Mostrando postagens com marcador Liderança Cristã. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Liderança Cristã. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Administrando mal o sucesso


       
      Devido aos pecados de Salomão, Deus determinou dividir o seu povo em dois reinos: o reino do norte ou de Israel, capital Samaria, composto de dez tribos e o reino do sul ou de Judá, capital Jerusalém  composto das tribos de Judá e Benjamim. O reino do norte teve nove dinastias, sendo que uma passava para a outra através de golpe de estado, assassinatos, etc. O reino de Judá teve só uma dinastia, a casa real de Davi, cumprindo-se assim uma promessa feita por Deus aquele rei, de que nunca faltaria sucessor da sua casa ao trono real. Esses dois reinos foram destruídos, sendo o primeiro pelos assírios em 722 a.C. e o segundo pelos babilônicos em 586 a.C. O reino da casa real de Davi teve e tem o seu cumprimento através de Cristo, cujo reino é eterno.
       Dentre os grandes reis da casa de Davi encontramos o rei Uzias, chamado também de Azarias, cujo relato do seu reinado encontra-se nos livros de Reis (2 Rs 14.21,22; 15.1-7) e Crônicas (2 Cr 26.1-23).
      Segundo o texto sagrado, a grandeza de Uzias deveu-se ao fato de ele ter norteado os seus caminhos segundo os mandamentos do Senhor, e de ter buscado a Deus desde o início de seu reinado, que começou quando ele tinha dezesseis anos. “E fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera Amazias, seu pai. Porque se deu a buscar a Deus nos dias de Zacarias, sábio nas visões de Deus; e, nos dias em que buscou o Senhor, Deus o fez prosperar” 2 Cr 26.4,5. Graças à ajuda divina, Uzias fez grandes obras no reino de Judá. Edificou cidades e fortificou outras, investiu na agricultura e aparelhou o exército com armas sofisticadas para a época, etc. A Bíblia diz que a bênção do Senhor era tão grande sobre Uzias que a sua fama ultrapassou fronteiras. “... e voou a sua fama até muito longe, porque foi maravilhosamente ajudado até que se tornou forte” 2 Cr 26.15.
       Segundo o cronista inspirado, o grave erro de Uzias foi que ele não conseguiu administrar o sucesso, a fama, a glória. A vaidade encheu o seu coração e a vaidade deu lugar a soberba e ele pecou contra Deus numa área extremamente sensível.  Ainda segundo o cronista, Uzias se achou no direito de entrar no santuário do Senhor e oferecer incenso, uma atividade privativa aos sacerdotes filhos de Arão. “Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração até se corromper; e transgrediu contra o Senhor, seu Deus, porque entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso” 2 Cr 26.16.
      É bom esclarecer que no meio do povo de Deus os papéis das três maiores instituições de Israel (profeta, sacerdote e rei) estavam bem definidos.  O rei reinava sobre o povo segundo a vontade de Deus. Os sacerdotes intermediavam entre o povo e Deus oferecendo sacrifícios e queimando incenso, e o profeta representava Deus diante do povo através do ministério da palavra.
      Uzias, por mais importante e poderoso que fosse, não tinha o direito de oferecer incenso ao Senhor. Ele entrou numa área que não era de sua competência e sim dos sacerdotes. Quando ele foi arguido pelos sacerdotes do Senhor ficou indignado, e por causa disso Deus o feriu com uma lepra que repentinamente brotou em sua testa, e leproso saiu da casa do Senhor, e por ser leproso ficou morando só e o reino passou a ser administrado por seu filho Jotão.
      Olhando para o episódio da vida de Uzias devemos ficar alerta para que nunca a vaidade e a soberba encham o nosso coração, pois isto acontecendo, o que é pecado, venha a provocar o fracasso de nossas vidas, pois a Escritura diz que “a soberba precede a ruína, e a altivez de espírito precede a queda” (Pv 16.18).                
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O ESTILO DE LIDERANÇA DE JESUS

O ESTILO DE LIDERANÇA DE JESUS

(Pr. Eudes Lopes Cavalcanti)

É de suma importância que os que foram galgados a uma posição de liderança no meio do povo de Deus, procurem mirar-se no exemplo deixado por Jesus, em todas as áreas, especialmente na área de liderança.

Antes mesmo que as técnicas modernas de liderança fossem desenvolvidas e testadas em laboratório, o Senhor Jesus, em quem reside todo o conhecimento da sabedoria e da ciência, já as usava no cotidiano do Seu ministério público.

Vejamos algumas técnicas de liderança usadas por Jesus:

1 – Jesus escolheu bem a Sua equipe de trabalho

O segredo de qualquer empreendimento que tenha certa complexidade está na escolha da equipe de trabalho. Considerando a grandeza e a complexidade da obra que Jesus veio realizar neste mundo, Ele precisava de uma boa equipe para que quando encerrasse as suas atividades ela daria continuidade a grande obra de expansão do Reino de Deus. Observando o estilo de liderança de Jesus nessa área, podemos constatar que ele escolheu bem a sua equipe de trabalho. Ele escolheu aqueles homens que teriam condições de ajudá-lo em Seu ministério, e também dar continuidade a Sua obra quando partisse deste mundo, e os treinou pacientemente. O Senhor sabia o que era colocar o homem certo no lugar certo, o que é o dilema maior de todo o gerente moderno.

