quinta-feira, 24 de julho de 2008

O tempo que nos resta

O homem foi feito por Deus para viver para sempre, mas por causa do pecado de nossos primeiros pais a morte, nas suas três dimensões (física, espiritual e eterna), entrou no cenário da vida humana. “Por um homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, a morte passou a todos os homens porque todos pecaram” Rm 5.12. O apóstolo Paulo ainda disse que o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). Na carta aos Hebreus encontramos que a morte física é um decreto de Deus para punir o pecado do homem. “... aos homens está ordenado morrerem uma só vez vindo depois disso o juízo” Hb 9.27.
A Bíblia ainda nos revela que Deus, na sua soberania, já determinou o dia e a hora em que todos irão morrer, ou seja, partir deste mundo para a eternidade, inclusive eu e você, caro leitor. “E de um só fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação” At 17.26. “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela” 1 Sm 2.6. “A duração da nossa vida é de setenta anos, e se alguns pela sua robustez chegam há oitenta anos, o melhor deles é canseira e enfado, pois passa rapidamente e nós voamos” Sl 90.10.
Diante do fato inexorável da brevidade da vida e da certeza da morte, resta-nos aceitar com resignação essa vontade de Deus revelada em Sua Palavra e que faz parte do cotidiano de todos os homens, e procurarmos aproveitar o tempo de vida que nos resta. Mas, como poderíamos aproveitar o tempo que nos resta aqui neste mundo sob a perspectiva da eternidade? Respondemos: Se se tratar de uma pessoa que ainda não tem a vida eterna proporcionada por Deus através de nosso Senhor Jesus, se faz necessário que ela reconheça que é pecadora e creia em Cristo e O aceite como Salvador. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no seu nome” Jo 1.12. Para aquelas pessoas que já são crentes em Cristo, que já são filhos de Deus por adoção em Jesus Cristo, elas devem parar de viver para si mesmas e procurar viver para a glória de Deus. Devem se desvencilhar daquelas coisas que entristecem ao Espírito Santo e procurar se consagrar ao Senhor e servi-lo com o tempo, a vida e os bens, através do ministério da Igreja local. “Para que, no tempo que vos resta na carne, não vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus” 1 Pe 4.2. Escrevendo aos Romanos, o apóstolo Paulo deixou-nos uma palavra poderosa sobre o assunto: “Rogo-vos, pois irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” Rm 12.1,2.
Assim sendo, aproveitemos corretamente o tempo que nos resta neste mundo, vivendo para a glória de Deus.

sábado, 19 de julho de 2008

O Crente Perde a Salvação?


Alguns grupos evangélicos ensinam que o crente perde a salvação, baseado na interpretação errônea de versículos isolados da Bíblia, tais como: Ap 3.5; Mt 10.22; Mt 25.30; Hb 6.4-6; Hb 10.29 e Sl 51.11. Tal ensino não está de acordo com o ensino geral das Santas Escrituras sobre o assunto. Considerando que a Bíblia não se contradiz, em virtude de ter sido verbal e plenariamente inspirada por Deus, conforme registros encontrados em 2 Tm 3.16 e 2 Pe 1.20, 21, é necessário que analisemos o assunto em seu escopo geral, conforme revelado na doutrina cristã.

A Bíblia é clara, em sua doutrina, em afirmar que a salvação do crente é eterna, não só no sentido de que o seu possuidor terá uma vida sem fim no porvir, mas também no sentido de que aquele que realmente a recebeu nunca mais a perderá. O Senhor Jesus afirmou categoricamente que “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” Jo 6.37.

A salvação do crente é eterna porque, no momento que ela vem à vida de uma pessoa, acontecem alguns atos instantâneos da graça de Deus, atos esses irreversíveis, porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento (Rm 11.29), cujas dimensões são eternas. Além disso, a salvação do crente não foi obra de um acaso, mas obedeceu a um plano previamente estabelecido por Deus, conforme o registro de Ef 1.4-12.

Vejamos algumas razões porque o crente não perde a salvação:

1º) O Crente foi escolhido (eleito) por Deus, para a salvação desde os tempos eternos

A Salvação do crente não foi obra do acaso, um caso fortuito, mas parte dum plano estabelecido por Deus antes que o mundo fosse mundo. Antes dos tempos eternos, Deus, no Seu propósito e graça, escolheu, de maneira soberana, sem depender de fé prevista ou boas ações, um grupo de pessoas, que é a Sua Igreja, para nele mostrar o beneplácito de sua Graça aos vasos de misericórdia, os quais preparou de antemão. Essa gloriosa doutrina chamada de Predestinação, refutada por alguns, mas nunca contestada eficazmente, que dá a Deus toda a glória pela redenção do homem, desde a procura de Deus pelas ovelhas perdidas, passando pela convicção de pecado, pela concessão da fé salvadora, pela chamada eficaz, pela salvação efetiva, pela perseverança do crente até o estado final de glorificação, é uma das grandes razões porque o crente jamais perderá a salvação. Vejamos alguns textos que sustentam a eleição da graça: “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conforme a imagem de seu filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou”. Rm 8.29-30. “Como também nos elegeu (escolheu) nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” Ef 1.4. “E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” Rm 8.28. “Mas nós devemos dar graças a Deus por vós, irmãos, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, mediante a santificação do Espírito e fé na verdade e para isso vos chamou pelo Evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo” 2 Ts 2.13, 14. “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos” 2 Tm 1.9. “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo...” 1 Pe 1.2. “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo” 1 Ts 5.9. “...e creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna” At 13.48. “E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido” Jo 6.65. “Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer...” Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim” Jo 6.44, 45. Ainda existe na Bíblia inúmeros textos que tratam do assunto da eleição do crente para a salvação, mas os citados são bastante para mostrar que a salvação para aquele que a recebe tem dimensão eterna e que jamais se perderá, uma vez que ela foi efetivamente concretizada.

