segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A Figueira sem Frutos (Mc 11.11-14)

Reflexões no Evangelho de Marcos A Figueira sem Frutos (Mc 11.11-14) O texto em apreço relata que no primeiro trajeto de Jesus entre Betânia e Jerusalém, depois do per pernoite, em sua última semana, Jesus teve fome e vendo uma figueira foi procurar nela fruto e não encontrou senão folhas. Decepcionado por não ter encontrado fruto, Jesus amaldiçoou a figueira dizendo: “Nunca mais coma alguém fruto de ti”. O intrigante no relato de Marcos é que nos é dito que não era tempo de figos. É bom que se explique essa questão, pois poderíamos pensar que o Senhor Jesus num momento de raiva amaldiçoou uma árvore por não ter encontrado fruto quando não era estação própria para isso. Acontece que esse tipo de árvore na Palestina produzia fruto duas vezes por ano. Uma em março onde surgiam pequenos brotos comestíveis que caem antes da formação dos verdadeiros figos, que amadureciam em junho. Quer dizer que onde havia folhas deveria haver frutos (brotos comestíveis) e se não tivesse esses brotos não haveria os frutos de junho. Esse incidente fora profético para Israel, que tinha uma aparência de religiosidade (folhas), mas não produzia frutos para Deus (brotos ou os frutos comuns). Esse incidente ainda nos reporta ao que o Senhor Jesus disse no Evangelho de João (15) e nos leva a fazer com ele uma analogia com a Igreja. No texto de João, Jesus falou que Ele era a videira e nós os cristãos as varas. Ele disse que o galho que estivesse nele deveria produzir frutos. Disse ainda que os galhos que produzisse frutos seriam limpos para produzir mais frutos ainda e os que não produzissem frutos seriam cortados ou podados. Quando li o texto “nunca mais coma alguém fruto de ti”, lembrei-me do perigo que correm aqueles crentes que vivem entristecendo o Espirito Santo com suas más ações. Quem persiste no erro, o Espírito entristecido deixa de operar nele e apaga-se a chama divina em seus corações. Esses irmãos já não estão sendo usados por Deus, estão inoperantes, os dons enterrados. Ninguém estar “comendo” fruto produzido por esses irmãos. Misericórdia! Pensem nisso! Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

ESTER – O ADVOGADO

CRISTO NA BÍBLIA ESTER – O ADVOGADO A história relatada no livro de Ester está inserida no período chamado de o cativeiro babilônico, só que nesse período os persas governavam no lugar dos caldeus. No período enfocado, governava o império persa Assuero. O livro diz que esse rei promoveu uma festa e nela resolveu apresentar a sua mulher Vasti perante os convivas. Vasti não gostou da ideia e contrariou a ordem do rei e por isso perdeu a posição de rainha. O livro relata ainda que foi promovido um concurso de beleza para a escolha de uma rainha para substituir Vasti. Quem ganhou o concurso foi uma judia chamada Ester. O livro relata ainda a ascensão de um inimigo dos judeus chamado Hamã. Esse primeiro ministro, vaidoso, resolveu destruir os judeus pelo fato de um judeu chamado Mardoqueu não ter se dobrado em reverência a ele. Com esse propósito Hamã conseguiu a aprovação de Assuero que decretou a morte dos judeus espalhados em todo o império persa. Mardoqueu conseguiu convencer a Ester a interceder ou advogar em favor do povo de Deus o que foi feito e Hamã foi punido com enforcamento e o povo escapou do propósito destruidor do seu inimigo. Nesse livro, que não menciona o nome de Deus, encontramos uma extraordinária ação da providência divina em livrar os judeus graças à intercessão feita por Ester. Assim como Ester advogou em favor do povo de Deus numa época em que a sentença de morte estava decretada sobre ele, o Senhor Jesus também fez isso na cruz livrando o pecador perdido da ira de Deus que pesava sobre ele por causa do pecado. Em 1 Jo 1.9 Jesus é identificado como Advogado porque ele intercedeu e intercede pelo pecador remido diante do pai celestial, quando ele comete pecado. “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” 1 Jo 2.1. Em Hebreus 7.25 encontramos que Jesus está à direita de Deus nos Céus intercedendo pelo seu povo, a Igreja. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

ESDRAS e NEEMIAS – O RESTAURADOR

CRISTO NA BÍBLIA ESDRAS e NEEMIAS – O RESTAURADOR Na história do povo de Deus encontramos uma fase trágica em que a nação foi levada cativa para a Babilônia. Nabucodonosor rei da Babilônia fez três investidas contra o reino de Judá e na terceira ele destruiu completamente o templo e a cidade de Jerusalém (606, 597 e 586 a.C.). Isso é relatado no final dos livros de 2 Reis e 2 Crônicas. Nas suas profecias contra o reino de Judá, inclusive a capital Jerusalém, o profeta Jeremias predisse que o cativeiro babilônico duraria setenta anos e que depois desses setenta anos Deus interviria, puniria os opressores e faria retornar o seu povo para o seu lugar de origem (Jr 25.11,12; 29.10; 2 Cr 36.17-21). É conveniente informar também que o reino do Norte (Israel) fora destruído pelos assírios em 722 a.C. Nos livros de 2 Crônicas (36.22,23), de Esdras e de Neemias encontramos uma poderosa obra de reconstrução ou de restauração, sob o governo persa, sendo Ciro usado por Deus para autorizar o povo a voltar para Jerusalém e a fazer a obra de reconstrução. Zorobabel reconstruiu o tempo, Neemias reconstruiu a cidade de Jerusalém e Esdras o sacerdote escriba restaurou o culto. Interessante observar que a primeira coisa que foi restaurada foi o culto a Deus. É verdade que não encontramos nenhuma referência cristológica nos livros em apreço. No entanto, por analogia, não temos dúvidas de que Cristo seja o restaurador figurado nesses livros. O homem foi corrompido pelo pecado. A imago Dei foi deformada nele. O verdadeiro culto a Deus foi desativado por causa do pecado. O Novo Testamento nos revela que Jesus é o restaurador. O homem ao crer nele de coração é transformado numa nova criatura (2 Co 5.17), renasce espiritualmente (Jo 1.12,13). É regenerado pela instrumentalidade do Espirito Santo (Tt 3.11). A cidade de Deus, a Igreja, estar sendo edificada por Cristo. O templo do Espirito foi restaurado e Deus é cultuado, isto tudo graças a obra restauradora de nosso Senhor Jesus Cristo. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém (Mc 11.1-11)

Reflexões no Evangelho de Marcos A Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém (Mc 11.1-11) O capitulo 11 de Marcos começa relatando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. O Senhor Jesus, como judeu religioso, subia todos os anos três vezes a Jerusalém para as festividades nacionais do judaísmo (Pascoa, Pentecostes e Tabernáculos) conforme determinava a Lei divina (Ex 23.17). Tinha outras festividades israelitas que Jesus prestigiava como, por exemplo, a festa da Dedicação (Jo 10.22). Nessas festas ele ensinava e curava os enfermos. A entrada enfocada no texto em apreço reveste-se de especial importância, pois nela estava se cumprindo uma palavra profética: “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre e montado sobre um jumento, sobre um asninho, filho de jumenta” Zc 9.9. A importância também se deve ao fato de que naquela semana iriam acontecer diversos acontecimentos previstos no programa redentor, tais como a traição de Judas, a condenação e os suplícios e a morte de Jesus na cruz e o consequente sepultamento do corpo do Senhor. No relato de Marcos encontra-se que Jesus, quando estava perto de Jerusalém, mandou dois de seus discípulos a uma aldeia próxima para trazer um jumento no qual entraria em Jerusalém, para cumprir a palavra profética de Zacarias. Quando entrava na cidade Jesus foi ovacionado pelos que o precediam e pelos que o seguiam, que diziam: “... Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o Reino do nosso pai Davi, que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!” Mc 11.9,10. Jesus entrou em Jerusalém ovacionado como rei da casa de Daví, como rei messiânico. Mas que ironia da história, o rei eterno, o próprio Deus encarnado chegava a Jerusalém não montado num cavalo branco símbolo de vitória nem acompanhado com um exército libertador, mas num jumento, animal de carga. No programa divino, o Messias antes de vir em glória viria em humilhação, foi isto que Israel não entendeu. Em Jerusalém Jesus dirigiu-se ao templo e observou tudo ao redor e foi para Betânia. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

