sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Uma panorâmica sobre 1º Samuel

O livro de 1º Samuel é, no seu inicio, uma continuação do período dos juízes que vai até o estabelecimento da monarquia que começa com Saul. O profeta Samuel foi o último juiz levantado por Deus antes do reinado. O livro começa falando sobre o pai de Samuel, Elcana, efraimita que tinha duas mulheres Penina e Ana, sendo Ana estéril e Samuel, seu filho, uma resposta de Deus a um voto feito por ela. Quando Samuel nasceu foi entregue, após o desmame, ao sacerdote Eli, para o serviço no santuário em Siló. Desde cedo Samuel estava envolvido com o serviço na casa do Senhor culminando com o seu chamado para o ministério profético. Através dele Deus mandou uma mensagem de juízo para a casa de Eli, devido aos desmando de seus dois filhos sacerdotes, que tiveram morte numa batalha contra os filisteus. Eli ao saber da morte de seus filhos e da tomada da arca da aliança pelos filisteus caiu da cadeira e quebrou o pescoço e morreu. Samuel assumiu o sacerdócio e como profeta do Senhor arregimentou o povo de Deus para a batalha contra os filisteus e os venceu. Depois dessa vitória, Samuel levantou um memorial e disse as célebres palavras que até hoje ecoa como um brado de vitória do povo de Deus. “... Ebenézer;...: Até aqui nos ajudou o Senhor” 1 Sm 7.12. Samuel envelheceu e os lideres israelitas pediram que ele ungisse um rei sobre o povo de Deus. O argumento dos lideres é que Samuel estava velho, seus filhos não andavam nos caminhos do Senhor e eles queriam ser semelhante às outras nações. Deus, de acordo com a sua vontade permissiva, escolheu Saul, da tribo de Benjamim. Saul começou bem o seu ministério e tinha tudo para fazer um bom reinado, mas cometeu dois graves erros que fizeram com que Deus o rejeitasse, e mandasse Samuel escolher um dos filhos de Jessé, da tribo de Judá, para reinar no lugar de Saul, que foi Davi, o caçula. O livro trás o relato de uma batalha entre os filisteus e os israelitas em que Golias, o campeão filisteu, foi vencido por Davi quando ainda era jovem. O filisteu afrontava Israel quando os exércitos estavam esperando o inicio da batalha. Davi movido pelo Espirito de Deus foi ao encontro de Golias e o venceu com uma pedra atirada de sua funda. Antes do confronto, Davi disse a Golias: “Davi, porém, lhe respondeu: Tu vens a mim com espada, com lança e com escudo; mas eu venho a ti em nome do Senhor dos exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado” 1 Sm 17.45. Depois desse episódio Davi foi grandemente exaltado no meio do povo de Deus e casou-se com a filha de Saul, Mical. Saul que estava ainda como rei, colocou Davi como um dos lideres do seu exército e Davi conseguiu muitas vitórias para o povo de Deus, a ponto das mulheres cantarem: Saul matou os seus milhares e Davi os seus dez milhares. Isso incomodou muito a Saul e a partir daí começou uma perseguição contra Davi, o escolhido de Deus. O restante do livro fala das diversas perseguições de Saul a Davi obrigando-o a fugir e a viver escondido. Por duas ocasiões Saul ficou a mercês de Davi que lhe poupou a vida, pois no seu entendimento só Deus podia tocar num de seus ungidos. Davi temia a Deus. No final do livro, os filisteus venceram os israelitas numa batalha e Saul e os seus filhos foram mortos, inclusive Jônatas, o amigo de Davi. A morte de Saul, deveu-se a consulta a mortos, não ter guardado a palavra do Senhor e não ter buscado ao Senhor (1 Cr 10.13,14). Diversas lições podem ser extraídas desse livro, senão vejamos: O fato do pai ser piedoso não é garantia de que os filhos serão piedosos. Os filhos de Eli e de Samuel eram ímpios; Ninguém deve entrar numa área do ministério se Deus não o escolheu para isso. Saul, rei, ofereceu sacrifício em lugar de Samuel, sacerdote, por isso perdeu o reino; Obediência parcial aos mandamentos de Deus não é obediência. Aconteceu com Saul no caso dos amalequitas. Deus mandou fazer uma coisa e ele fez pela metade. Nos ungidos de Deus ninguém deve mexer, mesmo eles cometendo erros. Davi tinha um profundo respeito por Saul e entendia que só Deus podia tocar nele. A inveja é uma tragédia na vida de um homem. Aconteceu com Saul que invejava Davi porque Deus era com ele, e o tinha abandonado. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sábado, 20 de dezembro de 2014

