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sexta-feira, 6 de março de 2015

MISSÕES NO ANTIGO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO Entendemos pelo estudo das Sagradas Escrituras que o pecado de nossos primeiros pais (Adão e Eva) atingiu toda a humanidade, sua descendência, conforme Rm 3.23 e Rm 5.12. Entendemos também pelas Escrituras que o programa redentor de Deus, através do Seu Filho Jesus Cristo, alcança toda a humanidade desde os seus primórdios. Isso se deduz da proclamação do Evangelho em sua fase embrionária pelo próprio Deus ao casal Adão e Eva que caíra (Gn 3.15), da promessa feita por Deus a Abraão quando disse que na sua descendência (Cristo) seriam abençoadas todas as famílias da terra (Gn 12.3), da profecia sobre o servo sofredor, proferida por Isaías no capitulo cinquenta e três do seu livro, e da grande comissão quando o Senhor mandou que o Evangelho fosse proclamado a toda a criatura, no mundo inteiro, conforme Mt 28.18-20; Mc 16.15,16; Lc 24.47 e At 1.8. No livro de Apocalipse podemos ver o resultado dessa proclamação em todas as épocas e em toda a face da terra. “Depois destas coisas, olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos” Ap 7.9. Assim sendo, não podemos limitar o programa redentor de Deus apenas a nova dispensação que foi inaugurada com a encarnação do Verbo Divino e sim pensar que Deus sempre teve interesse em alcançar o mundo inteiro com a sua mensagem redentora. Apresentaremos neste artigo a ação poderosa da mensagem redentora na vida de outros povos, no contexto exclusivista judaico, e até antes do aparecimento desse povo. I - MISSÕES NO PERIODO PRÉ PATRIARCAL Antes da chamada de Abraão, através do qual é inaugurada a era patriarcal, o homem já existia na face da terra há milhares de anos. Antes daquele patriarca não existia um povo de Deus exclusivo neste mundo, mas o Senhor tratava com todas as etnias, que passaram a existir com o episódio da torre de Babel e a consequente diversificação das línguas. a) OS PRIMEIROS MISSIONÁRIOS DO ANTIGO TESTAMENTO Se Missões é a disseminação da mensagem redentora entre os seres humanos, os primeiros missionários que existiram entre os homens foram Adão e Eva. Com a falha desse casal, Deus anunciou para eles a mensagem redentora dizendo que da semente da mulher nasceria aquele que esmagaria a cabeça da serpente (Gn 3.15). Essa mensagem proclamada audivelmente por Deus logo após a queda, tipificada com a morte de animais feita pelo próprio Deus, que falava de seu programa redentor através do Cordeiro de Deus que iria ser imolado pelos pecados do mundo no futuro, foi absorvida pelo casal, que a experimentou e a compartilhou com os seus filhos. O resultado dessa obra missionária foi a conversão de Abel, segundo filho de Adão e Eva, que é considerado o primeiro herói da fé, cuja galeria encontra-se em Hebreus 11. Também foi alcançado Sete, outro filho de Adão que deu origem a uma geração piedosa, chamada de filhos de Deus (Gn 6.2). A obra missionária continuou alcançando Enos, que a partir dele o grande nome do Senhor passou a ser invocado. (Gn 4.25,26). Também há de se considerar a vida de Enoque, o sétimo depois de Adão, que foi alcançado, tudo indica, pela obra missionária de Adão, sendo este homem trasladado vivo para o Céu porque agradara a Deus em seu viver de fé (Gn 5.21-24; Hb 11.5). b) A OBRA MISSIONÁRIA REALIZADA POR NOÉ Com o crescimento da humanidade e a consequente corrupção generalizada, Deus resolveu destruir o mundo antigo com água (o diluvio). A obra missionária iniciada por Adão foi sendo disseminada pelos seus descendentes a ponto de Noé ter sido alcançado. A obra da graça de Deus foi tão poderosa na vida daquele homem que Deus se agradou dele, pois as Escrituras nos revelam que Noé andava com Deus. Noé pregou a mensagem redentora durante cento e vinte anos, mas do ponto de vista numérico foi muito acanhado o seu resultado, pois somente oito pessoas, inclusive ele, foram salvas da destruição provocada pelo dilúvio (Gn 6.3,13; 7.13; Hb 11.7; 1 Pe 3.19,20). II – MISSÕES NO PERIODO PATRIARCAL a) O MINISTÉRIO MISSIONÁRIO DE ABRAÃO Abraão era um habitante da cidade de HUR dos caldeus, portanto um idólatra, mas Deus graciosamente o alcançou, fez-lhes promessas preciosíssimas, dentre elas de que, através de um de seus descendentes (o Messias, o Cristo), seriam abençoadas todas as famílias da terra. Abraão recebeu ordem de Deus de sair da sua terra e da sua parentela para viver em Canaã e ali, através de seu exemplo de homem de Deus, monoteísta, adorador de Javé, disseminar a obra transformadora produzida pela mensagem redentora. Observem que Abraão aonde chegava erguia um altar onde adorava ao Deus dos Céus. Mas o grande fruto de sua obra missionária foi o seu filho Isaque que seria o continuador da obra do seu pai. (Gn 12.1-3; 2.63). Outra pessoa alcançada pela obra missionária de Abraão foi o seu servo Eliezer, tornando esse homem num homem de confiança, temente a Deus e piedoso. Abraão, como missionário, lutou com Deus em oração em favor de Sodoma, mas Deus já tinha determinado destruir aquela cidade, e a sua oração não foi atendida, pois o Senhor não encontrou nela sequer dez justos conforme a súplica de Abraão (Gn 18.32). Desse episódio só escaparam da destruição, como fruto da atividade missionária de Abraão, Ló e suas duas filhas e a sua mulher, sendo esta última transformada numa estátua de sal por ter desobedecido a Deus. b) A OBRA MISSIONÁRIA DE JÓ Jó viveu no período patriarcal. Há quem diga que ele foi contemporâneo de Abraão. O livro de Jó faz parte do conjunto de livros conhecidos como livros poéticos devido ao estilo literário dos mesmos. O livro de Jó nos diz em seu início que aquele homem de Deus fez uma grande obra missionária em sua casa, tendo alcançado a sua família. Além de ser um missionário de vida limpa, exemplar, ele era uma pessoa que a muitos ensinara a justiça e fortalecera os joelhos trôpegos. Veja o testemunho dado por Elifaz, um dos seus amigos que viera se condoer com ele, por causa de suas agruras: “Eis que ensinaste a muitos e esforçaste as mãos fracas. As tuas palavras levantaram os que tropeçavam, e os joelhos desfalecentes fortificaste” Jó 4.3,4. c) O MINISTERIO MISSIONÁRIO DE ISAQUE A vida de Isaque foi uma vida pacata como pastor de ovelhas. Houve alguns incidentes, mas o testemunho daquele homem foi o grande legado de sua obra missionária. O seu testemunho de um homem de Deus falava mais alto do que as suas palavras. Isaque também como seu pai Abraão foi um dos heróis da fé. O texto sagrado não nos diz, mas podemos inferir que Isaque testemunhara à sua família da promessa redentora de Deus, pois ele a tinha experimentado. Esse homem de vida limpa e crente na obra redentora é conhecido também como um herói da fé (Hb 11.20). d) O MINISTÉRIO MISSIONÁRIO DE JACÓ A vida de Jacó foi uma vida tumultuada, com fatos pitorescos, e também com outros eticamente inaceitáveis, mas ele também foi agraciado por Deus com a benção da salvação e, depois da visão que teve de uma escada que ligava o céu a terra e a visão de Deus no topo da mesma, fez com que a vida de Jacó tomasse um novo rumo e, a partir daquele maravilhoso momento, ele resolveu viver para a glória de Deus. A partir daí Jacó começou a erigir altares onde adorava a Deus. Isto era visto pela sua família e por todos aqueles que o cercavam. Certamente que o testemunho daquele homem trouxe bênçãos para os seus e para os que o cercavam. Jacó também é computado como um dos heróis da fé (Hb 11.21). III – MISSÕES NO PERÍODO ANTERIOR A MONARQUIA O período anterior à monarquia é composto de dois momentos: um de conquista sob Josué, o sucessor de Moisés e o outro de anarquia, o período dos juízes. Vejamos abaixo dois exemplos de ação missionária, sendo um em cada período anterior a monarquia que seria estabelecida com Saul em Israel. a) A OBRA MISSIONÁRIA NO PERIODO DA CONQUISTA (RAABE e família) Nesse período de aproximadamente sete anos não temos a informação de uma obra efetiva de missões, mas a mensagem de salvação fora propagada por missionários anônimos de tal maneira que os habitantes de Jericó tinham conhecimento da ação poderosa de Deus no Egito, e na vida do Seu povo no percurso entre aquele País e a terra de Canaã (Js 2.9-11). A prostituta Raabe foi alcançada por essa mensagem, temeu a Deus, aceitou e O serviu protegendo os dois espias de Canaã, enviados por Josué, sendo ela também uma missionária, pois falou aos seus parentes sobre o acordo com os espias, e os abrigou em sua casa que fora marcada com um fio de escarlate, que representava a proteção divina, sendo ela e os seus poupados da destruição de Jericó (Js 2.1-24). Mais tarde, Raabe, casa com um crente e dá continuidade à linhagem messiânica (Mt 1.5). b) A OBRA MISSIONÁRIA DE NOEMI No período dos Juízes vemos também em vislumbre uma obra missionária feita por uma serva de Deus chamada Noemi que fora peregrinar nas terras de Moabe, devido a terrível fome que assolava, na época, a terra pertencente à tribo de Judá. Noemi fora com seu marido e dois filhos para aquele país estrangeiro, casando-se os seus filhos com mulheres moabitas. O testemunho de Noemi foi tão poderoso naquela terra estrangeira, com a vida e as palavras, que Rute, a nora moabita, foi alcançada pela mensagem redentora. Rute num momento de decisão optou pelo Deus de Israel, acompanhando sua sogra no seu retorno para a terra de Judá. Rute, a moabita, como Raabe é arrolada na linhagem messiânica, conforme registro de Mateus (Mt 1.5). IV – MISSÕES NO PERIODO MONARQUICO No período monárquico da história de Israel, aconteceram episódios missionários nos reinados de Davi, Salomão e nos dias dos reis Josafá, Ezequias e Josias, quando tiveram ocasião, através destes três últimos reis, poderosos movimentos missionários no Reino de Judá. a) A OBRA MISSIONÁRIA NA ÉPOCA DE DAVI Davi, rei, poeta, músico e cantor, enfatizou muito a obra missionária nacional e também transcultural através de seus salmos, como por exemplo: “A minha boca relatará as bênçãos da tua justiça e da tua salvação todo o dia, posto que não conheça o seu número. Sairei na força do Senhor Deus; farei menção da tua justiça, e só dela” Sl 71.15,16. “Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome; anunciai a sua salvação de dia em dia. Anunciai entre as nações a sua glória; entre todos os povos, as suas maravilhas” Sl 96.2,3. Veja o que diz também o versículo 10 desse mesmo salmo: “Dizei entre as nações: O Senhor reina! O mundo também se firmará para que se não abale. Ele julgará os povos com retidão”. b) A OBRA MISSIONÁRIA NA ÉPOCA DE SALOMÃO No livro de Provérbios que, em sua maior quantidade de capítulos, foi escrito por Salomão há uma ênfase na obra missionária, quando se diz que, quem ganha alma sábio é. “O fruto do justo é árvore de vida, e o que ganha almas sábio é” Pv 11.30. Em Eclesiastes, outro livro escrito por Salomão, encontramos um texto interessante que fala da obra missionária, quando se diz: “Lança o teu pão sobre as águas, porque, depois de muitos dias, o acharás. Reparte com sete e ainda até com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra” Ec 11.1,2. Salomão ainda se envolveu com a obra missionária, no caso transcultural, quando testemunhou diante da rainha de Sabá das grandezas de Deus, fazendo com que aquela mulher exaltasse o grande nome do Deus de Israel. “Então, (ela) disse ao rei: Foi verdadeira a palavra que ouvi na minha terra acerca dos teus feitos e da tua sabedoria. Porém não cria nas suas palavras, até que vim, e meus olhos o viram; e eis que me não disseram a metade da grandeza da tua sabedoria; sobrepujaste a fama que ouvi. Bem-aventurados os teus homens, e bem-aventurados estes teus servos, que estão sempre diante de ti e ouvem a tua sabedoria! Bendito seja o Senhor, teu Deus, que se agradou de ti para te pôr como rei sobre o seu trono, pelo Senhor, teu Deus, porquanto teu Deus ama a Israel, para o estabelecer perpetuamente; e pôs-te como rei sobre eles, para fazeres juízo e justiça” 2 Cr 9.5-8. c) A OBRA MISSIONÁRIA DE JOSAFÁ Josafá governou o Reino de Judá, conhecido também como o Reino do Sul, que se compunha das tribos de Judá e Benjamim, na mesma época em que Acabe governava o reino de Israel, chamado de Reino do Norte, composto das tribos restantes. O piedoso rei Josafá movido pelo Espirito de Deus empreendeu uma poderosa obra missionária em todo o seu reino. Ele comissionou os levitas (componentes da tribo de Levi) a percorrerem o território do seu reino para ensinar ao povo a Lei do Senhor. O resultado da ministração da Palavra de Deus gerou um poderoso avivamento espiritual, uma grandiosa obra da graça onde milhares foram alcançados. “E ensinaram em Judá, e tinham consigo o livro da Lei do Senhor, e rodearam todas as cidades de Judá, e ensinaram entre o povo. E veio o temor do Senhor sobre todos os reinos das terras que estavam em roda de Judá e não guerrearam contra Josafá” 2 Cr 17.9,10. d) A OBRA MISSIONÁRIA DE EZEQUIAS Ezequias foi outro piedoso rei da casa de Davi, que liderou uma poderosa obra missionária no seu reino, conforme registros de 2 Cr 29; 30; 31; e 32. Além da obra de restauração do culto a Javé que fora deteriorada na gestão de seu pai, Acaz. Ezequias convocou, através de uma carta missionária, a todos os habitantes do seu reino bem como algumas tribos do Reino de Israel, os remanescentes, pois esse Reino fora destruído pelos assírios em 722 a.C., a se reunirem em Jerusalém. O resultado desse apelo missionário é que se fez naquela cidade uma celebração só rivalizada a feita nos dias de Salomão. “Foram, pois, os correios com as cartas das mãos do rei e dos seus príncipes por todo o Israel e Judá e segundo o mandado do rei, dizendo: Filhos de Israel, convertei-vos ao Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, para que ele se volte para aqueles de vós que escaparam e escaparam das mãos dos reis da Assíria. E não sejais como vossos pais e como vossos irmãos, que transgrediram contra o Senhor, Deus de seus pais, pelo que os pôs em assolação como o vedes. Não endureçais, agora, a vossa cerviz, como vossos pais; dai a mão ao Senhor, e vinde ao santuário que ele santificou para sempre, e servi ao Senhor, vosso Deus, para que o ardor da sua ira se desvie de vós. Porque, em vos convertendo ao Senhor, vossos irmãos e vossos filhos acharão misericórdia perante os que os levaram cativos e tornarão a esta terra; porque o Senhor, vosso Deus, é piedoso e misericordioso e não desviará de vós o rosto, se vos converterdes a ele... E em Judá esteve a mão de Deus, dando-lhes um só coração, para fazerem o mandado do rei e dos príncipes, conforme a palavra do Senhor. E ajuntou-se em Jerusalém muito povo para celebrar a Festa dos Pães Asmos, no segundo mês; uma mui grande congregação... “E houve grande alegria em Jerusalém, porque, desde os dias de Salomão, filho de Davi, rei de Israel, tal não houve em Jerusalém” 2 Cr 30.6-26. e) A OBRA MISSIONÁRIA DE JOSIAS Josias começou a reinar muito moço sobre Judá, mas desde cedo norteou os seus caminhos segundo os mandamentos do Senhor. A obra realizada por esse piedoso rei começou quando de uma reforma feita no templo de Jerusalém e os reconstrutores encontraram “perdido” o livro da Lei de Deus. O livro lido gerou no coração do Rei Josias um profundo desejo de envolver toda a nação sob o seu controle, especialmente a capital do seu reino, Jerusalém. Veja o que o texto bíblico diz: “Então, o rei convocou e ajuntou todos os anciãos de Judá e Jerusalém. E o rei subiu à Casa do Senhor com todos os homens de Judá e os habitantes de Jerusalém, e os sacerdotes, e os levitas, e todo o povo, desde o maior até ao menor; e ele leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro do concerto, que se tinha achado na Casa do Senhor. E pôs-se o rei em pé em seu lugar e fez concerto perante o Senhor, para andar após o Senhor e para guardar os seus mandamentos, e os seus testemunhos, e os seus estatutos, com todo o seu coração e com toda a sua alma, cumprindo as palavras do concerto, que estão escritas naquele livro. E fez estar em pé a todos quantos se acharam em Jerusalém e em Benjamim; e os habitantes de Jerusalém fizeram conforme o concerto de Deus, do Deus de seus pais. E Josias tirou todas as abominações de todas as terras que eram dos filhos de Israel; e a todas quanto se achara em Israel obrigou a que com tal culto servissem ao Senhor, seu Deus; todos os seus dias não se desviaram de após o Senhor, Deus de seus pais” 2 Cr 34.29-33. V – A OBRA MISSIONÁRIA NO PERÍODO PROFÉTICO a) A OBRA MISSIONÁRIA NA PRÓPRIA NAÇÃO Os profetas dividem-se em profetas da escrita e profetas da palavra. Essa divisão está relacionada ao Cânon Sagrado. Os profetas foram levantados por Deus em época de crise na vida do povo de Israel. Eles ministravam geralmente para um contexto puramente israelita, mas também alcançando outras nações que de alguma maneira tiveram relacionamentos com o povo de Deus. Essas mensagens traziam uma palavra de exortação, ou de edificação ou de consolação. Poderosos profetas foram levantados por Deus, tanto no Reino do Norte como no Reino do Sul, tanto escritores como não escritores. O profeta, por excelência, no que se refere a missões em Israel foi o profeta Isaías, prestando a sua profecia também para o mundo inteiro. Foi ele quem mais falou do Redentor que haveria de vir. Dentre as célebres profecias acerca do Redentor encontramos aquelas de Is 7.14; 9.6,7 e a do capítulo 53 que fala do Messias sofredor, de sua morte expiatória. b) A OBRA MISSIONÁRIA ENTRE OS CATIVOS DE JUDÁ As dez tribos do Norte (o reino de Israel) foram destruídas pelos Assírios em 722 a.C. Os assírios, como tinham por costume, fizeram uma baldeação de povos. Tiraram os judeus do seu território e os espalharam pelo mundo antigo e trouxeram povos estrangeiros e os colocaram no lugar dos judeus, fazendo assim uma miscigenação, dando origem aos samaritanos (2 Rs 17.24-41). O reino de Judá (tribos Judá e Benjamim) foi destruído pelos babilônicos em 586 a.C. Os judeus foram levados cativos pelos caldeus e lá na Babilônia, entre os cativos, trabalharam como missionários os profeta Ezequiel e Daniel, o primeiro no meio do povo e o outro no palácio de Nabucodonosor, Belsazar, Dario e Ciro, enquanto Jeremias ficou ministrando no meio do remanescente que estava em Judá, tudo de acordo com a providência de Deus. Daniel exerceu uma poderosa influencia missionária junto aos mandatários babilônicos (Nabucodonosor e Belsazar) e persas (Dario, Ciro). Veja o que esses reis confessaram sobre o Deus de Daniel: “Então, o rei Nabucodonosor caiu sobre o seu rosto, e adorou a Daniel, e ordenou que lhe fizessem oferta de manjares e perfumes suaves. Respondeu o rei a Daniel e disse: Certamente, o vosso Deus é Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador dos segredos, pois pudeste revelar este segredo” Dn 2.46,47. (Veja ainda Dn 4.34,35). “Então, o rei Dario escreveu a todos os povos, nações e gente de diferentes línguas, que moram em toda a terra: A paz vos seja multiplicada! Da minha parte é feito um decreto, pelo qual em todo o domínio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel; porque ele é o Deus vivo e para sempre permanente, e o seu reino não se pode destruir; o seu domínio é até ao fim. Ele livra, e salva, e opera sinais e maravilhas no céu e na terra; ele livrou Daniel do poder dos leões” Dn 6.25-27. Também podemos mencionar nesse período a ação missionária de Neemias, copeiro do rei da Pérsia, que certamente com a sua vida e com as suas palavras testificou da grandeza do Deus dos Céus, bem como a do sacerdote escriba Esdras que foi o homem usado por Deus para restaurar o culto quando do retorno dos cativos para a sua terra natal. c) A OBRA MISSIONÁRIA TRANSCULTURAL (JONAS) Jonas profetizou no reino do Norte, na época de Jeroboão II, quando aquele reino, sob esse rei, teve um grande desenvolvimento econômico (2 Rs 14.23-28). Deus comissionou Jonas a ir pregar na cidade de Nínive, capital da Assíria, a potência militar da época. O profeta a contra gosto, depois da amarga experiência de ter passado três dias e três noites no ventre do grande peixe por ter desobedecido a Deus na primeira vez que Deus o comissionara, pregou em Nínive, que distava do seu campo de trabalho uns 1.000 quilômetros, entregando uma curta e duríssima mensagem aos habitantes daquela capital. Graciosamente Deus operou de uma maneira tão poderosa que a cidade inteira foi convertida, poupada da destruição. Inexplicavelmente o profeta Jonas não gostou do resultado do seu trabalho. Diante dessa expectativa mesquinha Deus amorosamente lhe deu uma lição onde é enfatizada a sua graça perdoadora e a sua soberania. (Leia o livro de Jonas). CONCLUSÃO Concluímos este artigo enfatizando que o Antigo Testamento, desde o primeiro livro até o último, Malaquias, está permeado de fatos que mostram que missões era uma realidade naquelas épocas passadas. Isso nos mostra a preocupação de Deus em alcançar os seus eleitos que estão espalhados em toda a face da terra, em todas as épocas. Hoje também precisamos entender que o homem é o mesmo, que Deus é o mesmo, que o programa redentor é o mesmo e que existe a necessidade da Igreja, que é a comunidade que tem a responsabilidade de anunciar esse programa redentor, proclame as virtudes salvadoras de Jesus Cristo, pois para isso ela foi comissionada pelo seu Senhor. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sexta-feira, 22 de março de 2013

Comprometidos com a Missão


    Devido ao estado deplorável do homem provocado pelo pecado, Deus graciosamente enviou o Seu Filho ao mundo, em forma humana para, através de sua morte, reconciliar o homem consigo mesmo. “E tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação” 2 Co 5.18,19.
    Essa boa nova de salvação (o Evangelho de Cristo) foi dada como comissão à Igreja (o conjunto dos salvos) para ser proclamada no mundo inteiro, a toda a criatura, pois Deus determinou quem cresse nessa mensagem e a recebesse no coração seria salvo da condenação eterna imposta pelo pecado. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” Rm 6.23. “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” Mc 16.15,16.
    O Senhor Jesus Cristo ainda determinou que os salvos se organizassem em comunidades locais para que as grandes tarefas da Igreja (adoração, edificação, proclamação e beneficência) fossem realizadas a contento, dentre elas, como vimos, a proclamação do Evangelho de Cristo.
    Considerando que as comunidades locais têm como componentes membros e congregados que fizeram um pacto de ser leal a Cristo e, consequentemente, comprometidos com o seu querer, com a sua vontade, devem elas priorizarem em tudo essa obra que é uma comissão expressa de Deus, conforme revelado nos evangelhos de Mateus (Mt 28.18-20), Marcos (Mc 16.15,16), Lucas (Lc 24.47) e em Atos dos Apóstolos (At 1.8).
    Uma das características da Igreja do Senhor Jesus, que Ele a compara a um rebanho de ovelhas, é a obediência à vontade do Sumo Pastor. “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará das minhas mãos” Jo 10.27,28. Essas ovelhas, docilmente, obedecem à voz do Seu Pastor que tem como desejo expresso alcançar outras ovelhas de outros apriscos para trazê-las ao Seu redil. “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor.” Jo 10.16.
    Amados, se somos de fatos ovelhas de Jesus, nascidos de novo, convertidos de coração a Cristo não podemos fazer “ouvidos de mercador” ao apelo da missão dada por Deus a Sua Igreja, que é pregar o evangelho no mundo inteiro e a todas as criaturas. A tarefa, na verdade, é gigantesca, mas nós que pertencemos a III IEC/JPA devemos fazer a nossa parte nesse projeto divino. Somos como Igreja responsável pelo bairro do Geisel, por João Pessoa, Paraíba, etc. Devemos não só falar de Jesus a quem não ouviu ainda, mas também orar e contribuir financeiramente para que essa obra seja realizada.
    Pergunto a você querido irmão: você vai ficar de fora dessa missão? Você vai só assistir os outros a se envolverem com ela? É hora de comprometimento com a Missão.        
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Comprometidos com o maior dos projetos

Paulo, apóstolo de nosso Senhor Jesus Cristo, escrevendo a Tito revelou que fora comissionado por Deus para proclamar o Evangelho de Cristo visando despertar a fé daqueles contemporâneos seus que foram escolhidos por Deus para a salvação desde a eternidade. “Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para promover a fé que é dos eleitos de Deus e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade” Tt 1.1. Sabia Paulo que Deus tinha um projeto definido na eternidade que estava sendo executado no tempo e que esse projeto envolvia a chamada, através do Evangelho, daquelas pessoas que foram escolhidas para a salvação desde os tempos eternos. Descobrimos pelas Escrituras que o homem é pecador aos olhos de Deus, e que essa condição foi herdada de Adão quando esse personagem pecou desobedecendo a uma ordem expressa de Deus. O texto sagrado nos diz em Romanos 3.23 que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Que todos os seres humanos herdam a natureza pecaminosa de Adão, e que a culpa do pecado do cabeça federal da raça humana foi imputada a sua descendência se extrai do texto de Romanos 5.12, que diz: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”. As Sagradas Escrituras ainda nos revelam que Deus graciosamente, movido por amor, preparou uma obra redentora através de seu Filho Jesus Cristo, que assumiu uma natureza humana, e morreu na cruz pelos pecados do homem. “o qual (Jesus Cristo) foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação” Rm 4.25. (Veja ainda 1 Co 15.1-4). Ainda encontramos nas Escrituras que o Senhor Jesus comissionou a sua Igreja para que pregasse o Evangelho, que é as boas novas de salvação, em todo o mundo e a toda a criatura, para testemunho. “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” Mc 16.15,16. Ainda determinou Deus que essa salvação apregoada pela Igreja, fosse crida e recebida pela fé a fim de que o pecador perdido pudesse ser salvo e passasse a gozar das beatitudes da vida eterna neste mundo e em plenitude no porvir. “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” Ef 2.8,9. Dissemos acima que Deus comissionou a Igreja para ser um instrumento de propagação da mensagem que redime o homem da perdição eterna. Lembramos que a Igreja é composta de pessoas que servem ao Senhor. Assim sendo, apresentamos um grande desafio para todos que fazem a nossa Igreja, que é se comprometerem com esse que é um dos maiores projetos de Deus - alcançar os eleitos através da pregação do Evangelho. É sabido que missões se faz orando, indo e contribuindo. Lembramos que todos nós somos responsáveis por essa obra e que precisamos nos engajar nesse projeto divino. Ninguém deve ficar ausente. Todos devem dar testemunho de Jesus Cristo através de um viver santo, separado do pecado, e também abrindo a sua boca e falando de Jesus, de suas virtudes, especialmente, da virtude salvadora, pois só ele pode salvar o pecador perdido. “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” At 4.12. Deve o crente ainda orar por missões, pela salvação das almas perdidas e contribuir financeiramente para que essa obra seja realizada. Deus ainda decidiu conceder o poder do Espirito para que essa obra seja realizada, conforme At 1.8: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”. Assim sendo desafiamos a todos os que fazem a III IEC/JPA a se comprometerem com esse projeto que é de Deus. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O Enfoque Missiológico de Paulo

