quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Uma panorâmica sobre Efésios

Uma panorâmica sobre Efésios Das treze cartas escritas pelo apóstolo Paulo, quatro delas são conhecidas como epístolas da prisão, ou seja, epístolas escritas quando ele se encontrava preso por causa do Evangelho, dentre elas a carta aos Efésios (as outras foram Filipenses, Colossenses e Filemon) que, tudo indica, foi escrita em 62 d.C., aproximadamente, quando estava Paulo preso em Roma. A carta aos Efésios não foi escrita para tratar de algum problema quer seja doutrinário ou moral da Igreja, e sim para revelar a grandiosidade do propósito redentor de Deus em Cristo Jesus. Ainda na carta, Paulo trata do viver cristão nas relações familiares e sociais no que se refere à vontade de Deus para uma convivência harmoniosa. A carta aos Efésios é similar a carta aos Colossenses a ponto de estudiosos bíblicos chamarem-nas de epístolas gêmeas. Alguns estudiosos bíblicos acham que essa epístola seja a mesma endereçada à igreja de Laodicéia (Cl 4.2). O propósito de Paulo ao escrever essa carta visava o crescimento espiritual (no amor, na fé, na sabedoria e na revelação do Pai) daquela comunidade evangélica, e com esse intento ele se prostrava em oração diante do Pai celestial. “não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação, tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos e qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder” Ef 1.16-19. Como já é do conhecimento dos irmãos, a carta aos Efésios é uma das nove cartas paulinas destinadas às igrejas, e essas cartas tem uma parte teológica e uma parte prática. A carta aos Efésios segue essa mesma estrutura. Na sua parte teológica (1-3) Paula enfatiza a redenção que há em Cristo Jesus e como essa redenção se realiza, e na parte prática (4-6) como os redimidos devem viver o Cristianismo. A carta aos Efésios tem as seguintes características especiais: 1) A revelação da grande verdade teológica da redenção que há em Cristo Jesus, que é intercalada por duas orações do apóstolo; 2) A expressão “em Cristo” que é um dos temas tratados com mais frequências em suas cartas (106 vezes), em Efésios é encontrada cerca de trinta e seis vezes; 3) Em Efésios é salientado o propósito e alvo eterno de Deus para a Igreja; 4) Há uma ênfase destacada no papel do Espírito Santo na vida cristã; 5) Efésios é tida como uma epístola gêmea de Colossenses pelo fato de apresentarem semelhanças em seus conteúdos e por terem sido escritas quase ao mesmo tempo. No esboço dessa carta, encontramos: I - Uma saudação (1.1,2); II – A revelação da doutrina da redenção do crente (1.3-3.21). Nessa parte encontramos a revelação da preeminência de Cristo na Redenção (1.3-14) seguida de uma oração; O resultado da redenção em Cristo (2.1-3.21) seguido de uma oração de Paulo. III – Instruções práticas para a vida do crente (4.1-6.20). Nessa segunda parte se encontra a descrição da nova vida do crente; as instruções sobre o relacionamento no lar; e batalha espiritual do crente. A carta termina com a informação de quem seria o mensageiro (Tíquico) que iria levá-la aos efésios, e com uma benção impetrada por Paulo sobre aquela Igreja. Na parte teológica encontramos um mistério revelado por Deus através de Paulo que é de unir judeus e gentios num só corpo espiritual que é a Igreja, que está sendo edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas e cuja pedra principal é o próprio Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo. Essa união é devido à poderosa obra realizada por Cristo na cruz, operacionalizada pela ação do Espírito Santo. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

PREGAÇÃO PASTOR EUDES 18/10/15

Uma panorâmica sobre Gálatas

Paulo, juntamente com Barnabé, fundara na sua primeira viagem missionária, pela graça divina, as quatro igrejas que compunham a região da Galácia do Sul, da época (Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe). Nessas cidades eles tiveram uma oposição ferrenha dos judeus que habitavam nelas (At 13.45, 50; 14.2, 5, 19), a ponto de em Listra, cidade onde Paulo curara um paralitico, o apedrejarem e o abandonarem como morto. É nos dito em Atos 13.43 e em Atos 14.1 que essas igrejas eram compostas de judeus e gentios convertidos à Cristo. Devido à presença judaica ser muito forte nessas cidades, bem como a oposição aos cristãos, as igrejas começaram a aceitar um modus vivendi com o judaísmo achando que poderiam ser cristãos seguindo a lei mosaica, deixando a fé em Cristo em segundo plano. Paulo ao tomar conhecimento de que as igrejas da Galácia estavam prestes a se deixar dominar pelo judaísmo, que ensinava que a salvação era consequência da obediência a lei mosaica, escreveu a carta aos Gálatas para combater essa heresia e ao mesmo tempo fortalecer o seu ensino da justificação somente pela fé em Cristo. Essa, como as outras cartas de Paulo as Igrejas, se compõe de uma parte teológica ou doutrinaria e uma parte prática. Em ambas as partes o apóstolo defende a liberdade do Evangelho, sendo que na primeira parte (1.11-4.31) ele fala sobre a autoridade do Evangelho, bem como de sua chamada pessoal para pregar o Evangelho; e fala da liberdade do Evangelho enfocando nessa parte a recepção do Espirito e da nova vida pela fé em Cristo e não pelas obras da lei. Fala ainda sobre a salvação como uma promessa messiânica baseada na fé e não na lei e fala sobre a questão da filiação versus escravidão. Paulo diz que os crentes em Cristo são os filhos de Deus e não os descendentes de Abraão etnia que se estribam na lei. Segundo ele, aqueles que confiam na lei são escravos e faz uma analogia sobre isso usando a figura de Isaque e Ismael filhos de Abraão um da livre (Sara) e o outro da escrava (Hagar). Na parte prática (5.1-6.10), Paulo fala sobre a liberdade do cristão na sua relação com a graça da salvação pela fé e fala sobre as consequências negativas do cristão se submeter à circuncisão. Paulo ainda trata da questão da liberdade do cristão sob a graça e da responsabilidade dele em andar no Espírito e não satisfazer as concupiscência da carne. “Digo, porém: Andai em Espirito, e não cumprireis a concupiscência da carne” Gl 5.16. Nessa parte da carta, Paulo fala sobre as obras da carne, fruto natural de uma vida não regenerada, e do fruto do Espírito como consequência natural de uma pessoa genuinamente convertida, senão vejamos: “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus” Gl 5.19-21. “Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” Gl 5.22. Sobre o assunto acima Paulo disse que os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências (Gl 5.24). Como características principais essa carta contém a mais veemente defesa da natureza do evangelho; Depois de 2 Coríntios é a mais autobiográfica das cartas de Paulo; É a única carta que é dirigida a mais de uma Igreja; e contém o relato mais completo das obras da carne. Terminando a sua carta, Paulo ainda fala sobre a assistência financeira que a Igreja deve dar aos ministros do Evangelho (Gl 6.6) bem como do cuidado que ela deve ter, prioritariamente, para com os irmãos necessitados (Gl 6.10). Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Uma panorâmica sobre 2 Coríntios

Diz-nos os historiadores bíblicos que Paulo fizera uma viagem a Corinto após o envio da primeira carta. Essa estada em Corinto não fora agradável nem para Paulo nem para aquela comunidade. Novamente em Éfeso Paulo tomara conhecimento de que a sua autoridade apostólica estava sendo minada em Corinto, inclusive os seus opositores estavam denegrindo a imagem do apóstolo. “Porque as suas cartas, dizem, são graves e fortes, mas a presença do corpo é fraca, e a palavra, desprezível” 2 Co 10.10. Depois da segunda carta, Paulo ainda esteve em Corinto, permanecendo ali três meses, conforme se extrai do relato de Atos 20.1-3. Paulo escreveu a segunda carta aos Coríntios com as seguintes finalidades: a) Encorajar a maioria da igreja que lhe era fiel, como seu pai espiritual; b) Contestar e desmascarar os falsos apóstolos que distorciam a sua mensagem e enfraqueciam o seu apostolado naquela comunidade; c) Repreender a minoria daquela comunidade que estava sendo seduzida pelos falsos obreiros, opositores de Paulo. A segunda carta aos Coríntios tem as seguintes características especiais: 1) É a mais autobiográfica das epístolas paulinas. Nela encontramos muitas referências pessoais, mas feitas com humildade, pedindo desculpas e até mesmo constrangido pelo que estava revelando; 2) Contém a mais completa teologia sobre o sofrimento do crente em todo o Novo Testamento, bem como sobre a questão da contribuição cristã para a manutenção da Igreja; 3) O uso de diversos termos-chaves que se destacam no conteúdo da carta, tais como: fraqueza, aflição, lágrimas, perigos, tribulação, sofrimento, consolação, jactância, verdade, ministério e glória. O tema dessa carta é “A Apologia do Ministério Apostólico”, e ela foi escrita entre os anos 55 e 56 depois de Cristo. No esboço da segunda carta aos Coríntios encontramos: 1) introdução (1.1-11). Nessa introdução observa-se a ausência de uma ação de graça comum nas cartas de Paulo, talvez devido a censura de Paulo à igreja. 2) Primeira parte (1.12-7.16) – Nessa parte encontramos Paulo justificando a sua conduta com relação aos coríntios. Fala de sua demora em fazer a viagem a Corinto; Faz uma apologia (defesa) do seu ministério apostólico (a sua fidelidade como apóstolo, a superioridade do apostolado na dispensação da graça, as fraquezas e sofrimentos do apóstolo, o apóstolo como embaixador e ministro de Deus, e conclui a apologia com uma manifestação de carinho pelos seus filhos na fé); 3) Segunda parte (8;9). Nessa segunda parte Paulo trata da coleta para os santos de Jerusalém. Ela começa tratando da recomendação da coleta e dos delegados que a levariam para Jerusalém e cita como exemplo o sucesso da oferta levantada pelos irmãos da Macedônia; 4) Terceira parte (10.1-13.10). Na terceira parte Paulo faz uma apologia de seu ministério. Primeiramente ele se defende contra acusações pessoais feitas pelos judaizantes; depois ele elogia-se a si mesmo como apóstolo e pelo trabalho realizado, mas faz isso com humildade pedindo desculpas a igreja. Depois ele faz um relato biográfico de seu ministério, enumerando os seus títulos, seus trabalhos, seus sofrimentos, os dons extraordinários concedidos por Deus a ele bem como as suas fraquezas que foram compensadas pela atuação poderosa da graça de Deus em sua vida. Essa seção termina com um último aviso de Paulo a igreja de que quando fosse novamente a ela puniria os impenitentes de acordo com a autoridade dada por Deus a ele. Essa carta termina (13.11-13) com a recomendação de que a igreja deveria viver a vida cristã com alegria e unida. Concluindo a carta, Paulo impetra sobre a Igreja a benção trinitária. “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com vós todos. Amém!” 2 Co 13.13. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

PREGAÇÃO DO PASTOR EUDES

PREGAÇÃO DO PASTOR EUDES

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Uma panorâmica sobre 1 Coríntios

Corinto era uma das maiores cidades da Grécia antiga. A Igreja naquela cidade fora fundada por Paulo em sua segunda viagem missionária durante os dezoito meses que trabalhou em Corinto junto com Áquila e Priscila (At 18.1-18). O fervoroso Apolo também trabalhou naquela cidade na ausência de Paulo (At 19.1). A Igreja em Corinto era composta de judeus e gentios, sendo esse último grupo bem maior do que o primeiro. Com o crescimento da Igreja surgiram também os problemas que foram administrados por Paulo através de suas duas cartas destinadas para aquela Igreja num intervalo curto de tempo entre uma e outra. Paulo escreve a primeira carta aos Coríntios quando ministrava em Éfeso. Nessa cidade, tomou conhecimento dos graves problemas que a Igreja de Corinto enfrentava e que fora informado pela família de Cloé (1 Co 1.11). Esses problemas giravam em torno das divisões dentro da Igreja tendo diversos grupos que se digladiavam entre si, causando problema na unidade da mesma. Outro problema grave que trazia uma imagem negativa da Igreja era relacionado a problemas morais: Um caso de incesto não tratado pela Igreja; litígios entre crentes arbitrados pela justiça comum; e problema de prostituição. Esses problemas maculavam a santidade da Igreja. Para solução desses problemas Paulo, pelo Espirito Santo, estabelece dois princípios que iriam nortear a Igreja de Corinto bem como a Igreja do Senhor em todos os tempos. O primeiro princípio revela a Igreja como o Corpo de Cristo, portanto indivisível. O segundo princípio revela o correto proceder de uma pessoa unida espiritualmente com Cristo. A segunda parte da carta aos Coríntios trata das respostas dadas por Paulo as perguntas inquietantes daquela comunidade evangélica (7.1-16.9). O primeiro questionamento da Igreja de Corinto era relacionado ao casamento. Nessa resposta Paulo trata do matrimônio e do celibato; dos deveres cristãos no casamento; aconselha aos solteiros; e orienta na questão de novo casamento. Nessas respostas de Paulo fica estabelecido o principio de que o matrimônio é uma dádiva de Deus, bem como o celibato por causa do Reino de Deus. A segunda pergunta girava em torno da liberdade cristã. Eles tinham dúvidas em relação a alimentos oferecidos a ídolos; Paulo os orienta ao uso disciplinado da liberdade cristã, bem como a incompatibilidade entre as festas idolátricas e a mesa do Senhor. Paulo pelo Espírito estabelece dois princípios para nortear essas questões: 1) Fazer tudo para a glória de Deus; 2) nada fazer que sirva de tropeço ao próximo. A terceira questão que incomodava os coríntios era a questão do culto público. Nessa área Paulo trata da questão da mulher na Igreja; a questão da celebração da Ceia do Senhor; e da questão do exercício dos dons espirituais nos cultos da Igreja. Paulo estabelece um princípio divino para tratar essa questão: Tudo deve ser feito no culto com ordem e decência. A quarta questão tratada por Paulo foi concernente à ressurreição corporal. Um grupo de irmãos dizia que não havia ressurreição dos mortos e outro sim. Com a argumentação mais longa de todas as suas cartas Paulo prova com maestria a questão da ressurreição corporal como parte final do programa de Deus para os crentes em Cristo. Fechando essa questão ficou estabelecido o principio de que assim como Cristo ressuscitou dentre os mortos, o mesmo ocorrerá aos que são de Cristo, na sua segunda vinda. Por fim Paulo trata da questão da coleta para os santos necessitados como um dos ministérios da Igreja que deveria ter a participação de todos. Em relação aos dons espirituais Paulo revela a sua existência como dádivas de Deus para o crescimento espiritual dos crentes, e que os mesmos devem ser exercidos com amor, o dom supremo. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti