segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Uma panorâmica sobre Romanos

O apóstolo Paulo, o orgulhoso fariseu, perseguidor da Igreja, que foi convertido a Cristo na estrada de Damasco, foi um exímio escritor, sendo usado por Deus para a produção de quase a metade dos livros do Novo Testamento. Dentre os livros que Paulo escreveu (treze ao todo), nove deles foram escritos às igrejas locais (Romanos a 2 Tessalonicenses) e quatro à pastores (1 Timóteo a Filemon). A carta aos Romanos não foi a primeira escrita por Paulo. Ela se encontra no início das cartas paulinas dado a sua importância teológica para a Igreja do Senhor bem como por ser a mais longa e mais influente das suas cartas. A Igreja de Roma não fora fundada por Paulo nem por nenhum dos apóstolos do Senhor, e sim, talvez, por irmãos que fugiram de Jerusalém devido à perseguição que houvera contra a Igreja naquela cidade na época de Estevão, ou por algum dos irmãos alcançados pelo Evangelho no dia de Pentecostes. Paulo escreveu essa carta para combater o segmento judaizante daquela Igreja que discriminava os crentes gentios bem como para consolidar perante aquela igreja a mensagem que vinha pregando a mais de vinte e cinco anos. Essa, como as outras cartas de Paulo destinadas as Igrejas, tem uma parte em que é enfatizada a doutrina cristã (teológica) (1 a 11) e a outra parte que enfoca a questão prática do Cristianismo (12 a 16). A epístola aos Romanos tem as seguintes características especiais: 1) É a mais sistemática das epístolas escritas por Paulo, é a epístola teológica por excelência do N.T.; 2) Paulo escreve a carta usando um estilo de perguntas e respostas; 3) Paulo usa intensamente o Antigo Testamento como autoridade bíblica na apresentação da verdadeira natureza do evangelho; 4) Paulo apresenta a doutrina da justiça de Deus como a revelação fundamental do Evangelho – O ato praticado por Jesus na cruz é a consumação da justiça de Deus. Deus ao mesmo tempo em que castiga Jesus pelos pecados dos homens o justifica pela fé em Jesus; 5) Paulo enfatiza a dupla natureza do pecado: uma como uma transgressão pessoal e a outra como algo inerente a natureza humana. Ele ainda enfatiza a obra meritória de Cristo para contemplar essas duas facetas do pecado; 6) O capítulo oito é o mais longo da Bíblia sobre a obra do Espirito Santo na vida do cristão; 7) a carta aos Romanos apresenta o estudo mais profundo sobre a razão da rejeição do Messias prometido, por parte dos judeus, bem como o plano de Deus para inserir o remanescente fiel através da eleição da graça no programa geral da Igreja; 7) A carta aos Romanos contém a mais longa lista de colaboradores do ministério de Paulo. A justificação do pecador através do Evangelho de Cristo é o tema central da carta aos Romanos. Sobre esse assunto Paulo apresenta o tema e o exemplifica com a experiência de fé do patriarca Abraão. Outro tema importante nessa carta é a poderosa obra do Espírito Santo na vida do crente em Cristo. Nessa obra Paulo revela que os crentes foram amados e predestinados por Deus na eternidade, chamados e justificados no tempo e serão glorificados no futuro. Paulo ainda revela o intenso amor de Deus por seus filhos adotivos. Um tratamento especial é dado nessa epístola à questão da rejeição de Israel à Cristo e o futuro desse povo no programa redentor de Deus. Somente o remanescente desse povo é que experimentará as benesses da nova vida em Cristo, isto no programa geral da Igreja, ou seja, serão salvos somente pela fé em Cristo (9 a 11). Nessa carta se encontra uma das mais belas doxologias do Novo Testamento: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!” Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Uma panorâmica sobre Atos

Atos dos Apóstolos é o livro histórico do Novo Testamento. Esse livro foi escrito pelo mesmo autor do Evangelho de Lucas, sendo Atos uma continuação do relato histórico da obra que o Senhor Jesus viera realizar, a edificação da Sua Igreja. É conhecido também pelo título de Atos do Espírito Santo, devido ser a terceira pessoa da Santíssima Trindade a mais proeminente em seus relatos. Lucas, o medido amado, companheiro de Paulo em duas viagens missionarias, escreveu esse livro para fornecer a um irmão na fé chamado Teófilo, o mesmo destinatário do Evangelho de Lucas, o registro do começo da Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo, a partir do dia de Pentecostes em Jerusalém e o seu desenvolvimento nas terras israelitas e principalmente a sua expansão pelo mundo gentílico, durante um espaço de tempo de aproximadamente trinta anos. Na sua fase inicial, o Cânon do Novo Testamento compunha-se dos quatro evangelhos e das cartas paulinas, constituindo-se Atos dos Apóstolos como um elo entre essas duas partes. Esse livro fornece o contexto histórico das cartas produzidas por Paulo. Olhando o livro de Atos de forma panorâmica podemos observar que o mesmo tem uma divisão bem distinta. Uma, contemplando os capítulos 1 a 12, cujo enfoque é a igreja em Jerusalém como centro irradiador da mensagem do Evangelho e o apóstolo Pedro como personagem principal. A outra parte corresponde ao capitulo 13 até o capitulo 28, enfocando como centro irradiador da mensagem do Evangelho a igreja de Antioquia da Síria e cujo personagem principal é o apostolo Paulo. Esse livro apresenta as seguintes características especiais: 1) Ênfase na Igreja – Atos revela a origem da Igreja na sua expressão visível, a natureza da sua missão neste mundo juntamente com alguns princípios que deve nortear o seu viver aqui na terra; 2) Ênfase no Espírito Santo - O Espírito de Deus é mencionado no livro cinquenta vezes, conferindo a Igreja poder, dons espirituais e direção na execução da obra do Senhor; 3) O teor verdadeiro da mensagem do Evangelho – boas novas de salvação através da morte e ressurreição de Cristo; 4) Ênfase na oração – a igreja primitiva dedicava-se regularmente a oração perseverante, dando condições para que o Espírito Santo operasse nela e através dela; 5) Ênfase nos milagres e sinais que acompanhavam a pregação do Evangelho (curas de enfermidades, exorcismo, libertação, etc.); 6) Ênfase nas perseguições sofridas pela igreja através dos judeus descrentes e por outros inimigos do Evangelho; 7) Ênfase no ministério feminino – Atos dos Apóstolos dá uma atenção especial ao ministério feminino revelando Deus usando mulheres para abençoar outras vidas; 8) Ênfase na marcha vitoriosa da Igreja – barreira alguma nacional, religiosa, cultural ou racial, nem oposição ou perseguição puderam impedir o progresso do Evangelho. Merece destaque nesse livro a descida do Espírito Santo sobre a Igreja representava por aqueles cento e vinte irmãos no dia de Pentecoste. O Espírito desceu como que línguas de fogo que pousou sobre cada um deles, batizando-os e concedendo-lhes poder para testemunhar do Evangelho de Cristo. A partir dali começa a dispensação que chamamos a Dispensação do Espírito que se encerrará quando o Espírito entregar a Igreja à Cristo, por ocasião da segunda vinda do Senhor. Outro destaque especial refere-se às duas figuras proeminentes nele, Pedro e Paulo. O primeiro tendo o privilégio de abrir o reino de Deus com a pregação do Evangelho no dia de Pentecostes e o outro o grande apóstolo aos gentios que levou a mensagem do Evangelho aos grandes centros do mundo antigo. Uns acham que Atos é apenas um livro histórico que não traz diretrizes para a Igreja, mas outros acham que nele encontram-se princípios que acompanham a Igreja através dos séculos. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Uma panorâmica sobre João

João, o autor do quarto Evangelho, era um dos doze apóstolos e, juntamente com Pedro e Tiago seu irmão, um dos mais íntimos do Senhor dentre os apóstolos. O Evangelho de João foi escrito para combater uma heresia que surgira no meio da Igreja primitiva que negava a deidade de nosso Senhor Jesus Cristo. Esse Evangelho tem uma estrutura diferente dos outros três primeiros evangelhos, por isso é considerado um evangelho não sinótico, ou seja, um evangelho que não tem relatos similares, a não ser na parte relacionada à paixão e ressurreição de Jesus. Os milagres registrados nesse evangelho são chamados de sinais e tinham e tem a finalidade de levar a pessoa a crer em Cristo como o Filho de Deus bem como a fortalecer a fé daqueles que já professam a Cristo. O Evangelho de João enfoca a Jesus como o Filho de Deus. Nele encontramos sete sinais, sete discursos de Jesus e sete declarações do Senhor sobre si mesmo (Eu sou a porta, Eu sou o bom pastor, Eu sou a luz do mundo,...). Esse evangelho tem oito características especiais que o distingue dos demais, senão vejamos: 1) Enfoca Jesus como o Filho de Deus, o Deus encarnado; 2) A ocorrência abundante (98 vezes) da palavra crer, equivalente a receber a Cristo; 3) Vida eterna nesse evangelho é um conceito chave referindo-se não só a uma existência sem fim com Deus mas a qualidade de vida abundante do crente em Jesus; 4) Encontro de pessoas com Cristo. Nesse evangelho encontramos 27 desses encontros; 5) Ênfase no ministério do Espirito Santo através do qual ele capacita o crente comunicando-lhe continuamente vida e o poder de Jesus; 6) Ênfase na palavra verdade. Jesus é a verdade, o Espirito é a verdade, a Palavra de Deus é a verdade. A verdade liberta e purifica; 7) A ênfase no número sete. Sete sinais, sete discursos, sete declarações Eu sou; 8) O uso de outras palavras de destaque tais como luz, palavra, carne, amor, testemunho, conhecer, trevas e mundo. Olhando esse evangelho de forma panorâmica podemos perceber que o mesmo tem quatro divisões além do prólogo e do epílogo, senão vejamos: 1) A apresentação de Jesus a Israel (1.19-51); 2) Os sinais e sermões de Cristo diante de Israel e a sua rejeição (2.1-12.50); 3) Conversa íntima de Jesus com os seus discípulos culminando com a oração sacerdotal quando ele ora por si e pelo povo do novo concerto (13.1-17.26); 4) A paixão e ressurreição do Senhor (18.1-20.29). Quanto ao prólogo, o mesmo começa apresentado a Jesus como o Logos divino (o Verbo) que sempre existiu como o eterno Filho de Deus, e que esse Logos é uma pessoa distinta do Pai, e também que esse Logos é Deus. Depois o prólogo apresenta o Logos como coparticipante da obra criadora. Em seguida ele é identificado como a Luz verdadeira que alumia a todo o homem. Apresenta ainda o precursor do Verbo, ou seja, aquele que fora designado por Deus para preparar o caminho do Senhor. Depois o prólogo revela a rejeição que o povo de Israel fez não O aceitando como o Messias prometido. Revela ainda que essa rejeição abriu espaço para todas as pessoas de todas as etnias crerem no Verbo divino. Finalmente o prólogo nos revela que esse Logos divino, o Filho de Deus, encarnou, assumiu uma natureza humana, fazendo-se homem, para oferecer pelos homens sua preciosa vida em sacrifício. Nesse prólogo ainda é revelada o dom gratuito de Deus para o pecador que crer nele, a vida eterna. No epílogo encontramos a revelação da finalidade ou propósito do evangelho de João que é levar as pessoas a crer em Jesus bem como fortalecer a fé daqueles que professam a Cristo. O epílogo termina com uma aparição de Jesus aos seus apóstolos, depois de um sinal realizado por Ele, e a restauração espiritual do apóstolo Pedro que tinha negado o Senhor quando de sua prisão. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Colação de Grau – 10/12/2011 - Discurso do Patrono

Seminário Teológico Evangélico Congregacional de João Pessoa Colação de Grau – 10/12/2011 Discurso do Patrono Sr. Presidente da ALIANÇA, Sr. Diretor do Departamento Teológico da ALIANÇA, Sr. Diretor do STEC/JPA, demais autoridades eclesiásticas, irmãos em Cristo em geral e, especialmente, caríssimos formandos: Honra-nos muito a escolha da turma concluinte para ser o seu patrono e nos sentimos extremamente lisonjeados com isso. Agradecemos a deferência. Nestas breves palavras aos formando queremos enfatizar uma dicotomia que reputamos de magna importância para aqueles que foram chamados por Deus para ministrar em Sua casa no excelentíssimo ministério da Palavra, que são: o conhecimento bíblico e a piedade. Tratando-se do conhecimento bíblico queremos enfatizá-lo em sua maior amplitude e não só o conhecimento teológico, da doutrina, aprendido em Seminários. É sabido que Deus graciosamente se revelou a Si mesmo através da natureza e principalmente através das Sagradas Escrituras. Tudo aquilo que Deus quis que conhecêssemos acerca dele (o Seu ser, os Seus atributos, o Seu caráter e principalmente a Sua vontade) está registrado na Sua Santa Palavra. Isso faz da Bíblia um livro especial que deve ser conhecido por todos aqueles que professam a fé em Cristo, principalmente aqueles que labutam como obreiro na seara do Senhor. Conhecer todo o conselho de Deus é imprescindível para o ministro do evangelho. A Bíblia Sagrada é o manual por excelência daquele que é obreiro do Senhor. Diante disso, urge que nos debrucemos diante da Palavra de Deus de dia e de noite como foi recomendado pelo Senhor a Josué. “não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita nele dia e noite, para que tenhas o cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e então prudentemente te conduzirás” Js 1.8. Particularmente somos de opinião de que não se precisa, necessariamente, conhecer a profundidade de todas as heresias que grassam no meio evangélico, que brotaram do inferno para confundir a igreja, mas é imprescindível que o ministro do Senhor conheça toda a verdade revelada na Palavra de Deus. A razão disso é simples: a verdade de Deus enchendo o coração de uma pessoa rechaça com facilidade o erro, de onde ele vier, por mais sutil que seja. A piedade, o segundo tema da dicotomia proposta, enfoca a vivência dos ensinamentos contidos na Palavra de Deus. O ministro do Senhor deve ser uma pessoa piedosa e essa piedade passa necessariamente pela vida de oração do obreiro, pela integridade de caráter e pela dedicação ao serviço na igreja, a casa do Senhor. Alguém já disse com propriedade sobre a oração, o seguinte: “muita oração muito poder, pouca oração, pouco poder, e nenhuma oração, nenhum poder”. No seu programa eterno Deus colocou a oração como o instrumento que deve ser utilizado para nos relacionarmos com Ele. Tiago, o irmão do Senhor, em sua carta disse que a oração de um justo pode muito em seus efeitos. O Salvador disse através de uma parábola que deveríamos orar sempre e nunca desfalecer. Paulo, um dos paradigmas como obreiro, ensinou sobre a necessidade do crente orar sem cessar. A prática da oração perseverante atrai o poder de Deus para a vida do ministro do Senhor. Quanto à integridade de caráter, é isso de fundamental importância para que a mensagem pregada pelo servo de Deus não caia no vazio, não perca a sua força, se a mesma for proferida por quem não vive uma vida exemplar. Alguém já disse que os nossos atos falar muito mais alto do que as nossas palavras. O Salvador censurou fortemente os fariseus da sua época porque eles falavam em nome do Senhor, mas não viviam aquilo que ensinavam ao povo de Deus. Queira o bondoso Deus livrar os senhores formandos da hipocrisia, pois ela descredencia o ministério. Tratando-se do serviço na casa do Senhor, nada neste mundo é mais importante do que ele. Assim entende a alma crente, redimida, que foi regenerada pela instrumentalidade do Espirito Santo. O serviço divino é prioridade na vida de todos aqueles que professam a fé em Cristo, principalmente para aqueles que foram convocados por Deus para o ministério da Palavra. Discordamos visceralmente daqueles que são ministros do evangelho, consagrados, que vivem imiscuídos em questões seculares, principalmente na política. Esses ministros perderam a visão do reino de Deus, perderam o foco da vida cristã. O apóstolo Paulo já dizia pelo Espirito Santo, que ninguém que milita como soldado no reino espiritual deve se embaraçar com os negócios desta vida (2 Tm 2.4). Espera-se do ministro do evangelho uma dedicação exclusiva. Isso se extrai facilmente das palavras do Salvador ditas a um homem chamado por Deus para o ministério, quando ao ouvir a chamada quis protelar alegando que tinha compromisso com a sua família. O Salvador disse para ele enfaticamente: “... Deixa aos mortos o sepultar os seus mortos; porém tu vais e anuncia o reino de Deus” Lc 9.60. Amados formandos, terminamos as nossas palavras desejando de coração que o Deus dos céus faça todas as provisões para que vocês tenham um ministério profícuo para a glória de Deus. Um abraço fraternal do pastor e amigo, Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Uma panorâmica sobre Lucas

Lucas foi o único autor dos livros da Bíblia que não era judeu. Ele era médico e foi um dos companheiros de Paulo em duas viagens missionárias. A sua mensagem no Evangelho visava ao público gentio, ao contrário de Mateus que escreveu para os crentes judeus e Marcos para os crentes romanos. O destinatário do Evangelho de Lucas foi um crente chamado Teófilo por quem ele tinha uma profunda estima. A esse ilustre irmão, Lucas destina também o livro de Atos dos Apóstolos. Lucas escreveu o seu Evangelho após uma acurada investigação dos fatos relacionados com a vida do Salvador, senão vejamos: “Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio e foram ministros da palavra, pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio, para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado” Lc 1.1-4. O Evangelho de Lucas é um dos evangelhos sinóticos, só que nele encontramos o mais extenso relato do ministério do amado Mestre, inclusive nele se encontram relatos exclusivos como, por exemplo, a parábola do filho pródigo, a do rico e Lázaro, a parábola do Bom Samaritano, a cura dos dez leprosos, a ressurreição do filho da viúva de Naim, e o único relato sobre a adolescência do Senhor Jesus. Esse Evangelho segue o mesmo padrão dos outros dois sinóticos, principalmente Mateus, começando com o relato do nascimento de Jesus e continuando com o seu ministério até sua prisão, condenação, morte, sepultamento, ressurreição e ascensão. Ainda esse Evangelho no que se refere à genealogia do Salvador remonta a Adão e não só a Abraão como faz Mateus, querendo isso dizer que a mensagem do Evangelho é universal, para todos, aliás a ênfase desse Evangelho é na humanidade de Jesus, sendo identificado no livro com o título messiânico de Filho do Homem. O Jesus identificado em Lucas é o salvador divino-humano, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. O Evangelho de Lucas tem as seguintes características especiais: 1) Um amplo alcance dos registros dos eventos sobre a vida do Senhor Jesus desde a anunciação do seu nascimento até a sua ascensão; 2) A qualidade excepcional do estilo literário empregando um vocabulário rico e diversificado; 3) O alcance universal da mensagem do Evangelho – Jesus veio salvar judeus e gentios; 4) Salienta a compaixão de Jesus pelos pobres e necessitados bem como as mulheres e crianças; 5) Ênfase na vida de oração de Jesus e no seu ensino sobre isso; 6) O notável título dado a Jesus, o Filho do Homem; 7) O enfoque da vida abundante do crente em Cristo; A ênfase sobre o ministério do Espirito Santo na vida do Senhor e na dos seus discípulos. No esboço do livro, encontramos: Prefácio (1.1-4); A vinda do Salvador (1.5-25); Preparação do Salvador para o Seu ministério (3.1-4.13); O ministério do Salvador na Galiléia (4.14-9.50); A Viagem Final de Jesus a Jerusalém (9.51-19.28); A semana da paixão (19.28-23.56); Ressurreição e ascensão do Senhor (24.1-53). Olhando o Evangelho de Lucas de forma panorâmica, encontramos: 1) O relato mais completo da infância de Jesus; 2) Depois de descrever o ministério de João Batista e apresentar a genealogia de Jesus, Lucas divide o seu evangelho em três seções principais: a) O ministério de Jesus na Galileia; b) O ministério durante a viagem para Jerusalém; c) A última semana de Jesus em Jerusalém, tendo como fatos principais a prisão, julgamento, condenação, morte, sepultamento, ressurreição de Jesus e sua ascensão aos Céus depois de ter dado aos seus discípulos a promessa do derramamento do Espírito Santo. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti