Este blog veicula reflexões bíblicas feitas pelo Reverendo Eudes Lopes Cavalcanti
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quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Entendendo a Mensagem do Apocalipse
O livro de Apocalipse é o último livro do Canon do Novo Testamento. Ele foi escrito por João, apóstolo, quando estava exilado na Ilha de Patmos por causa do evangelho, sob o governo de Domiciano, provavelmente em 95 d.C. O livro foi escrito visando consolar a Igreja do Senhor Jesus que sofria oposição e perseguição por parte da potência mundial da época, o império romano. Ele foi escrito num estilo literário conhecido como apocalíptico em que, dentre outras coisas, a mensagem é apresentada através de visões, símbolos e figuras. Esse estilo literário foi usado de forma abundante por escritores religiosos do período entre 200 a.C a 100 d.C. No Canon Sagrado temos o livro de Apocalipse escrito nessa linguagem, partes de Daniel, de Isaías, de Ezequiel, e de Zacarias. Existem ainda diversos outros livros que usam esse tipo de linguagem, mas apócrifos. A mensagem básica passada pelos apocalípticos era que o povo de Deus estava sofrendo nas mãos dos ímpios, mas que tivesse paciência porque Deus, no devido tempo, se manifestaria punindo os opressores e libertando o seu povo e dando-lhe um futuro feliz.
No meio acadêmico conhece-se quatro escolas de interpretação do livro de Apocalipse: a Preterista, que trata os acontecimentos do livro como acontecidos no primeiro século da era cristã, ficando pendente apenas a consumação (segunda vinda do Senhor e o consequente juízo final). A historicista, que identifica os acontecimentos do livro de Apocalipse com os acontecimentos ao longo da historia da humanidade a partir do século primeiro. A futurista, que ensina que apenas os capítulos um, dois e três pertencem à história da Igreja, sendo o restante do livro objeto do futuro após o arrebatamento da mesma. A idealista, que ensina que o livro de apocalipse trata de princípios revelados por Deus no que se refere ao sofrimento da Igreja, o cuidado de Deus sobre ela e o Seu juízo sobre os perseguidores da mesma, bem como o futuro glorioso do povo de Deus.
Fazendo uma análise crítica das escolas citadas no item anterior podemos chegar às seguintes conclusões: a preterista mostra o Apocalipse como um livro que é apenas um referencial e que não traz uma mensagem objetiva para a igreja, pois praticamente tudo é passado. Para essa escola o Apocalipse não serve para a igreja depois do século primeiro. Essa concepção faz do livro apenas uma fonte informativa sem mensagem para a Igreja a não ser uma vaga esperança escatológica. A Historicista cai no grave erro de tentar identificar os acontecimentos passados da história do mundo com os selos, trombetas e taças do Apocalipse, etc. Observem que para os autores dessa escola os acontecimentos referem-se praticamente ao mundo ocidental. A Futurista faz do livro mais judaico do que cristão já que a igreja será arrebatada no final do capítulo terceiro, pois no capítulo quatro ela está nos céus com Jesus. Assim sendo, o livro perde o seu objetivo que é consolar uma igreja que enfrentou, enfrenta e enfrentará oposição neste mundo. Outra ênfase equivocada dessa escola é ensinar explicitamente que haverá mais de uma ressurreição corporal de mortos (a dos santos da velha dispensação, da igreja, dos salvos da grande tribulação e dos salvos do milênio - isto está subtendido no programa dessa escola, e a dos ímpios). Ainda outro problema grave da escola futurista é enfatizar uma interpretação literal do livro em grande parte quando o mesmo foi escrito num estilo de linguagem em que a mensagem é transmitida através de símbolos e figuras de linguagem (literatura apocalíptica). Fica a escola Idealista que vê o livro como uma forte mensagem para a igreja em todas as suas épocas até a sua consumação, visto que o mesmo é uma mensagem de conforto para a Igreja do Senhor que sofre no mundo com a oposição e perseguição do diabo, do mundo e da falsa religião. Segundo a escola idealista o livro de Apocalipse divide-se em duas partes: capítulos 1-11 que trata da luta do mundo político/econômico/social/militar, posto no maligno, contra a Igreja do Senhor; e 12-22 que trata da luta de satanás e seus aliados (as duas bestas, a prostituta, e os aliados da besta) contra Cristo e sua Igreja, ou seja, a luta aqui na terra é o reflexo de uma batalha maior no reino espiritual. Essa escola ainda identifica no livro sete seções paralelas (todas cobrem o mesmo período, do primeiro ao segundo advento de Cristo, sendo reveladas algumas coisas novas e variando outras de intensidade à medida que se aproxima do fim de todas as coisas), conforme explicitado pelo Dr. William Hendricksen em seu livro “Mais que Vencedores - os mistérios do Apocalipse desvendados com profundidade e fidelidade”, Editora Cultura Cristã: 1ª seção, capítulos 1 a 3 - Cristo no meio da sua igreja (sete candeeiros de ouro) ao longo de sua existência; 2ª seção, capítulos 4 a 7 - A visão do Céu e dos sete selos; 3ª seção, capítulos 8 a 11 - As sete trombetas; 4ª seção, capítulos 12 a 14 - o dragão perseguidor da igreja; 5ª seção, capítulos 15 e 16 - As sete taças; 6ª seção, capítulos 17 a 19 - A queda da Babilônia; 7ª seção, capítulos 20 a 22 - A grande consumação. Essa escola ainda considera que os juízos de Deus através dos sete selos, das sete trombetas e das sete taças, são eventos paralelos ou simultâneos e não sequenciais, considerando que nos últimos setes (sétimo selo, sétima trombeta e sétima taça) encontram-se a descrição de um mesmo evento que é a consumação de todas as coisas com o segundo advento de Cristo.
Tratando do livro em si, ele começa com a identificação da autoria divina do mesmo (revelação de Jesus Cristo), do meio utilizado para trazer essa mensagem (pelo seu anjo) e do instrumento humano que iria lançar mão da pena para escrevê-lo (João). Em seguida o livro identifica os destinatários do mesmo (as sete igrejas da Ásia Menor: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia). Ainda no capítulo primeiro nos é apresentado o Senhor da Igreja, glorificado, através de uma figura aterradora (cabelos brancos como a neve, olhos como chamas de fogo, espada que sai da boca, pés semelhante a latão reluzente, etc), Tendo cada descrição um significado aderente aos atributos e ofícios de Cristo (onisciência, onipotência, onipresença, santidade, eternidade, ofícios sacerdotal e real, supremo juiz, etc).
Nos capítulos dois e três encontramos a parte epistolar do livro, as sete cartas destinadas às sete igrejas da Ásia Menor. Nessas cartas encontramos quatro coisas em comum: 1) uma apresentação de Jesus a Igreja tirada do capitulo primeiro; 2) uma análise da vida interna de cada igreja onde são identificados pelo Senhor os pontos positivos e os negativos delas; 3) uma advertência a Igreja; 4) e uma promessa ao vencedor. Ainda em cada carta encontramos frases em comum, como segue: ao anjo da Igreja escreve; eu sei as tuas obras; quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz as Igrejas; e, ao que vencer, dar-lhe-ei. Quanto à análise interna, em duas delas não foram identificados pontos negativos (Esmirna e Filadélfia) e numa não foram identificados pontos positivos (Laodicéia). Quanto ao destinatário imediato das cartas (anjo da igreja) eles são os responsáveis humanos pelas comunidades locais (o pastor auxiliado pelos presbíteros. Veja At 20.28; 1 Pe 5.1-4).
No capitulo quatro encontramos uma visão do trono de Deus. Nessa visão é descrita o fulgor do trono de Deus e os seres que estavam diante dele (seres celestiais - quatro seres viventes, e seres humanos glorificados, vinte e quatro anciãos que representam o povo de Deus da antiga e da nova dispensação). Nesse capítulo é proclamada a santidade de Deus pelos seres viventes e também Deus é exaltado e celebrado pela sua obra criadora. “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder, porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas” Ap 4.11.
No capitulo cinco é visto na mão direita do que está assentado no trono um livro selado com sete selos. Esse livro contém o programa de Deus para o mundo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, que é revelado, paulatinamente, com a abertura de cada selo. A seguir a visão dominante do capítulo é a do Cordeiro que foi morto, que com a sua dignidade e com o que Ele fez (redenção do povo de Deus pelo sacrifício de si mesmo) o credencia a abrir o livro e a desatar os seus sete selos. Isto quer dizer que o Senhor Jesus é o Senhor da história e que as coisas que aconteceram, acontecem e acontecerão na história do mundo principalmente aquelas relacionadas à Igreja estão sob o Seu controle ou comando. Ainda na visão do Cordeiro que foi morto são realçados dois atributos Seus: a onipotência (sete chifres) e a onisciência (sete olhos). Ainda nesse capitulo o Cordeiro é reverenciado e adorado por anjos e pelos homens redimidos representados pelos vinte e quatro anciãos. Nessa celebração a Cristo é dada ênfase a sua obra redentora realizada na cruz do Calvário. “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra” Ap 5.9,10.
No capítulo seis encontramos os sete selos, que revelam o juízo de Deus sobre o mundo ímpio perseguidor da Igreja. Esses juízos são derramados (foram, estão sendo, e serão) na história do período da igreja, desde o seu nascedouro até a sua consumação. Os cavaleiros montados nos cavalos branco, vermelho, perto e amarelo, representam respectivamente Cristo vencendo através da pregação do Evangelho, a guerra contra a Igreja, o desequilíbrio da economia provocado pela guerra e a morte que se segue a guerra e a fome. Observem que Deus pune os homens sempre em função do seu povo, no caso a sua Igreja. Ainda nesse capítulo encontramos a revelação da vida após a morte (imortalidade da alma) naquelas almas debaixo do altar quando se abre o quinto selo. Na abertura do sexto selo encontramos cataclismos na natureza semelhantes aos mencionados por Jesus no seu sermão escatológico que antecederão de imediato a segunda vinda do Senhor (Mt 24.29).
No capítulo sete encontramos duas visões parentéticas (entre as duas séries de juízos de Deus através de selos e trombetas), ambas falando da Igreja do Senhor. A primeira visão, a dos 144.000 selados refere-se à Igreja do Senhor, o novo Israel de Deus, que está sendo selada pelo Espírito Santo ao longo da sua história. Na visão a Igreja é apresentada com todos os seus componentes. A visão seguinte refere-se à igreja completa, vencedora, nos céus, composta de todos os salvos de todas as épocas e de todas as tribos, povos, línguas e nações. Esses amados vieram de grande tribulação durante as suas existências e, principalmente, no período de intensa tribulação que ocorrerá antes da segunda vinda do Senhor.
Nos capítulos oito e nove e parte do capitulo onze, encontramos a visão dos toques das sete trombetas que engloba o mesmo período contemplado pelos sete selos (o panorama da história da Igreja delineado, desde o seu nascedouro até a sua consumação). Observem que o sexto selo (Ap 6.12-17) é similar a sétima trombeta (Ap 11.15-19). Ambos terminam com a segunda vinda do Senhor e o consequente juízo final. Nas trombetas nos é mostrado acontecimentos mais detalhados do que nos sete selos.
No capítulo dez e parte do capítulo onze, encontramos outras duas visões parentéticas, a do livrinho comido por João e a das duas testemunhas, referindo-se as duas ao mesmo assunto que é o testemunho da Igreja ao longo de sua história. Um testemunho que traz prazer aos que são alcançados pela mensagem do Evangelho e perspectiva de juízo para quem não aceita (doce ao paladar e amargo no ventre), e o testemunho que é dado pela Igreja no poder do Espírito, mas que recebe oposição e enfrenta martírio provocado pelo diabo, seus aliados e pelo mundo que jaz no maligno (as duas testemunhas). Em momentos da história da Igreja o seu testemunho é parecido como se ela tivesse sido morta, mas em outros momentos, vivo, poderoso como se tivesse ressuscitado, principalmente antes do fim da presente era.
Nos capítulos doze e treze nos é apresentado os formidáveis inimigos do povo de Deus que atuam contra ele ao longo da sua história, principalmente da história da Igreja, mui especialmente quando do final da sua existência aqui na terra: o dragão (satanás), a besta que sai do mar (o mundo político representado pelo anticristo), e a besta que sai da terra (as falsas religiões representadas pelo falso profeta). Nesse capítulo nos é revelado o ódio que o dragão tem pela Igreja, não lhe dando trégua, mas revela também a proteção divina sobre ela em seus momentos de perseguições.
No capitulo quatorze encontramos outra visão da Igreja glorificada após o seu traslado para os céus. Nessa visão a Igreja é novamente representada pelos 144.000 mil selados. Ainda nos é revelado que os seus componentes foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro e que estão sempre com Ele. “... estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes são os que dentre os homens foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro. E na sua boca não se achou engano; porque são irrepreensíveis diante do trono de Deus” Ap 14.4,5. Encontramos também uma descrição do terrível juízo de Deus por ocasião da consumação de todas as coisas com o segundo advento de Cristo.
Nos capítulos quinze e dezesseis encontramos a consumação da ira de Deus através do derramar de sete taças. Essas taças contemplam todo o período da história da Igreja, ou seja, é outra visão do mesmo juízo de Deus derramado sobre o mundo ímpio, opositor da Igreja. Isto quer dizer que os sete selos, as sete trombetas e as sete taças contemplam o mesmo período da história da Igreja desde o seu nascedouro em Pentecostes até a sua consumação por ocasião da segunda vinda do Senhor. Observem que os juízos de Deus através de selos, trombetas e taças trazem certa similaridade, e as diferenças que existem são mais luzes que se nos traz sobre o tratamento de Deus com o mundo ímpio perseguidor da Igreja. A questão da simultaneidade de selos, trombetas e taças, é similar aos relatos dos quatro evangelhos, quando um relato de um evangelista lança mais luz sobre o mesmo relato feito por outro evangelista, dando-nos no todo, na análise conjunta, um relato completo daquilo que Deus queria nos revelar.
Nos capítulos dezessete, dezoito e parte do capítulo dezenove (19.1-10), encontramos uma descrição sobre Babilônia, a grande prostituta que seduz os homens com os seus encantos. Encontramos ainda a revelação do juízo de Deus sobre Ela e a repercussão desse juízo entre aqueles que se prostituíram com ela. Essa grande Babilônia não é uma cidade física e sim o mundo com o seu encanto e sedução, que está sob a influência do diabo. Esse mundo posto no maligno (Mt 4.8,9; Ef 2.2; 1 Jo 5.19) é expressado pelos grandes impérios que dominaram o mundo (assírio, babilônico, persa, grego, romano, etc), que seduziram a alma do homem e perseguiram o povo de Deus. Ainda nessa visão é revelado o regozijo nos Céus quando da execução do juízo de Deus sobre o mundo perseguidor da Igreja (Ap 19.1-10).
No capítulo dezenove (19.11-21) encontramos um relato da segunda vinda do Senhor em glória para buscar a sua Igreja e para trazer juízo sobre o mundo ímpio na grande batalha de Armagedom. O Senhor vem nessa visão como um guerreiro poderoso, com os seus anjos para trazer juízo sobre os aliados do dragão. Observem os dois símbolos desse juízo: a espada que sai da boca do Senhor para ferir as nações, e as vestes salpicadas de sangue. O juízo de Deus é descrito assim: “E vi um anjo que estava no sol, e clamou com grande voz, dizendo a todas as aves que voavam pelo meio do céu: Vinde e ajuntai-vos à ceia do grande Deus, para que comais a carne dos reis, e a carne dos tribunos, e a carne dos fortes, e a carne dos cavalos e dos que sobre eles se assentam, e a carne de todos os homens, livres e servos, pequenos e grandes. E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo e ao seu exército. E a besta foi presa e, com ela, o falso profeta, que, diante dela, fizera os sinais com que enganou os que receberam o sinal da besta e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no ardente lago de fogo e de enxofre. E os demais foram mortos com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes” Ap 19.17-21. Nesse juízo é dada ênfase sobre o julgamento do anticristo e do falso profeta. (Ap 19.20), representantes máximos, respectivamente, do mundo e da falsa religião..
No capitulo vinte encontramos uma solene descrição do juízo final quando todos irão comparecer diante de Deus para prestar conta dos seus atos enquanto viveram. Neste capitulo encontramos uma ênfase sobre o castigo imputado ao diabo e seus anjos (subtendido em relação aos anjos caídos) bem como aos seus adeptos. É-nos dito nesse capitulo (Ap 20.1-3) que o diabo estava sob certo castigo de Deus durante a dispensação da Igreja (amarrado por mil anos, o tempo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo), tendo o seu raio de ação limitado, pois Cristo o venceu na cruz e o expôs ao desprezo e a ignomínia, conforme nos foi revelado por Paulo (Cl 2.15) e por Pedro (1 Pe 3.22). Esse capítulo ainda fala sobre a libertação do diabo depois de sua prisão por mil anos. Significa que lhe será dada mais liberdade para atuar nos dias que antecederem de imediato a segunda vinda do Senhor. Isso quer dizer que quando da aproximação da vinda de Jesus a ação diabólica será mais intensa. Isso se coaduna com o que está escrito no capítulo 9 de Apocalipse com o toque da quinta trombeta (Ap 9.1-12). Ainda nesse capítulo há uma referência a um reino de mil anos. Considerando que a linguagem do apocalipse é uma linguagem simbólica, entende-se que esses mil anos são o tempo total da história da Igreja quando a mesma reina com Cristo na esfera espiritual (Ef 2.6; Cl 3.1; Ap 1.6; 5.10). Entende-se ainda que esse milênio simbolize a vida perfeita que os crentes goza no reino espiritual, assentados nos lugares celestiais com Cristo Jesus, gozando de salvação, paz com Deus graças a poderosa obra do Espírito Santo em suas vidas. Há ainda uma referência a uma primeira e a uma segunda ressurreição dos mortos. A primeira ressurreição, no entendimento dos teólogos reformados, refere-se à ressurreição espiritual quando da conversão do pecador a Cristo. Observe que o texto diz que sobre esses a morte não tem poder algum, coadunando-se assim com o que disseram o Senhor Jesus (Jo 5.25) e Paulo (Ef 2.1,5; Rm 8.1,2). A segunda ressurreição identificada nesse capitulo é a ressurreição corporal dos mortos (salvos e perdidos) num bloco só conforme explicitado por Daniel (Dn 12.2), pelo Senhor Jesus (Jo 5.28,29) e por Paulo (At 24.15).
Nos capítulos vinte e um e vinte e dois encontramos uma descrição dos novos céus e da nova terra (o lugar eterno dos santos), resultado da purificação feita por Deus no mundo, conforme revelado também pelo apóstolo Pedro em sua segunda carta (2 Pe 3.7,10-13). Encontra-se também nesse capítulo uma revelação surpreendente sobre a glória que envolve a Igreja do Senhor na consumação de todas as coisas (a nova Jerusalém, a esposa do Cordeiro - Ap 21.9-27). Ainda se encontra no capitulo vinte e dois um convite do Senhor ao pecador perdido para que ele aceite a mensagem do Evangelho pregada pela Igreja mediante o poder do Espírito, uma advertência para os leitores e uma reiteração da promessa da segunda vinda do Senhor e a ministração de uma benção sobre a vida da Igreja.
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Ainda no livro de apocalipse encontram-se sete bem aventuranças:
- “Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” Ap 1.3.
- “Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam” Ap 14.13.
- “Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas” Ap 16.15.
- “E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus” Ap 19.9.
- “Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele mil anos” Ap 20.6.
- “Eis que presto venho. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro” Ap 22.7.
- “Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à árvore da vida e possam entrar na cidade pelas portas” Ap 22.14.
