domingo, 16 de novembro de 2008

A Evangelização e a Soberania de Deus


Por causa do pecado de nossos primeiros pais, já previsto no programa divino, Deus, segundo seu propósito e graça, elaborou na eternidade e o executou no tempo o plano redentor, através da morte sacrificial do Seu Filho Jesus Cristo (segundo esse plano o Cordeiro, o Senhor Jesus, foi morto antes da fundação do mundo - Ap 13.8).
A culpa do pecado de Adão atingiu todos os seus descendentes, num efeito dominó, fazendo com que toda raça humana seja considerada pecadora aos olhos de Deus. “Por um homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte; a morte passou a todos os homens porque todos pecaram” Rm 5.12 (Veja ainda Rm 3.23).
Dentre os seres humanos, atingidos pela culpa do pecado de Adão, Deus segundo a sua graça, misericórdia e bondade, independente de qualquer ato de bondade ou fé previsto neles (Ef 2.8,9), escolheu um grupo deles, que é a Igreja para demonstrar nela a sua graça e bondade, contemplando-a assim com a salvação eterna. “Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou” Rm 9.23.
O plano redentor para o indivíduo tem etapas estabelecidas por Deus, segundo nos revela a Bíblia Sagrada: “Porque os que dantes conheceu (devotou amor intenso), também os predestinou para serem conforme a imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou” Rm 8.29,30. As etapas segundo o texto acima são: amados por Deus (escolhidos), predestinados, chamados, justificados e glorificados, sendo as duas primeiras estabelecidas na eternidade, as duas seguintes concretizadas no tempo e a última num futuro escatológico.
Ainda segundo o plano de Deus, a chamada do indivíduo predestinado para a salvação dar-se-á no tempo de sua existência neste mundo, e isto através da pregação do Evangelho. “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação” 1 Co 1.21. O apóstolo Paulo tinha consciência de que Deus o chamara para promover a fé que era dos eleitos de Deus de sua geração (Tt 1.1). (Veja ainda 2 Tm 2.10).
A pregação do Evangelho deve ser feita a todas as pessoas em todo o mundo para testemunho, conforme dito por Jesus em seu sermão escatológico (Mt 24.14), mas a Igreja deve ter a consciência de que só os eleitos atenderão a chamada divina. O Senhor Jesus disse que as suas ovelhas, e só elas, ouvirão a sua voz (Jo 10.26,27). Deve-se considerar ainda que para cada eleito Deus determinou o dia e a hora em que eles serão chamados e contemplados com a salvação eterna. “E de um só fez toda a geração dos homens para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação” (Veja ainda At 13.36). Os eleitos de Deus estão espalhados pelo mundo inteiro de acordo com a vontade soberana do Senhor, por isso a ordem do Senhor Jesus deixada para a Igreja foi para que o evangelho fosse pregado a todas as pessoas em todas as nações (Mc 16.15,16; Mt 28.18-20; Lc 24.47; At 1.8). Através do Seu Espírito, Deus move a Igreja e a dirige na pregação do Evangelho para alcançar os seus eleitos nascidos, que ainda não foram alcançados com a chamada eficaz. No livro de Atos podemos observar esta verdade: “E Paulo teve de noite uma visão, em que se apresentou um varão da Macedônia, e lhe rogou, dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos. E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciar o evangelho” At 16.9,10. “E disse o Senhor em visão a Paulo: Não temas, mas fala e não te cales; Porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade” At 18.9,10. “E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos quantos estavam ordenados para vida eterna” At 13.48. “Louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo, E todos os dias acrescentava o Senhor à Igreja aqueles que se haviam de salvar” At 2.47. Ainda nessa linha de raciocínio, devemos entender que quando os eleitos, em sua geração estão concentrados numa determinada área geográfica e que o tempo da chamada de Deus para cada um deles é próximo um do outro ou num mesmo tempo, será grande a colheita de almas quando se lançar à rede da pregação do Evangelho “De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia, agregaram-se quase três almas” At 2.41 (Veja ainda At 14.1; 12.24).
Mas acontece que, às vezes, os eleitos não estão concentrados num lugar, na sua geração. Nesse caso o resultado da colheita de almas será numericamente pequeno ou nulo. Reportando-se ao Antigo Testamento, vejamos o caso de Nínive, capital da Assíria: Numa época ela foi totalmente salva pela pregação feita por um homem de Deus (Jn 3.1-10) e noutra foi destruída totalmente, sem informações sobre conversão de seus habitantes (Na 2.1-13; 3.1-19). Veja o resultado da pregação de Paulo em Filipos em duas reuniões: só duas famílias foram alcançadas pela graça de Deus – a de Lídia e a do carcereiro daquela cidade (At 16.12-33). Houve caso no ministério de Paulo que o Espírito de Deus o proibiu de pregar o Evangelho em duas localidades e ocasiões (At 16.6,7). Por quê? A ordem de pregar o evangelho não fora dado a Igreja para alcançar o mundo inteiro? Não havia eleitos naquelas localidades? Se havia, chegara o tempo da chamada eficaz para eles? Por que Paulo pediu oração a Igreja de Colossos (Cl 3.4) para que Deus abrisse portas à pregação da Palavra e também para que ele fosse orientado como fazê-la? Não é porque as coisas, no reino espiritual, devem ser de acordo com o plano eterno estabelecido por Deus?
Como pudemos observar neste texto, evangelização e soberania de Deus andam juntas, não são inconsistente, nem incongruente, nem tão pouco um paradoxo, mas fazem parte do programa redentor de Deus. A tarefa de evangelização é uma das grandes tarefas da Igreja e nessa obra ela deve investir pesado, mas ela deve entender que os frutos numéricos não são resultados só dos seus esforços evangelísticos, mas sim da ação soberana do Espírito de Deus. “Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento...” 1 Co 3.6,7.

A Graça de Deus

Graça significa favor dispensado por Deus aos homens que, por causa do seu estado pecaminoso, de miséria espiritual, não têm merecimento algum. A palavra é de origem grega (charis) e tem entre outros significados o de dádiva ou dom.
É sabido pelas Escrituras que o homem não tem nada em si mesmo que venha a atrair o favor de Deus para a sua vida, pois ele é pecador aos olhos do Senhor, culpado, estando afastado de Deus e morto em seus delitos e pecados. “Pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” Rm 3.23.
A Bíblia Sagrada ainda nos revela que em Cristo a graça de Deus se tem manifestado (Tt 2.11). Isto quer dizer que tudo que o homem tem e possa ter é por concessão divina mediante os méritos de Cristo. Os méritos do grande Mediador é a única causa de termos o favor de Deus. João Batista disse que ninguém pode receber coisa alguma se do Céu não lhe for dada (Jo 3.27). Tiago, o irmão do Senhor, disse que toda a boa dádiva e todo o dom perfeito descem dos Céus, de Deus, para o homem. Tg 1.17.
A graça de Deus proporciona ao homem, através de Cristo, tudo o que pode fazê-lo verdadeiramente feliz, tanto neste mundo quanto na eternidade. Vejamos o que essa grandiosa graça nos proporciona, gratuitamente, em Cristo:
1) A graça nos proporciona perdão – O perdão dos pecados do homem é concedido graciosamente por Deus àquele que crê em Cristo. “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” Ef 1.7. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” Ef 2.8.
2) A graça nos proporciona libertação – O homem está escravizado pelo pecado, mas quando ele crê em Cristo a graça de Deus o liberta dessa escravidão. “ E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” Jo 8.32. “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres” Jo 8.36.
3) A graça nos proporciona restauração – O homem carcomido internamente pelo pecado, afastado de Deus, é restaurado a comunhão do Altíssimo unicamente pela graça. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” 2 Co 5.17. “E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo e nos deu o ministério da reconciliação” 2 Co 5.18.
4) A graça nos proporciona vida abundante – O homem está morto em seus delitos e pecados, mas quando recebe a graça de Deus em sua vida, ele passa a experimentar a verdadeira vida, vida abundante, vida feliz neste mundo e na eternidade. “Ele vos deu vida estando vós mortos em delitos e pecados” Ef 2.1. “E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará das minhas mãos” Jo 10.28. “ ... Eu vim para que tenha vida e a tenham com abundância” Jo 10.10.
5) A graça nos proporciona provisões – Deus prometeu provisionar todas as coisas para que os seus filhos tivessem as suas necessidades supridas neste mundo. “Porque o Senhor Deus é um sol e escudo; o Senhor dará graça e glória; não negará bem algum aos que andam na retidãoSl 84.11. “Mas buscai o reino de Deus e a sua justiça e as demais coisas vos serão acrescentadas” Mt 6.33.
Amados, glorifiquemos a Deus pela sua abundante graça.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Cheios do Espírito

No seu plano eterno Deus determinou que aqueles que cressem no Seu Filho Jesus Cristo recebessem o dom do Espírito Santo. “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios d’água viva correrão do seu interior. E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem;...” Jo 7.38,39. “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” Ef 1.13.
Segundo as Sagradas Escrituras, a presença do Espírito Santo no interior do salvo é uma realidade inquestionável. O Espírito Santo foi-nos dado para habitar em nossas vidas, selando-nos para o dia da redenção, e para fazer de nossos corpos santuários de Deus. “Não sabeis vós que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” 1 Co 3.16. (Veja ainda 1 Co 3.17; 6.19; 2 Co 6.16).
A presença do Espírito Santo no salvo o torna alvo das suas inúmeras atuações, pois segundo a Bíblia, o Espírito foi-nos dado para nos ensinar as verdades espirituais, guiar os crentes nos caminhos do Senhor, santificar a vida do salvo, levá-lo a obedecer a Deus, moldar o seu caráter ao modelo estabelecido por Deus em Sua Palavra, fortalecê-lo para enfrentar os embates espirituais, dar-lhe força espiritual para testemunhar das grandezas de Deus, mui especialmente das virtudes de nosso Senhor Jesus Cristo que nos tirou das trevas para a sua maravilhosa luz. O Espírito Santo foi-nos dado também para consolar o nosso coração nos momentos de dificuldades e tribulações. Aliás, Ele foi chamado por Jesus de o Consolador.
O dom do Espírito Santo, como dissemos, é recebido pela fé em Cristo. A partir do momento em que a pessoa crê em Jesus e o aceita como Salvador e Senhor, o Espírito de Deus vem habitar nela. Isto quer dizer que todo o crente verdadeiro tem o Espírito Santo. O apóstolo Paulo disse que se alguém não tem o Espírito Santo esse tal não pertence a Jesus (Rm 8.9).
Ainda de acordo com o plano de Deus, é da vontade do Senhor, encher todos os crentes com o Espírito Santo, fazer o Espírito transbordar na vida do crente, controlando-a totalmente, para fazer cumprir nele o Seu propósito. Para que essa vontade de Deus possa ser realizada, é necessário que o crente dê espaço no seu coração para que essa benção o alcance. Como Deus respeita a nossa individualidade, é propósito seu que essa benção seja desejada e buscada pelos crentes em Cristo. “Enchei-vos do Espírito“ Ef 5.18.
Uma vida cheia do Espírito deve ser o sonho de todo aquele que professa o nome de Jesus. Essa benção deve ser buscada de todo o coração e prioritariamente pelos servos de Deus. Só com a plenitude do Espírito em nossas vidas é que seremos crentes felizes, abençoados, renovados, realizados, e úteis a causa do Senhor. “E tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus” At 4.31. “E os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo” At 13.52.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

AS FASES DA LIDERANÇA CRISTÃ

Introdução

O estudo da liderança é de suma importância, principalmente, na época em que estamos vivendo, a fim de ajudar o homem escolhido por Deus a ter sucesso em sua missão. O desconhecimento deste magno assunto leva o líder cristão a incorrer em erros e problemas que poderiam ser evitados, caso fossem tratados de acordo com as técnicas de liderança conhecidas nos livros que versam sobre o assunto.
Neste artigo, abriremos uma janela por onde poderemos descortinar a possibilidade de melhorarmos o exercício da liderança no meio do povo de Deus.
Diante disto, na janela aberta, descortinaremos as fases macros da liderança cristã: A Chamada para a Liderança, A Capacitação para a Liderança, A Definição do Espaço da Liderança, O Exercício da Liderança e a Recompensa da Liderança.
O aprofundamento do assunto, caso se deseje, deverá ser buscado nos livros que tratam do assunto, existentes no mercado e aos pés do Senhor em oração.
Antes de desenvolvermos sucintamente as fases da liderança cristã, é conveniente fazermos conhecidas dois conceitos sobre Liderança:
a) Liderança Natural: “Pode ser definida como sendo aquela qualidade num homem, que inspira suficiente confiança a seus comandados de modo a aceitarem suas idéias e obedecerem ao seu comando”.
b) Liderança Cristã: “É uma vocação em que há uma perfeita mistura de qualidades humanas e divinas, ou um trabalho harmonioso entre o homem e Deus destinado ao ministério e bênção das demais pessoas”.

Nas definições de Liderança constantes dos Manuais de Administração é comum encontrarmos as expressões: “ser aceito e respeitado pelo grupo”, “Capacidade de unir e manter coeso o grupo”; “Manter um bom relacionamento com o grupo”; “Identificação com o grupo”; “Levar o grupo a consecução dos objetivos”; “Influenciar”; “Inspirar confiança”, etc.

A Chamada para a Liderança

“Paulo chamado pela vontade de Deus, para ser apóstolo de Jesus Cristo...” 1 Co 1.1

A Chamada da genuína liderança cristã vem exclusivamente de Deus. Na obra de Deus ninguém deve querer levantar-se a si mesmo como líder, isto é o que entendemos estudando a Bíblia Sagrada. O Senhor, segundo o beneplácito de Sua Soberana Vontade, tem escolhido e chamado pessoas, de ambos os sexos, para exercerem atividade de Liderança no meio da Igreja. Para consolidar o assunto, mostraremos alguns versículos bíblicos: “Veio a mim a Palavra do Senhor dizendo: antes que eu te formasse no ventre, te conheci e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta”, Jr 1.4, 5. “Mas quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe separou, e me chamou pela Sua graça” Gl 1.15. “Jesus subiu a um monte, e chamou os que ele quis...” Mc 3.13. “Paulo, servo Jesus Cristo, chamado para apostolo, separado para o Evangelho de Deus” Rm 1.1.
A Chamada eficaz para a liderança alcança o salvo onde e quando Deus achar conveniente. Com Paulo, foi na estrada de Damasco quando ia perseguindo a Igreja do Senhor. Com Moisés, foi no monte Horebe na visão da sarça ardente. Com Samuel, foi na Casa do Senhor. Com Pedro, André, Tiago e João foram às margens do Mar da Galiléia. Com Mateus, foi no local onde ele trabalhava, e assim por diante.
Entendendo que a Chamada é divina, nós devemos orar como Jesus ensinou em Lucas 10.2, para que Deus envie obreiros para a Sua Seara, ou seja, levante lideranças firmes, vocacionadas e eficazes para o Seu trabalho.
A Capacitação para a Liderança

“... Mas a nossa capacidade vem de Deus” 2 Co 3.5

As pessoas chamadas por Deus para exercerem a atividade de liderança são por Ele capacitadas para a executarem a contento. Deus, quando chama, se responsabiliza para capacitar a pessoa. A capacitação, segundo o propósito divino, é de acordo com a atividade de liderança que o Senhor tem designado para o seu servo. A Bíblia diz que quando o Senhor distribuiu os talentos deu a cada um segundo a sua capacidade (Mt 25.15). Referindo-se aos dons carismáticos, Paulo diz que o Espírito Santo os distribui particularmente a cada um como quer (1 Co 12.11). Entendemos por estes e outros textos bíblicos que a capacitação de Deus pode diferir de uma pessoa para outra. Deus, quando chamou a Moisés, o capacitou poderosamente para a grande tarefa que queria que ele realizasse: Tirar Israel do Egito e conduzi-lo até a terra da promessa. A capacitação de Moisés, como a de Paulo, começou muito antes da experiência de conversão. Moisés, no Egito, foi instruído em toda a ciência e sabedoria daquele grande povo (At 7.22). Paulo, nascido em Tarso, foi instruído aos pés de Gamaliel em Jerusalém, uns dos maiores mestres do seu tempo, (At 22.3). A capacitação de Moisés continuou no deserto de Midiã, pastoreando o rebanho de Jetro, seu sogro, e culminou com a concessão do poder de Deus, na experiência da sarça ardente, no Monte Horebe. A de Paulo continuou na estrada de Damasco, quando daquela experiência em que ouviu a voz do Senhor e viu a Sua luz e culminou naquela cidade quando foi cheio do Espírito Santo, após receber a imposição de mãos de Ananias. Tanto Paulo como Moisés foram capacitados por Deus para o exercício dos seus respectivos ministérios. Foram capacitados com profundo conhecimento humano, capacitados com um profundo conhecimento das Sagradas Escrituras e com concessão do poder de Deus.
Como em toda a Bíblia se percebe, as áreas da soberania divina e da responsabilidade humana andam juntas. Devemos entender que nessa área de capacitação a mesma coisa deve ser considerada. Deus tem feito Sua parte e nós também devemos fazer a nossa, no que se refere à capacitação. Para isso temos que dedicar mais tempo a oração, ao estudo da Palavra de Deus, a termos humildade de aprendermos como os nossos erros e com os dos outros e dedicarmos mais tempo a leitura em geral, especialmente, desse precioso assunto.
A Definição do Espaço da Liderança

“Mas, agora, Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis” 1 Co 12.18

Diante do que já vimos desenvolvendo, começamos a perceber que o Deus que chama e capacita, define também o espaço para que o seu servo exercite a atividade de liderança. É o que chamamos do homem certo no lugar certo. Se um homem foi chamado e capacitado para ser um Evangelista jamais será eficaz como Pastor. A mesma coisa acontece com um Pastor. Ele pode fazer a obra de um Evangelista como orientou Paulo a Timóteo (2 Tm 4.5), mas não será tão eficaz quanto um homem chamado para ser Evangelista. Um Evangelista só vê diante de si uma necessidade que é a de salvar almas, e, na propagação do Evangelho, ele é altamente eficaz. Já o Pastor tem a grande responsabilidade de pastorear as pessoas que já encontraram a salvação em Cristo Jesus.
A questão de definição de espaço é muito importante. Somente dentro do espaço reservado por Deus é que seremos líderes eficazes. A dificuldade que João marcos, sobrinho de Barnabé, sentiu foi a de justamente não ter sido chamado por Deus para ocupar o espaço na Obra Missionária da Igreja de Antioquia. O Espírito Santo tinha separado Barnabé e Paulo e não João Marcos. O resultado todos nós conhecemos, inclusive sendo ele a causa da separação daqueles dois grandes servos de Deus (At 13.1-5,13 e 15.36-39). Coré, Datã e Abirão sofreram duras conseqüências quando tentaram ocupar o espaço da liderança não designado por Deus. (Nm 16.1-3). O Caso de Saul, primeiro rei de Israel, mostra um líder querendo ocupar o espaço designado por Deus para outro líder (1 Sm 13.8-13). Também para ele a conseqüência não foi boa.
Assim como Paulo que tinha consciência do espaço reservado por Deus para o seu ministério (Gl 2.7,8), assim também devemos ter certeza do lugar onde Deus quer que desenvolvamos a nossa capacidade de liderança. Isto é possível se buscarmos a vontade de Deus para nossas vidas (Rm 12.1, 2; Ef 5.17).
O Exercício da Liderança

“Contanto que cumpra, com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus”. At 20.24

Chamado, capacitado e ocupando o espaço definido por Deus, começa o líder a exercer a sua atividade de liderança sob a bênção do Todo-Poderoso. Os frutos serão abundantes na medida em que ele for sendo fiel ao Senhor. Foi assim com Paulo, com Moisés, com Davi, com Salomão e com inúmeros servos de Deus ao longo da história bíblica e também da Igreja. Vejamos apenas um exemplo que foi o de Paulo. “Servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: apartai-me a Barnabé e a Paulo para a obra que os tenho chamado. Então depois de jejuarem e orarem, impuseram sobre eles as mãos e os despediram. Assim, enviados pelo Espírito Santo...” At 13.2-4. Chamado, capacitado, ocupando o espaço de Deus reservado para ele, vai agora Paulo confiante exercer o seu ministério, no caso, a sua primeira viagem missionária. Depois de executar aquela obra voltou para Antioquia, onde tinha sido recomendado à graça de Deus, juntamente com o seu companheiro Barnabé para a obra que acabara de realizar. “...Quando chegaram reuniram a Igreja, relataram quão grandes coisas o Senhor fizera por eles, e como abrira as portas aos gentios”. At 14.26, 27.
Escrevendo a Timóteo, o Apóstolo Paulo lembra ao jovem líder a necessidade de, no espaço definido por Deus, cumprir o ministério para o qual fora chamado. “... Cumpre o teu ministério”. 2 Tm 4.5.
É bom lembrar que no exercício da liderança surgem muitas lutas e problemas. Em nossa opinião, uma das maiores dificuldades que o líder cristão vai enfrentar é consigo mesmo, principalmente se ele tiver características autocráticas. Certamente, sentirá grandes dificuldades em delegar autoridade para que outros executem alguma tarefa. Terá dificuldade de trabalhar em equipe, de envolver a Igreja ou o grupo com uma metodologia de trabalho democrática. Sentirá também dificuldade de conviver harmoniosamente com outras lideranças, e assim por diante.
Acreditamos que, pensando nessa tendência do líder autocrático querer dominar e controlar tudo é que o Espírito Santo usando a instrumentalidade de Pedro diz: “Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu ... Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente, não por torpe ganância, mas de boa vontade; não como dominadores dos que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho”. 1 Pe 5.1-3.
A Recompensa da Liderança

“...E, se alguém me servir, meu Pai o honrará”. Jo 12.26

Sabemos pelas Sagradas Escrituras que o trabalho cristão tem sua recompensa determinada por Deus. Escrevendo aos Coríntios. Paulo diz: “Portanto, amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na Obra do Senhor, sabendo que, no Senhor Jesus Cristo o vosso trabalho não é vão” 1 Co 15.58. O nosso Senhor Jesus Cristo falou também sobre uma recompensa designada por Deus para aqueles que o servem fielmente: “E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terra, por causa do meu nome, receberá cem vezes, herdará a vida eterna” Mt 19.29. O apóstolo Paulo tinha uma convicção profunda sobre a recompensa que iria receber do Senhor; “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” 2 Tm 4.7, 8. O apóstolo Pedro também feriu o assunto quando disse: “... e quando se manifestar o sumo Pastor recebereis a imarcescível coroa de glória” 1 Pe 5.1-4. No livro do profeta Daniel, encontramos uma palavra dita pelo Senhor sobre o assunto àquele servo Seu: “Tu, porém, vai até ao fim; porque repousarás e estarás na tua sorte no fim dos dias” Dn 12.13.
Para àqueles líderes que desempenharam bem o seu papel, certamente receberão do Senhor a recompensa devida, conforme as promessas registradas em Sua Santa Palavra. Acreditamos que o líder deve trabalhar para Deus não visando uma recompensa e sim por gratidão. A recompensa é uma conseqüência natural de um bom trabalho. Deus é fiel e dará a cada um segundo a sua obra.

Conclusão

Temos visto que para se ter sucesso na vida cristã, como líder, a pessoa tem que ter sido chamada e capacitada por Deus, tem que ter de maneira bem clara, em seu coração, a noção do espaço de liderança definido por Deus, tem que estar trabalhando sob a direção divina e ter confiança nas promessas recompensadoras do Senhor.


terça-feira, 5 de agosto de 2008

O Deus que ouve as orações

Na esfera do relacionamento do homem com Deus, aprouve ao Senhor determinar os meios pelos quais esse relacionamento se tornasse eficaz.
Deus decidiu falar conosco, principalmente, através de Sua Palavra e para isso entregou, através dos seus profetas, homens inspirados pelo Espírito Santo, as Sagradas Escrituras onde encontramos tudo o que Deus queria nos revelar sobre Si mesmo, principalmente sobre a sua vontade para nós; e para que nós falássemos com Ele determinou que o meio que deveria ser utilizado fosse a oração.
Prometeu Deus ouvir as orações que fossem feitas com sinceridade de coração e com fé, e em nome do Seu Filho Jesus Cristo, e para isso empenhou a sua palavra fiel e verdadeira, conforme concluímos através de textos como os citados a seguir: “Clama a mim e responder-te-ei; anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes” Jr 33.3. “Por isso vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á; pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á” Lc 11.9,10.
Se Deus prometeu ouvir as orações dos Seus filhos devemos em tudo priorizá-la em nossas vidas. “Orai sem cessar”. 1 Ts 5.17. Escrevendo aos Efésios, Paulo orientou que aquela Igreja orasse em todo o tempo com toda a oração e súplica e vigiando nisso no Espírito (Ef 6.18). Escrevendo aos Romanos e aos Colossenses Paulo os orientou a perseverarem em oração (Rm 12.12; Cl 4.2). O Senhor Jesus ensinou também uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca desfalecer (Lc 18.1-8) e concluindo essa parábola o Senhor disse o seguinte: “Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los? Digo-vos que depressa, lhes fará justiça...”.
Observando o exemplo de alguns homens poderosos na Bíblia concluímos que o segredo de suas constantes vitórias foi a intensa vida de oração que tinham. Por exemplo: Abraão, Davi e Daniel (só para citar três do Antigo Testamento). Diz-se de Davi e Daniel que esses homens, diariamente, tinham três momentos de oração a sós com Deus (Sl 55.17; Dn 6.10). No Novo Testamento temos Ana, profetisa de oitenta e quatro anos, Paulo e Cristo, sendo o Senhor o exemplo maior. Diz-se de Cristo que ele vivia uma vida de intensa oração e que, às vezes, passava a noite inteira em oração a Deus (Lc 6.12).
E você caro irmão? Como está a sua vida de oração? Você tem orado regularmente? Você sempre ora a sós? Tem freqüentado os cultos de oração da Igreja?
Infelizmente tem pessoas que só se preocupam em orar a Deus quando tem problemas e estão enfrentando dificuldades na vida. Quando os problemas são resolvidos por Deus, esquece-se de continuar orando. Até quando teremos esse posicionamento pecaminoso?
Sigamos o exemplo do salmista Davi que cantou: “Eu te invoquei, ó Deus, pois me queres ouvir...” Sl 17.6.

A fé da pessoa salva os seus parentes?

Josafá, rei de Judá, da casa de Davi, era um rei piedoso. Ele assumiu o reino com a idade de trinta e cinco anos e reinou vinte e cinco anos. A Bíblia dá o seguinte testemunho dele: “E o Senhor foi com Josafá, porque andou nos primeiros caminhos de Davi, seu pai, e não buscou a Baalim. Antes buscou ao Deus de seu pai, e andou nos seus mandamentos, e não segundo as obras de Israel” 2 Cr 17.3,4. Esse rei preocupou-se em fazer com que o povo do seu reino andasse nos caminhos do Senhor e para isso designou mestres que ensinaram aos israelitas a lei do Senhor. “E ensinaram em Judá e tinham consigo o livro da lei do Senhor; e rodearam todas as cidades de Judá, e ensinaram entre o povo” 2 Cr 17.9. Depois de uma grandiosa obra que realizou e de grandes vitórias que Deus lhe dera, Josafá veio a falecer com a idade de sessenta anos e o seu filho Jeorão reinou em seu lugar. Jeorão assumiu o reinado de Judá com a idade de trinta e dois anos e reinou oito anos sobre o povo de Deus. Diferentemente de seu pai, Jeorão viveu uma vida de pecado, caindo na idolatria, inclusive, assassinando os seus irmãos, e pior ainda, levou o povo de Deus a afastar-se do Senhor, incentivando a idolatria.
Esse rei, filho de um pai piedoso (crente), foi ferido por Deus com uma terrível enfermidade e morreu na impiedade e o texto bíblico nos diz que ele foi-se e não deixou saudades. “E... foi-se sem deixar de si saudades algumas;...” 2 Cr 21.20.
Queremos irmãos afirmar com o exemplo acima, e com outros encontrados na Bíblia Sagrada, com segurança, que o fato de um membro da família ser crente não é nenhuma garantia de que os outros parentes inevitavelmente serão crentes também. Deus não fez nenhuma promessa nesse sentido. A salvação é um mistério de Deus, e só Ele sabe a quem escolheu para essa finalidade. E a escolha de Deus não está condicionada a crença de ninguém. Ela é baseada na sua livre graça e soberania. Ele escolhe a quem quer e rejeita a quem quer (Rm 9.18). Tratando-se do lar, onde existe cônjuge crente ou descrente, o apóstolo Paulo, disse: “Porque, donde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, donde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher? 1 Co 7.16. Se houvesse uma promessa de Deus, Paulo não iria levantar essa dúvida, pois o próprio apóstolo disse que todas as promessas de Deus são sim (2 Co 1.20), o que Deus prometeu ele infalivelmente cumprirá.
Tratando do texto de Atos 16.31, onde se lê “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu, e a tua casa”, é preciso interpretá-lo corretamente a luz da doutrina, pois a Bíblia explica a própria Bíblia: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu” é a promessa de Deus para todos (Ef 2.8). “e a tua casa” foi uma promessa especifica de Deus para o carcereiro de Filipos, mas não é promessa para todos os que crêem em Cristo.
É obrigação dos pais, dos cônjuges e dos filhos orarem pelos seus parentes descrentes, mas todos devem entender que na área da salvação esse assunto é da inteira competência de Deus.

Contando o que Deus fez

Nos Evangelhos Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), encontramos o relato de uma poderosa ação libertadora, protagonizada pelo Senhor Jesus Cristo, de um homem endemoninhado. Aquele homem vivia uma vida miserável, pois estava totalmente dominado pelo Diabo, tinha a sua morada no cemitério de Gadara, andava de dia e de noite pelos montes e pelos sepulcros, urrando feito bicho, ferindo-se com pedras, e muitas vezes fora preso, mas quebrava as cadeias que o prendiam, e ninguém conseguia dominá-lo.
Quando o Senhor Jesus visitou Gadara, esse homem teve um encontro com Ele e toda a sua vida mudou, pois Jesus com o seu grande poder o libertou da prisão do Diabo. Depois de liberto, o gadareno manifestou o seu desejo de acompanhar Jesus no seu ministério itinerante, mas o Senhor tinha outro plano para a sua vida: “Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti” Mc 8.19.
Amados, todos nós, sem exceção, estávamos escravizados pelo pecado e éramos por natureza filhos da ira, mas Deus por graça e por misericórdia nos alcançou com a salvação eterna, através do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, e nos libertou do poder do pecado e do Diabo.
É do interesse de Deus que nós que fomos alcançados pela sua graça salvadora, a compartilhemos com outrem, ou seja, que proclamemos o que Ele fez por nós.
O Senhor Jesus Cristo deixou para a sua Igreja uma grande comissão: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda à criatura. Quem crer e for batizado serra; mas quem não crer será condenado” Mc 16.15,16. Portanto, como crentes em Cristo que somos, temos que nos empenhar para ser partícipe dessa gloriosa tarefa de proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.
Se nunca pensamos em nos envolver com essa obra ou se já sabemos de nossa responsabilidade, mas, ainda não consagramos a nossa vida a este mister, se faz necessário que nos humilhemos diante de Deus, e peçamos graça e força para anunciar as pessoas o que Deus fez por nós. Aliás, um crente cheio do Espírito Santo inevitavelmente se envolverá com essa obra, pois é desejo de Deus alcançar os seus eleitos mediante a pregação do Evangelho. “... e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a Palavra de Deus” At 4.31.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O tempo que nos resta

O homem foi feito por Deus para viver para sempre, mas por causa do pecado de nossos primeiros pais a morte, nas suas três dimensões (física, espiritual e eterna), entrou no cenário da vida humana. “Por um homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, a morte passou a todos os homens porque todos pecaram” Rm 5.12. O apóstolo Paulo ainda disse que o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). Na carta aos Hebreus encontramos que a morte física é um decreto de Deus para punir o pecado do homem. “... aos homens está ordenado morrerem uma só vez vindo depois disso o juízo” Hb 9.27.
A Bíblia ainda nos revela que Deus, na sua soberania, já determinou o dia e a hora em que todos irão morrer, ou seja, partir deste mundo para a eternidade, inclusive eu e você, caro leitor. “E de um só fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação” At 17.26. “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela” 1 Sm 2.6. “A duração da nossa vida é de setenta anos, e se alguns pela sua robustez chegam há oitenta anos, o melhor deles é canseira e enfado, pois passa rapidamente e nós voamos” Sl 90.10.
Diante do fato inexorável da brevidade da vida e da certeza da morte, resta-nos aceitar com resignação essa vontade de Deus revelada em Sua Palavra e que faz parte do cotidiano de todos os homens, e procurarmos aproveitar o tempo de vida que nos resta. Mas, como poderíamos aproveitar o tempo que nos resta aqui neste mundo sob a perspectiva da eternidade? Respondemos: Se se tratar de uma pessoa que ainda não tem a vida eterna proporcionada por Deus através de nosso Senhor Jesus, se faz necessário que ela reconheça que é pecadora e creia em Cristo e O aceite como Salvador. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no seu nome” Jo 1.12. Para aquelas pessoas que já são crentes em Cristo, que já são filhos de Deus por adoção em Jesus Cristo, elas devem parar de viver para si mesmas e procurar viver para a glória de Deus. Devem se desvencilhar daquelas coisas que entristecem ao Espírito Santo e procurar se consagrar ao Senhor e servi-lo com o tempo, a vida e os bens, através do ministério da Igreja local. “Para que, no tempo que vos resta na carne, não vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus” 1 Pe 4.2. Escrevendo aos Romanos, o apóstolo Paulo deixou-nos uma palavra poderosa sobre o assunto: “Rogo-vos, pois irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” Rm 12.1,2.
Assim sendo, aproveitemos corretamente o tempo que nos resta neste mundo, vivendo para a glória de Deus.

sábado, 19 de julho de 2008

O Crente Perde a Salvação?


Alguns grupos evangélicos ensinam que o crente perde a salvação, baseado na interpretação errônea de versículos isolados da Bíblia, tais como: Ap 3.5; Mt 10.22; Mt 25.30; Hb 6.4-6; Hb 10.29 e Sl 51.11. Tal ensino não está de acordo com o ensino geral das Santas Escrituras sobre o assunto. Considerando que a Bíblia não se contradiz, em virtude de ter sido verbal e plenariamente inspirada por Deus, conforme registros encontrados em 2 Tm 3.16 e 2 Pe 1.20, 21, é necessário que analisemos o assunto em seu escopo geral, conforme revelado na doutrina cristã.

A Bíblia é clara, em sua doutrina, em afirmar que a salvação do crente é eterna, não só no sentido de que o seu possuidor terá uma vida sem fim no porvir, mas também no sentido de que aquele que realmente a recebeu nunca mais a perderá. O Senhor Jesus afirmou categoricamente que “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” Jo 6.37.

A salvação do crente é eterna porque, no momento que ela vem à vida de uma pessoa, acontecem alguns atos instantâneos da graça de Deus, atos esses irreversíveis, porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento (Rm 11.29), cujas dimensões são eternas. Além disso, a salvação do crente não foi obra de um acaso, mas obedeceu a um plano previamente estabelecido por Deus, conforme o registro de Ef 1.4-12.

Vejamos algumas razões porque o crente não perde a salvação:

1º) O Crente foi escolhido (eleito) por Deus, para a salvação desde os tempos eternos

A Salvação do crente não foi obra do acaso, um caso fortuito, mas parte dum plano estabelecido por Deus antes que o mundo fosse mundo. Antes dos tempos eternos, Deus, no Seu propósito e graça, escolheu, de maneira soberana, sem depender de fé prevista ou boas ações, um grupo de pessoas, que é a Sua Igreja, para nele mostrar o beneplácito de sua Graça aos vasos de misericórdia, os quais preparou de antemão. Essa gloriosa doutrina chamada de Predestinação, refutada por alguns, mas nunca contestada eficazmente, que dá a Deus toda a glória pela redenção do homem, desde a procura de Deus pelas ovelhas perdidas, passando pela convicção de pecado, pela concessão da fé salvadora, pela chamada eficaz, pela salvação efetiva, pela perseverança do crente até o estado final de glorificação, é uma das grandes razões porque o crente jamais perderá a salvação. Vejamos alguns textos que sustentam a eleição da graça: “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conforme a imagem de seu filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou”. Rm 8.29-30. “Como também nos elegeu (escolheu) nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” Ef 1.4. “E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” Rm 8.28. “Mas nós devemos dar graças a Deus por vós, irmãos, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, mediante a santificação do Espírito e fé na verdade e para isso vos chamou pelo Evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo” 2 Ts 2.13, 14. “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos” 2 Tm 1.9. “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo...” 1 Pe 1.2. “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo” 1 Ts 5.9. “...e creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna” At 13.48. “E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido” Jo 6.65. “Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer...” Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim” Jo 6.44, 45. Ainda existe na Bíblia inúmeros textos que tratam do assunto da eleição do crente para a salvação, mas os citados são bastante para mostrar que a salvação para aquele que a recebe tem dimensão eterna e que jamais se perderá, uma vez que ela foi efetivamente concretizada.

2º) O Crente nasceu de Novo

No ato da conversão, uma nova vida foi gerada pelo Espírito Santo no interior do crente. A vida de Deus foi infundida na alma do homem pelo Espírito Santo, fazendo-a renascer e conseqüentemente transformando a pessoa em uma nova criatura. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” 2 Co 5.17. Essa vida tem dimensão eterna, isto é, quem nasceu de novo, do Espírito Santo, do alto, jamais morrerá espiritualmente nem eternamente. “Mas a todos quantos O receberam, aos que crêem no Seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade do varão, mas de Deus” Jo 1.12, 13. Paulo escrevendo a Tito nos revela como essa regeneração se processou na vida do crente: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente, ele derramou sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador,” Tt 3.5,6. Sobre esse novo nascimento, essa nova vida, o Senhor Jesus na conversa que teve com o doutor da Lei, Nicodemos, disse: “Em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus, o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. ... O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito” Jo 3.5-8. O apóstolo Pedro tratou do assunto numa de suas epístolas: “Pelos quais ele nos tem dado as suas preciosas e grandíssimas promessas, para que por elas vos torneis participantes da natureza divina...” 2 Pe 1.4. (Veja ainda 2 Co 3.18; Ef 4.24).

3º) O Crente foi adotado na Família de Deus

No ato da conversão, a pessoa, segundo o propósito eterno de Deus, é adotada como filho de Deus, pela fé no Senhor Jesus Cristo. Essa adoção é irrevogável e irretratável. Não há possibilidade do recuo de Deus porque Ele se interpôs com juramento, mesmo que um dos Seus filhos adotados não ande segundo o que Deus determinou em Sua santa Palavra. Uma vez filho, sempre e eternamente filho. O registro da adoção foi feito no cartório do Céu pelo próprio Deus. Vejamos os textos que tratam da adoção. “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder (direito) de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no Seu nome” Jo. 1.12. “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos Aba, Pai” Rm 8.15. “Porque todos vós os sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus”. Gl 3.26. “Para resgatar os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama: Aba, Pai” Gl 4.5,6. “E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo;...” Rm 8.17. “E nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de Sua vontade” Ef 1.5 (veja ainda Hb 12.5-8; 1 Jo 3.1, 2). Para os filhos que desobedecem a Palavra de Deus, o Pai Celestial tem um programa disciplinar, conforme Hb 12.5-11 que visa restaurar o filho a comunhão do Seu Pai celeste.

4º) O Crente foi selado e é habitado pelo Espírito Santo

No ato da salvação a pessoa é selada pelo Espírito Santo da Promessa, que passa a ser o penhor, isto é, a garantia daquela salvação dada por Deus. “No qual (Cristo) também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória” Ef 1.13, 14. Quando o crente falha, o Espírito Santo, que veio habitar nele no ato de sua salvação, entristece-se, mas não se retira dele porque Ele, segundo o eterno propósito divino, é a garantia da eterna redenção daquela pessoa. “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”. Ef. 4.30. No Antigo Testamento temos a informação de que o Espírito Santo afastava-se da pessoa que falhava, como no caso de Sansão e Saul, registrados em Juízes 16.20 e 1 Samuel 16.14, respectivamente, porque nesses casos Ele não habitava dentro da pessoa, e sim estava sobre elas. Sobre a presença do Espírito Santo dentro do crente, que é uma bênção exclusiva do plano redentor de Deus, é conveniente examinarmos os seguintes textos: “E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama Aba, Pai” Gl 4.6. “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” 1 Co 6.19 (veja ainda 1 Co 3.16; 2 Co 6.16). O Espírito Santo veio habitar para sempre no coração do crente, conforme a promessa do Senhor Jesus, registrada em João 14.16, 17: “E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conhecereis, porque habita convosco, e estará em vós”. (veja ainda Tg 4.5; Rm 8.9, 23).

5º) O Crente foi Resgatado

Éramos escravos do pecado e filhos da ira, mas graças ao Evangelho, no momento em que cremos, fomos resgatados, isto é, houve uma transação, Jesus pagou o preço de nossa redenção. Fomos comprados, remidos por bom preço, o preço do sangue de Jesus. Deus nos arrebatou das garras do pecado e do maligno e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor. Hoje, em Cristo, estamos assentados nas regiões celestiais. Esse resgate aconteceu só uma vez na vida do crente, isto é, no ato de sua conversão. “Cuidai, pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que Ele adquiriu (resgatou) com seu próprio sangue” At 20.28. “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo” 1 Pe 1.18, 19. “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo” 1 Co 6.20. “E cantavam um cântico novo, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo e nação” Ap 5.9 (veja ainda Ef 1.7; 1 Tm 2.6; Rm 3.24).

6º) O Crente foi Justificado diante de Deus

“A justificação é o ato judicial de Deus, mediante o qual aquele que deposita sua confiança em Cristo é declarado justo a Seus olhos, e livre de toda a culpa e punição”. “A justificação começa com o presente na vida do crente, e se estende em duas direções: o passado e o futuro, tratando do pecado e da culpa, de ambas, judicialmente, e estabelece o crente eternamente justo na presença de Deus”. O ato da justificação é imputado pelo próprio Deus ao crente, e a partir daquele ato Deus olha o crente por intermédio do Senhor Jesus Cristo, que é a nossa justiça. Por fraqueza o justo pode até cair em pecado, mas não perderá a posição de justo, outorgada por Deus. O próprio Deus, pelo Seu Espírito, encarregar-se-á de restabelecer a vida daquele que foi justificado. “Porque sete vezes cai o justo, e se levanta...” Pv 24.16. “Aos justos nasce luz nas trevas...” Sl 112.4. “... mas o Senhor sustém os justos” Sl 37.17. A bênção da justificação acompanhará o crente por toda a eternidade, independente de toda e qualquer falha que tenha cometido depois de sua conversão. Vejamos alguns textos que tratam da justificação do crente: “E de todas as coisas de que não pudestes ser justificados pela lei de Moisés, por Ele (Cristo) é justificado todo o que crê” At. 13.39. “Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” Rm 5.1. “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” Rm 3.24. “Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei;...” Gl 2.16. A bênção da justificação é tão grande na vida de um crente que está revelado na Palavra: ”quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica” Rm 8.33. A Bíblia diz que Jesus é o justificador do crente. “Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador daquele que tem fé em Jesus” Rm 8.26.

7ª) A Salvação do Crente está assegurada em Cristo

Se a nossa salvação dependesse de nós certamente que não teríamos condição alguma de permanecer de posse dela, isso devido à natureza adâmica que ainda permanece no crente, e que é propensa ao pecado. A pessoa de bom senso, que tem a mente iluminada pelo Espírito Santo, sabe que a natureza adâmica o acompanhará até a morte. A Bíblia em Tiago 3.2 diz que “todos nós tropeçamos em muitas coisas”, e em 1 Jo 1.8 que “se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós”. O apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos, precisamente no capítulo 7, versículo 7 a 25, mostra a luta espiritual que existe em todo servo de Deus, devido ainda habitarmos num corpo mortal e propenso ao pecado. Diante do exposto, concluímos que jamais o homem pode assegurar a sua salvação em si mesmo, mas graças a Deus, a nossa salvação, ou melhor, a permanência da salvação em nós está assegurada exclusivamente em Cristo. Eis uma das grandes razões porque o crente não perde a salvação se, porventura, vier a cometer alguma falha. No momento que fomos a Cristo e O aceitamos como Único, Suficiente e Eterno Salvador, Ele nos acolheu, transformou a nossa vida, nos adotou em Sua família, nos deu do Seu Espírito, nos selou, nos resgatou, nos justificou e nos deu o dom da permanência ou da perseverança. É Cristo o grande arquiteto, executor e o sustentador de nossa redenção eterna. “Todo o que o Pai me dá virá a mim: e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” Jo 6.37. “E a vontade do Pai que me enviou é esta: que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia” Jo 6.39, “Manifestei o Teu nome aos homens que do mundo me deste; eram Teus, e Tu mos deste, para que sejam um, assim como nós. Estando eu com eles no mundo, guardava-os em Teu nome. Tenho guardado aqueles que me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse” Jo 17.12. Eu não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela Tua palavra hão de crê em mim” Jo 17.19. O Senhor Jesus quando assunto ao Céu, mediante a Sua poderosa intercessão, continua a guardar os Seus. “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” Hb 7.25.

O Crente não pode perder a salvação porque Jesus é o fiador, isto é, aquele que garante eficazmente a transação feita entre o homem e Deus no ato da salvação. “De tanto melhor concerto Jesus foi feito fiador” Hb 7.22.

Amados, considerando as razões citadas, não temos dúvida nenhuma de que a nossa salvação é eterna, também no sentido de que o seu possuidor jamais a perderá, isto porque os “dons e a vocação de Deus são sem arrependimento”, isto é, irretratáveis” (Rm 11.29).

Agora, queridos, é conveniente lembrar que a segurança eterna não é nenhum cartão de autorização para que o crente faça o que quer, muito pelo contrário, todo aquele que é efetivamente salvo procura viver uma vida de santidade. O apostolo João em sua primeira carta nos diz que aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado pois nele permanece a divina semente (1 Jo 3.9; 5.18).

“Graças a Deus pelo Seu dom inefável” 2 Co 9.12.

Pecadinho, Pecado, Pecadão?


Muita gente acha que existe uma gradação quando se trata do pecado, ou seja, existem pecados pequeninhos, pecados mais ou menos e pecados graves, mas não é isto que as Sagradas Escrituras nos ensinam. Na Teologia encontramos uma definição de pecado que, a nosso ver, está em consonância com as Escrituras: “Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus ou a transgressão dessa lei”. Observem que nesse conceito uma palavra se destaca para aquilo que queremos mostrar que é a palavra “qualquer”. Para Deus a desobediência a qualquer de seus mandamentos constitui-se pecado. Seja matar, roubar, adulterar ou a não obediência da mulher ao seu marido ou ainda a não obediência dos filhos aos seus pais. É tão grave aos olhos de Deus a pessoa tomar o nome de Deus em vão como falar mal de seu irmão ou ainda deixar de fazer aquilo que Deus ordenou em sua Palavra como, por exemplo, pregar o Evangelho, ser cheio do Espírito Santo,...

Considerando a santidade de Deus, a sua pureza plena, qualquer coisa que pensamos, praticamos ou deixamos de fazer que vá de encontro a Sua Palavra isto é uma afronta ao caráter santo de Deus. “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a vexação não podes contemplar” Hc 1.13

No Antigo Testamento, certos pecados eram punidos com a morte como, por exemplo, matar alguém, adulterar, profanar o sábado, blasfemar do nome de Deus, etc., Não se punia com a morte os pecados de roubar, de não entregar o dízimo do Senhor, casar-se com estrangeiras, etc., não porque fosse espiritualmente menos grave do que os outros, pois, espiritualmente, pecado sempre foi pecado e uma vez cometido gera a morte (Tg 1.15). Para Deus tudo aquilo que vá de encontro a sua Palavra, fere a sua santidade, magoa o seu coração, constitui-se grave pecado aos seus olhos.

A pena máxima visava purificar o povo de Israel e facilitar a sua convivência com Deus e de uns com os outros. Convém também explicar o tal pecado para a morte que a Bíblia diz que não orássemos por ele (1 Jo 5.16). Esse tipo de pecado é cometido pelo falso crente, por aquele que abandona a fé cristã, por aquele que ainda está morto espiritualmente. Há ainda o pecado que não tem perdão, a blasfêmia contra o Espírito Santo (Mt 12.31,32). Esse pecado é a resistência do ímpio à ação do Espírito, que quer levá-lo a fé em Cristo, é a recusa deliberada do indivíduo em acreditar que Jesus é o Salvador, desprezando assim aquilo que é mais caro aos olhos de Deus.

Pensemos, agora, irmãos, um pouco naquilo que aparentemente são pequenos deslizes, mas, que são pecados e entristecem ao Espírito Santo, como por exemplo: a língua ferina, a avareza, a prepotência, não respeitar os ministros do Senhor, tratar os outros mal, guardar ira no coração, não entregar corretamente o dízimo do Senhor, não consagrar a vida a obra de Deus, etc. Isso tudo se constitui pecado e impede uma ação poderosa de Deus no meio da Igreja. São essas e outras as “raposinhas” que destroem a vinha do Senhor.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Reflexões sobre a Escatologia

Escatologia Individual (I) – A Morte

No estudo da Teologia Sistemática encontramos, dentre outros temas, a Escatologia, ou seja, o estudo das Últimas Coisas ou a Doutrina das Últimas Coisas. Dentro do estudo da Escatologia encontramos diversos temas, como por exemplo: A Morte e o Estado Intermediário (Escatologia Individual), a Segunda Vinda do Senhor, a Grande Tribulação, o Arrebatamento da Igreja, o Reino Milenial, a Ressurreição Corporal, o Julgamento Final e o Estado Eterno (Escatologia Geral).
Começaremos nesses artigos a falar sobre a morte que é o primeiro tema da Escatologia Individual.
Deus, ao criar o homem, deu-lhe uma ordem de que poderia comer de todos os frutos das árvores do Jardim do Édem menos o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Disse ainda Deus que se o homem comesse desse fruto certamente morreria (Gn 2.15-17). Enganado pelo diabo o homem comeu do fruto proibido, pecando contra Deus, desobedecendo a Sua ordem e atraindo sobre si e sobre todos os seus descendentes a morte como conseqüência do seu pecado (Gn 3.1-24). Mais tarde escrevendo aos Romanos o apóstolo Paulo disse que por um homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte e que essa morte passou a todos os homens porque todos pecaram em Adão. (Rm 5.12). Disse ainda Paulo que “O salário do pecado é a morte” Rm 6.23.
A morte na perspectiva bíblica tem três dimensões, a saber: a morte espiritual – a separação do homem de Deus (Romanos 3.23; Efésios 2.1;...); a morte física – a separação da alma ou espírito do corpo (Eclesiastes 12.7; Tiago 2.26,...); e a morte eterna – a eterna separação do homem de Deus (2 Tessalonicenses 1.9, Salmo 9.17,...). Todas as pessoas que nascem, por causa do pecado, já nascem mortas espiritualmente. Veja Romanos 5.12. A morte física é uma experiência que dispensa comentários, porque está no cotidiano da vida do homem. A morte eterna dar-se-á quando o homem morre fisicamente estando afastado espiritualmente de Deus.

Escatologia Individual (II) – O Estado Intermediário

O Estado Intermediário é o segundo e último tema tratado pela Escatologia Individual, e é o estado que o individuo experimentará no período de tempo entre a sua morte física e a sua ressurreição corporal.
Por causa da escassez de material bíblico surgiram diversas heresias quanto ao assunto: o sono da alma, o purgatório, a teoria do aniquilamento, etc, mas o material bíblico existente nos dá uma idéia clara desse assunto.
Por ocasião da morte física, a parte espiritual do homem (alma ou espírito) se projetará na eternidade e será recolhida em um dos dois lugares distintos no outro lado da vida onde subsistirão até o dia da ressurreição dos seus corpos: uns descansarão no paraíso na presença de Deus e outros sofrerão num lugar afastado de Deus.
Na parábola do rico e Lázaro proferida pelo Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo, (Lucas 16.19-31), encontramos a revelação do estado das almas no Estado Intermediário, e que essas almas em estado de consciência, estão sofrendo (o ímpio ou o descrente) (Lc 16.23,24,27,28,30) ou gozando (o justo ou o crente em Cristo) (Lc 16.25). (Em relação ao estado intermediário dos salvos leia ainda Hb 12.23 e Ap 6.9—11), aguardando o grande dia da Segunda Vinda do Senhor quando ressuscitarão para comparecem diante de Deus (os salvos para serem galardoados e os ímpios para serem julgados e definitivamente condenados) e definidamente irem para o lugar reservado para elas (Céu ou Inferno). Diz ainda a Bíblia que esses estados no Estado Intermediário são definidos não havendo possibilidade de ser alterados. Isto quer dizem que quem partir deste mundo salvo, salvo continuará nele. Quem partir perdido, perdido continuará até o julgamento final.

Escatologia Geral (I) - A Segunda Vinda do Senhor

Dando continuidade ao estudo da Escatologia trataremos nos itens seguintes os temas identificados na Escatologia Geral (a Segunda Vinda do Senhor, o Arrebatamento da Igreja, a Grande Tribulação, o Reino Milenial, a Ressurreição Corporal, o Julgamento Final e o Estado Eterno).
Neste artigo, abordaremos a Segunda Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo que é o primeiro evento estudado pela Escatologia Geral. A Segunda Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo é, dentro dos eventos escatológicos, o mais bem documentado do Novo Testamento. Em quase todos os livros dessa porção das Escrituras temos pelos menos um registro desse glorioso evento. Três palavras foram usadas pelos escritores do Novo Testamento quando faziam referência a Segunda Vinda do Senhor: Parousia (1 Ts 3.13; 4.15; ...) que tem o sentido transliterado de presença, vinda, chegada; Apocalipse (1 Co 1.7; 2 Ts 1.6,7; 1 Pe 4.13; ...) que significa revelar, trazer à luz aquilo que estava oculto; e Epifania (1 Tm 6.14; 2 Tm 4.8; Tt 2.13,14; ...) que significa aparecimento.
O Senhor Jesus, ao longo de seu ministério terreno, já vinha profetizando que depois que realizasse a obra redentora e voltasse ao Pai, aos Céus, voltaria a este mundo para buscar a Sua Igreja, que resgatara com o Seu precioso sangue. Em João 14.2, encontramos uma dessas profecias: "E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também".
A segunda vinda do Senhor é o próximo grande evento escatológico tendo como conseqüência imediata o Arrebatamento da Igreja. O apóstolo Paulo escrevendo aos Tessalonicenses explica como acontecerá esse tão esperado evento: "Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor" 1 Ts 4.16,17.
A segunda vinda do Senhor Jesus tem algumas características que precisam ser conhecidas de todos: A primeira delas, é que será uma vinda pessoal. O texto de Tessalonicenses diz que o Senhor mesmo descerá dos céus. Em Atos 1.11 encontramos dois anjos dizendo aos discípulos do Senhor: "Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir". A segunda característica é que será uma vinda física e, conseqüentemente, visível, ou seja, o Senhor Jesus voltará com o corpo que ressuscitou dos mortos, dando ensejo para que todos O possam ver: "Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o transpassaram; ..." Ap 1.7. "Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu,..." Mt 24.30. A terceira característica é que será uma vinda gloriosa. Jesus veio a primeira vez em humilhação, mas virá a segunda vez com poder e grande glória. "... e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória" Mt 24.30. " E, quando o Filho do Homem vier em sua glória, e todos os santos anjos, com ele, então, se assentará no trono da sua glória" Mt 25.31.
Quanto à data da Segunda Vinda não nos foi revelado nem pelo Senhor nem pelos Seus apóstolos. O Senhor Jesus disse que daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos nem o próprio Filho como homem sabia (Mt 24.36; 25.13; ...). É uma data da exclusiva competência de Deus. A Igreja não está autorizada a marcar a data da Segunda Vinda do Senhor. Todos que se aventuraram a datar esse grandioso evento ficaram decepcionados, pois entraram numa área que não lhes competia e sim a Deus.
Quando a época da Segunda Vinda, em relação ao período tribulacional, existem pelos menos três posições escatológicas: O Pré-Tribulacionismo que ensina que a Segunda Vinda do Senhor, e o conseqüente Arrebatamento da Igreja, ocorrerão antes do estabelecimento da Grande Tribulação. O Meso -Tribulacionalismo que prega que a Segunda Vinda do Senhor e o conseqüente Arrebatamento, ocorrerão no meio do período tribulacional e o Pós – Tribulacionismo que ensina que a Segunda Vinda do Senhor ocorrerá logo após a Grande Tribulação.
Amados irmãos, a segunda vinda do Senhor Jesus é certa, preparemo-nos, portanto, para esse grande evento a fim de sermos achados por Ele em paz e em santidade.

Escatologia Geral (II) – O Arrebatamento da Igreja

Dando continuidade ao estudo da Escatologia Geral, trataremos neste artigo sobre o Arrebatamento da Igreja que é a segunda coisa que deve acontecer no plano escatológico de Deus.
O Arrebatamento da Igreja foi profetizado pelo Senhor Jesus Cristo em Jo 14.3: “E quando eu for e vos preparar lugar virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também”. Paulo tratou também do assunto em 1 Ts 4.17: “Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor”. Em 2 Ts 2.1, Paulo falou da nossa reunião com Cristo na sua segunda vinda. “Ora, irmãos, rogamos-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele”.
No arrebatamento da Igreja, três coisas irão acontecer seqüencialmente: a) A ressurreição dos crentes falecidos – “Os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” 1 Ts 4.16; b) A transformação dos crentes vivos – “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” 1 Co 15.51,52; c) O encontro da Igreja com Cristo no céu atmosférico – “Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares,...” 1 Ts 4.17.
Observemos amados que o arrebatamento da Igreja está intimamente ligado à segunda vinda de Jesus Cristo. No devido momento os céus se abrirão e o Senhor Jesus descerá em glória para buscar a sua Igreja, que Ele resgatou com o seu precioso sangue. Preparemo-nos, portanto, para esse glorioso evento.

Escatologia Geral (III) – A Grande Tribulação

Dando continuidade aos assuntos baseados no tema geral da Escatologia Geral, trataremos neste artigo do terceiro acontecimento previsto no programa escatológico de Deus que é a Grande Tribulação ou o Período Tribulacional.
Antes mesmo de o assunto ser tratado no Novo Testamento, os profetas antigos já fazia menção ao “grande e terrível dia do Senhor”, dia esse ou período de tempo em que a humanidade sofreria os terríveis castigos de Deus (Jl 2.31; Ml 4.5;...).
O Senhor Jesus em seu sermão escatológico registrado nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, falou sobre um período de tribulação para todos, o qual nunca aconteceu antes nem acontecerá depois dele e que se não fora abreviado por causa dos eleitos, ninguém escaparia. “Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tão pouco há de haver”. Mt 24.21. Falando a Igreja de Filadélfia (Ap 3.10) o Senhor Jesus disse que guardaria a Igreja da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro para provar os que habitam na face da terra.
Esse Período Tribulacional corresponde aos juízos de Deus que serão derramados no mundo através dos sete selos, das sete trombetas e das sete taças previstos no livro de Apocalipse, como manifestação da ira de Deus sobre o mundo iníquo (Apocalipse 6 a 18).
No estudo da Escatologia discute-se se a Igreja irá passar pela Grande Tribulação ou não. Um grupo de teólogos acha que ela não irá passar pela Grande Tribulação, sendo arrebatada antes da sua instalação – são os Pré-Tribulacionistas. Outros admitem que a Igreja seja arrebatada no meio da Grande Tribulação – são os Meso-Tribulacionistas, e ainda outros pensam que a Igreja irá passar por esse Período, mas que será preservada por Deus dos juízos que serão derramados sobre todos – esses são os Pós-Tribulacionistas. Ainda se discute quando será a Grande Tribulação. Uns acham que ela já aconteceu no primeiro século – são os Preteristas. Outros acham que ela aconteceu ao longo da história – são os Historicistas e outros acham que ela será um acontecimento futuro – são os Futuristas.
É melhor pensar que o período tribulacional é um período de tempo concentrado de juízo sobre um mundo incrédulo e perverso e que não aconteceu ainda, apesar de Deus sempre ter tratado os pecados dos homens através de seus justos juízos ao longo da História, pois o Senhor Jesus disse que nunca aconteceu algo similar a esse período nem antes dele nem depois.
Quanto ao arrebatamento da Igreja em relação ao período tribulacional é melhor pensar, já que o mesmo ocorrerá concomitantemente com a segunda vinda do Senhor, que ele acontecerá após a Grande Tribulação, pois Paulo escrevendo aos tessalonicenses disse que a segunda vinda não ocorrerá antes de vir a apostasia e a manifestação do anticristo, coisas essas previstas no período tribulacional (2 Ts 2.1-12).

Escatologia Geral (IV) – O Reino Milenar

O quarto tema a ser tratado no programa escatológico de Deus, segundo as Escrituras, é o Reino Milenar ou o Milênio.
Os profetas antigos previram um tempo em que Deus iria implantar um reino, através de um representante seu onde imperasse a paz, a justiça e a prosperidade (Isaías 11; ...). Esse representante seria da casa real de Davi – o Messias. “Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre” 2 Sm 7.16. Esse reino iria submeter todos os reinos do mundo, que passariam para o seu controle. “Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu, levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo, esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido para sempre” Dn 2.44 (Veja ainda Dn 7.13,14, 27).
Devido à reiterada ênfase nesse reino nos escritos do Antigo Testamento, na época em que Jesus viveu neste mundo havia uma expectativa muito grande, por parte dos judeus, quanto à sua implantação. “Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?” Atos 1.6.
A expressão milênio foi tirada do texto de Apocalipse 20.1-4, onde há uma referência a um reino de mil anos, onde são mencionados os salvos ou a Igreja e Cristo, o Rei.
Os estudiosos bíblicos se dividem quanto à interpretação do Milênio, havendo três escolas de interpretação: 1) Existem aqueles que interpretam o Milênio como um reino literal, cuja capital será Jerusalém e que o rei Jesus governará o mundo com a Igreja e que esse reino durará mil anos. Acreditam, eles, que a segunda vinda de Cristo inaugurará o Reino Milenial – são os pré-milenistas; 2) Outros entendem que o Milênio não é necessariamente um período de mil anos e sim um período de tempo indeterminado em que as instituições sociais do mundo inteiro serão melhoradas, graças à poderosa ação do Evangelho, trazendo para o mundo um período de paz, justiça e prosperidade nunca visto, e que a segunda vinda do Senhor dar-se-á logo após esse período – são os pós-milenistas; Outros entendem que a mensagem do livro de Apocalipse é apresentada de forma simbólica, portanto, não se pode entender o Milênio como um reino literal e sim de natureza espiritual, símbolo da vida perfeita dos crentes nos céus. Esse grupo diz ainda que o Milênio seja o símbolo do reino de Cristo no coração dos crentes, fazendo-os gozar de paz com Deus, alegria e felicidade plena – são os amilenistas.
Considerando que a mensagem do livro de Apocalipse nos é apresentada de forma simbólica, e que a única referência a um reino de mil anos se encontra nele, é melhor optar pela linha amilenista por uma questão básica de coerência na interpretação desse precioso livro. Com isso descartamos a idéia de um milênio literal bem como a idéia de um milênio produzido pela pregação do Evangelho, tendo em vista que a Bíblia nos diz que, na medida em que se aproxima o fim de todas as coisas, o mundo piorará. Deve-se considerar, também, que uma opção literal do Milênio tem que se pensar nesse reino também para o estado israelita da atualidade, o que é incoerente dentro do esquema geral das Escrituras, que contempla os remanescentes judeus com as bênçãos celestiais no programa geral da Igreja, que é formada de judeus e gentios.

Escatologia Geral (V) - A Ressurreição dos Mortos

No programa divino está previsto que os mortos, tanto os salvos como os perdidos, ressuscitarão, os primeiros com corpos glorificados e os outros com corpos especiais, para puderem usufruir plenamente do gozo eterno ou suportar o juízo eterno, respectivamente.
O ser humano foi constituído por Deus de uma parte material (o seu corpo) e uma parte imaterial (a sua alma chamada também de espírito). “Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” Gn 2.7. O pecado de nossos primeiros pais atingiu a alma e o corpo do ser humano. Tanto um como o outro sofreram as conseqüências do pecado de Adão. “Por um homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte; e a morte passou a todos os homens porque todos pecaram” Rm 5.12.
Ainda segundo o plano eterno de Deus, o homem integral (corpo e alma ou espírito) é responsável pelos seus atos morais praticados durante a sua existência neste mundo, gozando plenamente das bênçãos do Evangelho ou padecendo plenamente longe de Deus, no Estado Eterno, dependendo de sua decisão neste mundo de aceitar a Cristo como Salvador e Senhor de sua vida.
O Evangelho promete para o homem além da salvação de sua alma a ressurreição do seu corpo, glorificado, quando do segundo advento de Cristo. “Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” 1 Ts 4.16. Escrevendo aos coríntios em sua primeira carta, o apóstolo Paulo discorreu num longo capítulo sobre a ressurreição dos crentes falecidos com corpos glorificados (1 Co 15.1-58). Escrevendo aos filipenses Paulo disse que o corpo dos crentes será transformado num corpo semelhante ao corpo de Cristo quando ressuscitou dos mortos, com as mesmas propriedades (Fp 3.20,21).
A doutrina da ressurreição tem respaldo tanto no antigo como no Novo Testamento. No Antigo Testamento encontramos o profeta Daniel dizendo sobre o assunto: “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno” Dn 12.2. No Novo Testamento o Salvador disse, num de seus sermões o seguinte: “Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” Jo 5.28,29. Paulo explora profundamente o tema na sua primeira carta aos Coríntios, inclusive, dizendo que os crentes que estiverem vivos no dia da Segunda Vinda do Senhor, terão os seus corpos mortais revestidos de imortalidade, ou glorificados. Isto quer dizer que tanto os mortos salvos ressuscitados como os salvos que estiverem vivos terão corpos glorificados, semelhantes.
Quanto aos mortos que não são salvos, ressuscitarão também com corpos especiais, capazes de suportar o juízo divino, e com esses corpos sofrerão eternamente. Falando sobre o juízo final, o autor de Apocalipse assim se expressou: “O restante dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos... ” Ap 20.5. Veja ainda o que Daniel falou e o que também falou o Senhor Jesus no parágrafo anterior.

Escatologia Geral (VI) – O Juízo Final

O Juízo Final é o sexto tema a ser tratado no programa escatológico de Deus, segundo as Sagradas Escrituras.
A Bíblia Sagrada nos revela que na consumação de todas as coisas o ser humano, todos eles, exceto a Igreja, irão se apresentar diante de Deus para dar conta de sua mordomia (suas ações, suas palavras, seus bens, enfim, de sua vida). “E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras” Ap 20.11,12. (Veja ainda At 17.30,31).
A primeira coisa a ser considerada no estudo deste tema é que Deus, por ser o criador do homem, tem o direito de exigir dele a responsabilidade pelos seus atos praticados nesta vida. A segunda coisa é que o ser humano, como criatura que é, é moralmente responsável pelos seus atos diante de Deus e deles dará contas no dia do Juízo Final.
A doutrina do juízo final é embasada tanto pelas Escrituras do Antigo como do Novo Testamento (Sl 96.13; 98.9; Ec 3.17;...; At 17.31; Rm 2.16; 2 Ts 2.12; 1 Pe 4.5; Ap 11.18;...), sendo, portanto, uma doutrina bastante consolidada, dada à abundância de material bíblico.
No Juízo Final todos os seres humanos que serão julgados terão corpos especiais capazes de suportar o castigo ou punição que será distribuído por Deus. “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno” Dn 12.2. “porque vêm à hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação” Jo 5.28,29.
No Julgamento Final o Juiz será o Senhor Jesus Cristo. “Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos” At 17.31. A Igreja glorificada nos céus também tomará parte nesse julgamento. “Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo”?... Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos?... 1 Co 6.2,3.
Os julgados serão condenados e banidos para sempre da presença de Deus, indo sofrer a punição eterna por causa do pecado, no inferno, lugar de sofrimento e dor. “Os quais por castigo padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder” 2 Ts 1.9. “Os ímpios serão lançados no inferno e todas as gentes que se esquecem de Deus” Sl 9.17.
Satanás e seus anjos serão, também, julgados no dia do Juízo Final, e serão lançados no inferno, que foi preparado para eles. “Então dirá também aos que estiverem a sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” Mt 25.41.
Tratando-se dos salvos, os seus pecados já foram julgados em Cristo na cruz do Calvário, sendo os mesmos perdoados e justificados pelos méritos do Salvador, não havendo mais condenação para eles. “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito” Rm 8.1. Segundo a Bíblia, o único julgamento dos crentes é o referente à distribuição de galardões pelo serviço prestado ao Senhor (Rm 14.10; 1 Co 3.13,14; 15.58; 2 Co 5.10).

Escatologia Geral (VII) – O Estado Eterno

O último tema a ser tratado na Escatologia Geral é o Estado Eterno, ou seja, a consumação de todas as coisas, quando tudo será definido e continuará permanentemente sem alteração. O plano eterno de Deus em relação as suas criaturas morais tem início meio e fim. A execução do plano começou quando da criação dos seres morais - anjos e homens, e continuará até a consumação no futuro, numa época já definida pelo Todo-poderoso. Esse Estado Eterno envolve os seres morais (anjos e homens) e, evidentemente, a santíssima Trindade. Esse período se instalará logo após o Juízo Final, depois que o Senhor julgar os seres humanos e os anjos.
A Bíblia Sagrada nos fala deste assunto nestes termos: “Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora o último inimigo que a de ser aniquilado é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará aquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos” 1 Co 15.24-28.
A Bíblia diz que quando da consumação de todas as coisas os crentes com seus corpos glorificados estarão para sempre com o Senhor (1 Ts 4.17), gozando plenamente da beatitude eterna, daquelas coisas preparadas por Deus para eles antes da fundação do mundo (1 Co 2.9). Diz ainda a Bíblia Sagrada que os descrentes padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e da glória do seu poder (2 Ts 1.9). Dos anjos diz a Bíblia que após o julgamento final o Diabo e seus anjos serão lançados no inferno quando, junto com os ímpios, e serão atormentados para todo o sempre (Ap 20.10).
Este mundo como nós o conhecemos será destruído (purificado) por fogo e Deus reorganizará as coisas criando novos céus e nova terra. “Mas o céu e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios... Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há, se queimarão... Aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão. Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra em que habita a justiça” 2 Pe 3.7-13.
No livro de Apocalipse (21.1-4) nos é dito o seguinte: “E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem prato, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas”.

terça-feira, 1 de julho de 2008

A Doutrina da Igreja

No estudo da Teologia Sistemática encontramos uma área que contempla o estudo acerca da Igreja, conhecida pelo nome de ECLESIOLOGIA.
A palavra Igreja vem do grego (ekklesia) e significa assembléia. O termo é tirado da cultura grega antiga quando os cidadãos eram chamados para fora de suas casas a fim de se reunirem em assembléia, em praça pública, para tratarem de assuntos da comunidade.
A Igreja que é uma instituição divina (Mt 16.18; At 20.28; 1 Pe 5.2,3; 1 Tm 3.15) divide-se em Igreja Universal ou Invisível e Igreja Local ou Visível. Por Igreja Universal entende-se o conjunto de salvos em todas as épocas, de todos os lugares, inclusive aqueles que ainda hão de ser salvos por Cristo. Por Igreja Local entende-se um conjunto de crentes em Cristo, congregados em uma determinada localidade, com os seus pastores e oficiais, que pratica as ordenanças deixadas por Jesus (Batismo Cerimonial e Ceia Memorial) e celebram ao Senhor adorando, edificando-se espiritualmente, proclamando o evangelho e cuidando dos santos necessitados.
Na Bíblia se encontram diversas figuras de linguagens usadas para identificar a Igreja: povo (1 Pe 2.9), corpo (Cl 1.18), templo (1 Co 3.16), entre outras.
A Igreja tem como atribuições que devem ser executadas neste mundo: Celebrar cultos ao Senhor (Jo 4.23,24); Promover a Edificação espiritual dos seus membros (Ef 2.21,22); Proclamar o Evangelho aos perdidos (Mc 16.15,16); e Cuidar dos crentes necessitados (Gl 6.10).
Três tipos de governos de Igrejas são usados pelos cristãos: o Episcopal (Os bispos da Igreja é que a governa); o Presbiteriano (governo feito pelos Presbíteros da Igreja, sendo o Pastor um dos Presbíteros e o presidente do Conselho); e o Congregacional (a Igreja governa-se a si mesma através de suas assembléias regulares, sendo que os Pastores e oficiais recebem da assembléia delegação para dirigi-la em suas áreas de competência).
Os oficiais da Igreja são divididos em extraordinários (apóstolos, profetas, evangelistas, mestres) e os oficiais ordinários (Pastores, Presbíteros e Diáconos). Aos Pastores Deus deu a direção de uma Igreja local, sendo auxiliado pelos Presbíteros no pastoreio da mesma (At 20.28) e pelos Diáconos na área de temporalidades da Igreja (At 6.2-4).
Duas ordenanças o Senhor Jesus deixou para ser observada pela Igreja: O Batismo Cerimonial e a Ceia Memorial. O batismo deve ser administrado aos novos crentes, com água, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, como testemunho de sua fé em Cristo (Mt 28.18-20). A Ceia deve ser celebrada periodicamente pela Igreja com a finalidade de manter viva a memória da morte redentora de nosso Senhor Jesus Cristo (Mt 26.26-30).
À Igreja Deus deu autoridade para julgar os seus membros faltosos. Essa disciplina divide-se em Formativa, Corretiva e Cirúrgica. A Formativa é feita através da ministração da Palavra de Deus. A Corretiva visa corrigir falha visível na vida dos crentes, e geralmente, implica na suspensão temporária de seus direitos como membro de uma Igreja. A Cirúrgica é aplicada quando da existência de falha gravíssima, principalmente, quando a pessoa não se arrepende dos seus erros ou apostata da fé.
É dever de todo o membro de uma Igreja local participar ativamente de seu ministério, freqüentando regularmente as suas reuniões, contribuindo financeiramente (dízimos e ofertas), orando e obedecendo aos Pastores, como Ministros de Deus.