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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Creio na Vida Eterna

Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual  foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.
      O último tema objeto da crença declarada no Credo  Apostólico refere-se a crença na vida eterna, pois o Credo diz: “Creio... na Vida Eterna”.
     Encontramos na Bíblia Sagrada que a vida é um dom de Deus. O Criador quando fez o homem o fez do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego da vida, e ele tornou-se alma vivente. “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” Gn 2.7.

    Com o advento do pecado, a morte surgiu no cenário humano, sendo ela o salário do pecado cometido pelos nossos primeiros pais, conforme Romanos 5.12: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram”. Cumpriu-se na vida do primeiro casal a terrível sentença prevista por Deus caso o homem comesse do fruto proibido (Gn 2.15-17), o que de fato aconteceu, e alastrou-se por toda a sua descendência. Portanto, todos os seres humanos, a partir do seu nascimento, nasce sob sentença de morte, primeiro da morte espiritual que é o afastamento do homem de Deus (Ef 2.1), segundo da morte física que é a separação da parte espiritual da parte material do homem (Ec 12.7), e por fim da morte eterna que é a eterna separação do homem de Deus, caso ele morra fisicamente estando morto espiritualmente (Mt 25.46).
      No Novo Testamento nos é revelado o maravilhoso plano de Deus no que se refere a conceder uma vida com dimensão eterna ao homem que está morto espiritualmente em seus delitos e pecados. “que nos salvou e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos dos séculos, e que é manifesta, agora, pela aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, o qual  aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a incorrupção, pelo evangelho 2 Tm 1.9,10. Através de nosso Senhor Jesus Cristo, que é a vida, o crente tem nele a vida eterna. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” Jo 3.16. Escrevendo ainda sobre o assunto Paulo disse que Deus nos deu vida quando estávamos mortos em nossos delitos e pecados. “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” Ef 2.1.
      A vida eterna começa quando a pessoa é convertida pelo Espirito Santo a Cristo, e se prolonga por toda a eternidade tendo, portanto, duas dimensões. Uma a que se refere à qualidade de vida, uma vida abundante aqui neste mundo. “No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem;...” Jo 7.37-39. A outra dimensão da vida eterna é a que se refere a sua extensão, por toda a eternidade. “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” Jo 10.28. “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá. Crês tu isso?” Jo 11.25,26.
    A vida e a imortalidade é uma benção que Deus dá graciosamente  àqueles que creem de coração em seu Filho Jesus Cristo. “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho de Deus tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.” 1 Jo 5.11,12.
    Portanto, o indisfarçável desejo do homem de viver para sempre pode ser alcançado em Jesus Cristo, pois Ele dá vida eterna aos crentes nele.     
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Creio na Ressurreição do Corpo

Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual  foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.
      O tema que será abordado neste artigo trata da ressurreição do corpo, conforme encontrado no Credo Apostólico, que diz: “Creio... na Ressurreição do Corpo”.
     Na Bíblia encontramos dois tipos de ressurreição. Uma de natureza espiritual e a outra de  natureza corporal. “Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão” Jo 5.25. O texto citado fala de uma ressurreição de natureza espiritual. “Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação” Jo 5.28,29. Este outro texto fala de uma ressurreição de natureza corporal.
   Tratando-se da ressurreição espiritual, a Bíblia diz que a pessoa quando nasce já nasce morta em seus delitos e pecados (Rm 3.23; 5.12), e quando ela ouve o Evangelho e crer nele, nasce de novo, e passa a ter vida com dimensão eterna. “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” Jo 5.24. (Veja ainda Ef 2.1,5).

   No que se refere à ressurreição corporal é preciso que se compreenda que o ser humano é uma dicotomia (corpo e alma chamada também de espirito) e que ambas as partes constitutivas do homem foram atingidas pelo pecado.
Na terrível sentença proferida por Deus no Édem, quando da queda do homem, encontramos que o mesmo que fora feito do pó da terra (o seu corpo) ao pó voltaria. “No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás” Gn 3.19.
    No programa divino está previsto uma ressurreição geral quando todos os seres humanos ressuscitarão (o espirito reassumirá o corpo que viveu neste mundo, que será reconstruído por Deus) para comparecerem  no grande dia do Julgamento Final para darem contas de seus atos enquanto viveram. “Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação” Jo 5.28,29.  (Veja ainda Dn 12.2; Ap 20.5,11-13).
    Ainda no programa redentor de Deus através de Jesus Cristo, a ressurreição dos crentes em Cristo reveste-se de um caráter especial, pois o corpo do crente será revestido de imortalidade, de incorruptibilidade, isto é o que afirma Paulo em sua primeira carta aos Coríntios: “Assim também a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção, ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual” 1 Co 15.42-44. Os corpos dos crentes em Cristo quando da ressurreição serão semelhantes ao corpo do Cristo ressurreto, com as mesmas propriedades. “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” Fp 3.20,21.
    No que se refere ao corpo do não crente em Cristo o corpo ressurreto, segundo se infere do texto sagrado, será um corpo imortal, ou seja, não experimentará mais a morte, mas não será um corpo glorioso como será o do crente. Com esse corpo especial, habitado pelo espirito que viveu nele neste mundo, o não salvo comparecerá diante de Deus no Juízo Final para receber a terrível sentença da perdição eterna. “os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder” 2 Ts 1.9.
                              Pr. Eudes Lopes Cavalcanti 

sábado, 25 de janeiro de 2014

Creio na Remissão dos Pecados

Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.
      Neste artigo daremos continuidade a nossa reflexão sobre o Credo Apostólico com a ênfase, desta feita, na remissão ou perdão dos pecados, pois o Credo diz assim: “Creio... na Remissão dos Pecados”.
     O pecado segundo as Escrituras é o problema número um dos seres humanos. Quando se fala de pecado é preciso que entendamos algumas coisas sobre ele, principalmente em que consiste o pecado, a quem ele afronta e quais as suas consequências e, principalmente, a questão do perdão através de nosso Senhor Jesus Cristo.
       Pecado do ponto de vista bíblico/teológico “é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus ou a transgressão dessa lei”. Deus ao criar o homem deu-lhe um código moral que deve ser obedecido. A transgressão desse código constitui-se pecado contra Deus e é passível de punição, que no caso é a morte. “Porque o salário do pecado é a morte,...” Rm 6.23.

       O pecado surgiu no cenário humano através de Adão, conforme as Escrituras. “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” Rm 5.12. Adão representava a raça humana na responsabilidade moral diante do Criador e quando ele pecou o seu pecado atingiu também a sua descendência. Adão pecou, nós pecamos com ele. Adão morreu por causa do pecado e nós morremos com ele.    A Bíblia diz que todos morrem em Adão (1 Co 15.22).
     Ainda o pecado de nossos primeiros pais corrompeu a natureza humana, e toda a sua descendência é considerada pecadora aos olhos de Deus. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” Rm 3.23. Por causa do pecado toda a raça humana está debaixo de condenação, mas Deus graciosamente providenciou um meio que, aliás, é o único meio, de livrar o homem da condenação imposta pelo pecado, sendo esse meio através da obra realizada por Jesus Cristo na cruz do Calvário. “O qual (Cristo) por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para a nossa justificação” Rm 4.25. (Veja ainda 1 Pe 2.24; 3.18).
     O Filho de Deus veio a este mundo, encarnou, assumiu uma natureza humana, para oferecer a sua preciosa vida em sacrifício pelos pecados do homem. “Mas este, (Jesus), havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre a destra de Deus” Hb 10.12.  Toda a culpa acarretada pelo pecado foi colocada sobre Cristo na cruz, segundo o que determinara o Conselho da Santíssima Trindade no seu programa eterno. “Mas ele (Jesus) foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” Is 53.5,6.
       Quando o Credo diz “Creio... na remissão dos pecados” que dizer que a pessoa que crer que Jesus morreu pelos seus pecados e ressuscitou para a sua justificação tem de imediato o perdão dos seus pecados, sendo a culpa removida, e a partir daí não haverá mais condenação para ela no Juízo Final “Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espirito. Porque a lei do espirito de vida, em Cristo Jesus, me  livrou da lei do pecado e da morte” Rm 8.1,2. O perdão dos pecados é uma bem-aventurança (Sl 32.1).
      De acordo com a Bíblia, para a concessão do perdão ao pecador, ele tem que reconhecer que é pecador aos olhos de Deus e crer de coração que Jesus pagou o preço dos seus pecados na cruz. “... Arrependei-vos, e crede no Evangelho” Mc 1.15. Fazendo assim a pessoa é perdoada, reconciliada com Deus, e passa a gozar das bênçãos dos Céus.    
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sábado, 31 de agosto de 2013

Creio


Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.
   O Credo apostólico começa com a declaração “Creio”. A palavra Crer, do latim credere, significa, em suma, acreditar e aceitar como verdadeiro aquilo que se diz de algo ou de alguém, independente de se ter provas materiais para tanto. Do ponto de vista teológico, crer significa acreditar nas verdades declaradas nas Sagradas Escrituras e aceitá-las de coração como verdades de Deus.
  Segundo a Bíblia Sagrada Deus, no seu programa eterno, determinou que a fé fosse o instrumento que a pessoa deve utilizar para se relacionar adequadamente com Ele.

 “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” Hb 1.6. Observem no texto acima que o grande objeto da fé é o próprio Deus, Deus esse revelado nas Sagradas Escrituras como o Deus verdadeiro, Vivo e Todo Poderoso. Observem ainda que o crente nesse grande e glorioso Deus deve acreditar também que Ele é quem dispensa as inumeráveis bênçãos dos Céus sobre os que creem nEle, desde que eles O busquem de coração.
    A Bíblia nos apresenta uma galeria de heróis da fé no capítulo 11 da Carta aos Hebreus, onde estão relacionados os nomes de homens e mulheres famosos que viveram no passado e ousaram crer de coração nesse Deus maravilhoso, Triúno. Observem ainda que essa fé foi vivenciada por eles e evidenciada na produção de inumeráveis feitos, conforme registrados no Cânon Sagrado.
    Trazendo o assunto para a experiência da Igreja da atualidade devemos considerar que, assim como foi no passado, a crença não é só algo abstrato, mas também algo que deve ser vivenciado e compartilhado com outrem, a fim de que eles possam acreditar nas verdades que nós acreditamos, e serem objetos também das graciosas bênçãos que Deus dispensa a quem nEle crê. Aconteceu isso com a mulher samaritana que, após ter um encontro com Cristo, compartilhou a sua crença com seus conterrâneos, levando-os a fé em Cristo e a serem abençoados por Ele.
                             Pr. Eudes Lopes Cavalcanti 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A Perseverança dos Santos


                                               
    A Teologia Reformada chamada também de Calvinista elencou cinco princípios que norteiam o seu escopo soteriológico, a saber: Depravação Total, Eleição Incondicional, Expiação Limitada, Graça Irresistível e Perseverança dos Santos.
   Por Depravação Total os Reformados ensinam que a culpa do pecado de Adão, cabeça Federal da raça humana, foi imputada aos seus descendentes fazendo com que todos eles sejam considerados pecadores. Sobre o assunto entende ainda a Teologia Reformada que herdamos de Adão a natureza corrompida pelo pecado.
   Por Eleição Incondicional entende a Teologia Reformada que Deus graciosamente escolheu a Igreja para a salvação independente de qualquer ato previsto desses eleitos.
   Por Expiação Limitada a Teologia Reformada advoga que Cristo morreu apenas pelos eleitos, sendo eles o único objeto da obra redentora realizada pelo Salvador na Cruz do Calvário.
   Por Graça Irresistível entende os reformados que os eleitos inexoravelmente atenderão o chamado para a salvação, durante a sua vida, através da mensagem do Evangelho.
   Em relação à Perseverança dos Santos a Teologia Reformada ensina que os salvos perseverarão na fé até ao fim de suas vidas e se, porventura, vieram a cair em pecado retornarão ao convívio do Senhor antes de partirem para a eternidade.
Os homens de nossa Igreja escolheram como tema de suas festividades de aniversário: “Perseverança, a marca do verdadeiro cristão”. Sobre esse tema dissertaremos de forma sucinta:
   Perseverar significa, segundo o Dicionário de Larousse, “Permanecer firme e constante em um sentimento, uma resolução; Persistir; Permanecer, ficar; Resistir, suportar”.
  Do ponto de vista teológico ou doutrinário a Perseverança dos Santos significa que todos aqueles que de fato são convertidos a Cristo perseverarão na fé até o final de suas vidas, uma vez que a poderosa obra da graça de Deus na vida deles foi tal que eles nasceram de novo, foram selados e habitados pelo Espírito Santo, foram constituidos por Deus como filhos por adoção em Jesus Cristo, foram reconciliados com Deus, dentre outras coisas maravilhosas.
  Encontramos nas Escrituras diversos textos que asseguram que todos os verdadeiros crentes perseverarão na fé durante a sua vida, dentre eles citamos: “Porque sete vezes cairá o justo e se levantará; mas os ímpios tropeçarão no mal” Pv 24.16. “Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo” Fp 1.6. “Tudo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” Jo 6.37.
   A Perseverança dos Santos não quer dizer que os mesmos não possam ter os seus momentos de fracassos, mas quer dizer que mesmo em seus fracassos o Senhor os levantará e eles não morrerão afastados do Senhor.
   Também a Perseverança dos Santos não quer dizer que eles podem viver no pecado pensando que Deus os restaurará antes de morrer. Quem pensa assim, talvez, não tenha nascido de novo, pois a alma redimida nao tem prazer no pecado (1 Jo 5.18).
            Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A Exclusividade da Graça de Deus em Cristo

Numa recente palestra sobre a Cristologia, ministrada por um jovem teólogo brasileiro, autor de um livro que está chegando ao mercado evangélico e que aborda sobre a deidade de Cristo, no final da mesma, o autor fez uma menção sobre a salvação só pela graça divina. Até ai tudo bem, mas uma preocupação patenteou-se quando ele afirmou que as pessoas que não tiveram o privilégio de ouvir falar do Cristo histórico eram salvas pelo favor imerecido que Deus dispensa ao homem pecador (a graça de Deus). A afirmação do jovem teólogo foi objetada por um dos presentes, mas devido ao escasso tempo o assunto não pode ser tratado e concluído satisfatoriamente, pois já estávamos saindo da área da Cristologia para a área da Soteriologia (a doutrina da salvação), o que não era a proposta da palestra.

Como estávamos presente ao conclave, achamos por bem discorrer sobre o assunto devido à nuvem que pairou no ambiente com a afirmação do palestrante. Assim sendo, iremos enfocar o assunto, realçando-o conforme está intitulado acima.

Não restam dúvidas de que o tratamento de Deus com o homem em todas as eras sempre foi de forma graciosa, inclusive na área redentiva. O fato de Deus criar o homem parecido consigo mesmo, que nós chamamos em Teologia de Imago Dei, isso já nos mostra uma manifestação da Sua graça. De todos os seres que Deus criou o ser humano é o único que traz consigo a imagem de Deus. O jardim do Édem criado por Deus para ser o habitat do homem, foi também um ato gracioso de Deus. Quando surgiu o episódio da queda do homem Deus graciosamente o procurou e tratou do seu pecado, cobrindo a sua nudez com vestes que o próprio Deus confeccionara. Apesar do drama do pecado, o Criador continuou dispensando a sua graça fazendo com que a terra continuasse sendo a habitação do homem com tudo o necessário para a sua sobrevivência, em todos os tempos, o que se chama em Teologia de graça comum.

Tratando-se da questão redentiva que foi justamente a problemática surgida no final da palestra do ilustre teólogo, é de fundamental importância que entendamos que, em todas as épocas, a redenção sempre foi um ato gracioso de Deus com a definição de que esse ato só é manifestado graciosamente em Cristo, isto muito antes do Redentor surgir no cenário mundial como um personagem histórico. Quando o Todo-Poderoso instituiu os decretos relacionados à salvação, um deles definiu que a salvação do pecador seria através do Filho de Deus que encarnaria no futuro, e que morreria pelos pecados dos homens. Em apocalipse 13.8 encontramos que o cordeiro (Cristo) foi morto antes da fundação do mundo. (Veja ainda 1 Pe 1.19,20)

Na história, o assunto começou a ser revelado pela primeira vez ao homem por ocasião da sua queda, conforme encontrado em Gn 3.15. A promessa de que o descendente da mulher iria esmagar a cabeça da serpente, é considerada pelos teólogos como o proto-evangelho, ou seja, a primeira vez em que a mensagem do evangelho foi proclamada para reconciliar o homem com Deus e salvá-lo da perdição eterna provocada pelo pecado. Essa mensagem ganhou mais consistência quando o próprio Deus matou animais e da pele desses animais fez vestimentas para cobrir a nudez do primeiro casal. “E fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu” Gn 3.21. É interessante observar que uma vítima teve de morrer, sangue teve que ser derramado para poder cobrir a nudez do homem. Essa mensagem de redenção através da semente da mulher, tipificada na morte daqueles animais, foi acreditada por Abel, filho de Adão e Eva, que quando cultuou a Deus o fez oferecendo um sacrifício cruento, ou seja, com sangue, que tanto agradou a Deus. “E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta” Gn 4.4. (Veja ainda Hb 11.4). Podemos observar nesses dois episódios e também no costume que os homens redimidos da antiguidade tinham de oferecer sacrifícios com derramamento de sangue no seu relacionamento cultual com Deus, que essa crença se popularizara. Era a poderosa mensagem da salvação graciosa de Deus através do seu Filho Jesus Cristo que, na época, estava sendo anunciada, sendo que Ele ainda não encarnara, mas que o plano redentor estava tendo o seu curso através da progressividade da revelação divina. Na época patriarcal nos é revelado na Bíblia que Abraão creu em Deus e que pela fé foi justificado. Qual foi a mensagem que alcançou Abraão? Em Gálatas 3.8, encontramos: “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti”. O apóstolo Paulo nos diz que foi a promessa do descendente da mulher que iria abençoar todas as famílias da terra e que essa descendência era Cristo “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” Gl 3.16. Com o advento da lei mosaica o sistema sacrificial foi instituído por ordem de Deus como tipo do que iria acontecer quando o Verbo de Deus encarnasse, principalmente o sacrifício da Páscoa. Tanto é assim que o Senhor Jesus, o Redentor, foi identificado pelo seu precursor João Batista como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, fazendo alusão ao cordeiro que era sacrificado na festividade da Páscoa judaica (Jo 1.29). Lembremo-nos de que Paulo chamou de Jesus a nossa Páscoa, que fora sacrificado por nós (1 Co 5.7). Ainda sobre o assunto da progressividade da revelação e de que ela falava do Redentor que haveria de vir, o evangelista Lucas registrou o seguinte acerca da ministração que o Senhor fez ao coração dos dois discípulos a caminho da aldeia de Emaús: “E, começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a seu respeito em todas as Escrituras” Lc 24.27. O apóstolo Paulo quando tentava persuadir os judeus acerca da salvação, falava da exclusividade de Cristo constante da revelação até então conhecida: “Tendo marcado um dia, muitos foram encontrar-se com ele em sua casa. Desde a manhã até a noite, Paulo lhes explicava com bom testemunho o reino de Deus e procurava convencê-los acerca de Jesus, tanto pela Lei de Moisés como pelos Profetas” At 28.23 (A Lei de Moisés era uma expressão usada na época para fazer referência ao Pentateuco, inclusive o livro de Gênesis).

Queremos com isso afirmar que, mesmo antes da encarnação do Verbo de Deus ou da manifestação da Sua graça através do Cristo histórico, a salvação sempre foi um ato gracioso de Deus através daquele que haveria de vir na plenitude dos tempos, como disse Paulo em Gal 4.4,5. Nas épocas pré-patriarcal, patriarcal e pós-patriarcal sempre a salvação foi anunciada através das profecias diretas acerca de Cristo, o Redentor, através dos tipos e das figuras usadas por Deus como parte da revelação messiânica. Na carta aos Hebreus nos é dito, em seu início, que Deus sempre falou ao homem através dos seus servos e profetas de muitas maneiras (Hb 1.1). Nessa fala de Deus o plano redentor estava sendo anunciado através das profecias, dos tipos e das figuras ao longo da história mui especialmente depois da organização do estado israelita e da entrega da lei, da construção do tabernáculo, da instituição do sacerdócio, e da instituição do sistema sacrificial, sendo o povo israelita destinado por Deus para ser o agente propagador da mensagem redentora. “Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome: anunciai a sua salvação de dia em dia. Anunciai entre as nações a sua glória; entre todos os povos as suas maravilhas” Sl 96.2,3.

No Novo Testamento, quando o Verbo de Deus encarnou, essa exclusividade de Cristo como único Redentor, ficou mais patenteada como observamos nos textos que falam da anunciação do nascimento do Senhor (Mt 1.21; Lc 2.11), no testemunho do próprio Jesus no Evangelho de João 14.6; 11.25,26, no testemunho de Pedro em At 4.12 e nos escritos apostólicos de Paulo (1 Tm 2.5), Pedro (1 Pe 1.18-20) e João (Jo 3.16,17; 1 Jo 5.10-12; Ap 1.5; 5.9).

Num contexto missiológico, ninguém estar autorizado a declarar que Deus, por ser gracioso, salva as pessoas que não tiveram a oportunidade de ouvir o Evangelho, e que a salvação é pela graça de Deus sem complementar que essa graça se manifesta através de Cristo. O apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos disse que o homem é indesculpável diante de Deus, pois ele tem ao seu dispor a revelação natural que testifica do Deus Criador (Rm 1.18-32). Paulo disse também nessa mesma carta que os que sem lei pecaram sem lei perecerão (Rm 2.12).

Se no plano eterno de Deus foi decretado que a salvação seria através do sacrifício do Filho de Deus, e que o Cordeiro (Cristo) na mente divina já tinha realizado o sacrifício pelos pecados antes que houvesse mundo (Ap 13.8), e que os eleitos que seriam alcançados também já tinham sido identificados e preordenados para a salvação antes que o mundo viesse a existir, e que os seus nomes já estão escritos no livro da Vida (Ap 17.8) não há dúvidas de que a exclusividade de Cristo como Redentor é definida, mesmo levando-se em consideração a progressividade da revelação desse assunto ao longo da história da redenção do homem, pois Deus nunca teve mais de uma maneira de tratar com o homem no seu plano redentor senão através de Cristo.

Resumindo queremos dizer que a salvação sempre foi um ato gracioso de Deus através de Cristo e que, antes da encarnação de Cristo, as pessoas para ser salvas deviam crer naquele que haveria de vir e depois dela elas são salvas crendo no Cristo que já veio.

“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” Rm 11.33.

João Pessoa, junho de 2009

Rev. Eudes Lopes Cavalcanti (Ministro Congregacional da ALIANÇA)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A fé da pessoa salva os seus parentes?

Josafá, rei de Judá, da casa de Davi, era um rei piedoso. Ele assumiu o reino com a idade de trinta e cinco anos e reinou vinte e cinco anos. A Bíblia dá o seguinte testemunho dele: “E o Senhor foi com Josafá, porque andou nos primeiros caminhos de Davi, seu pai, e não buscou a Baalim. Antes buscou ao Deus de seu pai, e andou nos seus mandamentos, e não segundo as obras de Israel” 2 Cr 17.3,4. Esse rei preocupou-se em fazer com que o povo do seu reino andasse nos caminhos do Senhor e para isso designou mestres que ensinaram aos israelitas a lei do Senhor. “E ensinaram em Judá e tinham consigo o livro da lei do Senhor; e rodearam todas as cidades de Judá, e ensinaram entre o povo” 2 Cr 17.9. Depois de uma grandiosa obra que realizou e de grandes vitórias que Deus lhe dera, Josafá veio a falecer com a idade de sessenta anos e o seu filho Jeorão reinou em seu lugar.
Jeorão assumiu o reinado de Judá com a idade de trinta e dois anos e reinou oito anos sobre o povo de Deus. Diferentemente de seu pai, Jeorão viveu uma vida de pecado, caindo na idolatria, inclusive, assassinando os seus irmãos, e pior ainda, levou o povo de Deus a afastar-se do Senhor, incentivando a idolatria.
Esse rei, filho de um pai piedoso (crente), foi ferido por Deus com uma terrível enfermidade e morreu na impiedade e o texto bíblico nos diz que ele foi-se e não deixou saudades. “E... foi-se sem deixar de si saudades algumas;...” 2 Cr 21.20.
Queremos irmãos afirmar com o exemplo acima, e com outros encontrados na Bíblia Sagrada, com segurança, que o fato de um membro da família ser crente não é nenhuma garantia de que os outros parentes inevitavelmente serão crentes também. Deus não fez nenhuma promessa nessa direção. A salvação é um mistério de Deus, e só Ele sabe a quem escolheu para essa finalidade. E a escolha de Deus não está condicionada a crença de ninguém. Ela é baseada na sua livre graça e soberania. Ele escolhe a quem quer e rejeita a quem quer (Rm 9.18). Tratando-se do lar, onde existe cônjuge crente ou descrente, o apóstolo Paulo, disse: “Porque, donde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, donde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher? 1 Co 7.16. Se houvesse uma promessa de Deus, Paulo não iria levantar essa dúvida, pois o próprio apóstolo disse que todas as promessas de Deus são sim (2 Co 1.20), o que Deus prometeu ele infalivelmente cumprirá.
Tratando do texto de Atos 16.31, onde se lê “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu, e a tua casa”, é preciso interpretá-lo corretamente a luz da doutrina, pois a Bíblia explica a própria Bíblia: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu” é a promessa de Deus para todos (Ef 2.8). “e a tua casa” foi uma promessa especifica de Deus para o carcereiro de Filipos, mas não é promessa para todos os que crêem em Cristo.
É obrigação dos pais, dos cônjuges e dos filhos orarem pelos seus parentes descrentes, mas todos devem entender que na área da salvação esse assunto é da inteira competência de Deus.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A GRAÇA DIVINA

Graça, segundo se extrai do estudo das Sagradas Escrituras, é o favor de Deus dispensado ao homem, que não tem merecimento algum.
Ao refletir sobre o assunto, três coisas devem ser consideradas: a primeira é que Deus é o Deus gracioso, ou seja, é o Deus que dispensa o seu favor aos seres humanos independente de merecimento que os mesmos possam ter. A Bíblia revela que Deus é o Deus de toda a graça (1 Pe 5.10); que essa graça é manifestada de forma especial com a encarnação do Verbo (o Senhor Jesus Cristo). “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”. (Jo 1.14). “Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1.17).
A segunda coisa a considerar é que no ser humano não há merecimento algum para receber as bênçãos decorrentes da graça de Deus, considerando que todos se inabilitaram por causa do pecado. “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” Rm. 3.23.“Porque eu sei – disse o apóstolo Paulo – que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum...” Rm 7.18. Por causa desse demérito provocado pela condição pecaminosa do homem, ele não pode ter as coisas senão como dádivas graciosas de Deus.“Ninguém pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada” Jo 3.27.
A terceira coisa é que Deus tem prazer em dispensar o seu favor ou a sua graça ao ser humano, e que a recepção das dádivas de Deus é feita pela fé no Senhor Jesus Cristo. Deus estabeleceu a fé como instrumento de que o homem deve usar para receber as Suas bênçãos, principalmente a salvação. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Ef. 2.8), aliás, a própria fé é gerada no coração das pessoas como uma dádiva graciosa de Deus. No livro de Judas, esse escritor sacro nos diz que a fé foi dada por Deus uma vez por todas aos crentes em Cristo. Jd 3.
Assim sendo, queridos irmãos, procuremos agradecer a Deus por tudo o que somos e por tudo o que temos, muito ou pouco. Procuremos ainda viver uma vida que agrade ao Senhor para que essa graça possa fluir com mais intensidade em nossas vidas, pois Deus estabeleceu também o caminho da santidade de vida para que isso possa acontecer. “Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus e faz a sua vontade, a esse ouve” (Jo. 9.31). “Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade” Hb 12.28.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O Plano de Deus para a Salvação do Homem


Em tudo na vida devemos ser objetivo e prático. Isso também se aplica na obra de evangelização pessoal. A fim de sermos eficazes na obra de evangelização precisamos conhecer de forma lógica e encadeada o plano de Deus para a redenção do ser humano. Esse plano maravilhoso compõe-se de cinco etapas ou partes. Conhecendo-as, bem como os textos bíblicos básicos que as suportam, torna-se mais objetiva e eficaz a pregação do Evangelho, especialmente no compartilhamento das boas novas de salvação as pessoas, de forma individual.
1) O primeiro ponto que se deve enfocar é mostrar ao ouvinte que todos os seres humanos são pecadores aos olhos de Deus, inclusive ele. A Bíblia é clara em mostrar essa importante verdade. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” Rm 3.23. Em Romanos encontramos ainda: “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” Rm 5.12. Esses dois textos mostram a terrível realidade do pecado na vida do ser humano. Ainda na carta aos Romanos (6.23) nos é dito que o salário do pecado é morte. Isto quer dizer que quando o ser humano nasce já nasce pecador, morto em seus delitos e pecados, corrompido pelo pecado, destituído da glória de Deus, e debaixo de condenação. (Veja ainda Sl 51.5; Is 64.6; Rm 3.9-18; Tg 1.15).
2) O segundo ponto que deve ser mostrado ao ouvinte é que apesar dele ser pecador Deus o ama e deseja salvá-lo. O amor de Deus pelos seres humanos é algo que não se consegue explicar, pois o homem desprezou a Deus quando optou ouvir a voz do diabo no Édem. A Bíblia fala do amor de Deus desta maneira: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” Jo 3.16. Em Romanos encontramos sobre o assunto: “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” Rm 5.8. No Evangelho de João ainda encontramos a revelação de que o próprio Pai nos ama (Jo 16.27). Em Apocalipse lemos: “E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Aquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados” Ap 1.5. (Veja ainda Ez 18.32; 1 Jo 3.2).
3) O terceiro ponto que deve ser falado ao ouvinte é que o Senhor Jesus morreu na cruz do Calvário pelos pecadores, inclusive por ele. A Bíblia nos revela que Jesus veio a este mundo com o expresso propósito de entregar a sua vida para salvar o pecador da perdição eterna. “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” Lc 19.10. A morte de Jesus na cruz do Calvário foi um sacrifício vicário, isto é, em favor dos outros. Jesus não morreu por uma causa ou por um ideal, ou por si mesmo, mas para remover os nossos pecados, salvando-nos da condenação, pois nos é dito que o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos” Is 53.5,6. Os pecados das pessoas só seriam perdoados ou expurgados com derramamento de sangue. “E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão” Hb 9.22. “Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma” Lv 17.11. Para se tornar realidade essa escrituras Jesus derramou o seu precioso sangue para tirar os nossos pecados. Ele realizou um único e perfeito sacrifício, aceito por Deus, para salvar o ser humano da condenação do pecado. “Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus” Hb 10.12. “Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação” Hb 9.28. “E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem” Hb 5.9. O preço da redenção eterna do ser humano já foi pago por Jesus, quando no Calvário derramou o seu precioso sangue. “... e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” 1 Jo 1.7. “... Aquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados” Ap 1.5. “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” 1 Pe 1.18,19. (Veja ainda Mt 1.21; Jo 1.29; 1 Pe 3.18).
4) O quarto ponto que deve ser enfatizado é que a salvação realizada por Cristo na cruz e oferecida gratuitamente por Ele deve ser aceita pela fé. No seu plano eterno Deus estabeleceu que a fé fosse o meio que o pecador deve usar para receber a salvação proporcionada pela obra de Cristo na cruz do Calvário. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; Não vem das obras, para que ninguém se glorie” Ef 2.8,9. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” Jo 1.12,13. No Novo Testamento encontramos um homem pedindo orientação ao apóstolo Paulo sobre como poderia ser salvo, a resposta dada foi que ele deveria depositar a sua fé em Cristo: “E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” At 16.30,31. Quando o Senhor Jesus deu a Igreja a grande comissão de pregar o Evangelho disse que quem cresse seria salvo: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” Mc 16.15,16. (Veja ainda Rm 1.16,17; Jo 3.16; 5.24; Rm 10.8-11).
5) O quinto ponto que deve ser notificado ao ouvinte é que uma vez crendo na obra redentora de Cristo e aceitando a Jesus como Salvador ele passa a experimentar neste mundo a salvação de Deus. No seu programa eterno Deus definiu que quando a pessoa cresse em Cristo de coração e o recebesse como Salvador essa pessoa receberia instantaneamente a salvação eterna. Isto quer dizer que cumpridas as etapas anteriores o pecador, outrora perdido, mas, agora remido, passa a usufruir desse dom de Deus. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” Rm 6.23. Essa certeza não deve ser baseada em sentimentos, mas, nas infalíveis promessas de Deus. “... para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” Jo 3.16. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome”. “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” 1 Jo 5.11,12. “Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso o mundo não nos conhece; porque não o conhece a ele. Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” 1 Jo 3.1,2. (Veja ainda 1 Jo 5.11-13; Rm 8.1; 2 Co 5.17).
Este plano conforme exposto acima quando apresentado ao pecador com oração poderá ser extremamente eficaz graças à instrumentalidade do Espírito Santo que foi dado a Igreja para ajudá-la a testemunhar da graça redentora de Cristo.
(Contribuição do Pastor Eudes Lopes Cavalcanti) - Agosto de 2009

sábado, 6 de junho de 2009

A Exclusividade da Graça de Deus em Cristo

Numa recente palestra sobre a Cristologia, ministrada por um jovem teólogo brasileiro, autor de um livro que está chegando ao mercado evangélico e que aborda sobre a deidade de Cristo, no final da mesma, o autor fez uma menção sobre a salvação só pela graça divina. Até ai tudo bem, mas uma preocupação patenteou-se quando ele afirmou que as pessoas que não tiveram o privilégio de ouvir falar do Cristo histórico eram salvas pelo favor imerecido que Deus dispensa ao homem pecador (a graça de Deus). A afirmação do jovem teólogo foi objetada por um dos presentes, mas devido ao escasso tempo o assunto não pode ser tratado e concluído satisfatoriamente, pois já estávamos saindo da área da Cristologia para a área da Soteriologia (a doutrina da salvação), o que não era a proposta da palestra.
Como estávamos presente ao conclave, achamos por bem discorrer sobre o assunto devido à nuvem que pairou no ambiente com a afirmação do palestrante. Assim sendo, iremos enfocar o assunto, realçando-o conforme está intitulado acima.
Não restam dúvidas de que o tratamento de Deus com o homem em todas as eras sempre foi de forma graciosa, inclusive na área redentiva. O fato de Deus criar o homem parecido consigo mesmo, que nós chamamos em Teologia de Imago Dei, isso já nos mostra uma manifestação da Sua graça. De todos os seres que Deus criou o ser humano é o único que traz consigo a imagem de Deus. O jardim do Édem criado por Deus para ser o habitat do homem, foi também um ato gracioso de Deus. Quando surgiu o episódio da queda do homem Deus graciosamente o procurou e tratou do seu pecado, cobrindo a sua nudez com vestes que o próprio Deus confeccionara. Apesar do drama do pecado, o Criador continuou dispensando a sua graça fazendo com que a terra continuasse sendo a habitação do homem com tudo o necessário para a sua sobrevivência, em todos os tempos, o que se chama em Teologia de graça comum.
Tratando-se da questão redentiva que foi justamente a problemática surgida no final da palestra do ilustre teólogo, é de fundamental importância que entendamos que, em todas as épocas, a redenção sempre foi um ato gracioso de Deus com a definição de que esse ato só é manifestado graciosamente em Cristo, isto muito antes do Redentor surgir no cenário mundial como um personagem histórico. Quando o Todo-Poderoso instituiu os decretos relacionados à salvação, um deles definiu que a salvação do pecador seria através do Filho de Deus que encarnaria no futuro, e que morreria pelos pecados dos homens. Em apocalipse 13.8 encontramos que o cordeiro (Cristo) foi morto antes da fundação do mundo. (Veja ainda 1 Pe 1.19,20)
Na história, o assunto começou a ser revelado pela primeira vez ao homem por ocasião da sua queda, conforme encontrado em Gn 3.15. A promessa de que o descendente da mulher iria esmagar a cabeça da serpente, é considerada pelos teólogos como o proto-evangelho, ou seja, a primeira vez em que a mensagem do evangelho foi proclamada para reconciliar o homem com Deus e salvá-lo da perdição eterna provocada pelo pecado. Essa mensagem ganhou mais consistência quando o próprio Deus matou animais e da pele desses animais fez vestimentas para cobrir a nudez do primeiro casal. “E fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu” Gn 3.21. É interessante observar que uma vítima teve de morrer, sangue teve que ser derramado para poder cobrir a nudez do homem. Essa mensagem de redenção através da semente da mulher, tipificada na morte daqueles animais, foi acreditada por Abel, filho de Adão e Eva, que quando cultuou a Deus o fez oferecendo um sacrifício cruento, ou seja, com sangue, que tanto agradou a Deus. “E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta” Gn 4.4. (Veja ainda Hb 11.4). Podemos observar nesses dois episódios e também no costume que os homens redimidos da antiguidade tinham de oferecer sacrifícios com derramamento de sangue no seu relacionamento cultual com Deus, que essa crença se popularizara. Era a poderosa mensagem da salvação graciosa de Deus através do seu Filho Jesus Cristo que, na época, estava sendo anunciada, sendo que Ele ainda não encarnara, mas que o plano redentor estava tendo o seu curso através da progressividade da revelação divina. Na época patriarcal nos é revelado na Bíblia que Abraão creu em Deus e que pela fé foi justificado. Qual foi a mensagem que alcançou Abraão? Em Gálatas 3.8, encontramos: “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti”. O apóstolo Paulo nos diz que foi a promessa do descendente da mulher que iria abençoar todas as famílias da terra e que essa descendência era Cristo “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” Gl 3.16. Com o advento da lei mosaica o sistema sacrificial foi instituído por ordem de Deus como tipo do que iria acontecer quando o Verbo de Deus encarnasse, principalmente o sacrifício da Páscoa. Tanto é assim que o Senhor Jesus, o Redentor, foi identificado pelo seu precursor João Batista como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, fazendo alusão ao cordeiro que era sacrificado na festividade da Páscoa judaica (Jo 1.29). Lembremo-nos de que Paulo chamou de Jesus a nossa Páscoa, que fora sacrificado por nós (1 Co 5.7). Ainda sobre o assunto da progressividade da revelação e de que ela falava do Redentor que haveria de vir, o evangelista Lucas registrou o seguinte acerca da ministração que o Senhor fez ao coração dos dois discípulos a caminho da aldeia de Emaús: “E, começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a seu respeito em todas as Escrituras” Lc 24.27. O apóstolo Paulo quando tentava persuadir os judeus acerca da salvação, falava da exclusividade de Cristo constante da revelação até então conhecida: “Tendo marcado um dia, muitos foram encontrar-se com ele em sua casa. Desde a manhã até a noite, Paulo lhes explicava com bom testemunho o reino de Deus e procurava convencê-los acerca de Jesus, tanto pela Lei de Moisés como pelos Profetas” At 28.23 (A Lei de Moisés era uma expressão usada na época para fazer referência ao Pentateuco, inclusive o livro de Gênesis).
Queremos com isso afirmar que, mesmo antes da encarnação do Verbo de Deus ou da manifestação da Sua graça através do Cristo histórico, a salvação sempre foi um ato gracioso de Deus através daquele que haveria de vir na plenitude dos tempos, como disse Paulo em Gal 4.4,5. Nas épocas pré-patriarcal, patriarcal e pós-patriarcal sempre a salvação foi anunciada através das profecias diretas acerca de Cristo, o Redentor, através dos tipos e das figuras usadas por Deus como parte da revelação messiânica. Na carta aos Hebreus nos é dito, em seu início, que Deus sempre falou ao homem através dos seus servos e profetas de muitas maneiras (Hb 1.1). Nessa fala de Deus o plano redentor estava sendo anunciado através das profecias, dos tipos e das figuras ao longo da história mui especialmente depois da organização do estado israelita e da entrega da lei, da construção do tabernáculo, da instituição do sacerdócio, e da instituição do sistema sacrificial, sendo o povo israelita destinado por Deus para ser o agente propagador da mensagem redentora. “Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome: anunciai a sua salvação de dia em dia. Anunciai entre as nações a sua glória; entre todos os povos as suas maravilhas” Sl 96.2,3.
No Novo Testamento, quando o Verbo de Deus encarnou, essa exclusividade de Cristo como único Redentor, ficou mais patenteada como observamos nos textos que falam da anunciação do nascimento do Senhor (Mt 1.21; Lc 2.11), no testemunho do próprio Jesus no Evangelho de João 14.6; 11.25,26, no testemunho de Pedro em At 4.12 e nos escritos apostólicos de Paulo (1 Tm 2.5), de Pedro (1 Pe 1.18-20) e de João (Jo 3.16,17; 1 Jo 5.10-12; Ap 1.5; 5.9).
Num contexto missiológico, ninguém estar autorizado a declarar que Deus, por ser gracioso, salva as pessoas que não tiveram a oportunidade de ouvir o Evangelho, e que a salvação é pela graça de Deus sem complementar que essa graça se manifesta através de Cristo. O apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos disse que o homem é indesculpável diante de Deus, pois ele tem ao seu dispor a revelação natural que testifica do Deus Criador (Rm 1.18-32). Paulo disse também nessa mesma carta que os que sem lei pecaram sem lei perecerão (Rm 2.12).
Se no plano eterno de Deus foi decretado que a salvação seria através do sacrifício do Filho de Deus, e que o Cordeiro (Cristo) na mente divina já tinha realizado o sacrifício pelos pecados antes que houvesse mundo (Ap 13.8), e que os eleitos que seriam alcançados também já tinham sido identificados e preordenados para a salvação antes que o mundo viesse a existir, e que os seus nomes já estão escritos no livro da Vida (Ap 17.8) não há dúvidas de que a exclusividade de Cristo como Redentor é definida, mesmo levando-se em consideração a progressividade da revelação desse assunto ao longo da história da redenção do homem, pois Deus nunca teve mais de uma maneira de tratar com o homem no seu plano redentor senão através de Cristo.
Resumindo queremos dizer que a salvação sempre foi um ato gracioso de Deus através de Cristo e que, antes da encarnação de Cristo, as pessoas para ser salvas deviam crer naquele que haveria de vir e depois dela elas são salvas crendo no Cristo que já veio.
“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” Rm 11.33.
João Pessoa, junho de 2009
Rev. Eudes Lopes Cavalcanti (Ministro Congregacional da ALIANÇA)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Jesus, Salvador e Senhor


A Bíblia identifica o Senhor Jesus como o Salvador do mundo. “Esta é uma palavra fiel e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”. 1 Tm 1.15. Jesus veio a este mundo para oferecer a sua preciosa vida pelos pecados da humanidade “mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à desta de Deus.” Hb 10.12.
Segundo a Palavra de Deus, que é a verdade absoluta, a salvação só pode ser obtida quando o indivíduo arrependido aceita e crer em Jesus como salvador. “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome”. Jo 1.12. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus”. Ef 2.8. Não existe outra maneira da pessoa se reconciliar com Deus a não ser através de Jesus Cristo. “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”. At 4.12. “E tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo e nos deu o ministério da reconciliação”. 2 Co 5.18.
Mas ainda, segundo a Bíblia, Jesus ressuscitou dos mortos para ser Senhor de vivos e mortos. “Foi para isto que morreu Cristo e tornou a viver; para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos”. Rm 14.9.
A palavra Senhor, no Novo Testamento, quando se refere a Jesus Cristo, significa, dono, dominador, aquele que tem toda a autoridade, .... É significativo que esse título está ligado ao estado de exaltação de Cristo. Em Filipenses 2.10, 11, encontramos: “para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai”.
Agora, amados irmãos, sendo Jesus Senhor, inclusive soberano Senhor, como se encontra a nossa relação como servo desse Senhor? Muitos crentes aceitaram a Cristo como Salvador mas na experiência do cotidiano da vida cristã demonstram que ainda não o aceitaram como Senhor, como Aquele que domina, controla e dirige as suas vidas.
Não há como separar o binômio Salvador – Senhor. A pessoa de Jesus é ambas as coisas. Nós que, pela graça de Deus, um dia já recebemos a Jesus como Salvador precisamos agora completar o ciclo, ou seja, aceitá-Lo e considerá-Lo como Senhor, ou seja, submetermos as nossas vidas ao Seu senhorio.

domingo, 16 de novembro de 2008

A Graça de Deus

Graça significa favor dispensado por Deus aos homens que, por causa do seu estado pecaminoso, de miséria espiritual, não têm merecimento algum. A palavra é de origem grega (charis) e tem entre outros significados o de dádiva ou dom.
É sabido pelas Escrituras que o homem não tem nada em si mesmo que venha a atrair o favor de Deus para a sua vida, pois ele é pecador aos olhos do Senhor, culpado, estando afastado de Deus e morto em seus delitos e pecados. “Pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” Rm 3.23.
A Bíblia Sagrada ainda nos revela que em Cristo a graça de Deus se tem manifestado (Tt 2.11). Isto quer dizer que tudo que o homem tem e possa ter é por concessão divina mediante os méritos de Cristo. Os méritos do grande Mediador é a única causa de termos o favor de Deus. João Batista disse que ninguém pode receber coisa alguma se do Céu não lhe for dada (Jo 3.27). Tiago, o irmão do Senhor, disse que toda a boa dádiva e todo o dom perfeito descem dos Céus, de Deus, para o homem. Tg 1.17.
A graça de Deus proporciona ao homem, através de Cristo, tudo o que pode fazê-lo verdadeiramente feliz, tanto neste mundo quanto na eternidade. Vejamos o que essa grandiosa graça nos proporciona, gratuitamente, em Cristo:
1) A graça nos proporciona perdão – O perdão dos pecados do homem é concedido graciosamente por Deus àquele que crê em Cristo. “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” Ef 1.7. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” Ef 2.8.
2) A graça nos proporciona libertação – O homem está escravizado pelo pecado, mas quando ele crê em Cristo a graça de Deus o liberta dessa escravidão. “ E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” Jo 8.32. “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres” Jo 8.36.
3) A graça nos proporciona restauração – O homem carcomido internamente pelo pecado, afastado de Deus, é restaurado a comunhão do Altíssimo unicamente pela graça. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” 2 Co 5.17. “E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo e nos deu o ministério da reconciliação” 2 Co 5.18.
4) A graça nos proporciona vida abundante – O homem está morto em seus delitos e pecados, mas quando recebe a graça de Deus em sua vida, ele passa a experimentar a verdadeira vida, vida abundante, vida feliz neste mundo e na eternidade. “Ele vos deu vida estando vós mortos em delitos e pecados” Ef 2.1. “E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará das minhas mãos” Jo 10.28. “ ... Eu vim para que tenha vida e a tenham com abundância” Jo 10.10.
5) A graça nos proporciona provisões – Deus prometeu provisionar todas as coisas para que os seus filhos tivessem as suas necessidades supridas neste mundo. “Porque o Senhor Deus é um sol e escudo; o Senhor dará graça e glória; não negará bem algum aos que andam na retidãoSl 84.11. “Mas buscai o reino de Deus e a sua justiça e as demais coisas vos serão acrescentadas” Mt 6.33.
Amados, glorifiquemos a Deus pela sua abundante graça.

sábado, 19 de julho de 2008

O Crente Perde a Salvação?


Alguns grupos evangélicos ensinam que o crente perde a salvação, baseado na interpretação errônea de versículos isolados da Bíblia, tais como: Ap 3.5; Mt 10.22; Mt 25.30; Hb 6.4-6; Hb 10.29 e Sl 51.11. Tal ensino não está de acordo com o ensino geral das Santas Escrituras sobre o assunto. Considerando que a Bíblia não se contradiz, em virtude de ter sido verbal e plenariamente inspirada por Deus, conforme registros encontrados em 2 Tm 3.16 e 2 Pe 1.20, 21, é necessário que analisemos o assunto em seu escopo geral, conforme revelado na doutrina cristã.

A Bíblia é clara, em sua doutrina, em afirmar que a salvação do crente é eterna, não só no sentido de que o seu possuidor terá uma vida sem fim no porvir, mas também no sentido de que aquele que realmente a recebeu nunca mais a perderá. O Senhor Jesus afirmou categoricamente que “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” Jo 6.37.

A salvação do crente é eterna porque, no momento que ela vem à vida de uma pessoa, acontecem alguns atos instantâneos da graça de Deus, atos esses irreversíveis, porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento (Rm 11.29), cujas dimensões são eternas. Além disso, a salvação do crente não foi obra de um acaso, mas obedeceu a um plano previamente estabelecido por Deus, conforme o registro de Ef 1.4-12.

Vejamos algumas razões porque o crente não perde a salvação:

1º) O Crente foi escolhido (eleito) por Deus, para a salvação desde os tempos eternos

A Salvação do crente não foi obra do acaso, um caso fortuito, mas parte dum plano estabelecido por Deus antes que o mundo fosse mundo. Antes dos tempos eternos, Deus, no Seu propósito e graça, escolheu, de maneira soberana, sem depender de fé prevista ou boas ações, um grupo de pessoas, que é a Sua Igreja, para nele mostrar o beneplácito de sua Graça aos vasos de misericórdia, os quais preparou de antemão. Essa gloriosa doutrina chamada de Predestinação, refutada por alguns, mas nunca contestada eficazmente, que dá a Deus toda a glória pela redenção do homem, desde a procura de Deus pelas ovelhas perdidas, passando pela convicção de pecado, pela concessão da fé salvadora, pela chamada eficaz, pela salvação efetiva, pela perseverança do crente até o estado final de glorificação, é uma das grandes razões porque o crente jamais perderá a salvação. Vejamos alguns textos que sustentam a eleição da graça: “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conforme a imagem de seu filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou”. Rm 8.29-30. “Como também nos elegeu (escolheu) nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” Ef 1.4. “E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” Rm 8.28. “Mas nós devemos dar graças a Deus por vós, irmãos, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, mediante a santificação do Espírito e fé na verdade e para isso vos chamou pelo Evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo” 2 Ts 2.13, 14. “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos” 2 Tm 1.9. “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo...” 1 Pe 1.2. “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo” 1 Ts 5.9. “...e creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna” At 13.48. “E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido” Jo 6.65. “Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer...” Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim” Jo 6.44, 45. Ainda existe na Bíblia inúmeros textos que tratam do assunto da eleição do crente para a salvação, mas os citados são bastante para mostrar que a salvação para aquele que a recebe tem dimensão eterna e que jamais se perderá, uma vez que ela foi efetivamente concretizada.

2º) O Crente nasceu de Novo

No ato da conversão, uma nova vida foi gerada pelo Espírito Santo no interior do crente. A vida de Deus foi infundida na alma do homem pelo Espírito Santo, fazendo-a renascer e conseqüentemente transformando a pessoa em uma nova criatura. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” 2 Co 5.17. Essa vida tem dimensão eterna, isto é, quem nasceu de novo, do Espírito Santo, do alto, jamais morrerá espiritualmente nem eternamente. “Mas a todos quantos O receberam, aos que crêem no Seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade do varão, mas de Deus” Jo 1.12, 13. Paulo escrevendo a Tito nos revela como essa regeneração se processou na vida do crente: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente, ele derramou sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador,” Tt 3.5,6. Sobre esse novo nascimento, essa nova vida, o Senhor Jesus na conversa que teve com o doutor da Lei, Nicodemos, disse: “Em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus, o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. ... O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito” Jo 3.5-8. O apóstolo Pedro tratou do assunto numa de suas epístolas: “Pelos quais ele nos tem dado as suas preciosas e grandíssimas promessas, para que por elas vos torneis participantes da natureza divina...” 2 Pe 1.4. (Veja ainda 2 Co 3.18; Ef 4.24).

3º) O Crente foi adotado na Família de Deus

No ato da conversão, a pessoa, segundo o propósito eterno de Deus, é adotada como filho de Deus, pela fé no Senhor Jesus Cristo. Essa adoção é irrevogável e irretratável. Não há possibilidade do recuo de Deus porque Ele se interpôs com juramento, mesmo que um dos Seus filhos adotados não ande segundo o que Deus determinou em Sua santa Palavra. Uma vez filho, sempre e eternamente filho. O registro da adoção foi feito no cartório do Céu pelo próprio Deus. Vejamos os textos que tratam da adoção. “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder (direito) de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no Seu nome” Jo. 1.12. “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos Aba, Pai” Rm 8.15. “Porque todos vós os sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus”. Gl 3.26. “Para resgatar os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama: Aba, Pai” Gl 4.5,6. “E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo;...” Rm 8.17. “E nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de Sua vontade” Ef 1.5 (veja ainda Hb 12.5-8; 1 Jo 3.1, 2). Para os filhos que desobedecem a Palavra de Deus, o Pai Celestial tem um programa disciplinar, conforme Hb 12.5-11 que visa restaurar o filho a comunhão do Seu Pai celeste.

4º) O Crente foi selado e é habitado pelo Espírito Santo

No ato da salvação a pessoa é selada pelo Espírito Santo da Promessa, que passa a ser o penhor, isto é, a garantia daquela salvação dada por Deus. “No qual (Cristo) também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória” Ef 1.13, 14. Quando o crente falha, o Espírito Santo, que veio habitar nele no ato de sua salvação, entristece-se, mas não se retira dele porque Ele, segundo o eterno propósito divino, é a garantia da eterna redenção daquela pessoa. “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”. Ef. 4.30. No Antigo Testamento temos a informação de que o Espírito Santo afastava-se da pessoa que falhava, como no caso de Sansão e Saul, registrados em Juízes 16.20 e 1 Samuel 16.14, respectivamente, porque nesses casos Ele não habitava dentro da pessoa, e sim estava sobre elas. Sobre a presença do Espírito Santo dentro do crente, que é uma bênção exclusiva do plano redentor de Deus, é conveniente examinarmos os seguintes textos: “E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama Aba, Pai” Gl 4.6. “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” 1 Co 6.19 (veja ainda 1 Co 3.16; 2 Co 6.16). O Espírito Santo veio habitar para sempre no coração do crente, conforme a promessa do Senhor Jesus, registrada em João 14.16, 17: “E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conhecereis, porque habita convosco, e estará em vós”. (veja ainda Tg 4.5; Rm 8.9, 23).

5º) O Crente foi Resgatado

Éramos escravos do pecado e filhos da ira, mas graças ao Evangelho, no momento em que cremos, fomos resgatados, isto é, houve uma transação, Jesus pagou o preço de nossa redenção. Fomos comprados, remidos por bom preço, o preço do sangue de Jesus. Deus nos arrebatou das garras do pecado e do maligno e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor. Hoje, em Cristo, estamos assentados nas regiões celestiais. Esse resgate aconteceu só uma vez na vida do crente, isto é, no ato de sua conversão. “Cuidai, pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que Ele adquiriu (resgatou) com seu próprio sangue” At 20.28. “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo” 1 Pe 1.18, 19. “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo” 1 Co 6.20. “E cantavam um cântico novo, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo e nação” Ap 5.9 (veja ainda Ef 1.7; 1 Tm 2.6; Rm 3.24).

6º) O Crente foi Justificado diante de Deus

“A justificação é o ato judicial de Deus, mediante o qual aquele que deposita sua confiança em Cristo é declarado justo a Seus olhos, e livre de toda a culpa e punição”. “A justificação começa com o presente na vida do crente, e se estende em duas direções: o passado e o futuro, tratando do pecado e da culpa, de ambas, judicialmente, e estabelece o crente eternamente justo na presença de Deus”. O ato da justificação é imputado pelo próprio Deus ao crente, e a partir daquele ato Deus olha o crente por intermédio do Senhor Jesus Cristo, que é a nossa justiça. Por fraqueza o justo pode até cair em pecado, mas não perderá a posição de justo, outorgada por Deus. O próprio Deus, pelo Seu Espírito, encarregar-se-á de restabelecer a vida daquele que foi justificado. “Porque sete vezes cai o justo, e se levanta...” Pv 24.16. “Aos justos nasce luz nas trevas...” Sl 112.4. “... mas o Senhor sustém os justos” Sl 37.17. A bênção da justificação acompanhará o crente por toda a eternidade, independente de toda e qualquer falha que tenha cometido depois de sua conversão. Vejamos alguns textos que tratam da justificação do crente: “E de todas as coisas de que não pudestes ser justificados pela lei de Moisés, por Ele (Cristo) é justificado todo o que crê” At. 13.39. “Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” Rm 5.1. “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” Rm 3.24. “Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei;...” Gl 2.16. A bênção da justificação é tão grande na vida de um crente que está revelado na Palavra: ”quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica” Rm 8.33. A Bíblia diz que Jesus é o justificador do crente. “Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador daquele que tem fé em Jesus” Rm 8.26.

7ª) A Salvação do Crente está assegurada em Cristo

Se a nossa salvação dependesse de nós certamente que não teríamos condição alguma de permanecer de posse dela, isso devido à natureza adâmica que ainda permanece no crente, e que é propensa ao pecado. A pessoa de bom senso, que tem a mente iluminada pelo Espírito Santo, sabe que a natureza adâmica o acompanhará até a morte. A Bíblia em Tiago 3.2 diz que “todos nós tropeçamos em muitas coisas”, e em 1 Jo 1.8 que “se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós”. O apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos, precisamente no capítulo 7, versículo 7 a 25, mostra a luta espiritual que existe em todo servo de Deus, devido ainda habitarmos num corpo mortal e propenso ao pecado. Diante do exposto, concluímos que jamais o homem pode assegurar a sua salvação em si mesmo, mas graças a Deus, a nossa salvação, ou melhor, a permanência da salvação em nós está assegurada exclusivamente em Cristo. Eis uma das grandes razões porque o crente não perde a salvação se, porventura, vier a cometer alguma falha. No momento que fomos a Cristo e O aceitamos como Único, Suficiente e Eterno Salvador, Ele nos acolheu, transformou a nossa vida, nos adotou em Sua família, nos deu do Seu Espírito, nos selou, nos resgatou, nos justificou e nos deu o dom da permanência ou da perseverança. É Cristo o grande arquiteto, executor e o sustentador de nossa redenção eterna. “Todo o que o Pai me dá virá a mim: e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” Jo 6.37. “E a vontade do Pai que me enviou é esta: que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia” Jo 6.39, “Manifestei o Teu nome aos homens que do mundo me deste; eram Teus, e Tu mos deste, para que sejam um, assim como nós. Estando eu com eles no mundo, guardava-os em Teu nome. Tenho guardado aqueles que me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse” Jo 17.12. Eu não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela Tua palavra hão de crê em mim” Jo 17.19. O Senhor Jesus quando assunto ao Céu, mediante a Sua poderosa intercessão, continua a guardar os Seus. “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” Hb 7.25.

O Crente não pode perder a salvação porque Jesus é o fiador, isto é, aquele que garante eficazmente a transação feita entre o homem e Deus no ato da salvação. “De tanto melhor concerto Jesus foi feito fiador” Hb 7.22.

Amados, considerando as razões citadas, não temos dúvida nenhuma de que a nossa salvação é eterna, também no sentido de que o seu possuidor jamais a perderá, isto porque os “dons e a vocação de Deus são sem arrependimento”, isto é, irretratáveis” (Rm 11.29).

Agora, queridos, é conveniente lembrar que a segurança eterna não é nenhum cartão de autorização para que o crente faça o que quer, muito pelo contrário, todo aquele que é efetivamente salvo procura viver uma vida de santidade. O apostolo João em sua primeira carta nos diz que aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado pois nele permanece a divina semente (1 Jo 3.9; 5.18).

“Graças a Deus pelo Seu dom inefável” 2 Co 9.12.

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