sexta-feira, 31 de julho de 2015

Uma panorâmica sobre Malaquias

O livro de Malaquias é o último livro do Antigo Testamento. Esse profeta, cujo nome significa mensageiro do Senhor, era também um sacerdote. A sua mensagem foi entregue aos judeus pós-exílio. Nessa época o templo já fora reconstruído por Zorobabel, o culto e as festividades israelitas já estavam restabelecidos pelo ministério de Esdras e a cidade de Jerusalém já fora reconstruída por Neemias. O problema abordado pelo profeta Malaquias era o esfriamento espiritual do povo de Deus, que praticava uma religião formal, e uma consequente apostasia. No livro observam-se seis declarações proféticas de Malaquias que tratam do desagrado de Deus pela vida descompromissada de Israel em relação à aliança do Senhor com o seu povo. Essas declarações no livro chamam-se “o peso da palavra do Senhor contra Israel”. No primeiro peso (mensagem de repreensão), Deus reafirma o seu amor por Israel segundo os termos do concerto; no segundo peso Deus repreende os profetas por serem infiéis, por não repreenderem os pecados do seu povo; no terceiro peso Deus repreende Israel pela quebra do concerto; no quarto peso Deus relembra a Israel o castigo que virá pela quebra do concerto; no quinto peso Deus conclama a todo o seu povo ao arrependimento; no sexto e último peso Deus revela que existe um memorial e que os seus servos fiéis serão recompensados e os infiéis, não. Nesses pesos que contempla os três primeiros capítulos do livro de Malaquias encontram-se os questionamentos de Deus e as respostas cínicas de Israel, senão vejamos: Deus disse: Amei a Israel, o povo perguntou: Em que nos amaste? Deus disse: Israel tem desonrado ao Senhor. Israel perguntou: Em que desprezamos nós os teu nome? Deus declarou que não aceitava as oferendas. Israel perguntou: Por que? O Senhor declarou que viria de repente para trazer juízo. Israel perguntou: Em que te enfadamos? Deus convocou o povo ao arrependimento. O povo perguntou: Em que havemos de tornar? e por último, Deus disse que Israel tinha feito declarações injustificáveis contra Ele. Israel perguntou: Que temos falado contra ti? Cinco características especiais tem o livro de Malaquias que o distingue dos outros livros proféticos: 1) Malaquias é o último livro profético do Antigo Testamento seguido do silêncio profético de quatrocentos anos; 2) O livro retrata um debate entre Deus e o seu povo, através de declarações de Deus e perguntas do povo; 3) O destaque do método de perguntas e respostas na apresentação da mensagem profética, com vinte e três mensagens trocadas entre Deus e o seu povo, isto sugere que a mensagem de Malaquias fora dada em público, no templo; 4) A expressão o “SENHOR dos Exércitos” ocorre vinte vezes nesse livro; 5) A última profecia do Antigo Testamento constante do capitulo quatro do livro trata da restauração das famílias israelitas com o advento de um profeta semelhante a Elias. Dois temas relacionados ao culto prestado a Deus merece um destaque especial nesse livro e na sua contextualização para a atualidade, ambos se referem ao ofertório. O primeiro é o que trata de oferecer o melhor para Deus. No livro, Deus censura Israel por trazer animais cego, aleijado, sarnento para oferecer no altar do Senhor, isso com a conivência dos sacerdotes. “Ofereceis sobre o meu altar pão imundo e dizeis: Em que te havemos profanado? Nisto, que dizeis: A mesa do Senhor é desprezível. Porque, quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não faz mal! E, quando ofereceis o coxo ou o enfermo, não faz mal!..” Ml 1.7,8. O outro é o que trata do dízimo, pois através dele a obra no templo era mantida. Na época o povo tinha negligenciado a manutenção da casa do Senhor. “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança” Ml 3.10. Ainda outro tema é o que trata do divórcio, em que Deus revela o seu desagrado quanto isso acontece. “Porque o Senhor, Deus de Israel, diz que aborrece o repúdio e aquele que encobre a violência com a sua veste, diz o Senhor dos Exércitos; portanto, guardai-vos em vosso espírito e não sejais desleais”. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Uma panorâmica sobre Zacarias

Zacarias foi profeta contemporâneo de Ageu, sendo mais novo do que ele. Ambos ministraram na época da reconstrução do templo por Zorobabel, animando aos líderes de Israel para continuarem a obra de reconstrução diante da oposição dos samaritanos. A profecia de Zacarias além de atender ao contexto da época aponta para o futuro. Esse profeta é considerado o mais cristológico dos profetas, só perdendo para Isaías que foi o profeta que mais falou do Messias vindouro. Outra informação importante é que esse profeta era também um sacerdote e que foi martirizado, por causa de sua fé, segundo as palavras do Senhor registradas em Mateus 23.35. O livro de Zacarias tem duas divisões. A primeira parte contempla os capítulos 1 a 8 e a segunda parte, os capítulos 9 a 14. Na primeira parte a mensagem é apresentada de forma figurada através de oito visões, depois de uma breve introdução, conforme a seguir: o cavaleiro entre as murtas; Quatro chifres e quatro ferreiros; Um homem medindo Jerusalém; Purificação de Josué, o sumo sacerdote; Castiçal de ouro e duas oliveiras (visões de consolação); Rolo voante; Mulher num efa; e Quatro carros (visões de juízo). Ainda na primeira parte encontramos a coroação de Josué como Sumo Sacerdote e o seu significado profético. Ainda nessa parte encontramos duas poderosas mensagens: Uma sobre o jejum que agrada a Deus e a justiça social, e a outra sobre a restauração de Sião (Jerusalém). Em relação a parte que trata da restauração espiritual de Jerusalém devemos aplicá-la a Jerusalém celestial, que é a Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo. A segunda parte do livro contempla os capítulos 9 a 14 e é rica na questão cristológica. No início dessa parte, o justo Juiz ameaça com juízos os países Síria, Tiro, Sidom e os reis das cidades filisteias (Gaza, Ecrom, Asquelom e Asdode). Em seguida o livro traz profecias sobre o futuro de Israel e sobre o Messias vindouro. Quanto a Israel, o livro fala sobre uma intervenção triunfal do Senhor em seu favor com a chegada do Messias, fala sobre a salvação nos tempos messiânicos e fala também da rejeição desse Messias por parte dos israelitas, devido esse Messias vir em humilhação e não em glória como era esperado por eles. Sobre essa questão (cristológica) encontramos em Zacarias 9.9, a primeira profecia do livro: “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre e montado sobre um jumento, sobre um asninho, filho de jumenta” Zc 9.9. Essa profecia se cumpriu na vida de Jesus, conforme relato do Evangelho de Mateus (Mt 21.4,5). Ainda tratando da questão cristológica, este livro fala sobre a rejeição do Messias, por parte das autoridades israelitas, e o preço de trinta moedas de prata que seria pago com elas ao traidor que iria entregar o Messias a eles para ser condenado, bem como a atitude do traidor que com remorso devolveria as trinta moedas de prata atirando-as dentro do santuário: “E eu disse-lhes: Se parece bem aos vossos olhos, dai-me o que me é devido e, se não, deixai-o. E pesaram o meu salário, trinta moedas de prata. O Senhor, pois, me disse: Arroja isso ao oleiro, esse belo preço em que fui avaliado por eles. E tomei as trinta moedas de prata e as arrojei ao oleiro, na Casa do Senhor” Zc 11.12,13. (Confira Mt 27.9,10). Os capítulos 12 e 13 do livro tratam da conversão de Israel ao Messias, lamentando por não tê-lo reconhecido na primeira vinda: “E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e o prantearão como quem pranteia por um unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito” Zc 13.10. Os irmãos pré-milenistas entendem que isso acontecerá no final do período tribulacional quando o Messias (Jesus) aparecer para livrá-los da iminente destruição protagonizada pelos exércitos do Anticristo. Outros (os teólogos reformados) acham que essa profecia refere-se aos judeus individuais quando se converte a Cristo, no programa geral da Igreja, conforme explicitado por Paulo em Rm 9 a 11. O livro termina com uma profecia sobre a exaltação de Israel (espiritual) com o advento do Messias. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

domingo, 19 de julho de 2015

Pregações Pastor Eudes 10/07/2015

Deus fala hoje

O Nosso Deus é um Deus pessoal, vivo que, através da História, sempre se comunicou com o ser humano. No início da história do homem Deus falava diretamente as pessoas. A Bíblia revela que Adão e Eva ouviram a voz de Deus de forma audível no Éden (Gn 2.16,17; 3.8,13); mais tarde Caim a ouviu também (Gn 4.6,7). Depois, Deus escolheu uma classe de pessoas através da qual falava as outras pessoas, que foram os profetas, seus representantes. “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais pelos profetas”. Hb 1.1a. Com a encarnação do verbo Eterno, o nosso Senhor Jesus Cristo, Deus agora passou a falar ao homem através Dele “... a nós falou-nos nesses últimos dias pelo filho”. Hb 1.1b. O Senhor Jesus falou a sua geração de forma audível, e através do seu Espírito e das Escrituras continua falando. A voz do Senhor ouvida através de Sua palavra é a maneira mais usual de Deus falar ao homem. “Têm Moisés e os profetas (Escrituras); ouçam-nos”. Lc 16.29. Deus ainda fala aos nossos corações através das circunstâncias, através de sonhos, revelações momentâneas, etc., mas todas essas manifestações de Deus são de acordo com as Sagradas Escrituras. Pelo fato de Deus está falando constantemente usando diversos recursos, principalmente a Sua Palavra, faz-se necessário que procuremos estar atentos para ouvir a Sua doce voz falando aos nossos corações. Faz-se necessário ainda que estejamos atentos à voz de Deus que tem desejo de nos dirigir, de nos orientar e também de nos advertir para não cairmos em erros. O Crente em Jesus, a quem Deus tem falado continuamente, deve ter um coração sensível para ouvir a voz do Senhor. O salmista tinha esse coração que tanto agrada a Deus. Leiamos os seu testemunho no Salmo 85.8: “Escutarei o que Deus, o Senhor, disser; porque falará de paz ao seu povo, e aos seus santos,...”. Concluímos dizendo que necessitamos ouvir a voz do Senhor para podermos fazer a Sua vontade e vivermos para a glória do Seu nome. “Hoje vimos que Deus fala com o homem, e que o homem fica vivo” Dt. 5.24. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Uma panorâmica sobre Ageu

O profeta Ageu junto com Zacarias e Malaquias são os três profetas que ministraram em Israel após o retorno do povo de Deus do cativeiro babilônico. Só lembrando aos leitores que após o retorno do povo de Deus do cativeiro, que vieram em quatro levas de cativos, foram reconstruídos nesse período o templo por Zorobabel e a cidade por Neemias, e restaurado o culto por Esdras (Vejam os livros de Esdras e Neemias). A profecia de Ageu deu-se na época da reconstrução do templo e foi motivada pela oposição feita pelos samaritanos e o desânimo e o consequente descaso do povo de Deus que interrompera a reconstrução e priorizou as reconstruções particulares de suas casas. “No ano segundo do rei Dario, no sexto mês, no primeiro dia do mês, veio a palavra do Senhor, pelo ministério do profeta Ageu, a Zorobabel, filho de Sealtiel, príncipe de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, dizendo: Assim fala o Senhor dos Exércitos, dizendo: Este povo diz: Não veio ainda o tempo, o tempo em que a Casa do Senhor deve ser edificada. Veio, pois, a palavra do Senhor, pelo ministério do profeta Ageu, dizendo: É para vós tempo de habitardes nas vossas casas estucadas, e esta casa há de ficar deserta?” Ag 1.1-4. O nome Ageu significa festivo ou minha festa, talvez por ter nascido num dia de festa. “Seu nome está ligado ao maior objetivo de sua profecia, que era completar o templo para reiniciar as festividades religiosas” de Israel especificadas na Lei. Esse profeta diz que as agruras que Israel enfrentava na época tinha uma causa específica que era as pessoas cuidarem mais do que é material do que o que era espiritual. “Semeais muito e recolheis pouco; comeis, mas não vos fartais; bebeis, mas não vos saciais; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário recebe salário num saquitel furado” Ag 1.6. “Olhastes para muito, mas eis que alcançastes pouco; e esse pouco, quando o trouxestes para casa, eu lhe assoprei. Por quê? – disse o Senhor dos Exércitos. Por causa da minha casa, que está deserta, e cada um de vós corre à sua própria casa. Por isso, retêm os céus o seu orvalho, e a terra retêm os seus frutos. E fiz vir a seca sobre a terra, e sobre os montes, e sobre o trigo, e sobre o mosto, e sobre o azeite, e sobre o que a terra produz, como também sobre os homens, e sobre os animais, e sobre todo o trabalho das mãos” Ag 1.9-11. As palavras proféticas de Ageu caíram num terreno propício, pois nos é dito que os líderes de Israel (Zorobabel e Josué) e o povo em geral levantaram-se e começaram e terminaram a obra de reconstrução do templo. No segundo capítulo do livro de Ageu, encontramos que a glória do segundo templo seria maior do que a do primeiro. “A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o Senhor dos Exércitos” Ag 1.9. Historicamente isto não se cumpriu, pois o templo reconstruído não se comparava com o construído por Salomão, devido o significado real da profecia ser que o segundo templo, a Igreja, habitação do Deus vivo, tem a sua glória maior do que a glória do templo terreno. “como não será de maior glória o ministério do Espírito? Porque, se o ministério da condenação foi glorioso, muito mais excederá em glória o ministério da justiça... Porque, se o que era transitório foi para glória, muito mais é em glória o que permanece” 2 Co 3.8-11. Deus declara ainda nesse livro que era o dono da prata e do ouro (Ag 2.8). Isto quer dizer que tudo a Deus pertence, inclusive as riquezas deste mundo. Devemos acreditar que Deus é o supridor das necessidades do seu povo, quer no âmbito espiritual quer no âmbito material. O livro termina com uma promessa de exaltação do líder Zorobabel, que tipifica a Cristo como edificador do templo espiritual, a Igreja. (Veja Mt 16.18; Ef 2.20-22). Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