O Cego de Jericó (Mc 10.46-52)

Reflexões no Evangelho de Marcos O Cego de Jericó (Mc 10.46-52) No texto em apreço, Marcos relata a cura de um cego em Jericó, uma cidade na região sul da Palestina. O evangelista relata que o fato aconteceu ao sair Jesus de Jericó. O texto diz que assentado à beira do caminho encontrava-se Bartimeu, um cego pedinte. Ele ao ouvir que era Jesus que passava começou a clamar, pedindo misericórdia a Ele: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim”. Marcos revela que os discípulos de Jesus mandaram que ele se calasse, mas ele continuava clamando. O clamou do cego chegou aos ouvidos de Jesus que parou e mandou que o trouxesse. É-nos dito no relato que, ao ser levado, alguém disse a Bartimeu: Tem bom ânimo, Levanta-te ele te chama. O cego tirou a capa que tinha sobre si e foi ter com Jesus. Em seguida, Jesus perguntou ao cego que queria que Ele lhe fizesse. E, prontamente, Bartimeu respondeu: Que eu veja. Graciosamente Jesus o abençoou, dizendo vai, a tua fé te salvou. E imediatamente recuperou a vista e foi seguindo a Jesus caminho a fora. Nesse texto podemos extrair algumas lições, senão vejamos: 1) Devemos aproveitar as oportunidades que Deus nos concede. Jesus passava e Bartimeu aproveitou para pedir misericórdia; 2) Infelizmente, existem aqueles que mesmo sem ter consciência do que estão fazendo põem empecilhos para que as almas não se cheguem a Cristo. Os discípulos de Jesus mandaram que o cego se calasse; 3) O poder da oração. Bartimeu clamou de toda a sua alma a Deus; 4) Deus sempre ouve a oração quando ela é feita com intensidade de coração. Jesus ouviu o clamou do cego e mandou que o trouxesse a sua presença; 5) A necessidade de se atender ao chamado divino. Bartimeu levantou-se e foi a Jesus; 6) Devemos pedir a Deus aquilo que é essencial. O cego queria ver e pediu isso; 7) O extraordinário poder de que Jesus é possuidor. Apenas com a sua palavra o cego foi curado; 8) A fé como instrumento de recepção das bênçãos de Deus. Jesus disse que a fé de Bartimeu o salvou; 9) Seguir a Jesus é o prazer de todo aquele que o conhece. Eudes Lopes Cavalcanti

O pedido de Tiago e João (Mc 10.35-45)

Reflexões no Evangelho de Marcos O pedido de Tiago e João (Mc 10.35-45) Na continuação do seu relato, Marcos revela um dos quadros mais difícil de digerir que foi o egoísta pedido de dois dos apóstolos de Jesus mais próximos, os irmãos Tiago e João. Veja o relato: “E aproximaram-se dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo: Mestre, queremos que nos faças o que pedirmos. E ele lhes disse: Que quereis que vos faça? E eles lhe disseram: Concede-nos que, na tua glória, nos assentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda” Mc 10.35-37. Se esse pedido foi feito logo após a solene revelação de que o Mestre amado iria ser traído, sofrer agruras e morto por crucificação, foi de uma infelicidade sem par, revelando uma insensibilidade tremenda em relação ao drama que estava preste a acontecer. No entanto, Jesus não leva em consideração a insensibilidade deles, apenas faz-lhes uma observação e uma pergunta. A observação foi que eles não sabiam o que pediam e a perguntou foi se estavam dispostos a beber o cálice que ele beberia e ser batizado com o batismo que ele sofreria, e eles responderam que sim. Pois bem, Tiago sofreu o martírio por Herodes Agripa e João sofreu agruras na ilha de Patmos, aprisionado que fora por causa do evangelho, cumprindo-se as palavras de Jesus que eles beberiam o cálice e seriam batizados com o batismo do sofrimento. Como era de se esperar, quando o restante do colégio apostólico tomou conhecimento da manobra dos dois irmãos para conseguir no reino futuro a supremacia sobre eles, revoltou-se contra eles e se não fora a pronta intervenção do Senhor tinha havido uma ruptura no grupo apostolar constituído por Jesus. O Senhor aproveitou o ensejo para ensinar-lhe que o reino espiritual é diferente do reino deste mundo. “... antes, qualquer que, entre vós, quiser ser grande será vosso serviçal. E qualquer que, dentre vós, quiser ser o primeiro será servo de todos” Mc 10.43,44. Concluindo, o Senhor Jesus lhes deu uma lição de altruísmo: “Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” Mc 10.45. Eudes Lopes Cavalcanti

Jesus ainda outra vez prediz sua morte e ressurreição (Mc 10.32-34)

Reflexões no Evangelho de Marcos Jesus ainda outra vez prediz sua morte e ressurreição (Mc 10.32-34) Na última ida de Jesus a Jerusalém, os discípulos, diz o texto em apreço, ficaram apreensivos com a Sua subida aquela cidade porque sabiam que a oposição ao Senhor tinha crescido e que em diversas ocasiões os religiosos judeus tentaram matá-lo. No caminho, o Senhor Jesus, solenemente, fez aos seus discípulos a terceira e última revelação de que Ele seria entregue aos principais dos sacerdotes e escribas e que o condenariam a morte e o entregariam aos gentios para a execução da sentença de morte. “... E, tornando a tomar consigo os doze, começou a dizer-lhes as coisas que lhe deviam sobrevir, dizendo: Eis que nós subimos a Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas, e o condenarão à morte, e o entregarão aos gentios, e o escarnecerão, e açoitarão, e cuspirão nele, e o matarão; mas, ao terceiro dia, ressuscitará” Mc 10.32-34 (As duas vezes que Jesus revelara essa parte do programa redentor encontram-se em Marcos 8.31-33 e Mc 9.30-32). Todos nós sabemos que o homem é um pecador e que estar condenado à morte. No programa divino, a Santíssima Trindade definiu que o Deus Filho viria a este mundo, encarnaria para oferecer a sua vida em sacrifício pelos pecados dos homens. Na encarnação do Verbo divino começa a operacionalização desse programa, culminando com a morte de Jesus na cruz e a consequente ressurreição dentre os mortos. Jesus morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação disse Paulo escrevendo aos Romanos (4.25). Que o que Jesus tinha revelado aos seus discípulos fazia parte do programa redentor não se tem dúvidas, senão vejamos: “Porque, verdadeiramente, contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer” At 4.27,28. Eudes Lopes Cavalcanti

O Mancebo de Qualidade (10.17-31)

Reflexões no Evangelho de Marcos O Mancebo de Qualidade (10.17-31) Em certa ocasião, um homem religioso procurou a Jesus e fez-lhe a seguinte pergunta: “... Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” Mc 10.17. Jesus perguntou-se sobre alguns mandamentos da lei de Deus e ele respondeu que os observava desde a sua mocidade. O texto diz que Jesus o amou, mas que lhe disse que faltava uma coisa muito importante que era: “... vai, e vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem e segue-me”. Essas palavras abalaram o coração daquele homem, pois era rico. O texto diz que ao ouvir as palavras de Jesus ele se retirou triste. Isso deu ensejo ao Senhor de fazer a seguinte revelação: “... Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os que têm riquezas!” Mc 10.23. Impactados por essas palavras os discípulos ficaram admirados e Jesus explicou-lhes que era difícil para os que confiavam nas riquezas entrar no reino de Deus, e acrescentou: “É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus” Mc 10.25. (Uns acham que o camelo era uma corda grossa e a agulha um instrumento para costurar, e outros que o camelo seria o animal e o fundo da agulha uma porta baixa em Jerusalém – em ambos os casos tratava-se de algo impossível de acontecer). Diante da observação dos discípulos de que assim ninguém poderia se salvar, Jesus disse que aquilo era impossível aos homens, mas possível a Deus. Em seguida, Pedro perguntou o que seria deles que tinham deixado tudo para segui-Lo. Em resposta Jesus disse: “... Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições, e, no século futuro, a vida eterna” Mc 10.29,30. E complementou: “Porém muitos primeiros serão derradeiros, e muitos derradeiros serão primeiros” Mc 10.31. No texto vemos o perigo de confiar nas riquezas e desprezar as coisas de Deus. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Jesus abençoa os meninos (10.13-16)

Reflexões no Evangelho de Marcos Jesus abençoa os meninos (10.13-16) O texto acima trata de um momento em que os pais traziam as suas crianças para que Jesus tocasse nelas. Os discípulos de Jesus, que talvez achassem que as crianças não seriam objeto da graça divina, impediam que isso acontecesse. Jesus ao ver essa atitude os repreendeu e disse estas célebres palavras: “Deixai vir os pequeninos a mim e não os impeçais, porque dos tais é o Reino de Deus” Mc 10.14. Em seguida, Jesus disse que se alguém não recebesse o reino de Deus como uma criança, jamais entraria nele. Depois Jesus as toma carinhosamente em seus braços e as abençoa. Essa atitude do Senhor Jesus nos mostra quão importante são as crianças aos olhos de Deus. Segundo o seu programa eterno, Deus constituiu a família para que os filhos tivessem um lar onde pudessem ser criados. Aos pais Deus deixou a obrigação de educar os seus filhos, de ensinar-lhes os valores do reino de Deus. Ainda no texto, Jesus disse que as pessoas deveriam aceitar as boas novas do reino de Deus com alegria, sem malicia, de boa fé, atitudes essas próprias de uma criança quando recebe um presente. Tratando-se da salvação eterna, as crianças herdam a condenação do pecado de origem e a natureza corrompida dos pais, e não são inocentes aos olhos de Deus. No entanto, queremos acreditar que pelo fato de Jesus ter recebido as crianças, Deus aplica nelas graciosa e compulsoriamente os méritos de Cristo conquistados na cruz, caso elas faleçam naquela fase da vida antes de discernir entre o bem e o mal (a idade da razão). Quanto ao batismo de crianças, os católicos dizem que o mesmo é necessário para a salvação da pessoa; e quanto aos irmãos pedobatistas (aqueles que praticam o batismo de crianças) dizem que o batismo não salva, mas que Deus tem uma aliança com a família e assim os filhos devem ser batizados. Nós congregacionais brasileiros, à luz dos batismos identificados em Atos dos Apóstolos e textos da grande comissão não batizamos crianças por entender que o batismo deve seguir a fé e não a preceder. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

1 e 2 Crônicas - O Rei de Israel

Cristo na Biblia 1 e 2 CRÔNICAS – O REI DE ISRAEL O livro de 1º Crônicas enfoca o reinado de Davi, mas registra no seu início diversas genealogias não só das doze tribos de Israel, mas também dos patriarcas desde Adão até Jacó e seus filhos. Esse livro dá um enfoque especial à dinastia de Davi, o rei segundo o coração de Deus. O livro de 2º Crônicas enfoca o reinado de Salomão cujo ponto saliente foi a construção do templo em Jerusalém. O livro também traz, como os livros de Reis, a informação da divisão do reino de Israel em dois reinos: o do Sul (Judá) e o do Norte (Israel), mas se concentra mais nos reis da casa de Davi e pouquíssima referências aos reis do Norte. Outra informação importante é que esses livros foram escritos na perspectiva sacerdotal onde os gravíssimos pecados de Davi não são pintados com cores tão fortes como são pintados nos livros de Reis. Nos livros de 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis e 1 e 2 Crônicas o enfoque cristológico é sobre Jesus como rei de Israel, da casa real de Davi, conforme profecia encontrada em 2 Sm 7.12-16. Os reis temporais da casa real de Davi apontavam para o Rei Eterno, o Senhor Jesus Cristo. Que essa profecia se cumpre em Jesus não temos dúvidas nenhuma como já dissemos. Jesus tinha direito ao trono em Israel como descendente da casa real de Davi (Mt 1.1). Mas a grande questão do reinado de Jesus é a questão messiânica. O Messias prometido era o rei eterno. Era um personagem divino humano que governaria não só Israel, mas também o universo. Ele seria como dito em Apocalipse, o Rei dos reis, o Rei eterno. No ultimo livro da Bíblia encontramos uma revelação de Cristo, tendo como pano de fundo Davi, o rei de Israel: “... eis aqui o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, que venceu para abrir o livro e desatar os seus sete selos”. Ap 5.5. O rei Jesus é identificado nesse texto como o personagem mais poderoso da tribo de Judá (Leão de Judá) bem como o sustentáculo da casa real de Davi (a raiz de Davi). Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

