Este blog veicula reflexões bíblicas feitas pelo Reverendo Eudes Lopes Cavalcanti
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Uma panorâmica sobre Apocalipse
O livro de Apocalipse foi escrito pelo apóstolo João quando ele se encontrava preso por causa do Evangelho na ilha de Patmos, isto em 95 d.C.
O Apocalipse foi escrito para confortar a Igreja que estava sofrendo perseguição por causa do Evangelho na época de Domiciano, imperador romano, que exigia adoração de seus súditos, algo que a Igreja não aceitava.
Devido a sua linguagem altamente simbólica o livro não é de fácil interpretação. Existem pelos menos quatro escolas de interpretação desse livro: A idealista que vê o livro como revelador de princípios que envolvem a luta do bem contra o mal; a Preterista que ensina que os acontecimentos do livro são passados, pendente apenas a segunda vinda do Senhor e a consumação final; a Historicista que ensina que os acontecimentos do livro se cumpriram e estão se cumprindo na história da Igreja; e a escola Futurista que prega que apenas os três primeiros capítulos pertencem à história da Igreja e o restante está para acontecer depois dela.
O Apocalipse, como o próprio nome significa, é uma revelação do Senhor Jesus Cristo, destinada às sete igrejas existentes, na época, na Ásia Menor: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia, e para a Igreja em todas as épocas.
Apocalipse começa apresentando o Senhor Jesus como o grande Juiz do Universo (1). Depois O livro mostra sete cartas destinadas às igrejas citadas (2,3). Nessas cartas encontramos uma apresentação do Senhor Jesus, tirada da visão do capítulo primeiro; uma análise da vida interna da Igreja revelando pontos positivos e negativos; uma advertência do Senhor a igreja; e uma promessa ao vencedor.
Depois o livro revela Deus no seu trono de glória com um livro selado por sete selos (4) e no capitulo seguinte (5) o Cordeiro de Deus é apresentado como aquele que é digno de abrir o livro e desatar os seus sete selos.
À medida que os selos são abertos por Jesus um acontecimento importante na história ocorre (6). Depois o livro apresenta o toque de sete trombetas e o derramar de sete taças, todas essas trombetas e taças representam juízo de Deus punindo uma humanidade ímpia e rebelde (7-11).
O livro também apresenta os quatro formidáveis inimigos da Igreja, a saber: o dragão (Satanás), a besta que sai do mar (o Anticristo), a besta que sai da terra (o Falso Profeta) e a prostituta (Babilônia = o mundo). Esses inimigos combatem contra a Igreja, mas são vencidos pelo Cordeiro, quando de Sua segunda vinda (12-19).
O livro ainda mostra o julgamento desses inimigos e o seu destino eterno, bem como de todos aqueles que não foram lavados no sangue do Cordeiro (20).
O livro termina com a apresentação de um cenário paradisíaco, de felicidade eterna, para aqueles que professam a fé em Cristo, que viverão para sempre com o Senhor. O mundo, como o vemos hoje, será destruído pelo fogo, e a Igreja (a Nova Jerusalém) viverá num novo céu e numa nova terra (21,22).
A mensagem do Apocalipse em síntese é a seguinte: Vocês (a Igreja) que estão sofrendo, tenham paciência, pois o Senhor virá e punirá os inimigos de vocês e dará a todos um final feliz.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Uma panorâmica sobre Judas
O penúltimo livro do Novo Testamento tem o nome de Judas. Esse Judas era filho de José e Maria, portanto meio irmão do Senhor Jesus. Ele se identifica na carta que escreveu como Judas irmão de Tiago, fazendo isso para dar mais credibilidade ao seu escrito, citando como referência Tiago por ser este seu irmão pastor da Igreja de Jerusalém. Essa carta que tem o tema Batalhar pela Fé foi escrita, aproximadamente, entre os anos de 70 e 80 da era cristã para os mesmos destinatários das cartas de Pedro. Judas escreveu essa carta com duas finalidades: 1) Advertir aos crentes sobre a grave ameaça dos falsos mestres e sua influência destruidora nas igrejas da época; 2) Conclamar a todos os crentes genuínos a batalhar pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.
Quanto aos falsos mestres e seus ensinos, Judas escreveu para combatê-los no que se refere à posição deles abertamente antinomiana (ensino que enfatizava que a salvação pela graça permitia ao salvo viver uma vida de pecado sem sofrer a consequências dos mesmos). Esses falsos mestres rejeitavam ainda a revelação divina acerca da pessoa e da natureza do Senhor Jesus. Esses erros doutrinários causaram um estrago nas igrejas da época, dividindo-as quando a questão da fé e da conduta da vida cristã. Judas descreve esses falsos mestres como “ímpios (vs 15) e que “não têm o Espirito” (vs 19).
Olhando essa carta de forma panorâmica podemos perceber que logo após a saudação feita, Judas revela que tinha a intenção de escrever sobre a salvação comum, mas que por causa do estrago que as heresias estavam fazendo nas igrejas resolvera abordar esse tema, visando preservar a pureza do Evangelho. Judas acusa os mestres apóstatas de impureza sexual, de serem liberais como Caim, cobiçosos como Balaão, rebeldes como Coré, arrogantes, enganosos, sensuais e causadores de divisões no meio do povo de Deus. Judas ainda afirma que o julgamento divino com certeza cairia sobre eles no devido tempo, ilustrando esse juízo com seis fatos acontecidos na vida desses homens citados no Antigo Testamento (vs 6 a 11). Os juízos divinos que caíram sobre os personagens citados serviriam de exemplo para os que viviam laborando em erros doutrinários.
A carta de Judas tem as seguintes características: 1) Contém a mais veemente incriminação do Novo Testamento contra os falsos mestres, chamando a atenção de toda a Igreja sobre o gravíssimo perigo das heresias que combatem a fé cristã; 2) Contém uma descrição tríplice de três julgamentos divinos tirados do Antigo Testamento; uma descrição tríplice dos falsos mestres; e três exemplos de homens ímpios do Antigo Testamento (Caim, Balaão e Coré); 3) Traz informações sobre três escritos, dois canônicos (as Escrituras do A. T. e a carta de 2ª Pedro) e outro sem ser canônico (as tradições judaicas); 4) Revela, como 2ª Pedro, a queda de parte dos anjos e o consequente juízo sobre eles; 4) Contém uma das mais belíssimas bênçãos do N. T.
Quanto ao ensino errado no meio da Igreja, esse foi o motivador da escrita de praticamente todos os escritos apostólicos.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Uma panorâmica sobre 3ª João
Como já foi dito, no Novo Testamento encontramos cinco livros escritos por João: o Evangelho de João, 1ª, 2ª e 3ª João e Apocalipse.
A terceira carta de João é destinada a um irmão em Cristo que pertencia a uma das igrejas da Ásia Menor da época. Naquela época havia muitos obreiros itinerantes que pregavam a Palavra de Deus. Criou-se uma cultura evangélica naquele tempo de hospedar esses obreiros em suas viagens missionárias, sendo Gaio, o destinatário da 3ª carta de João, um deles por quem o apóstolo nutria uma estima especial. Vejamos o que João disse desse irmão: “Porque muito me alegrei quando os irmãos vieram e testificaram da tua verdade, como tu andas na verdade. Não tenho maior gozo do que este: o de ouvir que os meus filhos andam na verdade. Amado, procedes fielmente em tudo o que fazes para com os irmãos e para com os estranhos, que em presença da igreja testificaram da tua caridade, aos quais, se conduzires como é digno para com Deus, bem farás” vs 3-6.
No texto acima, João expressa a sua alegria pelo testemunho que muitos davam da integridade de Gaio bem como do seu apoio a essa obra de acolhida aos servos do Senhor que eram missionários e que viviam pregando nas localidades, sem sustento financeiro.
Depois, João faz referência ao líder de uma das igrejas da época chamado Diótrefes que era soberbo e que não aceitava a autoridade apostólica de João, difamando o venerável servo do Senhor, e, proibindo a membrezia da Igreja a não receber os missionários itinerantes nem lhe dar acolhida, chegando até a expulsá-los da Igreja. “Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe. Pelo que, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, e impede os que querem recebê-los, e os lança fora da igreja” vs 9,10.
Nessa carta João faz referência a outro servo de Deus chamado Demétrio que, tudo indica, fazia parte da igreja que Diótrefes procurava ter o primado, no qual todos deviam se espelhar, devido a sua integridade e o seu amor pela obra do Senhor. “Todos dão testemunho de Demétrio, até a mesma verdade; e também nós testemunhamos; e vós bem sabeis que o nosso testemunho é verdadeiro” v 12.
No término da carta João manifesta a esperança de visitar Gaio para falar-lhe à viva voz, talvez sobre a precária situação da Igreja sob a liderança de um líder autocrático, completamente fora do propósito de Deus.
Infelizmente no meio do povo de Deus sempre se encontrou pessoas desprovidas do temor a Deus ocupando cargo de liderança na Igreja do Senhor. Essas pessoas não aceitam pastoreio, acham-se o máximo, autossuficientes, e que estragam a obra do Senhor. No Novo Testamento Paulo se queixou de Himeneu, Fileto, Alexandre (João na carta em apreço queixou-se de Diótrefes), pessoas que seguiram o mesmo padrão de comportamento de Coré, Datã, Abirão, Absalão, lideres do Antigo Testamento, maus exemplos que o povo de Deus não deve se espelhar.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
Uma panorâmica sobre 2ª João
João, apóstolo, escreveu cinco livros que fazem parte do Novo Testamento, que são: Evangelho de João, 1ª, 2ª e 3ª João e Apocalipse. Esse apóstolo foi, juntamente com Tiago seu irmão e Pedro, que mais gozou de privilégios especiais junto ao Senhor Jesus Cristo como, por exemplo, presenciaram a transfiguração do Senhor, a ressurreição da filha de Jairo e a agonia do Salvador no Getsêmani.
Os livros escritos por João foram os últimos do Novo Testamento sendo a 2ª carta, como a 1ª, escrita entre os anos 85 a 95 d.C.
A segunda carta de João é o menor livro do Novo Testamento e teve como destinatário uma tal senhora eleita e seus filhos que tudo indica tenha sido uma igreja local da época por quem João tinha um grande apreço. Essa carta foi escrita para alertar a igreja a se precaver contra os ensinos dos falsos mestres (mestres, evangelistas e profetas) que pululavam pelas igrejas da época. A Igreja, segundo a orientação de João, não deveria ouvir esses falsos mestres, nem dar-lhes acolhidas nem auxiliá-los para que não se tornarem coniventes com suas ações nefastas. A segunda carta repudia o mesmo erro que a primeira carta de João enfatiza.
O tema dessa carta é Andando na Verdade. O tema enfoca a necessidade de se andar de acordo com os ensinamentos das Sagradas Escrituras.
Só lembrando o que foi dito na panorâmica sobre 1ª João, o erro disseminado por esses falsos mestres era o erro da teologia gnóstica que negava a humanidade de Cristo e a eficácia da obra redentora realizada pelo Senhor Jesus na cruz do Calvário.
Essa carta tem as seguintes características especiais: 1) É o menor livro do Novo Testamento; 2) Esse livro tem semelhança surpreendente com 1ª e 3ª João quanto à mensagem, vocabulário e estilo simples de escrita; 3) Tem uma relação muito forte com a 3ª João quanto a não receber e ajudar obreiros desconhecidos da Igreja. Quanto a essa questão, a carta alerta sobre a necessidade de se ter discernimento espiritual à luz dos ensinamentos de Cristo e dos seus apóstolos.
Podemos esboçar essa carta da seguinte maneira: Saudação a Igreja (1-3). Nessa saudação João menciona os destinatários e os elogia por causa da Verdade. João ainda ministra sobre a Igreja uma benção onde são ressaltadas a graça, misericórdia e paz da parte de Deus e do Senhor Jesus Cristo; 1) Elogio e Mandamentos aos fiéis (4-6). Nessa parte, João os elogia por terem mantido a fidelidade há bastante tempo. Quanto aos mandamentos a ênfase é dada ao amor fraternal e a obediência às diretrizes do Senhor; 2) Conselho e Advertência contra os falsos mestres (7-11). Quanto a esse assunto, João orienta a Igreja a reconhecer os falsos mestres e a se afastarem deles. João também orienta aos irmãos que não os recebam em suas casas para não se tornarem cúmplices de suas más obras. Conclusão (12,13). Nessa parte João espera visitar a Igreja para mutuamente usufruírem um do outro e envia saudações da Igreja irmã que pastoreava e termina a carta com a expressão Amém, assim seja.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Uma panorâmica sobre 1ª João
João, apóstolo, escreveu cinco livros que fazem parte do Cânon do Novo Testamento: Evangelho de João, 1ª, 2ª e 3ª João e Apocalipse. Dentre os apóstolos ele, juntamente com Pedro, e seu irmão Tiago, gozaram de privilégios especiais junto ao Senhor Jesus Cristo como, por exemplo, presenciaram a transfiguração do Senhor, a ressurreição da filha de Jairo e a agonia do Salvador no Getsêmani.
Os escritos de João foram os últimos escritos do Novo Testamento sendo a 1ª carta escrita entre os anos 85 a 95 d.C.
A primeira epístola escrita por João, a exemplo das epístolas 2ª Pedro e Judas, teve como objetivo expor e combater os falsos ensinamentos que eram ministrados por falsos mestres que tinham convividos com as igrejas, mas que não estavam mais nelas; bem como exortar aos seus filhos na fé a manterem uma vida de santidade e de comunhão com Deus. O tema dessa carta gira em torno de dois conceitos: Verdade e Justiça.
Nessa carta não são identificados os seus destinatários, nem também a sua autoria, mas é consenso dos estudiosos que foi escrita por João e que os destinatários estavam espalhados na Ásia Menor que na época estavam sob a supervisão apostólica de João.
Essa carta tem as seguintes características especiais: 1) A carta define a vida cristã contrastando termos tais como luz e trevas, verdade e mentira, justiça e pecado, amor e ódio, amar a Deus e amar o mundo, filhos de Deus e filhos do diabo, etc; 2) É o único escrito do Novo Testamento que apresenta Jesus como advogado do crente junto ao Pai celestial; 3) Nessa carta não há citações do Antigo Testamento, baseando-se apenas no ensino do Senhor e dos seus apóstolos; 4) Quanto à Cristologia, a carta enfoca o combate da heresia gnóstica que negava a encarnação do Verbo divino e sua morte na cruz, sem tratar de sua ressurreição; 5) O estilo literário empregado por João é simples e reiterativo na medida que desenvolve certos termos importantes para o viver cristão tais como luz, verdade, crer, permanecer, conhecer, amor, justiça, testemunho, nascido de Deus e vida eterna.
Quanto ao combate a heresia mais perigosa da época - o gnosticismo percebe-se, pela carta, que os gnósticos não acreditavam na humanidade de Cristo e entendiam que a salvação era produto de um conhecimento profundo acerca da divindade, desprezando assim a obra redentora realizada por Cristo na cruz do Calvário.
No esboço de 1ª João, encontramos: 1) Uma introdução (1.1-4); 2) Ênfase na Comunhão com Deus (1.5-2.2). Nessa ênfase encontramos princípios da comunhão com Deus bem como a manifestação dessa comunhão; 3) Destaque para os filhos de Deus (2.29-3.18). Nesse destaque encontramos as características dos filhos de Deus e a confiança que eles têm da parte de Deus; 4) Ênfase no amor divino (4.7-5.3). Nessa ênfase encontramos a origem divina do amor, como compreender esse amor, a perfeição do amor e a obediência a esse amor; 5) As promessas de Deus (5.4-20) englobando a vitória sobre o mundo, a integridade do Evangelho, a vida eterna no Filho de Deus, a resposta à oração, e três grandes verdades (somos filhos de Deus; Jesus é o Filho de Deus; a vida eterna é uma dádiva de Cristo aos crentes); 6) A conclusão (5.21). Na conclusão João ordena aos crentes com a autoridade apostólica que lhe era peculiar a se guardarem dos ídolos.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
Uma panorâmica sobre 2 Pedro
Na sua primeira carta Pedro teve como finalidade confortar a Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo espalhada no Ponto, na Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia e também para orientá-la sobre diversas áreas do viver cristão, especialmente quanto a ser paciente em época de dificuldades.
Na sua segunda carta, que teve os mesmos destinatários e que foi produzida entre os anos 66 a 68 depois de Cristo, próximo ao martírio daquele apóstolo, Pedro alertou aqueles amados irmãos que se precavessem contra os falsos mestres, membros de igrejas, que pululavam naquela época. Na primeira carta o perigo vinha de fora para dentro da Igreja através de perseguições; na segunda carta o perigo residia nos falsos ensinos ministrados por esses mestres, inclusive aqueles que negavam a segunda vinda do Senhor.
A segunda carta escrita por Pedro, que tem por tema A Verdade de Deus e o Falso Ensino dos Homens, tem as seguintes características especiais: 1) A carta contém uma das mais importantes declarações acerca da inspiração, fidedignidade e autoridade das Sagradas Escrituras (1.19-21); 2) A carta, em seu capitulo 2, tem uma grande semelhança com a epístola de Judas no que refere ao combate aos falsos mestres; 3) O capítulo 3 dessa carta é um dos grandes capítulos da Bíblia que enfatiza a segunda vinda do Senhor; 4) A citação de Pedro nessa carta acerca dos escritos de Paulo os autentica e os coloca em pé de igualdade com as outras escrituras (3.15,16).
Nessa carta Pedro, quando a escreveu, teve como objetivo; 1) Exortar os irmãos dispersos a buscarem com diligência a santidade de vida e o verdadeiro conhecimento de Cristo; 2) Desmascarar e repudiar a atividade traiçoeira dos falsos mestres que agiam nas Igrejas da Ásia Menor naquela época.
No esboço dessa carta encontramos: Introdução: 1.1,2; I – O Verdadeiro Conhecimento da Fé Cristã (1.3-21). Nessa divisão encontramos O poder transformador do verdadeiro conhecimento de Deus; o crescimento espiritual progressivo do cristão; o testemunho do próprio apóstolo sobre a Palavra da Verdade; II – A Condenação dos Falsos Mestres (2.1-22). Nessa seção encontramos a obra maléfica dos falsos mestres; o juízo divino sobre eles; alguns sinais dos falsos mestres; e o perigo do desvio da verdade; III – A Certeza da Segunda Vinda do Senhor (3.1-18a). Nessa seção encontramos a negação da segunda vinda por parte dos falsos mestres; a certeza da Segunda Vinda proclamada pelo apóstolo; a exortação para viver aguardando a Segunda Vinda do Senhor. A carta termina com uma bênção impetrada pelo apóstolo Pedro.
Quanto à Segunda Vinda, Pedro nessa carta esclarece que a mesma dará ocasião ao juízo final e a renovação dos céus e da terra. A terra e os céus como são vistos serão destruídos através do fogo e Deus fará novos céus e uma nova terra onde habita a justiça. “Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro e se guardam para o fogo, até o Dia do Juízo e da perdição dos homens ímpios” 2 Pe 3.7. “Mas o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão” 2 Pe 3.10.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Uma panorâmica sobre 1 Pedro
Pedro foi um dos discípulos mais achegados a Jesus juntamente com Tiago e João filhos de Zebedeu com os quais tinha uma sociedade pesqueira no Mar da Galiléia.
Apesar de não ser um homem letrado mostrou-se um hábil escritor escrevendo duas cartas canônicas (1ª e 2ª Pedro). A sua primeira carta foi escrita entre os anos 60 e 63 da era cristã, tendo como secretário Silvano, o Silas aquele companheiro de Paulo em suas viagens missionárias.
Pedro escreveu a sua primeira carta destinada aos irmãos espalhados no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, visando confortá-los em época de perseguição. A carta foi escrita para lembrar aos irmãos que deveriam olhar a vida cristã, mesmo em época de perseguição, com uma perspectiva celestial, e também para ministrar ensinamentos práticos sobre diversos temas da vida cristã.
Essa carta tem as seguintes características especiais: 1) Juntamente com Hebreus e Apocalipse, a primeira carta de Pedro tem uma mensagem que gira em torno de uma perspectiva de uma severa perseguição por causa do Evangelho; 2) A carta contém, mais do que as outras epístolas, instruções de como o cristão deve se comportar diante do sofrimento por causa de perseguição; 3) a carta destaca que o crente em Cristo é um estrangeiro e peregrino neste mundo; 4) Ela destaca ainda o sofrimento do cristão por causa da perseguição contra o evangelho; 5) a carta destaca também muitos títulos do povo de Deus tirados do Antigo Testamento; 6) A carta ainda tem um dos textos de mais difícil interpretação do Novo Testamento que é o que diz que Jesus pregou aos espíritos em prisão, os quais em outro tempo foram rebeldes, nos dias de Noé” 1 Pe 3.19,10.
Nessa carta, o apóstolo Pedro lembra aos irmãos coisas importantes para a vida cristã, senão vejamos: 1) que eles têm uma vocação gloriosa e uma herança nos Céus em Cristo Jesus (1.2-5); 2) que a fé e o amor dos cristãos estarão sempre à prova e purificação e isso redunda na glória de Deus (1.6-9); 3) que a grande salvação proporcionada por Cristo através do Evangelho estava predita nos profetas antigos (1.10-12); 4) que os crentes em Cristo devem viver uma vida santa, diferente do mundo posto no maligno onde vivem (1.13-21); que os crentes em Cristo são crianças espirituais que precisam do alimento da Palavra de Deus para o crescimento espiritual (2.1-3); 5) Que eles são pedras vivas que estão sendo edificados casas espirituais (2.4-10); 6) que eles são peregrinos e estrangeiros neste mundo (2.11,12); 7) que eles devem viver de modo honroso e humilde no trato com todas as pessoas durante a peregrinação neste mundo (2.13-3.21); 8) que eles devem seguir o exemplo de Cristo nas aflições (4.1-19); 9) que os anciãos da Igreja devem pastorear o rebanho do Senhor voluntariamente (5.1-4); 10) que os jovens e os crentes em geral devem viver em humildade e vigilância. A Carta termina com votos e saudações cristãs (5.10-14).
Quanto ao texto de difícil interpretação (1 Pe 3.19,10), a melhor posição é aquela que ensina que Jesus, através do Espirito Santo, usando Noé pregou à geração antediluviana, àqueles espíritos que estavam aprisionados por causa do pecado.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Uma Panorâmica sobre Tiago
Uma panorâmica sobre Tiago
Tiago, o autor da carta que leva o seu nome, era irmão de Jesus por parte de mãe. Era também uma das colunas da Igreja sendo pastor da Igreja em Jerusalém.
A carta de Tiago é a primeira das epístolas chamadas epístolas gerais (as outras são 1 e 2 Pedro, 1, 2, 3 João e Judas) devido não ter sido endereçada a uma igreja local e sim aos cristãos espalhados no mundo antigo, chamados por ele de as doze tribos dispersas.
Os historiadores bíblicos afirmam que essa carta é o primeiro livro escrito do Novo Testamento, escrita entre 45 a 47 d. C.
O tema dessa epístola é “A Fé Manifestada pelas Obras” e foi escrita com os propósitos de encorajar os crentes em Cristo que enfrentavam perseguições por causa da fé; de corrigir a visão errada acerca da natureza da fé salvífica; e de exortar e instruir quanto ao resultado prático da fé em Cristo numa vida de retidão e da prática de boas obras.
A epístola de Tiago tem as seguintes características especiais: 1) É muito provável que tenha sido o primeiro escrito inspirado do Novo Testamento; 2) Essa carta tem poucas referências Cristológicas, apenas duas, mas faz mais alusão aos ensinamentos de Jesus, especialmente do Sermão do Monte, do que qualquer outro livro do Novo Testamento; 3) Mais da metade dos versículos desse livro foi escrito em forma de mandamento, os verbos no modo imperativo; 4 ) É considerado o livro de Provérbios do Novo Testamento devido os seus ensinamentos serem voltados a um viver ético, que agrade a Deus; 5) Tiago é constatado, pelo estudo do livro, como um hábil observador do cotidiano da vida do povo da época bem como da perversidade natural do ser humano; 6) É o livro por excelência que correlaciona fé com boas obras, sendo essas últimas derivada da fé genuína; 7) O livro de Tiago é comparado por alguns estudiosos com o livro do profeta Amós devido a ênfase no tratamento da injustiça e desigualdades sociais.
Olhando o livro de Tiago de forma panorâmica encontramos nele uma ampla variedade de temas relacionados à vida cristã autêntica, conforme se segue: Exortação aos crentes a suportarem com alegria as provações da vida (1.2-11); exorta-os a resistirem às tentações (1.12-18); exorta-os a serem praticantes da Palavra de Deus e não apenas ouvintes (1.19-27); exorta-os a demonstrarem com o viver uma fé viva e não praticarem uma religião vazia (2.14-26); Adverte-os solenemente contra o pecado da falta de controle da língua (3.1-12); Adverte-os a se acautelar de ser levado pela sabedoria carnal (3.13-16); Adverte-os de terem uma conduta pecaminosa (4.1-10); Adverte-os ainda do viver de forma presunçosa (4.13-17); Adverte-os também acerca do perigo de amarem a riqueza material (5.1-6). Tiago termina sua carta enfatizando a virtude da paciência, a oração perseverante, e o tratamento restaurador dos desviados da fé (5.7-20).
Merece destaque nessa carta a questão da habitação do Espírito no interior do salvo e do ciúme do Espírito provocado pelo apego do crente ao mundo (Tg 4.4,5).
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
sábado, 26 de dezembro de 2015
Uma panorâmica sobre Hebreus
A carta aos Hebreus não identifica o seu autor, portanto é considerada uma epístola anônima. Pelo seu teor percebe-se que essa carta foi destinada, na época, aos crentes hebreus que estavam sendo tentadas a voltar para o judaísmo devido, dentre outras coisas, a perseguição que estava sedo movida contra os cristãos pelo império romano. Ainda pelo seu teor percebe-se que o autor da carta era profundamente versado nas Escrituras do Antigo Testamento devido citá-las com frequência no seu escrito.
O tema central dessa epístola é a superioridade de Cristo e de sua obra sobre os anjos, os profetas e sobre os personagens principais centrais de Israel, tais como Moisés, Josué, Levi, Arão, etc, bem como sobre o culto do Antigo Testamento e dos que oficiavam nele. A palavra chave desse tema é “melhor”, que ocorre treze vezes.
Essa carta tem as seguintes características especiais: 1) É o único livro que quanto a sua estrutura começa como um tratado, se desenvolve como um sermão e termina como uma carta (Orígenes); 2) É o único livro do Novo Testamento que desenvolve o conceito do ministério de nosso Senhor Jesus Cristo como Sumo Sacerdote; 3) Contém os mais variados aspectos da doutrina de Cristo (Cristologia), apresentando mais de vinte títulos de Cristo; 4) Contém o mais longo capitulo do Novo Testamento sobre a fé; 5) O livro contém as mais veementes advertências contra a apostasia da fé cristã.
Quanto ao tema central de Hebreus (A superioridade de Cristo) nos é dito que Cristo é melhor do que os anjos e todos os mediadores do antigo concerto. Ele, Cristo, provê o melhor repouso, o melhor concerto, a melhor esperança; é o melhor sacerdote, autor da melhor expiação pelo sacrifício vicário, e faz as melhores promessas.
O livro de Hebreus tem três divisões principais: 1) Jesus, o poderoso Filho de Deus é declarado a plena revelação de Deus à humanidade, superior aos profetas, aos anjos, a Moises e a Josué. Nessa divisão há uma solene advertência para o crente não cair depois de se tornar participante da graça divina (1.1-4.13); 2) Apresenta Jesus como o Sumo Sacerdote de nossa confissão, suas qualificações, caráter e ministério. Ainda nessa divisão há uma solene advertência para o crente não cair depois de se tornar participante da graça divina (4.14-10.18); 3) Contém uma admoestação enfática para os crentes perseverarem na salvação, na fé, no sofrimento e na santidade (10.19-13.17).
A carta sermão aos Hebreus pode ser esboçada da seguinte maneira: I - O Argumento: Em se tratando de revelação - Cristo e a fé cristã sobrepujam o Judaísmo (Cristo é superior aos profetas, aos anjos, a Moisés e a Josué). Em se tratando da obra Medianeira - Cristo é superior em suas qualificações do sacerdócio, em seu caráter, em seu ministério (melhor santuário, melhor concerto, melhor sacrifício) (1.1-10.18); II – A Aplicação: Exortação à perseverança no âmbito da salvação, da fé da resignação e na santidade de vida (10.19-13.17).
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
Uma panorâmica sobre Filemom
Filemom era um ilustre servo de Deus com quem Paulo se comunicava. Era um homem de posses. Servia a Deus na igreja de Colossos e tinha servos, dentre eles, um chamado Onésimo. Pela carta que Paulo enviou para Filemom entendemos que Onésimo tinha fugido da casa de Filemom e fora aprisionado e, pela providência divina, fora colocado na mesma prisão onde Paulo estava preso. Na prisão Paulo o ganhou para Cristo. A conversão de Onésimo foi tão profunda que Paulo gostaria de tê-lo consigo para servir no Evangelho, mas por questão de ética e de direito o devolveu a Filemom após a libertação de Onésimo. A carta de Paulo a Filemom, conhecida também como uma epistola pastoral, é uma carta em que Paulo intercedia por Onésimo junto a Filemom para que aquele servo de Deus o perdoasse e recebesse o foragido escravo não mais como escravo, mas como irmão caríssimo no Senhor. Na época, um escravo foragido poderia ser punido com a morte por causa da fuga.
Essa carta é também conhecida como uma das epístolas que Paulo escreveu da prisão, quando de sua primeira prisão em Roma.
A carta a Filemom, que foi escrita aproximadamente em 62 d.C. tem as seguintes características especiais: 1) É a mais breve das cartas escritas por Paulo; 2) Mais do que qualquer outra carta de Paulo mostra como a igreja primitiva tratava a questão da escravidão; 3) revela as entranhas do apóstolo Paulo no que se refere a identificação com os crentes em Cristo independente de sua posição social.
Esboçando a carta a Filemom, vemos: Uma saudação como é comum nas cartas escritas por Paulo onde ele identifica o autor da carta, o destinatário, e abençoa aos destinatários com a graça e a paz da parte de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo (1-3); Paulo revela a estima que tinha por Filemom, por causa de sua fé em Cristo e pelo amor que ele nutria pelos irmãos (4-7); Paulo, em seguida, faz um apelo em favor de Onésimo onde ele explica o motivo da devolução de Onésimo e faz um apelo em favor dele e ao mesmo tempo espera uma resposta positiva de Filemom (8-21); No final da carta, Paulo manifesta a esperança de visitar Filemom em breve, informa os nomes daqueles irmãos que enviam saudações à Igreja de Colossos e impetra a bênção sobre eles (22-25).
O tema escravidão merece destaque nessa carta. No mundo romano da época era comum a escravidão decorrida de espólio de guerra, de dívida não paga, etc, inclusive no meio da Igreja. É bom lembrar que Paulo orientava, através de suas cartas, aos escravos crentes a quem ele chama de servos que obedecessem aos seus senhores, servindo-os como se fosse ao próprio Senhor Jesus (Ef 6.5-8; Cl 3.22-25). Orienta ainda Paulo que se houvesse oportunidade de libertação de forma legal, aproveitassem eles a ocasião (1 Co 7.21). Quanto aos senhores que tinham escravos Paulo orienta a que os tratasse com humanidade, deixando as ameaças, pois o Senhor do Céu não fazia acepção de pessoas (Ef 6.9).
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Uma panorâmica sobre Tito
A carta de Paulo a Tito é considerada uma carta pastoral porque foi destinada a um obreiro companheiro do apóstolo numa de suas viagens missionárias. Tito era um convertido gentio através do ministério de Paulo, e fora designado por Paulo para ser o obreiro da igreja de Creta. “Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam...” Tt 1.5. Paulo tinha a Tito como um companheiro fiel e capaz e o cita em suas cartas treze vezes, sempre fazendo menção elogiosa a ele.
Quatro foram os motivos que levaram a Paulo a escrever a Tito, a saber: 1) Orientar a Tito a por em ordem as coisas que ficaram pendentes no ministério daquela igreja, especialmente a questão da eleição de presbíteros. “Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros, como já te mandei” Tt 1.5; 2) Ajudar as igrejas daquela Ilha a crescerem na fé, no conhecimento da verdade e em santidade; 3) silenciar os falsos mestres que frequentavam as igrejas; 4) solicitar a Tito vir a Paulo, quando fosse substituído na direção do trabalho por Ártemas ou Tíquico.
Essa carta tem as seguintes características especiais: 1) A carta contém dois breves, mas profundos resumos da obra redentora realizada por Cristo na cruz do Calvário; 2) A igreja e o seu ministério devem estar edificados sobre firmes alicerces espiritual, teológicos e éticos; 3) Contém uma das duas listas no Novo Testamento (a outra encontra-se em 1 Timóteo) sobre as qualificações exigidas por Deus dos obreiros de uma igreja local.
Olhando para a carta de forma panorâmica, encontramos quatro temas que merecem destaque: 1) As qualificações espirituais necessárias para os que são separados para o ministério na igreja (Tt 1.5-9); 2) O ensino da sã doutrina como prioridade no ministério didático da igreja e a repreensão aos falsos mestres (Tt 1.10-2.1); 3) A ênfase na obra redentora de Cristo, mesmo que apresentada de forma sucinta (2.11-14; 3.4-7); 4) A ênfase nos papéis exercidos pelos diversos segmentos da igreja (pessoas idosas tanto do sexo masculino como do feminino, das mulheres e homens jovens, e dos servos) (2.1-10); 5) A ênfase nas boas obras e numa vida de retidão como provas evidentes de uma genuína conversão a Cristo (Tt 1.16; 2.7,14; 3.1,8,14).
No esboço da carta, encontramos: 1) a introdução (1.1-4); 2) As instruções sobre o estabelecimento de Presbíteros na Igreja onde se encontram qualificações pessoais e qualificações familiares (1.5-9); 3) Instruções à respeito de falsos mestres onde se encontram revelado o caráter e conduta deles, e uma repreensão a eles (1.10-16); 4) Instruções a respeitos dos diversos segmentos de pessoas, contendo orientações para idosos, jovens e servos (2.1-15); 5) Exortações às boas obras (3.1-11); 6) A conclusão com recomendações, saudações pessoais e a ministração de uma bênção “A graça seja com vós todos. Amém” (3.12-15).
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
Uma panorâmica sobre 2ª Timóteo
Timóteo a quem Paulo destinou duas cartas pastorais era filho de uma judia crente chamada Eunice e de pai grego. Apesar de jovem era um crente fiel e dava bom testemunho do Evangelho e Paulo, quando esteve em Derbe onde Timóteo morava, o levou consigo como cooperador do Evangelho, depois dele ser circuncidado, pois o seu pai era grego como já dito, isto na segunda viagem missionaria do apóstolo.
Quando da escrita da 2ª carta a Timóteo, Paulo estava preso pela segunda vez em Roma donde não mais sairia, sendo ali martirizado, sendo, portanto, a 2ª carta a Timóteo o último livro escrito por Paulo.
Percebe-se, tanto pela primeira como pela segunda carta, que Timóteo era, por natureza, uma pessoa tímida e que precisava de encorajamento no ministério pastoral que exercia em Éfeso. Timóteo continuava enfrentando a oposição de maus obreiros dentro da Igreja. Na carta Paulo cita os nomes desses homens que exerciam liderança na Igreja, mas tinham pensamentos distorcidos referentes ao Evangelho e ao seu corpo doutrinário. Figelo e Hermógenes se apartaram de Paulo (2 Tm 1.15); Himeneu e Fileto ensinavam que a ressurreição já tinha sido realizada (2 Tm 2.16-18); e Alexandre, o latoeiro, causara grandes males a Paulo, resistindo aos seus ensinamentos (2 Tm 4.14,15).
Olhando a 2ª carta de forma panorâmica podemos observar o seguinte: No capítulo 1 Paulo assegura a Timóteo o seu amor e incessante orações por ele, e exorta-o a nunca ser infiel ao Evangelho, a guardar com diligência a verdade revelada na Palavra de Deus, e a seguir o seu exemplo como ministro do Evangelho; No capítulo 2, Paulo orienta a Timóteo a preservar a fé, transmitindo-a a homens fieis visando o compartilhamento com outros, bem como sofrer com paciência as provações do ministério como bom soldado de Cristo, a servir a Deus com diligência manejando com fidelidade a Palavra de Deus, e a separar-se daqueles que se desviam da verdade, a manter-se puro e a trabalhar com paciência ensinando com mansidão a doutrina cristã. No capítulo 3 Paulo revela que a apostasia se instalará no meio do povo de Deus por causa do aumento da iniquidade, e traça o perfil da última geração dos homens da atual dispensação. No contexto do seu ministério, Paulo alerta a Timóteo a se apegar a Palavra inspirada por Deus. No último capítulo (4), Paulo incube a Timóteo de pregar a Palavra de Deus e a cumprir os seus deveres como ministro do Evangelho. Paulo termina essa carta informando a Timóteo quanto a assuntos pessoais bem como a expectativa de sua morte iminente e solicita a presença de Timóteo em Roma para lhe ver.
Essa carta tem as seguintes características especiais: 1) É o último escrito inspirado por Deus pela instrumentalidade do apóstolo antes da sua execução pela Roma de Nero; 2) A carta contém uma das mais importantes declarações sobre a inspiração divina da Bíblia Sagrada e do propósito dela para a vida do cristão (2 Tm 3.16,17); 3) A carta ainda contém exortações sucintas para um viver cristão autêntico: despertar o dom de Deus; não se envergonhar do Evangelho de Cristo; sofrer pelo Evangelho; conservar o modelo das sãs palavras; guardar a verdade; fortificar-se na graça; passar adiante a mensagem do Evangelho; sofrer as aflições; sê diligente na Palavra; evitar os falatórios profanos; fugir dos desejos da mocidade; acautelar-se da apostasia que há de vir; permanecer na verdade; pregar a Palavra; fazer a obra de um evangelista; cumprir o ministério; 4) As exortações de Paulo a Timóteo visavam: Manter Timóteo firme na fé em Cristo; guardá-lo da distorção e da corrupção, opor-se aos falsos mestres e pregar o evangelho com perseverança; 5) O testemunho comovente de Paulo de despedida é um exemplo de coragem e esperança diante do martírio iminente.
Dentre muitas coisas preciosas nessa carta temos a revelação do perfil da última geração que estará vivendo antes da segunda vinda do Senhor. Esses homens não regenerados, que não têm o Espirito, irão se opor ao Evangelho de Cristo, e irão provocar uma degradação moral e espiritual no mundo. Isso já foi profetizado por Daniel (Dn 12.10) e por Cristo (Mt 24.12).
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
Uma panorâmica sobre 1ª Timóteo
O apostolo Paulo escreveu treze cartas que se encontram no Novo Testamento. Nove delas foram destinadas à igrejas e quatro à obreiros, companheiros seus no ministério da Palavra. As quatro cartas a obreiros são chamadas de cartas pastorais, sendo a primeira delas destinada a Timóteo.
Paulo escreveu a primeira carta a Timóteo após sua soltura da prisão em Roma, depois dos relatos do último capítulo de Atos dos Apóstolos, isto em 65 d.C.
Timóteo, na época, pastoreava a igreja de Éfeso e parece que se encontrava desanimado, com dificuldades com maus obreiros, opositores seus na igreja.
Descobrimos lendo a carta que Paulo tinha em mente três propósitos ao escrevê-la, a seguir identificados: 1) Exortar a Timóteo a respeito do seu ministério e da sua vida pessoal; 2) Exortar a Timóteo a ser intransigente na defesa da fé cristã e de seus valores e refutar o ensino errado feito por mestres na igreja; 3) Fornecer instruções a Timóteo para tratamento de diversos problemas na igreja.
Essa carta tem as seguintes características especiais: 1) É uma carta destinada diretamente a Timóteo como pastor da igreja de Éfeso, daí ser uma carta escrita com um profundo sentimento pessoal; 2) Esta carta, junto com a 2ª Timóteo, ressalta mais do que qualquer outra do Novo Testamento a responsabilidade pastoral de manter a pureza do Evangelho expurgando os falsos ensinos que enfraquecem o poder da mensagem salvífica; 3) Ela enfatiza o valor supremo do Evangelho bem como a influência maléfica que tenta corrompê-lo. Enfatiza ainda a santa vocação da igreja e o perfil que Deus requer dos seus obreiros; 4) Fornece orientações especificas sobre o correto relacionamento do pastor com os diversos segmentos dentro da igreja.
No Esboço de 1ª Timóteo, encontramos: A introdução da carta ocupa todo o capitulo primeiro (1.1-20). Depois Paulo dá instruções a Timóteo acerca do ministério pastoral, enfatizando o valor da oração, a conduta apropriada das mulheres e as qualificações dos oficiais da igreja (2.1-45). Depois Paulo dá instruções a Timóteo sobre o desenvolvimento do seu ministério pessoal. (4.6-6.19). Paulo conclui essa carta alertando aquele obreiro sobre a necessidade de guardar o depósito que lhe fora confiado e a afastar-se da oposição da falsa ciência.
Merece destaque nessa carta a questão da prática da oração perseverante que deve ser feita pela igreja em favor de todos os homens, especialmente daqueles que ocupam posição de autoridade. “Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade. Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” 1 Tm 2.1-4. Outro destaque da carta é a alta exigência da qualificação de bispos e diáconos para o exercício de seus ministérios: “Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?); não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Convém, também, que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta e no laço do diabo” 1 Tm 3.2-7. “Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância, guardando o mistério da fé em uma pura consciência. E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis”. “Os diáconos sejam maridos de uma mulher e governem bem seus filhos e suas próprias casas. Porque os que servirem bem como diáconos adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus”. 1 Tm 3.8-10, 12,13.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Uma panorâmica sobre 2ª Tessalonicenses
A primeira carta de Paulo à Igreja de Tessalônica causou um impacto na vida daquela comunidade no que concerne a revelação que o apóstolo fizera sobre a segunda vinda do Senhor e o seu desdobramento no arrebatamento da igreja. Tudo indica que muitos irmãos com o entendimento de um arrebatamento iminente deixaram seus empregos e ficaram esperando a vinda do Senhor. Como o Senhor não viera logo, esses irmãos começaram a buscar alimento e o atendimento de suas necessidades junto aos irmãos, causando transtorno na Igreja. “Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes, fazendo coisas vãs. A esses tais, porém, mandamos e exortamos, por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão. E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem” 2 Ts 3.10-13.
A segunda carta foi escrita pouco tempo depois da primeira carta, cerca de 51 ou 52 d.C., quando Paulo ainda estava trabalhando na cidade de Corinto com Silas e Timóteo e tivera conhecimento do problema.
Essa carta teve como propósitos animar seus novos convertidos que estavam sofrendo perseguição; exortá-los a dar bom testemunho da fé cristã e trabalhar cada um para ter o seu sustento a fim de não servir de peso para os outros; e para corrigir certos erros doutrinários sobre eventos ligados ao Dia do Senhor.
A segunda carta tem as seguintes características especiais: 1) a carta contém um dos trechos mais completos a respeito da iniquidade e da impostura desenfreadas no final dos tempos; 2) O justo juízo de Deus vinculado à Segunda Vinda do Senhor é descrito, na carta, em termos apocalípticos como no livro de Apocalipse; 3) descreve o perfil do Anticristo como em nenhum livro da Bíblia Sagrada.
Sobre a Segunda Vinda do Senhor, Paulo orienta a Igreja a não se demover facilmente do ensino correto sobre o assunto, mesmo que pessoas importantes do meio cristão falem sobre a iminência do dia do Senhor sem considerar os sinais que ele apresenta na carta.
Merece destaque nessa carta a questão dos sinais que antecederão a Segunda Vinda do Senhor. Paulo pelo Espírito Santo revela que a Segunda Vinda do Senhor não ocorrerá sem antes ser instalada a apostasia e seja manifestado o Anticristo. “Ninguém, de maneira alguma, vos engane, porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição” 2 Ts 2.3. Com relação à apostasia, podemos correlacionar o assunto com o que o Senhor Jesus revelou em seu sermão escatológico sobre o aumento da iniquidade e o consequente esfriamento da fé (Mt 24.12).
Em relação ao Anticristo, ele é a besta que sai do mar (nações) do livro de Apocalipse (Ap 13.1-10). Em Apocalipse é dito que o dragão (Satanás) deu o seu poder ao Anticristo. “E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés, como os de urso, e a sua boca, como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio” Ap 13.2. Em 2ª Tessalonicenses nos é dito que o Anticristo, o iníquo aparecerá com toda a eficácia de Satanás. “a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais, e prodígios de mentira, e com todo engano da injustiça para os que perecem,...” 2 Ts 2.9,10.
Esse quadro assustador de apostasia e operação intensa de Satanás que antecederá a Segunda Vinda, terá como consequência uma geração maldosa, perversa que viverá no final dos tempos, conforme revelado por Paulo em 2 Tm 3.1-9.
No cronograma de eventos escatológicos, podemos observar que a Segunda Vinda ocorrerá após a Grande Tribulação. (Mt 24.29-31)
O Anticristo bem como a segunda besta (o Falso Profeta) será destruído (aprisionados e lançados vivos no lago que arde com fogo e enxofre) por Cristo em sua Segunda Vinda, conforme revelado na carta em apreço e no livro de Apocalipse.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
Uma panorâmica sobre 1ª Tessalonicenses
A cidade de Tessalônica era uma das maiores da Macedônia e na época em que Paulo escreveu essa carta era uma das principais províncias romanas, inclusive, com um porto que servia para os interesses daquela potencia mundial. Os estudiosos bíblicos estimam que Tessalônica, na época, tinha uma população de aproximadamente 200.000 habitantes.
O trabalho evangélico em Tessalônica começou na segunda viagem missionária de Paulo. Paulo passou pouco tempo naquela cidade, devido à perseguição movida pelos judeus que habitam ali. “Mas os judeus desobedientes, movidos de inveja, tomaram consigo alguns homens perversos dentre os vadios, e, ajuntando o povo, alvoroçaram a cidade, e, assaltando a casa de Jasom, procuravam tirá-los para junto do povo. Porém, não os achando, trouxeram Jasom e alguns irmãos à presença dos magistrados da cidade, clamando: Estes que têm alvoroçado o mundo chegaram também aqui, os quais Jasom recolheu. Todos estes procedem contra os decretos de César, dizendo que há outro rei, Jesus. E alvoroçaram a multidão e os principais da cidade, que ouviram estas coisas. Tendo, porém, recebido satisfação de Jasom e dos demais, os soltaram”. At 17.5-9. O resultado do trabalho de Paulo e Silas é relatado assim em Atos 17.4: “E alguns deles creram e ajuntaram-se com Paulo e Silas; e também uma grande multidão de gregos religiosos e não poucas mulheres distintas”.
Como Paulo passara pouco tempo naquela cidade, não deu tempo de doutriná-la adequadamente, por isso escreveu essa carta visando confortar a Igreja e ao mesmo tempo instrui-la acerca de um ponto teológico muito importante que é a questão da segunda vinda de Cristo da ressurreição dos mortos e do arrebatamento da Igreja, bem como a necessidade do cristão andar em santidade de vida. Timóteo foi o obreiro enviado por Paulo à Tessalônica para levar a carta e ao mesmo tempo para ministrar naquela Igreja.
A 1ª carta aos Tessalonicenses é um dos primeiros escritos do Novo Testamento e foi escrita aproximadamente em 51 d.C.
Essa carta tem as seguintes características especiais: 1) Ela foi um dos primeiros livros escritos do Novo Testamento; 2) Contém textos chaves do Novo Testamento sobre a ressurreição dos santos falecidos por ocasião do arrebatamento da Igreja (4.13-18), e a respeito do Dia do Senhor (5.1-11); 3) A segunda vinda do Senhor é referenciada em todos os cinco capítulos dessa carta, dando uma relevância especial a esse assunto; 4) Oferece uma visão única do estado de uma igreja zelosa, mas ainda neófita na fé bem como uma visão das características do ministério apostólico de Paulo.
Merece destaque nessa carta a ênfase dada por Paulo a algumas questões da vida prática de uma comunidade evangélica tais como: a pureza sexual (4.1-8), o amor fraternal (4.9,10), o trabalho honesto (4.11,12), A vinda de Cristo (4.13-5.11), a estima que deve ser dada aos dirigentes da Igreja (5.12,13), a vida cristã (5.14-18), e o discernimento espiritual que a Igreja deve ter (5.19-22).
O grande assunto tratado por Paulo nessa carta é aquele relacionado à segunda vinda do Senhor e o seu desdobramento. Paulo revela que Jesus virá a segunda vez ele mesmo (o mesmo Senhor) e essa vinda será uma vinda gloriosa, ostensiva (com alarido, com a voz do arcanjo, com a trombeta de Deus -a sétima trombeta do Apocalipse). Paulo diz ainda que três coisas acontecerão, pela ordem, num abrir e fechar de olhos: 1) A ressurreição dos crentes falecidos (os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro); 2) A transformação dos crentes vivos (subtendido), (os que estiverem vivos). Essa questão é esclarecida por Paulo na primeira carta aos Coríntios 15.52; 3) o arrebatamento da Igreja (seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares). Paulo termina esse assunto dizendo que essa promessa deve ser um consolo para a Igreja no meio das tribulações que enfrentavam.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Uma panorâmica sobre Colossenses
A cidade de Colossos estava localizada próximo da cidade de Laodicéia, no sudeste da Ásia Menor, cerca de 160 quilômetros de Éfeso.
Tudo indica que a Igreja de Colossos fora fundada por Epafras, companheiro de Paulo. “como aprendestes de Epafras, nosso amado conservo, que para vós é um fiel ministro de Cristo, o qual nos declarou também a vossa caridade no Espírito” Cl 1.7,8. O trabalho nessa cidade, sem dúvidas, surgira como um dos resultados da poderosa obra realizada pelo apóstolo Paulo em Éfeso, onde passou mais de dois anos pregando o evangelho. “E durou isto por espaço de dois anos, de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, tanto judeus como gregos” At 19.10.
A carta aos Colossenses é considerada como uma epístola gêmea de Efésios por causa da similaridade dos temas enfocados, principalmente a questão da Cristologia e da questão das diretrizes para os componentes de um lar cristão.
O tema da carta aos colossenses é a supremacia de Cristo. Essa supremacia abrange a obra da redenção realizada por Ele na cruz, sobre a criação, sobre a Igreja como o seu cabeça, também como autor da obra reconciliadora do homem com Deus. Cristo é retratado na epístola como aquele em que reside toda a plenitude da divindade (1.19; 2.9).
Paulo escreveu essa carta em 62 d.C, aproximadamente, com o propósito de combater uma sutil heresia que surgira naquela igreja, que era uma mistura de tradições judaicas extra bíblicas e filosofias pagãs, num sincretismo religioso que enfatizava o culto aos anjos e contaminava a igreja, e deslocava a centralidade de Cristo na Igreja. Essa heresia não está descrita em detalhes na carta porque os colossenses a conheciam bem.
Colossenses tem as seguintes características especiais: 1) Enfatiza mais do que em qualquer outro livro do Novo Testamento a proeminência de Cristo e da perfeição do crente nele; 2) Enfatiza com intensidade a plena divindade de Cristo e contém um belíssimo trecho a respeito de Sua glória; 3) A epístola gêmea de Efésios, devido tratar, até certo ponto, de temas similares e por terem sido escritas provavelmente na mesma época.
A carta aos Colossenses, como as outras cartas de Paulo destinadas as Igrejas, tem uma parte teológica e outra parte prática. Olhando para essa carta de forma panorâmica, encontramos: 1) Uma saudação seguida de ações de graças pela fé, amor e esperança dos colossenses, e de uma oração em favor deles (1.1-12) ; 2) A exposição da poderosa doutrina sobre a proeminência de Cristo na redenção do crente. Jesus é apresentado por Paulo como o redentor vicário (1.13,14), como Senhor da criação (1.15-17), como cabeça da Igreja (1.18), como reconciliador de todas as coisas, inclusive dos colossenses (1.19-23); 3) A revelação de que Paulo fora o instrumento usado por Deus para falar acerca do mistério de Deus em Cristo (1.24-2.7); 4) Advertência de Paulo contra falsos ensinos que estava solapando a igreja. Essa advertência combatia o falso ensino acerca da pessoa de Cristo e das práticas religiosas contrárias à Sua lei (2.8-23); 5) Instruções práticas para a vida dos crentes, que englobam a conduta pessoal do crente em Cristo, o relacionamento familiar do crente como esposos, pais, filhos e servos sendo esses últimos considerados também como parte da família (3.1-4.6). Em relação a essa questão do lar, Paulo apresenta o segredo da felicidade dele: a obediência aos mandamentos divinos sobre o assunto; 6) O impacto da influência de um crente genuíno. Essa influência é derivada de uma vida dedicada à oração, de uma conduta sábia para com os estranhos a fé, e pela conversação sadia, cheia de graça (4.2-6). A carta termina, como as outras cartas de Paulo, com recomendações pessoais, saudações a irmãos da Igreja e a ministração da benção sobre ela: “A graça seja convosco. Amém” (4.7-18).
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Uma panorâmica sobre Filipenses
A Igreja de Filipos fora fundada por Paulo em sua segunda viagem missionária. Três acontecimentos registrados em Atos dos Apóstolos são marcos na fundação dessa Igreja. Um foi a conversão de Lídia à beira de um rio, o outro foi a libertação da jovem que tinha um espírito de adivinhação, e o outro foi a conversão do carcereiro de Filipos na própria prisão que comandava. O trabalho de Paulo começara naquela cidade em obediência a uma visão que tivera. “E Paulo teve de noite uma visão, em que se apresentou um varão da Macedônia, e lhe rogou, dizendo; Passa a Macedônia, e ajuda-nos” At 16.9.
Paulo ao longo de seu ministério teve um estreito relacionamento com essa Igreja. Ela o ajudou muito em seu ministério apostólico. A carta escrita por Paulo aos Filipenses expressa a sua gratidão pela assistência pecuniária dada pela Igreja a ele.
Paulo escreveu Filipenses quando estava prisioneiro, provavelmente em Roma, nos idos de 61 ou 62 d.C. Nessa carta não encontramos nenhuma censura a Igreja por problemas quaisquer, mas antes ações de graças. Alguém chamou essa carta de epístola da alegria.
Fazendo uma análise do todo da epístola aos Filipenses, podemos observar: 1) Identificação dos remetentes, Paulo e Timóteo bem como os destinatários, Bispos e Diáconos (1.1,2); 2) Uma oração com ações de graças pela vida dos filipenses. Nessa oração Paulo enfatiza o fervor com que os filipenses receberam a mensagem do Evangelho e manifesta a sua confiança de que Deus que começou a obra em Filipos a completará, e agradece a Deus pela ajuda dos filipenses quando estava aprisionado (1.3-11); 3) Em seguida Paulo informa aos filipenses sobre o efeito benéfico do seu cativeiro. A prisão de Paulo fora divulgada por toda a guarda pretoriana, a guarda pessoal do imperador romano e estava dando um novo ânimo aos irmãos para a pregação do Evangelho em Roma (1.12-26); 4) Depois Paulo faz alguma exortações a Igreja no que refere a se manterem unidos no Espírito, fieis na fé em Cristo não temendo as perseguições por causa do Evangelho, inclusive revelando Paulo que sofrer por Cristo é a vocação da Igreja. “Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele” Fp 1.29 (1.27-2.18); 5) Em seguida Paulo revela a Igreja os seus projetos pessoais no que se refere a ela: o envio de Timóteo, a devoção de Epafrodito e sua ida a Filipos após a sua libertação que se estava configurando (2.19-30; 6) Paulo também faz algumas exortações tratando da alegria da humildade cristã, da vida de oração, da paz e da dignidade da profissão da fé cristã. Nessa exortação final, Paulo cita a sua abnegação pela causa de Cristo e convida aqueles irmãos a seguirem o seu exemplo como cristão e ministro do Evangelho. Ainda nessa exortação Paulo adverte a duas irmãs Evódia e Síntique a acabarem a discórdia que existia entre elas, pelo bem da paz e da unidade da Igreja (3.1-4.9); 7) Depois Paulo expressa a sua gratidão pelos donativos enviados a ele pelos filipenses (4.10-20); 8) E termina a sua carta com saudações cristãs e com a ministração da benção sobre a comunidade (4.21-23).
Merece destaque nessa carta o hino cristológico que Paulo elabora quando cita Cristo como exemplo de humildade, que deve servir para toda a Igreja (5-11). Nesse hino Paulo fala do Cristo pré-existente (sempre existiu como eterno Filho de Deus), do esvaziamento da glória que lhe era peculiar, da sua encarnação, assumindo uma natureza humana limitada, da sua morte ignominiosa na cruz do Calvário (o Estado de Humilhação de Cristo) . Em seguida, nesse hino, Paulo fala do Estado de Exaltação de Cristo, quando lhe foi dado pelo Pai celestial um nome que está acima de todo outro nome quer nos céus quer na terra, e que toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai, falando do Cristo Senhor soberano do universo e da Igreja.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Uma panorâmica sobre Efésios
Uma panorâmica sobre Efésios
Das treze cartas escritas pelo apóstolo Paulo, quatro delas são conhecidas como epístolas da prisão, ou seja, epístolas escritas quando ele se encontrava preso por causa do Evangelho, dentre elas a carta aos Efésios (as outras foram Filipenses, Colossenses e Filemon) que, tudo indica, foi escrita em 62 d.C., aproximadamente, quando estava Paulo preso em Roma.
A carta aos Efésios não foi escrita para tratar de algum problema quer seja doutrinário ou moral da Igreja, e sim para revelar a grandiosidade do propósito redentor de Deus em Cristo Jesus. Ainda na carta, Paulo trata do viver cristão nas relações familiares e sociais no que se refere à vontade de Deus para uma convivência harmoniosa.
A carta aos Efésios é similar a carta aos Colossenses a ponto de estudiosos bíblicos chamarem-nas de epístolas gêmeas. Alguns estudiosos bíblicos acham que essa epístola seja a mesma endereçada à igreja de Laodicéia (Cl 4.2).
O propósito de Paulo ao escrever essa carta visava o crescimento espiritual (no amor, na fé, na sabedoria e na revelação do Pai) daquela comunidade evangélica, e com esse intento ele se prostrava em oração diante do Pai celestial. “não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação, tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos e qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder” Ef 1.16-19.
Como já é do conhecimento dos irmãos, a carta aos Efésios é uma das nove cartas paulinas destinadas às igrejas, e essas cartas tem uma parte teológica e uma parte prática. A carta aos Efésios segue essa mesma estrutura. Na sua parte teológica (1-3) Paula enfatiza a redenção que há em Cristo Jesus e como essa redenção se realiza, e na parte prática (4-6) como os redimidos devem viver o Cristianismo.
A carta aos Efésios tem as seguintes características especiais: 1) A revelação da grande verdade teológica da redenção que há em Cristo Jesus, que é intercalada por duas orações do apóstolo; 2) A expressão “em Cristo” que é um dos temas tratados com mais frequências em suas cartas (106 vezes), em Efésios é encontrada cerca de trinta e seis vezes; 3) Em Efésios é salientado o propósito e alvo eterno de Deus para a Igreja; 4) Há uma ênfase destacada no papel do Espírito Santo na vida cristã; 5) Efésios é tida como uma epístola gêmea de Colossenses pelo fato de apresentarem semelhanças em seus conteúdos e por terem sido escritas quase ao mesmo tempo.
No esboço dessa carta, encontramos: I - Uma saudação (1.1,2); II – A revelação da doutrina da redenção do crente (1.3-3.21). Nessa parte encontramos a revelação da preeminência de Cristo na Redenção (1.3-14) seguida de uma oração; O resultado da redenção em Cristo (2.1-3.21) seguido de uma oração de Paulo. III – Instruções práticas para a vida do crente (4.1-6.20). Nessa segunda parte se encontra a descrição da nova vida do crente; as instruções sobre o relacionamento no lar; e batalha espiritual do crente. A carta termina com a informação de quem seria o mensageiro (Tíquico) que iria levá-la aos efésios, e com uma benção impetrada por Paulo sobre aquela Igreja.
Na parte teológica encontramos um mistério revelado por Deus através de Paulo que é de unir judeus e gentios num só corpo espiritual que é a Igreja, que está sendo edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas e cuja pedra principal é o próprio Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo. Essa união é devido à poderosa obra realizada por Cristo na cruz, operacionalizada pela ação do Espírito Santo.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
Uma panorâmica sobre Gálatas
Paulo, juntamente com Barnabé, fundara na sua primeira viagem missionária, pela graça divina, as quatro igrejas que compunham a região da Galácia do Sul, da época (Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe). Nessas cidades eles tiveram uma oposição ferrenha dos judeus que habitavam nelas (At 13.45, 50; 14.2, 5, 19), a ponto de em Listra, cidade onde Paulo curara um paralitico, o apedrejarem e o abandonarem como morto.
É nos dito em Atos 13.43 e em Atos 14.1 que essas igrejas eram compostas de judeus e gentios convertidos à Cristo. Devido à presença judaica ser muito forte nessas cidades, bem como a oposição aos cristãos, as igrejas começaram a aceitar um modus vivendi com o judaísmo achando que poderiam ser cristãos seguindo a lei mosaica, deixando a fé em Cristo em segundo plano. Paulo ao tomar conhecimento de que as igrejas da Galácia estavam prestes a se deixar dominar pelo judaísmo, que ensinava que a salvação era consequência da obediência a lei mosaica, escreveu a carta aos Gálatas para combater essa heresia e ao mesmo tempo fortalecer o seu ensino da justificação somente pela fé em Cristo.
Essa, como as outras cartas de Paulo as Igrejas, se compõe de uma parte teológica ou doutrinaria e uma parte prática. Em ambas as partes o apóstolo defende a liberdade do Evangelho, sendo que na primeira parte (1.11-4.31) ele fala sobre a autoridade do Evangelho, bem como de sua chamada pessoal para pregar o Evangelho; e fala da liberdade do Evangelho enfocando nessa parte a recepção do Espirito e da nova vida pela fé em Cristo e não pelas obras da lei. Fala ainda sobre a salvação como uma promessa messiânica baseada na fé e não na lei e fala sobre a questão da filiação versus escravidão. Paulo diz que os crentes em Cristo são os filhos de Deus e não os descendentes de Abraão etnia que se estribam na lei. Segundo ele, aqueles que confiam na lei são escravos e faz uma analogia sobre isso usando a figura de Isaque e Ismael filhos de Abraão um da livre (Sara) e o outro da escrava (Hagar).
Na parte prática (5.1-6.10), Paulo fala sobre a liberdade do cristão na sua relação com a graça da salvação pela fé e fala sobre as consequências negativas do cristão se submeter à circuncisão. Paulo ainda trata da questão da liberdade do cristão sob a graça e da responsabilidade dele em andar no Espírito e não satisfazer as concupiscência da carne. “Digo, porém: Andai em Espirito, e não cumprireis a concupiscência da carne” Gl 5.16.
Nessa parte da carta, Paulo fala sobre as obras da carne, fruto natural de uma vida não regenerada, e do fruto do Espírito como consequência natural de uma pessoa genuinamente convertida, senão vejamos: “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus” Gl 5.19-21. “Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” Gl 5.22.
Sobre o assunto acima Paulo disse que os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências (Gl 5.24).
Como características principais essa carta contém a mais veemente defesa da natureza do evangelho; Depois de 2 Coríntios é a mais autobiográfica das cartas de Paulo; É a única carta que é dirigida a mais de uma Igreja; e contém o relato mais completo das obras da carne.
Terminando a sua carta, Paulo ainda fala sobre a assistência financeira que a Igreja deve dar aos ministros do Evangelho (Gl 6.6) bem como do cuidado que ela deve ter, prioritariamente, para com os irmãos necessitados (Gl 6.10).
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Uma panorâmica sobre 2 Coríntios
Diz-nos os historiadores bíblicos que Paulo fizera uma viagem a Corinto após o envio da primeira carta. Essa estada em Corinto não fora agradável nem para Paulo nem para aquela comunidade. Novamente em Éfeso Paulo tomara conhecimento de que a sua autoridade apostólica estava sendo minada em Corinto, inclusive os seus opositores estavam denegrindo a imagem do apóstolo. “Porque as suas cartas, dizem, são graves e fortes, mas a presença do corpo é fraca, e a palavra, desprezível” 2 Co 10.10. Depois da segunda carta, Paulo ainda esteve em Corinto, permanecendo ali três meses, conforme se extrai do relato de Atos 20.1-3.
Paulo escreveu a segunda carta aos Coríntios com as seguintes finalidades: a) Encorajar a maioria da igreja que lhe era fiel, como seu pai espiritual; b) Contestar e desmascarar os falsos apóstolos que distorciam a sua mensagem e enfraqueciam o seu apostolado naquela comunidade; c) Repreender a minoria daquela comunidade que estava sendo seduzida pelos falsos obreiros, opositores de Paulo.
A segunda carta aos Coríntios tem as seguintes características especiais: 1) É a mais autobiográfica das epístolas paulinas. Nela encontramos muitas referências pessoais, mas feitas com humildade, pedindo desculpas e até mesmo constrangido pelo que estava revelando; 2) Contém a mais completa teologia sobre o sofrimento do crente em todo o Novo Testamento, bem como sobre a questão da contribuição cristã para a manutenção da Igreja; 3) O uso de diversos termos-chaves que se destacam no conteúdo da carta, tais como: fraqueza, aflição, lágrimas, perigos, tribulação, sofrimento, consolação, jactância, verdade, ministério e glória.
O tema dessa carta é “A Apologia do Ministério Apostólico”, e ela foi escrita entre os anos 55 e 56 depois de Cristo.
No esboço da segunda carta aos Coríntios encontramos: 1) introdução (1.1-11). Nessa introdução observa-se a ausência de uma ação de graça comum nas cartas de Paulo, talvez devido a censura de Paulo à igreja. 2) Primeira parte (1.12-7.16) – Nessa parte encontramos Paulo justificando a sua conduta com relação aos coríntios. Fala de sua demora em fazer a viagem a Corinto; Faz uma apologia (defesa) do seu ministério apostólico (a sua fidelidade como apóstolo, a superioridade do apostolado na dispensação da graça, as fraquezas e sofrimentos do apóstolo, o apóstolo como embaixador e ministro de Deus, e conclui a apologia com uma manifestação de carinho pelos seus filhos na fé); 3) Segunda parte (8;9). Nessa segunda parte Paulo trata da coleta para os santos de Jerusalém. Ela começa tratando da recomendação da coleta e dos delegados que a levariam para Jerusalém e cita como exemplo o sucesso da oferta levantada pelos irmãos da Macedônia; 4) Terceira parte (10.1-13.10). Na terceira parte Paulo faz uma apologia de seu ministério. Primeiramente ele se defende contra acusações pessoais feitas pelos judaizantes; depois ele elogia-se a si mesmo como apóstolo e pelo trabalho realizado, mas faz isso com humildade pedindo desculpas a igreja. Depois ele faz um relato biográfico de seu ministério, enumerando os seus títulos, seus trabalhos, seus sofrimentos, os dons extraordinários concedidos por Deus a ele bem como as suas fraquezas que foram compensadas pela atuação poderosa da graça de Deus em sua vida. Essa seção termina com um último aviso de Paulo a igreja de que quando fosse novamente a ela puniria os impenitentes de acordo com a autoridade dada por Deus a ele.
Essa carta termina (13.11-13) com a recomendação de que a igreja deveria viver a vida cristã com alegria e unida. Concluindo a carta, Paulo impetra sobre a Igreja a benção trinitária. “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com vós todos. Amém!” 2 Co 13.13.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
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