PERGUNTA 37. Quais são as bênçãos que os fiéis
recebem de Cristo na hora da morte? R. As almas dos fiéis na hora da morte são
aperfeiçoadas em santidade, e imediatamente entram na glória; e os corpos que
continuam unidos a Cristo, descansam na sepultura até a ressurreição. Ref. Ap
14.13; Lc 23.43; At 7.55, 59; Fp 1.23; 1Ts 4.14; Jo 5.28-29; 14.2-3; Hb
12.22-23. Nosso Comentário: o ser
humano é uma dicotomia, compõe-se de uma parte material e outra espiritual. Por
ocasião da morte física há uma separação. A parte física, o corpo, é depositada
na sepultura para se desfazer em pó como determinado por Deus por ocasião da
entrada do pecado no mundo: Tu és pó e em pó te tornarás (Gn 3.19). A parte
espiritual, a alma chamada também de espirito, é projetada na eternidade para
um dos lugares determinados por Deus para elas - o paraíso (a presença de
Deus), ou para um lugar afastado de Deus, o inferno, dependendo o destino
eterno da pessoa da decisão que tomou, em vida, em relação a fé em Cristo. A
pergunta e a resposta de nº 37 do Breve Catecismo tratam do destino da alma
redimida, salva pelo poder do sangue de Cristo derramado na cruz. Essas almas
são aperfeiçoadas em santidade e estão descansando no Céu. “Mas chegastes... à universal assembleia e
igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o Juiz de
todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados”. Hb 12.22,23. “Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de
que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro, somente males; e, agora, este
é consolado, e tu, atormentado” Lc 16.25. O corpo do crente em Cristo,
depositado na sepultura, mesmo desfeito no pó da terra, está sob a promessa de
Deus de que quando da segunda vinda de Cristo ressuscitará em glória, para o
gozo pleno (a pessoa integral) das beatitudes do Evangelho.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
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terça-feira, 7 de janeiro de 2020
PERGUNTA 36. Quais são as
bênçãos que nesta vida acompanham a justificação, adoção e santificação ou
delas procedem? R. As bênçãos que nesta
vida acompanham a justificação, adoção e santificação, ou delas procedem, são:
certeza do amor de Deus, paz de consciência, gozo no Espírito Santo, aumento de
graça, e perseverança nela até ao fim. Ref. Rm 5.1-5; 14.17; Jo 1.16; Fp 1.6;
1Pe 1.5. Nosso Comentário:
Escrevendo aos Efésios, Paulo no início de sua carta, nos diz que Deus já nos
abençoou com toda a sorte de bênçãos espirituais nos lugares celestiais em
Cristo Jesus (Ef 1.3). As bênçãos identificadas na pergunta acima têm como
consequências naturais, ou práticas, para a vida da Igreja de Cristo, dentre
outras as seguintes coisas: a) Convicção do amor dispensado por Deus a ela “Mas Deus prova o seu próprio amor para
conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”
Rm 5.8; b) Uma consciência purificada pelo sangue de Cristo que lhe concede
tranquilidade no meio das tribulações. “Ora
o fim do mandamento é a caridade de um coração puro, e de uma boa consciência,
e de uma fé não fingida” (1 Tm 1.5); c) Gozo ou alegria no Espirito, que é
uma das partes do fruto do Espirito Santo (Gl 5.22); d) A abundância do favor
de Deus dispensado aos Seus filhos adotivos, tratando-os com graça e
misericórdia (Rm 5.20); e) e a perseverança na fé até ao final da vida do
cristão neste mundo. Os crentes genuínos perseverarão na fé até o último dia de
suas vidas, pois a graça divina não os abandonará. “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de
modo nenhum o lançarei fora” Jo 6.37.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
PERGUNTA 35. Que é santificação? R. É a obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em
todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, e habilitados a morrer cada vez
mais para o pecado e a viver para a retidão. Ref. 1Pe 1.2; Ef 4.20-24; Rm 6.6;
12.1-2. Nosso Comentário: Outra bênção
que acompanha a pessoa eficazmente chamada é a santificação. Santificação é uma
obra de purificação produzida pelo Espirito Santo na vida da pessoa que crer em
Jesus Cristo. Essa purificação é feita pelo poder do sangue de Cristo derramado
na cruz. Essa obra tem duas facetas. Uma, no ato da conversão a Cristo, quando
todos pecados pregresso da pessoa são perdoados e seu coração purificado. É o
que se chama em Teologia de Santificação Posicional. Essa faceta da
Santificação envolve a purificação de todos os pecados do crente em Cristo
(passados, presentes e futuros), por isso que ele é identificado na Bíblia como
santos, santificados em Cristo Jesus (1 Co 1.2). Acontece que a obra de
regeneração não extirpa a natureza pecaminosa da pessoa convertida. A
regeneração infunde uma nova natureza, uma nova vida, mas não anula a natureza
propensa ao pecado. Essa dualidade é comum a todos os crentes em Cristo. Ele é
um santo pecador. Devido a exigência divina para que o crente viva uma vida de
santidade (1 Ts 4.3,7), ou seja, viver aquilo que ele é Cristo, entra aí a
outra faceta da santificação que é a Santificação Experimental. Essa faceta é
uma obra também do Espirito Santo (1 Ts 5.23), mas que exige do crente uma
atitude de confissão e abandono dos pecados cometidos após a conversão. Essa
santificação experimental é uma batalha espiritual contínua envolvendo o
próprio cristão. Paulo falou sobre a carne (a natureza pecaminosa) lutando
contra o Espirito e o Espirito Santo lutando contra a carne (Gl 5.17). Essa
luta é uma batalha em que o Espírito deve prevalecer, pois a Palavra de Deus
diz onde abundou o pecado superabundou a graça de Deus, mas mesmo assim Deus
conta com a participação dos crentes nesse processo, daí os mandamentos que
tratam do assunto.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
sábado, 14 de dezembro de 2019
PERGUNTA 34. Que é adoção?
R. Adoção é um ato de livre graça de Deus, pelo qual somos
recebidos no número dos filhos de Deus, e temos direito a todos os seus
privilégios.
Ref. 1Jo 3.1; Jo 1.12; Rm 8.14-17.
Nosso
Comentário: Outra das grandes bênçãos que Deus
graciosamente concede ao crente em Cristo é a adoção. Adoção, segundo se
entende do escopo geral da doutrina cristã, é a manifestação da livre graça de
Deus em que Ele recebe como filhos aquelas pessoas que creem em Cristo. Nessa
adoção todos os direitos de um filho natural é conferido aos filhos adotivos de
Deus. “mas, vindo a plenitude dos tempos,
Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que
estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. E, porque sois
filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama:
Aba, Pai. Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também
herdeiro de Deus por Cristo” Gl 4.4-7. Olhando para a carta aos Efésios,
Paulo nos diz que essa adoção faz parte do programa redentor, e que ela foi
planejada na eternidade: “como também nos
elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e
irrepreensíveis diante dele em caridade, e nos predestinou para filhos de
adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade”
Ef 1.4,5. Escrevendo aos Romanos sobre o assunto, Paulo disse: “Porque não recebestes o espírito de
escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de
adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai... E, se nós somos filhos,
somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo;
...” Rm 8.15-17. A adoção nos dá direito de herdarmos de todas as bênçãos que
Deus tem reservadas para os seus. Além das bênçãos espirituais, os filhos de
Deus gozam também de proteção, cuidado, livramentos e provisões da parte do Pai
Celestial. Essa bênção é tão grande que João, apóstolo, disse: “Vede quão grande caridade nos tem concedido
o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus”. 1 Jo 3.1.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
PERGUNTA 33. Que é justificação?
R. Justificação é um ato da livre graça de Deus, no qual Ele
perdoa todos os nossos pecados, e nos aceita como justos diante de Si, somente
por causa da justiça de Cristo a nós imputada, e recebida só pela fé.
Ref. Ef 1.7;
2Co 5.21; Rm 4.6; 5.18; Gl 2.16.
Nosso
Comentário: na resposta à pergunta anterior do
Breve Catecismo, são identificadas algumas das bênçãos que acompanham a vida
daquela pessoa eficazmente chamada pelo Espirito Santo para pertencer a Cristo,
dentre elas a benção da justificação. A justificação é um livre ato da graça de
Deus, no qual Ele perdoa todos os pecados da pessoa que crê em Cristo, e a
aceita como justo diante de Si, graças a justiça de Cristo conseguida na cruz,
que é imputada ao pecador pela fé. “o
qual (Jesus Cristo) por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa
justificação” Rm 4.25. Ainda escrevendo aos Romanos Paulo disse que o
crente em Cristo foi justificado pela fé. “Sendo,
pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo”
Rm 5.1. Adão quando pecou atraiu sobre si e sobre a sua descendência a culpa
pelo pecado cometido, bem como a corrupção da natureza humana. O homem já nasce
morto em delitos e pecados e afastado de Deus. É considerado, portanto, um
injusto, um ímpio. O sacrifício de Cristo na cruz do Calvário em favor do
pecador satisfez plenamente a justiça divina ultrajada pelo pecado do homem.
Quando Cristo morreu e ressuscitou, levando a culpa do homem, Ele, Cristo,
tornou-se o justificador do seu povo diante de Deus. Os méritos conquistados
por Cristo na cruz são imputados ao pecador que, arrependido, crê nele,
justificando-o diante de Deus. “sendo
justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo
Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para
demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a
paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para
que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” Rm
3.24-26.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
PERGUNTA 32. Que bênçãos gozam nesta vida aqueles que são
eficazmente chamados? R. Aqueles que são
eficazmente chamados, gozam, nesta vida, da justificação, adoção e
santificação, e das diversas bênçãos que acompanham estas graças ou delas
procedem.
Ref. Rm 8.30; Ef 1.5; 1Co 1.30.
Nosso
Comentário: na pergunta 32 do Breve Catecismo a
questão enfocada são as bênçãos espirituais que acompanham a fé em Cristo.
Escrevendo aos efésios Paulo disse que Deus já abençoou o crente em Cristo com
toda a sorte de bênçãos espirituais (Ef 1.3). Na sua 2ª carta, Pedro corrobora
as palavras de Paulo, dizendo: “Visto
como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo
conhecimento daquele que nos chamou por sua glória e virtude, pelas quais ele
nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis
participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que, pela
concupiscência, há no mundo” 2 Pe 1.3.4. Detalhando a questão, as bênçãos
identificadas na pergunta são: justificação, adoção e santificação. Com a sua
obra redentora realizada na cruz, Cristo proporciona para os crentes a benção
da justificação, ou seja, o crente é declarado justo diante de Deus, como se
nunca tivesse pecado. A segunda bênção é a adoção, ou seja, Deus graciosamente
resolveu adotar como filhos, com todos os privilégios que o caso requer,
aqueles que creram em Cristo e, por fim, a bênção da santificação, que envolve
duas áreas: a santificação posicional e a santificação experimental, sendo a
primeira no momento da conversão a Cristo, quando o crente foi purificado de
todo o pecado e separado para uso exclusivo de Deus, e a outra, a experimental,
que se dará ao longo da vida do cristão, na medida em vive aos pés do Senhor em
oração e em constante contato com a Palavra de Deus, e no engajamento na obra
do Senhor. O Espirito Santo usando esses meios de graça levará o crente a esse
processo constante de santificação experimental. “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais
e mais até ser dia perfeito” Pv 4.18.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
PERGUNTA 31. Que é vocação eficaz?
R. Vocação eficaz é a obra do Espírito Santo, pela qual,
convencendo-nos do nosso pecado, e da nossa miséria, iluminando nossos
entendimentos pelo conhecimento de Cristo, e renovando a nossa vontade, nos
persuade e habilita a abraçar Jesus Cristo, que nos é oferecido de graça no
Evangelho.
Ref. 1Ts
2.13; At 2.37; 26.18; Ez 36.25-27; 2Tm 1.9; Fp 2.13; Jo 6.37, 44-45.
Nosso
Comentário: o Senhor Jesus Cristo na cruz
realizou a grande obra redentora, que foi autenticada pela sua gloriosa
ressurreição. A Igreja recebeu do Seu Senhor a comissão para pregar o Evangelho
a todas as pessoas no mundo inteiro. É sabido pela Bíblia que o homem nasce
morto em seu delitos e pecados (Ef 2.1), e estando morto espiritualmente não
tem condições de, por si mesmo, dá resposta positiva ao apelo do Evangelho. No
programa redentor é o Espirito Santo o encarregado de convencer o ser humano do
seu deplorável estado de miséria espiritual. Ele também inclina a vontade do
homem persuadindo-o e o habilitando para aceitar pela fé a graça redentiva de
Cristo através do Evangelho. Todo esse processo citado está incluso no grande
tema da Vocação Eficaz. Todos os eleitos de Deus para a salvação experimentarão
dessa graça em suas vidas, pois o programa é o mesmo. “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem
conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre
muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou,
a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou”
Rm 8.29,30. Como a vocação é eficaz, isto quer dizer que, inexoravelmente,
ocorrerá na vida dos escolhidos de Deus, pois o Senhor Jesus disse em certa
ocasião: “Ninguém pode vir a mim, se o
Pai, que me enviou, o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último Dia. Está
escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele
que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim” Jo 6.44,45.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
PERGUNTA 30. Como nos aplica o Espírito a redenção adquirida por
Cristo?
R. O Espírito aplica-nos a redenção adquirida por Cristo, operando
em nós a fé, e unindo-nos a Cristo por meio dela em nossa vocação eficaz.
Ref. Gl 2.20; Ef 2.8; 1Co 12.12-13.
Nosso
Comentário: o Senhor Jesus Cristo na cruz
realizou a grande obra redentora, que foi autenticada pela sua gloriosa
ressurreição. A ordem do Senhor é que o Evangelho seja anunciado a todas as
pessoas no mundo inteiro. É sabido pela Bíblia que o homem nasce morto em seu
delitos e pecados (Ef 2.1), e estando morto espiritualmente não tem condições
de, por si mesmo, dá resposta positiva ao apelo do Evangelho. Como, dentre os
homens, Deus tem os seus eleitos para a salvação (Ef 1.4,5), na execução do
programa redentor, o Espirito Santo realiza uma poderosa obra, convencendo o
homem do pecado (Jo 16.8), gerando nele a fé salvadora (Rm 10.17) e o
regenerando (Tt 3.3-7). Uma vez vinda esta fé da parte de Deus (Jd 3; Tt 1.1; 2
Ts 3.2) alcançando o pecador, ele é unido espiritualmente a Cristo, formando
com os outros que experimentaram da mesma graça, o corpo místico de Cristo, a
Igreja (Ef 2.17-22). A resposta dada pelos teólogos de Westminster a pergunta
de número trinta do Breve Catecismo, ainda informa sobre a vocação eficaz,
doutrina essa citada por Paulo em sua carta aos Romanos: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem
conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre
muitos irmãos. E aos que predestinou, a
esses também chamou; e aos que
chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também
glorificou” Rm 8.29,30. Dentre as fases do programa redentor, encontramos a
chamada eficaz, ou seja, os eleitos na eternidade são alcançados no tempo e
chamados através da pregação do Evangelho. No tempo designado por Deus, o
Espirito faz o eleito responder eficazmente a mensagem do Evangelho, para que
creia nela e a aceite como verdade absoluta, e seja salvo pela graça
divina.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
PERGUNTA 29. Como nos tornamos participantes da redenção adquirida
por Cristo?
R. Tornamo-nos participantes da redenção adquirida por Cristo pela
eficaz aplicação dela a nós pelo Seu Santo Espírito.
Ref. Jo 1.12; 3.5-6; Tt 3.5-6.
Nosso
Comentário: O Evangelho está alicerçado em dois
fatos históricos bem definidos: a morte e a ressurreição de Cristo. Essa
mensagem de boas novas é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que
crer. Sabemos pela Bíblia Sagrada que a culpa do pecado de Adão foi imputada a
sua descendência de tal maneira que que todos pecaram e destituídos estão da
glória de Deus (Rm 3.23). Diz-nos ainda a Bíblia que o homem está mortos em seu
delitos e pecados, completamente inabilitado para as coisas de Deus mormente no
que se refere a salvação em Cristo Jesus (Ef 2.1). O texto sagrado ainda nos
revela que a obra de conversão do pecador a Cristo se dá pela poderosa ação do
Espirito Santo. Ele é o encarregado de gerar, mediante o Evangelho, uma nova
vida no homem que está morto espiritualmente.
O texto de João 1.12,13 diz que a aplicação dos méritos de Cristo na
vida do pecador é uma obra de Deus: “Mas
a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus:
aos que creem no seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da
carne, nem da vontade do varão, mas de Deus”. Ainda em João 3.5,6,
encontramos que o novo nascimento é uma obra gerada pelo Espirito Santo. “Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te
digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino
de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é
espírito”. Escrevendo para Tito, Paulo esclarece mais essa questão: “não pelas obras de justiça que houvéssemos
feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração
e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente ele derramou sobre nós por
Jesus Cristo, nosso Salvador” Tt 3.5,6. Um dos caso emblemático sobre o
assunto é o de Lídia, relatado em At 16.13-15, quando se diz que Deus abriu o
seu coração para crer em Cristo.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
PERGUNTA 28. Em que consiste a exaltação de Cristo?
R. A exaltação de Cristo consiste em Ele ressurgir dos mortos no
terceiro dia; em subir ao Céu e estar sentado à mão direita de Deus Pai, e em
vir para julgar o mundo no último dia.
Ref. 1Co 15.4; Ef 1.20-21; At 17.31.
Nosso Comentário: no artigo anterior do
Breve Catecismo tratou-se do Estado de Humilhação de Cristo, ou seja, da
encarnação do Verbo, dos sofrimentos de Cristo, da morte e do sepultamento do
Senhor Jesus Cristo. Nesta questão, o enfoque é dado no Estado de Exaltação de
Cristo, que se compõe das seguintes etapas: a ressurreição de Cristo, a
ascensão do Senhor, a entronização de Cristo e a Segunda Vinda do Senhor e o
consequente desdobramento. No programa divino já estava previsto que o Cristo
morto e sepultado iria ressurgir dentre os mortos. Essa profecia que se encontra
no Salmo 16.8-10, é citada por Pedro no seu discurso no Dia de Pentecostes,
referindo-se a Cristo (At 2.31,32). Ressurreto o Senhor, esteve com os seus
discípulos quarenta dias falando-lhes acerca do Reino de Deus. “aos quais também, depois de ter padecido, se
apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por
espaço de quarenta dias e falando do que respeita ao Reino de Deus” At 1.3.
Em seguida, o Senhor ascendeu aos Céus e lá foi entronizado como rei do
Universo e Senhor da Igreja: “o qual está
à destra de Deus, tendo subido ao céu, havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as
autoridades, e as potências” 1 Pe 3.22 (Veja ainda Sl 110.1; Mc.16.19; At
2.33; Rm 8.34; Ef 1.20-23; Hb 1.3). Ainda no Estado de Exaltação de Cristo está
prevista a segunda vinda do Senhor para buscar a Sua Igreja e estabelecer o seu
reino eterno. A segunda vinda do Senhor será uma vinda pessoal (Jesus mesmo
virá), física (com o corpo que ressuscitou dentre os mortos), visível (todo o
olho o verá), gloriosa (acompanhado com os anjos do Céus), e repentina.
Atrelado a segunda vinda do Senhor, como consequência natural, na visão
reformada, está o arrebatamento da Igreja, a ressurreição dos mortos e o consequente juízo final (Mt
24.29-31; 25.31-56).
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
sexta-feira, 25 de outubro de 2019
PERGUNTA 27. Em que consistiu a humilhação de Cristo?
R. A humilhação de Cristo consistiu em Ele nascer, e isso em
condição baixa, feito sujeito à lei; em sofrer as misérias desta vida, a ira de
Deus e amaldiçoada morte na cruz; em ser sepultado, e permanecer debaixo do
poder da morte durante certo tempo.
Ref. Lc 2.7;
Fp 2.6-8; Gl 4.4; 3.13; Is 53.3; Mt 27.43; 1Co 15.3-4. Nosso Comentário: no estudo da Cristologia encontramos os Estados de Cristo
(Estado de Humilhação e Estado de Exaltação). A pergunta em questão trata do
estado de Humilhação de Cristo. Nesse estado é enfocada a vida de Jesus como
homem, ou seja, a Sua encarnação, os seus sofrimentos, a sua morte e o seu sepultamento.
É sabido pelos evangelhos de Mateus, Lucas e João bem como pela carta de Paulo
aos Gálatas, que o Logos divino, o Filho de Deus, encarnou por obra e graça do
Espirito Santo no ventre da bendita virgem Maria. O Cristo pré-existente
assumiu uma natureza humana limitada pelo tempo e pelo espaço, e veio
tabernacular conosco, daí o seu nome Emanuel - Deus conosco. Os sofrimentos de
Cristo são identificados nos Evangelhos e nas cartas apostólicas, culminando
com a sua morte vicária na cruz do Calvário e o consequente sepultamento, que é
o estágio final desse estado. O texto de Paulo aos Filipenses nos dá uma ideia
clara sobre a vida dramática vivida por Jesus: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo
Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus.
Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante
aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo
obediente até à morte e morte de cruz” Fp 2.5-8. O fato do todo-poderoso
Filho Deus, igual ao Pai em essência e em atributos, decidir se esvaziar de Sua
glória e vir a este mundo caído para viver entre nós e morrer na cruz por
vontade da Santíssima Trindade, ser considerado maldito e receber sobre si a
ira de Deus por causas dos pecados dos outros, é uma poderosa manifestação da
bondade, misericórdia e amor de Deus dispensados a nós pecadores.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
PERGUNTA 26. Como exerce Cristo as funções de rei?
R. Cristo exerce as funções de rei, sujeitando-nos a si mesmo,
governando-nos e protegendo-nos, contendo e subjugando todos os seus e os
nossos inimigos.
Ref. Sl
110.3; At 2.36; 18.9-10; Is 9.6-7; 1Co 15.26-27.
Nosso
Comentário: Deus graciosamente fez uma aliança
com Davi, rei de Israel. A ocasião dessa aliança foi quando Davi intencionou
construir um templo para Deus em Jerusalém, mas Deus não o permitiu, cabendo
isso ao seu filho e sucessor Salomão. Nessa ocasião, Deus disse que o reino da
casa de Davi, seria um reino com dimensão eterna. (2 Sm 7.8-17; 1 Cr 17.7-15).
Ao falar isso, o Senhor usando o profeta Natã, disse que o reino da casa de
Davi teria uma dimensão eterna, e evidentemente isso não poderia ser através de
personagens meramente humanas, mas através de um de seus descendentes, Cristo,
o Filho de Deus. O Senhor Jesus Cristo é descendente da casa real de Davi,
portanto, tinha direito ao trono de Israel, conforme a sua ascendência. (Veja
as duas genealogias de Jesus, em Mateus e Lucas). No livro de Daniel,
encontramos uma profecia que trata de um personagem escatológico que governaria
tudo e todos: “Eu estava olhando nas
minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do
homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele. E foi-lhe
dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas
o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino,
o único que não será destruído” Dn 7.13,14. O Cristo ressurreto, ascendeu
aos céus e lá entronizado assumiu a função de Rei, Rei dos reis e Senhor dos
senhores (Ap 19.16), e governa o universo e principalmente a Igreja, como seu
Cabeça (Ef 1.20-23). “o qual está à
destra de Deus, tendo subido ao céu, havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as
autoridades, e as potências” 1 Pe 3.22. Jesus nos céus governa o universo e
a Igreja. Nada acontece na vida do Seu povo sem uma autorização ou determinação
Sua. Tudo está sob o Seu controle, e esse controle é absoluto (Sl 103.19; Ap
11.15).
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
PERGUNTA 25. Como exerce Cristo as funções de sacerdote?
R. Cristo exerce as funções de sacerdote, oferecendo-se a si mesmo
uma vez em sacrifício, para satisfazer a justiça divina, reconciliar-nos com
Deus e fazendo contínua intercessão por nós.
Ref. Hb 9.28;
Rm 3.24-26; 10.4; Hb 2.17; 7.25; Is 53.12.
Nosso Comentário: No judaísmo antigo encontramos uma categoria de pessoas que foi
constituída por Deus como sacerdotes – os levitas da casa de Arão. Eles eram
encarregados de oferecer os sacrifícios no santuário, intercedendo pelo povo de
Deus. Com a Nova Aliança, o sacerdócio arônico caducou, e em seu lugar foi
instituído outro sacerdócio, melhor e mais duradouro, que é o sacerdócio de
Cristo, da ordem de Melquisedeque. Na
carta aos Hebreus nos é dito que essa profecia (Sl 110.4) se cumpriu em Cristo,
conforme capitulo 7 dessa carta. Veja uma parte desse capitulo: “E, visto como não é sem prestar juramento
(porque certamente aqueles, sem juramento, foram feitos sacerdotes, mas este,
com juramento, por aquele que lhe disse: Jurou o Senhor e não se arrependerá:
Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque.); de tanto
melhor concerto Jesus foi feito fiador” Hb 7.20-22. Como sumo-sacerdote da
nossa confissão, da ordem de Melquisedeque, Cristo ofereceu um único sacrifício
pelos pecados e através desse sacrifício satisfez plenamente a justiça divina,
reconciliando os pecadores com Deus, e dando aos que creem nele uma eterna
salvação. “... mas agora, na consumação
dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de
si mesmo. ... Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados
de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação”
Hb 9.26-28. Além de ter intercedido pelo seu povo na cruz, hoje, Jesus nos
céus, intercede continuamente pela sua igreja. “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a
Deus, vivendo sempre para interceder por eles” Hb 7.25. A intercessão de
Cristo nos céus pela Igreja é tratada também em Romanos 8.34 e 1 João
2.1,2.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
PERGUNTA 24. Como exerce Cristo as funções de profeta?
R. Cristo exerce as funções de profeta, revelando-nos, pela sua
Palavra e pelo seu Espírito, a vontade de Deus para a nossa salvação.
Ref. Jo 1.18; Hb 1.1-2; Jo 14.26; 16.13.
Nosso
Comentário: No livro de Deuteronômio
encontramos uma profecia que Deus iria levantar, num futuro distante de Moisés,
um profeta semelhante a ele. “Eis que
lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu, e porei as minhas
palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar. E será que
qualquer que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, eu o
requererei dele”. Dt 18.18,19. Essa profecia cumpriu-se em nosso Senhor
Jesus Cristo, O Senhor Jesus cumpriu todos os pré-requisitos de um profeta
bíblico: foi ungido pelo Espírito Santo quando do seu batismo por João Batista
“E, sendo Jesus batizado, saiu logo da
água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como
pomba e vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho
amado, em quem me comprazo” Mt 3.16,17. Jesus recebia as palavras do
próprio Deus e as anunciava ao povo. “Disse-lhes,
pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do Homem, então, conhecereis quem eu
sou e que nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou” Jo 8.28.
Um profeta bíblico falava em nome de Deus, representava Deus diante do Seu
povo. Temos na Bíblia duas categorias de profetas: os profetas da palavra ou
não escritores (Elias, Eliseu, Natã, Micaías, etc); os profetas escritores, os
que escreveram livros canônicos (Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, etc). O
Senhor Jesus se encaixava na categoria de profetas da palavra, pois não deixou
nenhum livro escrito. Os evangelhos, que são os relatos da vida e obra de
Jesus, foram escritos por outros (Mateus, Marcos, Lucas e João). Outra questão
importante é que os profetas bíblicos vaticinavam ou prediziam coisas que iriam
acontecer. O Senhor Jesus vaticinou muitas coisas, dentre elas a destruição do
templo de Jerusalém o que aconteceu no ano 70 da era cristã, bem como outras
coisas que estão para acontecer.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
PERGUNTA 23. Que funções exerce Cristo como nosso Redentor?
R. Cristo, como nosso Redentor, exerce as funções de profeta,
sacerdote e rei, tanto no seu estado de humilhação como no de exaltação.
Ref. At 3.22;
Hb 5.5-6; Sl 2.6; Jo 1.49.
Nosso
Comentário: Na pergunta e resposta acima
encontramos que o grande Redentor, o Senhor Jesus Cristo, exerceu e exerce
algumas funções especificas que identificamos na Teologia Sistemática como Profeta,
Sacerdote e Rei; Quanto aos Estados de Cristo, são dois apontados pela
Cristologia: 1) o Estado de Humilhação; 2) e o Estado de Exaltação. Antes do
Cristo exaltado encontramos o Cristo humilhado. O Estado de Humilhação
compõe-se das seguintes etapas: A encarnação, os sofrimentos, a morte e o
sepultamento de Cristo. No Estado de Exaltação encontramos as etapas a seguir:
a ressurreição, a ascensão, a entronização e a segunda vinda de Cristo. O
Senhor Jesus como Profeta representou Deus diante do povo, falava em nome de
Deus (Jo 7.17; 8.26,28,38; 12.50); Quanto ao oficio de Sacerdote, Jesus
intercedeu pelo seu povo morrendo na cruz por ele (2 Co 5.18,19), e continua
nos Céus intercedendo pela sua Igreja junto ao Pai (Rm 8.34; Hb 7.25; 1 Jo
2.1,2); Quanto ao oficio de Rei, Jesus entronizado governa o universo e a sua
Igreja (Ap 11.15; 17.14; 19.16; Ef 4.15). Tudo está sob o Seu controle, nada
acontece sem a sua permissão ou ordem expressa Sua. No que se refere aos
estados de Cristo, é sabido que Jesus encarnou, limitando-se numa forma humana,
sofreu aqui, especialmente na cruz, morreu e foi sepultado. O Estado de Exaltação
de Cristo começa com a Sua gloriosa ressurreição dentre os mortos com um corpo
glorificado, seguida da ascensão do Senhor aos Céus donde viera, depois de
viver conosco trinta e três anos; de Sua entronização quando chegou aos Céus e
se assentou a direita de Deus Pai Todo Poderoso e governa tudo e todos; da
segunda vinda do Senhor, que é uma promessa escatológica. Um dia Jesus virá
acompanhado dos anjos dos Céus, com poder e grande glória para buscar a Sua
amada Igreja e estabelecer o Seu reino eterno.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
PERGUNTA 22. Como Cristo, sendo o Filho de Deus, se fez homem?
R. Cristo, o Filho de Deus, fez-se homem tomando um verdadeiro
corpo, e uma alma racional, sendo concebido pelo poder do Espirito Santo no
ventre da virgem Maria, e nascido dela, mas sem pecado.
Ref. Hb 2.14;
Mt 26.38; Lc 2.52; 1.31, 35; Hb 4.15.
Nosso
Comentário: Nessa pergunta e resposta
encontramos a kenósis, ou seja, o esvaziamento e a encarnação do Verbo divino,
conforme identificado em Mateus, Lucas, João e Filipenses. O Senhor Jesus
Cristo sempre existiu como o eterno Filho de Deus. Como Filho de Deus e o
restante da Deidade (Pai e Espirito Santo), Ele não possuía um corpo, uma forma
aparente. No programa redentor se fazia necessário que um homem perfeito
oferecesse a sua vida em sacrifício pelos pecados do homem a fim de satisfazer
a justiça divina, ultrajada pelo pecado do homem. A Bíblia explica essa questão
dizendo que Deus, através do Espirito Santo, gerou Jesus no ventre de uma
virgem chamada Maria, cumprindo assim as profecias do Antigo Testamento sobre a
vinda do Messias. (Gn 3.15, Is 7.14...). “Ora,
o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com
José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo” Mt
1.18. “... José, filho de Davi, não temas
receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo”
Mt 1.20. “E disse Maria ao anjo: Como se
fará isso, visto que não conheço varão? E, respondendo o anjo, disse-lhe:
Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a
sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho
de Deus” Lc 1.34,35. Na encarnação, Jesus recebeu do Pai uma alma racional
que habitou um corpo mortal, gerado pelo Espirito Santo no ventre de Maria,
preparado por Deus, conforme citação de Hb 10.5. O texto de Filipenses diz o
seguinte: “... Cristo Jesus, que, sendo
em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a
si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado
na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte
de cruz” Fp 2.5-8.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
PERGUNTA 21. Quem é o Redentor dos escolhidos de Deus?
R. O único redentor dos escolhidos de Deus é o Senhor Jesus Cristo
que, sendo o eterno Filho de Deus, se fez homem, e assim foi e continua a ser
Deus e homem em duas naturezas distintas, e uma só pessoa, para sempre.
Ref. 1Tm 2.5; Jo 1.14; Rm 9.5; Cl 2.9; Hb 13.8.
Nosso
Comentário:
Essa pergunta do Breve Catecismo e a consequente resposta enfocam a
questão da solução apresentada por Deus para o drama do pecado e miséria do
homem. Esse redentor é o próprio Filho de Deus que encarnara e assumira uma
natureza humana que o habilitaria a morrer pelos pecados do homem. Esse
redentor seria Deus e homem ao mesmo tempo, possuindo duas naturezas, uma
divina e a outra humana, unidas, hipostaticamente, numa só pessoa (Cristo), ou
seja, sem a perda das suas particularidades individuais de cada natureza. “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava
com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas
foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. “E o Verbo se
fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito
do Pai, cheio de graça e de verdade” Jo 1.1-3,14. Mais tarde, o apóstolo
Paulo também enfatiza essa questão. “De
sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que,
sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas
aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos
homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente
até à morte e morte de cruz” Fp 2.5-7. O Redentor Jesus é único, ou seja,
somente por Ele o pecador pode ser reconciliado com Deus. Veja At 4.12; 1 Tm
2.5.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
PERGUNTA 20. Deixou Deus todo o gênero humano perecer no estado de
pecado e miséria?
R. Tendo Deus, unicamente pela sua boa vontade desde toda a
eternidade, escolhido alguns para a vida eterna, entrou com eles em um pacto de
graça, para os livrar do estado de pecado e miséria, e trazer a um estado de
salvação por meio de um Redentor.
Ref. Ef 1.4; Tt 1.2; 3.4-7; Jo 17.6.
Nosso
Comentário: Por ocasião da queda, o homem e os
seus descendentes ficaram num estado de pecado e miséria, mas Deus
graciosamente fez com eles um pacto de graça, através de nosso Senhor Jesus
Cristo, pacto esse inicialmente sinalizado com a promessa que da semente da
mulher, nasceria aquele que esmagaria a cabeça da serpente (Gn 3.15). Esse
pacto foi corroborado com a morte de animais, sangue foi derramado, vestes
foram feitas da pele desses animais para cobrir a nudez do casal, tipificando o
sacrifício do Cordeiro de Deus que seria imolado no futuro. Descobrimos,
claramente, no Novo Testamento que essas pessoas que foram e serão contempladas
nesse pacto de graça são objetos de uma escolha soberana de Deus para essa
finalidade, escolha essa feita na eternidade. “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que
fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade, e nos predestinou
para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de
sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a
si no Amado” Ef 1.4-6. O Senhor Jesus Cristo, o grande Redentor, o fiador
desse pacto, com a sua morte expiatória na cruz do Calvário, libertou os eleitos
do estado de pecado e miséria em que caíram.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
PERGUNTA 19. Qual é a
miséria do estado em que o homem caiu?
R. Todo o gênero humano pela sua
queda perdeu comunhão com Deus, está debaixo da sua ira e maldição, e assim
sujeito a todas as misérias nesta vida, à morte e às penas do Inferno para
sempre.
Ref.
Gn 3.8, 24; Ef 2.3; Rm 6.23; Mt 25.41-46.
Nosso Comentário: Quando
aconteceu a queda do homem no Éden, a sentença de morte proferida por Deus,
atingiu o homem fazendo com que ele perdesse a comunhão com Deus, ficasse sob a
ira divina, e ficasse também vulnerável a toda a espécie de males, e condenado
ao inferno para sofrer eternamente. Essa sentença atingiu, não só ao primeiro
casal, mas também a todos os seus descendentes, ou seja, a todos nós seres
humanos, descendentes de Adão. Compartilhamos, desde o nosso nascimento, de
todas as mazelas provocadas pelo pecado quando da queda do homem. “Pelo que, como por um homem entrou o pecado
no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os
homens, por isso que todos pecaram” Rm 5.12. Ainda em Romanos 3.23,
encontramos que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Paulo escrevendo aos coríntios disse que
todos morrem em Adão (1 Co 15.22). Podemos resumir a questão assim: A sentença
de morte no que se refere a morte espiritual aconteceu de imediato quando o
casal pecou. A parte que se refere a morte física relacionada a Adão aconteceu
930 anos depois de criado. Em relação a morte de Eva, a Bíblia silencia sobre o
assunto, quando e como aconteceu. A morte eterna, que era uma perspectiva em relação a Adão e Eva, foi
comutada, devido eles terem crido (Gn 3.15) e aceitado a provisão feita por
Deus para cobrir a nudez do casal (animais foram mortos, sangue derramado,
vestes feitas por Deus – tipificavam a obra de Cristo). Gn 3.21.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
PERGUNTA 18. Em que
consiste o estado de pecado em que o homem caiu?
R. O estado de pecado em que o homem
caiu consiste na culpa do primeiro pecado de Adão, na falta de retidão original
e na corrupção de toda a sua natureza, o que ordinariamente de chama Pecado
Original, juntamente com todas as transgressões atuais que procedem dele.
Ref.
Rm 5.18-19; Ef 2.1-3; Rm 8.7-8; Sl 51.5.
Nosso Comentário: O
estado de pecado que envolveu o homem na
queda, revela que ele tornou-se culpado diante de Deus pela desobediência
consciente ao mandado divino. Deus lhe deu uma ordem e essa ordem não foi
obedecida, e ao pecar a culpa de sua desobediência lhe foi imputada, mas não
foi só isso o que aconteceu, o pecado de Adão mostrou que, apesar de ter sido criado
puro, tinha o livre arbítrio de escolher pecar ou de não pecar, ou seja, o
pecado era algo latente em sua natureza. Também outra gravíssima questão em que
consiste o estado de pecado de Adão foi, justamente, na corrupção de toda a sua
natureza, tanto a parte material (o corpo) como a parte espiritual (a alma
chamada também de espirito). A culpa do pecado original foi imputada também a
toda a descendência de Adão, bem como a herança da natureza corrompida é
compartilhada por todos os seus descendentes. Enquanto a culpa condena o homem,
a natureza corrompida o leva naturalmente ao pecado, por isso é que a Bíblia diz
que não há homem que não peque (2 Cr 6.36), e que não há um justo, nenhum
sequer (Rm 3.9-18). O homem peca porque é pecador, e não necessariamente
pecador por que peca.
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