sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Uma Decisão Radical

Os evangelhos sinóticos, cujos relatos dos eventos são semelhantes (Mateus, Marcos e Lucas) nos contam a história do chamado de Mateus. Diz o Novo Testamento que o Senhor Jesus ao chegar numa determinada cidade viu na coletoria (escritório de cobrança de impostos) um homem chamado Mateus também conhecido por Levi. Imediatamente o Senhor dirige-se para ele e o convoca para segui-lo. O texto sagrado nos diz que Mateus (que mais tarde escreveria o Evangelho que leva o seu nome) de imediato levantou-se, abandonou a coletoria e seguiu a Jesus. (Mt 9.9-13; Mc 2.13-17; Lc 5.27-32).

Para uma pessoa fazer o que Mateus fez (abandonar definitivamente o seu emprego e seguir a Jesus, sem fonte de renda fixa, estabilidade, etc) deve ter tido, por traz dessa decisão, razões muitos fortes. O texto não diz, mas podemos inferir sem errar, que Mateus viu em Jesus o Messias esperado por Israel. Aquele que viera redimir o povo de Deus da escravidão do pecado. Viu ainda Mateus em Jesus a razão maior de sua existência pobre e pecadora, da satisfação plena de sua alma já que ela não se satisfazia com as coisas materiais, conforme dito na Palavra de Deus: “... Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” Mt 4.4. A alegria de Mateus foi tão intensa que, diz-nos o texto sagrado, ele ofereceu ao Senhor Jesus um banquete e para isso convidou os seus colegas coletores de impostos.

Irmãos queridos, um dia, pela graça de Deus, fizemos uma opção por Jesus, aceitando-O como Salvador e Senhor de nossas vidas. Procuramos voluntariamente o batismo para selar a nossa fé em Cristo. Dissemos, sem palavras, no ato do batismo, que estávamos cortando as amarras do mundo para viver para Cristo neste mundo e na eternidade. Dissemos ainda no batismo que dali por diante o nosso viver seria em função de Cristo, das coisas de Deus.

Não precisou para a grande maioria de nós, largar tudo que estávamos fazendo para ser um cristão. O caso de Mateus foi um caso especial, um daqueles casos em que Deus chama uma pessoa para uma dedicação exclusiva para algum ministério no seio da sua Igreja, no caso dele, apóstolo. Mas, em qualquer circunstância, a nossa decisão por Cristo, e o que consequentemente aconteceu em nós foi radical, irretratável, que não pode mais ser mudado.

É verdade, irmãos, não devemos nos esquecer do radicalismo de nossa decisão por Cristo. Sabemos por experiência própria que não é fácil viver a vida cristã de forma radical. Quando se fala em radicalismo nesse contexto queremos dizer que não temos mais nenhum compromisso com o pecado, nem com as coisas deste mundo, pois a ele não pertencemos mais, conforme dito pelo Senhor: “Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou” Jo 17.14-16.

Sabemos também de que muitos perderam o senso do radicalismo da fé evangélica e estão vivendo comprometidos com outros deuses (dinheiro, sexo ilícito, desonestidade, mundanismo, etc), mas é hora de mudança de vida e de renovação de votos. É hora de real consagração ao Senhor a quem pertencemos. “Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou” 2 Tm 2.4.

Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Um Homem Valoroso


Nos anais da história do povo de Deus da antiga dispensação encontramos um homem saudado pelo Anjo do Senhor (teofania de Deus – manifestações de Deus em forma corpórea antes da encarnação do Verbo divino) com a expressão “o Senhor é contigo varão valoroso”. Esse homem chamava-se Gideão, um dos famosos juízes de Israel, que ouviu a saudação quando era jovem e antes de iniciar o seu ministério de juiz (libertar e julgar as causas do povo de Deus).

Mas quais as razões que levaram o Senhor a saudar um ser humano como Gideão foi saudado? Observando o contexto da mensagem divina podemos extrair algumas facetas da vida daquele jovem que, tudo indica, levaram aquela saudação, senão vejamos: 1) Gideão era um israelita, um dos do povo de Deus, com identidade definida (tribo de Manassés, família de Joás, etc), podemos com isso deduzir que ele era um crente em Iavé, o Deus de Israel; 2) Gideão era um homem destemido, pois ele estava malhando o trigo para manter a si e a sua família devido as constantes pilhagens do povo opressor, os midianitas; 3) Gideão era um homem laborioso, não comia o pão da preguiça, mas fazia a sua parte para manter a sua família, trabalhando para isso com afinco; Esse homem com esse perfil foi chamado por Deus para uma obra especial no meio do Seu povo, a de libertar Israel da opressão midianita que durava sete anos, opressão essa que empobrecera muito o povo de Deus (leia a história completa da vida de Gideão no livro de Juízes, capítulos 6,7 e 8).

Contextualizando a mensagem, queremos lembrar aos irmãos que, em tese, todos os cristãos verdadeiros são pessoas valorosas aos olhos de Deus. Primeiro, porque ousaram crer na mensagem do Evangelho e isso os fez povo de Deus, com uma identidade definida como filho de Deus pela fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Isso faz toda a diferença!

Segundo, o crente verdadeiro é uma pessoa destemida, não tem medo de confessar a sua fé em Cristo e de viver para a glória dele. Não tem medo de enfrentar o escárnio do mundo por ser cristão. Não tem medo de optar radicalmente pelas coisas de Deus, pois leva a sério as palavras do Seu Senhor que disse, em certa ocasião, que devemos buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça (Mt 6.33). O cristão verdadeiro não tem medo de rejeitar os prazeres do mundo, do pecado, de dizer não ao tentador, por amor ao Seu Senhor, que determinou para ele um padrão moral elevado, onde a santidade ocupa papel preponderante.

Terceiro, o crente verdadeiro é uma pessoa laboriosa, que trabalha com afinco e dedicação na obra do Senhor, fazendo a sua parte, sem esperar aplausos, elogios, recompensas quaisquer, pois serve a Deus motivado pelo amor e pela gratidão que sente em seu coração pelo que Jesus fez por ele na cruz do Calvário. Veja outro exemplo, o de Ana, uma mulher idosa, valorosa, que não se afastava da casa do Senhor, mas servia a Deus dia e noite com jejuns e orações (Lc 2.36-38). O crente valoroso sabe que a sua vida não é mais sua, mas do Senhor, e que ele é um servo de Deus que está aqui neste mundo para servi-Lo com fervor e com alegria.

Irmãos amados, espelhemo-nos no exemplo deixado por Gideão nos aspectos mencionados neste artigo e sejamos essas pessoas valorosas tão necessárias para o ministério da Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo da qual fazemos parte. “... vai nesta tua força, e livrarás a Israel da mão dos midianitas;...” Jz 6.14.

Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Bem-Vindo ano novo!

Pela graça divina estamos recebendo mais um ano como uma dádiva do Senhor, como um presente do Céu para nós, para as nossas famílias e para a nossa Igreja.

Duas coisas acontecem no coração do crente por ocasião da passagem de um ano para outro: a primeira é um profundo sentimento de gratidão a Deus pelo ano que passou, por tudo que ele trouxe para nós, quer tenham sido coisas positivas quer tenham sido coisas que do nosso ponto de vista foram negativas. Fazemos isso em obediência ao mandamento divino de que em tudo devemos dar graças. “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” 1 Ts 5.18.

A outra coisa é que o nosso coração se enche de esperança com a chegada de um novo ano. Essa esperança, que é uma benção do Senhor na vida do crente, é motivada pela compreensão que temos da ação soberana de Deus, que tem tudo sob o Seu controle. Mesmo o crente tendo consciência de que os problemas do mundo, da Pátria tendem a se avolumar, pois a Bíblia diz que nos últimos tempos teremos tempos trabalhosos, todavia, a nossa esperança está posta no Senhor nosso Deus que tudo criou e que tem tudo sob o seu controle. “O Senhor tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo” Sl 103.19. Ainda outro texto que trata da soberania de Deus e que deixa o coração crente tranquilo encontra-se no Salmo 115.3, que diz: “Mas o nosso Deus está nos céus e faz tudo o que lhe apraz”.

O profeta Habacuque, mesmo diante da perspectiva de grandes dificuldades que se prenunciava na vida do povo de Israel, teve a ousadia de celebrar ao Senhor seu Deus, expressando a sua esperança e confiança naquele que por Ele tudo executava. Ele disse que se alegrava no Senhor apesar dos problemas que se prenunciavam, porque ele cria na soberania de Deus, que através da sua ação providencial determinava todas as contingências da vida do Seu povo. Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas, todavia, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação” Hc 3.17,18. O profeta ainda expressa a sua esperança no cântico acima motivado pela compreensão da misericórdia de Deus que está sobre o Seu povo. De fato amados, o nosso Deus é o Deus misericordioso, que faz a ferida e Ele mesmo a sara. “Porque ele faz a chaga, e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas mãos curam” Jó 5.18.

Um novo ano é sempre uma oportunidade que Deus nos dá para recomeçarmos alguma coisa importante que não conseguimos fazer no ano que passou, principalmente na área espiritual. Quantos de nós colocamos no coração de ser assíduos à casa do Senhor e não conseguimos fazer isso; Quantos propusemos no coração contribuir fielmente com a obra do Senhor e até começamos, mas fracassamos com pouco tempo; Quantos prometeram a Deus se afastar de alguma coisa má que entristece o Seu coração e não conseguiram. Ainda, quantos estão rompendo o ano novo com relacionamentos estremecidos! Quantos estão entrando no novo ano com pecado no coração não confessado! Quantos estão apáticos, apenas passaram o ano velho assistindo as coisas acontecerem na Igreja sem se envolver com nada!

Amados, é tempo de recomeçar! É tempo de arrumar a vida de tal maneira que, neste novo ano, sejamos crentes mais operosos, mais consagrados, mais comprometidos com a obra do Senhor, mais amorosos, mais amigos, mais solidário.

Deus espera isso de nós. Deus nos deu mais um ano em nossa existência para isso. Aproveite bem essa dadiva de Deus!

Pr.
Eudes Lopes Cavalcanti