sábado, 31 de dezembro de 2011

É tempo de Natal!

Dentre as festas de final de ano o Natal ocupa papel preponderante. E deve ser assim porque o Natal fala do nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo, da sua vinda a este mundo para salvar os pecadores perdidos. Infelizmente, fora do circuito cristão, pouca compreensão há desse extraordinário acontecimento.

No mundo consumista em que vivemos, mesmo dentro do circuito cristão evangélico, o Natal tem perdido o seu verdadeiro significado, que foi substituído pela troca de presentes, pelas festas, jantares, almoços, etc. Nada contra esse momento em que as pessoas se desdobram em gentilezas e generosidades, apenas lamentamos que essa visão distorcida seja colocada como prioridade na vida daqueles que professam a fé em Jesus. Mas graças a Deus que os verdadeiros crentes em Cristo não têm perdido de vista a preciosidade da mensagem natalina, pois, eles estão em contato permanente com as Sagradas Escrituras, que sempre sinaliza o verdadeiro curso da vida cristã.

Nesta reflexão iremos nos reportar as origens do Natal baseada na Bíblia Sagrada e no que ele veio nos proporcionar.

No programa divino o Natal não é algo que teve origem em Belém da Judéia, Numa estrebaria, numa manjedoura. Ele já estava definido antes que o mundo viesse a existir. O primeiro vaticínio do Natal encontra-se em Gênesis 3.15 quando nos é dito que da semente da mulher nasceria aquele que esmagaria a cabeça da serpente. A mulher de que fala o texto é Maria, e aquele que esmagaria a cabeça da serpente é Cristo, e a serpente o diabo. A segunda profecia sobre o Natal encontra-se em Gn 12.3 quando é dito que o Messias seria descendente de Abraão, e que ele seria o motivo de bênçãos para todas as famílias da terra. O terceiro vaticínio encontra-se em Gn 49.10 onde nos é dito que o Cristo seria descendente da tribo de Judá. É dito também nas Escrituras que Jesus seria descendente de Davi, o grande rei de Israel. O profeta Isaías foi quem mais falou sobre o Messias vindouro. Numa de suas profecias ele disse que Jesus nasceria de uma virgem, dando a entender que a sua concepção seria de forma miraculosa, como de fato aconteceu, de acordo com Mateus e Lucas, pois ele nasceu por obra e graça do Espírito Santo sem o concurso do homem. “Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz; Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de Emanuel, Que traduzido é: Deus conosco” Mt 1.22,23. O profeta Miquéias (5.2) vaticinou que o Messias nasceria na cidade de Belém, na Judéia, Israel. Outros profetas bíblicos também fizeram menção ao Natal de Jesus (Lc 24.27,44,45).

Segundo Paulo, o Natal de Jesus aconteceu exatamente no tempo determinado por Deus no Seu programa eterno. “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher,...” Gl 4.4. O fato histórico do Natal de Jesus é narrado pelos evangelhos de Mateus e Lucas. Quando Jesus nasceu foi feita por um dos anjos de Deus a seguinte proclamação: “... Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor” Lc 2.10,11.

No programa redentor o fato histórico do Natal de Jesus é o primeiro grande evento. O segundo é a sua morte e a consequente ressurreição, seguido da ascensão e da entronização do Senhor nos Céus.

Amados, regozijemo-nos na presença de Deus pelo Natal de Jesus e pelo que ele fez por nós, principalmente por nos ter trazido a salvação eterna.

Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

As Sagradas Escrituras

Aprouve a Deus, segundo a sua vontade, revelar-se as suas criaturas. Uma parte da revelação foi feita através das coisas que foram criadas, através do próprio homem, da história, da providência,... Em teologia essa revelação é chamada de Revelação Geral. A outra parte da revelação de Deus, a mais importante, foi feita através das Sagradas Escrituras. Essa revelação é chamada de Revelação Especial e ela tem caráter salvífico. Nas Escrituras, Deus revelou-se de forma progressiva. A Bíblia Sagrada foi escrita num período de 16 séculos, por aproximadamente 40 escritores de diversos segmentos sociais (profetas, reis, sacerdotes,...).

As Sagradas Escrituras compõem-se de duas partes: O Antigo e o Novo Testamento. O Antigo Testamento contém 39 livros, assim classificados: O Pentateuco (cinco livros): Gênesis a Deuteronômio; os Livros Históricos (doze livros); Josué a Ester; os Livros Poéticos (cinco livros): Jó a Cantares; e os Livros Proféticos (dezessete livros): Isaías a Daniel (Profetas Maiores); Oseías a Malaquias (Profetas Menores). O Novo Testamento contém 27 livros, classificados desta maneira: Os Evangelhos (quatro livros): Mateus a João; Livro Histórico (um livro): Atos dos Apóstolos; as Epístolas Paulinas (treze livros): Romanos a Filemon; a Epístola aos Hebreus; as Epístolas Gerais (sete livros): Tiago a Judas; e o Livro da Revelação: Apocalipse.

As Sagradas Escrituras, no seu conjunto, foi inspirada por Deus verbal e plenariamente (2 Tm 3.16; 2 Pe 1.19-21), isto quer dizer que ela foi escrita sob a poderosa ação do Espírito Santo, usando homens escolhidos por Deus para essa finalidade.

O Senhor Jesus Cristo é o tema central das Sagradas Escrituras. Em Gênesis Ele é a Semente da Mulher. Em Êxodo é o Cordeiro Pascoal. Em Levítico é o Sacrifício Expiatório. Em Números é a Rocha e em Deuteronômio é o Profeta. Em Josué é o Comandante dos Exércitos do Senhor. Em Juízes é o Libertador. Em Rute é o Parente Remidor. Em 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis e 1 e 2 Crônicas é o Rei de Israel. Em Esdras e Neemias é o Restaurador. Em Ester é o Advogado. Em Jó é o Redentor que vive. Em Salmos é Tudo em todos. Em Provérbios é a Sabedoria Divina. Em Eclesiastes é a Razão Suprema do Viver. Em Cantares é o Amado. Nos Profetas é o Messias. Nos Evangelhos é o Cristo. Em Atos é o Espírito. Nas Epístolas é a Cabeça da Igreja. Em Apocalipse é o Alfa e o Ômega.

Hoje, segundo domingo de dezembro, estamos comemorando o Dia da Bíblia. Agradeçamos ao Senhor pela existência desse extraordinário livro, que revela o ser de Deus, os Seus atributos, o Seu caráter e a Sua vontade. Agradecemos ainda pelo privilégio de ter conosco as Sagradas Escrituras.

Procuremos, amados, valorizar a Bíblia Sagrada, lendo-a, meditando nela e obedecendo aos seus ensinamentos.

Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Submissão à autoridade, um princípio divino

A Bíblia Sagrada nos revela um triste episódio na vida do povo de Deus quando estava a caminho de Canaã. Três pessoas se coligaram e arrebanharam um grupo de duzentos e cinquenta homens para desestabilizar o ministério sacerdotal, privativo a Arão e a seus filhos conforme determinação de Deus, alegando eles que todo o povo de Deus era santo e que não precisava da intermediação dos sacerdotes no oferecimento de sacrifícios ao Senhor, questionando assim a competência medianeira do sacerdócio arônico. Esses indivíduos chamavam-se Coré, Datâ e Abirão, o primeiro da tribo de Levi (um levita descontente por não ser sacerdote) e os outros dois da tribo de Rubem. Moisés o grande líder que Deus levantara para tirar o povo de Israel da escravidão do Egito e levá-lo a terra da promessa enfrentou aqueles homens perversos e pediu a Deus que os punisse, o que de fato aconteceu. A Bíblia diz que a terra onde estavam instaladas as suas tendas se abriu e eles foram engolidos vivos por ela junto com os seus familiares. Diz ainda a Palavra de Deus que os duzentos e cinquenta homens que comungavam com os três lideres rebeldes foram punidos por Deus e consumidos por fogo que desceu do Céu. A situação agravou-se, porque o povo de Israel ficou indignado contra Moisés pensando que fora ele a causa dos problemas que estavam acontecendo, e do consequente juízo de Deus. O resultado dessa insubmissão foi que foram mortas 14.700 pessoas. (Leia a história completa nos capítulos 16 e 17 de Números).

Para causa do pecado do homem, e do seu consequente espírito insubmisso Deus instituiu o princípio da autoridade para um bom ordenamento social. Imaginem os irmãos se não houvesse, por exemplo, força policial no mundo. Que caos não seria! Imaginem se não houvesse sinal e guardas de trânsito. Que pandemônio não seria!

O principio da submissão à autoridade encontra-se em Romanos 13.1-7. “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus. Por isso, quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação...” Rm 13.1-7.

Dentro de sua Igreja, o Senhor também estabeleceu autoridades em diversos níveis (A assembleia de membros, o pastorado, o oficialato, os diretores de Departamentos, os dirigentes de derivações da Igreja, etc). Todas as pessoas que foram escolhidas por Deus, eleitas pela assembleia de membros e empossadas estão revestidas de autoridade vinda de Deus. O princípio da autoridade na Igreja tem a sua gradação. Começa com a assembleia de membros seguida pelo Pastor Titular depois vem o conselho eclesiástico, os departamentos e assim por diante. Cada um sendo submisso ao outro que vem imediatamente antes dele, e todos submissos a Deus que através de sua Palavra e do seu Espirito governa a Igreja. O Senhor determinou que fosse assim porque, por natureza, a sua Igreja é uma comunidade ordeira onde a submissão é uma das marcas. “sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus” Ef 5.21. “Semelhantemente vós, jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” 1 Pe 5.5.. “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma,...” Hb 13.17.

O crente não deve ser insubmisso, pois isso é pecado, porque se for assim ele está ferindo um princípio estabelecido por Deus em Sua Palavra. No texto de Romanos citado se nos diz que quem resiste à autoridade resiste a uma ordenação de Deus.

O crente também não deve falar mal das autoridades da Igreja, pois Deus disse: “Não toqueis nos meus ungidos e não maltrateis os meus profetas” Sl 105.15.

Segundo a Bíblia as autoridades devem ser reverenciadas e obedecidas. Observem o caso de Sara esposa de Abraão, que o chamava de senhor. Aquela mulher de Deus sabia que o seu marido era a autoridade estabelecida por Deus no seu lar.

Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

O Pecado da Murmuração

A vida do povo de Deus do passado, a nação de Israel, principalmente naquele periodo dificil, mas glorioso, que foi o da libertação dos israelitas da escravidão egipcia e da caminhada para a terra da promessa, está palmilhada de momentos em que o povo murmurava contra alguma coisa. Murmuraram porque não havia diversidade de gênero alimenticio, chegando a ponto de chamar o maná, a provisão de Deus, de pão vil; murmuraram porque em algum momento nao tinha água para beber, mesmo sabendo que o Deus todo poderoso estava entre eles e tinha empenhado a sua palavra de que faria as provisões em todas as áreas; murmuraram porque viram dificuldade para conquistar a terra prometida, mesmo Deus garantindo que ninguém seria páreo para o seu povo; murmuraram movido por ciúmes contra Moisés porque ele casou com uma mulher cusita; murmuraram movidos pela inveja contra Arão por causa dos privilégios do sacerdócio, e assim por diante. Em todas essas manifestações pecaminosas eles foram punidos por Deus através de pragas, serpentes abrasadoras, fogo de juizo descido dos céus, e até houve o caso de um juizo particular que atingiu Miriam, irmã de Moisés, que murmurou e o censurou porque ele casara com uma mulher que não era israelita, a cusita.

