escrituras onde encontramos tudo o que Deus queria nos revelar sobre Si mesmo, principalmente sobre a sua vontade para nós; e para que nós falássemos com Ele determinou que o meio que deveria ser utilizado fosse a oração.
Prometeu Deus ouvir as orações que fossem feitas com sinceridade de coração e com fé, e em nome do Seu Filho Jesus Cristo, e para isso empenhou a sua palavra fiel e verdadeira, conforme concluímos através de textos como os citados a seguir: “Clama a mim e responder-te-ei; anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes” Jr 33.3. “Por isso vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á; pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á” Lc 11.9,10.
Se Deus prometeu ouvir as orações dos Seus filhos devemos em tudo priorizá-la em nossas vidas. “Orai sem cessar”. 1 Ts 5.17. Escrevendo aos Efésios, Paulo orientou que aquela Igreja orasse em todo o tempo com toda a oração e súplica e vigiando nisso no Espírito (Ef 6.18). Escrevendo aos Romanos e aos Colossenses Paulo os orientou a perseverarem em oração (Rm 12.12; Cl 4.2). O Senhor Jesus ensinou também uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca desfalecer (Lc 18.1-8) e concluindo essa parábola o Senhor disse o seguinte: “Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los? Digo-vos que depressa, lhes fará justiça...”.
Observando o exemplo de alguns homens poderosos na Bíblia concluímos que o segredo de suas constantes vitórias foi a intensa vida de oração que tinham. Por exemplo: Abraão, Davi e Daniel (só para citar três do Antigo Testamento). Diz-se de Davi e Daniel que esses homens, diariamente, tinham três momentos de oração a sós com Deus (Sl 55.17; Dn 6.10). No Novo Testamento temos Ana, profetisa de oitenta e quatro anos, Paulo e Cristo, sendo o Senhor o exemplo maior. Diz-se de Cristo que ele vivia uma vida de intensa oração e que, às vezes, passava a noite inteira em oração a Deus (Lc 6.12).
E você caro irmão? Como está a sua vida de oração? Você tem orado regularmente? Você sempre ora a sós? Tem freqüentado os cultos de oração da Igreja?
Infelizmente tem pessoas que só se preocupam em orar a Deus quando tem problemas e estão enfrentando dificuldades na vida. Quando os problemas são resolvidos por Deus, esquece-se de continuar orando. Até quando teremos esse posicionamento pecaminoso?
Sigamos o exemplo do salmista Davi que cantou: “Eu te invoquei, ó Deus, pois me queres ouvir...” Sl 17.6.

A fé da pessoa salva os seus parentes?

Josafá, rei de Judá, da casa de Davi, era um rei piedoso. Ele assumiu o reino com a idade de trinta e cinco anos e reinou vinte e cinco anos. A Bíblia dá o seguinte testemunho dele: “E o Senhor foi com Josafá, porque andou nos primeiros caminhos de Davi, seu pai, e não buscou a Baalim. Antes buscou ao Deus de seu pai, e andou nos seus mandamentos, e não segundo as obras de Israel” 2 Cr 17.3,4. Esse rei preocupou-se em fazer com que o povo do seu reino andasse nos caminhos do Senhor e para isso designou mestres que ensinaram aos israelitas a lei do Senhor. “E ensinaram em Judá e tinham consigo o livro da lei do Senhor; e rodearam todas as cidades de Judá, e ensinaram entre o povo” 2 Cr 17.9. Depois de uma grandiosa obra que realizou e de grandes vitórias que Deus lhe dera, Josafá veio a falecer com a idade de sessenta anos e o seu filho Jeorão reinou em seu lugar. Jeorão assumiu o reinado de Judá com a idade de trinta e dois anos e reinou oito anos sobre o povo de Deus. Diferentemente de seu pai, Jeorão viveu uma vida de pecado, caindo na idolatria, inclusive, assassinando os seus irmãos, e pior ainda, levou o povo de Deus a afastar-se do Senhor, incentivando a idolatria.
Esse rei, filho de um pai piedoso (crente), foi ferido por Deus com uma terrível enfermidade e morreu na impiedade e o texto bíblico nos diz que ele foi-se e não deixou saudades. “E... foi-se sem deixar de si saudades algumas;...” 2 Cr 21.20.
Queremos irmãos afirmar com o exemplo acima, e com outros encontrados na Bíblia Sagrada, com segurança, que o fato de um membro da família ser crente não é nenhuma garantia de que os outros parentes inevitavelmente serão crentes também. Deus não fez nenhuma promessa nesse sentido. A salvação é um mistério de Deus, e só Ele sabe a quem escolheu para essa finalidade. E a escolha de Deus não está condicionada a crença de ninguém. Ela é baseada na sua livre graça e soberania. Ele escolhe a quem quer e rejeita a quem quer (Rm 9.18). Tratando-se do lar, onde existe cônjuge crente ou descrente, o apóstolo Paulo, disse: “Porque, donde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, donde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher? 1 Co 7.16. Se houvesse uma promessa de Deus, Paulo não iria levantar essa dúvida, pois o próprio apóstolo disse que todas as promessas de Deus são sim (2 Co 1.20), o que Deus prometeu ele infalivelmente cumprirá.
Tratando do texto de Atos 16.31, onde se lê “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu, e a tua casa”, é preciso interpretá-lo corretamente a luz da doutrina, pois a Bíblia explica a própria Bíblia: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu” é a promessa de Deus para todos (Ef 2.8). “e a tua casa” foi uma promessa especifica de Deus para o carcereiro de Filipos, mas não é promessa para todos os que crêem em Cristo.
É obrigação dos pais, dos cônjuges e dos filhos orarem pelos seus parentes descrentes, mas todos devem entender que na área da salvação esse assunto é da inteira competência de Deus.

Contando o que Deus fez

Nos Evangelhos Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), encontramos o relato de uma poderosa ação libertadora, protagonizada pelo Senhor Jesus Cristo, de um homem endemoninhado. Aquele homem vivia uma vida miserável, pois estava totalmente dominado pelo Diabo, tinha a sua morada no cemitério de Gadara, andava de dia e de noite pelos montes e pelos sepulcros, urrando feito bicho, ferindo-se com pedras, e muitas vezes fora preso, mas quebrava as cadeias que o prendiam, e ninguém conseguia dominá-lo.
Quando o Senhor Jesus visitou Gadara, esse homem teve um encontro com Ele e toda a sua vida mudou, pois Jesus com o seu grande poder o libertou da prisão do Diabo. Depois de liberto, o gadareno manifestou o seu desejo de acompanhar Jesus no seu ministério itinerante, mas o Senhor tinha outro plano para a sua vida: “Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti” Mc 8.19.
Amados, todos nós, sem exceção, estávamos escravizados pelo pecado e éramos por natureza filhos da ira, mas Deus por graça e por misericórdia nos alcançou com a salvação eterna, através do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, e nos libertou do poder do pecado e do Diabo.
É do interesse de Deus que nós que fomos alcançados pela sua graça salvadora, a compartilhemos com outrem, ou seja, que proclamemos o que Ele fez por nós.
O Senhor Jesus Cristo deixou para a sua Igreja uma grande comissão: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda à criatura. Quem crer e for batizado serra; mas quem não crer será condenado” Mc 16.15,16. Portanto, como crentes em Cristo que somos, temos que nos empenhar para ser partícipe dessa gloriosa tarefa de proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.
Se nunca pensamos em nos envolver com essa obra ou se já sabemos de nossa responsabilidade, mas, ainda não consagramos a nossa vida a este mister, se faz necessário que nos humilhemos diante de Deus, e peçamos graça e força para anunciar as pessoas o que Deus fez por nós. Aliás, um crente cheio do Espírito Santo inevitavelmente se envolverá com essa obra, pois é desejo de Deus alcançar os seus eleitos mediante a pregação do Evangelho. “... e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a Palavra de Deus” At 4.31.