1º, 2º Reis - O Rei de Israel

Cristo na Bíblia 1º, 2º Reis - O Rei de Israel Os livros de 1º e 2º Reis são anônimos, isto é, o autor ou autores não são identificados nos livros, mas a tradição judaica os credita ao profeta Jeremias. O livro de 1º Reis até o capítulo 11 enfoca o reinado de Salomão filho de Davi. Salomão que foi agraciado por Deus com o dom da sabedoria e com fabulosa riqueza construiu o templo em Jerusalém, que era uma aspiração do rei Davi, seu pai. Salomão começou bem o seu ministério que pode ser caracterizado em três palavras: paz, prosperidade e justiça, características essas representativas do reino messiânico. Salomão exagerou em relação ao item mulher casando-se com mil delas e a maioria dessas mulheres perverteu o seu coração e ele não foi fiel ao Senhor na sua velhice. Por causa desse pecado, relata o livro de 1º Reis, o reino de Israel foi divido em dois. Dez tribos ficaram com Jeroboão servo de Salomão e as duas restantes (Judá e Benjamim) com os reis da casa de Davi. A divisão do reino deu-se no reinado de Roboão, filho de Salomão. Davi e Jeroboão I são os paradigmas dos respectivos reinos, sendo Davi a referência de um rei segundo o coração de Deus e Jeroboão a referência de um rei desobediente, arrogante e mau. Os livros de Reis não tem nenhuma referência cristológica direta, no entanto, Salomão tipifica a Cristo no seu papel de rei, como filho prometido a Davi, o qual construiria o templo e herdaria o reino. Salomão ainda tipifica a Cristo especialmente na sua segunda vinda trazendo paz, prosperidade e justiça a terra. “E tocou o sétimo anjo a trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre” Ap 11.15. No Novo Testamento é feita uma correlação entre Cristo e Salomão: “A Rainha do Sul se levantará no Dia do Juízo com esta geração e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis que está aqui quem é mais do que Salomão” Mt 12.42. Os profetas Elias e Eliseu, cujos ministérios estão registrados em 1º Reis, também tipificam a Cristo no seu ministério profético confirmando a sua mensagem com a operação de milagres. Elias realizou sete milagres e Eliseu catorze. O Senhor realizou inúmeros milagres sendo sete deles registrados no Evangelho de João, chamados de sinais. “Estes (sinais), porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que crendo, tenhais vida em seu nome” Jo 20.31. (Veja ainda At 10.38). Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

1º, 2º Samuel – O Rei de Israel

Cristo na Bíblia 1º, 2º Samuel – O Rei de Israel O livro de 1 Samuel contempla o período final dos juízes, a ascensão e queda do tumultuado reinado do primeiro rei de Israel, Saul e o surgimento de Davi no cenário israelita (a sua consagração secreta como rei substituto de Saul). Quando o profeta sacerdote Samuel envelheceu, os líderes do povo de Deus foram a sua presença e solicitaram que ele ungisse um rei para governar Israel e eles apresentaram a Samuel as razões desse pedido: “... disseram-lhe: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos, pois, agora, um rei sobre nós, para que ele nos julgue, como o têm todas as nações” 1 Sm 8.4,5. Essa solicitação assustou a Samuel que após consultar ao Senhor e com a sua autorização ungiu Saul como rei de Israel. Saul ascendeu ao trono de Israel por uma vontade permissiva de Deus e não diretiva, pois o tempo da monarquia teocrática não chegaria com Saul que era da tribo de Benjamim e sim com um representante da tribo de Judá, Davi. A monarquia teocrática era uma possibilidade identificada na lei mosaica: “Quando entrares na terra que te dá o Senhor, teu Deus, e a possuíres, e nela habitares, e disseres: Porei sobre mim um rei, assim como têm todas as nações que estão em redor de mim, porás, certamente, sobre ti como rei aquele que escolher o Senhor, teu Deus; dentre teus irmãos porás rei sobre ti; não poderás pôr homem estranho sobre ti, que não seja de teus irmãos” Dt 17.14,15. Em seguida, o texto de Deuteronômio fala sobre os direitos e deveres do futuro rei (Dt 17.14-20). Davi, o segundo rei de Israel, tipifica Cristo como rei segundo o coração de Deus. No texto de 2 Sm 7.1-17 encontramos a promessa feita por Deus a Davi de que um dos seus descendentes governaria o seu povo, reinado esse com dimensão eterna: “Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre” 2 Sm 7.16. Essa profecia somente poderia se cumprir em Cristo, como de fato se cumpriu, pois se tratava de um reinado da casa de Davi com dimensão eterna, o que não caberia na descendência humana de Davi que desapareceu da história quando do cativeiro babilônico. Davi era um tipo de Cristo como rei, na unção que recebera, nos dias de humilhação e posterior ascensão ao trono. Jesus, o Rei eterno, é identificado no Apocalipse, assim: “E na veste e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos Reis e Senhor dos Senhores” Ap 19.16. (Veja ainda Ap 5.5). Hoje Jesus como rei governa o universo e a igreja. (1 Co 15.24,25). Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Rute – O Parente Remidor

Cristo na Bíblia Rute – O Parente Remidor O episódio relatado no livro de Rute deu-se no período dos Juízes, numa época em que o território de Judá, sul de Canaã, estava sendo solapado por uma terrível seca como castigo por causa do pecado do povo de Deus, levando a uma família (Elimeleque, Noemi, Malom e Quiliom) a emigrar para o território de Moabe. Em Moabe, o esposo e os filhos de Noemi faleceram deixando-a viúva e desfilhada. Os filhos que faleceram tinham desposado duas moabitas (Orfa e Rute). Quando da saída de Belém da Judéia, a família teve que se desfazer de uma propriedade. Em Moabe, Noemi teve conhecimento de que Deus voltara a abençoar a terra de Judá dando-lhe chuva e resolveu voltar para lá com a sua nora Rute que insistira em não abandoná-la. Pela providência de Deus, Rute em Belém cai nas graças de Boaz, um rico proprietário de terra que resolve tomá-la por esposa, só que para isso teria que resgatar a propriedade vendida por Noemi quando partira para Moabe. Na lei mosaica (Dt 25.5,6) o levirato (um parente de um irmão morto deveria casar com a sua viúva) e o resgate da propriedade que era também um dispositivo legal da lei mosaica (Lv 25.25-28) deveriam ser feito pelo parente mais próximo do falecido, no caso, Boaz, o parente remidor. Assim aconteceu e o final feliz é relatado pelo livro de Rute, inclusive informando que Boaz foi o bisavô do grande rei Daví. Boaz, no livro de Rute, estava qualificado para ser o remidor de tudo o que Noemí perdera, pois era o parente mais próximo, rico e tinha a intenção de fazer isso, devido ao amor que tinha por Rute, sendo assim, Boaz é um notável tipo de Cristo, como parente remidor. Segundo a Bíblia, o homem foi vendido ao pecado (Rm 7.14), e é um escravo do mesmo (Jo 8.34). Diz ainda a Bíblia que um homem perfeito, o Deus encarnado, nosso Senhor Jesus Cristo com a sua morte na cruz comprou (redimiu) a sua Igreja, da escravidão do pecado. Que o Senhor estava qualificado para fazer isso não se tem dúvidas, pois como dissemos era o parente mais próximo do homem, puro, sem pecado e poderia com a doação de sua vida nos comprar com o seu precioso sangue. “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da sua graça” Ef 1.7. “sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” 1 Pe 1.18,19). Pr. Eudes Lopes Cavalcanti