Com as manifestações do juízo divino sobre aquelas pessoas que se davam a murmuração, podemos constatar quão grave é esse pecado aos olhos de Deus. Sintetizando os erros da nação de Israel, Paulo fez uma lista deles, incluindo o pecado da murmuração, e alertou a Igreja dizendo: “E não murmureis, como também alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor” 1 Co 10.10.

Mas, afinal de contas o que é murmuração? Segundo o Dicionário Larousse, de língua portuguesa, murmurar é, dentre outras coisas, lastimar-se, falar mal de alguém, dizer em voz baixa, segredar. Do ponto de vista bíblico, murmurar é demonstrar a insatisfação pelo governo soberano de Deus sobre as contingências da vida do seu povo. É insubordinasse contra esse governo, que abrange todas as áreas da vida dos crentes.

Assim sendo, aqueles irmãos que vivem pelos corredores da Igreja falando mal dos outros, reclamando disso e daquilo na casa do Senhor, insatisfeito com tudo e com todos, falando mal das autoridades da Igreja e inclusive falando mal da Igreja do Senhor (puxa que petulância!) estão em pecado, afastados da graça de Deus. Essas pessoas estão doentes e adoecendo os outros. Precisam urgentemente confessar esse maldito pecado e pedir a Deus a graça de suportar as dificuldades da vida com temor a Deus e com resignação.

Que exemplo maravilhoso de dois crentes que foram aprisionados e chicoteados por causa do Evangelho! Esses irmãos no lugar de murmurar, de se maldizer, ou reclamar, oravam e cantavam louvores a Deus. Paulo e Silas em Filipos nos dão esse exemplo de servos de Deus que se submetiam a vontade do Senhor de forma incondicional, mesmo naqueles momentos de sofrimento e dor. Que exemplo maravilhoso o Senhor da Igreja deixou para ela também nessa área! Pedro disse sobre o assunto que Jesus quando o injuriavam não injuriava, quando padecia não ameaçava, mas entregava-se mansamente Aquele que julga justamente. Que diferença de muitos que com pouca coisa saem falando pelos corredores, reclamando, falando mal dos outros! A murmuração antes de ser um mal para a comunidade do povo de Deus é um pecado grave contra Ele.

Os irmãos que tem esse costume ruim deveriam seguir o conselho do poeta assembleiano, que disse sobre o assunto: “No mundo murmura-se tanto, entre os que cristãos dizem ser; Em vez de louvores há pranto, fraqueza em lugar de poder. Murmuram – assim no deserto, em Mara, Israel murmurou; oh! não veem que Deus está perto; jamais seu auxilio negou. Em vez de murmurares, canta um hino de louvor a Deus; Jesus quer te dá vida santa, qual noiva levar-te para os céus”. (Hino 302 da Harpa Cristã).

Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O ESTILO DE LIDERANÇA DE JESUS

O ESTILO DE LIDERANÇA DE JESUS

(Pr. Eudes Lopes Cavalcanti)

É de suma importância que os que foram galgados a uma posição de liderança no meio do povo de Deus, procurem mirar-se no exemplo deixado por Jesus, em todas as áreas, especialmente na área de liderança.

Antes mesmo que as técnicas modernas de liderança fossem desenvolvidas e testadas em laboratório, o Senhor Jesus, em quem reside todo o conhecimento da sabedoria e da ciência, já as usava no cotidiano do Seu ministério público.

Vejamos algumas técnicas de liderança usadas por Jesus:

1 – Jesus escolheu bem a Sua equipe de trabalho

O segredo de qualquer empreendimento que tenha certa complexidade está na escolha da equipe de trabalho. Considerando a grandeza e a complexidade da obra que Jesus veio realizar neste mundo, Ele precisava de uma boa equipe para que quando encerrasse as suas atividades ela daria continuidade a grande obra de expansão do Reino de Deus. Observando o estilo de liderança de Jesus nessa área, podemos constatar que ele escolheu bem a sua equipe de trabalho. Ele escolheu aqueles homens que teriam condições de ajudá-lo em Seu ministério, e também dar continuidade a Sua obra quando partisse deste mundo, e os treinou pacientemente. O Senhor sabia o que era colocar o homem certo no lugar certo, o que é o dilema maior de todo o gerente moderno.

Além de escolher bem os Seus, a Sua equipe de trabalho, Jesus distribuiu atividades e responsabilidades. Tinha Pedro, Tiago e João, que poderíamos chamá-los de imediatos, visto que eram os que estavam mais próximos dele, em todos os passos do Seu ministério. Tinha um que tomava conta das finanças do grupo. Tinha aqueles dois que sempre chegavam primeiro nas localidades para onde o Senhor ia, a fim de preparar-lhe pousada, e assim por diante.

2 - Jesus delegava autoridade

O Senhor como líder, delegou autoridade aos seus comandados, que chamou de apóstolos, ele abriu os espaços para que as potencialidades dos mesmos fossem utilizadas ao máximo. Vemos isso, quando Ele os capacitou com o poder do Céu para expulsarem demônios e curarem todo o tipo de enfermidades. A delegação de autoridade foi tão grande que chegou a ponto de autorizá-los a perdoarem pecados. “Aqueles a quem perdoardes os pecados lhe serão perdoados; aqueles a quem o retiverdes lhe serão retidos.” Jo 20.23.

A delegação de autoridade é a via crucis de um líder com características autocráticas. A pessoa que tem esta característica resiste delegar autoridade, muitas vezes por causa de ciúme e muitas vezes por medo de diminuir ou perder o poder. Este pensamento mesquinho, que alguns líderes têm, é a causa básica do fraco crescimento que existe em muitas comunidades evangélicas, e do sufocamento de muitas lideranças promissoras.

O verdadeiro líder delega autoridade, pois sabe que à medida que o trabalho cresce não conseguirá fazer tudo sozinho. Sabe ele também que as pessoas que recebem delegação de autoridade sentir-se-ão importantes, valorizadas, e que trarão uma importante contribuição à instituição da qual fazem parte.

3 - Jesus se comunicava bem

A comunicação é o problema básico de todo o agrupamento humano. A comunicação abrange quatro fases: O emissor, a mensagem, o meio de comunicação e o receptor. O emissor é aquele que emite a mensagem. A mensagem é aquilo que deve ser conhecido do receptor. O meio de comunicação é o canal por onde a comunicação flui. O receptor é o destinatário da mensagem.

O Senhor Jesus tinha consciência clara disso. Ele se comunicava bem. A sua comunicação era bilateral. Os monólogos foram muito poucos na vida do Senhor. Em diversas ocasiões, encontramos Jesus provocando o diálogo, como no caso da mulher samaritana, registrada em João 4, e no caso dos discípulos no caminho de Emaús. Quanto às parábolas que o Senhor Jesus proferiu, o seu significado era dito a Sua equipe de trabalho. Jesus não escondia informações, nem “o leite” dos Seus auxiliares. “Tudo Ele explicava aos Seus discípulos em particular.” Mc 4.34. Jesus sempre se encontrava disponível para ouvir o povo, tinha tempo para ouvir a todos. A Sua conversa era agradável, grave, sincera. Valia à pena ouvir e conversar com Jesus. Bem razão tinha Maria de Betânia quando sentada aos pés do Senhor ouvia a Sua Palavra (Lc 10.38-42).

No uso da comunicação, Jesus deu ênfase ao feedback, isto é, ao retorno da informação que dava. Em certa ocasião, ele perguntou aos Seus que diziam os homens acerca dele, inclusive fez esta pergunta aos discípulos: “É vós quem dizeis que eu sou?” Mt 16.15.

Há muitos líderes cristãos que não estão preocupados com o feedback. Não procuram saber como é que o povo encara a sua liderança, se agrada ou não. O feedback é importante na vida do líder cristão para fazer as correções necessárias na sua maneira de agir. Jesus não precisava de feedback porque conhecia tudo e todos, mas nós precisamos, como homens limitados que somos.

Que os líderes atuais aprendam com Jesus a ouvir o povo, a conversar com ele, enfim a se comunicar bem.

4 - Jesus dava ênfase ao trabalho, à produção, à meta

O Senhor Jesus como líder deu uma ênfase extraordinária à execução da tarefa. Era exigente com aqueles que trabalhavam com Ele. “O que lança mão do arado e olha para trás, não é apto para o Reino dos Céus.” Lc 9.62. Certa feita, Ele convocou um homem para o trabalho e não aceitou a sua escusa. “Deixa os mortos sepultar os seus mortos e tu vai e prega o Reino de Deus.” Lc 9.60. Jesus, na parábola dos talentos, mostrou que não admitia pessoas na Sua seara, sem o dinamismo necessário para o desenvolvimento do Seu trabalho. Censurou rispidamente o servo que recebeu um talento e o escondeu, com medo do seu senhor.

Jesus não somente exigia trabalho dos outros, mas dava o exemplo. Era um trabalhador incansável. “Meu Pai trabalha até agora e eu trabalho também.” Jo 5.17. “Uma comida tenho que vós não conheceis: A minha comida é fazer a vontade do meu Pai e realizar a Sua Obra.” Jo 4.32,34.

5 - Jesus dava ênfase aos recursos humanos

A preocupação do Senhor Jesus como líder em relação a Sua equipe de trabalho não foi só com a produção, com a execução da tarefa, mas também com os Recursos Humanos, isto é, com o homem que executava o trabalho. Jesus sabia que um homem treinado, motivado e capacitado, teria condições de realizar a tarefa a contento. Durante três anos, o Senhor treinou os Seus apóstolos, motivou-os e capacitou-os para o serviço cristão. De maneira que, após a capacitação plena, que veio no dia de Pentecostes, aquele pequeno grupo de discípulos, direta ou indiretamente, fez a mensagem do Evangelho conhecida de todo o mundo de então.

A preocupação de Jesus com os Seus discípulos não era só na área da capacitação para executar a tarefa, mas também com o suprimento de suas necessidades. Os discípulos que trabalhavam com afinco, sem tempo para descansar, dado o volume do trabalho, Ele os chamou à parte para repousar (Mc 6.31). As necessidades básicas de alimentação, vestimenta, segurança, etc., foram objetos da atenção do Amado Mestre (Mt. 6.25-34). Quando das duas multiplicações dos pães, todos os apóstolos, além de comerem fartamente, ainda levaram pães para uma boa parte da caminhada (Mc. 6.43; 8.8). Os discípulos, em certa ocasião, depois de passarem a noite toda pescando sem sucesso, seguiram a orientação de Jesus e pescaram cento e cinqüenta e três grandes peixes, a ponto de o barco quase soçobrar. Quando chegaram à praia encontraram brasas, peixes assados e pão. Era a provisão divina para as suas necessidades materiais.

Outra preocupação que Jesus tinha com os seus discípulos, era quanto à proteção e o cuidado que demonstrava para com eles. Em certa ocasião, perguntou aos escribas o que é que eles discutiam com os seus discípulos (Mc 9.14-16). Em outra ocasião, o Senhor revelou a Pedro que Satanás tinha pedido permissão a Deus para cirandar com ele, mas disse Jesus, Eu roguei por ti para que a tua fé não desfaleça (Lc 22.31).

O líder verdadeiro se preocupa com o bem-estar daqueles que estão sob a sua liderança.

O estilo de liderança que dá alta ênfase ao trabalho e alta ênfase a pessoa que executa o trabalho, é o estilo ideal, segundo a opinião dos estudiosos sobre o assunto, inclusive, isso já foi testado em laboratório. No Grid Gerencial (uma das técnicas de desenvolvimento de lideranças) esse é o estilo conhecido como 9.9, o melhor de todos para qualquer organização produtiva. Há mais de dois mil anos atrás, o Senhor Jesus já usava esse estilo e o enfatizava.

Muitos administradores modernos falham justamente nessa área. Uns dão ênfase só à produção, ao trabalho. Esses acham que o homem é apenas uma peça numa engrenagem, que deverá ser substituída quando falhar. Outros só dão ênfase aos recursos humanos sem se preocupar com a produção, com o trabalho. São paternalistas. Não corrigem, não disciplinam, não chegam a lugar nenhum. Mantêm o grupo inoperante, sem efetiva ação.

O ideal como vimos, é o estilo de liderança empregado por Jesus, resumido em alta produtividade e alta satisfação das necessidades humanas.

6 - Jesus Organizava o seu trabalho

Cada coisa no seu devido lugar. Jesus não gostava de nada desorganizado; fazia as coisas com ordem e decência. Um exemplo vivo disso, é encontrado na primeira multiplicação dos pães, registrada em Lc 9.10-17. O Senhor mandou que todos os presentes se assentassem em grupos de cinquenta. Os pães e os peixes multiplicados foram entregues aos discípulos e eles os entregaram a multidão. Imaginem se Jesus pegasse os pães e os jogassem ao povo. Seria um verdadeiro pandemônio e certamente muita gente iria ferir-se e talvez até morrer pisoteada. Outro exemplo claro na área de organização, foi à distribuição dos talentos. O primeiro recebeu cinco talentos, o segundo dois talentos e o terceiro um talento, cada um de acordo com a sua capacidade.

A organização é uma necessidade muito grande para aqueles que ocupam posição de liderança nas Igrejas. Muitos falham nessa área. Quantos líderes evangélicos que existem hoje em dia com pouquíssima noção de organização! Isso nós vemos a partir das mensagens e estudos bíblicos proferidos. Faz-se necessário que o líder cristão, organize seu mundo interior, suas idéias, seus compromissos, sua família, etc. O universo, criação do Senhor, é acima de tudo um universo organizado. As leis que o regem, estabelecidas e organizadas pelo Criador, são eternas e imutáveis. Tudo se move no Universo com precisão milimétrica. Há um equilíbrio fantástico na criação do Senhor. Toda essa organização esplendorosa saiu da mente do Santo Filho de Deus. “... Sem ele nada do que foi feito se fez!.” Jo 1.3.

7 - Jesus planejava as suas atividades

O planejamento é uma atividade fundamental na vida de um líder. O Senhor Jesus planejava as suas atividades e ensinava aos outros que deveriam planejá-las também. Certa feita ele perguntou aos que estavam presentes, qual era o rei que sairia para combater outro rei, sem que primeiro procurasse saber a força do seu adversário e se com um exército numericamente inferior poderia combater um numericamente superior (Lc 14.31,32). Quando Jesus organizou o colégio apostólico instituiu uma tesouraria, cujo responsável era Judas Iscariotes, justamente para fazer face às despesas financeiras do cotidiano do Seu ministério. O dinheiro coletado era para atender o planejamento de suas atividades que, evidentemente, exigia despesas com alimentação, estada, etc. O roteiro do Seu ministério que envolveu a Judéia, Samaria e Galiléia, mostra que o Senhor seguia um planejamento bem definido: “Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da Casa de Israel”, disse Ele certa feita a mulher sírio-fenícia (Mt 15.24).

Sabemos de muitos líderes evangélicos que falham muito na área do planejamento. Às vezes, levam as comunidades às quais pertencem a tomar decisões sem pensarem nas conseqüências futuras. Jesus não fez assim. Ele nos deixou um grande exemplo de uma líder que planejava as suas atividades.

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