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Quanto à numerologia da literatura apocalíptica, veja o quadro abaixo:
N.º Significado
1 Ideia de unidade, ou de existência independente.
2 Fortaleza, confirmação, coragem e energia redobrada (as duas testemunhas)
3 N.º divino, Trindade
4 O mundo em que os homens vivem, labutam e morrem.
5 Perfeição humana física (cinco dedos dos pés e mãos)
6 N.º de homem (falha, queda, derrota)
7 N.º divino, perfeição, inteireza (sete Espíritos, sete Igrejas, sete anjos, sete castiçais)
3 1/2 Coisa incompleta
10 (5x2) Completo, poderio humano absoluto (dez reis, dez chifres, dez mandamentos)
12 Religião organizada no mundo (doze tribos, doze apóstolos, doze portas)
24 (12x2) Espectro abrangente da religião organizada no mundo (24 anciãos)
70 (7x10) Ideia de ilimitado (setenta discípulos, setenta anciãos, setenta membros do Sinédrio)
144.000 (12x12x10) N.º representativo da religião perfeita (144.000 selados)
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A literatura apocalíptica apresenta características peculiares, a saber:
a) Significação Histórica - Toda a literatura apocalíptica está associada a uma contexto histórico bem definido. O conhecimento dessa situação facilita a compreensão da mensagem do autor.
b) Uso de Pseudônimo - Os autores desses escritos, geralmente, usavam pseudônimos, isto é, nomes de personagens importantes das Sagradas Escrituras e, quase nunca, os seus próprios nomes.
c) A Mensagem Apresentada por Meio de Visões - Os escritores desse tipo de literatura geralmente apresentavam a sua mensagem fazendo uso de visões, sendo esse um dos principais métodos utilizados para expressar aquilo que se queria dizer.
d) Uso do Elemento Preditivo - A literatura apocalíptica trata de acontecimentos futuros ou escatológicos. A predição é feita das coisas principais e se refere mais ao caráter do evento predito do que aos seus detalhes.
e) Uso Intensivo de Símbolos - Na literatura apocalíptica, encontramos um elaborado sistema de símbolos secretos e de figuras de linguagem para expressão das ideias espirituais. O uso da simbologia dificulta sensivelmente a interpretação da mensagem, principalmente, para quem não está com ela familiarizado.
f) Uso de Figura de Linguagem Dramática - A literatura apocalíptica é caracterizada pelo sentido de um iminente drama. Frequentemente, os símbolos são usados de forma dramática para enfatizar a seriedade da mensagem.
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Observação: as divisões do livro de apocalipse em duas partes e em sete seções, o quadro com a numerologia e as informações sobre as características da literatura apocalíptica é fruto de pesquisa. Exceto os textos bíblicos transcritos, o restante é de autoria deste pastor.
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Para uma compreensão mais detalhada desse extraordinário livro (Apocalipse) recomendamos a bibliografia abaixo, principalmente o livro de William Hendricksen:
- Apocalipse, o futuro chegou – Hernandes Dias Lopes, Editora Cultura Cristã
- Apocalipse – Simon Kistermaker, Editora Cultura Cristã
- A Igreja e as Últimas coisas – Dr. Martyn Lloyd-Jones, PES
- A Mensagem do Apocalipse – Michael Wilcock, ABU
- Mais que Vencedores (os mistérios do Apocalipse desvendados com profundidade e fidelidade) - William Hendricksen, Editora Cultura Cristã
Rev. Eudes Lopes Cavalcanti
Ministro congregacional da ALIANÇA
sábado, 28 de dezembro de 2013
Creio no Juízo Final
Creio em Deus Pai, Todo-poderoso,
Criador do Céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso
Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem
Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e
sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à
direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os
mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos
santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna.
Amém.
Continuando o estudo do Credo Apostólico,
neste boletim iremos contemplar a questão do Juízo Final, pois o Credo diz que
Jesus virá para julgar os vivos e os mortos. “... donde há de vir para julgar os vivos e os mortos...”.
Deus ao criar o homem lhe deu uma
responsabilidade moral e um código de ética para ser cumprido. Pelo fato de Deus
ter criado o homem tem direito sobre ele
de exigir o cumprimento desse código e o
julgará de acordo com ele. “Mas Deus, não
tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em
todo o lugar, que se arrependam; Porquanto tem determinado um dia em que com
justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu
certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos” At 17.30,31. (Veja ainda Ec
12.13,14).
Esse grande julgamento ocorrerá
imediatamente após a Segunda Vinda de Cristo, sendo ele o Juiz supremo desse
tribunal. “E quando o Filho do homem vier
em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da
sua glória; E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; E porá as ovelhas a sua direita,
mas os bodes a esquerda” Mt 25.31-33.
No livro de Apocalipse, João viu uma representação figurada do grande
Juiz. Ele é descrito como tendo um vestido longo, cingido pelos peitos com um
cinto de ouro, a sua cabeça e cabelos eram brancos como a neve e os seus olhos como chama de fogo. Os seus pés
eram semelhante a latão reluzente e a sua voz como o ruído de uma cachoeira, o
seu rosto era como o sol na sua força e da sua boca saía uma aguda espada de
dois gumes (Ap 1.13-16; 19.15).
Segundo
o texto do sermão escatológico de Jesus citado, o julgamento final começará com
o julgamento das ovelhas de Jesus, da Igreja. Paulo disse que todos nós (os
crentes) iremos comparecer diante de Deus para dar conta de nossa mordomia.
Entenda-se mordomia como algo pertencente a Deus e dado para ser administrado
por nós, as ovelhas de Jesus (vida, tempo, bens e dons). “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que
cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal” 2
Co 5.10. “E, eis que cedo venho, e o
meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra” Ap 22.12. (Veja
ainda 1 Co 3.11-15; Rm 14.10-12).
O
julgamento da Igreja não é para condenação (Rm 8.1,2,31-39) e sim para recompensar
os fiéis (Ap 11.18).
Com
a Igreja julgada e devidamente recompensada, Jesus, o grande Juiz, irá tratar
com os bodes (os não-salvos). Nessa fase do julgamento a Igreja estará ao lado
do Senhor. “Não sabeis vós que os santos
hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois
porventura indignos e julgar as coisas mínimas?” 1 Co 6.2. Depois de julgar
os ímpios e destiná-los a perdição eterna (Ap 20.11-15), o Senhor julgará os
anjos caídos, inclusive Satanás, ainda com a presença da Igreja, Consigo. “Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos?...”
1 Co 6.3. (Veja ainda 2 Pe 2.4; Jd 6).
Para
que o Julgamento Final tenha ocasião, faz-se necessário que todas as pessoas
tenham morrido (Ap 19.17-21), exceto a última geração da Igreja que será
arrebatada (1 Ts 4.17), e ressuscitadas com
os corpos com os quais viveram neste mundo, corpos especiais (ímpios) e corpos
glorificados (os justos). “Não vos
maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros
ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e
os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação” Jo 5.28,29. (Veja
ainda Dn 12.2; Ap 20.5,11-13).
Irmãos,
temamos ao grande Juiz, preparemo-nos para esse grande dia, procurando viver
conforme o código de ética entregue por Ele para ser obedecido por todos.
Pr.
Eudes Lopes Cavalcanti
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Creio que Jesus virá segunda vez
Creio em Deus Pai, Todo-poderoso,
Criador do Céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso
Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem
Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e
sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à
direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os
mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos
santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna.
Amém.
O Senhor Jesus veio a este mundo pela
primeira vez para revelar o Pai e para realizar a obra redentora que
possibilitou ao homem se reconciliar com Deus, perdoando-lhe os pecados e
salvando a sua alma da perdição eterna. Ao longo do seu ministério terreno o
Senhor Jesus disse que voltaria novamente a este mundo, que é a promessa da sua
segunda vinda. O credo apostólico contempla esse magno assunto, quando diz:
“... donde há de vir para julgar os vivos
e os mortos...”.
A segunda vinda do Senhor é um dos eventos mais bem documentado de todo
o Novo Testamento, pois em quase todos os livros dessa parte da Bíblia, a
exceção de Filemom, 2 e 3 João, encontramos referências diretas ou indiretas
sobre esse que é o mais importante evento esperado pela Igreja – a segunda
vinda do Senhor Jesus.
Citamos a seguir dois registros dessa promessa feita pelo próprio Senhor:
“Na casa de meu Pai há muitas moradas; Se
não fosse assim, eu vo-lo teria dito: vou preparar-vos lugar. E, quando eu for,
e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais
vós também” Jo 14.2,3. “Então aparecerá no céu o
sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão; e verão o
filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” Mt
24.30. (Veja ainda Mt 24.42,44;etc).
No
Antigo Testamento há também referências sobre esse evento, principalmente a encontrada no
livro de Daniel: “Eu estava olhando nas
minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do
homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele. E foi-lhe
dado o domínio e a honra, e o reino, para que todos os povos o servissem; o seu
domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino o único que não
será destruído” Dn 7.13,14.
Anjos e apóstolos do Senhor também falaram
sobre o assunto: “E, estando com os olhos
fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois varões
vestidos de branco, os quais lhes disseram: varões galileus, por que estais
olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há
de vir assim como para o céu o viste ir” At 1. 10,11. “Dizemo-vos, pois, isto
pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor,
não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os
que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” 1 Ts 4.15,16.
A Segunda Vinda do Senhor terá as seguintes
características: 1) Será uma vinda pessoal
(Jo 14.3; At 1.11); 2) Será uma vinda física (Mt 24.30; Ap 1.7); 3) Será
uma vinda visível (Mt 24.30; Ap 1.7); Será uma vinda gloriosa (Mt 16.27; 24.30;
Ap 19.11-14).
Quanto aos sinais da segunda vinda encontramos no sermão escatológico de
Jesus diversos deles (a grande tribulação, o aumento da ciência, o aumento da
iniquidade, o esfriamento espiritual, etc). Em relação à apostasia (o abandono
da fé cristã professada), Paulo nos diz: “Que
não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por
espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de
Cristo estivesse já perto. Ninguém de maneira alguma vos engane; por que não
será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado; o
filho da perdição” 2 Ts 2.2,3.
Quanto ao dia e a hora da vinda do Senhor, ninguém está autorizado a
marcar a data, pois Deus não a revelou a ninguém (nem a homens, nem a anjos, nem
mesmo a Jesus como homem), conforme Mt 24.36,42).
Regozijemo-nos irmãos com essa esperança e sirvamos a Deus com
fidelidade, enquanto aguardamos a segunda vinda de Jesus.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
O Estado Eterno
O último tema a ser tratado na Escatologia
Geral é o Estado Eterno, ou seja, a consumação de todas as coisas, quando tudo
será definido e continuará permanentemente sem alteração.
O plano eterno de Deus em relação as suas
criaturas morais tem início meio e fim. A execução do plano começou quando da
criação dos seres morais (anjos e homens), e continuará até a consumação no
futuro, numa época já definida pelo Todo-Poderoso.
Esse Estado Eterno envolve os seres morais
(anjos e homens) e, evidentemente, a santíssima Trindade. Esse período se
instalará logo após o Juízo Final, depois que o Senhor julgar os seres humanos
e os anjos. A Bíblia Sagrada nos fala deste assunto nestes termos: “Depois virá
o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver
aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine
até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora o último
inimigo que a de ser aniquilado é a morte. Porque todas as coisas sujeitou
debaixo de seus pés. Mas quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas
claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E quando
todas as
coisas
lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará aquele que
todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos” 1 Co 15.24-28.
A Bíblia diz também que quando da
consumação de todas as coisas os crentes com seus corpos glorificados estarão
para sempre com o Senhor (1 Ts 4.17),
gozando plenamente da beatitude eterna, daquelas coisas preparadas por Deus
para eles antes da fundação do mundo (1 Co 2.9). Diz ainda a Bíblia Sagrada que
os descrentes padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e da glória do
seu poder (2 Ts 1.9). Dos anjos caídos diz a Bíblia que após o julgamento final
o Diabo e seus anjos serão lançados no inferno quando, junto com os ímpios, e
serão atormentados para todo o sempre (Ap 20.10).
Este
mundo, como nós o conhecemos, será destruído (purificado) pelo fogo e Deus
reorganizará todas as coisas criando novos céus e nova terra. “Mas o céu e a
terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se
guardam para o fogo, até o dia do juízo, e
da perdição dos homens ímpios... Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de
noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo,
se desfarão, e a terra e as obras que nela há, se queimarão... Mas nós, segundo
a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra em que habita a justiça” 2
Pe 3.7-13.
No
livro de Apocalipse (21.1-4) nos é revelado sobre o assunto o que se segue: “E
vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra
passaram, e o mar já não existe. E eu, João, vi a santa cidade, a nova
Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o
seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de
Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo
Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda a
lágrima; e não haverá mais morte, nem prato, nem clamor, nem dor; porque já as
primeiras coisas são passadas”.
Como tudo acontecerá conforme previsto nas Sagradas Escrituras devemos,
irmãos, alimentar essa esperança gloriosa de que viveremos felizes para sempre
nos Céus com Jesus.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
O Julgamento Final
Deus ao criar o ser humano o criou a Sua imagem e semelhança e o
responsabilizou pelos seus atos morais. A prova disso é que quando o homem
desobedeceu a um mandado Seu,Deus o puniu com a morte. “No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que te tornes a terra; porque
dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás” Gn 3.19.
No seu programa eterno Deus determinou julgar todos os seres humanos num
dia designado por Ele. E esse julgamento terá ocasião quando da segunda vinda
do Senhor Jesus Cristo. “Conjuro-te, pois,
diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos,
na sua vinda e no seu Reino” 2 Tm 4.1. (Veja ainda
Sl 96.13; 98.9; At 17.31; Ap 11.15-19;...).
Esse julgamento final está
alicerçado em duas facetas do caráter de Deus, a sua santidade e a sua justiça.
Deus é santo, puro e perfeito e não tolera o pecado. O pecado do homem fere a Sua
santidade e O insulta. Considerando a Sua justiça, Deus tem em mente que o
pecado do homem exige uma reparação e que ele deve ser punido por isso, e a retribuição
é de acordo com as obras de cada um. “Ante a face do
Senhor, porque vem, porque vem a julgar a terra; julgará o mundo com justiça e
os povos, com a sua verdade” Sl 96.13.
Segundo nos revela a santa Palavra de Deus o Senhor Jesus Cristo será o
grande juiz daquele Tribunal. Deus o Pai confiou ao Filho todo o julgamento,
tanto dos salvos como dos perdidos, bem como dos anjos caídos. “E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo” Jo 5.22. Isso também é visto em outros textos da Palavra de Deus, tais
como o de Atos 17.31: “porquanto tem determinado um dia
em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e
disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos”.
Esse grande Julgamento terá três etapas, sendo a primeira a do julgamento dos crentes em
Cristo. “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de
Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou
bem ou mal” 2 Co 5.10. (Veja ainda Rm 14.10; 1 Co 3.11-15; Ap 22.12).
O julgamento dos crentes não é para condenação tendo em vista que Jesus pagou
na cruz o preço da eterna redenção deles. Esse julgamento é para o galardoamento
dos servos fiéis. A segunda etapa do julgamento final refere-se aqueles que
morreram sem serem salvos da condenação do pecado. Essas pessoas irão
ressuscitar dentre os mortos com corpos especiais e comparecerão diante de Deus
(Cristo) para serem julgados pelas suas obras. “... E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e
abriram-se os livros... E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros,
segundo as suas obras” Ap 20.11-13. A terceira etapa do
julgamento final refere-se ao julgamento dos anjos caidos, inclusive Satanás: “Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais às coisas
pertencentes a esta vida?” 1 Co 6.3. (Veja
ainda Mt 8.29; 2 Pe 2.4; Ap 20.10).
Nas
duas últimas etapas do Julgamento Final (ímpios e anjos caidos) a igreja estará
ao lado de Cristo participando ativamente dele (1 Co 6.2,3).
Como
resultado desse julgamento os anjos caidos e os impios receberão a sua devida condenação.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
A Ressurreição Geral
Já vimos no estudo da Escatologia Geral os temas a Grande Tribulação, a Segunda
Vinda do Senhor, o Arrebatamento da Igreja e o Milênio. Neste boletim iremos
tratar da Ressurreição Corporal dos mortos que é outro tema encontrado na
Escatologia Geral.
As Sagradas Escrituras falam também de uma ressurreição espiritual que
ocorre no momento em que a pessoa nasce de novo pela instrumentalidade do
Espirito Santo quando crer na mensagem do Evangelho. “Em verdade, em verdade
vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de
Deus, e os que a ouvirem viverão”. Jo 5.25. Este texto trata da ressurreição
espiritual, que é objeto da Soteriologia (A Doutrina da Salvação) e não da
Escatologia, mas no capitulo cinco versiculos 28 e 29 do Evangelho de João o
Senhor Jesus trata de outro assunto que é a ressurreição do corpo. “Não vos
maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros
ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e
os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação”.
Considerando que o ser humano é uma dicotomia (alma chamada também de
espirito e corpo) no programa redentor está previsto uma benção eterna não só
para a alma, mas também para o corpo, ambos atingidos pelo pecado original.
Para a alma o Evangelho concede Regeneração, perdão, salvação.
Para o corpo o evangelho garante uma restauração que é a ressurreição
em glória.
Paulo escrevendo aos Corintios tratou da ressurreição dos salvos que
já morreram. “Assim também a
ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção, ressuscitará em
incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em
fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo
espiritual” 1 Co 15.42-44.
A ressurreição dos mortos, tanto de salvos como de perdidos é um assunto
tratado tanto no Antigo como no Novo Testamento. O profeta Daniel feriu o
assunto desta maneira: “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão,
uns para a vida eterna e outros para vergonha e desprezo eterno” Dn 12.2. No
Novo Testamento o assunto é tratado mais profundamente pelos seus escritores.
Temos registro nos quatros evangelhos, no livro de Atos, em algumas das cartas
paulinas, no livro de Hebreus e no livro de Apocalipse.
Lendo esse assunto nesses livros percebemos
que a ressurreição contempla salvos e perdidos. Todos que morreram irão
ressuscitar dentre os mortos. Os salvos
com corpos glorificados semelhantes ao corpo de nosso Senhor Jesus Cristo
quando ressuscitou dos mortos (Fp 3.1,2) e os nao salvos ressuscitarão com
corpos especiais capaz de suportar o juizo eterno de Deus.
Os teólogos cristãos se dividem quanto à
ordem da ressurreição no que se refere aos dois grupos (salvos e perdidos). Uns
acham que a ressurreição entre um grupo e outro será separada por um periodo de mil anos. Outros
acham que a ressurreição de salvos e perdidos será ao mesmo tempo, por ocasião
da segunda vinda do Senhor, ideia essa mais coerente segundo os textos de Dn
12.2 e Jo 5.28,29.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
O Milênio
Um outro tema a ser tratado no programa escatológico geral de Deus segundo as Escrituras, é o Milênio. Os profetas antigos previram um tempo em que Deus iria implantar um reino, através de um representante seu onde imperasse a paz, a justiça e a prosperidade (Isaías 11; Dn 2.44; 7.13,14,27;...). Esse representante seria da casa real de Davi – o Messias. “Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre” 2 Sm 7.16. Esse reino iria submeter todos os reinos do mundo, que passariam para o seu controle. “Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu, levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo, esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido para sempre” Dn 2.44 (Veja ainda Dn 7.13,14, 27).
Devido à reiterada ênfase nesse reino nos escritos do Antigo Testamento, na época em que Jesus viveu neste mundo havia uma expectativa muito grande, por parte dos judeus, inclusive de seus discípulos, quanto à sua implantação. “Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?” Atos 1.6.
A expressão Milênio foi tirada do texto de Apocalipse 20.1-4, onde há uma referência a um reino de mil anos, onde são mencionados os salvos ou a Igreja e Cristo, o Rei.
Os estudiosos bíblicos se dividem quanto à interpretação do Milênio, havendo três escolas de interpretação: 1) Existem aqueles que interpretam o Milênio como um reino literal, cuja capital será Jerusalém e que o rei Jesus governará o mundo com a Igreja, como rei de Israel, e que esse reino durará mil anos. Acreditam, eles, que a segunda vinda de Cristo inaugurará o Reino Milenial – são os Premilenistas; 2) Outros entendem que o Milênio não é necessariamente um período de mil anos e sim um período de tempo indeterminado em que as instituições sociais do mundo inteiro serão melhoradas,graças à poderosa ação do Evangelho, trazendo para o mundo um período de paz, justiça e prosperidade nunca visto, e que a segunda vinda do Senhor dar-se-á logo após esse período – são os Posmilenistas; Outros entendem que a mensagem do livro de Apocalipse é apresentada de forma simbólica, portanto, não se pode entender o Milênio como um reino literal e sim de natureza espiritual, símbolo da vida perfeita dos crentes nos céus. Esse segmento diz ainda que o Milênio é o símbolo do reino de Cristo no coração dos crentes, fazendo-os gozar de paz com Deus, alegria e felicidade plena – são os Amilenistas.
Os Premilenistas ainda se dividem em Premilenismo Histórico e Premilenismo Dispensacional, conforme descritos a seguir: 1) Premilenismo Histórico - A Segunda Vinda do Senhor dará ocasião ao estabelecimento do Reino Milenar. O Milênio é considerado um reino político onde Cristo governará o mundo durante um período de 1.000 anos. Nesse reino a Igreja governará com Cristo e será um período de paz, prosperidade e justiça. Os Premilenistas Históricos são Postribulacionistas, acreditam que a Igreja passará pela Grande Tribulação sendo preservada pelo Senhor nela; 2) Premilenismo Dispensacional - O Milênio é considerado um período dispensacional de 1.000 anos literais. A Segunda Vinda do Senhor terá duas fases sendo uma secreta para a Igreja e a outra visível para estabelecer o Reino Milenial. Nesse reino haverá uma distinção entre a Igreja, a nação de Israel e o mundo gentílico. O Senhor Jesus governará o mundo como rei messiânico prometido a nação de Israel, como príncipe da casa real de Davi.
Considerando que a mensagem do livro de Apocalipse nos é apresentada de forma simbólica, e que a única referência a um reino de mil anos se encontra nele, é melhor optar pela linha Amilenista por uma questão básica de coerência na interpretação desse precioso livro. Com isso descartamos a ideia de um milênio literal bem como a ideia de um Milênio produzido pela pregação do Evangelho, tendo em vista que a Bíblia nos diz que, na medida em que se aproxima o fim de todas as coisas, o mundo piorará. Deve-se considerar, também, que uma opção literal do Milênio tem que se pensar nesse reino também para o estado israelita da atualidade, o que é incoerente dentro do esquema geral das Escrituras, que contempla os remanescentes judeus com as bênçãos celestiais no programa geral da Igreja, que é formada de judeus e gentios.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
O Arrebatamento da Igreja
No boletim anterior dissemos que segundo o programa divino o Senhor Jesus voltará em glória a este mundo. Por ocasião dessa Segunda Vinda, ocorrerá o Arrebatamento da Igreja. As promessas acerca do Arrebatamento encontram-se em Jo 14.1-3, 1 Ts 4.16-19, e 2 Ts 2.1. Segundo o texto de 1 Ts, quando Cristo vier pela segunda vez, os crentes falecidos irão ressuscitar com corpos glorificados e os crentes que estarão vivos naquela ocasião serão transformados, terão o seu corpo mortal revestido de imortalidade, num abrir e fechar de olhos conforme o que está dito em 1 Co 15.51,52. Todos os crentes ressuscitados, desde a primeira pessoa que foi salva neste mundo até o dia da Segunda Vinda de Cristo, juntos com os crentes transformados (a Igreja completa, sem faltar ninguém), serão impulsionados pelo Espírito Santo para se encontrar com o Senhor Jesus nos ares (céus atmosféricos) e a partir daí estarão para sempre com o Senhor (1 Ts 4.17).
Para efeito didático podemos segmentar o Arrebatamento da Igreja em três partes, a saber: 1) a ressurreição em glória dos crentes falecidos – “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” 1 Ts 4.16 (Veja ainda Dn 12.2; Jo 5.28,29; 1 Co 15.52); 2) a transformação dos crentes vivos– “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” 1 Co 15.51,52 (Veja ainda Fp 3.21; 1 Ts 4.17); 3) o encontro com o Senhor Jesus nos ares – “Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” 1 Ts 4.17 (Veja ainda os textos de Jo 14.3 e 2 Ts 2.1).
É importante esclarecer outros assuntos acerca do Arrebatamento da Igreja, devido às diversas ideias que grassam no meio evangélico, sendo a mais comum aquela que ensina uma segunda vinda de Cristo secreta para arrebatar a sua igreja. Segundo as Escrituras o Arrebatamento da igreja está intimamente ligado a Segunda Vinda do Senhor, a manifestação pública de Cristo ao mundo (Mt 24.29-31; 1 Ts 4.16,17), sendo essa Segunda Vinda um evento só e não em duas fases como pregam os irmãos dispensacionalistas (não há registro bíblico que apoie essa doutrina).
Ainda é importante enfatizar que o Arrebatamento da Igreja dar-se-á depois da grande tribulação, já que o evento é simultâneo a Segunda Vinda do Senhor e essa ocorrerá após o período tribulacional, conforme nos revela o texto de Mt 24.29-31 e os textos correlatos encontrados nos evangelhos de Marcos e Lucas, bem como o texto da segunda carta de Paulo aos Tessalonicenses (2.1-12).
Outra coisa a considerar é que não haverá um arrebatamento parcial como ensinam alguns (os que estiverem preparados subirão e os outros ficarão para outra ocasião). Todos os verdadeiros crentes, tanto os falecidos que irão ressuscitar como aqueles que estarão vivos, por ocasião da Segunda Vinda, serão arrebatados, não havendo distinção entre os que são considerados mais espirituais e menos espirituais, pois todos estão escondidos com Cristo em Deus (Cl 3.3.), guardados por Jesus Cristo (Jd 1), já foram perdoados e lavados pelo sangue de Cristo (1 Co 6.11), são filhos de Deus por adoção em Jesus Cristo (Ef 1.5); já foram santificados por Cristo (1 Co 1.2), estão ligados eternamente ao Filho de Deus (Rm 8.1) e estão assentados nos lugares celestiais em Cristo (Ef 2.6). A posição que eles ocupam no plano de Deus é de membros do corpo de Cristo, da Igreja lavada e remida pelo sangue de Jesus (1 Co 12.13,27).
Assim sendo, regozijemo-nos irmãos pela bênção eterna de sermos filhos de Deus, e por sermos sustentados pelo poder de Cristo, e por essa certeza de que quando do Arrebatamento estaremos participando deste glorioso evento.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
terça-feira, 11 de setembro de 2012
O Período Tribulacional
Dando continuidade ao estudo da Escatologia trataremos neste boletim, e nos outros que se seguem sobre a Escatologia Geral, e começamos abordando o período tribulacional ou a grande tribulação.
É sabido pelo estudo das Escrituras que devido ao caráter santo e justo de Deus, Ele não se permitir deixar passar em branco os pecados dos homens, e Deus os pune de acordo com a sua sábia e soberana vontade. As catástrofes naturais (tsunamis, terremotos, maremotos, etc) ou as provocadas pelos homens como, por exemplo, a guerra, e as manifestações do juízo de Deus (o diluvio universal, a destruição de Sodoma e Gomorra) são maneiras usadas por Ele para punir o homem.
A Bíblia fala de um período de intensa aflição que atingirá toda a humanidade antes da segunda vinda de Jesus, conhecido no A.T. como o grande e terrível dia do Senhor. “Diante dele tremerá a terra, abalar-se-ão os céus; o sol e a lua se enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor... porque o dia do Senhor é grande e mui terrível, e quem o poderá sofrer?” Jl 2.10,11. O Senhor Jesus descreveu esse período assim: “porque haverá, então, grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco haverá jamais. E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos escolhidos, serão abreviados aqueles dias” Mt 24.21,22.
Que essa grande tribulação acontecerá antes da segunda vinda do Senhor, nos é dito pela Palavra de Deus desta forma: “E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então,aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” Mt 24.29,30.
No livro de Apocalipse encontramos que essa grande tribulação será ocasionada pela abertura dos sete selos, pelo toque das sete trombetas e pelo derramar de sete taças. Nesses juízos a natureza e os homens marcados com o sinal da besta serão atingidos. Através desses juízos e, principalmente, através do derramar das sete taças, será consumada toda a ira de Deus sobre um mundo iníquo (Ap 15.1). Sobre esses três sete (selos, trombetas e taças) entendemos que os acontecimentos catastróficos que tem atingido a humanidade ao longo da história da Igreja são apenas vislumbres do que ocorrerá no futuro quando estivermos perto do fim.
O Salvador revelou que nos últimos dias a iniquidade aumentaria (Mt 24.12) e em consequência disso a amor de muitos esfriaria. Paulo também feriu o assunto quando descreveu o perfil dos homens dessa última geração: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus...” 2 Tm 3.1-9.
Também nesse período entrará em cena o homem do pecado (o anticristo), auxiliado pelo falso profeta, sendo esses dois capitaneados pelo dragão (o diabo), que moverá uma intensa perseguição contra a Igreja (Ap 12.7-17), mas será destruído quando do segundo advento de Cristo (2 Ts 2.1-12; Ap 13.1-18; 19.11-21).
Ainda esse período será caracterizado por uma intensa opressão demoníaca, pois demônios perigosos que estão hoje aprisionados serão soltos para afligir os que habitam na face da terra (Ap 9.1-12).
Uns estudiosos acham que esse período de intensa aflição para toda a humanidade será de sete anos. Outros acham que será de curta duração, sem definir a quantidade de anos, simbolizado pelos dez dias de tribulação, de Apocalipse 2.10.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
O Estado Intermediário
Como foi dito no primeiro artigo publicado recentemente num dos boletins de nossa Igreja sobre Escatologia, a mesma se divide em Escatologia Individual e Escatologia Geral. A Escatologia Individual por sua vez se subdivide em três temas, a saber: a morte, a imortalidade da alma e o estado intermediário, sendo esse último objeto deste artigo, devidos os outros dois já terem sido publicado em boletins anteriores.
Tratando-se do Estado Intermediário é bom que entendamos que há uma escassez de material bíblico sobre o assunto, por isso surgiram diversos ensinamentos errôneos sobre o mesmo, tais como o purgatório, a doutrina do aniquilamento, o sono da alma, imortalidade condicional, etc, mas a escassez de material bíblico não quer dizer que a doutrina não possa ser definida, pois existem textos bíblicos que a consolidam, principalmente quando os mesmos são analisados à luz da doutrina geral encontrada na santa Palavra de Deus.
Conceituamos Estado Intermediário como aquele estado em que as almas que partiram para eternidade subsistem, num período de tempo que não se pode precisar, entre a morte do indivíduo e a ressurreição do seu corpo. Dissemos que não se pode especificar o período de tempo porque o mesmo está condicionado à Segunda Vinda do Senhor que, segundo as Escrituras, ocorrerá numa data que não foi revelada.
Vimos no artigo sobre a imortalidade da alma que a mesma tem existência eterna, não se extingue quando o indivíduo morre fisicamente. Esse elemento imortal (a alma) quando se separa do corpo projeta-se na eternidade, para um dos dois lugares preparados por Deus: Céu para a alma redimida pelos méritos de Cristo e inferno (Hades) para a alma não redimida.
Nesse período chamado Estado Intermediário as almas que partiram para a eternidade, por ocasião da morte física do ser humano, estão subsistindo de forma consciente, com todas as suas faculdades (inteligência, vontade e emoções) ativas. Isso pode ser visto com facilidade na parábola do Rico e Lázaro (Lc 16.19-31) bem como na abertura do quinto selo do livro de Apocalipse (Ap 6.9-11). Observem que no texto de Lucas nos é dito que Lázaro no seio de Abraão (Abraão nesse texto representa Deus) estava sendo consolado enquanto o rico estava sendo atormentado. Observem ainda que Deus disse, respondendo a um pedido do rico, que os lugares onde estavam Lázaro e ele eram incomunicáveis e intransponíveis. “E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá” Lc 16.26.
O apóstolo Paulo nos revelou a sua expectativa de que depois da morte, mesmo desencarnado, continuaria existindo na presença do Senhor, e ali gozaria das beatitudes celestiais. “Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” Fp 1.23. (Veja ainda 2 Co 5.8; Fp 1.21).
As almas que partiram para a eternidade permanecerão nesse estado intermediário até o grande dia da Segunda Vinda do Senhor, dia esse em que todas as almas que lá se encontram sairão de seus respectivos lugares onde estavam e retornarão, numa fração de segundo, a terra para reassumir o corpo com o qual viveu neste mundo, agora ressuscitado. Os salvos receberão corpos glorificados e serão arrebatados pelo Senhor, e os perdidos corpos especiais para se apresentar a Deus no grande dia do Julgamento Final, onde cada um será julgado e depois destinado para o seu lugar definitivo, o lago que arde com fogo e enxofre.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
A imortalidade da alma
Estudando a Antropologia, um dos
temas enfocados pela Teologia Sistemática, encontramos uma parte que trata da
natureza constitucional do homem, as partes que o compõe. É-nos dito pela
Antropologia, que é o estudo do ser humano a luz das Escrituras, que o mesmo é
composto de duas partes, a saber: uma parte material, aparente, o corpo e uma
parte espiritual, invisível, a alma chamada também de espírito.
Faz-se necessário que voltemos ao início da
Bíblia para compreendermos que, quando Deus criou o homem, o criou com uma
parte mortal, visível, o seu corpo e com uma parte imaterial que é a alma. “E
formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego
da vida; e o homem foi feito alma vivente” Gn 2.7. Aquele sopro de Deus (a transmissão da alma)
foi quem animou o corpo inerte, dando-lhe vida.
Essa substância espiritual, imaterial,
invisível que animou o corpo humano que fora feito por Deus é de natureza
imortal, ou seja, não experimenta a morte e nem se extingue.
Quando falamos de morte física, o que foi
visto no boletim anterior, falamos de uma separação das partes constitutivas da
natureza constitucional do ser humano. Quando da morte, o que irá se desfazer é o corpo mortal, que se tornará em pó, e a
parte imaterial se projetará na eternidade viva, consciente para um dos lugares
determinados por Deus (Céu para a alma redimida por Cristo e inferno para a
alma que não foi redimida), a fim de aguardar a consumação do programa divino
para a humanidade que é a ressurreição geral e o consequente julgamento
final, seguido do estado eterno.
Que a alma é imortal podemos constatar
isso através da parábola do Rico e Lázaro encontrada em Lucas 16.19-31. Nessa
parábola, onde é revelado por Jesus o outro lado da vida, é contada uma
brevíssima história de dois homens deste lado da vida. Um era rico e não se
preocupava com Deus; o outro era pobre, mas rico espiritualmente porque cria em
Deus. Ambos morreram fisicamente, e aí a santa Palavra de Deus nos revela a
imortalidade da alma. Diz-se do pobre, que
quando ele morreu (a sua a alma) foi levado pelos anjos para o seio de
Abraão (que representa Deus). Lá, na presença de Deus, Lázaro foi visto
consciente e sendo consolado no Céu. Quanto ao rico, assim que morreu foi
levado (a sua alma) pela força do decreto divino para um lugar de sofrimento,
longe da presença de Deus, que no Novo Testamento chama-se Hades.
Observem que quando se morre ninguém é
extinto. O rico estava sentindo tormento, viu a Lázaro de longe no seio de
Abraão, fez uma prece, um pedido a Deus, lembrou-se de que tinha cinco irmãos
em sua casa que ainda estavam vivos, pede a Deus que Lázaro volte à vida para
testificar para seus irmãos sobre a terrível realidade do inferno. Observem
ainda nessa revelação que todas as faculdades da alma daquele homem (vontade,
inteligência e emoções) estavam presentes e ativas.
Ainda outro texto que nos fala sobre a
imortalidade da alma é visto em Apocalipse 6.9-11. Ali são encontradas as almas daquelas crentes
que morreram pela fé em Cristo. Observem que elas estavam vivas, ativas, pois fizeram
uma prece a Deus pedindo-Lhe que abreviasse o juízo sobre os perseguidores da
Igreja. Observem ainda que foram vestidas de vestes brancas e foram consoladas
por uma palavra de Deus.
Outros textos são encontrados nas
Escrituras sobre a imortalidade da alma, principalmente aqueles que tratam do juízo
de Deus sobre os incrédulos quando é dito que o fogo do juízo nunca se apagará,
e que os ímpios serão atormentados para sempre (Mc 9.42-48; Mt 18.6-9; Ap 20.10-15).
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Escatologia Individual – a morte física
O estudo da Teologia Sistemática
contempla dez temas, a saber: Bibliologia, Teontologia, Antropologia,
Hamartiologia, Cristologia, Soteriologia, Angelologia, Pneumatologia,
Eclesiologia e Escatologia.
A palavra Escatologia é de origem grega e
compõe-se de dois vocábulos: escatos (últimas coisas) logia (estudo). Assim
sendo podemos conceituar de uma maneira simplificada Escatologia como o estudo
das últimas coisas ou a doutrina das últimas coisas.
A Escatologia divide-se em duas partes: a
Escatologia Individual que contempla os temas a Morte, a Imortalidade da Alma e
o Estado Intermediário, e a Escatologia Geral que contempla os temas a Segunda
Vinda do Senhor, a Grande Tribulação, o Arrebatamento da Igreja, o Milênio, a
Ressurreição Corporal, o Julgamento Final e o Estado Eterno.
Tratando-se da morte, a mesma à luz das
Escrituras, divide-se em três áreas, a saber: morte espiritual (separação do
homem de Deus), morte física (separação da alma, chamada também de espírito, do
corpo) e morte eterna (eterna separação do homem de Deus). Do ponto de vista da
Escatologia o interesse do estudo é voltado para a morte física e para a morte
eterna.
No que se refere a morte física, a mais
comum do ponto de vista humano, ocorre quando a alma se separa do corpo e
quando isso ocorre o corpo é depositado na sepultura para se decompor e a alma
se projeta para a eternidade. A morte física põe fim a existência do ser humano
na face da terra. Ela é consequência do pecado de nossos primeiros pais Adão e
Eva, e alcançou toda a descendência
humana. “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a
morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos
pecaram” Rm 5.12.
No Édem, Deus alertou ao homem que não
comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois se isso acorresse
o homem morreria como consequência da desobediência, e esse castigo não
contemplou somente o casal Adão e Eva, mas também toda a sua descendência, pois
Adão era o representante federal de todos os homens diante de Deus. “E ordenou
o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente,
mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em
que dela comeres, certamente morrerás” Gn 2.16,17. Por ocasião da queda do
homem no Édem, o Senhor Deus lavrou a sentença sobre o casal e sobre todos os
outros seres humanos. “No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que te
tornes a terra; porque dela foste tomado, porquanto
és pó e em pó te tornarás” Gn 3.19.
Que a morte física é a separação das duas
substâncias que fazem parte da natureza constitucional do homem (alma ou
espirito e corpo) pode-se constatar isso pelas Sagradas Escrituras. “E
aconteceu que, tendo ela trabalho em seu parto, lhe disse a parteira: Não
temas, porque também este filho terás. E aconteceu que, saindo-se-lhe a alma (porque morreu), chamou o seu nome Benoni;...”
Gn 35.17,18. “e o pó volte a terra, como
o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” Ec 12.7. “Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto,
assim também a fé sem obras é morta” Tg 2.26. “E apedrejaram a Estêvão, que em
invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o
meu espírito... E, tendo dito isto, adormeceu” At 7.59,60. “E, clamando
Jesus com grande voz, disse: Pai, nas
tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isso, expirou” Lc 23.46.
No próximo domingo, se Deus permitir, daremos
continuidade ao estudo da Escatologia conforme combinado com a Igreja.
Pastor Eudes Lopes Cavalcanti
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Entendendo a mensagem do Apocalipse
O livro de Apocalipse é o último livro do Canon do Novo Testamento. Ele foi escrito por João, apóstolo, quando estava exilado na Ilha de Patmos por causa do evangelho, sob o governo de Domiciano, provavelmente em 95 d.C. O livro foi escrito visando consolar a Igreja do Senhor Jesus que sofria oposição e perseguição por parte da potência mundial da época, o império romano. Ele foi escrito num estilo literário conhecido como apocalíptico em que, dentre outras coisas, a mensagem é apresentada através de símbolos e figuras. Esse estilo literário foi usado de forma abundante por escritores religiosos do período entre 100 a.C a 100 d.C. No Canon Sagrado temos o livro de Apocalipse escrito nessa linguagem, partes de Daniel, de Isaías, de Ezequiel, e de Zacarias. Existem ainda diversos outros livros que usam esse tipo de linguagem, mas apócrifos. A mensagem básica passada pelos apocalípticos era que o povo de Deus estava sofrendo nas mãos dos ímpios, mas que tivesse paciência porque Deus, no devido tempo, se manifestaria punindo os opressores e libertando o seu povo e dando-lhe um futuro feliz.
No meio acadêmico conhece-se quatro escolas de interpretação do livro de Apocalipse: a preterista, que trata os acontecimentos do livro como acontecidos no primeiro século da era cristã, ficando pendente apenas a consumação – segunda vinda do Senhor e o consequente juízo final. A historicista que identifica os acontecimentos do livro de Apocalipse com os acontecimentos ao longo da historia da humanidade a partir do século primeiro. A futurista que ensina que apenas os capítulos um, dois e três pertencem à história da Igreja, sendo o restante do livro objeto do futuro após o arrebatamento da mesma. A idealista que ensina que o livro de apocalipse trata de princípios revelados por Deus no que se refere ao sofrimento da Igreja, o cuidado de Deus sobre ela e o Seu juízo sobre os perseguidores da mesma, bem como o futuro glorioso do povo de Deus.
Fazendo uma análise crítica das escolas citadas no item anterior podemos chegar às seguintes conclusões: a preterista mostra o Apocalipse como um livro que é apenas um referencial e que não traz uma mensagem objetiva para a igreja, pois praticamente tudo é passado. Para essa escola o Apocalipse não serve para a igreja depois do século primeiro. Essa concepção faz do livro apenas uma fonte informativa sem mensagem para a Igreja a não ser uma vaga esperança escatológica. A historista cai no grave erro de tentar identificar os acontecimentos passados da história do mundo com os selos, trombetas e taças do Apocalipse, etc. Observem que para os autores dessa escola os acontecimentos referem-se praticamente ao mundo ocidental. A futurista faz do livro mais judaico do que cristão já que a igreja será arrebatada no final do capítulo terceiro, pois no capítulo quatro ela está nos céus com Jesus. Assim sendo, o livro perde o seu objetivo que é consolar uma igreja que enfrentou, enfrenta e enfrentará oposição neste mundo. Outra ênfase equivocada dessa escola é ensinar explicitamente que haverá mais de uma ressurreição corporal de mortos (a dos santos da velha dispensação, da igreja, dos salvos da grande tribulação e dos salvos do milênio - isto está subtendido no programa dessa escola, e dos ímpios). Ainda outro problema grave da escola futurista é enfatizar uma interpretação literal do livro em grande parte quando o mesmo foi escrito num estilo de linguagem em que a mensagem é transmitida através de símbolos e figuras de linguagem (literatura apocalíptica). Fica a escola idealista que vê o livro como uma forte mensagem para a igreja em todas as suas épocas até a sua consumação, visto que o mesmo é uma mensagem de conforto para a Igreja do Senhor que sofre no mundo com a oposição e perseguição do diabo, do mundo e da falsa religião. Segundo a escola idealista o livro de Apocalipse divide-se em duas partes: capítulos 1-11 que trata da luta do mundo político/econômico/social/militar posto no maligno contra a Igreja do Senhor; e 12-22 que trata da luta de satanás e seus aliados (as duas bestas, a prostituta, e os aliados da besta) contra Cristo e sua Igreja, ou seja, a luta aqui na terra é o reflexo de uma batalha maior no reino espiritual. Essa escola ainda identifica no livro sete seções paralelas (todas cobrem o mesmo período, do primeiro ao segundo advento de Cristo, sendo reveladas algumas coisas novas e variando outras de intensidade à medida que se aproxima do fim de todas as coisas), conforme explicitado pelo Dr. William Hendricksen no seu livro Mais que Vencedores (os mistérios do Apocalipse desvendados com profundidade e fidelidade), Editora Cultura Cristã: 1ª seção, capítulos 1.1-3.22 - Cristo no meio da sua igreja (sete candeeiros de ouro) ao longo de sua existência; 2ª seção, capítulos 4.1-7.17 - A visão do Céu e dos sete selos; 3ª seção, capítulos 8.1-11.19 - As sete trombetas; 4ª seção, capítulos 12.1-14.20 - o dragão perseguidor da igreja; 5ª seção, capítulos 15.1-16.21 - As sete taças; 6ª seção, capítulos 17.1-19.21 - A queda da Babilônia; 7ª seção, capítulos 20.1-22.21 - A grande consumação. Essa escola ainda considera que os juízos de Deus através dos sete selos, das sete trombetas e das sete taças, são eventos paralelos ou simultâneos e não seqüenciais, considerando que nos últimos setes (selos, trombetas e taças) encontram-se a descrição de um mesmo evento que é a consumação de todas as coisas com o segundo advento de Cristo.
Tratando do livro em si, ele começa com a identificação da autoria divina do mesmo (revelação de Jesus Cristo), do meio utilizado para trazer essa mensagem (pelo seu anjo) e do instrumento humano que iria lançar mão da pena para escrevê-lo (João). Em seguida o livro identifica os destinatários do mesmo (as sete igrejas da Ásia Menor: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia). Ainda no capítulo primeiro nos é apresentado o Senhor da Igreja, glorificado, através de uma figura aterradora (cabelos brancos como a neve, olhos como chamas de fogo, espada que sai da boca, pés semelhante a latão reluzente, etc), Tendo cada descrição um significado aderente aos atributos e ofícios de Cristo (onisciência, onipotência, onipresença, santidade, eternidade, ofícios sacerdotal e real, supremo juiz, etc).
Nos capítulos dois e três encontramos a parte epistolar do livro, as sete cartas destinadas às sete igrejas da Ásia Menor. Nessas cartas encontramos quatro coisas em comum: 1) uma apresentação de Jesus a Igreja tirada do capitulo primeiro; 2) uma análise da vida interna de cada igreja onde são identificados pelo Senhor os pontos positivos e os negativos delas; 3) uma advertência a Igreja; 4) e uma promessa ao vencedor. Ainda em cada carta encontramos frases em comum, como segue: ao anjo da Igreja escreve; eu sei as tuas obras; quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz as Igrejas; e, ao que vencer, dar-lhe-ei. Quanto à análise interna, em duas delas não foram identificados pontos negativos (Esmirna e Filadélfia) e numa não foram identificados pontos positivos (Laodicéia). Quanto ao destinatário imediato das cartas (anjo da igreja) eles são os responsáveis humanos pelas comunidades locais (o pastor auxiliado pelos presbíteros. Veja At 20.28; 1 Pe 5.1-4).
No capitulo quatro encontramos uma visão do trono de Deus. Nessa visão é descrita o fulgor do trono de Deus e os seres que estavam diante dele (seres celestiais - quatro seres viventes, e seres humanos glorificados, vinte e quatro anciãos que representam o povo de Deus da antiga e da nova dispensação). Nesse capítulo é proclamada a santidade de Deus pelos seres viventes e também Deus é exaltado e celebrado pela sua obra criadora. “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder, porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas” Ap 4.11.
No capitulo cinco é visto na mão direita do que está assentado no trono um livro selado com sete selos. Esse livro contém o programa de Deus para o mundo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, que é revelado, paulatinamente, com a abertura de cada selo. A seguir a visão dominante do capítulo é a do Cordeiro que foi morto, que com a sua dignidade e com o que Ele fez (redenção do povo de Deus pelo sacrifício de si mesmo) o credencia a abrir o livro e a desatar os seus sete selos. Isto quer dizer que o Senhor Jesus é o Senhor da história e que as coisas que aconteceram, acontecem e acontecerão na história do mundo principalmente aquelas relacionadas à Igreja estão sob o Seu controle ou comando. Ainda na visão do Cordeiro que foi morto são realçados dois atributos Seus: a onipotência (sete chifres) e a onisciência (sete olhos). Ainda nesse capitulo o Cordeiro é reverenciado e adorado por anjos e pelos homens redimidos representados pelos vinte e quatro anciãos. Nessa celebração a Cristo é dada ênfase a sua obra redentora realizada na cruz do Calvário. “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra” Ap 5.9,10.
No capítulo seis encontramos os sete selos, que revelam o juízo de Deus sobre o mundo ímpio perseguidor da Igreja. Esses juízos são derramados (foram, estão sendo, e serão) na história do período da igreja, desde o seu nascedouro até a sua consumação. Os cavaleiros montados nos cavalos branco, vermelho, perto e amarelo, representam respectivamente Cristo vencendo através da pregação do Evangelho, a guerra contra a Igreja, o desequilíbrio da economia provocado pela guerra e a morte que se segue a guerra e a fome. Observem que Deus pune os homens sempre em função do seu povo, no caso a sua Igreja. Ainda nesse capítulo encontramos a revelação da vida após a morte (imortalidade da alma) naquelas almas debaixo do altar quando se abre o quinto selo. Na abertura do sexto selo encontramos cataclismos na natureza semelhantes aos mencionados por Jesus no seu sermão escatológico que antecederão de imediato a segunda vinda do Senhor (Mt 24.29).
No capítulo sete encontramos duas visões parentéticas (entre as duas séries de juízos de Deus através de selos e trombetas), ambas falando da Igreja do Senhor. A primeira visão, a dos 144.000 selados refere-se à Igreja do Senhor, o novo Israel de Deus, que está sendo selada pelo Espírito Santo ao longo da sua história. Na visão a Igreja é apresentada com todos os seus componentes. A visão seguinte refere-se à igreja completa, vencedora, nos céus, composta de todos os salvos de todas as épocas e de todas as tribos, povos, línguas e nações. Esses amados vieram de grande tribulação durante as suas existências e, principalmente, no período de intensa tribulação que ocorrerá antes da segunda vinda do Senhor.
Nos capítulos oito e nove e parte do onze encontramos a visão dos toques das sete trombetas que engloba o mesmo período contemplado pelos sete selos (o panorama da história da Igreja delineado, desde o seu nascedouro até a sua consumação). Observem que o sexto selo (Ap 6.12-17) é similar a sétima trombeta (Ap 11.15-19). Ambos terminam com a segunda vinda do Senhor e o consequente juízo final. Nas trombetas nos é mostrado acontecimentos mais detalhados do que nos sete selos.
No capítulo dez e parte do capítulo onze, encontramos outras duas visões parentéticas, a do livrinho comido por João e a das duas testemunhas, referindo-se as duas ao mesmo assunto que é o testemunho da Igreja ao longo de sua história. Um testemunho que traz prazer aos que são alcançados pela mensagem do Evangelho e perspectiva de juízo para quem não aceita (doce ao paladar e amargo no ventre), e o testemunho que é dado pela Igreja no poder do Espírito, mas que recebe oposição e enfrenta martírio provocado pelo diabo, seus aliados e pelo mundo que jaz no maligno (as duas testemunhas). Em momentos da história da Igreja o seu testemunho é parecido como se ela tivesse sido morta, mas em outros momentos, vivo, poderoso como se tivesse ressuscitado, principalmente antes do fim da presente era.
Nos capítulos doze e treze nos é apresentado os formidáveis inimigos do povo de Deus que atuam contra ele ao longo da sua história, principalmente da história da Igreja, mui especialmente quando do final da sua existência aqui na terra: o dragão (satanás), a besta que sai do mar (o mundo político representado pelo anticristo), e a besta que sai da terra (as falsas religiões representadas pelo falso profeta). Nesse capítulo nos é revelado o ódio que o dragão tem pela Igreja, não lhe dando trégua, mas revela também a proteção divina sobre ela em seus momentos de perseguições.
No capitulo quatorze encontramos outra visão da Igreja glorificada após o seu traslado para os céus. Nessa visão a Igreja é novamente representada pelos 144.000 mil selados. Ainda nos é revelado que os seus componentes foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro e que estão sempre com Ele. “... estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes são os que dentre os homens foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro. E na sua boca não se achou engano; porque são irrepreensíveis diante do trono de Deus” Ap 14.4,5. Encontramos também uma descrição do terrível juízo de Deus por ocasião da consumação de todas as coisas com o segundo advento de Cristo.
Nos capítulos quinze e dezesseis encontramos a consumação da ira de Deus através do derramar de sete taças. Essas taças contemplam todo o período da história da Igreja, ou seja, é outra visão do mesmo juízo de Deus derramado sobre o mundo ímpio, opositor da Igreja. Isto quer dizer que os sete selos, as sete trombetas e as sete taças contemplam o mesmo período da história da Igreja desde o seu nascedouro em Pentecostes até a sua consumação por ocasião da segunda vinda do Senhor. Observem que os juízos de Deus através de selos, trombetas e taças trazem certa similaridade, e as diferenças que existem são mais luzes que se nos traz sobre o tratamento de Deus com o mundo ímpio perseguidor da Igreja. A questão da simultaneidade de selos, trombetas e taças, é similar aos relatos dos quatro evangelhos, quando um relato de um evangelista lança mais luz sobre o mesmo relato feito por outro evangelista, dando-nos no todo, na análise conjunta, um relato completo daquilo que Deus queria nos revelar.
Nos capítulos dezessete, dezoito e parte do capítulo dezenove (19.1-10), encontramos uma descrição sobre Babilônia, a grande prostituta que seduz os homens com os seus encantos. Encontramos ainda a revelação do juízo de Deus sobre Ela e a repercussão desse juízo entre aqueles que se prostituíram com ela. Essa grande Babilônia não é uma cidade física e sim o mundo com o seu encanto e sedução, que está sob a influência do diabo. Esse mundo posto no maligno (Mt 4.8,9; Ef 2.2; 1 Jo 5.19) é expressado pelos grandes impérios que dominaram o mundo (assírio, babilônico, persa, grego, romano, etc), que seduziram a alma do homem e perseguiram o povo de Deus. Ainda nessa visão é revelado o regozijo nos Céus quando da execução do juízo de Deus sobre o mundo perseguidor da Igreja (Ap 19.1-10).
No capítulo dezenove (19.11-21) encontramos um relato da segundo vinda do Senhor em glória para buscar a sua Igreja e para trazer juízo sobre o mundo ímpio na grande batalha de Armagedom. O Senhor vem nessa visão como um guerreiro poderoso, com os seus anjos para trazer juízo sobre os aliados do dragão. Observem os dois símbolos desse juízo: a espada que sai da boca do Senhor para ferir as nações, e as vestes salpicadas de sangue. O juízo de Deus é descrito assim: “E vi um anjo que estava no sol, e clamou com grande voz, dizendo a todas as aves que voavam pelo meio do céu: Vinde e ajuntai-vos à ceia do grande Deus, para que comais a carne dos reis, e a carne dos tribunos, e a carne dos fortes, e a carne dos cavalos e dos que sobre eles se assentam, e a carne de todos os homens, livres e servos, pequenos e grandes. E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo e ao seu exército. E a besta foi presa e, com ela, o falso profeta, que, diante dela, fizera os sinais com que enganou os que receberam o sinal da besta e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no ardente lago de fogo e de enxofre. E os demais foram mortos com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes” Ap 19.17-21. Nesse juízo é dada ênfase sobre o julgamento do anticristo e do falso profeta. (Ap 19.20), representantes máximos, respectivamente, do mundo e da falsa religião..
No capitulo vinte encontramos uma solene descrição do juízo final quando todos irão comparecer diante de Deus para prestar conta dos seus atos enquanto viveram. Neste capitulo encontramos uma ênfase sobre o castigo imputado ao diabo e seus anjos (subtendido em relação aos anjos caídos) bem como aos seus adeptos. É-nos dito nesse capitulo (Ap 20.1-3) que o diabo estava sobre certo castigo de Deus durante a dispensação da Igreja (amarrado por mil anos, o tempo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo), tendo o seu raio de ação limitado, pois Cristo o venceu na cruz e o expôs ao desprezo e a ignomínia, conforme nos foi revelado por Paulo (Cl 2.15) e por Pedro (1 Pe 3.22). Esse capítulo ainda fala sobre a libertação do diabo depois de sua prisão por mil anos. Significa que lhe será dada mais liberdade para atuar nos dias que antecederem de imediato a segunda vinda do Senhor. Isso quer dizer que quando da aproximação da vinda de Jesus a ação diabólica será mais intensa. Isso se coaduna com o que está escrito no capítulo 9 de Apocalipse com o toque da quinta trombeta (Ap 9.1-12). Ainda nesse capítulo há uma referência a um reino de mil anos. Considerando que a linguagem do apocalipse é uma linguagem simbólica, entende-se esses mil anos como o tempo total da história da Igreja quando a mesma reina com Cristo na esfera espiritual (Ef 2.6; Cl 3.1; Ap 1.6; 5.10). Entende-se ainda que esse milênio simboliza a vida perfeita que os crentes goza no reino espiritual, assentados nos lugares celestiais com Cristo Jesus, gozando de salvação, paz com Deus graças a poderosa obra do Espírito Santo em suas vidas. Há ainda uma referência a uma primeira e a uma segunda ressurreição dos mortos. A primeira ressurreição, no entendimento dos teólogos reformados, refere-se à ressurreição espiritual quando da conversão do pecador a Cristo. Observe que o texto diz que sobre esses a morte não tem poder algum, coadunando-se assim com o que disseram o Senhor Jesus (Jo 5.25) e Paulo (Ef 2.1,5; Rm 8.1,2). A segunda ressurreição identificada nesse capitulo é a ressurreição corporal dos mortos (salvos e perdidos) num bloco só conforme explicitado por Daniel (Dn 12.2), pelo Senhor Jesus (Jo 5.28,29) e por Paulo (At 24.15).
Nos capítulos vinte e um e vinte e dois encontramos uma descrição dos novos céus e da nova terra (o lugar eterno dos santos), resultado da purificação feita por Deus no mundo, conforme revelado também pelo apóstolo Pedro em sua segunda carta, (2 Pe 3.7,10-13). Encontra-se também nesse capítulo uma revelação surpreendente sobre a glória que envolve a Igreja do Senhor na consumação de todas as coisas (a nova Jerusalém, a esposa do Cordeiro - Ap 21.9-27). Ainda se encontra no capitulo vinte e dois um convite do Senhor ao pecador perdido para que ele aceite a mensagem do Evangelho pregada pela Igreja mediante o poder do Espírito, uma advertência para os leitores e uma reiteração da promessa da segunda vinda do Senhor e a ministração de uma benção sobre a vida da Igreja.
Ainda no livro de apocalipse encontram-se sete bem aventuranças:
“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” Ap 1.3.
“Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam” Ap 14.13.
“Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas” Ap 16.15.
“E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus” Ap 19.9.
“Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele mil anos” Ap 20.6.
“Eis que presto venho. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro” Ap 22.7.
“Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à árvore da vida e possam entrar na cidade pelas portas” Ap 22.14.
Quanto à numerologia da literatura apocalíptica, veja o quadro abaixo:
N.º
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Significado
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1
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Idéia de unidade, ou de existência independente.
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2
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Fortaleza, confirmação, coragem e energia redobrada (as duas testemunhas)
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3
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N.º divino, Trindade
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4
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O mundo em que os homens vivem, labutam e morrem
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5
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Perfeição humana física (cinco dedos dos pés e mãos)
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6
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N.º de homem (falha, queda, derrota)
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7
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N.º divino, perfeição, inteireza (sete Espíritos, sete Igrejas, sete anjos, sete castiçais)
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3 1/2
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Coisa incompleta
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10
(5x2)
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Completo, poderio humano absoluto (dez reis, dez chifres, dez mandamentos)
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12
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Religião organizada no mundo (doze tribos, doze apóstolos, doze portas)
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24
(12x2)
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Espectro abrangente da religião organizada no mundo (24 anciãos)
|
70
(7x10)
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Idéia de ilimitado (setenta discípulos, setenta anciãos, setenta membros do Sinédrio)
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144.000
(12x12x10)
|
N.º representativo da religião perfeita (144.000 selados)
|
A literatura apocalíptica apresenta características peculiares, a seguir:
a) Significação Histórica - Toda a literatura apocalíptica está associada a uma contexto histórico bem definido. O conhecimento dessa situação facilita a compreensão da mensagem do autor.
b) Uso de Pseudônimo - Os autores desses escritos, geralmente, usavam pseudônimos, isto é, nomes de personagens importantes das Sagradas Escrituras e, quase nunca, os seus próprios nomes.
c) A Mensagem Apresentada por Meio de Visões - Os escritores desse tipo de literatura geralmente apresentavam a sua mensagem fazendo uso de visões, sendo esse um dos principais métodos para expressar aquilo que se queria dizer.
d) Uso do Elemento Preditivo - A literatura apocalíptica trata de acontecimentos futuros ou escatológicos. A predição é feita das coisas principais e se refere mais ao caráter do evento predito do que aos seus detalhes.
e) Uso Intensivo de Símbolos - Na literatura apocalíptica, encontramos um elaborado sistema de símbolos secretos e de figuras de linguagem para expressão das idéias espirituais. O uso da simbologia dificulta sensivelmente a interpretação da mensagem, principalmente, para quem não está com ela familiarizado.
f) Uso de Figura de Linguagem Dramática - A literatura apocalíptica é caracterizada pelo sentido de um iminente drama. Frequentemente, os símbolos são usados de forma dramática para enfatizar a seriedade da mensagem.
Observação: as divisões do livro de apocalipse em duas partes e em sete seções, o quadro com a numerologia e as informações sobre as características da literatura apocalíptica é fruto de pesquisa. Exceto os textos bíblicos transcritos, o restante é de autoria deste pastor.
Para uma compreensão mais detalhada desse extraordinário livro (Apocalipse) recomendamos a bibliografia abaixo, principalmente o livro de William Hendricksen:
- Apocalipse, o futuro chegou – Hernandes Dias Lopes, Editora Cultura Cristã
- Apocalipse – Simon Kistermaker, Editora Cultura Cristã
- A Igreja e as Últimas coisas – Dr. Martyn Lloyd-Jones, PES
- A Mensagem do Apocalipse – Michael Wilcock, ABU
- Mais que Vencedores (os mistérios do Apocalipse desvendados com profundidade e fidelidade) – William Hendricksen, Editora Cultura Cristã
Rev. Eudes Lopes Cavalcanti
Ministro congregacional da ALIANÇA
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