2º) O Crente nasceu de Novo

No ato da conversão, uma nova vida foi gerada pelo Espírito Santo no interior do crente. A vida de Deus foi infundida na alma do homem pelo Espírito Santo, fazendo-a renascer e conseqüentemente transformando a pessoa em uma nova criatura. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” 2 Co 5.17. Essa vida tem dimensão eterna, isto é, quem nasceu de novo, do Espírito Santo, do alto, jamais morrerá espiritualmente nem eternamente. “Mas a todos quantos O receberam, aos que crêem no Seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade do varão, mas de Deus” Jo 1.12, 13. Paulo escrevendo a Tito nos revela como essa regeneração se processou na vida do crente: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente, ele derramou sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador,” Tt 3.5,6. Sobre esse novo nascimento, essa nova vida, o Senhor Jesus na conversa que teve com o doutor da Lei, Nicodemos, disse: “Em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus, o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. ... O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito” Jo 3.5-8. O apóstolo Pedro tratou do assunto numa de suas epístolas: “Pelos quais ele nos tem dado as suas preciosas e grandíssimas promessas, para que por elas vos torneis participantes da natureza divina...” 2 Pe 1.4. (Veja ainda 2 Co 3.18; Ef 4.24).

3º) O Crente foi adotado na Família de Deus

No ato da conversão, a pessoa, segundo o propósito eterno de Deus, é adotada como filho de Deus, pela fé no Senhor Jesus Cristo. Essa adoção é irrevogável e irretratável. Não há possibilidade do recuo de Deus porque Ele se interpôs com juramento, mesmo que um dos Seus filhos adotados não ande segundo o que Deus determinou em Sua santa Palavra. Uma vez filho, sempre e eternamente filho. O registro da adoção foi feito no cartório do Céu pelo próprio Deus. Vejamos os textos que tratam da adoção. “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder (direito) de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no Seu nome” Jo. 1.12. “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos Aba, Pai” Rm 8.15. “Porque todos vós os sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus”. Gl 3.26. “Para resgatar os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama: Aba, Pai” Gl 4.5,6. “E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo;...” Rm 8.17. “E nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de Sua vontade” Ef 1.5 (veja ainda Hb 12.5-8; 1 Jo 3.1, 2). Para os filhos que desobedecem a Palavra de Deus, o Pai Celestial tem um programa disciplinar, conforme Hb 12.5-11 que visa restaurar o filho a comunhão do Seu Pai celeste.

4º) O Crente foi selado e é habitado pelo Espírito Santo

No ato da salvação a pessoa é selada pelo Espírito Santo da Promessa, que passa a ser o penhor, isto é, a garantia daquela salvação dada por Deus. “No qual (Cristo) também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória” Ef 1.13, 14. Quando o crente falha, o Espírito Santo, que veio habitar nele no ato de sua salvação, entristece-se, mas não se retira dele porque Ele, segundo o eterno propósito divino, é a garantia da eterna redenção daquela pessoa. “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”. Ef. 4.30. No Antigo Testamento temos a informação de que o Espírito Santo afastava-se da pessoa que falhava, como no caso de Sansão e Saul, registrados em Juízes 16.20 e 1 Samuel 16.14, respectivamente, porque nesses casos Ele não habitava dentro da pessoa, e sim estava sobre elas. Sobre a presença do Espírito Santo dentro do crente, que é uma bênção exclusiva do plano redentor de Deus, é conveniente examinarmos os seguintes textos: “E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama Aba, Pai” Gl 4.6. “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” 1 Co 6.19 (veja ainda 1 Co 3.16; 2 Co 6.16). O Espírito Santo veio habitar para sempre no coração do crente, conforme a promessa do Senhor Jesus, registrada em João 14.16, 17: “E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conhecereis, porque habita convosco, e estará em vós”. (veja ainda Tg 4.5; Rm 8.9, 23).

5º) O Crente foi Resgatado

Éramos escravos do pecado e filhos da ira, mas graças ao Evangelho, no momento em que cremos, fomos resgatados, isto é, houve uma transação, Jesus pagou o preço de nossa redenção. Fomos comprados, remidos por bom preço, o preço do sangue de Jesus. Deus nos arrebatou das garras do pecado e do maligno e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor. Hoje, em Cristo, estamos assentados nas regiões celestiais. Esse resgate aconteceu só uma vez na vida do crente, isto é, no ato de sua conversão. “Cuidai, pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que Ele adquiriu (resgatou) com seu próprio sangue” At 20.28. “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo” 1 Pe 1.18, 19. “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo” 1 Co 6.20. “E cantavam um cântico novo, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo e nação” Ap 5.9 (veja ainda Ef 1.7; 1 Tm 2.6; Rm 3.24).

6º) O Crente foi Justificado diante de Deus

“A justificação é o ato judicial de Deus, mediante o qual aquele que deposita sua confiança em Cristo é declarado justo a Seus olhos, e livre de toda a culpa e punição”. “A justificação começa com o presente na vida do crente, e se estende em duas direções: o passado e o futuro, tratando do pecado e da culpa, de ambas, judicialmente, e estabelece o crente eternamente justo na presença de Deus”. O ato da justificação é imputado pelo próprio Deus ao crente, e a partir daquele ato Deus olha o crente por intermédio do Senhor Jesus Cristo, que é a nossa justiça. Por fraqueza o justo pode até cair em pecado, mas não perderá a posição de justo, outorgada por Deus. O próprio Deus, pelo Seu Espírito, encarregar-se-á de restabelecer a vida daquele que foi justificado. “Porque sete vezes cai o justo, e se levanta...” Pv 24.16. “Aos justos nasce luz nas trevas...” Sl 112.4. “... mas o Senhor sustém os justos” Sl 37.17. A bênção da justificação acompanhará o crente por toda a eternidade, independente de toda e qualquer falha que tenha cometido depois de sua conversão. Vejamos alguns textos que tratam da justificação do crente: “E de todas as coisas de que não pudestes ser justificados pela lei de Moisés, por Ele (Cristo) é justificado todo o que crê” At. 13.39. “Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” Rm 5.1. “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” Rm 3.24. “Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei;...” Gl 2.16. A bênção da justificação é tão grande na vida de um crente que está revelado na Palavra: ”quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica” Rm 8.33. A Bíblia diz que Jesus é o justificador do crente. “Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador daquele que tem fé em Jesus” Rm 8.26.

7ª) A Salvação do Crente está assegurada em Cristo

Se a nossa salvação dependesse de nós certamente que não teríamos condição alguma de permanecer de posse dela, isso devido à natureza adâmica que ainda permanece no crente, e que é propensa ao pecado. A pessoa de bom senso, que tem a mente iluminada pelo Espírito Santo, sabe que a natureza adâmica o acompanhará até a morte. A Bíblia em Tiago 3.2 diz que “todos nós tropeçamos em muitas coisas”, e em 1 Jo 1.8 que “se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós”. O apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos, precisamente no capítulo 7, versículo 7 a 25, mostra a luta espiritual que existe em todo servo de Deus, devido ainda habitarmos num corpo mortal e propenso ao pecado. Diante do exposto, concluímos que jamais o homem pode assegurar a sua salvação em si mesmo, mas graças a Deus, a nossa salvação, ou melhor, a permanência da salvação em nós está assegurada exclusivamente em Cristo. Eis uma das grandes razões porque o crente não perde a salvação se, porventura, vier a cometer alguma falha. No momento que fomos a Cristo e O aceitamos como Único, Suficiente e Eterno Salvador, Ele nos acolheu, transformou a nossa vida, nos adotou em Sua família, nos deu do Seu Espírito, nos selou, nos resgatou, nos justificou e nos deu o dom da permanência ou da perseverança. É Cristo o grande arquiteto, executor e o sustentador de nossa redenção eterna. “Todo o que o Pai me dá virá a mim: e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” Jo 6.37. “E a vontade do Pai que me enviou é esta: que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia” Jo 6.39, “Manifestei o Teu nome aos homens que do mundo me deste; eram Teus, e Tu mos deste, para que sejam um, assim como nós. Estando eu com eles no mundo, guardava-os em Teu nome. Tenho guardado aqueles que me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse” Jo 17.12. Eu não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela Tua palavra hão de crê em mim” Jo 17.19. O Senhor Jesus quando assunto ao Céu, mediante a Sua poderosa intercessão, continua a guardar os Seus. “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” Hb 7.25.

O Crente não pode perder a salvação porque Jesus é o fiador, isto é, aquele que garante eficazmente a transação feita entre o homem e Deus no ato da salvação. “De tanto melhor concerto Jesus foi feito fiador” Hb 7.22.

Amados, considerando as razões citadas, não temos dúvida nenhuma de que a nossa salvação é eterna, também no sentido de que o seu possuidor jamais a perderá, isto porque os “dons e a vocação de Deus são sem arrependimento”, isto é, irretratáveis” (Rm 11.29).

Agora, queridos, é conveniente lembrar que a segurança eterna não é nenhum cartão de autorização para que o crente faça o que quer, muito pelo contrário, todo aquele que é efetivamente salvo procura viver uma vida de santidade. O apostolo João em sua primeira carta nos diz que aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado pois nele permanece a divina semente (1 Jo 3.9; 5.18).

“Graças a Deus pelo Seu dom inefável” 2 Co 9.12.

Pecadinho, Pecado, Pecadão?


Muita gente acha que existe uma gradação quando se trata do pecado, ou seja, existem pecados pequeninhos, pecados mais ou menos e pecados graves, mas não é isto que as Sagradas Escrituras nos ensinam. Na Teologia encontramos uma definição de pecado que, a nosso ver, está em consonância com as Escrituras: “Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus ou a transgressão dessa lei”. Observem que nesse conceito uma palavra se destaca para aquilo que queremos mostrar que é a palavra “qualquer”. Para Deus a desobediência a qualquer de seus mandamentos constitui-se pecado. Seja matar, roubar, adulterar ou a não obediência da mulher ao seu marido ou ainda a não obediência dos filhos aos seus pais. É tão grave aos olhos de Deus a pessoa tomar o nome de Deus em vão como falar mal de seu irmão ou ainda deixar de fazer aquilo que Deus ordenou em sua Palavra como, por exemplo, pregar o Evangelho, ser cheio do Espírito Santo,...

Considerando a santidade de Deus, a sua pureza plena, qualquer coisa que pensamos, praticamos ou deixamos de fazer que vá de encontro a Sua Palavra isto é uma afronta ao caráter santo de Deus. “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a vexação não podes contemplar” Hc 1.13

No Antigo Testamento, certos pecados eram punidos com a morte como, por exemplo, matar alguém, adulterar, profanar o sábado, blasfemar do nome de Deus, etc., Não se punia com a morte os pecados de roubar, de não entregar o dízimo do Senhor, casar-se com estrangeiras, etc., não porque fosse espiritualmente menos grave do que os outros, pois, espiritualmente, pecado sempre foi pecado e uma vez cometido gera a morte (Tg 1.15). Para Deus tudo aquilo que vá de encontro a sua Palavra, fere a sua santidade, magoa o seu coração, constitui-se grave pecado aos seus olhos.

A pena máxima visava purificar o povo de Israel e facilitar a sua convivência com Deus e de uns com os outros. Convém também explicar o tal pecado para a morte que a Bíblia diz que não orássemos por ele (1 Jo 5.16). Esse tipo de pecado é cometido pelo falso crente, por aquele que abandona a fé cristã, por aquele que ainda está morto espiritualmente. Há ainda o pecado que não tem perdão, a blasfêmia contra o Espírito Santo (Mt 12.31,32). Esse pecado é a resistência do ímpio à ação do Espírito, que quer levá-lo a fé em Cristo, é a recusa deliberada do indivíduo em acreditar que Jesus é o Salvador, desprezando assim aquilo que é mais caro aos olhos de Deus.

Pensemos, agora, irmãos, um pouco naquilo que aparentemente são pequenos deslizes, mas, que são pecados e entristecem ao Espírito Santo, como por exemplo: a língua ferina, a avareza, a prepotência, não respeitar os ministros do Senhor, tratar os outros mal, guardar ira no coração, não entregar corretamente o dízimo do Senhor, não consagrar a vida a obra de Deus, etc. Isso tudo se constitui pecado e impede uma ação poderosa de Deus no meio da Igreja. São essas e outras as “raposinhas” que destroem a vinha do Senhor.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Reflexões sobre a Escatologia

Escatologia Individual (I) – A Morte

No estudo da Teologia Sistemática encontramos, dentre outros temas, a Escatologia, ou seja, o estudo das Últimas Coisas ou a Doutrina das Últimas Coisas. Dentro do estudo da Escatologia encontramos diversos temas, como por exemplo: A Morte e o Estado Intermediário (Escatologia Individual), a Segunda Vinda do Senhor, a Grande Tribulação, o Arrebatamento da Igreja, o Reino Milenial, a Ressurreição Corporal, o Julgamento Final e o Estado Eterno (Escatologia Geral).
Começaremos nesses artigos a falar sobre a morte que é o primeiro tema da Escatologia Individual.
Deus, ao criar o homem, deu-lhe uma ordem de que poderia comer de todos os frutos das árvores do Jardim do Édem menos o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Disse ainda Deus que se o homem comesse desse fruto certamente morreria (Gn 2.15-17). Enganado pelo diabo o homem comeu do fruto proibido, pecando contra Deus, desobedecendo a Sua ordem e atraindo sobre si e sobre todos os seus descendentes a morte como conseqüência do seu pecado (Gn 3.1-24). Mais tarde escrevendo aos Romanos o apóstolo Paulo disse que por um homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte e que essa morte passou a todos os homens porque todos pecaram em Adão. (Rm 5.12). Disse ainda Paulo que “O salário do pecado é a morte” Rm 6.23.
A morte na perspectiva bíblica tem três dimensões, a saber: a morte espiritual – a separação do homem de Deus (Romanos 3.23; Efésios 2.1;...); a morte física – a separação da alma ou espírito do corpo (Eclesiastes 12.7; Tiago 2.26,...); e a morte eterna – a eterna separação do homem de Deus (2 Tessalonicenses 1.9, Salmo 9.17,...). Todas as pessoas que nascem, por causa do pecado, já nascem mortas espiritualmente. Veja Romanos 5.12. A morte física é uma experiência que dispensa comentários, porque está no cotidiano da vida do homem. A morte eterna dar-se-á quando o homem morre fisicamente estando afastado espiritualmente de Deus.

Escatologia Individual (II) – O Estado Intermediário

O Estado Intermediário é o segundo e último tema tratado pela Escatologia Individual, e é o estado que o individuo experimentará no período de tempo entre a sua morte física e a sua ressurreição corporal.
Por causa da escassez de material bíblico surgiram diversas heresias quanto ao assunto: o sono da alma, o purgatório, a teoria do aniquilamento, etc, mas o material bíblico existente nos dá uma idéia clara desse assunto.
Por ocasião da morte física, a parte espiritual do homem (alma ou espírito) se projetará na eternidade e será recolhida em um dos dois lugares distintos no outro lado da vida onde subsistirão até o dia da ressurreição dos seus corpos: uns descansarão no paraíso na presença de Deus e outros sofrerão num lugar afastado de Deus.
Na parábola do rico e Lázaro proferida pelo Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo, (Lucas 16.19-31), encontramos a revelação do estado das almas no Estado Intermediário, e que essas almas em estado de consciência, estão sofrendo (o ímpio ou o descrente) (Lc 16.23,24,27,28,30) ou gozando (o justo ou o crente em Cristo) (Lc 16.25). (Em relação ao estado intermediário dos salvos leia ainda Hb 12.23 e Ap 6.9—11), aguardando o grande dia da Segunda Vinda do Senhor quando ressuscitarão para comparecem diante de Deus (os salvos para serem galardoados e os ímpios para serem julgados e definitivamente condenados) e definidamente irem para o lugar reservado para elas (Céu ou Inferno). Diz ainda a Bíblia que esses estados no Estado Intermediário são definidos não havendo possibilidade de ser alterados. Isto quer dizem que quem partir deste mundo salvo, salvo continuará nele. Quem partir perdido, perdido continuará até o julgamento final.

Escatologia Geral (I) - A Segunda Vinda do Senhor

Dando continuidade ao estudo da Escatologia trataremos nos itens seguintes os temas identificados na Escatologia Geral (a Segunda Vinda do Senhor, o Arrebatamento da Igreja, a Grande Tribulação, o Reino Milenial, a Ressurreição Corporal, o Julgamento Final e o Estado Eterno).
Neste artigo, abordaremos a Segunda Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo que é o primeiro evento estudado pela Escatologia Geral. A Segunda Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo é, dentro dos eventos escatológicos, o mais bem documentado do Novo Testamento. Em quase todos os livros dessa porção das Escrituras temos pelos menos um registro desse glorioso evento. Três palavras foram usadas pelos escritores do Novo Testamento quando faziam referência a Segunda Vinda do Senhor: Parousia (1 Ts 3.13; 4.15; ...) que tem o sentido transliterado de presença, vinda, chegada; Apocalipse (1 Co 1.7; 2 Ts 1.6,7; 1 Pe 4.13; ...) que significa revelar, trazer à luz aquilo que estava oculto; e Epifania (1 Tm 6.14; 2 Tm 4.8; Tt 2.13,14; ...) que significa aparecimento.
O Senhor Jesus, ao longo de seu ministério terreno, já vinha profetizando que depois que realizasse a obra redentora e voltasse ao Pai, aos Céus, voltaria a este mundo para buscar a Sua Igreja, que resgatara com o Seu precioso sangue. Em João 14.2, encontramos uma dessas profecias: "E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também".
A segunda vinda do Senhor é o próximo grande evento escatológico tendo como conseqüência imediata o Arrebatamento da Igreja. O apóstolo Paulo escrevendo aos Tessalonicenses explica como acontecerá esse tão esperado evento: "Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor" 1 Ts 4.16,17.
A segunda vinda do Senhor Jesus tem algumas características que precisam ser conhecidas de todos: A primeira delas, é que será uma vinda pessoal. O texto de Tessalonicenses diz que o Senhor mesmo descerá dos céus. Em Atos 1.11 encontramos dois anjos dizendo aos discípulos do Senhor: "Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir". A segunda característica é que será uma vinda física e, conseqüentemente, visível, ou seja, o Senhor Jesus voltará com o corpo que ressuscitou dos mortos, dando ensejo para que todos O possam ver: "Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o transpassaram; ..." Ap 1.7. "Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu,..." Mt 24.30. A terceira característica é que será uma vinda gloriosa. Jesus veio a primeira vez em humilhação, mas virá a segunda vez com poder e grande glória. "... e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória" Mt 24.30. " E, quando o Filho do Homem vier em sua glória, e todos os santos anjos, com ele, então, se assentará no trono da sua glória" Mt 25.31.
Quanto à data da Segunda Vinda não nos foi revelado nem pelo Senhor nem pelos Seus apóstolos. O Senhor Jesus disse que daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos nem o próprio Filho como homem sabia (Mt 24.36; 25.13; ...). É uma data da exclusiva competência de Deus. A Igreja não está autorizada a marcar a data da Segunda Vinda do Senhor. Todos que se aventuraram a datar esse grandioso evento ficaram decepcionados, pois entraram numa área que não lhes competia e sim a Deus.
Quando a época da Segunda Vinda, em relação ao período tribulacional, existem pelos menos três posições escatológicas: O Pré-Tribulacionismo que ensina que a Segunda Vinda do Senhor, e o conseqüente Arrebatamento da Igreja, ocorrerão antes do estabelecimento da Grande Tribulação. O Meso -Tribulacionalismo que prega que a Segunda Vinda do Senhor e o conseqüente Arrebatamento, ocorrerão no meio do período tribulacional e o Pós – Tribulacionismo que ensina que a Segunda Vinda do Senhor ocorrerá logo após a Grande Tribulação.
Amados irmãos, a segunda vinda do Senhor Jesus é certa, preparemo-nos, portanto, para esse grande evento a fim de sermos achados por Ele em paz e em santidade.

Escatologia Geral (II) – O Arrebatamento da Igreja

Dando continuidade ao estudo da Escatologia Geral, trataremos neste artigo sobre o Arrebatamento da Igreja que é a segunda coisa que deve acontecer no plano escatológico de Deus.
O Arrebatamento da Igreja foi profetizado pelo Senhor Jesus Cristo em Jo 14.3: “E quando eu for e vos preparar lugar virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também”. Paulo tratou também do assunto em 1 Ts 4.17: “Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor”. Em 2 Ts 2.1, Paulo falou da nossa reunião com Cristo na sua segunda vinda. “Ora, irmãos, rogamos-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele”.
No arrebatamento da Igreja, três coisas irão acontecer seqüencialmente: a) A ressurreição dos crentes falecidos – “Os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” 1 Ts 4.16; b) A transformação dos crentes vivos – “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” 1 Co 15.51,52; c) O encontro da Igreja com Cristo no céu atmosférico – “Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares,...” 1 Ts 4.17.
Observemos amados que o arrebatamento da Igreja está intimamente ligado à segunda vinda de Jesus Cristo. No devido momento os céus se abrirão e o Senhor Jesus descerá em glória para buscar a sua Igreja, que Ele resgatou com o seu precioso sangue. Preparemo-nos, portanto, para esse glorioso evento.

Escatologia Geral (III) – A Grande Tribulação

Dando continuidade aos assuntos baseados no tema geral da Escatologia Geral, trataremos neste artigo do terceiro acontecimento previsto no programa escatológico de Deus que é a Grande Tribulação ou o Período Tribulacional.
Antes mesmo de o assunto ser tratado no Novo Testamento, os profetas antigos já fazia menção ao “grande e terrível dia do Senhor”, dia esse ou período de tempo em que a humanidade sofreria os terríveis castigos de Deus (Jl 2.31; Ml 4.5;...).
O Senhor Jesus em seu sermão escatológico registrado nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, falou sobre um período de tribulação para todos, o qual nunca aconteceu antes nem acontecerá depois dele e que se não fora abreviado por causa dos eleitos, ninguém escaparia. “Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tão pouco há de haver”. Mt 24.21. Falando a Igreja de Filadélfia (Ap 3.10) o Senhor Jesus disse que guardaria a Igreja da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro para provar os que habitam na face da terra.
Esse Período Tribulacional corresponde aos juízos de Deus que serão derramados no mundo através dos sete selos, das sete trombetas e das sete taças previstos no livro de Apocalipse, como manifestação da ira de Deus sobre o mundo iníquo (Apocalipse 6 a 18).
No estudo da Escatologia discute-se se a Igreja irá passar pela Grande Tribulação ou não. Um grupo de teólogos acha que ela não irá passar pela Grande Tribulação, sendo arrebatada antes da sua instalação – são os Pré-Tribulacionistas. Outros admitem que a Igreja seja arrebatada no meio da Grande Tribulação – são os Meso-Tribulacionistas, e ainda outros pensam que a Igreja irá passar por esse Período, mas que será preservada por Deus dos juízos que serão derramados sobre todos – esses são os Pós-Tribulacionistas. Ainda se discute quando será a Grande Tribulação. Uns acham que ela já aconteceu no primeiro século – são os Preteristas. Outros acham que ela aconteceu ao longo da história – são os Historicistas e outros acham que ela será um acontecimento futuro – são os Futuristas.
É melhor pensar que o período tribulacional é um período de tempo concentrado de juízo sobre um mundo incrédulo e perverso e que não aconteceu ainda, apesar de Deus sempre ter tratado os pecados dos homens através de seus justos juízos ao longo da História, pois o Senhor Jesus disse que nunca aconteceu algo similar a esse período nem antes dele nem depois.
Quanto ao arrebatamento da Igreja em relação ao período tribulacional é melhor pensar, já que o mesmo ocorrerá concomitantemente com a segunda vinda do Senhor, que ele acontecerá após a Grande Tribulação, pois Paulo escrevendo aos tessalonicenses disse que a segunda vinda não ocorrerá antes de vir a apostasia e a manifestação do anticristo, coisas essas previstas no período tribulacional (2 Ts 2.1-12).

Escatologia Geral (IV) – O Reino Milenar

O quarto tema a ser tratado no programa escatológico de Deus, segundo as Escrituras, é o Reino Milenar ou o Milênio.
Os profetas antigos previram um tempo em que Deus iria implantar um reino, através de um representante seu onde imperasse a paz, a justiça e a prosperidade (Isaías 11; ...). Esse representante seria da casa real de Davi – o Messias. “Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre” 2 Sm 7.16. Esse reino iria submeter todos os reinos do mundo, que passariam para o seu controle. “Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu, levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo, esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido para sempre” Dn 2.44 (Veja ainda Dn 7.13,14, 27).
Devido à reiterada ênfase nesse reino nos escritos do Antigo Testamento, na época em que Jesus viveu neste mundo havia uma expectativa muito grande, por parte dos judeus, quanto à sua implantação. “Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?” Atos 1.6.
A expressão milênio foi tirada do texto de Apocalipse 20.1-4, onde há uma referência a um reino de mil anos, onde são mencionados os salvos ou a Igreja e Cristo, o Rei.
Os estudiosos bíblicos se dividem quanto à interpretação do Milênio, havendo três escolas de interpretação: 1) Existem aqueles que interpretam o Milênio como um reino literal, cuja capital será Jerusalém e que o rei Jesus governará o mundo com a Igreja e que esse reino durará mil anos. Acreditam, eles, que a segunda vinda de Cristo inaugurará o Reino Milenial – são os pré-milenistas; 2) Outros entendem que o Milênio não é necessariamente um período de mil anos e sim um período de tempo indeterminado em que as instituições sociais do mundo inteiro serão melhoradas, graças à poderosa ação do Evangelho, trazendo para o mundo um período de paz, justiça e prosperidade nunca visto, e que a segunda vinda do Senhor dar-se-á logo após esse período – são os pós-milenistas; Outros entendem que a mensagem do livro de Apocalipse é apresentada de forma simbólica, portanto, não se pode entender o Milênio como um reino literal e sim de natureza espiritual, símbolo da vida perfeita dos crentes nos céus. Esse grupo diz ainda que o Milênio seja o símbolo do reino de Cristo no coração dos crentes, fazendo-os gozar de paz com Deus, alegria e felicidade plena – são os amilenistas.
Considerando que a mensagem do livro de Apocalipse nos é apresentada de forma simbólica, e que a única referência a um reino de mil anos se encontra nele, é melhor optar pela linha amilenista por uma questão básica de coerência na interpretação desse precioso livro. Com isso descartamos a idéia de um milênio literal bem como a idéia de um milênio produzido pela pregação do Evangelho, tendo em vista que a Bíblia nos diz que, na medida em que se aproxima o fim de todas as coisas, o mundo piorará. Deve-se considerar, também, que uma opção literal do Milênio tem que se pensar nesse reino também para o estado israelita da atualidade, o que é incoerente dentro do esquema geral das Escrituras, que contempla os remanescentes judeus com as bênçãos celestiais no programa geral da Igreja, que é formada de judeus e gentios.

Escatologia Geral (V) - A Ressurreição dos Mortos

No programa divino está previsto que os mortos, tanto os salvos como os perdidos, ressuscitarão, os primeiros com corpos glorificados e os outros com corpos especiais, para puderem usufruir plenamente do gozo eterno ou suportar o juízo eterno, respectivamente.
O ser humano foi constituído por Deus de uma parte material (o seu corpo) e uma parte imaterial (a sua alma chamada também de espírito). “Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” Gn 2.7. O pecado de nossos primeiros pais atingiu a alma e o corpo do ser humano. Tanto um como o outro sofreram as conseqüências do pecado de Adão. “Por um homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte; e a morte passou a todos os homens porque todos pecaram” Rm 5.12.
Ainda segundo o plano eterno de Deus, o homem integral (corpo e alma ou espírito) é responsável pelos seus atos morais praticados durante a sua existência neste mundo, gozando plenamente das bênçãos do Evangelho ou padecendo plenamente longe de Deus, no Estado Eterno, dependendo de sua decisão neste mundo de aceitar a Cristo como Salvador e Senhor de sua vida.
O Evangelho promete para o homem além da salvação de sua alma a ressurreição do seu corpo, glorificado, quando do segundo advento de Cristo. “Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” 1 Ts 4.16. Escrevendo aos coríntios em sua primeira carta, o apóstolo Paulo discorreu num longo capítulo sobre a ressurreição dos crentes falecidos com corpos glorificados (1 Co 15.1-58). Escrevendo aos filipenses Paulo disse que o corpo dos crentes será transformado num corpo semelhante ao corpo de Cristo quando ressuscitou dos mortos, com as mesmas propriedades (Fp 3.20,21).
A doutrina da ressurreição tem respaldo tanto no antigo como no Novo Testamento. No Antigo Testamento encontramos o profeta Daniel dizendo sobre o assunto: “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno” Dn 12.2. No Novo Testamento o Salvador disse, num de seus sermões o seguinte: “Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” Jo 5.28,29. Paulo explora profundamente o tema na sua primeira carta aos Coríntios, inclusive, dizendo que os crentes que estiverem vivos no dia da Segunda Vinda do Senhor, terão os seus corpos mortais revestidos de imortalidade, ou glorificados. Isto quer dizer que tanto os mortos salvos ressuscitados como os salvos que estiverem vivos terão corpos glorificados, semelhantes.
Quanto aos mortos que não são salvos, ressuscitarão também com corpos especiais, capazes de suportar o juízo divino, e com esses corpos sofrerão eternamente. Falando sobre o juízo final, o autor de Apocalipse assim se expressou: “O restante dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos... ” Ap 20.5. Veja ainda o que Daniel falou e o que também falou o Senhor Jesus no parágrafo anterior.

Escatologia Geral (VI) – O Juízo Final

O Juízo Final é o sexto tema a ser tratado no programa escatológico de Deus, segundo as Sagradas Escrituras.
A Bíblia Sagrada nos revela que na consumação de todas as coisas o ser humano, todos eles, exceto a Igreja, irão se apresentar diante de Deus para dar conta de sua mordomia (suas ações, suas palavras, seus bens, enfim, de sua vida). “E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras” Ap 20.11,12. (Veja ainda At 17.30,31).
A primeira coisa a ser considerada no estudo deste tema é que Deus, por ser o criador do homem, tem o direito de exigir dele a responsabilidade pelos seus atos praticados nesta vida. A segunda coisa é que o ser humano, como criatura que é, é moralmente responsável pelos seus atos diante de Deus e deles dará contas no dia do Juízo Final.
A doutrina do juízo final é embasada tanto pelas Escrituras do Antigo como do Novo Testamento (Sl 96.13; 98.9; Ec 3.17;...; At 17.31; Rm 2.16; 2 Ts 2.12; 1 Pe 4.5; Ap 11.18;...), sendo, portanto, uma doutrina bastante consolidada, dada à abundância de material bíblico.
No Juízo Final todos os seres humanos que serão julgados terão corpos especiais capazes de suportar o castigo ou punição que será distribuído por Deus. “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno” Dn 12.2. “porque vêm à hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação” Jo 5.28,29.
No Julgamento Final o Juiz será o Senhor Jesus Cristo. “Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos” At 17.31. A Igreja glorificada nos céus também tomará parte nesse julgamento. “Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo”?... Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos?... 1 Co 6.2,3.
Os julgados serão condenados e banidos para sempre da presença de Deus, indo sofrer a punição eterna por causa do pecado, no inferno, lugar de sofrimento e dor. “Os quais por castigo padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder” 2 Ts 1.9. “Os ímpios serão lançados no inferno e todas as gentes que se esquecem de Deus” Sl 9.17.
Satanás e seus anjos serão, também, julgados no dia do Juízo Final, e serão lançados no inferno, que foi preparado para eles. “Então dirá também aos que estiverem a sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” Mt 25.41.
Tratando-se dos salvos, os seus pecados já foram julgados em Cristo na cruz do Calvário, sendo os mesmos perdoados e justificados pelos méritos do Salvador, não havendo mais condenação para eles. “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito” Rm 8.1. Segundo a Bíblia, o único julgamento dos crentes é o referente à distribuição de galardões pelo serviço prestado ao Senhor (Rm 14.10; 1 Co 3.13,14; 15.58; 2 Co 5.10).

Escatologia Geral (VII) – O Estado Eterno

O último tema a ser tratado na Escatologia Geral é o Estado Eterno, ou seja, a consumação de todas as coisas, quando tudo será definido e continuará permanentemente sem alteração. O plano eterno de Deus em relação as suas criaturas morais tem início meio e fim. A execução do plano começou quando da criação dos seres morais - anjos e homens, e continuará até a consumação no futuro, numa época já definida pelo Todo-poderoso. Esse Estado Eterno envolve os seres morais (anjos e homens) e, evidentemente, a santíssima Trindade. Esse período se instalará logo após o Juízo Final, depois que o Senhor julgar os seres humanos e os anjos.
A Bíblia Sagrada nos fala deste assunto nestes termos: “Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora o último inimigo que a de ser aniquilado é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará aquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos” 1 Co 15.24-28.
A Bíblia diz que quando da consumação de todas as coisas os crentes com seus corpos glorificados estarão para sempre com o Senhor (1 Ts 4.17), gozando plenamente da beatitude eterna, daquelas coisas preparadas por Deus para eles antes da fundação do mundo (1 Co 2.9). Diz ainda a Bíblia Sagrada que os descrentes padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e da glória do seu poder (2 Ts 1.9). Dos anjos diz a Bíblia que após o julgamento final o Diabo e seus anjos serão lançados no inferno quando, junto com os ímpios, e serão atormentados para todo o sempre (Ap 20.10).
Este mundo como nós o conhecemos será destruído (purificado) por fogo e Deus reorganizará as coisas criando novos céus e nova terra. “Mas o céu e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios... Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há, se queimarão... Aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão. Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra em que habita a justiça” 2 Pe 3.7-13.
No livro de Apocalipse (21.1-4) nos é dito o seguinte: “E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem prato, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas”.

terça-feira, 1 de julho de 2008

A Doutrina da Igreja

No estudo da Teologia Sistemática encontramos uma área que contempla o estudo acerca da Igreja, conhecida pelo nome de ECLESIOLOGIA.
A palavra Igreja vem do grego (ekklesia) e significa assembléia. O termo é tirado da cultura grega antiga quando os cidadãos eram chamados para fora de suas casas a fim de se reunirem em assembléia, em praça pública, para tratarem de assuntos da comunidade.
A Igreja que é uma instituição divina (Mt 16.18; At 20.28; 1 Pe 5.2,3; 1 Tm 3.15) divide-se em Igreja Universal ou Invisível e Igreja Local ou Visível. Por Igreja Universal entende-se o conjunto de salvos em todas as épocas, de todos os lugares, inclusive aqueles que ainda hão de ser salvos por Cristo. Por Igreja Local entende-se um conjunto de crentes em Cristo, congregados em uma determinada localidade, com os seus pastores e oficiais, que pratica as ordenanças deixadas por Jesus (Batismo Cerimonial e Ceia Memorial) e celebram ao Senhor adorando, edificando-se espiritualmente, proclamando o evangelho e cuidando dos santos necessitados.
Na Bíblia se encontram diversas figuras de linguagens usadas para identificar a Igreja: povo (1 Pe 2.9), corpo (Cl 1.18), templo (1 Co 3.16), entre outras.
A Igreja tem como atribuições que devem ser executadas neste mundo: Celebrar cultos ao Senhor (Jo 4.23,24); Promover a Edificação espiritual dos seus membros (Ef 2.21,22); Proclamar o Evangelho aos perdidos (Mc 16.15,16); e Cuidar dos crentes necessitados (Gl 6.10).
Três tipos de governos de Igrejas são usados pelos cristãos: o Episcopal (Os bispos da Igreja é que a governa); o Presbiteriano (governo feito pelos Presbíteros da Igreja, sendo o Pastor um dos Presbíteros e o presidente do Conselho); e o Congregacional (a Igreja governa-se a si mesma através de suas assembléias regulares, sendo que os Pastores e oficiais recebem da assembléia delegação para dirigi-la em suas áreas de competência).
Os oficiais da Igreja são divididos em extraordinários (apóstolos, profetas, evangelistas, mestres) e os oficiais ordinários (Pastores, Presbíteros e Diáconos). Aos Pastores Deus deu a direção de uma Igreja local, sendo auxiliado pelos Presbíteros no pastoreio da mesma (At 20.28) e pelos Diáconos na área de temporalidades da Igreja (At 6.2-4).
Duas ordenanças o Senhor Jesus deixou para ser observada pela Igreja: O Batismo Cerimonial e a Ceia Memorial. O batismo deve ser administrado aos novos crentes, com água, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, como testemunho de sua fé em Cristo (Mt 28.18-20). A Ceia deve ser celebrada periodicamente pela Igreja com a finalidade de manter viva a memória da morte redentora de nosso Senhor Jesus Cristo (Mt 26.26-30).
À Igreja Deus deu autoridade para julgar os seus membros faltosos. Essa disciplina divide-se em Formativa, Corretiva e Cirúrgica. A Formativa é feita através da ministração da Palavra de Deus. A Corretiva visa corrigir falha visível na vida dos crentes, e geralmente, implica na suspensão temporária de seus direitos como membro de uma Igreja. A Cirúrgica é aplicada quando da existência de falha gravíssima, principalmente, quando a pessoa não se arrepende dos seus erros ou apostata da fé.
É dever de todo o membro de uma Igreja local participar ativamente de seu ministério, freqüentando regularmente as suas reuniões, contribuindo financeiramente (dízimos e ofertas), orando e obedecendo aos Pastores, como Ministros de Deus.

A CEIA DO SENHOR

O nosso Senhor Jesus na noite em que foi traído instituiu a Ceia Memorial, logo após celebrar a páscoa judaica. Os registros bíblicos sobre a instituição e celebração da Ceia encontram-se nos evangelhos sinóticos (Mateus 26.26-30; Marcos 14.22-26; Lucas 22.14-20) e na primeira carta de Paulo aos Coríntios 11.23-32.
Na instituição da Ceia, o Senhor Jesus utilizou-se de dois elementos que estavam presente na celebração da páscoa: o pão e o vinho. Ao tomar o pão o Senhor Jesus deu graças e o partiu entregando-o aos discípulos dizendo esta celebre expressão: Tomai e comei isto é o meu corpo fazei isto em memória de mim. Logo após comerem o pão, o Senhor tomou o vinho e disse aos seus discípulos: Bebei dele todos, pois isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança que é derramado em favor de muitos.
O pão e o vinho quando da celebração da Ceia adquirem uma representatividade: o pão representa o corpo do Senhor Jesus que foi supliciado na cruz do Calvário e o vinho representa o Seu precioso sangue que foi derramado para a eterna redenção dos escolhidos de Deus e para a contínua purificação de seus pecados.
Aos ministros do Senhor, devidamente credenciados, foi dada a autorização para celebrarem a Ceia do Senhor.
Só os crentes em Cristo, batizados cerimonialmente com água em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, e que estejam em comunhão com Deus e com a Igreja que pertence, é podem participar da Ceia.
À Igreja Deus deu autoridade para determinar a periodicidade da celebração da Ceia do Senhor. Nós, como Igreja organizada que somos, determinamos que essa celebração devesse ser realizada, a priori, no primeiro domingo de cada mês.
Há uma controvérsia no meio teológico quanto à celebração da Ceia no que se refere à expressão “isto é o meu corpo” e “isto é o meu sangue”. A Igreja Católica ensina que quando da consagração dos elementos pão e vinho, eles se transformam, respectivamente, no corpo e no sangue de Cristo (Transubstanciação). A Igreja Luterana ensina que a presença real de Cristo está nestes dois elementos depois de consagrados, mas o pão continua sendo pão e o vinho continua sendo vinho (Consubstanciação). Um segmento das Igrejas Reformadas segue o pensamento Calvinista que ensina que Cristo está presente espiritualmente nos elementos pão e vinho. Outras Igrejas Reformadas, inclusive a nossa, seguem o pensamento de Zwinglio, reformador suíço, que ensinou que a Ceia é o símbolo memorial da morte redentora de Cristo, isto quer dizer que o pão e o vinho não se transformam no corpo e no sangue de Cristo como pregam os católicos, nem que a presença real nem espiritual de Cristo está nos elementos como ensinam os luteranos e um segmento das Igrejas reformadas e sim que a Ceia, em sua totalidade, é o grande símbolo memorial da obra redentora do Salvador. A argumentação de Zwinglio foi baseada na expressão “em memória de mim” e que se é em memória, dizia Zwinglio, a pessoa do Redentor não estaria presente nos elementos da Ceia e muito menos em sua transformação no corpo e no sangue de Cristo, visto que o Senhor está nos céus, à direita de Deus.
Ainda quanto à participação dos crentes na Ceia do Senhor os mesmos devem fazê-lo com a compreensão correta do seu significado e com a consciência tranqüila. O apóstolo Paulo ensina que participar da Ceia dignamente traz benção para a vida do crente e que participar indignamente traz juízo de Deus. Nenhum crente deve se privar da Ceia exceto se estiver sob disciplina da Igreja, pois ela é uma ordenança do Senhor Jesus.