Além de escolher bem os Seus, a Sua equipe de trabalho, Jesus distribuiu atividades e responsabilidades. Tinha Pedro, Tiago e João, que poderíamos chamá-los de imediatos, visto que eram os que estavam mais próximos dele, em todos os passos do Seu ministério. Tinha um que tomava conta das finanças do grupo. Tinha aqueles dois que sempre chegavam primeiro nas localidades para onde o Senhor ia, a fim de preparar-lhe pousada, e assim por diante.

2 - Jesus delegava autoridade

O Senhor como líder, delegou autoridade aos seus comandados, que chamou de apóstolos, ele abriu os espaços para que as potencialidades dos mesmos fossem utilizadas ao máximo. Vemos isso, quando Ele os capacitou com o poder do Céu para expulsarem demônios e curarem todo o tipo de enfermidades. A delegação de autoridade foi tão grande que chegou a ponto de autorizá-los a perdoarem pecados. “Aqueles a quem perdoardes os pecados lhe serão perdoados; aqueles a quem o retiverdes lhe serão retidos.” Jo 20.23.

A delegação de autoridade é a via crucis de um líder com características autocráticas. A pessoa que tem esta característica resiste delegar autoridade, muitas vezes por causa de ciúme e muitas vezes por medo de diminuir ou perder o poder. Este pensamento mesquinho, que alguns líderes têm, é a causa básica do fraco crescimento que existe em muitas comunidades evangélicas, e do sufocamento de muitas lideranças promissoras.

O verdadeiro líder delega autoridade, pois sabe que à medida que o trabalho cresce não conseguirá fazer tudo sozinho. Sabe ele também que as pessoas que recebem delegação de autoridade sentir-se-ão importantes, valorizadas, e que trarão uma importante contribuição à instituição da qual fazem parte.

3 - Jesus se comunicava bem

A comunicação é o problema básico de todo o agrupamento humano. A comunicação abrange quatro fases: O emissor, a mensagem, o meio de comunicação e o receptor. O emissor é aquele que emite a mensagem. A mensagem é aquilo que deve ser conhecido do receptor. O meio de comunicação é o canal por onde a comunicação flui. O receptor é o destinatário da mensagem.

O Senhor Jesus tinha consciência clara disso. Ele se comunicava bem. A sua comunicação era bilateral. Os monólogos foram muito poucos na vida do Senhor. Em diversas ocasiões, encontramos Jesus provocando o diálogo, como no caso da mulher samaritana, registrada em João 4, e no caso dos discípulos no caminho de Emaús. Quanto às parábolas que o Senhor Jesus proferiu, o seu significado era dito a Sua equipe de trabalho. Jesus não escondia informações, nem “o leite” dos Seus auxiliares. “Tudo Ele explicava aos Seus discípulos em particular.” Mc 4.34. Jesus sempre se encontrava disponível para ouvir o povo, tinha tempo para ouvir a todos. A Sua conversa era agradável, grave, sincera. Valia à pena ouvir e conversar com Jesus. Bem razão tinha Maria de Betânia quando sentada aos pés do Senhor ouvia a Sua Palavra (Lc 10.38-42).

No uso da comunicação, Jesus deu ênfase ao feedback, isto é, ao retorno da informação que dava. Em certa ocasião, ele perguntou aos Seus que diziam os homens acerca dele, inclusive fez esta pergunta aos discípulos: “É vós quem dizeis que eu sou?” Mt 16.15.

Há muitos líderes cristãos que não estão preocupados com o feedback. Não procuram saber como é que o povo encara a sua liderança, se agrada ou não. O feedback é importante na vida do líder cristão para fazer as correções necessárias na sua maneira de agir. Jesus não precisava de feedback porque conhecia tudo e todos, mas nós precisamos, como homens limitados que somos.

Que os líderes atuais aprendam com Jesus a ouvir o povo, a conversar com ele, enfim a se comunicar bem.

4 - Jesus dava ênfase ao trabalho, à produção, à meta

O Senhor Jesus como líder deu uma ênfase extraordinária à execução da tarefa. Era exigente com aqueles que trabalhavam com Ele. “O que lança mão do arado e olha para trás, não é apto para o Reino dos Céus.” Lc 9.62. Certa feita, Ele convocou um homem para o trabalho e não aceitou a sua escusa. “Deixa os mortos sepultar os seus mortos e tu vai e prega o Reino de Deus.” Lc 9.60. Jesus, na parábola dos talentos, mostrou que não admitia pessoas na Sua seara, sem o dinamismo necessário para o desenvolvimento do Seu trabalho. Censurou rispidamente o servo que recebeu um talento e o escondeu, com medo do seu senhor.

Jesus não somente exigia trabalho dos outros, mas dava o exemplo. Era um trabalhador incansável. “Meu Pai trabalha até agora e eu trabalho também.” Jo 5.17. “Uma comida tenho que vós não conheceis: A minha comida é fazer a vontade do meu Pai e realizar a Sua Obra.” Jo 4.32,34.

5 - Jesus dava ênfase aos recursos humanos

A preocupação do Senhor Jesus como líder em relação a Sua equipe de trabalho não foi só com a produção, com a execução da tarefa, mas também com os Recursos Humanos, isto é, com o homem que executava o trabalho. Jesus sabia que um homem treinado, motivado e capacitado, teria condições de realizar a tarefa a contento. Durante três anos, o Senhor treinou os Seus apóstolos, motivou-os e capacitou-os para o serviço cristão. De maneira que, após a capacitação plena, que veio no dia de Pentecostes, aquele pequeno grupo de discípulos, direta ou indiretamente, fez a mensagem do Evangelho conhecida de todo o mundo de então.

A preocupação de Jesus com os Seus discípulos não era só na área da capacitação para executar a tarefa, mas também com o suprimento de suas necessidades. Os discípulos que trabalhavam com afinco, sem tempo para descansar, dado o volume do trabalho, Ele os chamou à parte para repousar (Mc 6.31). As necessidades básicas de alimentação, vestimenta, segurança, etc., foram objetos da atenção do Amado Mestre (Mt. 6.25-34). Quando das duas multiplicações dos pães, todos os apóstolos, além de comerem fartamente, ainda levaram pães para uma boa parte da caminhada (Mc. 6.43; 8.8). Os discípulos, em certa ocasião, depois de passarem a noite toda pescando sem sucesso, seguiram a orientação de Jesus e pescaram cento e cinqüenta e três grandes peixes, a ponto de o barco quase soçobrar. Quando chegaram à praia encontraram brasas, peixes assados e pão. Era a provisão divina para as suas necessidades materiais.

Outra preocupação que Jesus tinha com os seus discípulos, era quanto à proteção e o cuidado que demonstrava para com eles. Em certa ocasião, perguntou aos escribas o que é que eles discutiam com os seus discípulos (Mc 9.14-16). Em outra ocasião, o Senhor revelou a Pedro que Satanás tinha pedido permissão a Deus para cirandar com ele, mas disse Jesus, Eu roguei por ti para que a tua fé não desfaleça (Lc 22.31).

O líder verdadeiro se preocupa com o bem-estar daqueles que estão sob a sua liderança.

O estilo de liderança que dá alta ênfase ao trabalho e alta ênfase a pessoa que executa o trabalho, é o estilo ideal, segundo a opinião dos estudiosos sobre o assunto, inclusive, isso já foi testado em laboratório. No Grid Gerencial (uma das técnicas de desenvolvimento de lideranças) esse é o estilo conhecido como 9.9, o melhor de todos para qualquer organização produtiva. Há mais de dois mil anos atrás, o Senhor Jesus já usava esse estilo e o enfatizava.

Muitos administradores modernos falham justamente nessa área. Uns dão ênfase só à produção, ao trabalho. Esses acham que o homem é apenas uma peça numa engrenagem, que deverá ser substituída quando falhar. Outros só dão ênfase aos recursos humanos sem se preocupar com a produção, com o trabalho. São paternalistas. Não corrigem, não disciplinam, não chegam a lugar nenhum. Mantêm o grupo inoperante, sem efetiva ação.

O ideal como vimos, é o estilo de liderança empregado por Jesus, resumido em alta produtividade e alta satisfação das necessidades humanas.

6 - Jesus Organizava o seu trabalho

Cada coisa no seu devido lugar. Jesus não gostava de nada desorganizado; fazia as coisas com ordem e decência. Um exemplo vivo disso, é encontrado na primeira multiplicação dos pães, registrada em Lc 9.10-17. O Senhor mandou que todos os presentes se assentassem em grupos de cinquenta. Os pães e os peixes multiplicados foram entregues aos discípulos e eles os entregaram a multidão. Imaginem se Jesus pegasse os pães e os jogassem ao povo. Seria um verdadeiro pandemônio e certamente muita gente iria ferir-se e talvez até morrer pisoteada. Outro exemplo claro na área de organização, foi à distribuição dos talentos. O primeiro recebeu cinco talentos, o segundo dois talentos e o terceiro um talento, cada um de acordo com a sua capacidade.

A organização é uma necessidade muito grande para aqueles que ocupam posição de liderança nas Igrejas. Muitos falham nessa área. Quantos líderes evangélicos que existem hoje em dia com pouquíssima noção de organização! Isso nós vemos a partir das mensagens e estudos bíblicos proferidos. Faz-se necessário que o líder cristão, organize seu mundo interior, suas idéias, seus compromissos, sua família, etc. O universo, criação do Senhor, é acima de tudo um universo organizado. As leis que o regem, estabelecidas e organizadas pelo Criador, são eternas e imutáveis. Tudo se move no Universo com precisão milimétrica. Há um equilíbrio fantástico na criação do Senhor. Toda essa organização esplendorosa saiu da mente do Santo Filho de Deus. “... Sem ele nada do que foi feito se fez!.” Jo 1.3.

7 - Jesus planejava as suas atividades

O planejamento é uma atividade fundamental na vida de um líder. O Senhor Jesus planejava as suas atividades e ensinava aos outros que deveriam planejá-las também. Certa feita ele perguntou aos que estavam presentes, qual era o rei que sairia para combater outro rei, sem que primeiro procurasse saber a força do seu adversário e se com um exército numericamente inferior poderia combater um numericamente superior (Lc 14.31,32). Quando Jesus organizou o colégio apostólico instituiu uma tesouraria, cujo responsável era Judas Iscariotes, justamente para fazer face às despesas financeiras do cotidiano do Seu ministério. O dinheiro coletado era para atender o planejamento de suas atividades que, evidentemente, exigia despesas com alimentação, estada, etc. O roteiro do Seu ministério que envolveu a Judéia, Samaria e Galiléia, mostra que o Senhor seguia um planejamento bem definido: “Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da Casa de Israel”, disse Ele certa feita a mulher sírio-fenícia (Mt 15.24).

Sabemos de muitos líderes evangélicos que falham muito na área do planejamento. Às vezes, levam as comunidades às quais pertencem a tomar decisões sem pensarem nas conseqüências futuras. Jesus não fez assim. Ele nos deixou um grande exemplo de uma líder que planejava as suas atividades.

BIBLIOGRAFIA

A BÍBLIA - Imprensa Bíblica Brasileira, 1988

BLAKE & Monton - O Grid Gerencial - Biblioteca Pioneira de Adm. e Negócios – 1964

BOB BRINER & RAY PRITCHARD. Lições da Liderança de Jesus. Editora United Press Ltda - 2000.

C. GENE WILKES. O Último Degrau da Liderança. Editora Mundo Cristão – 1999

FARIAS, A. Nogueira de. Chefia e Liderança - Livros Tec. e Científicos. Editoro, 1982

HAGGAI, John. Seja um Líder de Verdade, Editora Betânia, 1990

HAMPTON, David R. Administração Contemporânea. Mc. Graw – Hill, 1983

KILINSK, Kenneth K. e Jerry C. Wofford - Organização e Liderança na Igreja Local. Vida Nova, 1987.

KRAUSE, Wether Maynaral. Chefia, Conceitos e Técnicas. Atlas, 1978

REDDIM, W. J. Eficácia Gerencial. Atlas, 1986

SANDERS, J. Oswald. Liderança Espiritual - Mundo Cristão, 1980

SANDERS, J. Oswald. Paulo, o Líder. Editora Vida, 1986

SERRA, Floriano. Liderança no Trabalho. Ediouro, 1982

URIS, Auren – Liderança. Ibrasa, 1979

YOUSSEF, Michael. O Estilo de Liderança de Jesus. Editora Betânia – 1986

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

As Fases da Liderança Cristã


Introdução

O estudo da liderança é de suma importância, principalmente, na época em que estamos vivendo, a fim de ajudar o homem escolhido por Deus a ter sucesso em sua missão. O desconhecimento deste magno assunto leva o líder cristão a incorrer em erros e problemas que poderiam ser evitados, caso fossem tratados de acordo com as técnicas de liderança conhecidas nos livros que versam sobre o assunto.

Neste artigo, abriremos uma janela por onde poderemos descortinar a possibilidade de melhorarmos o exercício da liderança no meio do povo de Deus.

Diante disto, na janela aberta, descortinaremos as fases macros da liderança cristã: A Chamada para a Liderança, A Capacitação para a Liderança, A Definição do Espaço da Liderança, O Exercício da Liderança e a Recompensa da Liderança.

O aprofundamento do assunto, caso se deseje, deverá ser buscado nos livros que tratam do assunto, existentes no mercado e aos pés do Senhor em oração.

Antes de desenvolvermos sucintamente as fases da liderança cristã, é conveniente fazermos conhecidas dois conceitos sobre Liderança:

a) Liderança Natural: “Pode ser definida como sendo aquela qualidade num homem, que inspira suficiente confiança a seus comandados de modo a aceitarem suas idéias e obedecerem ao seu comando”.

b) Liderança Cristã: “É uma vocação em que há uma perfeita mistura de qualidades humanas e divinas, ou um trabalho harmonioso entre o homem e Deus destinado ao ministério e bênção das demais pessoas”.

Nas definições de Liderança constantes dos Manuais de Administração é comum encontrarmos as expressões: “ser aceito e respeitado pelo grupo”, “Capacidade de unir e manter coeso o grupo”; “Manter um bom relacionamento com o grupo”; “Identificação com o grupo”; “Levar o grupo a consecução dos objetivos”; “Influenciar”; “Inspirar confiança”, etc.

A Chamada para a Liderança

Paulo chamado pela vontade de Deus, para ser apóstolo de Jesus Cristo...” 1 Co 1.1

A Chamada da genuína liderança cristã vem exclusivamente de Deus. Na obra de Deus ninguém deve querer levantar-se a si mesmo como líder, isto é o que entendemos estudando a Bíblia Sagrada. O Senhor, segundo o beneplácito de Sua Soberana Vontade, tem escolhido e chamado pessoas, de ambos os sexos, para exercerem atividade de Liderança no meio da Igreja. Para consolidar o assunto, mostraremos alguns versículos bíblicos: “Veio a mim a Palavra do Senhor dizendo: antes que eu te formasse no ventre, te conheci e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta”, Jr 1.4, 5. “Mas quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe separou, e me chamou pela Sua graça” Gl 1.15. “Jesus subiu a um monte, e chamou os que ele quis...” Mc 3.13. “Paulo, servo Jesus Cristo, chamado para apostolo, separado para o Evangelho de Deus” Rm 1.1.

A Chamada eficaz para a liderança alcança o salvo onde e quando Deus achar conveniente. Com Paulo, foi na estrada de Damasco quando ia perseguindo a Igreja do Senhor. Com Moisés, foi no monte Horebe na visão da sarça ardente. Com Samuel, foi na Casa do Senhor. Com Pedro, André, Tiago e João foram às margens do Mar da Galiléia. Com Mateus, foi no local onde ele trabalhava, e assim por diante.

Entendendo que a Chamada é divina, nós devemos orar como Jesus ensinou em Lucas 10.2, para que Deus envie obreiros para a Sua Seara, ou seja, levante lideranças firmes, vocacionadas e eficazes para o Seu trabalho.

A Capacitação para a Liderança

“... Mas a nossa capacidade vem de Deus” 2 Co 3.5

As pessoas chamadas por Deus para exercerem a atividade de liderança são por Ele capacitadas para a executarem a contento. Deus, quando chama, se responsabiliza para capacitar a pessoa. A capacitação, segundo o propósito divino, é de acordo com a atividade de liderança que o Senhor tem designado para o seu servo. A Bíblia diz que quando o Senhor distribuiu os talentos deu a cada um segundo a sua capacidade (Mt 25.15). Referindo-se aos dons carismáticos, Paulo diz que o Espírito Santo os distribui particularmente a cada um como quer (1 Co 12.11). Entendemos por estes e outros textos bíblicos que a capacitação de Deus pode diferir de uma pessoa para outra. Deus, quando chamou a Moisés, o capacitou poderosamente para a grande tarefa que queria que ele realizasse: Tirar Israel do Egito e conduzi-lo até a terra da promessa. A capacitação de Moisés, como a de Paulo, começou muito antes da experiência de conversão. Moisés, no Egito, foi instruído em toda a ciência e sabedoria daquele grande povo (At 7.22). Paulo, nascido em Tarso, foi instruído aos pés de Gamaliel em Jerusalém, uns dos maiores mestres do seu tempo, (At 22.3). A capacitação de Moisés continuou no deserto de Midiã, pastoreando o rebanho de Jetro, seu sogro, e culminou com a concessão do poder de Deus, na experiência da sarça ardente, no Monte Horebe. A de Paulo continuou na estrada de Damasco, quando daquela experiência em que ouviu a voz do Senhor e viu a Sua luz e culminou naquela cidade quando foi cheio do Espírito Santo, após receber a imposição de mãos de Ananias. Tanto Paulo como Moisés foram capacitados por Deus para o exercício dos seus respectivos ministérios. Foram capacitados com profundo conhecimento humano, capacitados com um profundo conhecimento das Sagradas Escrituras e com concessão do poder de Deus.

Como em toda a Bíblia se percebe, as áreas da soberania divina e da responsabilidade humana andam juntas. Devemos entender que nessa área de capacitação a mesma coisa deve ser considerada. Deus tem feito Sua parte e nós também devemos fazer a nossa, no que se refere à capacitação. Para isso temos que dedicar mais tempo a oração, ao estudo da Palavra de Deus, a termos humildade de aprendermos como os nossos erros e com os dos outros e dedicarmos mais tempo a leitura em geral, especialmente, desse precioso assunto.

A Definição do Espaço da Liderança

“Mas, agora, Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis” 1 Co 12.18

Diante do que já vimos desenvolvendo, começamos a perceber que o Deus que chama e capacita, define também o espaço para que o seu servo exercite a atividade de liderança. É o que chamamos do homem certo no lugar certo. Se um homem foi chamado e capacitado para ser um Evangelista jamais será eficaz como Pastor. A mesma coisa acontece com um Pastor. Ele pode fazer a obra de um Evangelista como orientou Paulo a Timóteo (2 Tm 4.5), mas não será tão eficaz quanto um homem chamado para ser Evangelista. Um Evangelista só vê diante de si uma necessidade que é a de salvar almas, e, na propagação do Evangelho, ele é altamente eficaz. Já o Pastor tem a grande responsabilidade de pastorear as pessoas que já encontraram a salvação em Cristo Jesus.

A questão de definição de espaço é muito importante. Somente dentro do espaço reservado por Deus é que seremos líderes eficazes. A dificuldade que João marcos, sobrinho de Barnabé, sentiu foi a de justamente não ter sido chamado por Deus para ocupar o espaço na Obra Missionária da Igreja de Antioquia. O Espírito Santo tinha separado Barnabé e Paulo e não João Marcos. O resultado todos nós conhecemos, inclusive sendo ele a causa da separação daqueles dois grandes servos de Deus (At 13.1-5,13 e 15.36-39). Coré, Datã e Abirão sofreram duras conseqüências quando tentaram ocupar o espaço da liderança não designado por Deus. (Nm 16.1-3). O Caso de Saul, primeiro rei de Israel, mostra um líder querendo ocupar o espaço designado por Deus para outro líder (1 Sm 13.8-13). Também para ele a conseqüência não foi boa.

Assim como Paulo que tinha consciência do espaço reservado por Deus para o seu ministério (Gl 2.7,8), assim também devemos ter certeza do lugar onde Deus quer que desenvolvamos a nossa capacidade de liderança. Isto é possível se buscarmos a vontade de Deus para nossas vidas (Rm 12.1, 2; Ef 5.17).

O Exercício da Liderança

“Contanto que cumpra, com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus”. At 20.24

Chamado, capacitado e ocupando o espaço definido por Deus, começa o líder a exercer a sua atividade de liderança sob a bênção do Todo-Poderoso. Os frutos serão abundantes na medida em que ele for sendo fiel ao Senhor. Foi assim com Paulo, com Moisés, com Davi, com Salomão e com inúmeros servos de Deus ao longo da história bíblica e também da Igreja. Vejamos apenas um exemplo que foi o de Paulo. “Servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: apartai-me a Barnabé e a Paulo para a obra que os tenho chamado. Então depois de jejuarem e orarem, impuseram sobre eles as mãos e os despediram. Assim, enviados pelo Espírito Santo...” At 13.2-4. Chamado, capacitado, ocupando o espaço de Deus reservado para ele, vai agora Paulo confiante exercer o seu ministério, no caso, a sua primeira viagem missionária. Depois de executar aquela obra voltou para Antioquia, onde tinha sido recomendado à graça de Deus, juntamente com o seu companheiro Barnabé para a obra que acabara de realizar. “... Quando chegaram reuniram a Igreja, relataram quão grandes coisas o Senhor fizera por eles, e como abrira as portas aos gentios”. At 14.26, 27.

Escrevendo a Timóteo, o Apóstolo Paulo lembra ao jovem líder a necessidade de, no espaço definido por Deus, cumprir o ministério para o qual fora chamado. “... Cumpre o teu ministério”. 2 Tm 4.5.

É bom lembrar que no exercício da liderança surgem muitas lutas e problemas. Em nossa opinião, uma das maiores dificuldades que o líder cristão vai enfrentar é consigo mesmo, principalmente se ele tiver características autocráticas. Certamente, sentirá grandes dificuldades em delegar autoridade para que outros executem alguma tarefa. Terá dificuldade de trabalhar em equipe, de envolver a Igreja ou o grupo com uma metodologia de trabalho democrática. Sentirá também dificuldade de conviver harmoniosamente com outras lideranças, e assim por diante.

Acreditamos que, pensando nessa tendência do líder autocrático querer dominar e controlar tudo é que o Espírito Santo usando a instrumentalidade de Pedro diz: “Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu... Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente, não por torpe ganância, mas de boa vontade; não como dominadores dos que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho”. 1 Pe 5.1-3.

A Recompensa da Liderança

“... E, se alguém me servir, meu Pai o honrará”. Jo 12.26

Sabemos pelas Sagradas Escrituras que o trabalho cristão tem sua recompensa determinada por Deus. Escrevendo aos Coríntios. Paulo diz: “Portanto, amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na Obra do Senhor, sabendo que, no Senhor Jesus Cristo o vosso trabalho não é vão” 1 Co 15.58. O nosso Senhor Jesus Cristo falou também sobre uma recompensa designada por Deus para aqueles que o servem fielmente: “E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terra, por causa do meu nome, receberá cem vezes, herdará a vida eterna” Mt 19.29. O apóstolo Paulo tinha uma convicção profunda sobre a recompensa que iria receber do Senhor; “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” 2 Tm 4.7, 8. O apóstolo Pedro também feriu o assunto quando disse: “... e quando se manifestar o sumo Pastor recebereis a imarcescível coroa de glória” 1 Pe 5.1-4. No livro do profeta Daniel, encontramos uma palavra dita pelo Senhor sobre o assunto àquele servo Seu: “Tu, porém, vai até ao fim; porque repousarás e estarás na tua sorte no fim dos dias” Dn 12.13.

Para àqueles líderes que desempenharam bem o seu papel, certamente receberão do Senhor a recompensa devida, conforme as promessas registradas em Sua Santa Palavra. Acreditamos que o líder deve trabalhar para Deus não visando uma recompensa e sim por gratidão. A recompensa é uma conseqüência natural de um bom trabalho. Deus é fiel e dará a cada um segundo a sua obra.

Conclusão

Temos visto que para se ter sucesso na vida cristã, como líder, a pessoa tem que ter sido chamada e capacitada por Deus, tem que ter de maneira bem clara, em seu coração, a noção do espaço de liderança definido por Deus, tem que estar trabalhando sob a direção divina e ter confiança nas promessas recompensadoras do Senhor.

Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Ministro Congregacional da ALIANÇA

terça-feira, 19 de agosto de 2008

AS FASES DA LIDERANÇA CRISTÃ

Introdução

O estudo da liderança é de suma importância, principalmente, na época em que estamos vivendo, a fim de ajudar o homem escolhido por Deus a ter sucesso em sua missão. O desconhecimento deste magno assunto leva o líder cristão a incorrer em erros e problemas que poderiam ser evitados, caso fossem tratados de acordo com as técnicas de liderança conhecidas nos livros que versam sobre o assunto.
Neste artigo, abriremos uma janela por onde poderemos descortinar a possibilidade de melhorarmos o exercício da liderança no meio do povo de Deus.
Diante disto, na janela aberta, descortinaremos as fases macros da liderança cristã: A Chamada para a Liderança, A Capacitação para a Liderança, A Definição do Espaço da Liderança, O Exercício da Liderança e a Recompensa da Liderança.
O aprofundamento do assunto, caso se deseje, deverá ser buscado nos livros que tratam do assunto, existentes no mercado e aos pés do Senhor em oração.
Antes de desenvolvermos sucintamente as fases da liderança cristã, é conveniente fazermos conhecidas dois conceitos sobre Liderança:
a) Liderança Natural: “Pode ser definida como sendo aquela qualidade num homem, que inspira suficiente confiança a seus comandados de modo a aceitarem suas idéias e obedecerem ao seu comando”.
b) Liderança Cristã: “É uma vocação em que há uma perfeita mistura de qualidades humanas e divinas, ou um trabalho harmonioso entre o homem e Deus destinado ao ministério e bênção das demais pessoas”.

Nas definições de Liderança constantes dos Manuais de Administração é comum encontrarmos as expressões: “ser aceito e respeitado pelo grupo”, “Capacidade de unir e manter coeso o grupo”; “Manter um bom relacionamento com o grupo”; “Identificação com o grupo”; “Levar o grupo a consecução dos objetivos”; “Influenciar”; “Inspirar confiança”, etc.

A Chamada para a Liderança

“Paulo chamado pela vontade de Deus, para ser apóstolo de Jesus Cristo...” 1 Co 1.1

A Chamada da genuína liderança cristã vem exclusivamente de Deus. Na obra de Deus ninguém deve querer levantar-se a si mesmo como líder, isto é o que entendemos estudando a Bíblia Sagrada. O Senhor, segundo o beneplácito de Sua Soberana Vontade, tem escolhido e chamado pessoas, de ambos os sexos, para exercerem atividade de Liderança no meio da Igreja. Para consolidar o assunto, mostraremos alguns versículos bíblicos: “Veio a mim a Palavra do Senhor dizendo: antes que eu te formasse no ventre, te conheci e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta”, Jr 1.4, 5. “Mas quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe separou, e me chamou pela Sua graça” Gl 1.15. “Jesus subiu a um monte, e chamou os que ele quis...” Mc 3.13. “Paulo, servo Jesus Cristo, chamado para apostolo, separado para o Evangelho de Deus” Rm 1.1.
A Chamada eficaz para a liderança alcança o salvo onde e quando Deus achar conveniente. Com Paulo, foi na estrada de Damasco quando ia perseguindo a Igreja do Senhor. Com Moisés, foi no monte Horebe na visão da sarça ardente. Com Samuel, foi na Casa do Senhor. Com Pedro, André, Tiago e João foram às margens do Mar da Galiléia. Com Mateus, foi no local onde ele trabalhava, e assim por diante.
Entendendo que a Chamada é divina, nós devemos orar como Jesus ensinou em Lucas 10.2, para que Deus envie obreiros para a Sua Seara, ou seja, levante lideranças firmes, vocacionadas e eficazes para o Seu trabalho.
A Capacitação para a Liderança

“... Mas a nossa capacidade vem de Deus” 2 Co 3.5

As pessoas chamadas por Deus para exercerem a atividade de liderança são por Ele capacitadas para a executarem a contento. Deus, quando chama, se responsabiliza para capacitar a pessoa. A capacitação, segundo o propósito divino, é de acordo com a atividade de liderança que o Senhor tem designado para o seu servo. A Bíblia diz que quando o Senhor distribuiu os talentos deu a cada um segundo a sua capacidade (Mt 25.15). Referindo-se aos dons carismáticos, Paulo diz que o Espírito Santo os distribui particularmente a cada um como quer (1 Co 12.11). Entendemos por estes e outros textos bíblicos que a capacitação de Deus pode diferir de uma pessoa para outra. Deus, quando chamou a Moisés, o capacitou poderosamente para a grande tarefa que queria que ele realizasse: Tirar Israel do Egito e conduzi-lo até a terra da promessa. A capacitação de Moisés, como a de Paulo, começou muito antes da experiência de conversão. Moisés, no Egito, foi instruído em toda a ciência e sabedoria daquele grande povo (At 7.22). Paulo, nascido em Tarso, foi instruído aos pés de Gamaliel em Jerusalém, uns dos maiores mestres do seu tempo, (At 22.3). A capacitação de Moisés continuou no deserto de Midiã, pastoreando o rebanho de Jetro, seu sogro, e culminou com a concessão do poder de Deus, na experiência da sarça ardente, no Monte Horebe. A de Paulo continuou na estrada de Damasco, quando daquela experiência em que ouviu a voz do Senhor e viu a Sua luz e culminou naquela cidade quando foi cheio do Espírito Santo, após receber a imposição de mãos de Ananias. Tanto Paulo como Moisés foram capacitados por Deus para o exercício dos seus respectivos ministérios. Foram capacitados com profundo conhecimento humano, capacitados com um profundo conhecimento das Sagradas Escrituras e com concessão do poder de Deus.
Como em toda a Bíblia se percebe, as áreas da soberania divina e da responsabilidade humana andam juntas. Devemos entender que nessa área de capacitação a mesma coisa deve ser considerada. Deus tem feito Sua parte e nós também devemos fazer a nossa, no que se refere à capacitação. Para isso temos que dedicar mais tempo a oração, ao estudo da Palavra de Deus, a termos humildade de aprendermos como os nossos erros e com os dos outros e dedicarmos mais tempo a leitura em geral, especialmente, desse precioso assunto.
A Definição do Espaço da Liderança

“Mas, agora, Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis” 1 Co 12.18

Diante do que já vimos desenvolvendo, começamos a perceber que o Deus que chama e capacita, define também o espaço para que o seu servo exercite a atividade de liderança. É o que chamamos do homem certo no lugar certo. Se um homem foi chamado e capacitado para ser um Evangelista jamais será eficaz como Pastor. A mesma coisa acontece com um Pastor. Ele pode fazer a obra de um Evangelista como orientou Paulo a Timóteo (2 Tm 4.5), mas não será tão eficaz quanto um homem chamado para ser Evangelista. Um Evangelista só vê diante de si uma necessidade que é a de salvar almas, e, na propagação do Evangelho, ele é altamente eficaz. Já o Pastor tem a grande responsabilidade de pastorear as pessoas que já encontraram a salvação em Cristo Jesus.
A questão de definição de espaço é muito importante. Somente dentro do espaço reservado por Deus é que seremos líderes eficazes. A dificuldade que João marcos, sobrinho de Barnabé, sentiu foi a de justamente não ter sido chamado por Deus para ocupar o espaço na Obra Missionária da Igreja de Antioquia. O Espírito Santo tinha separado Barnabé e Paulo e não João Marcos. O resultado todos nós conhecemos, inclusive sendo ele a causa da separação daqueles dois grandes servos de Deus (At 13.1-5,13 e 15.36-39). Coré, Datã e Abirão sofreram duras conseqüências quando tentaram ocupar o espaço da liderança não designado por Deus. (Nm 16.1-3). O Caso de Saul, primeiro rei de Israel, mostra um líder querendo ocupar o espaço designado por Deus para outro líder (1 Sm 13.8-13). Também para ele a conseqüência não foi boa.
Assim como Paulo que tinha consciência do espaço reservado por Deus para o seu ministério (Gl 2.7,8), assim também devemos ter certeza do lugar onde Deus quer que desenvolvamos a nossa capacidade de liderança. Isto é possível se buscarmos a vontade de Deus para nossas vidas (Rm 12.1, 2; Ef 5.17).
O Exercício da Liderança

“Contanto que cumpra, com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus”. At 20.24

Chamado, capacitado e ocupando o espaço definido por Deus, começa o líder a exercer a sua atividade de liderança sob a bênção do Todo-Poderoso. Os frutos serão abundantes na medida em que ele for sendo fiel ao Senhor. Foi assim com Paulo, com Moisés, com Davi, com Salomão e com inúmeros servos de Deus ao longo da história bíblica e também da Igreja. Vejamos apenas um exemplo que foi o de Paulo. “Servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: apartai-me a Barnabé e a Paulo para a obra que os tenho chamado. Então depois de jejuarem e orarem, impuseram sobre eles as mãos e os despediram. Assim, enviados pelo Espírito Santo...” At 13.2-4. Chamado, capacitado, ocupando o espaço de Deus reservado para ele, vai agora Paulo confiante exercer o seu ministério, no caso, a sua primeira viagem missionária. Depois de executar aquela obra voltou para Antioquia, onde tinha sido recomendado à graça de Deus, juntamente com o seu companheiro Barnabé para a obra que acabara de realizar. “...Quando chegaram reuniram a Igreja, relataram quão grandes coisas o Senhor fizera por eles, e como abrira as portas aos gentios”. At 14.26, 27.
Escrevendo a Timóteo, o Apóstolo Paulo lembra ao jovem líder a necessidade de, no espaço definido por Deus, cumprir o ministério para o qual fora chamado. “... Cumpre o teu ministério”. 2 Tm 4.5.
É bom lembrar que no exercício da liderança surgem muitas lutas e problemas. Em nossa opinião, uma das maiores dificuldades que o líder cristão vai enfrentar é consigo mesmo, principalmente se ele tiver características autocráticas. Certamente, sentirá grandes dificuldades em delegar autoridade para que outros executem alguma tarefa. Terá dificuldade de trabalhar em equipe, de envolver a Igreja ou o grupo com uma metodologia de trabalho democrática. Sentirá também dificuldade de conviver harmoniosamente com outras lideranças, e assim por diante.
Acreditamos que, pensando nessa tendência do líder autocrático querer dominar e controlar tudo é que o Espírito Santo usando a instrumentalidade de Pedro diz: “Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu ... Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente, não por torpe ganância, mas de boa vontade; não como dominadores dos que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho”. 1 Pe 5.1-3.
A Recompensa da Liderança

“...E, se alguém me servir, meu Pai o honrará”. Jo 12.26

Sabemos pelas Sagradas Escrituras que o trabalho cristão tem sua recompensa determinada por Deus. Escrevendo aos Coríntios. Paulo diz: “Portanto, amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na Obra do Senhor, sabendo que, no Senhor Jesus Cristo o vosso trabalho não é vão” 1 Co 15.58. O nosso Senhor Jesus Cristo falou também sobre uma recompensa designada por Deus para aqueles que o servem fielmente: “E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terra, por causa do meu nome, receberá cem vezes, herdará a vida eterna” Mt 19.29. O apóstolo Paulo tinha uma convicção profunda sobre a recompensa que iria receber do Senhor; “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” 2 Tm 4.7, 8. O apóstolo Pedro também feriu o assunto quando disse: “... e quando se manifestar o sumo Pastor recebereis a imarcescível coroa de glória” 1 Pe 5.1-4. No livro do profeta Daniel, encontramos uma palavra dita pelo Senhor sobre o assunto àquele servo Seu: “Tu, porém, vai até ao fim; porque repousarás e estarás na tua sorte no fim dos dias” Dn 12.13.
Para àqueles líderes que desempenharam bem o seu papel, certamente receberão do Senhor a recompensa devida, conforme as promessas registradas em Sua Santa Palavra. Acreditamos que o líder deve trabalhar para Deus não visando uma recompensa e sim por gratidão. A recompensa é uma conseqüência natural de um bom trabalho. Deus é fiel e dará a cada um segundo a sua obra.

Conclusão

Temos visto que para se ter sucesso na vida cristã, como líder, a pessoa tem que ter sido chamada e capacitada por Deus, tem que ter de maneira bem clara, em seu coração, a noção do espaço de liderança definido por Deus, tem que estar trabalhando sob a direção divina e ter confiança nas promessas recompensadoras do Senhor.


Simão, o mágico (At 8.9-13) No relato do texto em apreço, nos é apresentada a figura de um homem famoso na cidade de Samaria, onde De...