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sábado, 18 de outubro de 2014

As Sete Igrejas do Apocalipse (II)


      Dissemos no primeiro boletim sobre as sete cartas do Apocalipse (24/08/14) que existem pelo menos quatro escolas que interpretam o livro de Apocalipse (Preterista, Historicista, Futurista e Idealista).
     Em relação às sete Igrejas essas escolas veem as igrejas do Apocalipse como: Igrejas históricas (Escola Preterista, Escola Historicista e Escola Idealista); Sete períodos da história da igreja (Escola Futurista).
    Quanto à Escola Futurista, os seus mentores ensinam que as  Igrejas do Apocalipse são Igrejas históricas, mas que também representam sete períodos da história da Igreja, a saber: A Igreja de Éfeso – Igreja Apostólica (30 – 100 d.C.); A Igreja de Esmirna – Igreja Perseguida (100 a 313 d.C.); A Igreja de Pérgamo – Igreja Estatal (313 a 590 d.C.); A Igreja de Tiatira – Igreja Papal (590 a 1517 d.C.); A Igreja de Sardes – A Igreja da Reforma Protestante (1517 a 1730 d.C.); A Igreja de Filadélfia – A Igreja Missionária (1730 a 1900 d.C.); A Igreja de Laodicéia – A Igreja Apóstata (1900 até a época atual...).
     Outros veem que na história da Igreja, desde o Pentecostes até a época do seu arrebatamento, toda Igreja local tem parte de crentes tipo Éfeso, que já  perderam o seu primeiro amor; de crentes tipo Esmirna, que são fiéis a Deus a ponto de dar a sua própria vida por causa do Evangelho; de crentes tipo Pérgamo, que estão comprometidos com as coisas do mundo e seguem ensinos errados; de crentes tipo Tiatira, que também como os de Pérgamo vivem comprometido com as coisas deste mundo e que são fascinados por coisas misteriosas; de crentes tipo Sardes, que não negam a fé, mas não abandonam o mundo, tem nome de quem vive, mas está morto; de crentes tipo Filadélfia, que guardam a Palavra de Deus e que são guardados por Ele em época de tribulação; de crentes tipo Laodicéia, que não são quentes nem frios, mas mornos e que estão prestes a ser vomitado da boca do Senhor,  por Lhe causar náuseas.
  Nas sete cartas, além das quatro coisas comuns que já falamos nos boletins anteriores (uma apresentação de Jesus tirada do capitulo 1 do livro de Apocalipse, principalmente da visão que João teve do Senhor glorificado; uma análise da vida interna de cada igreja feita pelo Seu Senhor, identificando pontos positivos e negativos, uma admoestação a cada Igreja, e uma promessa ao vencedor), encontramos algumas expressões comuns as sete Igrejas, quais sejam: “Ao anjo da Igreja... escreve”. Uns acham que esses anjos são seres espirituais designados por Deus para cuidar da Igreja, mas isso é muito improvável, pois os anjos de Deus são santos, puros, e em cinco delas, exceto Esmirna e Filadélfia, o Senhor os censura. Tal censura seria uma incoerência em se tratando de seres espirituais santos e puros. A melhor interpretação é que esses anjos sejam os presbíteros da Igreja (docente – Pastor, e regentes – não pastores). Essa nossa afirmação baseia-se nos textos de At 20.28 e 1 Pe 5.1-4 onde os presbíteros são constituídos pelo Espirito Santo para o pastoreio da Igreja do Senhor.
    Outra expressão que merece uma atenção especial é o insistente apelo para que se ouça o que o Espírito diz as Igrejas. Essa expressão comum às sete Igrejas falou tanto para as igrejas históricas da época como fala para a Igreja do Senhor em todas as épocas.  Todos já têm ciência de que o Espírito Santo foi derramado no dia de Pentecostes sobre a Igreja e individualmente, a partir daquele dia, sobre cada novo convertido a Cristo (Jo 7.37-39; Ef 1.13; 1 Co 12.13; Tt 3.5,6).
     O Senhor prometeu que o Espírito Santo seria enviado para estar sempre com a Igreja até o dia do seu arrebatamento. “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Ajudador, para que fique convosco para sempre. A saber, o Espírito da verdade, o qual o mundo não pode receber; porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque ele habita convosco, e estará em vós” Jo 14.16,17.
     Faz-se necessário que os crentes em Cristo  fiquem atentos para o que se diz na Igreja, procurando ouvir a voz do Espirito, que fala através dos cânticos, das pregações, das orações, da manifestação dos dons espirituais, tudo isso passando pelo crivo da Santa Palavra de Deus.       
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A Igreja de Laodicéia (Ap 3.14-22)


      A cidade de Laodicéia situava-se na Ásia Menor e teve o seu nome dado em homenagem a Laodice, esposa do rei Antíoco II, sírio, que estendera o seu domínio até aquela parte do mundo. Uma fonte de agua quente abastecia a cidade que, devido ao seu percurso, chegava a ela, morna. Nessa próspera cidade havia indústrias de lã bem como uma florescente indústria farmacêutica onde o colírio para tratar doenças de olhos era famoso.
      A Igreja em Laodicéia, tudo indica, fora fundado por Epafras um dos obreiros contemporâneo de Paulo. O apóstolo Paulo escrevera uma carta a essa Igreja, mas ela não faz parte do Cânon Sagrado (Cl 4.16). Era ela uma Igreja rica, pois a maioria de seus membros tinha uma condição social elevada, e ela se regozijava por isso.
     O Senhor Jesus se apresentou aquela Igreja como o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus. “Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus” Ap 3.14. Com essa apresentação o Senhor Jesus se revelou aquela Igreja como uma pessoa digna de crédito pelo que iria dizer para ela. Amém significa assim seja; o que é  verdadeiro; concordo com o que se é dito. Ele ainda se revelou  como o principio da criação de Deus, ou seja, como aquele por quem tudo foi criado, e existe. “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez” Jo 1.3.  (veja ainda Cl 1.15-17).

 Na análise que o Senhor Jesus fez da vida interna da Igreja de Laodicéia não foi identificado nenhum ponto positivo, aliás, é a única das sete Igrejas do Apocalipse em que isso acontece. “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; oxalá foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca. Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”Ap3.15-17. Jesus, conhecedor da vida íntima da Igreja, disse que ela não era fria nem quente, mas morna e isso lhe causava náuseas e que estava prestes a vomitá-la de sua boca, fazendo referência à água morna que chegava a Laodicéia e que causava náuseas em seus habitantes. Essa mornidão espiritual era o resultado da vida dos laodicenses comprometidas com as coisas do mundo. Eles amavam mais as coisas do mundo do que as coisas de Deus, o que acontece com muitos que fazem a Igreja na atualidade, que amam mais as coisas da presente época do que as coisas do Reino de Deus. (Leia Tg 4.4; 1 Jo 2.15-17).
    O Senhor advertiu a Igreja, que se julgava rica e próspera, para que ela buscasse dele as verdadeiras riquezas espirituais que satisfazem de fato a alma humana. “aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quanto amo: sê, pois, zeloso, e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” Ap 3.18-20. As vestes brancas falam de pureza que o sangue de Jesus produz na vida daqueles que se arrependem de seus erros. Os olhos curados pelo colírio divino falam de uma visão espiritual restaurada. O Senhor revelou que estava a porta daqueles corações querendo que eles gozassem de comunhão com Ele. Ainda o Senhor diz que Ele é aquele que disciplina os membros faltosos, caso não se arrependam de seus pecados.
   Finalmente o Senhor fez uma promessa ao vencedor, dizendo que aquele que vencesse se assentaria com ele em seu trono, como ele venceu. “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono” Ap 3.21.  O Jesus que venceu com a sua morte e ressurreição garante vitória aos crentes fiéis, bem como os recompensa com bênçãos divinas no Reino vindouro.
    A carta termina com a insistente declaração do Senhor para que se dê ouvidos a voz do Espirito que habita na Igreja.       
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sábado, 4 de outubro de 2014

A Igreja de Filadélfia (Ap 3.7-13)


      A cidade de Filadélfia foi fundada por um homem chamado Átalo Segundo, em 140 a.C. Átalo tinha um irmão chamado Eumenes, ambos tinham o sobrenome Filadelfo, e por amor ao seu irmão deu a cidade o nome de Filadélfia, que significa amor fraternal. Essa cidade, atual Alasehir na Turquia, pelo fato de ter sido fundada próxima a uma área vulcânica era suscetível à ocorrência de terremotos, inclusive houve um deles que quase a destruiu, mas foi reconstruída com o auxilio do imperador romano Tibério que doou dinheiro para a sua reconstrução e a isentou de tributos, e como gratidão a cidade construiu um templo em sua homenagem. Por causa do constante perigo que corria, as suas portas eram continuamente abertas para evacuar a população quando da ocorrência de possíveis terremotos. Quando Jesus disse que tinha colocado uma porta aberta diante da Igreja, os irmãos de Filadélfia sabiam, por experiência própria, da importância de uma porta aberta, por onde havia escape diante do perigo iminente. 
     Quanto o Senhor Jesus fez a análise da vida interna daquela Igreja não encontrou nenhum ponto negativo que precisasse de uma reprimenda.
    O Senhor Jesus se apresentou aquela Igreja como aquele que é Santo e Verdadeiro e que tem a chave e a autoridade para abrir e fechar. “E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi, o que abre, e ninguém fecha, e fecha, e ninguém abre”.  Ap 3.7. Com essa declaração, o Senhor quis dizer que Ele é santo, puro, prefeito, e que é a verdade absoluta, nele não há mentira nem falsidade. Quis dizer também que só Ele tem a autoridade real para abrir e fechar e a porta que Ele abre ninguém fecha, e a que Ele fecha ninguém abre, pois  é Senhor, Rei, Soberano e todas as coisas obedecem ao Seu comando.

     Ao analisar a vida interna da Igreja, Jesus identifica a fidelidade da Igreja em guardar a Palavra de Deus e em não negar o Seu precioso nome diante de uma sociedade corrompida pelo pecado, inclusive diante da oposição que os judeus faziam ao progresso do Evangelho em Filadélfia. “Eu sei as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás (aos que se dizem judeus e não são, mas mentem), eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo. Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra” Ap 3.8-10. Na análise que Jesus fez, Ele revela que a Igreja é amada por Ele e que a guardaria na hora da tribulação que se aproximava. Os irmãos pré-tribulacionistas interpretam esse texto dizendo que a Igreja será arrebatada (guardada, removida) antes de se instalar a Grande Tribulação. Outros acham que guardar nesse texto significa preservar durante.
    Em seguida, Jesus faz uma advertência a Igreja de sua volta iminente e que ela deveria guardar o que tinha recebido de Deus para que não perdesse a recompensa,  que Deus dará aos seus servos fiéis. “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” Ap 3.11.
    Depois Jesus fez uma promessa ao vencedor nesses termos: “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome”. Ap 3.12. O redimido pelo sangue do Cordeiro receberá bênçãos extraordinárias derivadas da vida eterna, simbolizadas no texto como “coluna do templo de Deus, que não será removida”, “o nome de Deus, da santa cidade, o nome de Jesus será gravado na vida do redimido”.
    Finalizando, Jesus, como faz nas sete cartas, adverte para que se dê ouvidos ao que Espírito Santo estar dizendo a Igreja, através das mensagens dessas cartas. “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” Ap 3.13.      
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A Igreja de Sardes

Sardes, atual Sart na Turquia, era na época duas cidades daí o nome Sardes (plural), sendo uma localizada num monte com uma encosta íngreme onde estava a fortaleza e a outra ao pé desse monte numa planície, sendo esta mais desenvolvida e rica devido estar localizada também na rota comercial daquela parte da Ásia Menor. O personagem Cresus, famoso pela sua fortuna, estava associado a essa importante cidade.
     A Igreja nessa cidade estava praticamente envolvida com a cultura pecaminosa da cidade, só umas poucas pessoas dentro dela vivia realmente o evangelho na sua plenitude, o restante tinha contaminado as suas vestes.
    O Senhor Jesus se apresenta a essa igreja como aquele que tinha os sete Espíritos e as sete estrelas. “E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas” Ap 3.1a. Nessa apresentação de Jesus, os sete Espirito quer dizer o Espirito de Deus em sua plenitude, pois o número sete no Apocalipse significa a coisa completa, em sua plenitude, ou ainda, em sua sete manifestações, como explicitado em Isaías 11.2. As sete estrelas que estão nas mãos de Jesus são os pastores da Igreja (pastores e presbíteros), responsáveis por ela diante do Senhor. (Veja Ap 1.20; At 20.28; 1 Pe 5.1-4).

    O resultado da análise que Jesus fez da igreja de Sardes não é muito positivo. Ele disse que ela tinha nome de quem vivia, mas estava morta. Só umas poucas pessoas da Igreja não tinham se comprometido com o mundo da época. “Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto” Ap 3.1b.  “Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram suas vestes e comigo andarão de branco, porquanto são dignas disso” Ap 3.4. O mundo tinha entrado na igreja e o testemunho dos crentes não era eficaz, é por isso que Jesus fala sobre o Espírito Santo, pois é Ele quem dá vida a Igreja, renova, rejuvenesce.
    Depois da identificação de pontos positivos e negativos da Igreja, Jesus faz uma gravíssima advertência a ela e a chama ao arrependimento sob pena de vir contra ela numa hora que ela não espera para puni-la pelos seus pecados. “Sê vigilante e confirma o restante que estava para morrer, porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus. Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei” Ap 3.2,3. Nessa advertência o Senhor Jesus fala sobre vigilância, confirmar o restante, lembrar-se do que tem recebido e ouvido e procurar guardar os ensinamentos da Palavra de Deus. Ele fala também do arrependimento, do retorno a Deus.
   Depois, o Senhor Jesus faz uma promessa ao vencedor: “O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos” Ap 3.5.    O vencedor será vestido de vestes brancas, símbolo da pureza produzida pelo poder do sangue do Cordeiro, e terá o seu nome confirmado no livro da vida, e diante do Pai e dos anjos o nome dele será pronunciado.
  Aparentemente a expressão “e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida”, pode dar a impressão de que o crente pode perder a salvação, mas o texto não quer dizer isso, pois iria entrar em contradição (a Bíblia não se contradiz)  com inúmeros outros textos que asseguram a salvação eterna para quem a possui, como por exemplo: “Tudo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” Jo 6.37.  “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte” Rm 8.1,2. A salvação não depende de nós e sim do Senhor. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” Ef 2.8,9.
     A carta à igreja de Sardes termina com o solene apelo para que se dê ouvido à voz do Espirito que está no meio da Igreja.        
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sábado, 20 de setembro de 2014

A Igreja de Tiatira (Ap 2.18-29)


      A cidade de Tiatira era um importante centro comercial da Ásia Menor. Ela estava localizada numa posição estratégica, numa rota comercial entre outras importantes cidades da época. Nela havia uma fortíssima associação comercial que para fazer parte dela as empresas comerciais e industriais tinham que se comprometer com a religião dominante na cidade, que era a do culto aos deuses gregos.
    Nessa cidade, a Igreja que talvez tenha sido fundada por Lídia, vendedora de purpura, convertida através do ministério de Paulo, era muito forte e foi elogiada por Jesus, por causa do seu amor por Ele e pelos irmãos na fé, pelo seu serviço, pela sua fé e pela sua paciência, virtudes essas abundantes naquele ministério.
    O Senhor Jesus se apresenta aquela igreja como o Filho de Deus, como aquele que tinha os olhos como chamas de fogo e os pés semelhantes ao latão polido. “E ao anjo da igreja de Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao latão reluzente” Ap 2.18.  Tudo indica que naquela igreja, apesar de suas virtudes, tinha um segmento de pessoas que não acreditava que Jesus fosse o Filho de Deus, e como consequência não tinha consciência de que Jesus, com o seu olhar penetrante, conhecia tudo o que se passava dentro dela. Os seus pés semelhantes ao latão reluzente fala sobre a sua autoridade, o seu domínio, onde tudo se encontra aos seus pés, fala também de sua autoridade para julgar.

    Na análise da vida interna da Igreja, depois de falar das suas grandes virtudes, o Senhor Jesus revela que na Igreja havia uma mulher que Ele chamou de Jezabel, que se dizia profetisa, e que era tolerada, e que ensinava e enganava aos crentes que contextualizar-se com a sociedade da época, ou seja, praticar a imoralidade sexual e comer das coisas sacrificadas aos ídolos, não era nenhum mal aos olhos de Deus.
   Em seguida, o Senhor Jesus faz uma pesada advertência a Igreja, chamando a profetisa Jezabel e aos crentes faltosos ao arrependimento sob pena de feri-los com enfermidade e morte. “E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu. Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras. E ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda as mentes e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras” Ap 2.21-23. A punição aos crentes faltosos serviria para mostrar que Deus é o justo Juiz e que retribui a cada um segundo as suas obras. Jesus ainda censura outro ensinamento de Jezabel que era que os irmãos deveriam conhecer as profundezas de Satanás para poder combatê-lo. “Mas eu vos digo a vós e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei” Ap 2.24.
   Quanto à promessa que é feita a Igreja, Jesus disse que ao vencedor seria dado poder sobre as nações e que ele a governaria com vara de ferro e que também lhe daria a brilhante estrela da manhã. “E ao que vencer e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações, e com vara de ferro as regerá; e serão quebradas como vasos de oleiro; como também recebi de meu Pai, dar-lhe-ei a estrela da manhã” Ap 2.26-28. Com essa linguagem simbólica Jesus queria dizer que os crentes vencedores teriam autoridade para subjugar as cidadelas do mal e que tudo estaria sob os seus pés, através da autoridade delegada por Cristo a Igreja. Quanto a brilhante estrela da manhã, essa expressão simbólica refere-se a Cristo “Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a resplandecente Estrela da manhã” Ap 22.16, e a glória real comunicada por Ele à Igreja, considerando que ela é a comunidade composta de reis e sacerdotes. “e nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai, a ele, glória e poder para todo o sempre. Amém!” Ap 1.6.        
 Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A Igreja de Pérgamo (Ap 2.12-17)


      A cidade de Pérgamo, atual Bergama, na Turquia, Ásia Menor, na época era um importante centro religioso e cultural. O nome Pérgamo deriva-se de um material para escrita utilizado por ela devido à escassez de papel oriundo do papiro egípcio. Eles utilizavam o pergaminho (pele de animal curtida) para a escrita, dai o nome Pérgamo. Nessa cidade tinha os templos dos deuses gregos Zeus,  Atena, Dionísio e Asclépio cujo símbolo era uma serpente, o deus da cura. Tinha também templos destinados ao culto dos imperadores romanos Augusto, Trajano e Severo.
    Devido a essa atmosfera espiritual derivada desses cultos, o Senhor Jesus identifica a cidade como o lugar onde Satanás habitava, tinha feito o seu domicilio, ou seja, tinha uma influência poderosa a ponto de controlar quase todos os segmentos dessa importante cidade. A perseguição ao Cristianismo era muito forte na cidade, inclusive já tinha levado um irmão da igreja ao martírio, Antipas, uma fiel testemunha de Jesus.
    O Senhor Jesus se apresenta a essa Igreja como aquele que tinha a espada aguda de dois gumes. “E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios” Ap 2.12. Essa espada representa o poder destruidor de sua palavra para vingar o seu povo pelo sofrimento que estava enfrentando da parte dos idólatras, bem como  para punir aqueles crentes da Igreja que estavam sendo seduzidos pela doutrina de Balaão e pelos ensinos dos Nicolaítas.

   Ao analisar a vida interna da Igreja de Pérgamo, o Senhor a elogia por permanecer fiel aos ensinamentos de Jesus a despeito da perseguição que vinha sofrendo. “Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita” Ap 2.13.  
    Nessa análise o Senhor ainda identifica as fraquezas da Igreja, que era ter dentro dela, inclusive sendo tolerado, um grupo de irmãos que seguiam a doutrina de Balaão e a dos Nicolaítas. “Mas umas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel para que comessem dos sacrifícios da idolatria e se prostituíssem. Assim, tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu aborreço” Ap 2.14,15. Esse grupo praticava aquilo que era proibido por Deus em sua Palavra: a idolatria e a imoralidade sexual. Esclarecendo melhor a questão, eles se identificavam como seguidores de Cristo, mas participavam das festividades onde eram oferecidas comidas e bebidas aos ídolos bem como onde a prostituição cultual era comum. Esse ensino era, em tese, o mesmo que o profeta Balaão no seu tempo usou para enganar o povo de Deus (Veja Nm 25.1-18; 31.16). Os Nicolaítas esposavam o mesmo ponto de vista dos da doutrina de Balaão, inclusive o uso da fralde para seduzir os irmãos da Igreja.
    Em seguida a análise na vida interna da Igreja, o Senhor Jesus convoca os prevaricadores a se arrependerem dessa prática pecaminosa sob pena de sofrerem a disciplina imposta pelo poder de Sua Palavra. “Arrepende-te, pois; quando não, em breve virei a ti e contra eles batalharei com a espada da minha boca” Ap 2.16.
   Finalmente o Senhor faz uma promessa ao vencedor, como é feita nas outras cartas. “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe” Ap 2.17. O maná escondido se reporta a Cristo como o alimento espiritual verdadeiro que só o que o experimenta são aqueles que são escolhidos por Deus. (Veja Jo 6.48-51). Quanto à pedra branca com um nome desconhecido que só os crentes o conhecem é o precioso nome de Jesus. Essa pedra será entregue somente aos eleitos de Deus, vencedores.           
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A Igreja de Esmirna (Ap 2.8-11)


      Não sabemos quem fundou a Igreja de Esmirna, talvez ela tenha sido fundada por algum dos convertidos no dia de Pentecostes, quando o Espirito Santo foi derramado sobre a Igreja nascente. O livro de Atos nos diz que naquele dia estavam em Jerusalém judeus e prosélitos de diversas nações. “E em Jerusalém estavam habitando judeus, varões religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu” At 2.5. “Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, e Judéia, e Capadócia, e Ponto, e Ásia, e Frígia, e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos (tanto judeus como prosélitos), e cretenses, e árabes, todos os temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus” At 2.9,11.
     O nome Esmirna advém de uma resina aromática de uma árvore abundante na cidade, chamada de mirra, em grego smyrna.  Aquela cidade tornou-se muito importante na época do império romano porque tinha dois templos, um dedicado a deusa Roma  (Dea Roma) e o outro a Tibério, imperador romano, que era adorado como um deus, além dos templos de Zeus e Ártemis.
     No Apocalipse, a essa Igreja foi destinada a segunda das sete cartas. A Igreja de Esmirna compunha-se de crentes sem muita expressão social, eram pobres, mas ricos espiritualmente, conforme informação contida na própria carta. “Eu sei as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus e não o são, mas são a sinagoga de Satanás” Ap 2.9.

     Jesus se apresenta àquela Igreja como o Primeiro e o Último, o que morreu, mas que ressuscitou dos mortos. “E ao anjo da igreja que está em Esmirna escreve: Isto diz o Primeiro e o Último, que foi morto e reviveu” Ap 2.8. Ao se apresentar àquela Igreja dessa forma o Senhor queria dizer para ela que Ele é Deus, o inicio e o fim de todas as coisas, tudo foi feito por Ele, por causa dEle e para Ele. Também nessa apresentação o Senhor lembra a Igreja que mesmo sendo Deus Ele se fizera homem, encarnara (Veja Jo 1.14), para morrer pelos pecados do seu povo, mas que ressuscitara dos mortos e estava vivo para todo o sempre.
    Na análise que o Senhor fez daquela Igreja não foi identificado ponto negativo e sim positivo. “Eu sei as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus e não o são, mas são a sinagoga de Satanás” Ap 2.9. Nessa analise Jesus informa a Igreja que estava acompanhando o seu bom ministério apesar de seus parcos recursos econômicos, bem como as dificuldades que a mesma enfrentava especialmente por parte dos judeus ortodoxos, inimigos ferrenhos da Igreja do Senhor. Essa blasfêmia de que Ele fala certamente se refere ao ensino judeu de que Jesus não era Deus, consequentemente não poderia ser adorado.
     A advertência que o Senhor faz a Igreja é para que ela permaneça firme nas tribulações por causa do Evangelho, que não temesse diante do que viria padecer. “Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”. Ap 2.10. Ainda o Senhor adverte que o grande opositor da Igreja, o diabo, estava furioso contra ela e que alguns irmãos iriam ser aprisionados por causa do Evangelho.  Essa tribulação de dez dias quer dizer que seria intensa, mas de curta duração.
     Quanto à promessa que o Senhor fez aquela Igreja é a mesma que Ele faz aos crentes hodiernos - a coroa da vida e não sofrer o dano da segunda morte. “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: O que vencer não receberá o dano da segunda morte” Ap 2.11. A Bíblia ensina que o crente em Cristo já nasceu de novo, ressuscitou espiritualmente, e sobre ele a segunda morte, que é a morte eterna, não tem nenhum poder. “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte”. Rm 8.1,2.      
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

A Igreja de Éfeso (Ap 2.1-7)


      O trabalho evangélico na cidade de Éfeso foi fundado por Paulo em sua terceira viagem missionária. Esse  trabalho também recebeu a colaboração, em seu inicio, de um obreiro chamado Apolo.
     A Igreja de Éfeso era tão importante aos olhos de Deus que a ela foram destinadas duas cartas canônicas, uma escrita por Paulo e a outra do próprio Jesus, Senhor da Igreja, usando a instrumentalidade de João.
     Como já foi dito no boletim anterior, as cartas do Apocalipse tem quatro partes em comum, que são:   Uma apresentação do Senhor Jesus a Igreja, tirada da visão do capitulo primeiro; 2) Uma análise da vida espiritual da Igreja, identificando pontos positivos e negativos; 3) Uma advertência feita a Igreja pelo seu Senhor sobre a necessidade de abandonar o pecado e voltar-se para Ele; 4) Uma promessa do Senhor ao vencedor.
    Para essa Igreja, o Senhor Jesus se apresentou como aquele que tem em sua mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete castiçais de ouro. “Escreve ao anjo da igreja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro” Ap 2.1. (Os dois símbolos desse texto são interpretados pelo próprio Jesus que disse que as estrelas são os sete anjos das sete Igrejas, e que os sete castiçais são as sete Igrejas). Essa apresentação de Jesus a Igreja de Éfeso revela que Ele é o Senhor da mesma e que os pastores e presbíteros que governam a Igreja estão em suas mãos. Quer dizer também que Jesus, como Deus onipresente que é, vive também no meio das Igrejas locais, observando a sua boa ordem como revelado no versículo seguinte.

    Na parte seguinte Jesus revelou que conhecia a vida íntima daquela Igreja bem como a dos seus membros em particular. “Eu sei as tuas obras”. Nesse texto é   revelado outro atributo de Deus que é a sua onisciência, que é aquela capacidade peculiar que Deus tem de conhecer profundamente tudo e todos.
     São ainda revelados os pontos positivos daquela Igreja que são: trabalho, paciência na tribulação, discernimento espiritual, pureza moral  e doutrinal. “Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e tu os achaste mentirosos; e sofreste e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste” Ap 2.2,3. “Tens, porém, isto: que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço” Ap 2.6 .
     O Senhor Jesus também revelou aquela Igreja o seu ponto negativo que era a perda  de sua devoção a Ele. “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor” Ap 2.4. A Igreja já não amava a Cristo como no início de sua organização. Já não era aquela Igreja revelada na carta que Paulo escrevera para ela,  e isso era um pecado grave diante de Deus.
     Em seguida, Jesus fez uma solene advertência a Igreja que voltasse a praticar as primeiras obras, ou seja, a ter uma vida espiritual sadia onde a devoção a Cristo ocupasse o primeiro lugar. “Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres” Ap 2.5. O perigo que essa Igreja corria, caso não se arrependesse, era o da sua descaracterização como Igreja evangélica. O Senhor ameaçou retirar dela o seu castiçal (remover o seu brilho, a sua luz). Seria uma comunidade dirigida apenas pelos homens e não pelo Espírito do Senhor como é o propósito de Deus.
     Por fim, Jesus faz uma promessa ao vencedor, aquele que permanecesse fiel, que ouvisse a voz do Espirito que fora dado para viver dentro  dos crentes individuais e no meio da Igreja, que seria a plenitude da benção do Evangelho: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus” Ap  2.7.
    Irmãos, aprendamos as lições extraídas da carta à Igreja de Éfeso e procuremos manter vivo o primeiro amor, ou seja,  priorizando em tudo o Senhor e o Seu Reino (Mt 6.33).             
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

As Sete Igrejas do Apocalipse


    Estamos iniciando no boletim dominical da Igreja uma série de estudos sobre as sete cartas do livro de Apocalipse, destinadas às sete igrejas da Ásia Menor, existentes na época (Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia). Mas antes de falarmos sobre cada uma delas, daremos uma visão panorâmica sobre o livro citado para facilitar a compreensão das cartas bem como a sua mensagem para os nossos dias.
     O livro de Apocalipse em seu estilo literário é totalmente diferente dos outros livros do Novo Testamento, tendo semelhança com alguns livros do Antigo Testamento em algumas das partes deles como, por exemplo, Daniel, Zacarias, Isaías e Ezequiel.
    O estilo literário em que foi escrito Apocalipse chama-se de literatura apocalíptica, estilo literário utilizado intensamente na segunda metade do período inter-biblico e o primeiro século da era cristã. Esse estilo literário apresenta a sua mensagem através de figuras de linguagem, símbolos, numerologia, etc. A mensagem geral dos livros escritos em linguagem apocalíptica era para consolar o povo de Deus que sofria perseguição por parte do estado e de outras religiões. Basicamente a mensagem era esta: vocês estão sofrendo por causa da fé, tenham paciência por que Deus há de intervir, punir os seus opressores e dá um final feliz a vocês.

   Devido à dificuldade de interpretar o livro de Apocalipse surgiram, ao longo da história da Igreja, quatro linhas de pensamento ou escolas: a)  a Escola Preterista, que ensina que o livro de Apocalipse refere-se a Igreja do primeiro século estando pendente apenas a segunda vinda do Senhor e a consequente consumação de todas as coisas; b) a Escola Historicista que ensina que o livro refere-se a Igreja ao longo de sua trajetória na terra desde o seu inicio até a segunda vinda do Senhor; a Escola Futurista, que ensina que apenas se cumpriu no primeiro século da era cristã os três primeiros capítulos do livro, o restante é escatologia ou seja refere-se as últimas coisas; e a quarta escola que é a Idealista, ensina que o livro não deve ser interpretado literalmente e sim que nele se encontram princípios espirituais que contemplam a luta espiritual da Igreja e a sua vitória final através do Senhor Jesus Cristo.
    Há ainda um ponto de vista esposado por um grande grupo de renomados teólogos dentre eles os doutores Martyn Lloyd-Jones e William Hendricksen que é o Histórico Espiritual, que se assemelha a Escola Idealista, mas que não descarta o contexto histórico do livro. Nesse ponto de vista esses estudiosos veem no livro uma simetria maravilhosa. Dividem o livro em duas partes: Uma trata do conflito da Igreja contra as forças espirituais (1-11), e a outra revela a profundidade desse conflito no reino espiritual (12-22). Esses teólogos identificam sete seções  nessas duas divisões. Essas secões são paralelas, uma trazendo mais luz sobre a outra, ou seja, uma esclarecendo e enriquecendo a outra.  A primeira divisão contém três seções: (a) Cristo no meio dos sete candeeiros de ouro (1-3); b) O livro com sete selos (4-7); c) As sete trombetas do juízo  (8-11); A segunda divisão contém quatro seções: d) A Mulher e o filho varão perseguidos pelo dragão e seus auxiliares (as duas bestas e a grande prostituta) (12-14); e) As sete taças da ira divina (15,16); f) A queda da grande prostituta e das bestas (17-19); g) O juízo sobre o dragão (Satanás) seguido da revelação do novo céu e nova terra, a Nova Jerusalém (20-22).
   Olhando para as cartas do livro de Apocalipse de uma forma panorâmica, podemos observar nelas quatro coisas comuns a cada uma delas, que são: 1) Uma apresentação do Senhor Jesus tirada da visão do capitulo primeiro; 2) Uma análise da vida espiritual da Igreja, identificando pontos positivos e negativos; 3) Uma advertência feita a Igreja pelo seu Senhor sobre a necessidade de abandonar o pecado e voltar-se para Ele; 4) Uma promessa do Senhor ao vencedor.
  A mensagem contida no livro de Apocalipse e especialmente nas sete cartas é também para a Igreja da atualidade, por isso iremos enfatizá-la no boletim da nossa Igreja.            
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Simão, o mágico (At 8.9-13) No relato do texto em apreço, nos é apresentada a figura de um homem famoso na cidade de Samaria, onde De...