Introdução
 No ensejo de preparar um artigo sobre a Teologia Paulina de Missões, optamos em apresentá-lo conforme se verá a seguir, por entender que uma leitura daquilo que o apóstolo aos gentios acreditava, produzira e vivenciava, é de extrema importância para a Igreja da atualidade, tão descaracterizada em sua teologia e práticas ministeriais, seguindo ensinamentos não fundamentados nas Sagradas Escrituras mas oriundos da mente de homens, muitos deles com objetivos não compatíveis com a santidade do Evangelho. Diante do exposto, pretendemos com a graça divina, fazer ver ao leitor como Paulo encarava a questão missionária e a ênfase que se descobre numa leitura de seus escritos. Isto posto, trataremos primeiramente sobre a Escritura que o apóstolo lia, acreditava e pregava. Essa Escritura, que era a escritura dos hebreus, a primeira parte de nossa Bíblia - o Antigo Testamento, era a parte inicial da revelação divina, tida por Paulo como escritura verídica, autoritária e canônica. Em seguida, examinaremos o assunto das Escrituras produzidas por Paulo, ou seja, o grupo de treze cartas, escritas pelo apóstolo, sob inspiração divina, que faz parte do cânon do Novo Testamento, que legisla sobre quase todos os assuntos ligados à igreja do Senhor, inclusive sobre a obra missionária. Na terceira divisão do trabalho, enfatizaremos a mensagem pregada por Paulo no cotidiano do seu ministério, a mensagem do Evangelho, que tem como pilares a morte e a ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, mensagem essa que para aquele apóstolo era o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. No quarto momento deste trabalho, trataremos da questão do crescimento harmonioso e sadio das comunidades evangélicas fundadas por Paulo ou por outros, mostrando a sua preocupação para com a Igreja do Senhor que ele, como apóstolo, entendia que era responsabilidade sua. Por fim, trataremos da questão social segundo a ótica paulina, através da qual faremos referência a temas como a família, a escravidão, as relações de trabalho, a obediência às autoridades constituídas, os tributos e a ação social da igreja na área da beneficência. Neste trabalho, faremos menção constante das Escrituras principalmente das cartas escritas por Paulo e do livro de Atos dos Apóstolos, no qual encontramos alguns sermões daquele que foi o apóstolo dos gentios. Objetivamos com isto mostrar a atualidade de Paulo bem como a necessidade de uma releitura de suas cartas, para promover uma mudança na postura ministerial de muitos obreiros do Senhor bem como das comunidades que têm o privilégio de dirigir. Evidentemente que este trabalho tem as suas limitações, pois não foi nossa pretensão fazer um minucioso estudo sobre a teologia paulina, o que caberia na atualidade, mas apenas enfocar alguns temas que achamos importantes para a Igreja do século XXI que tem uma forte preocupação missionária. Um aprofundamento da questão paulina deve ser buscado nos abundantes livros já produzidos, principalmente, naqueles ligados à teologia do Novo Testamento ou mesmo à teologia paulina, estando alguns desses livros listados na bibliografia identificada no final deste texto.
 I - As Escrituras que Paulo lia 
 Quando o apóstolo Paulo surgiu no cenário cristão, as escrituras hebraicas, a primeira parte da revelação divina do Cânon Sagrado, já era uma realidade histórica de mais de quatrocentos anos. As escrituras hebraicas compostas dos livros da lei (Torá), dos Escritos e dos Profetas na classificação do judaísmo, que fora compilada pelo sacerdote-escriba Esdras, no período de 464 - 424 a.C. eram a única escritura aceita pelos judeus como canônica na época de Paulo, bem como até ao dia de hoje. Devido à cultura grega ter dominado o mundo antigo, surgiu à necessidade de essa Escritura ser traduzido das línguas originais (hebraico e aramaico) para o grego, o que foi feito entre os anos de 284 - 247 a.C. em Alexandria no Egito, por setenta anciãos de Israel, segundo a tradição judaica. Essa versão conhecida pelo nome de Septuaginta, era a escritura usada livremente pelo povo da época ao contrário do texto em hebraico/aramaico, que tinha o seu uso circunscrito aos serviços religiosos da Sinagoga e do Santuário. A Septuaginta distribuiu os livros por assunto, arrumando-os diferentemente da compilação feita por Esdras (A Lei, os Profetas e os Escritos), em livros da Lei, livros Históricos, livros Poéticos e livros Proféticos, mas mantendo-se fiel aos escritos originais. Paulo, como judeu-romano que era, poliglota, conhecia as Escrituras Hebraicas bem como a sua tradução para o grego, a Septuaginta. Na escola onde Paulo estudou a de Gamaliel, neto do famoso rabino Hillel, fundador da escola liberal de interpretação das Escrituras, aprendeu os Escritos Sagrados, segundo o seu próprio testemunho: “Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me aos pés de Gamaliel, segundo a exatidão da lei de nossos antepassados, sendo zeloso para com Deus, assim como todos vós sois no dia de hoje” At 22.3. Certamente as duas versões das Escrituras eram trabalhadas em sala de aula, na escola de Gamaliel. De maneira que, podemos concluir que Paulo conhecia as Escrituras hebraicas e a sua versão grega e as considerava como a revelação divina, autoritativa, verídica e que continha todo o plano de Deus revelado até então. Paulo entendia que as Escrituras proféticas tinham o seu cumprimento na pessoa e obra de Jesus Cristo nosso Senhor, e na sua argumentação para convencer tanto os judeus apegados ao texto hebraico como aos judeus helenizados, ele fazia uso da mesma de forma abundante. A mensagem de Paulo tinha uma base escriturística muito forte, isto é o que entendemos da leitura de textos como os a seguir identificados: “Saulo, porém, mais e mais se fortalecia e confundia os judeus que moravam em Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo” At 9.22. “Mas, alcançando socorro de Deus, permaneço até ao dia de hoje, dando testemunho, tanto a pequenos como a grandes, nada dizendo, senão o que os profetas e Moisés disseram haver de acontecer, isto é, que o Cristo devia padecer e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, anunciaria a luz ao povo e aos gentios” At 26.22,23. “Havendo-lhe eles marcado um dia, vieram em grande número ao encontro de Paulo na sua residência. Então, desde a manhã até à tarde, lhes fez uma exposição em testemunho do reino de Deus, procurando persuadi-los a respeito de Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas” At 28.23. No poderoso sermão pregado na sinagoga de Antioquia da Pisídia, registrado em Atos 13.16-41, Paulo usou abundantemente as Sagradas Escrituras para provar que o Senhor Jesus Cristo era o Salvador e que todos os que cressem nele seriam justificados diante de Deus. Em Tessalônica, Paulo ao pregar o Evangelho fê-lo argumentando em cima das Escrituras: “Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los, e por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras, expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos; e este, dizia ele, é o Cristo, Jesus, que eu vos anuncio”. At 17.2,3. Em Beréia, a argumentação escriturística fora atentamente acompanhada pelos bereanos, resultando na conversão de muitos deles. No sermão, no areópago em Atenas, registrado em At 17.22-31, perante uma seleta plateia gentia, Paulo usa as Escrituras para testificar àqueles homens a graça divina, inclusive fazendo uma incursão na própria cultura grega, citando um de seus poetas. Em Corinto, na sinagoga que existia naquela cidade, Paulo testemunha aos judeus, baseado nas Escrituras, que Jesus era o Cristo, o Messias esperado (At 18.1-5). Em Éfeso (At 19.8), o apóstolo Paulo prega na sinagoga e o livro texto de seu sermão era as Sagradas Escrituras que chamamos de Antigo Testamento. Também em seu testemunho pessoal sobre a conversão a Cristo Jesus, Paulo faz alusão ao antigo texto sagrado (At 26.1-27). Diante do exposto, concluímos este assunto, realçando que Paulo era um profundo conhecedor das Escrituras hebraicas, e que a interpretava corretamente, e que fazia a sua aplicação de forma contextualizada em suas pregações e ensino ao longo de seu ministério apostólico. Essa postura de Paulo acerca da valoração das Escrituras do Antigo Testamento nos faz refletir sobre a importância dessa parte do Cânon Sagrado bem como do teor das mensagens pregadas hoje nos púlpitos das igrejas evangélicas e nos campos missionários, muitas delas fugindo da real veracidade do texto bíblico, bem como de sua aplicação correta.
 II - As Escrituras produzidas por Paulo 
 Deus, segundo o beneplácito de Sua soberana vontade, escolheu o apóstolo Paulo para ser um dos instrumentos de Sua revelação especial. Paulo, pela graça de Deus, além de ter sido um eficaz pregador foi também um exímio escritor. Ele produziu sob inspiração divina, treze dos vinte e sete livros do Novo Testamento. Dentre as suas cartas, nove foram destinadas a Igrejas organizadas, e quatro a obreiros e colaboradores seus. Paulo em suas epístolas tratou, praticamente, de todos os grandes assuntos da fé cristã, e esses ensinamentos consolidaram o corpo doutrinário como nós o conhecemos hoje. A seguir veremos sucintamente o conteúdo de cada escrito do apóstolo aos gentios: Carta aos Romanos - A mais formal das cartas escritas por Paulo. A epístola aos Romanos apresenta, de maneira sistemática, a doutrina da justificação pela fé e suas ramificações. O tema da epístola é a justiça de Deus (1.16,17). Um bom número de doutrinas fundamentais da fé cristã é discutido: a revelação natural (1.19,20), a universalidade do pecado (3.9-20), a justificação pela fé (3.24), a propiciação através do sangue de Jesus (3.25), a fé (cap. 4), o pecado original (5.12), a união com Cristo (cap. 6), a vida no Espírito (cap. 8), a eleição e rejeição de Israel (cap. 9-11), os dons espirituais (12.3-8) e o respeito às autoridades (13.1-7). Carta aos Coríntios (Primeira) - Essa carta é predominantemente prática em sua ênfase, tratando de problemas espirituais e morais de uma igreja local. É um manual prático de teologia pastoral. Ênfases importantes incluem: a preservação da unidade da igreja (1.10-13), Cristo, o centro da mensagem de Paulo (1.23,24), Cristo, o fundamento da igreja (3.10-15), o tribunal de Cristo (3.11-15), a habitação do Espírito (6.19,20), a glória de Deus (10.31), a ceia do Senhor (11.23-34), o exercício dos dons espirituais (cap. 12-14), o amor (cap. 13), e a ressurreição do corpo (cap. 15). Carta aos Coríntios (Segunda) - Contém detalhes pessoais e autobiográficos da vida de Paulo (4.8-18; 11.22-33). O tratamento mais importante da contribuição cristã, no Novo Testamento, é encontrado nos capítulos 8 e 9. Carta aos Gálatas - O tema justificação pela fé é defendido, explicado e aplicado. Outros assuntos significativos são a estada de Paulo na Arábia por três anos (1.17), sua repreensão a Pedro (2.11), a lei como aio ou pedagogo (3.24) e o fruto do Espírito (5.22,23). Carta aos Efésios - O grande tema dessa carta é o propósito eterno de Deus de estabelecer e completar o Seu povo, a Igreja de Cristo. Ao desenvolver este tema, Paulo trata da predestinação (1.3-14), a liderança de Cristo sobre o corpo, como cabeça (1.22,23; 4.15,16), a Igreja como edifício e templo de Deus (2.21,22), o mistério de Cristo (3.1-21), dons espirituais (4.7-16), o viver do cristão (4.17-32), e a Igreja como noiva de Cristo (5.24-32), e a armadura espiritual do crente (6.10-18). Carta aos Filipenses - Uma das mais importantes passagens doutrinárias do Novo Testamento é Filipenses 2.5-8; nela Paulo apresenta a doutrina da kenosis - a auto-humilhação ou auto-esvaziamento de Cristo. É enfatizada a oração (4.6,7). Um retrato autobiográfico significativo aparece em 3.4-14. Carta aos Colossenses - O tema é a supremacia e plena suficiência de Cristo. Assuntos importantes incluem a pessoa e obra de Cristo (1.15-23), heresia gnóstica (2.8-23) e a união do crente com Cristo (3.1-4). Carta aos Tessalonicenses (Primeira) - As passagens chaves dessa epístola são escatológicas, ou seja, relacionadas aos acontecimentos dos últimos dias, como a segunda vinda de Cristo, o arrebatamento da Igreja (4.13-18) e o dia do Senhor (5.1-11). Carta aos Tessalonicenses (Segunda) - A divisão principal trata sobre o homem do pecado (2.1-12) deve ser comparada com outras passagens na Bíblia que falam desse anticristo (Dn 9.27; Mt 24.15; Ap 11.7; 13.1-10). Carta a Timóteo (Primeira) - Em relação a Timóteo pessoalmente, o tema da carta é “combater o bom combate” (1.18). Em relação à Igreja como um corpo, o tema é “a conduta na casa de Deus” (3.15). Assuntos importantes na epístola incluem a lei (1.7-11), oração (2.1-8), traje e atividades das mulheres (2.9-15), qualificações para bispos ou presbíteros e diáconos (3.1-13), os últimos dias (4.1-3), o cuidado para com as viúvas (5.3-16), e o uso do dinheiro (6.6-19). Carta a Timóteo (Segunda) - O tema pode ser derivado de 2.3, “um bom soldado de Cristo Jesus”. Assuntos importantes na carta incluem a apostasia dos últimos dias (3.1-9; cf. 1 Tm 4.1-3), a inspiração das Escrituras (3.16), e a recompensa do crente fiel (4.8). Carta a Tito - Tópicos importantes discutidos nesta carta incluem as qualificações para o presbiterato (1.5-9), instruções a várias faixas etárias na Igreja (2.1-8), relação entre a regeneração, as obras humanas e o Espírito (3.5). Carta a Filemom - É a mais pessoal das cartas de Paulo. O apóstolo Paulo intercede por um escravo que se tornara cristão através de sua instrumentalidade. Em algumas dessas cartas, observa-se o grande interesse de Paulo em consolidar e estruturar as Igrejas conforme os textos encontrados em 2 Co 11.2,3; 1 Co 4.17; Gl 4.19,20;... Paulo com os seus escritos deu uma contribuição extraordinária à obra missionária, considerando que fazer missões é muito mais do que pregar o Evangelho, mas também edificar igrejas autóctones, sadias, equilibradas. Os ensinos de Paulo em suas cartas têm a finalidade de atender essa necessidade, ou seja, fornecer um padrão estabelecido por Deus para a obra missionária, padrão esse que é o paradigma nessa área em todas as épocas.
 III - A mensagem do Evangelho pregada por Paulo
 A mensagem pregada por Paulo, em seus sermões e escritos, tinha como pontos centrais a morte e a ressurreição do Senhor Jesus Cristo, conforme os textos a seguir identificados: “e, embora não achassem nenhuma causa de morte, pediram a Pilatos que ele fosse morto. Depois de cumprirem tudo o que a respeito dele estava escrito, tirando-o do madeiro, puseram-no em um túmulo. Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos” (At 13.28-30). “expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos, e que este é o Cristo, Jesus, que eu vos anuncio” At 17.3. “Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” At 17.31. Na apresentação da essência do Evangelho, quando escrevia aos Romanos e aos Coríntios, Paulo disse: “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação”. Rm 4.25. “Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão. Porque primeiro vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”. 1 Co 15.1-4. O Evangelho de Cristo que significa boas novas de salvação através de Jesus Cristo, que segundo Paulo é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16,17), é a mensagem redentora proporcionada pela morte de Jesus Cristo que, de acordo com o apóstolo, tinha as seguintes características teológicas: 1) Uma morte expiatória - A expiação é a anulação da culpa ou a remoção do pecado por meio de alguma interposição meritória. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição em nosso lugar, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro”. Paulo vê a morte do Senhor Jesus Cristo como uma morte expiatória. Em várias referências, ele associa distintamente a morte de Cristo com o ritual e conceito de sacrifício do Antigo Testamento. Em Romanos 3.25, Paulo faz uma alusão direta à oferenda pelo pecado que era apresentada pelo sumo sacerdote no ritual judaico do grande Dia da Expiação. Ele descreve a morte de Cristo como oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave (Ef 5.2). O aspecto expiatório da morte de Cristo é visto nas frequentes referências ao Seu sangue, conforme os textos de Rm 3.25; 5.9; Ef 1.7; 2.13 e Cl 1.20. 2) Um sacrifício pelos pecados - a morte de Cristo foi um sacrifício eficaz a favor do pecado do homem. Por conseguinte, cada membro da raça humana nasce em tese sobre a sombra protetora da cruz. Assim como a culpa do pecado de Adão é imputada a sua posteridade, assim também a sua posteridade compartilha da ação meritória da obra redentora realizada por Cristo na cruz do Calvário. A morte de Jesus Cristo é, potencial e provisionalmente, um sacrifício em favor dos pecados do mundo. Nesse sentido, Ele provou a morte em favor de todo homem e a si mesmo se deu em resgate por todos, e é o Salvador dos homens. “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois de fato sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro Pascoal, foi imolado” 1 Co 5.7. Evidentemente que deve ser considerado todos os homens, nesse contexto, como todos aqueles que foram eleitos por Deus para a salvação na eternidade. 3) Uma morte vicária - A morte de Cristo não foi acidental, nem foi um martírio, nem foi motivada porque a merecesse, mas foi uma morte em favor de outros, e não foi por sua própria causa que ele morreu. “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” 1 Co 15.3. A ideia aqui apresentada é de que o sacrifício de Cristo foi um sacrifício vicário, isto é, em favor de outros. Cristo não morreu pelos seus próprios pecados porque não os tinha. A sua morte não foi um acidente, nem foi a morte de um mártir, mas sim uma morte em favor dos outros. Essa é a ideia transmitida por Paulo apreendida da leitura dos textos encontrados em 1 Ts 5.10; Rm 5.8; 8.32; Ef 5.2 e Gl 3.13. 4) Uma morte redentora - O termo resgate pressupõe o livramento por meio de um substituto, de um cativo ou devedor incapacitado de efetuar seu próprio livramento. Segue-se, naturalmente, que a emancipação e a restauração resultam do pagamento do resgate. Cristo remiu-nos da maldição imposta por uma lei desobedecida, ao fazer-se maldição em nosso lugar. Sua morte foi o preço do resgate que foi pago. “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” Gl 4.4,5. O homem, segundo Paulo, está sob o controle do pecado, sendo seu escravo. A morte redentora de Cristo o libertou da escravidão do pecado, do império das trevas e o transportou para o reino do Filho do seu amor (Cl 1.13). A ideia geral é que essa redenção foi possível graças ao preço pago por ela, a morte de Jesus. Os textos de Paulo que consolidam o assunto são Tt 2.14; 1 Tm 2.6; Rm 3.24,25; Ef 1.7; l Co 6.19,20; 1 Co 7.22,23; Gl 3.13; 4.4;5. 5) Uma morte propiciatória - O caráter propiciatório da morte de Jesus é adiante apoiado pelo texto de Rm 3.25,26. A morte de Cristo foi um ato de justiça, uma demonstração de que Deus era de fato um Deus justo e que puniria o pecado do homem. A ira de Deus contra o pecador fora aplacada pela morte de Seu filho. Uma propiciação foi concedida, para livrar os seres humanos da ira de Deus, que é revelada nos céus contra toda sorte de impiedade e injustiça dos homens (Rm 1.18). 6) Uma morte substitutiva - O nosso Senhor sendo inocente (2 Co 5.21) não tinha porque morrer como morreu. Sua morte não foi o resultado de seu próprio pecado ou culpa; ela foi sofrida no lugar de outros, que eram culpados e mereciam morrer. Por causa de sua morte não merecida, os pecadores são libertados da condenação à morte e da experiência da ira de Deus que eles grandemente mereciam. Os textos de Paulo sobre o assunto se encontram em Gl 2.20; 1 Tm 2.6; 2 Co 5.15; Gl 3.13. O segundo ponto sobre o qual a mensagem do Evangelho está fundamentada, segundo a ótica paulina, é a ressurreição de Cristo. No entendimento de Paulo, a ressurreição de Cristo autenticou a eficácia da obra redentora realizada na cruz do Calvário. A ressurreição de Cristo está tão intimamente ligada a Sua morte que os apóstolos dentre eles, Paulo, entendiam que a primeira (a morte de Cristo) implicaria necessariamente na segunda (a ressurreição de Cristo) e que a segunda seria consequência natural da primeira. Eles diziam que era impossível que Jesus fosse retido pela morte (At 2.24) ou que era necessário que assim acontecesse, pois, estava escrito que o Cristo deveria morrer e que ressuscitaria no terceiro dia (At 2.25-31). O apóstolo Paulo que ministrou sob a direção e inspiração do mesmo Espírito que operara nos outros apóstolos, estava alinhado com a ideia da importância crucial da ressurreição de Jesus no programa redentor de Deus. Nas suas pregações, Paulo fazia referência à ressurreição do Senhor tanto quanto à Sua morte ignominiosa. “Depois de cumprir tudo o que a respeito dele estava escrito, tirando-o do madeiro, puseram-no em um túmulo. Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos” At 13.29,30. “Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras, expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos” At 17.2,3. “Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” At 17.31. Segundo Paulo, esse ponto era de fundamental importância para a redenção do pecador. Na sua argumentação acerca da ressurreição do salvo, no capítulo 15 de sua primeira carta aos Coríntios, embasando o assunto, fazendo referência à ressurreição de Cristo ele nos revelou a importância dela na mensagem do Evangelho, conforme registros encontrados a seguir: a) Quanto à confiabilidade da pregação o Evangelho - “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação...” 1 Co 15.14; b) Quanto à validade da fé salvadora - “E, se Cristo não ressuscitou... também é vã a vossa fé” 1 Co 15.14. c) Quanto ao perdão dos pecados – “E, se Cristo não ressuscitou... ainda permaneceis nos vossos pecados” 1 Co 15.17 c) Quanto à salvação eterna da pessoa - “E, se Cristo não ressuscitou... os que dormiram em Cristo estão perdidos” 1 Co 15.18. d) Quanto à ressurreição do salvo - “Mas, agora, Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem” 1 Co 15.20. “Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias; depois os que são de Cristo na sua vinda” 1 Co 15.23. Concluímos este assunto, enfatizando que a mensagem pregada por Paulo e pelos seus colegas apóstolos era a pura mensagem do Evangelho de Cristo, que de forma autoritativa dizia que as boas novas para redenção do homem fora possível graças à morte e à ressurreição do Senhor. “Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei; o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” 1 Co 15.1-4. Contextualizando o assunto, entendemos que a Igreja da atualidade deve se espelhar em Paulo e voltar a pregar a verdadeira mensagem do Evangelho, fazendo ver a todos que Cristo morreu pelos pecados e ressuscitou para a justificação do homem, conforme o apóstolo escreveu em Romanos 4.25.
 IV - O ensino Paulino visando o crescimento harmonioso da Obra Missionária
 No entendimento de Paulo, a obra missionária não se restringia apenas à pregação do Evangelho, mas também arregimentar os salvos, organizando-os em ekklesia e estruturando-os para que pudessem se edificar mutuamente, visando um crescimento espiritual sadio. Paulo não entendia a obra missionária apenas como campanhas evangelísticas itinerantes, mas como um profundo trabalho local, autóctone. Na sua vida como ministro do Evangelho se percebia isso de forma clara. No livro de Atos dos Apóstolos (14.23), na sua primeira viagem missionária, encontramo-lo promovendo a eleição de liderança para que o trabalho tivesse a sua forma adequada conforme o propósito de Deus. “E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em que haviam crido”. Essa era a sua prática: Pregava o Evangelho, as pessoas eram convertidas e, à medida que o grupo crescia, Paulo tratava logo de organizar uma igreja, instituindo sua liderança - os Presbíteros, que haveriam de tomar conta do trabalho dali por diante. Em suas instruções a Timóteo e a Tito, dois ministros do Evangelho, seus colegas, Paulo trata da questão. Na carta a Timóteo ele traça o perfil da liderança presbiterial bem como da liderança diaconal, que haveriam de gerir os negócios da Igreja cada um na sua área específica de atuação (1 Tm 3.1-13). Na carta a Tito, Paulo orienta aquele ministro a, democraticamente, escolher com os membros da Igreja os Presbíteros, traçando também o perfil dos mesmos (Tt 1.5-9). Esse posicionamento de Paulo, dirigido pelo Espírito Santo, consolidava a obra missionária, porque a tendência natural da igreja organizada era crescer e avançar na pregação do Evangelho. “Porque de vós repercutiu a palavra do Senhor não só na Macedônia e Acaia, mas também por toda a parte se divulgou a vossa fé para com Deus, a tal ponto de não termos necessidade de acrescentar coisa alguma” 1 Ts 1.8. “Desde que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os santos; por causa da esperança que vos está preservada nos céus, da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho, que chegou até vós: como também, em todo o mundo, está produzindo fruto e crescendo, tal qual acontece entre vós,...” Cl 1.4-6. Sabia Paulo que, uma coisa era uma pessoa sozinha pregar o Evangelho, ou mesmo fazer isso acompanhado de outra pessoa, mas outra coisa era o esforço feito na pregação do Evangelho por uma igreja organizada, contando com a colaboração de seus membros e congregados, todos imbuídos de um só propósito de fazer o Reino de Deus avançar neste mundo. Paulo tinha conhecimento de que esse esforço organizado pela comunidade eclesial produzia o crescimento numérico da mesma para a glória de Deus. Além disso, preocupava-se o apóstolo do Senhor com o crescimento espiritual (qualitativo), através dos dons espirituais distribuídos por Deus a Igreja, conforme os registros encontrados em suas cartas destinadas aos Romanos (Rm 12.6-8), aos Coríntios (1 Co 12.4-11) e aos Efésios (Ef 4.10-16). Na compreensão de Paulo, os dons espirituais de diversas naturezas, principalmente os dons de liderança, foram dados a Igreja visando o crescimento harmonioso do corpo de Cristo. “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos, para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo”. Ef 4.11-13. Hoje, temos a tendência de exaltar o ministério pastoral como completo em si mesmo e capaz de atender a todas as demandas da Igreja. Paulo não pensava assim. No seu entendimento, os dons eram diversos, inclusive os de liderança, e dados a pessoas diferentes, com a finalidade como já dissemos, de promover o crescimento espiritual da Igreja do Senhor. “Os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos” 1 Co 12.4-6. “Mas um só e o mesmo Espírito, realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um individualmente” 1 Co 12.11. Não havia na visão de Paulo, um ministério só que concentrasse todos os dons do Espírito que seriam usados na edificação da Igreja, e sim uma multiplicidade de ministérios, todos úteis para o crescimento tanto quantitativo como qualitativo do corpo místico de Cristo, a Igreja. Paulo compreendia também que a Igreja fora instituída para cumprir diversas funções neste mundo, sendo as mais importantes a adoração (1 Co 14.1-40), a edificação espiritual (Ef 4.11-16), a evangelização (Rm 1.16,17; 1 Co 9.16) e a beneficência (2 Co 8, 9; Gl 6.9,10; 2 Ts 3.13).
 V - O Ensino Paulino enfocando a questão social
 O apóstolo Paulo, o instrumento de Deus, usado para a produção da maior parte dos escritos do Novo Testamento, não deixou escapar esse assunto de tão relevância na vida da Igreja aqui neste mundo. Paulo não somente trabalhou a questão espiritual em todas as áreas, mas dedicou uma boa parte de seus escritos para trabalhar essa questão que muitos acham que não merece atenção. Ele tinha uma visão holística da Igreja, ou seja, via a Igreja em todas as áreas, tanto no plano espiritual quanto no plano do cotidiano da vida social da mesma, e assim, movido pelo Espírito e pela visão que tinha, feriu esse assunto para servir de regras ou normas para obediência da comunidade eclesial, principalmente no que se refere ao seu testemunho. Paulo entendia que a pessoa mesmo se tornando crente pela graça de Deus, regenerada, cidadã do Céu, assentada nos lugares celestiais em Cristo Jesus, possuidora da vida eterna, herdeira de Deus, continuaria a viver na sociedade durante um tempo determinado por Deus. Enquanto vivessem no mundo, essas pessoas estavam inseridas dentro de um contexto social do qual eram participantes ativos. Não há no corpus paulinus (escritos de Paulo) aquela ideia de isolamento, de reclusão visando uma busca de uma vida santificada, afastada das pessoas que vivem no mundo. O que Paulo ensinava era que os crentes vivessem dentro do contexto social, com uma vida ilibada, santa, deixando transparecer neles a glória de Cristo. Assim sendo, investiguemos nos escritos de Paulo, os assuntos sociais a seguir identificados: 1) A Escravidão - Esse assunto que para nós do século XXI é um anátema, era para o mundo antigo uma realidade aceita e vivenciada, inclusive nos dias de Paulo. Interessante observar que Paulo sendo um homem capacitado por Deus, com uma ética cristã refinada, não pregou nenhuma rebelião armada ou de qualquer outra maneira nem fomentou nenhuma revolução dos escravos, visando à liberdade. Quando feriu o assunto, ele o fez de forma sutil, principalmente, no que tange as comunidades evangélicas das quais se sentia responsável como apóstolo diante de Deus. Isso é o que entendemos analisando os seus escritos. “Foste chamado, sendo escravo? Não te preocupes com isso; mas, se ainda podes tornar-te livre, aproveita a oportunidade. Porque o que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; semelhantemente, o que foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo” 1 Co 7.21,22. Observe no texto citado, que Paulo alertava aos crentes escravos a que se aparecesse a oportunidade de se tornarem livres, aproveitassem. Noutra escritura, na carta a Filemon, Paulo fez uma calorosa petição a um crente identificado pelo nome de Filemon, em favor de um escravo seu foragido chamado Onésimo, que o apóstolo ganhara para Cristo, quando ambos estava preso em Roma. Nessa carta, Paulo nivela em Cristo a diferença social existente na época, conclamando Filemom a receber Onésimo não mais como escravo, mas como irmão caríssimo no Senhor. “Peço-te por meu filho Onésimo, que gerei nas minhas prisões; o qual noutro tempo te foi inútil, mas agora a ti e a mim muito útil; eu to tornei a enviar. E tu tornas a recebê-lo como às minhas entranhas... não já como servo, antes, mais do que servo, como irmão amado, particularmente de mim: e quanto mais de ti, assim na carne como no Senhor? Assim pois, se me tens por companheiro, recebe-o como a mim mesmo” Fm 10-17. 2) As Relações Trabalhistas - Outro tema abordado por Paulo, dentro da questão macro social, foi o tema das relações trabalhistas, ou seja, a relação entre patrão e servo, entre servo e patrão, no que se refere a execução dos trabalhos e na retribuição pertinente. Paulo se revelou, através de suas instruções, como expert em gerência de recursos humanos, quanto tratou da questão. Sabia ele das tensões nessa área, por isso visando sempre à glória de Deus e as relações harmoniosas dentro da comunidade evangélica, legislou sobre o assunto em três de suas cartas. Na carta aos Efésios, o grande apóstolo escreveu dirigindo-se aos empregados ou servos nestes termos: “Quanto a vós outros, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus; servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens, certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre” Ef 6.5-8. E aos patrões, assim: “E vós, senhores, de igual modo procedei para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que para com ele não há acepção de pessoas” Ef 6.9. Na carta aos Colossenses, Paulo escreveu dirigindo-se aos servos nestes termos: “Servos, obedecei em tudo ao vosso senhor segundo a carne, não servindo apenas sob vigilância, visando tão somente agradar homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor. Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, temendo ao Senhor. Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, Senhor, é que estais servindo; pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas”. Cl 3.22-25. Dirigindo-se aos patrões, Paulo disse: “Senhores, tratai os servos com justiça e com equidade, certos de que também vós tendes Senhor no céu”. Cl 4.1. Na primeira carta a Timóteo, Paulo também trata dessa questão, geralmente tempestuosa: “Todos os servos que estão debaixo de jugo estimem a seus senhores por dignos de toda a honra, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. E os que têm senhores crentes não os desprezem, por serem irmãos; antes os sirvam melhor, porque eles, que participam do benefício, são crentes e amados, Isto ensina e exorta” 1 Tm 6.1,2. Os crentes da atualidade também devem se pautar por essas instruções de Paulo, porque foram inspiradas pelo Espírito Santo e entregue a Igreja para obediência. Nessa relação, que muitas vezes torna-se tempestuosa e angustiante, os servos de Deus, tanto no seu papel de senhor como no papel de servo, devem se portar convenientemente para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. 3) A Obediência às Autoridades - No entendimento de Paulo, a sociedade organizada, com as suas autoridades constituídas eram dádivas de Deus, para possibilitar o funcionamento ordeiro da vida social da mesma. Paulo compreendia e ensinava que toda a autoridade era constituída por Deus, e por isso a obediência a ela se fazia necessária, e quem resistisse às autoridades, estava resistindo a Deus. “Todo o homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmo condenação” Rm 12.1,2. É interessante observar que a carta de Paulo que trata com mais profundidade a questão da obediência às autoridades, aos Romanos, foi escrita a uma Igreja que estava sob a jurisdição política, econômica e social, daquilo que era considerado o centro do império romano - a cidade de Roma, governada, na época, por um dos seus mais cruéis e desajustados governantes, Nero. Escrevendo a Tito (3.1), o apóstolo orientou aquele ministro do Evangelho a instruir a igreja que pastoreava a que se sujeitasse as autoridades e as obedecesse. Paulo ensinava também que os crentes orassem pelas autoridades constituídas para que a comunidade cristã tivesse uma vida quieta e sossegada. “Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade. Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador” 1 Tm 2.1-3. Evidentemente, que quando Paulo levava os crentes nessa direção, ele o fazia com critério, porque sabia que a obediência às autoridades não era de uma forma incondicional e que deveria ser feita desde que as leis humanas não colidissem com a lei maior que é a Palavra de Deus. Muitas coisas ruins, comprometedoras e nocivas à fé cristã eram legisladas no império romano como, por exemplo, o culto ao imperador. É claro que a obediência nesse caso não era obrigatória aos olhos de Deus, pois a Bíblia diz que só Deus deve ser adorado. “... Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto” Mt 4.10. Paulo, ainda sobre o assunto, tratou da questão de pagamento de tributos, como uma obrigação legal de todos, inclusive dos membros da Igreja. Escrevendo aos Romanos, disse o apóstolo do Senhor: "Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a esse serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto: ..." Rm 13.6,7. A fraude e a sonegação fiscal estavam fora, na ótica paulina, da ética cristã vivenciada e ensinada por ele. 4) A Beneficência ou ação social da Igreja - Outra questão social trabalhada por Paulo em suas cartas, foi a questão da beneficência. O apóstolo entendia e ensinava que os irmãos mais abastados financeiramente deveriam ajudar aos irmãos carentes. A ênfase apostólica era de que a ajuda fosse de indivíduo para individuo. "Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé" Gl 6.10. Escrevendo a Timóteo, Paulo voltou a ferir a questão. "Se algum crente ou alguma crente tem viúvas, socorro-as, e não se sobrecarregue a igreja...". 1 Tm 5.16. Ainda nessa mesma carta, quando fazia referência àqueles irmãos a quem Deus dera abastança, Paulo disse: "que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prestos a repartir;..." 1 Tm 6.18. Paulo entendia, ainda, que a responsabilidade social não era só do crente enquanto indivíduo, mas de toda a comunidade cristã organizada. Isto percebemos da leitura dos textos: "Se algum crente tem viúvas em sua família, socorro-as e não sobrecarregando a igreja, para que esta possa socorrer as que são verdadeiramente viúvas" 1 Tm 5.16. Nessa mesma carta, o apóstolo dá algumas diretrizes a Timóteo quanto ao cadastramento de crentes carentes para receber a assistência social da Igreja. Na segunda carta aos Coríntios, o apóstolo leva a Igreja a levantar uma oferta para atender aos santos necessitados de Jerusalém (2 Co 8.1-9.15). É interessante observar que o apóstolo não fez nenhuma observação quanto à causa da pobreza dos irmãos carentes, quer como comunidade quer como indivíduos. Paulo em nenhum momento diz que a pobreza foi ocasionada por falta de profundidade na vida espiritual, ou por pecado cometido, ou por falta de fé. Nem tampouco ele diz que todos os crentes deveriam ser ricos, abastados, cabeça e não pés. Ele não pregava a Teologia da Prosperidade. O seu coração, cheio do amor de Deus, via apenas a necessidade dos amados do Senhor que deveriam ser supridas, e usando de todo o seu prestígio e do poder que lhe dera o Senhor, ele tenta mobilizar a Igreja para ocupar esse espaço tão importante aos olhos de Deus. 5) A questão da família – Paulo deu uma ênfase especial a essa que é maior de todas as instituições sociais. Nos seus escritos, respondendo a uma pergunta feita pela igreja de Corinto (1 Co 7), encontramos mandamentos que valorizam o matrimônio. Nesse capítulo a monogamia (casamento com um só cônjuge), a heterodoxidade (casamento de macho e fêmea) e a indissolubilidade do matrimônio são enfocadas, Tratando-se da indissolubilidade do casamento Paulo identifica duas situações em que ela possa ser quebrada: no caso de adultério e no caso da deserção irreversível, sendo essa última envolvendo um cônjuge crente e outro descrente quando o descrente não quer mais viver com o crente por questão da fé em Cristo. Paulo trata também das relações dentro do lar envolvendo marido e mulher e pais e filhos (Ef 5.22-33; 5.1-4; Cl 3.18-21). Nessas relações a submissão da mulher ao seu marido é identificada bem como o amor que o marido deve devotar a sua mulher. Ainda Paulo quando trata de pais e filhos e diz que os primeiros devem criar os seus filhos no temor do Senhor e não provocá-los a ira e ao segundo que devem obedecer em tudo aos seus pais, exceto no pecado. Essa preocupação social de Paulo visava, além de atender necessidades específicas, um viver cristão digno do povo de Deus no meio de uma sociedade corrompida e perversa. Conclusão 
 Vimos neste artigo questões diversas atinentes à vida ministerial do apóstolo Paulo, registradas no cânon do Novo Testamento. Procuramos mostrar que Paulo era um profundo conhecedor das Escrituras do Antigo Testamento e as usava nas suas pregações e argumentações teológicas. Vimos também que Paulo foi um exímio escritor, produzindo, sob inspiração divina, treze dos vinte e sete livros do Novo Testamento e que essas escrituras contribuíram para a consolidação do corpo doutrinário da Bíblia. Vimos ainda que Paulo pregava a mensagem do Evangelho em sua essência, em sua pureza, fundamentando-a na morte e na ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Trabalhamos também a questão do crescimento da Igreja tanto no seu aspecto quantitativo como no seu aspecto qualitativo, segundo a ótica paulina e por fim tratamos da questão social segundo fica subentendida da leitura das cartas daquele servo de Deus. Essas questões trazidas a lume nos faz refletir sobre o posicionamento das igrejas da atualidade e da obra missionária em geral quanto aos assuntos tratados neste trabalho. Pensamos que todos nós devemos fazer uma releitura dos escritos de Paulo e deixarmos que eles nos pautem a vida, para que possamos viver de uma forma que realmente agrade a Deus. Se assim fizermos, temos certeza de que as nossas vidas e as nossas comunidades evangélicas viverão de maneira que o nome do Senhor Jesus será nelas glorificado e que serão mais eficazes na realização da obra missionária.
 Bibliografia
 ____________ Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida no Brasil, com letras grandes. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1998. BANCROFT, Emery H. Teologia Elementar. Traduzido por João Marques Bentes. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1966. BRUCE, F. F. Paulo, o apóstolo da graça – sua vida, cartas e teologia. Traduzido por Hans Udo Fuchs. São Paulo: Shedd Publicações, 2003. CERFAUX, Lucien. Cristo na Teologia de Paulo. Traduzido pelas Monjas Beneditinas de Santa Maria, São Paulo. São Paulo: Editora Teológica, 2003. CERFAUX, Lucien. O Cristão na Teologia de Paulo. Traduzido por José Raimundo Vidigal. São Paulo: Editora Teológica, 2003. CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol 2 e 5. Traduzida por João Marques Bentes. São Paulo: Editora e Distribuidora Candeia, 1991. KASËMANN, Ernst. Perspectivas Paulinas. Traduzido por Benôni Lemos. São Paulo: Editora Teológica, 2003 LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento. Traduzido por Darci Dusilek e Jussara Marindir Pinto Simões Árias. Rio de Janeiro: Junta de Educação Religiosa e Publicações, 1985. REGA, Lourenço Stelio. Paulo, sua vida e sua presença ontem, hoje e sempre. Organizador: Lourenço Stelio Rega. São Paulo: Editora Vida, 2004. RIDDERBOS, Herman. A Teologia do Apóstolo Paulo. Traduzido por Suzana Klassen. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.
 Rev. Eudes Lopes Cavalcanti

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O Plano da Salvação


Olhando para as Sagradas Escrituras descobrimos que existe nelas uma série encadeada de temas que constitui um plano para a salvação do pecador. Esse plano de salvação compõe-se de cinco partes e visa facilitar o trabalho daqueles que desejam compartilhar com outros o Evangelho de Cristo, que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. A sua eficácia é comprovada porque leva o pecador a receber e experimentar a grande salvação proporcionada pelo Senhor Jesus:
1) O Homem é pecador aos olhos de Deus. A Bíblia Sagrada nos revela que todos os seres humanos são pecadores e que estão debaixo de condenação, e estão também destituídos da glória de Deus e caminhando a passos largos para a perdição eterna. “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” Rm 3.23. “... por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte...” Rm 5.12. “O salário do pecado é a morte...” Rm 6.23
2) Deus ama ao pecador. As Sagradas Escrituras nos revelam que de uma maneira misteriosa Deus ama ao pecador, apesar do pecador ter pecado contra Ele e ter se afastado de Deus voluntariamente. Esse amor é revelado na Bíblia no famoso texto de João 3.16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Esse amor é um amor incondicional, profundo, maravilhoso. Na carta aos Romanos encontramos sobre o assunto: “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” Rm 5.8.
3) Cristo morreu pelo pecador – Essa revelação é outra grande verdade do plano de Salvação. O pecado nos afastou de Deus e nos condenou a perdição eterna, mas por causa do grande amor que Deus tem por nós Ele enviou o seu Filho Jesus Cristo para morrer na cruz em nosso favor. O Senhor Jesus veio a este mundo com o expresso propósito de dar a sua vida pelos pecados do homem. O próprio Salvador revelou que desceu do Céu e veio a este mundo buscar e salvar o perdido. Na carta aos Romanos encontramos: “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação” Rm 4.25. Encontramos ainda noutra carta de Paulo: “... o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis. Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado;... Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” 1 Co 15.1-4.
4) O Pecador precisa crer em Cristo. No plano de Deus para a salvação do homem ele apenas precisa reconhecer que é pecador e aceitar pela fé a salvação oferecida por Cristo. “... Arrependei-vos e crede no Evangelho” Mc 1.15. A Bíblia nos revela ainda que essa salvação é um ato gracioso de Deus recebido pela fé. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” Ef 2.8,9.
5) Crendo em Cristo o pecador está salvo – Outra verdade revelada nas Escrituras é que o pecador crendo na obra de Cristo e o aceitando como Salvador recebe de imediato a salvação, e lhe é dado o Espírito Santo como garantia dela. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome” Jo 1.12. “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa herança...” Ef 1.13,14. “Amados, agora somos filhos de Deus...” 1 Jo 3.2. “Quem tem o filho tem a vida...” 1 Jo 5.12.
Compartilhemos irmãos o plano de salvação com aqueles que não têm ainda a Cristo como Salvador.

Fazendo Missões


Fazer missões ou pregar o evangelho é a tarefa primordial da Igreja. Quando falamos de Igreja estamos nos referindo tanto a Igreja militante (todos os crentes em Cristo que estão vivos e espalhados pelo mundo inteiro) como a Igreja na sua expressão local (comunidades organizadas segundo o padrão neotestamentário com pastores, oficiais, membros e congregados, instaladas em uma determinada localidade).
Quando o Senhor deu a grande comissão a Igreja, representada na época pelos seus apóstolos, deu-lhe também a dimensão da tarefa: pregar o evangelho a todas as pessoas no mundo inteiro em todas as épocas. “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda à criatura” Mc 16.15.
Diante do gigantismo da obra, o que podemos fazer enquanto comunidade local instalada no Geisel, para colaborar com essa tarefa que está no coração de Deus? Podemos irmãos colaborar com essa grandiosa obra nos envolvendo em três atividades, a saber: orando, contribuindo e indo. Reflitamos em cada uma delas separadamente.1) Fazendo missões orando. No seu plano eterno, Deus estabeleceu a oração como meio de recebermos as Suas bênçãos e também como poderoso recurso para fazermos a sua obra. A oração é um poderoso instrumento a disposição da Igreja para realizar a obra que Deus destinou para ela. Ela atrai o poder de Deus para a vida e ministério da Igreja. “a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” Tg 5.16. Em Mateus 9.37,38, quando o Senhor revelava a dimensão da obra missionária, disse o seguinte: “... A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande ceifeiros para a sua seara”. Como todos os crentes genuínos gostam de orar, aqui está um assunto importante que deve ocupar as suas orações: orar pela obra missionária, pela salvação das almas perdidas e pelos irmãos envolvidos nela.
2) Fazendo missões contribuindo. Deus deu aos crentes o privilégio e a responsabilidade de contribuir com a manutenção de sua obra através do ministério da Igreja local. Essas contribuições na forma dos dízimos e ofertas servirão para a Igreja atender aos seus projetos de expansão do Reino de Deus. Graças a Deus que temos em nossa Igreja um Departamento de Missões (DMIS) organizado. Esse Departamento recebe mensalmente o repasse do caixa central de 2% das entradas gerais da Igreja. Isso nos permite comprar folhetos, novos testamentos, Bíblias para ser distribuídas com as pessoas não evangélicas e com os novos decididos. Além disso, temos os carnês missionários que os irmãos podem contribuir com essa obra. Quanto mais recursos chegar ao caixa central mais recursos o DMIS terá para investir na obra missionária.
3) Fazendo missões indo. Todo o crente foi chamado por Deus para pregar o evangelho e pode fazer isso distribuindo folhetos, novos testamentos e Bíblias e também falando pessoalmente de Jesus a quem não O conhece ainda (evangelismo pessoal). É verdade que para a obra transcultural (entre outras culturas), Deus tem escolhido pessoas específicas para isso. É verdade também que a alguns de seus servos, Deus deu o dom ministerial de evangelista.
O importante é que cada um de nós dê a sua parcela de contribuição para que a obra de Deus seja realizada neste mundo. Você caro irmão é peça importante nesse projeto divino. Cumpra com fidelidade a sua missão.

Missões: a obra maior da Igreja


A Igreja fundada por nosso Senhor Jesus Cristo, na sua expressão local é uma instituição divina que recebeu do seu Senhor basicamente quatro atribuições para executar neste mundo: cultuar a Deus, edificar-se espiritualmente, proclamar o Evangelho e cuidar dos santos necessitados.
Nesta reflexão iremos enfocar a obra missionária da Igreja ou a proclamação do Evangelho. No capítulo 2 versículo 9 de sua primeira carta, o apóstolo Pedro nos revela os qualificativos da Igreja: geração eleita, sacerdócio real, nação santa e povo de propriedade exclusiva de Deus. Depois de exaltar a Igreja com estes qualificativos, Pedro também revela a sua missão neste mundo: proclamar as virtudes daquele que chamou a Igreja das trevas para a sua maravilhosa luz. Em sua carta aos Romanos (1.16), o apóstolo Paulo nos revela que o Evangelho - as boas novas de salvação através de Cristo é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.
Para compreender melhor a importância do ministério de proclamação do Evangelho pela Igreja é conveniente lembrar que o Evangelho é a resposta de Deus para a situação em que o homem caiu por causa do pecado. O pecado cometido por Adão trouxe um resultado funesto para si e para a sua descendência. “Por um homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte;
a morte passou a todos os homens porque todos pecaram” Rm 5.12. Em Romanos 3.23, Paulo disse que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Conclui-se desses dois textos que todos os homens são pecadores aos olhos de Deus e estão debaixo de condenação.
Através do Evangelho o homem que está morto em seus delitos e pecados renasce espiritualmente para uma nova vida, a vida eterna que é um dom de Deus para todos aqueles que crêem em Cristo. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” Jo 3.16. Lembramos ainda a Igreja que quando falamos do Evangelho estamos tratando da morte e da ressurreição do Senhor Jesus Cristo. “Cristo morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação”. Rm 4.25. O Senhor Jesus veio especialmente a este mundo para dar a sua vida em sacrifício pelos pecados do homem. Na cruz, Jesus ofereceu-se a si mesmo em sacrifício a Deus para tirar os pecados daqueles que crêem nele.
Segundo o plano eterno de Deus, a proclamação do Evangelho deve ser feita pela Igreja. Somente a ela foi dada a grande comissão de pregar essa mensagem salvadora. Só ela tem esse privilégio bem como essa responsabilidade. “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” Mc 16.15,16. “Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim se não anunciar o Evangelho!”. 1 Co 9.16.
Assim sendo, é dever de todos aqueles que professam o nome de Jesus se envolver na proclamação do Evangelho. É dever de toda a Igreja local se envolver nesse ministério. Nenhum servo de Deus deve se omitir desse envolvimento, pois isto se constitui grave pecado de omissão. O crente se envolve nessa obra orando, contribuindo e indo. Essas três áreas são cruciais na obra missionária.

domingo, 16 de novembro de 2008

A Evangelização e a Soberania de Deus


Por causa do pecado de nossos primeiros pais, já previsto no programa divino, Deus, segundo seu propósito e graça, elaborou na eternidade e o executou no tempo o plano redentor, através da morte sacrificial do Seu Filho Jesus Cristo (segundo esse plano o Cordeiro, o Senhor Jesus, foi morto antes da fundação do mundo - Ap 13.8).
A culpa do pecado de Adão atingiu todos os seus descendentes, num efeito dominó, fazendo com que toda raça humana seja considerada pecadora aos olhos de Deus. “Por um homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte; a morte passou a todos os homens porque todos pecaram” Rm 5.12 (Veja ainda Rm 3.23).
Dentre os seres humanos, atingidos pela culpa do pecado de Adão, Deus segundo a sua graça, misericórdia e bondade, independente de qualquer ato de bondade ou fé previsto neles (Ef 2.8,9), escolheu um grupo deles, que é a Igreja para demonstrar nela a sua graça e bondade, contemplando-a assim com a salvação eterna. “Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou” Rm 9.23.
O plano redentor para o indivíduo tem etapas estabelecidas por Deus, segundo nos revela a Bíblia Sagrada: “Porque os que dantes conheceu (devotou amor intenso), também os predestinou para serem conforme a imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou” Rm 8.29,30. As etapas segundo o texto acima são: amados por Deus (escolhidos), predestinados, chamados, justificados e glorificados, sendo as duas primeiras estabelecidas na eternidade, as duas seguintes concretizadas no tempo e a última num futuro escatológico.
Ainda segundo o plano de Deus, a chamada do indivíduo predestinado para a salvação dar-se-á no tempo de sua existência neste mundo, e isto através da pregação do Evangelho. “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação” 1 Co 1.21. O apóstolo Paulo tinha consciência de que Deus o chamara para promover a fé que era dos eleitos de Deus de sua geração (Tt 1.1). (Veja ainda 2 Tm 2.10).
A pregação do Evangelho deve ser feita a todas as pessoas em todo o mundo para testemunho, conforme dito por Jesus em seu sermão escatológico (Mt 24.14), mas a Igreja deve ter a consciência de que só os eleitos atenderão a chamada divina. O Senhor Jesus disse que as suas ovelhas, e só elas, ouvirão a sua voz (Jo 10.26,27). Deve-se considerar ainda que para cada eleito Deus determinou o dia e a hora em que eles serão chamados e contemplados com a salvação eterna. “E de um só fez toda a geração dos homens para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação” (Veja ainda At 13.36). Os eleitos de Deus estão espalhados pelo mundo inteiro de acordo com a vontade soberana do Senhor, por isso a ordem do Senhor Jesus deixada para a Igreja foi para que o evangelho fosse pregado a todas as pessoas em todas as nações (Mc 16.15,16; Mt 28.18-20; Lc 24.47; At 1.8). Através do Seu Espírito, Deus move a Igreja e a dirige na pregação do Evangelho para alcançar os seus eleitos nascidos, que ainda não foram alcançados com a chamada eficaz. No livro de Atos podemos observar esta verdade: “E Paulo teve de noite uma visão, em que se apresentou um varão da Macedônia, e lhe rogou, dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos. E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciar o evangelho” At 16.9,10. “E disse o Senhor em visão a Paulo: Não temas, mas fala e não te cales; Porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade” At 18.9,10. “E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos quantos estavam ordenados para vida eterna” At 13.48. “Louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo, E todos os dias acrescentava o Senhor à Igreja aqueles que se haviam de salvar” At 2.47. Ainda nessa linha de raciocínio, devemos entender que quando os eleitos, em sua geração estão concentrados numa determinada área geográfica e que o tempo da chamada de Deus para cada um deles é próximo um do outro ou num mesmo tempo, será grande a colheita de almas quando se lançar à rede da pregação do Evangelho “De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia, agregaram-se quase três almas” At 2.41 (Veja ainda At 14.1; 12.24).
Mas acontece que, às vezes, os eleitos não estão concentrados num lugar, na sua geração. Nesse caso o resultado da colheita de almas será numericamente pequeno ou nulo. Reportando-se ao Antigo Testamento, vejamos o caso de Nínive, capital da Assíria: Numa época ela foi totalmente salva pela pregação feita por um homem de Deus (Jn 3.1-10) e noutra foi destruída totalmente, sem informações sobre conversão de seus habitantes (Na 2.1-13; 3.1-19). Veja o resultado da pregação de Paulo em Filipos em duas reuniões: só duas famílias foram alcançadas pela graça de Deus – a de Lídia e a do carcereiro daquela cidade (At 16.12-33). Houve caso no ministério de Paulo que o Espírito de Deus o proibiu de pregar o Evangelho em duas localidades e ocasiões (At 16.6,7). Por quê? A ordem de pregar o evangelho não fora dado a Igreja para alcançar o mundo inteiro? Não havia eleitos naquelas localidades? Se havia, chegara o tempo da chamada eficaz para eles? Por que Paulo pediu oração a Igreja de Colossos (Cl 3.4) para que Deus abrisse portas à pregação da Palavra e também para que ele fosse orientado como fazê-la? Não é porque as coisas, no reino espiritual, devem ser de acordo com o plano eterno estabelecido por Deus?
Como pudemos observar neste texto, evangelização e soberania de Deus andam juntas, não são inconsistente, nem incongruente, nem tão pouco um paradoxo, mas fazem parte do programa redentor de Deus. A tarefa de evangelização é uma das grandes tarefas da Igreja e nessa obra ela deve investir pesado, mas ela deve entender que os frutos numéricos não são resultados só dos seus esforços evangelísticos, mas sim da ação soberana do Espírito de Deus. “Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento...” 1 Co 3.6,7.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Missões - a obra maior da Igreja

Deus instituiu a Igreja neste mundo para realizar uma obra que estava prevista no Seu plano eterno. “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” Ef 2.10. Dentre essas obras quatro se destacam: Cultuar a Deus (Adoração); Edificar espiritualmente os crentes (Edificação); Proclamar o Evangelho aos perdidos (Proclamação); e Cuidar dos santos necessitados (Beneficência). Dessas quatro obras destacadas, a Proclamação do Evangelho se sobressai por se tratar da anunciação da obra redentora feita por nosso Senhor Jesus Cristo, na cruz do Calvário, para salvar o pecador perdido da condenação do pecado e, consequentemente, da perdição eterna. “Não me envergonho do Evangelho, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” Romanos 1.16.
A obra de pregação do Evangelho ou a obra missionária foi dada como comissão a Igreja, segundo os registros de Mateus 28.18-20; Marcos 16.15,16; Lucas 24.47; Atos 1.8; 1 Coríntios 9.16, etc. Sendo uma comissão direta de Jesus para a Igreja, deve ela procurar cumpri-la como prioridade em seu ministério. Quando o Senhor comissionou a Igreja, deu-lhe a dimensão da obra: todas as pessoas, de todas as épocas, no mundo inteiro. “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda à criatura” Marcos 16.15.
Diante do gigantismo da obra, como uma Igreja local como a nossa pode realizá-la? Primeiramente precisamos entender que a obra foi entregue a Igreja do Senhor como um todo. Isto quer dizer que todas as Igrejas locais são responsáveis para executá-la, seja lá onde estiver instalada. Uma coisa que é comum e que todas as Igrejas locais podem fazer é orar por essa obra, por todos os obreiros, missionários, e contribuir para ajudar aqueles que se dispõe, segundo o chamado especifico de Deus, realizá-la. “E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara” Lucas 10.2. “Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o Evangelho, que vivam do evangelho” 1 Coríntios 9.14.
A nossa Igreja, junto com as outras igrejas do bairro do Geisel, bem como da cidade de João Pessoa são responsáveis diretas diante de Deus pela evangelização da mesma como um todo, e as igrejas do Geisel responsáveis diretas pela evangelização do bairro e a nossa, especificamente, responsável diante de Deus pela evangelização de suas adjacências.
Amados, quando Deus estabelece uma igreja em uma determinada localidade, cabe a ela a responsabilidade de anunciar o Evangelho de Cristo aos seus habitantes. É seu dever envidar esforços para que as pessoas que não conhecem a Cristo o conheçam através da pregação do Evangelho. Quando falamos de Igreja estamos nos referindo a todos os seus membros bem como aos seus congregados. A responsabilidade é distribuída entre todos aqueles que professam o nome de Jesus e não só ao pastor ou aos oficiais da Igreja.
Uma coisa que podemos fazer como Igreja local para realizar essa obra, além de orar pela salvação dos perdidos, pelos missionários e de contribuir, é falar de Jesus a alguém, convidá-los e trazê-los para a Igreja, distribuir folhetos, Novos Testamentos, Bíblias etc.
Temos um Departamento de Missões organizado em nossa Igreja que tem como objetivo coordenar o seu esforço evangelístico, visando atender ao Ide de Jesus, e precisamos nos engajar em suas atividades. Esforcemo-nos e façamos à obra do Senhor, pois assim Ele se agradará de nós.

Simão, o mágico (At 8.9-13) No relato do texto em apreço, nos é apresentada a figura de um homem famoso na cidade de Samaria, onde De...