Uma panorâmica sobre Rute

A história de Rute deu-se no período dos juízes, conforme relatado no primeiro versículo do livro de Rute. “Nos dias em que os juízes governavam, houve uma fome na terra; pelo que um homem de Belém de Judá saiu a peregrinar no país de Moabe, ele, sua mulher, e seus dois filhos” Rt 1.1. O livro não identifica o seu autor, provavelmente a autoria do mesmo é do profeta Samuel. Conforme o texto acima, a história começa com uma migração de uma família de Belém da Judéia para Moabe, um país vizinho de Israel. Moabe foi o filho incestuoso de Ló com a sua filha mais velha (o outro filho incestuoso foi Amom, filho da mais nova). (Gn 19.37,38). Diz-nos o livro de Rute que a família que emigrou para Moabe compunha-se de quatro pessoas: Elimeleque, Noemi, Malom e Quiliom. Quando a família migrou teve de se desvencilhar de seus bens. Na terra de Moabe os dois filhos casaram com duas moabitas, Ofra e Rute. Lá em Moabe morreram Abimeleque e seus dois filhos, ficando Noemi viúva e desfilhada. Ao ser informado de que a fome da terra de seus ancestrais tinha cessado e que Deus dera novamente fartura ao seu povo, Noemi resolve voltar para a terra natal no que foi acompanhada até certo ponto pelas duas noras; foi quando Noemi orientou a voltarem para a casa de seus pais, mas Rute optou ficar com ela e disse estas célebres palavras: “Respondeu, porém, Rute: Não me instes a que te abandone e deixe de seguir-te. Porque aonde quer que tu fores, irei eu; e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo será o meu povo, o teu Deus será o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu, e ali serei sepultada. Assim me faça o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti” Rt 1.16,17. A chegada de Noemi e Rute em Belém causou uma profunda comoção pelas desventuras que tinham acontecido com Noemi. Diziam eles: “Não é esta Noemi?”. “Ela, porém, lhes respondeu: Não me chameis Noemi;chamai-me Mara, porque o Todo-Poderoso me encheu de amargura. Cheia parti, porém vazia o Senhor me fez tornar. Por que, pois, me chamais Noemi, visto que o Senhor testemunhou contra mim, e o Todo-Poderoso me afligiu?” Rt 1.20,21. Em Belém havia um parente de Noemi chamado Boaz que era proprietário de terra, e Rute pediu autorização a Noemi para apanhar as espigas que os segadores deixavam cair, pois esses não podiam mais apanhá-las porque aquilo era destinado aos pobres e estrangeiros, conforme a lei mosaica estabelecia. (Lv 19.9,10; 23.22). A fama de Rute como mulher virtuosa impressionou Boaz que orientou aos seus segadores que de propósito deixassem cair espigas para ser apanhadas por Rute, surgindo dai uma simpatia que culminou em casamento. Havia na sociedade israelita da época um costume baseado na lei mosaica em que a terra que alguém se desfizesse dela por necessidade poderia voltar à família por compra ou por decurso de tempo, mas quem poderia fazer isso seria um remidor credenciado (Lv 25.25-28), que no caso não era Boaz, sendo ele o segundo na linha de sucessão. Boaz tinha interesse em casar com Rute, mas esse direito de levirato (o irmão casar com a mulher do seu irmão falecido, para lhe suscitar descendência) pertencia ao sucessor. Esse sucessor, que a Bíblia não revela o nome, abre mão de seu direito porque na compra da propriedade tinha que aceitar Rute como esposa o que ele não tinha intenção de fazer. Daí Boaz comprar o terreno e casar com Rute, e com ela teve filhos sendo um deles Obede, avô do rei Davi. Dessa belíssima história se podem extrair algumas lições para a vida da Igreja, sendo umas delas a questão do estigma de que sogra é problema. Noemi foi uma sogra maravilhosa. A outra lição é a questão da severidade de Deus em punir o pecado do seu povo. Ainda outra lição é a providência de Deus em restituir os bens de seus servos. Também outra lição, a mais importante, é aquela de natureza espiritual que aponta Boaz como tipo de Cristo, que como remidor resgatou para si algo valioso, no caso de Boaz a propriedade, e no caso de Cristo a Igreja que Ele comprou com o seu próprio sangue (At 20.28). Rute, a exemplo de Raabe, duas gentias, faz parte da genealogia do Salvador, conforme Mt 1.5. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Pregação Pastor Eudes, 07/12/2014

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Uma panorâmica sobre Juízes

Depois da conquista da terra da promessa estabeleceu-se um período de trezentos anos, considerando algumas judicaturas simultâneas, em que cada tribo governava-se a si mesma, pois o povo de Deus não tinha uma liderança nacional, tendo em vista Josué ter falecido e não ter deixado sucessor nem orientado nessa direção. No inicio da época contemplada pelo livro de Juízes as coisas iam bem (Jz 1.7), mas depois se complicaram, pois nos é dito nesse livro que toda aquela geração de conquistadores falecera e surgira outra geração que não conhecia ao Senhor nem os seus feitos. “O foi também congregada toda aquela geração a seus pais, e após ela levantou-se outra geração que não conhecia ao Senhor, nem tampouco a obra que ele fizera a Israel“ Jz 2.10. Esse desconhecimento do povo em relação a Deus e aos seus feitos levou-o a fazer aquilo que era mau aos olhos do Senhor. Por causa disso Deus entregava o povo nas mãos de opressores. Quando o povo se arrependia e clamava ao Senhor, Deus levantava juízes para libertar Israel da opressão e julgar o povo durante o tempo de vida do juiz. É por isso que podemos resumir aquele período em quatro palavras: pecado, opressão, arrependimento e libertação. Foram treze juízes considerando a judicatura em conjunto de Baraque e Débora e a do profeta Samuel que foi o último dos juízes. Dentre os juízes encontramos aqueles que exerceram judicatura plena (libertar e julgar) e aqueles que apenas julgavam o povo em época de paz. Os seus nomes foram, pela ordem: Eúde, Sangar, Debora/Baraque, Gideão, Tola Jair, Jefté, Ibsã, Elom, Abdom e Sansão. As informações sobre Samuel, o último juiz, que exerceu um tríplice ministério (juiz, profeta e sacerdote) encontram-se no livro de 1 Samuel. Os juízes que judicaram em época de paz, foram: Tola, Jair, Ibsã, Elom e Abdom. Os outros foram usados por Deus para libertar o Seu povo da opressão de povos vizinhos. Os juízes mais famosos, excluindo Samuel, foram Gideão, Jefté e Sansão. Gideão ficou famoso por ter sido usado por Deus para libertar o povo da opressão de sete anos pelos midianitas. Com trezentos guerreiros Gideão venceu um exército poderoso. Outro juiz famoso foi Jefté, filho de uma concubina de seu pai, que libertou Israel da opressão dos amonitas. Ele ficou famoso também porque fez um voto a Deus de que se ajudado na batalha, quando voltasse para casa, ofereceria em holocausto o primeiro ser vivo que aparecesse na porta de sua casa, saindo sua filha única. O voto irrefletido causou muitas angústias aquele homem que fora usado por Deus numa obra de libertação. Talvez o mais famoso dos juízes tenha sido Sansão, notável pela sua força física, incapaz de ser vencido por quem quer que fosse. Com uma queixada de jumento ele destruiu o exército filisteu. Sansão tinha lá as suas fraquezas especialmente mulheres tendo uma delas, Dalila, traído o famoso juiz, traição essa que lhe custou à perda dos dois olhos e a morte prematura. “Então os filisteus pegaram nele, arrancaram-lhe os olhos e, tendo-o levado a Gaza, amarraram-no com duas cadeias de bronze;...” Jz 16.21. (Veja ainda Jz 16.26-31 que trata da morte de Sansão). Uma mulher, Débora, também foi usada por Deus como juíza na época. Essa poderosa mulher levantou-se em Israel para libertar o povo de Deus da opressão dos cananeus. Ela movida pelo Espirito Santo convocou Baraque para comandar o exército do Senhor, e grande foi a vitória dada por Deus. Depois da vitória Débora fez um cântico exaltando ao Deus de Israel que dera vitória ao seu povo. (Jz 5.1-31). Um triste episódio relatado no livro foi o de Abimeleque, filho de Gideão, que quis levantar-se a si mesmo como rei sobre o povo de Deus. Traiçoeiramente matou os seus setenta irmãos por parte de pai e foi aclamado rei pelos habitantes de Siquém e de Bete-Milo. Diz-nos Juízes que uma mulher lançou da muralha da torre que estava sitiada uma mó de moinho que rachou a cabeça de Abimeleque, ferindo-o mortalmente. Outro triste episódio foi o abuso sexual da mulher de um levita pelos habitantes de Gibeá levando-a a morte, com a conivência dos lideres daquela cidade, e que ocasionou uma guerra fraticida onde a tribo de Benjamim quase foi extinta. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Uma panorâmica sobre Josué

Por causa do pecado de desobediência de Moisés, Deus não permitiu que ele introduzisse Israel na terra da promessa. (Nm 20.12). A responsabilidade de introduzir Israel em Canaã foi dada a Josué, conforme Deus já tinha determinado (Dt 31.7; Js 1.1-3). O livro de Deuteronômio nos apresenta Israel aquartelado na planície do Jordão se preparando para entrar em Canaã. Na época, nos diz o livro de Josué, o rio Jordão estava num período de cheia. Deus graciosamente represou o rio e o povo passou a pé enxuto, defronte de Jericó (Js 3.15,16) Antes de entrar na terra prometida foi feito um acordo com as duas tribos e meia, que se estabeleceram no lado oriental do Jordão (Transjordânia), de que os guerreiros dessas tribos acompanhariam o restante do exército para ajudá-los na conquista da terra. (Leia Números 32). Dois espias foram enviados por Josué para Jericó, e lá eles fizeram um acordo com Raabe, a prostituta, de livrá-la junto com a sua família da destruição que viria, porque ela os acolhera e os livrara dos seus perseguidores. Ainda antes de empreender a conquista da terra houve um preparo de natureza espiritual: a circuncisão da nova geração de guerreiros e a celebração da Páscoa. (Js 5). Na época da conquista, a terra de Canaã era densamente povoada. Nela habitavam cananeus, amorreus, jebuseus, heteus, girgaseus, heveus e fereseus. Nela havia trinta e uma cidades fortificadas, cada uma com o seu rei. (Leia Josué 12.7-24). Todas essas cidades foram conquistadas em três campanhas militares: centro, sul e norte. A primeira conquista de Israel foi a cidade de Jericó. Nessa conquista Deus ordenou que os soldados rodeassem a cidade uma vez por dia em silêncio. No sétimo dia Deus ordenou que a cidade fosse rodeada sete vezes. Na sétima vez as trombetas tocaram e o povo gritou e os muros de Jericó ruíram miraculosamente. Deus tinha dito que a cidade de Jericó estava sob anátema e nenhum despojo poderia ser requisitado pelos soldados, mas um deles chamado Acâ pegou do anátema e o escondeu em sua tenda. Por causa disso o povo de Deus teve dificuldade de conquistar a cidade de Ai. O pecado de Acã foi descoberto e ele recebeu a devida punição e o povo continuou a sua obra de conquista. Depois da conquista das duas primeiras cidades, em Siquém foi feita a leitura da Lei dada por Deus através de Moisés. Nessa leitura seis tribos ficaram em frente do monte Gerizim e seis defronte do monte Ebal, dizendo amém sobre as bênçãos oriundas da obediência e as maldições oriundas da desobediência, respectivamente. Numa das campanhas militares Deus operou um milagre que tem desafiado a ciência, que foi o sol e a lua serem detidos em sua marcha natural. Aquele dia foi um dia especial, relatado assim por Josué: “Então Josué falou ao Senhor,..., e disse na presença de Israel: Sol, detém-se sobre Gibeão, e tu, lua, sobre o vale de Aijalom. E o sol se deteve, e a lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos.... O sol, pois, se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro. E não houve dia semelhante a esse, nem antes nem depois dele, atendendo o Senhor assim à voz dum homem; pois o Senhor pelejava por Israel” Js 10.12-14 . Um episódio interessante aconteceu nessa época de conquista que foi a questão dos gibeonitas que enganaram a Josué e não foram destruídos por ele. Josué fez um acordo com eles pensando se tratar de um povo que não fazia parte da terra de Canaã. (Js 9.1-27). Depois da conquista da terra, que durou sete anos, houve a divisão da mesma entre as nove tribos e meia, pois as outras duas tribos e meia já tinham recebido o seu quinhão na Transjordânia. Cada tribo tinha a responsabilidade de acabar a limpeza da terra em seus territórios. Foi por isso que Josué disse que ainda faltava muita terra para conquistar. Há uma questão ética na conquista da terra que foi a destruição daquelas nações (homens, mulheres, jovens e crianças). Acontece que aquele povo tinha descido ao mais baixo nível moral e espiritual e Deus já os tinha condenado (Gn 15.16). Israel fora o instrumento humano que Deus usara para punir os pecados e limpar aquela terra das maldades dos habitantes de Canaã. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti