sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Uma panorâmica sobre 2ª Tessalonicenses

A primeira carta de Paulo à Igreja de Tessalônica causou um impacto na vida daquela comunidade no que concerne a revelação que o apóstolo fizera sobre a segunda vinda do Senhor e o seu desdobramento no arrebatamento da igreja. Tudo indica que muitos irmãos com o entendimento de um arrebatamento iminente deixaram seus empregos e ficaram esperando a vinda do Senhor. Como o Senhor não viera logo, esses irmãos começaram a buscar alimento e o atendimento de suas necessidades junto aos irmãos, causando transtorno na Igreja. “Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes, fazendo coisas vãs. A esses tais, porém, mandamos e exortamos, por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão. E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem” 2 Ts 3.10-13. A segunda carta foi escrita pouco tempo depois da primeira carta, cerca de 51 ou 52 d.C., quando Paulo ainda estava trabalhando na cidade de Corinto com Silas e Timóteo e tivera conhecimento do problema. Essa carta teve como propósitos animar seus novos convertidos que estavam sofrendo perseguição; exortá-los a dar bom testemunho da fé cristã e trabalhar cada um para ter o seu sustento a fim de não servir de peso para os outros; e para corrigir certos erros doutrinários sobre eventos ligados ao Dia do Senhor. A segunda carta tem as seguintes características especiais: 1) a carta contém um dos trechos mais completos a respeito da iniquidade e da impostura desenfreadas no final dos tempos; 2) O justo juízo de Deus vinculado à Segunda Vinda do Senhor é descrito, na carta, em termos apocalípticos como no livro de Apocalipse; 3) descreve o perfil do Anticristo como em nenhum livro da Bíblia Sagrada. Sobre a Segunda Vinda do Senhor, Paulo orienta a Igreja a não se demover facilmente do ensino correto sobre o assunto, mesmo que pessoas importantes do meio cristão falem sobre a iminência do dia do Senhor sem considerar os sinais que ele apresenta na carta. Merece destaque nessa carta a questão dos sinais que antecederão a Segunda Vinda do Senhor. Paulo pelo Espírito Santo revela que a Segunda Vinda do Senhor não ocorrerá sem antes ser instalada a apostasia e seja manifestado o Anticristo. “Ninguém, de maneira alguma, vos engane, porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição” 2 Ts 2.3. Com relação à apostasia, podemos correlacionar o assunto com o que o Senhor Jesus revelou em seu sermão escatológico sobre o aumento da iniquidade e o consequente esfriamento da fé (Mt 24.12). Em relação ao Anticristo, ele é a besta que sai do mar (nações) do livro de Apocalipse (Ap 13.1-10). Em Apocalipse é dito que o dragão (Satanás) deu o seu poder ao Anticristo. “E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés, como os de urso, e a sua boca, como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio” Ap 13.2. Em 2ª Tessalonicenses nos é dito que o Anticristo, o iníquo aparecerá com toda a eficácia de Satanás. “a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais, e prodígios de mentira, e com todo engano da injustiça para os que perecem,...” 2 Ts 2.9,10. Esse quadro assustador de apostasia e operação intensa de Satanás que antecederá a Segunda Vinda, terá como consequência uma geração maldosa, perversa que viverá no final dos tempos, conforme revelado por Paulo em 2 Tm 3.1-9. No cronograma de eventos escatológicos, podemos observar que a Segunda Vinda ocorrerá após a Grande Tribulação. (Mt 24.29-31) O Anticristo bem como a segunda besta (o Falso Profeta) será destruído (aprisionados e lançados vivos no lago que arde com fogo e enxofre) por Cristo em sua Segunda Vinda, conforme revelado na carta em apreço e no livro de Apocalipse. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Uma panorâmica sobre 1ª Tessalonicenses

A cidade de Tessalônica era uma das maiores da Macedônia e na época em que Paulo escreveu essa carta era uma das principais províncias romanas, inclusive, com um porto que servia para os interesses daquela potencia mundial. Os estudiosos bíblicos estimam que Tessalônica, na época, tinha uma população de aproximadamente 200.000 habitantes. O trabalho evangélico em Tessalônica começou na segunda viagem missionária de Paulo. Paulo passou pouco tempo naquela cidade, devido à perseguição movida pelos judeus que habitam ali. “Mas os judeus desobedientes, movidos de inveja, tomaram consigo alguns homens perversos dentre os vadios, e, ajuntando o povo, alvoroçaram a cidade, e, assaltando a casa de Jasom, procuravam tirá-los para junto do povo. Porém, não os achando, trouxeram Jasom e alguns irmãos à presença dos magistrados da cidade, clamando: Estes que têm alvoroçado o mundo chegaram também aqui, os quais Jasom recolheu. Todos estes procedem contra os decretos de César, dizendo que há outro rei, Jesus. E alvoroçaram a multidão e os principais da cidade, que ouviram estas coisas. Tendo, porém, recebido satisfação de Jasom e dos demais, os soltaram”. At 17.5-9. O resultado do trabalho de Paulo e Silas é relatado assim em Atos 17.4: “E alguns deles creram e ajuntaram-se com Paulo e Silas; e também uma grande multidão de gregos religiosos e não poucas mulheres distintas”. Como Paulo passara pouco tempo naquela cidade, não deu tempo de doutriná-la adequadamente, por isso escreveu essa carta visando confortar a Igreja e ao mesmo tempo instrui-la acerca de um ponto teológico muito importante que é a questão da segunda vinda de Cristo da ressurreição dos mortos e do arrebatamento da Igreja, bem como a necessidade do cristão andar em santidade de vida. Timóteo foi o obreiro enviado por Paulo à Tessalônica para levar a carta e ao mesmo tempo para ministrar naquela Igreja. A 1ª carta aos Tessalonicenses é um dos primeiros escritos do Novo Testamento e foi escrita aproximadamente em 51 d.C. Essa carta tem as seguintes características especiais: 1) Ela foi um dos primeiros livros escritos do Novo Testamento; 2) Contém textos chaves do Novo Testamento sobre a ressurreição dos santos falecidos por ocasião do arrebatamento da Igreja (4.13-18), e a respeito do Dia do Senhor (5.1-11); 3) A segunda vinda do Senhor é referenciada em todos os cinco capítulos dessa carta, dando uma relevância especial a esse assunto; 4) Oferece uma visão única do estado de uma igreja zelosa, mas ainda neófita na fé bem como uma visão das características do ministério apostólico de Paulo. Merece destaque nessa carta a ênfase dada por Paulo a algumas questões da vida prática de uma comunidade evangélica tais como: a pureza sexual (4.1-8), o amor fraternal (4.9,10), o trabalho honesto (4.11,12), A vinda de Cristo (4.13-5.11), a estima que deve ser dada aos dirigentes da Igreja (5.12,13), a vida cristã (5.14-18), e o discernimento espiritual que a Igreja deve ter (5.19-22). O grande assunto tratado por Paulo nessa carta é aquele relacionado à segunda vinda do Senhor e o seu desdobramento. Paulo revela que Jesus virá a segunda vez ele mesmo (o mesmo Senhor) e essa vinda será uma vinda gloriosa, ostensiva (com alarido, com a voz do arcanjo, com a trombeta de Deus -a sétima trombeta do Apocalipse). Paulo diz ainda que três coisas acontecerão, pela ordem, num abrir e fechar de olhos: 1) A ressurreição dos crentes falecidos (os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro); 2) A transformação dos crentes vivos (subtendido), (os que estiverem vivos). Essa questão é esclarecida por Paulo na primeira carta aos Coríntios 15.52; 3) o arrebatamento da Igreja (seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares). Paulo termina esse assunto dizendo que essa promessa deve ser um consolo para a Igreja no meio das tribulações que enfrentavam. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

PREGAÇÃO PASTOR EUDES 01/11/15

Uma panorâmica sobre Colossenses

A cidade de Colossos estava localizada próximo da cidade de Laodicéia, no sudeste da Ásia Menor, cerca de 160 quilômetros de Éfeso. Tudo indica que a Igreja de Colossos fora fundada por Epafras, companheiro de Paulo. “como aprendestes de Epafras, nosso amado conservo, que para vós é um fiel ministro de Cristo, o qual nos declarou também a vossa caridade no Espírito” Cl 1.7,8. O trabalho nessa cidade, sem dúvidas, surgira como um dos resultados da poderosa obra realizada pelo apóstolo Paulo em Éfeso, onde passou mais de dois anos pregando o evangelho. “E durou isto por espaço de dois anos, de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, tanto judeus como gregos” At 19.10. A carta aos Colossenses é considerada como uma epístola gêmea de Efésios por causa da similaridade dos temas enfocados, principalmente a questão da Cristologia e da questão das diretrizes para os componentes de um lar cristão. O tema da carta aos colossenses é a supremacia de Cristo. Essa supremacia abrange a obra da redenção realizada por Ele na cruz, sobre a criação, sobre a Igreja como o seu cabeça, também como autor da obra reconciliadora do homem com Deus. Cristo é retratado na epístola como aquele em que reside toda a plenitude da divindade (1.19; 2.9). Paulo escreveu essa carta em 62 d.C, aproximadamente, com o propósito de combater uma sutil heresia que surgira naquela igreja, que era uma mistura de tradições judaicas extra bíblicas e filosofias pagãs, num sincretismo religioso que enfatizava o culto aos anjos e contaminava a igreja, e deslocava a centralidade de Cristo na Igreja. Essa heresia não está descrita em detalhes na carta porque os colossenses a conheciam bem. Colossenses tem as seguintes características especiais: 1) Enfatiza mais do que em qualquer outro livro do Novo Testamento a proeminência de Cristo e da perfeição do crente nele; 2) Enfatiza com intensidade a plena divindade de Cristo e contém um belíssimo trecho a respeito de Sua glória; 3) A epístola gêmea de Efésios, devido tratar, até certo ponto, de temas similares e por terem sido escritas provavelmente na mesma época. A carta aos Colossenses, como as outras cartas de Paulo destinadas as Igrejas, tem uma parte teológica e outra parte prática. Olhando para essa carta de forma panorâmica, encontramos: 1) Uma saudação seguida de ações de graças pela fé, amor e esperança dos colossenses, e de uma oração em favor deles (1.1-12) ; 2) A exposição da poderosa doutrina sobre a proeminência de Cristo na redenção do crente. Jesus é apresentado por Paulo como o redentor vicário (1.13,14), como Senhor da criação (1.15-17), como cabeça da Igreja (1.18), como reconciliador de todas as coisas, inclusive dos colossenses (1.19-23); 3) A revelação de que Paulo fora o instrumento usado por Deus para falar acerca do mistério de Deus em Cristo (1.24-2.7); 4) Advertência de Paulo contra falsos ensinos que estava solapando a igreja. Essa advertência combatia o falso ensino acerca da pessoa de Cristo e das práticas religiosas contrárias à Sua lei (2.8-23); 5) Instruções práticas para a vida dos crentes, que englobam a conduta pessoal do crente em Cristo, o relacionamento familiar do crente como esposos, pais, filhos e servos sendo esses últimos considerados também como parte da família (3.1-4.6). Em relação a essa questão do lar, Paulo apresenta o segredo da felicidade dele: a obediência aos mandamentos divinos sobre o assunto; 6) O impacto da influência de um crente genuíno. Essa influência é derivada de uma vida dedicada à oração, de uma conduta sábia para com os estranhos a fé, e pela conversação sadia, cheia de graça (4.2-6). A carta termina, como as outras cartas de Paulo, com recomendações pessoais, saudações a irmãos da Igreja e a ministração da benção sobre ela: “A graça seja convosco. Amém” (4.7-18). Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Uma panorâmica sobre Filipenses

A Igreja de Filipos fora fundada por Paulo em sua segunda viagem missionária. Três acontecimentos registrados em Atos dos Apóstolos são marcos na fundação dessa Igreja. Um foi a conversão de Lídia à beira de um rio, o outro foi a libertação da jovem que tinha um espírito de adivinhação, e o outro foi a conversão do carcereiro de Filipos na própria prisão que comandava. O trabalho de Paulo começara naquela cidade em obediência a uma visão que tivera. “E Paulo teve de noite uma visão, em que se apresentou um varão da Macedônia, e lhe rogou, dizendo; Passa a Macedônia, e ajuda-nos” At 16.9. Paulo ao longo de seu ministério teve um estreito relacionamento com essa Igreja. Ela o ajudou muito em seu ministério apostólico. A carta escrita por Paulo aos Filipenses expressa a sua gratidão pela assistência pecuniária dada pela Igreja a ele. Paulo escreveu Filipenses quando estava prisioneiro, provavelmente em Roma, nos idos de 61 ou 62 d.C. Nessa carta não encontramos nenhuma censura a Igreja por problemas quaisquer, mas antes ações de graças. Alguém chamou essa carta de epístola da alegria. Fazendo uma análise do todo da epístola aos Filipenses, podemos observar: 1) Identificação dos remetentes, Paulo e Timóteo bem como os destinatários, Bispos e Diáconos (1.1,2); 2) Uma oração com ações de graças pela vida dos filipenses. Nessa oração Paulo enfatiza o fervor com que os filipenses receberam a mensagem do Evangelho e manifesta a sua confiança de que Deus que começou a obra em Filipos a completará, e agradece a Deus pela ajuda dos filipenses quando estava aprisionado (1.3-11); 3) Em seguida Paulo informa aos filipenses sobre o efeito benéfico do seu cativeiro. A prisão de Paulo fora divulgada por toda a guarda pretoriana, a guarda pessoal do imperador romano e estava dando um novo ânimo aos irmãos para a pregação do Evangelho em Roma (1.12-26); 4) Depois Paulo faz alguma exortações a Igreja no que refere a se manterem unidos no Espírito, fieis na fé em Cristo não temendo as perseguições por causa do Evangelho, inclusive revelando Paulo que sofrer por Cristo é a vocação da Igreja. “Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele” Fp 1.29 (1.27-2.18); 5) Em seguida Paulo revela a Igreja os seus projetos pessoais no que se refere a ela: o envio de Timóteo, a devoção de Epafrodito e sua ida a Filipos após a sua libertação que se estava configurando (2.19-30; 6) Paulo também faz algumas exortações tratando da alegria da humildade cristã, da vida de oração, da paz e da dignidade da profissão da fé cristã. Nessa exortação final, Paulo cita a sua abnegação pela causa de Cristo e convida aqueles irmãos a seguirem o seu exemplo como cristão e ministro do Evangelho. Ainda nessa exortação Paulo adverte a duas irmãs Evódia e Síntique a acabarem a discórdia que existia entre elas, pelo bem da paz e da unidade da Igreja (3.1-4.9); 7) Depois Paulo expressa a sua gratidão pelos donativos enviados a ele pelos filipenses (4.10-20); 8) E termina a sua carta com saudações cristãs e com a ministração da benção sobre a comunidade (4.21-23). Merece destaque nessa carta o hino cristológico que Paulo elabora quando cita Cristo como exemplo de humildade, que deve servir para toda a Igreja (5-11). Nesse hino Paulo fala do Cristo pré-existente (sempre existiu como eterno Filho de Deus), do esvaziamento da glória que lhe era peculiar, da sua encarnação, assumindo uma natureza humana limitada, da sua morte ignominiosa na cruz do Calvário (o Estado de Humilhação de Cristo) . Em seguida, nesse hino, Paulo fala do Estado de Exaltação de Cristo, quando lhe foi dado pelo Pai celestial um nome que está acima de todo outro nome quer nos céus quer na terra, e que toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai, falando do Cristo Senhor soberano do universo e da Igreja. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti