sábado, 30 de outubro de 2010

Um Coral como instrumento de louvor

Deus no seu programa eterno determinou a existência da Igreja tanto na sua expressão universal como na sua expressão local. A Igreja Universal se expressa neste mundo através da Igreja local a quem Deus deu quatro grandes ministérios a serem exercidos no cotidiano de sua vida eclesiástica: Adoração, Edificação, Proclamação e Beneficência.

Para o exercício desses ministérios de uma forma eficaz o Senhor concedeu aos componentes da Igreja dons naturais e/ou espirituais.

A todos o Senhor graciosamente concedeu a voz para, dentre outras coisas, expressarem a sua gratidão ao Pai Celestial em forma de louvor, que faz parte do ministério da adoração da Igreja. Ainda nessa linha de raciocínio o Senhor graciosamente deu as vozes timbres diferente com sonoridades de baixo, contralto, tenor e soprano, que são as vozes que harmonizadas formam um coral.

A primeira notícia que temos na Bíblia de um coral organizado mais ou menos nos moldes atuais é da época do rei Davi (1 Cr 25.1-39). Nessa organização três homens se destacaram: Asafe, Hemã e Jedutum. Os seus filhos eram cantores e instrumentistas. Todos somavam 288 pessoas consagradas para o serviço no santuário. “E era o número deles, juntamente com seus irmãos instruídos no canto ao SENHOR, todos eles mestres, duzentos e oitenta e oito” 1 Cr 25.7. Esses cantores que, sob a orientação de seus pais, celebravam ao Senhor eram levitas, separados por Deus exclusivamente para esse ministério.

Diz-nos o texto sagrado que esses homens quando exerciam o seu ministério de louvor estavam profetizando, ou seja, estavam trazendo uma mensagem cantada em nome do Senhor. E essa mensagem era uma mensagem abençoada e abençoadora que servia para edificação, consolação e exortação, conforme Paulo nos revela sobre o ministério profético na Igreja. “Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação” 1 Co 14.3. Ainda sobre o assunto é bom lembrar que esse coral cantava os salmos disponíveis na época. O livro de Salmos da Bíblia Sagrada era o hinário do povo de Deus do passado.

Ainda de acordo com o texto sagrado os componentes daquele coral eram pessoas preparadas, mestres na área do cântico. Evidentemente se eram mestres é porque eram especialistas, treinados para se apresentar nas celebrações no santuário. Isso implicava em ensaios e treinamentos contínuos, pois eles entendiam que deviam se preparar melhor para bem servir ao Senhor. É bom lembrar também que não era só o preparo técnico que faziam para se apresentar no santuário, mas também cuidavam da vida devocional para manterem a unção do Espírito sobre eles, pois, estavam profetizando na casa do Senhor (1 Cr 25.1).

Amados, hoje estamos celebrando ao Senhor pelo aniversário do Conjunto Coral da III Igreja Evangélica Congregacional de João Pessoa. Agradecemos a Deus pela existência do Coral Filhos do Rei, pela vida desses abnegados irmãos que fazem essa instituição e que tem se doado para melhor servir ao Senhor na área para a qual foram chamados. A todos manifestamos a nossa gratidão como Pastor Titular da III IEC/JPA, mui especialmente ao Presb. Adelson Alexandre, diretor do DLOV, a Murilo, diretor do Coral e a Christyanne, regente. Queira o bondoso Deus recompensar a esses irmãos bem como a todos o restante da diretoria do coral e aos coristas, filhos do Rei.

Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

O Pastorado

A Igreja, tanto na sua expressão Universal como na sua expressão Local, é uma instituição divina, sendo Jesus o supremo Pastor da mesma. “Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua ida pelas ovelhas” Jo 10.11 (Veja ainda 1 Pe 5.4).
De acordo com o plano estabelecido por Deus desde a eternidade, o Senhor constituiu dentro da Igreja local o ofício de Pastor, para tomar conta daquela porção do seu rebanho. “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e inteligência” Jr 3.15. “E ele mesmo deu uns para... pastores e mestres” Ef 4.11. Segundo se extrai dos dois textos citados, o Pastor é uma dádiva de Deus a Igreja visando tomar conta dela, apascentá-la. Isso pressupõe uma chamada divina específica para esse oficio e traz como conseqüência uma benção de Deus para o ministério pastoral.

A Bíblia ainda estabelece o perfil para o ministério pastoral que é encontrado nas cartas pastorais de Paulo 1 Tm 3.1-7 e Tt 1.5-9.

Esse ofício é reconhecido pela Igreja que apresenta o seu candidato para a respectiva ordenação junto à associação de

igrejas que a mesma é filiada. Uma vez ordenado, o Pastor recebe autoridade divina para exercer o seu ministério de acordo com os dons naturais e espirituais concedidos por Deus a ele.

Nas Igrejas de nossa Denominação (Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil), os pastores para exercerem o seu ministério junto a uma Igreja local, precisam ser escolhidos por elas, mediante eleição democrática dos seus membros. Uma vez eleito pela Igreja e empossado no ministério pastoral, entende-se que a vontade de Deus foi manifestada através da decisão da Igreja.
O Senhor Jesus ordenou que a Igreja sustentasse condignamente o seu pastor, ou seja, que disponibilizasse as coisas necessárias para que o mesmo tenha as suas necessidades materiais e as de sua família atendidas. “Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho” 1 Co 9.14. “e o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui” Gl 6.6.

Se por um lado Deus ordenou que o Pastor fosse um exemplo para o seu rebanho (Hb 13.7; 1 Pe 5.3), ordenou também que as ovelhas obedecessem às orientações do Pastor no cotidiano do seu ministério. “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria, e não gemendo, porque isso não vos seria útil” Hb 13.17.
Para ajudar o Pastor em seu ministério, Deus deu a Igreja duas outras categorias de oficiais, que são os Presbíteros e Diáconos. Esses ofícios dentro da Igreja local devem fortalecer as mãos do Pastor e ajudá-lo a gerir as coisas da Igreja, os primeiros na área espiritual e os outros nas suas temporalidades.

Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Os pais no programa divino

Deus ao criar o ser humano o fez macho e fêmea. “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” Gn 1.27. Ao macho (homem) o Criador deu a capacidade de fornecer a semente para que no ventre da fêmea (mulher) fossem gerados os filhos e assim a família fosse constituída, segundo o programa divino. Ainda segundo esse programa a procriação deve ser feita num ambiente familiar, sob a bênção do matrimônio.

Cada pessoa de uma família faz parte do programa divino, com a responsabilidade de promover a glória de Deus, crescer e se multiplicar e povoar a terra. “E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a;...” Gn 1.28.

Além do papel natural de fornecer a semente para a geração de filhos, Deus deu prioritariamente ao pai, o papel de educador, ou seja, de ensinar aos seus filhos, inclusive através do exemplo, as coisas relacionadas a Deus, para que eles possam temê-lo, experimentá-lo e viverem felizes neste mundo e na eternidade. “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te” Dt 6.6,7.

Tratando ainda do papel do pai no programa divino deve-se entender que cabe a ele e também a mãe a responsabilidade de suprir a sua família com as coisas necessárias para a sua subsistência, além de assegurar o futuro dela.

Tratando-se de um pai crente é seu dever ainda cuidar da vida espiritual de seus filhos. Ele é o responsável diante de Deus, junto com a sua mulher, de criar os seus filhos de acordo com os ensinamentos bíblicos. “E vós, pais,... criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” Ef 6.4. Ainda nessa área o pai não deve se esquecer de que sobre ele pesa ainda a grande responsabilidade de orar incessantemente pelos seus filhos. “Levanta-te, clama de noite no princípio das vigias; derrama o teu coração como águas diante da presença do Senhor; levanta a ele as tuas mãos, pela vida de teus filhinhos, que desfalecem de fome à entrada de todas as ruas” Lm 2.19.

Como modelo bíblico de um homem que tinha uma consciência real de seu papel de pai de acordo com o programa divino, identificamos o patriarca Jó. O texto sagrado diz desse pai que ele era extremamente zeloso pela vida espiritual de seus filhos, intercedendo por eles continuamente ao Senhor. “Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Talvez pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente” Jó 1.5.

Caríssimo pai, você que recebeu de Deus a graça da paternidade, neste dia em que comemoramos o Dia dos Pais, parabenizamos-lhe por esta data e ao mesmo tempo lhe convidamos a reconhecer a Jesus como Salvador e Senhor de sua vida e a aceitá-lo, se ainda não fez isso, e a consagrar a sua vida ao Senhor se já professou a sua fé em Cristo, servindo-O com dedicação através da Igreja da qual faz parte.

Que Deus abençoe aos pais que fazem a III IEC/JPA, tanto aos que assistem no templo sede bem como aqueles que assistem nas suas Congregações. Feliz Dia dos Pais!

Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

A perseverança na oração

Perseverar, segundo o dicionário de Aurélio, é: Conservar-se firme e constante. Continuar a ser ou ficar; continuar, perdurar; permanecer sem mudar ou sem variar de intento.

Em diversas ocasiões na Bíblia encontramos o mandamento para perseverarmos na prática de algumas virtudes da vida cristã, inclusive para perseverarmos na oração. “... perseverai na oração” Rm 12.12. “Perseverai em oração, velando nela com ação de graças” Cl 4.2. “Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos” Ef 6.18. O Salvador, que viveu uma vida de intensa oração, contou uma parábola para incentivar aos seus discípulos a perseverarem na oração. “E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer...” Lc 18.1-8.

Observa-se na vida dos crentes em geral que quando estão enfrentando alguma dificuldade dedicam-se a oração. As dificuldades os levam a subir a casa do Senhor e a freqüentarem os cultos de oração da Igreja e a orarem em particular. Atendida a necessidade, devagarzinho, vão deixando de perseverar em oração, pensando que a oração só deve ser praticada para solução de problemas. Essa atitude é uma atitude errada, pois, antes de ser um instrumento para a solução de problema a oração é uma forma de adorarmos a Deus.

A oração ainda é um instrumento para confissão de pecados, para manifestação da nossa gratidão por todas as bênçãos que o Senhor nos tem concedido por graça e por misericórdia, além de ser um instrumento para afinar a nossa comunhão com o Senhor, pois no momento da oração estamos entrando na presença de Deus, graças à mediação de nosso Senhor Jesus Cristo. Estamos conversando “face a face” com Deus pela fé, e nos habilitando para Deus falar conosco. A oração constante e perseverante também atrai o poder de Deus para a vida do crente capacitando-o para fazer a obra de Deus de uma forma que Lhe seja agradável.

O salvo deve entender que a sua alma respira a oração, necessita da oração para viver uma vida de comunhão com Deus e para viver uma vida cristã frutífera. Era isso que os irmãos antigos entendiam, pois, estavam sempre se reunindo para orar a Deus. “Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos” At 1.14. “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” At 2.42

No reino espiritual não se consegue fazer muita coisa a não ser quando se vive uma vida de constante oração. O diabo sabe disso e faz tudo para tirar o crente do lugar da oração. Ele buzina nos ouvidos dos crentes amplificando o desânimo e o cansaço, fazendo com que seja um peso em suas vidas ou lhes apresenta coisas interessantes, bonitas, atraentes como um programa de televisão, um momento de lazer, etc. Há ainda aquelas situações em que nós mesmos colocamos sobre nós uma carga excessiva de trabalho quer se tratando de afazeres domésticos quer se tratando do nosso “ganha pão”, e dizemos que não temos tempo para estar aos pés de Jesus, juntos com os nossos irmãos, orando por nós mesmos, por nossas família, pela Igreja e pela salvação das almas perdidas.

Diante disso, amados, lutemos para perseverar em oração, independente de circunstâncias, pois há um poder extraordinário na súplica de um crente. (Veja Tg 5.16).

Pr. Eudes Lopes Cavalcanti