quarta-feira, 15 de julho de 2015

A Habitação do Espírito no Crente

No dia em que o homem, pela graça de Deus, tem a felicidade de crer em Jesus Cristo e aceitá-lo como salvador pessoal, o Espírito de Deus lhe é dado como penhor de sua eterna redenção. “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua glória” Ef. 1.13,14. A partir daí passa o Espírito do Senhor a habitar permanentemente dentro dele. “E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abba, Pai” Gl 4.6. Esse dom de Deus é uma das coisas preciosas que acompanham a obra redentora no crente, pois o salvo passa a ser santuário de Deus. “Não sabeis vós que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós”? 1 Co 3.16. Habitado pelo Espírito de Deus, o salvo passa a gozar de inúmeras bênçãos espirituais pela poderosa ação do Espírito de Deus. Essa habitação é de caráter permanente, independente da vontade e dos atos de quem a possui, uma vez que os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento (Rm 11.29), e ela está firmada na fidelidade de Deus (2 Tm 2.13). Mas é bom esclarecer que essa habitação do Espirito impinge no homem uma grande responsabilidade de conservar santo, separado do pecado, o lugar onde o Espírito de Deus habita. “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” 1 Co 3.16,17. No programa divino é dito que o crente foi comprado e que não se pertence mais a si mesmo e sim ao Senhor. “Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”.1 Co 6.19,20. Assim sendo, conservemo-nos santos para que Deus se sinta confortável em nosso ser. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Uma panorâmica sobre Sofonias

Sofonias, cujo nome significa o Senhor Esconde, profetizou no reinado de Josias, e tudo indica que foi ele que deu o apoio espiritual para que aquele jovem rei realizasse a obra de renovação espiritual que aconteceu no seu reinado. Como há uma citação do nome de Ezequias rei de Judá na genealogia de Sofonias tudo indica que esse profeta era da casa real de Davi, portanto um profeta palaciano. Como na profecia de Sofonias há um libelo divino contra a Assíria podemos concluir que esse profeta profetizou antes da ascendência dos caldeus (babilônicos) e que a profecia de Sofonias sobre a destruição de Nínive, capital da Assíria, se cumpriu através dos caldeus que sucederam os assírios no controle politico e militar do mundo antigo. Um dos grandes temas tratados pelo profeta Sofonias é o Dia do Senhor, dia esse em que Deus irá punir a humanidade por causa dos seus pecados. “O grande dia do Senhor está perto, está perto, e se apressa muito a voz do dia do Senhor; amargamente clamará ali o homem poderoso. Aquele dia é um dia de indignação, dia de angústia e de ânsia, dia de alvoroço e de desolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas, dia de trombeta e de alarido contra as cidades fortes e contra as torres altas. E angustiarei os homens, e eles andarão como cegos, porque pecaram contra o Senhor; e o seu sangue se derramará como pó, e a sua carne, como esterco. Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia do furor do Senhor, mas, pelo fogo do seu zelo, toda esta terra será consumida, porque certamente fará de todos os moradores da terra uma destruição total e apressada” Sf 1.14-17. “Inteiramente consumirei tudo sobre a face da terra, diz o Senhor. Arrebatarei os homens e os animais, consumirei as aves do céu, e os peixes do mar, e os tropeços com os ímpios; e exterminarei os homens de cima da terra, disse o Senhor” Sf 1.2,3. Esse dia do Senhor é interpretado de duas maneiras, dependendo do contexto. A primeira é o dia em que Deus trata com juízo uma nação especifica. No livro de Sofonias, o Dia do Senhor estava prestes para vir, como de fato veio, a história o confirma, sobre Judá, sobre a Filistia, Amom, Moabe, Etiópia e Assíria. A outra maneira refere-se a um dia escatológico (deduz-se também de Sofonias), atrelado à segunda vinda do Senhor, no período tribulacional, para trazer juízo sobre um mundo ímpio que tem desprezado a Deus. Esse último aspecto dessa profecia encontra respaldo na palavra profética de nosso Senhor Jesus Cristo, tanto nos Sinóticos quanto no Apocalipse, quando disse: “E haverá sinais no sol, e na lua, e nas estrelas, e, na terra, angústia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas; homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo, porquanto os poderes do céu serão abalados. E, então, verão vir o Filho do Homem numa nuvem, com poder e grande glória” Lc 21.25-27. “E vi um anjo que estava no sol, e clamou com grande voz, dizendo a todas as aves que voavam pelo meio do céu: Vinde e ajuntai-vos à ceia do grande Deus, para que comais a carne dos reis, e a carne dos tribunos, e a carne dos fortes, e a carne dos cavalos e dos que sobre eles se assentam, e a carne de todos os homens, livres e servos, pequenos e grandes” Ap 19.17,18. Como geralmente os profetas falaram sobre uma restauração futura de Israel, Sofonias também contempla esse assunto. “O remanescente de Israel não cometerá iniquidade, nem proferirá mentira, e na sua boca não se achará língua enganosa; porque serão apascentados, deitar-se-ão, e não haverá quem os espante. Canta alegremente, ó filha de Sião; rejubila, ó Israel; regozija-te e exulta de todo o coração, ó filha de Jerusalém” Sf 3.13,14. “Naquele tempo, vos trarei, naquele tempo, vos recolherei; certamente, vos darei um nome e um louvor entre todos os povos da terra, quando reconduzir os vossos cativos diante dos vossos olhos, diz o Senhor” Sf 3.20. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Educação: de quem é a culpa?

A gente vê muitas coisas no facebook, inclusive, com relação à questão da maioridade penal. Muitas pessoas reclamam do governo nas esferas municipal, estadual e federal como o responsável pelo aumento da criminalidade em nosso país. Mas será que devemos só debitar aos governos as dificuldades nessa área. É verdade que os governos nas instâncias citadas têm também a sua parcela de contribuição na má educação (instrução) do povo, devido não investir na área educacional com mais intensidade. É bom esclarecer que existe diferença entre o que é educação e instrução. Educação é algo mais profundo do que instrução. Dentre outras coisas, educar significa promover o desenvolvimento da capacidade intelectual, moral e física de alguém ou de si mesmo, enquanto instruir significa compartilhar conhecimentos. As pessoas educam quando vivem o que ensinam. Fora disso, é instrução. A Palavra de Deus responsabiliza os pais em promover a educação no lar, que em tese, perdura a vida toda. “E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te” Dt 6.6,7. “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” Pv 22.6. “O que retém a sua vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, a seu tempo, o castiga” Pv 13.24. Na Bíblia encontramos pais piedosos, mas que falharam na educação de seus filhos. Veja o que ela diz sobre Eli, sacerdote do Senhor: “Naquele mesmo dia, suscitarei contra Eli tudo quanto tenho falado contra a sua casa; começá-lo-ei e acabá-lo-ei. Porque já eu lhe fiz saber que julgarei a sua casa para sempre, pela iniquidade que ele bem conhecia, porque, fazendo-se os seus filhos execráveis, não os repreendeu” 1 Sm 3.12,13. Eli se parece com aquele pai que faz tudo o que os filhos querem, não impõe limites, não disciplina, não diz não, e o resultado foi que aquelas crianças depois de crescidas foram mortos prematuramente como ação do juízo divino. Diante do exposto, orientamos aos pais que invistam na educação dos seus filhos enquanto estão com um controle maior sobre eles, pois depois disso só oração e conselho bíblico, e olhe lá. Aproveitando o ensejo, venha orar pelos seus filhos nas terças a noite e nas quartas-feiras à tarde. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Uma panorâmica sobre Habacuque

O nome Habacuque significa abraçar. Esse profeta exerceu o seu ministério durante os reinados de Jeoiaquim e Zedequias, reis de Judá, no estertor daquele reino, portanto, no período entre 606 e 586 a. C., período esse caracterizado por intensa idolatria, arrogância e desobediência a Lei divina. Habacuque foi contemporâneo do profeta Jeremias sendo, como aquele profeta, testemunha ocular da degradação moral e espiritual do reino de Judá e da sua consequente destruição pelos caldeus, como ação punitiva de Deus. É bom lembrar que os caldeus (babilônicos), a potência militar da época, fizeram três investidas sobre o reino de Judá. A primeira foi em 606 a.C., quando foram levado cativos um grupo significativo de pessoas, dentre elas, Daniel, Hananias, Misael e Azarias, que tiveram os nomes mudados para Beltessazar, Sadraque, Mesaque e Abedenego, respectivamente. Na segunda investida, acontecida em 597 a.C., levaram outro grupo de cativos, dentre eles o profeta Ezequiel, e na última investida, acontecida em 586 a.C., destruíram a cidade e o templo de Jerusalém. O profeta Habacuque, que tinha uma visão profunda da santidade de Deus, ficou perplexo do porquê da demora de Deus em punir o seu povo por causa da avalanche de pecado cometido pelos judeus, principalmente pelas suas classes dominantes. É essa a primeira indagação do profeta Habacuque ao Senhor, quando Lhe pergunta até quando Deus toleraria tanta maldade no meio do Seu povo. Deus respondeu que iria usar os caldeus para punir o seu povo. Essa resposta divina deixou o profeta mais perplexo ainda, e ele pergunta a Deus por que Ele iria usar como instrumento de juízo sobre o Seu povo um povo mais ímpio do que ele. Em sua resposta Deus diz a Habacuque que os caldeus seriam punidos por Ele, no devido tempo, por causa de sua impiedade, idolatria e feitiçaria. Os caldeus seriam o instrumento de Deus para punir o Seu povo, mas isso não os eximia da responsabilidade moral pelos atos praticados. O livro de Habacuque tem três capítulos. Nos dois primeiros encontramos as indagações do profeta a Deus e a resposta do Senhor aquelas indagações como visto no paragrafo anterior. No terceiro capítulo encontramos um hino de exaltação ao Senhor em forma de oração. Nesse hino ou oração o profeta começa pedindo a Deus um avivamento espiritual no meio do Seu povo. “Oração do profeta Habacuque sob a forma de canto. Ouvi, Senhor, a tua palavra e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos a notifica; na ira lembra-te da misericórdia” Hc 3.1,2. Ainda nessa oração, Habacuque exalta a Deus ressaltando a Sua glória, Sua soberania, e a Sua ação libertadora em favor do Seu povo. Diante da grandeza dessa revelação o profeta se humilha diante de Deus: “Ouvindo-o eu, o meu ventre se comoveu, à sua voz tremeram os meus lábios; entrou a podridão nos meus ossos, e estremeci dentro de mim; descanse eu no dia da angústia, quando ele vier contra o povo que nos destruirá” Hc 3.16. Depois, o profeta expressa a sua profunda confiança no seu Deus e faz a sua famosa declaração de fé: “Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas, todavia, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação” Hc 3.17,18. O livro de Habacuque traz uma frase que norteou a vida prática do profeta, que foi o viver pela fé. “...; mas o justo, pela sua fé, viverá” Hc 2. Esse tema abordado por Habacuque foi usado por Paulo duas vezes (Rm 1.17 e Gl 3.11) e pelo autor da carta aos Hebreus (Hb 10.38), para embasar a doutrina da justificação pela fé, doutrina essa basilar da reforma protestante (Sola Fide) encabeçada pelo monge agostiniano Martinho Lutero. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti