quinta-feira, 19 de abril de 2012

O Futuro da Igreja

INTRODUÇÃO
          No programa redentor de Deus através de nosso Senhor Jesus Cristo está definido todas as etapas da vida da Igreja. Nesse programa descobrimos que Deus livremente escolheu (eleição) todos aqueles que iriam fazer parte da Igreja. Depois Deus os predestinou para que essa eleição inexoravelmente acontecesse (predestinação). Em seguida Deus determinou que os escolhidos fossem chamados eficazmente no tempo da existência de cada um deles pela pregação do Evangelho (Chamada Eficaz). No ato dessa chamada eficaz O Senhor determinou que os eleitos fossem justificados pelos méritos de Cristo (Justificação). E por fim Deus determinou que a Igreja fosse revestida de glória celeste quando o Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo, viesse a segunda vez a este mundo. Esses estágios foram revelados por Deus através de Paulo em sua carta aos Romanos, capítulo 8, versículos 28 a 30.

I – A SEGUNDA VINDA DO SENHOR
          
       A Segunda Vinda do Senhor Jesus em glória é o grande momento do cumprimento das promessas de Deus no que se refere à glorificação e futuro eterno da Igreja. Os textos que tratam do revestimento de glória da Igreja estão intimamente ligados a esse grandioso evento, senão vejamos: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Ts. 4.16,17). “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então, cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória” (1 Co. 15.51-54).  (Veja ainda Fp. 3.20,21).
        A partir desse glorioso momento, a Igreja do Senhor entrará num estado de glória celeste que perdurará por toda a eternidade. “... e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Ts. 4.17).

II – O ARREBATAMENTO DA IGREJA
          
       A Segunda Vinda do Senhor implica necessariamente no translado da Igreja para se encontrar com Ele nos céus atmosféricos (ares) devido à promessa de Jesus, registrada no Evangelho de João. “E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também” (Jo. 14.3).
          No desdobramento do programa escatológico está previsto o traslado da Igreja para se encontrar com o Seu Senhor que estará descendo do Céu de Deus (terceiro Céu). (Veja 1 Ts. 4.13-17; 1 Co. 15.51-54; 2 Ts. 2.1). Esse glorioso acontecimento é figurado na parábola das dez virgens proferida por Jesus e registrada por Mateus (Mt. 25.1-13). “Mas, à meia-noite, ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro! Então, todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas... e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta” (Mt 25.6-10).

1.      A  Ressurreição dos Crentes Falecidos

        Ainda no desdobramento do programa escatológico, no que se refere ao Arrebatamento, está previsto que o corpo mortal dos crentes seja revestido de imortalidade. Esse revestimento será comum para os crentes falecidos bem como para os crentes que estiverem vivos no grande dia da Segunda Vinda do Senhor. Paulo fazendo apologia sobre a ressurreição dos salvos na sua carta aos Coríntios disse que convém, ou seja, que é necessário, que o que é mortal seja absorvido pela vida, se revista de imortalidade. “Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade” (1 Co. 15.53). O corpo ressurreto do crente será semelhante ao corpo ressurreto de Cristo, com as mesmas propriedades e virtudes. “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Fp. 3.20,21). Esse corpo glorificado nos habilitará a viver nos Céus e também estará habilitado para gozar de toda a plenitude das bênçãos proporcionadas pelo Evangelho.

2. A Transformação dos Crentes Vivos

        Para os crentes que estiverem vivos por ocasião da Segunda Vinda do Senhor e o consequente arrebatamento da Igreja, a benção que os alcançará é a transformação do corpo mortal num corpo espiritual, pois assim ensinou Paulo pelo Espírito Santo quando tratou da ressurreição dos salvos. “E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial. E, agora, digo isto, irmãos: que carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem a corrupção herda a incorrupção. Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então, cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória” (1 Co. 15.49-54).

3.      O Encontro com o Senhor nos Ares
        
 Os crentes ressuscitados e os crentes transformados, todos com corpos glorificados, sem diferenciação entre um grupo e outro, a Igreja completa sem faltar um membro sequer será impulsionada pelo Espírito Santo para encontrar o Senhor Jesus nos ares. É o glorioso encontro da noiva com o seu noivo, para o grande banquete nupcial, as bodas do Cordeiro, profetizada em Apocalipse. “E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus” (Ap. 19.9).
  
III – A HABITAÇÃO PERMANENTE DA IGREJA
        
       A Igreja habitará para sempre com o Senhor conforme revelado na Palavra de Deus. Paulo, na primeira carta de Tessalonicenses, disse que logo após o arrebatamento da Igreja estaremos para sempre com o Senhor. (1 Ts 4.17). Vejamos os itens que trazem mais luz sobre o assunto:

1.      O Céu, o Lugar da Habitação da Igreja

        A Bíblia diz que a Igreja estará para sempre com o Senhor, não se afastará dele. Onde o Senhor estiver a sua Igreja estará com Ele. É sabido que o habitat natural de Deus é o Céu. “Para ti, que habitas nos céus, levanto os meus olhos” (Sl. 123.1). Todas as visões que os servos de Deus tiveram sempre viram Deus nos Céus. “Mas ele, estando cheio do Espírito Santo e fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus e Jesus, que estava à direita de Deus, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus” (At. 7.55,56). (Veja ainda 1 Rs. 22.19; Is. 6.1-3; Ap. 4.1-5), portanto, a Igreja estará nos Céus com Jesus.
        O Céu é na verdade um lugar, pois isso se confirma com a existência nele de seres humanos com corpos glorificados (lembre-se de Enoque e Elias que subiram aos Céus sem experimentar a morte) e lá estão com corpos glorificados. O próprio Senhor Jesus está no Céu com o corpo glorificado que ressuscitou dos mortos. “E, agora, digo isto, irmãos: que carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem a corrupção herda a incorrupção... Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade”  (1 Co. 15.50-53). (Veja Gn. 5.24; 2 Rs. 2.11; Mc. 16.19; At. 1.9).

2.      A Terra Restaurada, Outro Lugar de Habitação da Igreja?

A Bíblia diz ainda que os céus (atmosférico e estratosférico) e a terra sofrerão o impacto da ira de Deus sobre a impiedade do homem e serão destruídos pelo fogo quando da consumação de todas as coisas, e que em seu lugar Deus criará novos céus e nova terra, pois assim revelou o Espírito Santo pela instrumentalidade de Pedro: “Mas o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão...Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça. (2 Pe 3.10-13). (Veja também 2 Pe 3.7; Ap 22.1).
Apesar da escassez de material bíblico sobre o assunto, pensamos que seria contraproducente Deus restaurar a terra e deixá-la vazia por toda a eternidade, visto que a mesma foi dada para morada dos filhos dos homens. “Os céus são os céus do Senhor; mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens” Sl 115.16. Assim sendo achamos que a terra restaurada também será a habitação da Igreja, pois a mesma estará capacitada com o corpo glorificado a transitar entre céus e terra sem dificuldade alguma. A dimensão espacial não será obstáculo mais para a Igreja, pois as propriedades do corpo glorificado a habilitará para vencer essa dimensão. Observe que Pedro disse no versículo acima que aguardamos novos céus e nova  terra em que habita a justiça. Se a terra restaurada é uma expectativa da Igreja e que nela haverá justiça presumimos que terá seres morais habitando nela.
 Sendo o Céu de Deus um lugar e a terra restaurada outro lugar, e que não haverá mais limite espacial para o corpo glorificado, onde o Senhor Jesus estiver ali estará consigo a sua amada esposa, a Igreja. O fato revelado com clareza nas Santas Escrituras é que depois do Arrebatamento estaremos para sempre com o Senhor (seja nos Céus ou na terra restaurada ou em ambos os lugares).

3.      O Estado dos Salvos nessa Habitação
    
Na Escatologia encontramos o seu último tema, o Estado Eterno. O céu é um lugar como visto no item anterior, mas é também um estado, ou seja, uma condição de gozo permanente. Isto quer dizer que além de habitar no Paraíso o salvo experimentará um estado de contínuo gozo e felicidade. Na parábola dos talentos o Senhor Jesus nos ensinou isso quando disse aos servos fiéis: “entra no gozo do teu senhor”. “E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mt. 25.21). O Senhor nos ensinou isso também na parábola do rico e Lázaro quando disse que o mendigo que estava no Paraíso estava sendo consolado enquanto o ímpio estava sendo atormentado. (Lc. 16.25).

4.      O Tempo da Habitação

Voltando para o texto de Paulo aos Tessalonicenses observamos que se diz que o tempo da habitação da Igreja nessa nova dimensão de vida é para sempre. Nesse tempo eterno não haverá mudança nem sombra de variação. É a consumação do programa de Deus para a humanidade. Essa é a herança dos santos na luz, viver para sempre com Jesus nos Céus. Lá, revelou o Espírito Santo no Apocalipse, não haverá dor, nem tristeza, nem pranto, pois tudo foi mudado por Deus e isso de um modo permanente. “... E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão. E verão o seu rosto, e na sua testa estará o seu nome. E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumia, e reinarão para todo o sempre.” (Ap. 22.1-5).

CONCLUSÃO

          Concluímos este artigo com grande alegria no coração tendo em vista a perspectiva que o programa divino descortina para a Igreja. O futuro da Igreja é fulgurante e devemos viver motivado por essa esperança revelada na Palavra de Deus. Devemos esperar com paciência a concretização do programa de Deus, pois quem prometeu é fiel e cumprirá a sua palavra.

Eudes Lopes Cavalcanti



A Igreja local como uma organização


INTRODUÇÃO

           Por mais que queiramos espiritualizar o tema Igreja não podemos deixar de reconhecer que as Sagradas Escrituras nos revelam uma organização básica de uma Igreja local. Observe a preocupação do apóstolo Paulo quando escreveu a Tito. A primeira coisa que ele fez referência, após saudar aquele obreiro, foi justamente orientá-lo na organização de Igrejas locais (Tt. 1.5).
          É verdade que a Bíblia no Novo Testamento não fala de uma estrutura administrativa nos moldes da igreja da atualidade. É verdade também que se a Igreja militante (os salvos espalhados no mundo) fosse se desincumbir de suas grandes responsabilidades conforme definidas nas Escrituras, jamais a missão da Igreja seria concretizada neste mundo sem o concurso das Igrejas locais, pois para isso existe a necessidade de agregar recursos e coordená-los a fim de que os objetivos básicos da missão da Igreja sejam alcançados.
        
I – A IGREJA LOCAL, SUA ORGANIZAÇÃO

          Como organização, a Igreja é uma instituição que tem uma estrutura administrativa definida através da qual a obra comissionada por Deus é executada neste mundo. Em sua sabedoria infinita Deus organizou a Igreja para que os seus diversos recursos fossem utilizados de forma inteligente, consistente, para a realização do Seu eterno propósito em Cristo Jesus.

1.      A Estrutura Administrativa da Igreja

         Uma Igreja Congregacional é uma Igreja completa em si mesma e para existir independe de qualquer outra instituição. Ela é estruturada visando à realização do propósito de Deus através dos seus órgãos componentes. A sua estruturação é por ordenamento de órgãos diretores seguido de órgãos que segmentam suas atividades ou departamentos.

a)      As Assembleias de membros

          Do ponto de vista administrativo, dentro de uma Igreja com governo Congregacional, não existe nenhum outro órgão maior do que a sua assembleia de membros. É assim porque o próprio Deus estabeleceu essa forma de governo na Igreja. (Veja Mt. 18.17,18; At. 1.15,23; 6.2,3,6;...).
        Três são os tipos de assembleias de uma Igreja Congregacional: assembleia ordinária, assembleia extraordinária e assembleia especial. A assembleia ordinária é aquela em que a igreja se reúne para tratar de assuntos corriqueiros de sua administração. Essas assembleias se instalam de acordo com a periodicidade definida no Estatuto. A Assembleia extraordinária é aquela em que a igreja se reúne quando houver a necessidade de decidir coisas urgentes. Esse tipo de assembleia pode acontecer tantas vezes quantas houver necessidade. A assembleia especial é estabelecida para eleger pastores e oficiais e aprovar o plano diretor da Igreja.
          Todas as assembleias devem ser convocadas por quem tem competência estatutária para tanto e funcionam de acordo com uma pauta estabelecida, e com um quórum mínimo exigido pelo Estatuto.  
          
b)      O Pastorado da Igreja

           A menos que o Estatuto defina o contrário, o Pastor titular é o presidente administrativo da Igreja com autoridade delegada pelo Estatuto para geri-la em todas as áreas. Isto quer dizer que todos os órgãos da estrutura administrativa da Igreja estão sob a sua supervisão. É ele o representante e responsável legal  pela Igreja diante do Estado Brasileiro, da Denominação a que ela é filiada, e diante das instituições em geral. A essa autoridade legal soma-se a autoridade dada por Deus nas Sagradas Escrituras para gerir a Igreja como responsável por ela diante do Senhor. Observe que quando o Senhor Jesus dirige-se as Igrejas da Ásia Menor listadas no livro de Apocalipse Ele se dirige aos seus pastores: “Ao anjo da Igreja... escreve:... (Ap 2.1,8;...).

c)      O Conselho Eclesiástico da Igreja

            Para auxiliar o Pastor Titular da Igreja no pastoreio da mesma, o Senhor estabeleceu dentro dela outras duas categorias de oficiais, os Presbíteros e os Diáconos, cabendo aos primeiros auxiliá-lo no governo espiritual e aos outros nas temporalidades da Igreja. Esses oficiais juntamente com o Pastor Titular e os possíveis pastores auxiliares e copastores compõem o Conselho Eclesiástico da Igreja. É o modelo bíblico de governo de Igreja. A nossa Denominação autorizou a agregação a esse Conselho os missionários que fazem parte da membrezia da Igreja, e que são filiados ao quadro de missionários da ALIANÇA. Esse Conselho funciona sob a orientação do Pastor da Igreja servindo o mesmo como staff (assessoria) para as tomada de decisão do ministério pastoral.

d)      Os Departamentos da Igreja

             Os departamentos são os órgãos componentes da estrutura administrativa da Igreja que têm a responsabilidade de desenvolver atividades especificas dentro dela, tais como: missões, patrimônio, beneficência, etc. A diretoria de um departamento é composta de um diretor, de um vice-diretor, de um tesoureiro e de um secretário. Recomenda-se que os departamentos que contemplam os segmentos de pessoas (homens, mulheres, jovens, adolescentes e crianças), tenham conselheiros nomeados pelo Pastor da Igreja para ajudar na aderência das atividades dos mesmos à visão ministerial da Igreja. É praxe nas Igrejas Congregacionais que as diretorias sejam eleitas em assembleia ou nomeadas pelo Pastor Presidente e homologadas pela assembleia. Os diversos departamentos devem funcionar de forma integrada visando o bem maior da Igreja que é o cumprimento de sua missão neste mundo.
           Todos os departamentos, de acordo com a estrutura administrativa da Igreja, são subordinados ao pastorado da mesma, conforme o Estatuto e o mandamento divino. Isso quer dizer que o departamento não tem existência autônoma, mas faz parte de uma estrutura cuja cabeça é a presidência da Igreja e a ela deve participar o seu plano de ação.
           
e)      As Congregações da Igreja

          As congregações são órgão da Igreja instalados distante do templo sede onde se congregam membros e congregados da Igreja que se reúnem para adoração, edificação, proclamação e beneficência. Cada congregação deve ter um dirigente, de preferência um Pastor ou um Presbítero. Com a presença de uma dessas duas lideranças fica mais fácil a realização da dinâmica da Igreja, tais como casamento, batismo (privativos a Pastores), e celebração da Ceia do Senhor. A congregação, a exemplo dos departamentos, está debaixo das mesmas diretrizes. Ela não tem existência autônoma, devendo ser submissa à presidência da Igreja. Os irmãos que se congregam nas congregações devem ser submissos aos seus respectivos dirigentes, pois eles são as autoridades constituídas por Deus dentro delas e que receberam delegação da Igreja para dirigir esses trabalhos.

2.      Os Instrumentos Normativos da Igreja

Do ponto de vista administrativo três são os instrumentos normativos de uma Igreja na sua expressão local:

a)      O Estatuto

          O Estatuto da Igreja é o documento que define a sua estrutura administrativa e disciplina o seu funcionamento. A confecção desse documento segue princípios básicos estabelecidos pelas leis do País. Esse documento define a razão social da Igreja, seu tempo de duração, suas finalidades, sua diretoria, sua estrutura administrativa, sua fonte de recursos e outros itens importantes. Tratando-se de um Estatuto de uma igreja Congregacional ele deve ser confeccionado quando da organização da Igreja podendo ser modificado quando houver necessidade. Só uma assembleia de membros convocada segundo o estabelecido no Estatuto pode autorizar uma modificação nesse documento. É obrigatório o registro do Estatuto no Cartório de Registro de Títulos e Documentos da comarca onde a igreja está estabelecida. Esse documento é a lei maior da Igreja, do ponto de vista administrativo e legal.

b)      O Regimento Interno
          
         O Regimento Interno é o documento que detalha o Estatuto e o complementa. O registro em Cartório do Regimento Interno não é obrigatório, mas uma vez aprovado em assembleia torna-se lei para a vida da Igreja juntamente com o Estatuto, podendo o mesmo ser requerido em juízo para dirimir questões que porventura surjam no cotidiano da vida da Igreja.

c)      As Decisões das Assembleias da Igreja

           As decisões das assembleias da Igreja registradas em livro de atas têm valor legal diante da sociedade civil e podem ser utilizadas pelos tribunais humanos para dirimir dúvidas e fechar questões. Nenhuma decisão da assembleia pode colidir com aquilo que está definido no Estatuto da Igreja ou no seu Regimento Interno.
          Além desse aspecto jurídico há de se observar que à luz das Sagradas Escrituras as decisões tomadas pela assembleia têm a chancela divina se as mesmas não ferirem a santidade do Evangelho, sendo, portanto, lei para os membros da igreja (Mt. 16.18,19; 18.15-20).          As decisões da assembleia devem ser obedecidas por todos os membros de uma Igreja Congregacional, porque nelas está manifestada a vontade de Deus para a vida da Igreja, quer seja diretiva quer seja permissiva. A insubordinação contra uma decisão da assembleia deve ser considerada como uma desobediência ao princípio da submissão à autoridade, estabelecido por Deus em sua Palavra.  (Veja Rm. 13.1,2).

II – A IGREJA LOCAL, SEUS OFICIAIS

1.      O Pastor da Igreja

          Reza o Regimento Interno da ALIANÇA, sobre o Pastor, o que se segue: “Ministro do Evangelho é o ofício perpétuo a que são consagrados os formados em Teologia ou, em casos especiais, os não formados, com privilégios e deveres específicos, sendo este ofício o primeiro em dignidade na Igreja”. Outro documento do Congregacionalismo diz sobre o pastor o seguinte: “Designa-se pastor o cargo do Ministro do Evangelho eleito e empossado em uma Igreja, com responsabilidade executiva e administrativa”.
    ”.O ofício bíblico de Pastor foi instituído por Deus na Igreja, conforme Ef. 4.11 (Veja ainda Jr 3.15).  Ao Pastor Deus deu a direção geral da Igreja sendo o mesmo responsável por ela em todas as instâncias. No livro de Apocalipse os Pastores são chamados de anjos da Igreja. Em Jeremias 3.15 e em Efésios 4.11 nos é dito que os Pastores são dádivas de Deus a Igreja para promover a sua edificação espiritual.
       Na estrutura administrativa o Pastor Titular detém a presidência da Igreja, sendo o mesmo responsável por ela, e que a representa perante as autoridades eclesiásticas e não eclesiásticas, como foi dito acima.
      Convém esclarecer que o Pastor da Igreja não tem autonomia absoluta sobre a mesma, pois o mesmo é submisso à assembleia da Igreja, ao seu Estatuto e ao seu Regimento Interno.

2.      Os Presbíteros da Igreja

         O Presbítero é outra categoria de oficial que foi instituída por Deus dentro de uma Igreja local. (At. 20.28; Tt. 1.5; 1 Pe. 5.1-4).  O Regimento Interno da ALIANÇA  diz do Presbítero, o seguinte: “Presbítero é o oficial auxiliar do ministro que pastoreia na administração dos interesses espirituais das igrejas”.
        Os Presbíteros têm a função de pastoreio e estão ligados ao ministério da Igreja local para ajudar ao Pastor a apascentar a Igreja do Senhor. “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a Igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” At. 20.28. Pedro, a exemplo de Paulo, reforça a ideia de pastoreio por parte dos Presbíteros. (Veja 1 Pe 5.1-4)
         O ministério de pastoreio implica em que os Presbíteros devem ajudar o Pastor no seu ministério, cabendo-lhes atribuições pastorais, tais como ensinar a doutrina, dirigir cultos, pregar o Evangelho, zelar pela vida espiritual da Igreja, visitar os enfermos, orar por eles e realizarem alguns atos pastorais delegados pelo Pastor da Igreja (celebrar a Ceia, oficiar cerimônia fúnebre, impetrar a bênção apostólica).

3.    Os Diáconos da Igreja

        O terceiro dos ofícios estabelecidos por Deus dentro de uma Igreja local é o de Diáconos. (At. 6.1-6; Fp. 1.1; 1 Tm. 3.8-13). Esse ofício foi instituído por Deus para cuidar das temporalidades da Igreja mui especialmente dos crentes que passam necessidades, segundo se extrai de Atos 6.1-3. Aos Diáconos compete ainda cuidar da boa ordem do culto, zelar pela Casa de Deus, distribuir a Ceia do Senhor e outras atividades delegadas pelo Pastor da Igreja. Os Diáconos que servirem bem tem da parte de Deus uma benção especial conforme 1 Tm. 3.13.
         O trabalho dos Diáconos deve ser em harmonia com os outros oficiais citados visando o crescimento da Igreja. Na carta aos Filipenses Paulo os identifica em sua saudação como representantes daquela Igreja juntos com os Bispos (Pastores e Presbíteros) Fp. 1.1.

III – A IGREJA LOCAL, SUA MEMBREZIA

1.      Os membros da Igreja

       São membros de uma igreja local todas aquelas pessoas recebidas em sua membrezia segundo critérios estabelecidos nos documentos normativos da Igreja, quer seja através do batismo ou recebidas por transferência de outras Igrejas evangélicas. No ato do batismo, que pressupõe uma autorização da assembleia, a recepção do membro é automática. No caso de transferência a recepção dar-se-á numa assembleia da Igreja. Esses membros têm direitos e deveres estabelecidos pelo Estatuto e pelo Regimento Interno da Igreja.
       Para controle e para facilitar os ministérios pastoral e diaconal,  o cadastro dos membros da Igreja deve ser atualizado todas as vezes que houver uma mudança nas informações básicas dos seus membros (falecimento, transferência, mudança de endereço, telefone, etc).

2.      Os Congregados da igreja

        São congregados da Igreja aquelas pessoas que não são membros da mesma, mas que assistem regularmente aos seus cultos, que contribuem e participam de suas atividades. Essas pessoas devem ser cadastradas para assistência pastoral e outros apoios quando necessários.

CONCLUSÃO

        Neste artigo enfatizamos a Igreja como uma organização. Procurando facilitar a compreensão do leitor tratamos dos órgãos mais importantes da estrutura administrativa de uma Igreja Congregacional.  A ideia básica deste estudo é que os irmãos valorizem mais as suas Igrejas locais e se engajem em seu ministério, para que as mesmas tenham condição de realizar a sua missão neste mundo segundo estabelecido por Deus em sua Palavra. 
Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Vivendo o que somos


              A Bíblia nos revela e a nossa experiência o confirma que somos todos pecadores aos olhos de Deus. Revela ainda a Santa Palavra de Deus que uma vez que a pessoa tenha tido um encontro com Cristo o seu coração é transformado, e ela se torna uma nova criatura em Cristo Jesus. A mudança processada pelo evangelho na vida da pessoa que crê em Cristo é tão real e profunda que os hábitos antigos são mudados. Onde havia prazer no pecado agora há repugnância. Onde havia preocupação somente com as coisas materiais o nosso coração começa a pulsar e a se interessar pelas coisas de Deus. Passamos com esse novo nascimento a gostar dos cultos que a Igreja celebra ao Senhor. Gostamos de ler as Escrituras e temos prazer na oração, e no servir ao Senhor.  “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” 2 Co 5.17.
          Acontece que na estrada da vida cristã muitos crentes em Cristo perderam o entusiasmo pelas coisas de Deus. O coração já não pula de alegria com os cultos celebrados em honra daquele que é o Rei do universo. A oração é negligenciada, também assim acontecendo com
a Palavra de Deus, que não é mais lida e muito menos obedecida. O serviço outrora prestado a Deus como expressão de amor e gratidão é relegado a um segundo, terceiro ou quarto plano.
         Uma pessoa crente nesse estado deve repensar a sua vida cristã com urgência. Pois ela está totalmente fora dos propósitos de Deus para o viver de um crente em Cristo. Essa pessoa está entorpecida, anestesiada pelo pecado, dormindo entre os mortos (os descrentes) e precisa despertar dentre eles para viver como um filho da luz, como de fato o é. “Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá” Ef 5.14.
        O propósito de Deus para o viver do crente é que ele viva aquilo que ele é em Cristo. O crente é filho da Luz como diz a Escritura. “Porque, noutro tempo, éreis trevas, mas, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” Ef 5.8. O viver como filho da luz implica em dizer que o crente deve viver uma vida parecida com aquela que o Senhor viveu quando estava entre nós. Jesus viveu em tudo fazendo a vontade do Pai. Viveu ainda o Senhor priorizando em tudo a obra de Deus (Jo 4.34). O Senhor viveu ainda em humildade, glorificando o Pai celeste com o seu procedimento, dando-nos em tudo o exemplo. “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” Jo 13.15.
       Se quisermos, irmãos, viver uma vida cristã autêntica espelhemo-nos em Cristo e em seus apóstolos, e na galeria dos heróis da fé constante de Hebreus 11. Amém!
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti