segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Submissão à autoridade, um princípio divino

A Bíblia Sagrada nos revela um triste episódio na vida do povo de Deus quando estava a caminho de Canaã. Três pessoas se coligaram e arrebanharam um grupo de duzentos e cinquenta homens para desestabilizar o ministério sacerdotal, privativo a Arão e a seus filhos conforme determinação de Deus, alegando eles que todo o povo de Deus era santo e que não precisava da intermediação dos sacerdotes no oferecimento de sacrifícios ao Senhor, questionando assim a competência medianeira do sacerdócio arônico. Esses indivíduos chamavam-se Coré, Datâ e Abirão, o primeiro da tribo de Levi (um levita descontente por não ser sacerdote) e os outros dois da tribo de Rubem. Moisés o grande líder que Deus levantara para tirar o povo de Israel da escravidão do Egito e levá-lo a terra da promessa enfrentou aqueles homens perversos e pediu a Deus que os punisse, o que de fato aconteceu. A Bíblia diz que a terra onde estavam instaladas as suas tendas se abriu e eles foram engolidos vivos por ela junto com os seus familiares. Diz ainda a Palavra de Deus que os duzentos e cinquenta homens que comungavam com os três lideres rebeldes foram punidos por Deus e consumidos por fogo que desceu do Céu. A situação agravou-se, porque o povo de Israel ficou indignado contra Moisés pensando que fora ele a causa dos problemas que estavam acontecendo, e do consequente juízo de Deus. O resultado dessa insubmissão foi que foram mortas 14.700 pessoas. (Leia a história completa nos capítulos 16 e 17 de Números).

Por causa do pecado do homem, e do seu consequente espírito insubmisso Deus instituiu o princípio da autoridade para um bom ordenamento social. Imaginem os irmãos se não houvesse, por exemplo, força policial no mundo. Que caos não seria! Imaginem se não houvesse sinal e guardas de trânsito. Que pandemônio não seria!

O principio da submissão à autoridade encontra-se em Romanos 13.1-7. “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus. Por isso, quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação...” Rm 13.1-7.

Dentro de sua Igreja, o Senhor também estabeleceu autoridades em diversos níveis (A assembleia de membros, o pastorado, o oficialato, os diretores de Departamentos, os dirigentes de derivações da Igreja, etc). Todas as pessoas que foram escolhidas por Deus, eleitas pela assembleia de membros e empossadas estão revestidas de autoridade vinda de Deus. O princípio da autoridade na Igreja tem a sua gradação. Começa com a assembleia de membros seguida pelo Pastor Titular depois vem o conselho eclesiástico, os departamentos e assim por diante. Cada um sendo submisso ao outro que vem imediatamente antes dele, e todos submissos a Deus que através de sua Palavra e do seu Espirito governa a Igreja. O Senhor determinou que fosse assim porque, por natureza, a sua Igreja é uma comunidade ordeira onde a submissão é uma das marcas. “sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus” Ef 5.21. “Semelhantemente vós, jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” 1 Pe 5.5.. “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma,...” Hb 13.17.

O crente não deve ser insubmisso, pois isso é pecado, porque se for assim ele está ferindo um princípio estabelecido por Deus em Sua Palavra. No texto de Romanos citado se nos diz que quem resiste à autoridade resiste a uma ordenação de Deus.

O crente também não deve falar mal das autoridades da Igreja, pois Deus disse: “Não toqueis nos meus ungidos e não maltrateis os meus profetas” Sl 105.15.

Segundo a Bíblia as autoridades devem ser reverenciadas e obedecidas. Observem o caso de Sara esposa de Abraão, que o chamava de senhor. Aquela mulher de Deus sabia que o seu marido era a autoridade estabelecida por Deus no seu lar. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Breve Catecismo de Westminster

Breve Catecismo de Westminster


PERGUNTA 1. Qual é o fim principal do homem?

RESPOSTA. O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre.

Referências: Rm 11.36; 1Co 10.31; Sl 73.25-26; Is 43.7; Rm 14.7-8; Ef 1.5-6; Is 60.21; 61.3.


PERGUNTA 2. Que regra deu Deus para nos dirigir na maneira de o glorificar e gozar?

R. A Palavra de Deus, que se acha nas Escrituras do Velho e do Novo Testamentos, é a única regra para nos dirigir na maneira de o glorificar e gozar.

Ref. Lc 24.27, 44; 2Pe 3.2, 15-16; 2Tm 3.15-17; Lc 16.29-31; Gl 1.8-9; Jo 15.10-11; Is 8.20; Hb 1:1 comparado com Lc 1.1-4 e Jo 20.30-31.

PERGUNTA 3. Qual é a coisa principal que as Escrituras nos ensinam?

R. A coisa principal que as Escrituras nos ensinam é o que o homem deve crer acerca de Deus, o dever que Deus requer do homem.

Ref. Jo 5.39; 20.31; Sl 119.105; Rm 15.4; 1Co 10.11.


PERGUNTA 4. Quem é Deus?

R. Deus é espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade.

Ref. Jo 4.24; Ex 3.14; Sl 145.3; 90.2; Tg 1.17; Rm 11.33; Gn 17.1, Ap 4.8; Ex 34.6-7.


PERGUNTA 5. Há mais de um Deus?

R. Há só um Deus, o Deus vivo e verdadeiro.

Ref. Dt 6.4; 1Co 8.4; Jr 10.10; Jo 17.3.


PERGUNTA 6. Quantas pessoas há na Divindade?

R. Há três pessoas na Divindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e estas três são um Deus, da mesma substância, iguais em poder e glória.

Ref. Mt 3.16-17; 28.19; 2Co 13.13; Jo 1.1; 3.18; At 5.3-4; Hb 1.3; Jo 10.30.


PERGUNTA 7. Que são os decretos de Deus?

R. Os decretos de Deus são o seu eterno propósito, segundo o conselho da sua vontade, pelo qual, para sua própria glória, Ele predestinou tudo o que acontece.

Ref. Rm 11.36; Ef 1.4-6, 11; At 2.23; 17.26; Jo 21.19; Is 44.28; At 13.48; 1Co 2.7; Ef 3.10-11.


PERGUNTA 8. Como executa Deus os seus decretos?

R. Deus executa os seus decretos nas obras da criação e da providência.

Ref. Ap 4.11; Dn 4.35; Is 40.26; 14.26-27; 46.9-11; At 4.24.


PERGUNTA 9. Qual é a obra da criação?

R. A obra da criação é aquela pela qual, Deus fez todas as coisas do nada, no espaço de seis dias, e tudo muito bem.

Ref. Gn 1; Hb 11.3; Sl 33.9; Gn 1.31.


PERGUNTA 10. Como criou Deus o homem?

R. Deus criou o homem macho e fêmea, conforme a sua própria imagem, em conhecimento, retidão e santidade com domínio sobre as criaturas.

Ref. Gn 1.27-28; Cl 3.10; Ef 4.24; Rm 2.14-15; Sl 86-8.


PERGUNTA 11. Quais são as obras da providência de Deus?

R. As obras da providência de Deus são a sua maneira muito santa, sábia e poderosa de preservar e governar todas as suas criaturas, e todas as ações delas.

Ref. Sl 145.17; 104.10-24; Hb 1.3; Mt 10.29-30; Os 2.6.


PERGUNTA 12. Que ato especial de providência exerceu Deus para com o homem no estado em que ele foi criado?

R. Quando Deus criou o homem, fez com ele um pacto de vida, com a condição de perfeita obediência: proibindo-lhe comer da árvore da ciência do bem e do mal, sob pena de morte.

Ref. Gl 3.12; Gn 2.17.


PERGUNTA 13. Conservaram-se nossos primeiros pais no estado em que foram criados?

R. Nossos primeiros pais, sendo deixados à liberdade da sua própria vontade, caíram do estado em que foram criados, pecando contra Deus.

Ref. Rm 5.12; Gn 3.6.


PERGUNTA 14. Que é pecado?

R. Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou qualquer transgressão desta lei.

Ref. Tg 2.10; 4.17; 1Jo 3.4.


PERGUNTA 15. Qual foi o pecado pelo qual nossos primeiros pais caíram do estado em que foram criados?

R. O pecado pelo qual nossos primeiros pais caíram do estado em que foram criados foi o comerem do fruto proibido.

Ref. Gn 3.12-13; Os 6.7.


PERGUNTA 16. Caiu todo o gênero humano pela primeira transgressão de Adão?

R. Visto que o pacto foi feito com Adão não só para ele, mas também para sua posteridade, todo gênero humano que dele procede por geração ordinária, pecou nele e caiu com ele na sua primeira transgressão.

Ref. Gn 1.28; At 17.26; 1Co 15.21-22; Rm 5.12-14.


PERGUNTA 17. Qual foi o estado a que a queda reduziu o gênero humano?

R. A queda reduziu o gênero humano a um estado de pecado e miséria.

Ref. Rm 5.12.


PERGUNTA 18. Em que consiste o estado de pecado em que o homem caiu?

R. O estado de pecado em que o homem caiu consiste na culpa do primeiro pecado de Adão, na falta de retidão original e na corrupção de toda a sua natureza, o que ordinariamente de chama Pecado Original, juntamente com todas as transgressões atuais que procedem dele.

Ref. Rm 5.18-19; Ef 2.1-3; Rm 8.7-8; Sl 51.5.


PERGUNTA 19. Qual é a miséria do estado em que o homem caiu?

R. Todo o gênero humano pela sua queda perdeu comunhão com Deus, está debaixo da sua ira e maldição, e assim sujeito a todas as misérias nesta vida, à morte e às penas do Inferno para sempre.

Ref. Gn 3.8, 24; Ef 2.3; Rm 6.23; Mt 25.41-46.


PERGUNTA 20. Deixou Deus todo o gênero humano perecer no estado de pecado e miséria?

R. Tendo Deus, unicamente pela sua boa vontade desde toda a eternidade, escolhido alguns para a vida eterna, entrou com eles em um pacto de graça, para os livrar do estado de pecado e miséria, e trazer a um estado de salvação por meio de um Redentor.

Ref. Ef 1.4; Tt 1.2; 3.4-7; Jo 17.6.


PERGUNTA 21. Quem é o Redentor dos escolhidos de Deus?

R. O único redentor dos escolhidos de Deus é o Senhor Jesus Cristo que, sendo o eterno Filho de Deus, se fez homem, e assim foi e continua a ser Deus e homem em duas naturezas distintas, e uma só pessoa, para sempre.

Ref. 1Tm 2.5; Jo 1.14; Rm 9.5; Cl 2.9; Hb 13.8.


PERGUNTA 22. Como Cristo, sendo o Filho de Deus, se fez homem?

R. Cristo, o Filho de Deus, fez-se homem tomando um verdadeiro corpo, e uma alma racional, sendo concebido pelo poder do Espirito Santo no ventre da virgem Maria, e nascido dela, mas sem pecado.

Ref. Hb 2.14; Mt 26.38; Lc 2.52; 1.31, 35; Hb 4.15.


PERGUNTA 23. Que funções exerce Cristo como nosso Redentor?

R. Cristo, como nosso Redentor, exerce as funções de profeta, sacerdote e rei, tanto no seu estado de humilhação como no de exaltação.

Ref. At 3.22; Hb 5.5-6; Sl 2.6; Jo 1.49.


PERGUNTA 24. Como exerce Cristo as funções de profeta?

R. Cristo exerce as funções de profeta, revelando-nos, pela sua Palavra e pelo seu Espírito, a vontade de Deus para a nossa salvação.

Ref. Jo 1.18; Hb 1.1-2; Jo 14.26; 16.13.


PERGUNTA 25. Como exerce Cristo as funções de sacerdote?

R. Cristo exerce as funções de sacerdote, oferecendo-se a si mesmo uma vez em sacrifício, para satisfazer a justiça divina, reconciliar-nos com Deus e fazendo contínua intercessão por nós.

Ref. Hb 9.28; Rm 3.24-26; 10.4; Hb 2.17; 7.25; Is 53.12.


PERGUNTA 26. Como exerce Cristo as funções de rei?

R. Cristo exerce as funções de rei, sujeitando-nos a si mesmo, governando-nos e protegendo-nos, contendo e subjugando todos os seus e os nossos inimigos.

Ref. Sl 110.3; At 2.36; 18.9-10; Is 9.6-7; 1Co 15.26-27.


PERGUNTA 27. Em que consistiu a humilhação de Cristo?

R. A humilhação de Cristo consistiu em Ele nascer, e isso em condição baixa, feito sujeito à lei; em sofrer as misérias desta vida, a ira de Deus e amaldiçoada morte na cruz; em ser sepultado, e permanecer debaixo do poder da morte durante certo tempo.

Ref. Lc 2.7; Fp 2.6-8; Gl 4.4; 3.13; Is 53.3; Mt 27.43; 1Co 15.3-4.


PERGUNTA 28. Em que consiste a exaltação de Cristo?

R. A exaltação de Cristo consiste em Ele ressurgir dos mortos no terceiro dia; em subir ao Céu e estar sentado à mão direita de Deus Pai, e em vir para julgar o mundo no último dia.

Ref. 1Co 15.4; Ef 1.20-21; At 17.31.


PERGUNTA 29. Como nos tornamos participantes da redenção adquirida por Cristo?

R. Tornamo-nos participantes da redenção adquirida por Cristo pela eficaz aplicação dela a nós pelo Seu Santo Espírito.

Ref. Jo 1.12; 3.5-6; Tt 3.5-6.


PERGUNTA 30. Como nos aplica o Espírito a redenção adquirida por Cristo?

R. O Espírito aplica-nos a redenção adquirida por Cristo, operando em nós a fé, e unindo-nos a Cristo por meio dela em nossa vocação eficaz.

Ref. Gl 2.20; Ef 2.8; 1Co 12.12-13.


PERGUNTA 31. Que é vocação eficaz?

R. Vocação eficaz é a obra do Espírito Santo, pela qual, convencendo-nos do nosso pecado, e da nossa miséria, iluminando nossos entendimentos pelo conhecimento de Cristo, e renovando a nossa vontade, nos persuade e habilita a abraçar Jesus Cristo, que nos é oferecido de graça no Evangelho.

Ref. 1Ts 2.13; At 2.37; 26.18; Ez 36.25-27; 2Tm 1.9; Fp 2.13; Jo 6.37, 44-45.


PERGUNTA 32. Que bênçãos gozam nesta vida aqueles que são eficazmente chamados?

R. Aqueles que são eficazmente chamados, gozam, nesta vida, da justificação, adoção e santificação, e das diversas bênçãos que acompanham estas graças ou delas procedem.

Ref. Rm 8.30; Ef 1.5; 1Co 1.30.


PERGUNTA 33. Que é justificação?

R. Justificação é um ato da livre graça de Deus, no qual Ele perdoa todos os nossos pecados, e nos aceita como justos diante de Si, somente por causa da justiça de Cristo a nós imputada, e recebida só pela fé.

Ref. Ef 1.7; 2Co 5.21; Rm 4.6; 5.18; Gl 2.16.


PERGUNTA 34. Que é adoção?

R. Adoção é um ato de livre graça de Deus, pelo qual somos recebidos no número dos filhos de Deus, e temos direito a todos os seus privilégios.

Ref. 1Jo 3.1; Jo 1.12; Rm 8.14-17.


PERGUNTA 35. Que é santificação?

R. É a obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, e habilitados a morrer cada vez mais para o pecado e a viver para a retidão.

Ref. 1Pe 1.2; Ef 4.20-24; Rm 6.6; 12.1-2.


PERGUNTA 36. Quais são as bênçãos que nesta vida acompanham a justificação, adoção e santificação ou delas procedem?

R. As bênçãos que nesta vida acompanham a justificação, adoção e santificação, ou delas procedem, são: certeza do amor de Deus, paz de consciência, gozo no Espírito Santo, aumento de graça, e perseverança nela até ao fim.

Ref. Rm 5.1-5; 14.17; Jo 1.16; Fp 1.6; 1Pe 1.5.


PERGUNTA 37. Quais são as bênçãos que os fiéis recebem de Cristo na hora da morte?

R. As almas dos fiéis na hora da morte são aperfeiçoadas em santidade, e imediatamente entram na glória; e os corpos que continuam unidos Cristo, descansam na sepultura até a ressurreição.

Ref. Ap 14.13; Lc 23.43; At 7.55, 59; Fp 1.23; 1Ts 4.14; Jo 5.28-29; 14.2-3; Hb 12.22-23.


PERGUNTA 38. Quais são as bênçãos que os fieis recebem de Cristo na ressurreição?

R. Na ressurreição, os fieis, sendo ressuscitados em glória, serão publicamente reconhecidos e absolvidos no dia de juízo, e tornados perfeitamente felizes no pleno gozo de Deus por toda a eternidade.

Ref. 1Co 15.43; Mt 10.32; 25.34; Sl 16.11.


PERGUNTA 39. Qual é o dever que Deus exige do homem?

R. O dever que Deus exige do homem é obediência à sua vontade revelada.

Ref. Mq 6.8; Lc 10.27-28; Gn 17.1.


PERGUNTA 40. Que revelou Deus primeiramente ao homem para regra de sua obediência?

R. A regra que Deus revelou primeiramente ao homem para sua obediência foi a lei moral.

Ref. Rm 2.14-15.


PERGUNTA 41. Onde está a lei moral resumidamente compreendida?

R. A lei moral está resumidamente compreendida nos dez mandamentos.

Ref. Dt 10.4; Mt 19.17-19.


PERGUNTA 42. Em que se resumem os dez mandamentos?

R. Os dez mandamentos se resumem em amar ao Senhor nosso Deus de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, de todas as nossas forças e de todo o nosso entendimento; e ao nosso próximo como a nós mesmos.

Ref. Mt 22-37-40.


PERGUNTA 43. Qual é o prefácio dos dez mandamentos?

R. O prefácio dos dez mandamentos é: "Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão".

Ref. Ex 20.2.


PERGUNTA 44. Que nos ensina o prefácio dos dez mandamentos?

R. O prefácio dos dez mandamentos ensina-nos que nós temos obrigação de guardar todos os mandamentos de Deus, por ser Ele o Senhor nosso Deus e Redentor.

Ref. Dt 11.1; 1Pe 1.15-19.


PERGUNTA 45. Qual é o primeiro mandamento?

R. O primeiro mandamento é: "Não terás outros deuses além de mim".

Ref. Ex 20.3.


PERGUNTA 46. Que exige o primeiro mandamento?

R. O primeiro mandamento exige de nós o conhecer e reconhecer a Deus como o único Deus verdadeiro, e nosso Deus; e como tal adorá-lo.

Ref. 1Cr 28.9; Dt 26.17; Sl 95.6-7.


PERGUNTA 47. Que proíbe o primeiro mandamento?

R. O primeiro mandamento proíbe o negar, ou deixar de adorar ou glorificar ao verdadeiro Deus, como Deus, e nosso Deus; e dar a qualquer outro a adoração e a glória que só a Ele são devidas.

Ref. Sl 14.1; Rm 1.20-21, 25; Sl 8.11.


PERGUNTA 48. Que se nos ensina especialmente pelas palavras "além de mim", no primeiro mandamento?

R. As palavras "além de mim", no primeiro mandamento, ensinam-nos que Deus, que vê todas as coisas, toma conhecimento e muito se ofende do pecado de ter-se em seu lugar outro deus.

Ref. Sl 139.1-3; Dt 30.17-18.


PERGUNTA 49. Qual é o segundo mandamento?

R. O segundo mandamento é: "Não farás para ti imagem de escultura, nem figura alguma de tudo que há em cima no Céu, e do que há embaixo na terra, nem de coisa alguma que haja nas águas, debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor teu Deus, o Deus zeloso, que vinga a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem; e que usa de misericórdia com milhares daqueles que me amam e que guardam os meus preceitos".

Ref. Ex 20.4-6.


PERGUNTA 50. Que exige o segundo mandamento?

R. O segundo mandamento exige que recebamos, observemos e guardemos puros e inteiros todo o culto e ordenanças religiosas que Deus instituiu na sua Palavra.

Ref. Dt 12.32; Mt 28.20; Jo 4.23-24.


PERGUNTA 51. Que proíbe o segundo mandamento?

R. O segundo mandamento proíbe o adorar a Deus por meio de imagens, ou de qualquer outra maneira não prescrita na sua Palavra.

Ref. Rm 1.22-23; 2Rs 18.3-4.


PERGUNTA 52. Quais são as razões anexas ao segundo mandamento?

R. As razões anexas ao segundo mandamento são a soberania de Deus sobre nós, a sua propriedade em nós em nós, e o zelo que Ele tem pelo seu culto.

Ref. Sl 45.11; 100.3; Ex 34.14; 1Co 10.22.


PERGUNTA 53. Qual é o terceiro mandamento?

R. O terceiro mandamento é: "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar em vão o nome do Senhor seu Deus".

Ref. Ex 20.7.


PERGUNTA 54. Que exige o terceiro mandamento?

R. O terceiro mandamento exige o santo e reverente uso dos nomes, títulos, atributos, ordenanças, palavras e obras de Deus.

Ref. Sl 29,2; Ap 15.3-4; Ec 5.1; Sl 138.2; 104.24.


PERGUNTA 55. O que proíbe o terceiro mandamento?

R. O terceiro mandamento proíbe toda a profanação ou abuso das coisas por meio das quais Deus se faz conhecer.

Ref. Lv 19.12; Mt 5.34-35.


PERGUNTA 56. Qual é a razão anexa ao terceiro mandamento?

R. A razão anexa ao terceiro mandamento é que, embora os transgressores deste mandamento escapem do castigo dos homens, o Senhor nosso Deus não os deixará escapar do seu justo juízo.

Ref. Dt 28.58-59.


PERGUNTA 57. Qual é o quarto mandamento?

R. O quarto mandamento é: "Lembra-te de santificar o dia do Sábado. Trabalharás seis dias, e farás nele tudo o que tens para fazer. O sétimo dia, porém, é o Sábado do Senhor teu Deus. Não farás nesse dia, obra alguma, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o peregrino que vive das tuas portas para dentro. Porque o Senhor fez em seis dias o céu, a terra e o mar, e tudo o que neles há, e descansou no sétimo dia. Por isso o Senhor abençoou o dia sétimo e o santificou".

Ref. Ex 20. 8.11.


PERGUNTA 58. Que exige o quarto mandamento?

R. O quarto mandamento exige que consagremos a Deus os tempos determinados em sua Palavra, particularmente um dia inteiro em cada sete, para ser um dia de santo descanso a Ele dedicado.

Ref. Lv 19.30; Dt 5.12.


PERGUNTA 59. Qual dos sete dias designou Deus para esse descanso semanal?

R. Desde o princípio do mundo até à ressurreição de Cristo, Deus designou o sétimo dia da semana para o descanso semanal; e desde então o primeiro dia da semana para continuar sempre até ao fim do mundo, que é o Sábado cristão, ou Domingo.

Ref. Gn 2.3; Ex 16.23; At 20.7; 1Co 16.1-2; Ap 1.10.


PERGUNTA 60. De que modo se deve santificar o Domingo?

R. Deve-se santificar o Domingo com um santo repouso por todo aquele dia, mesmo das ocupações e recreações temporais que são permitidas nos outros dias; empregando todo o tempo em exercícios públicos e particulares de adoração a Deus, Exceto o tempo preciso para as obras de pura necessidade e misericórdia.

Ref. Lv 23.3; Is 58.13-14; Mt 12.11-12; Mc 2.27-28.


PERGUNTA 61. Que proíbe o quarto mandamento?

R. O quarto mandamento proíbe a omissão ou a negligência no cumprimento dos deveres exigidos, e a profanação deste dia por meio de ociosidade ou por fazer aquilo que é em si mesmo pecaminoso, ou por desnecessários pensamentos, palavras, ou obras acerca de nossos negócios e recreações temporais.

Ref. Jr 17.21; Lc 23.56.


PERGUNTA 62. Quais são as razões anexas ao quarto mandamento?

R. As razões anexas ao quarto mandamento são: a permissão que Deus nos concede de fazermos uso dos seis dias da semana para os nossos interesses temporais; o reclamar ele para si a propriedade especial do dia sétimo, o seu próprio exemplo, e a benção que ele conferiu ao dia do descanso.

Ref. Ex 31. 15-16; Lv 23.3; Ex 31.17; Gn 2.3.


PERGUNTA 63. Qual é o quinto mandamento?

R. O quinto mandamento é: "Honrarás a teu pai e a tua mãe, para teres uma dilatada vida sobre a terra que o Senhor teu Deus te há de dar".

Ref. Ex 20.12.


PERGUNTA 64. Que exige o quinto mandamento?

R. O quinto mandamento exige a conservação da honra e o desempenho dos deveres pertencentes a cada um em suas diferentes condições e relações, como superiores, inferiores, ou iguais.

Ref. Ef 6.1-3; Rm 13.1-2; 12.10.


PERGUNTA 65. Que proíbe o quinto mandamento?

R. O quinto mandamento proíbe negligenciarmos ou fazermos alguma coisa contra a honra e dever que pertencem a cada um em suas diferentes condições e relações.

Ref. Rm 13.7-8.


PERGUNTA 66. Qual é a razão anexa ao quinto mandamento?

R. A razão anexa ao quinto mandamento é uma promessa de longa vida e prosperidade (quanto sirva para glória de Deus e bem do homem) a todos aqueles que guardam este mandamento.

Ref. Ef 6.2-3.


PERGUNTA 67. Qual é o sexto mandamento?

R. O sexto mandamento é: "Não matarás".

Ref. Ex 20.13.


PERGUNTA 68. Que exige o sexto mandamento?

R. O sexto mandamento exige todos os esforços lícitos para conservar a nossa vida e a dos nossos semelhantes.

Ref. Sl 132.3-4; At 27.33-34; Rm 12.20-21; Lc 10.33-37.


PERGUNTA 69. Que proíbe o sexto mandamento?

R. O sexto mandamento proíbe o tirar a nossa própria vida, ou a do nosso próximo injustamente, e tudo aquilo que para isso concorre.

Ref. At 16.28; Gn 9.6; Dt 24.6; Pv 24.11-12; 1Jo 3.15.


PERGUNTA 70. Qual é o sétimo mandamento?

R. O sétimo mandamento é: "Não adulterarás"

Ref. Ex 24.14.


PERGUNTA 71. Que exige o sétimo mandamento?

R. O sétimo mandamento exige a conservação da nossa própria castidade, e da do nosso próximo, no coração, nas palavras e nos costumes.

Ref. 1Ts 4.4; Ef 4.29; 5.11-12; 1Pe 3.2.


PERGUNTA 72. Que proíbe o sétimo mandamento?

R. O sétimo mandamento proíbe todos os pensamentos, palavras e ações impuras.

Ref. Mt 5.28; Ef 5.3-4.


PERGUNTA 73. Qual é o oitavo mandamento?

R. O oitavo mandamento é: "Não furtarás".

Ref. Ex 20.15.


PERGUNTA 74. Que exige o oitavo mandamento?

R. O oitavo mandamento exige que procuremos o lícito adiantamento das riquezas e do estado exterior, tanto nosso como do nosso próximo.

Ref. Pv. 27.23; 22.1-14; Fl 2.4; Ex 23.4-6.


PERGUNTA 75. Que proíbe o oitavo mandamento?

R. O oitavo mandamento proíbe tudo o que impede ou pode impedir injustamente o adiantamento da riqueza ou do bem-estar, tanto nosso como do nosso próximo.

Ref. Pv 28.19; 1Tm 5.8; Tg 5.1-4.


PERGUNTA 76. Qual é o nono mandamento?

R. O nono mandamento é: "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo".

Ref. Ex 20.16.


PERGUNTA 77. Que exige o nono mandamento?

R. O nono mandamento exige a conservação e promoção da verdade entre os homens, e a manutenção da nossa boa reputação, e a do nosso próximo, especialmente quando somos chamados a dar testemunho.

Ref. Ef 4.25; 1Pe 3.16; At 25.10; 3Jo 12; Pv 14.5, 25; Mt 5.37.


PERGUNTA 78. Que proíbe o nono mandamento?

R. O nono mandamento proíbe tudo o que é prejudicial à verdade, ou injurioso, tanto à nossa reputação como à do nosso próximo.

Ref. Cl 3.9; 2Co 8.20-21; Sl 15.3; 12.3.


PERGUNTA 79. Qual é o décimo mandamento?

R. O décimo mandamento é : "Não cobiçarás a casa do teu próximo; não desejarás a sua mulher, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença.

Ref. Ex 20.17.


PERGUNTA 80. Que exige o décimo mandamento?

R. O décimo mandamento exige o pleno contentamento com a nossa condição, bem como disposição caridosa para com o nosso próximo e tudo o que lhe pertence.

Ref. Hb 13.5; 1Tm 6.6-10; Lv 19.18; 1Co 13.4-6.


PERGUNTA O que proíbe o décimo mandamento?

R. O décimo mandamento proíbe todo o descontentamento com a nossa condição, todo o movimento de inveja ou pesar à vista da prosperidade do nosso próximo e todas as tendências ou afeições desordenadas a alguma coisa que lhe pertence.

Ref. 1Co 10.10; Gl 5.26; Cl 3.5; 1Tm 6.6-10.


PERGUNTA 82. Será alguém capaz de guardar perfeitamente os mandamentos de Deus?

R. Nenhum mero homem, desde a queda de Adão, é capaz, nesta vida, de guardar perfeitamente os mandamentos de Deus, mas diariamente os quebranta por pensamentos, palavras e obras.

Ref. Rm 3.9-10; Tg 3.2.


PERGUNTA 83. São igualmente odiosas todas as transgressões da lei?

R. Alguns pecados em si mesmos, e em razão de circunstâncias agravantes, são mais odiosos à vista de Deus do que outros.

Ref. Sl 19.13; Mt 11.24; Lc 12.10; Hb 2.2-3.


PERGUNTA 84. Que merece cada pecado?

R. Cada pecado merece a ira e a maldição de Deus, tanto nesta vida como na vindoura.

Ref. Gl 3.10; Tg 2.10; Mt 25.41.


PERGUNTA 85. Que exige Deus de nós para que possamos escapar a sua ira e maldição em que temos incorrido pelo pecado?

R. Para escaparmos à ira e maldição de Deus, em que temos incorrido pelo pecado, Deus exige de nós fé em Jesus Cristo e arrependimento para a vida, com o uso diligente de todos os meios exteriores pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos da redenção.

Ref. At 20.21; 2Pe 1.10; Hb 2.3; 1Tm 4.16.


PERGUNTA 86. Que é fé em Jesus Cristo?

R. Fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual o recebemos e confiamos só nEle para a salvação, como Ele nos é oferecido.

Ref. At 16.31; Hb 10.39; Jo 1.12; Fp 3.9; Ap 22.17.


PERGUNTA 87. Que é arrependimento para a vida?

R. Arrependimento para a vida é uma graça salvadora pela qual o pecador, tendo um verdadeiro sentimento do seu pecado e percepção da misericórdia de Deus em Cristo, se enche de tristeza e de horror pelos seus pecados, abandona-os e volta para Deus, inteiramente resolvido a prestar-lhe nova obediência.

Ref. 2Co 7.10; At 2.37; Lc 1.77-79; Jr 31.18-19; Rm 6.18.


PERGUNTA 88. Quais são os meios exteriores e ordinários pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos da redenção?

R. Os meios exteriores e ordinários pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos da redenção, são as suas ordenanças, especialmente a Palavra, os sacramentos e a oração; as quais todas se tornam eficazes aos eleitos para a salvação.

Ref. At 2.41-42.


PERGUNTA 89. Como se torna a Palavra eficaz para a salvação?

R. O Espírito de Deus torna a leitura e especialmente a pregação da Palavra, meios eficazes para convencer e converter os pecadores, para os edificar em santidade e conforto, por meio da fé para a salvação.

Ref. Ne 8.8; At 20.32; Rm 15.4; 2Tm 3.15;.


PERGUNTA 90. Como se deve ler e ouvir a Palavra a fim de que ela se torne eficaz para a salvação?

R. Para que a Palavra se torne eficaz para a salvação, devemos ouvi-la com diligência, preparação e oração; recebê-la com fé e amor, guardá-la em nossos corações e praticá-la em nossas vidas.

Ref. Dt 6.6-7; 1Pe 2.1-2; Sl 119.11-18; Rm 1.16; 2Ts 2.10; Tg 1.21-25.


PERGUNTA 91. Como se tornam os sacramentos meios eficazes para a salvação?

R. Os sacramentos tornam-se meios eficazes para a salvação, não por alguma virtude que eles ou aqueles que os ministram tenham, mas somente pela bênção de Cristo e pela obra do seu Espírito naqueles que pela fé os recebem.

Ref. 1Pe 3.21; Rm 2.28-29; 1Co 12.13; 10.16-17.


PERGUNTA 92. Que é um sacramento?

R. Um sacramento é uma santa ordenança, instituída por Cristo, na qual, por sinais sensíveis, Cristo e as bênçãos do novo pacto são representadas, seladas e aplicadas aos crentes.

Ref. Mt 26.26-28; 28.19; Rm 4.11.


PERGUNTA 93. Quais são os sacramentos do Novo Testamento?

R. Os sacramentos do Novo Testamento são o Batismo e a Ceia do Senhor.

Ref. At 10.47-48; 1Co 11.23-26.


PERGUNTA 94. Que é o Batismo?

R. O Batismo é o sacramento no qual o lavar com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo significa e sela a nossa união com Cristo, a participação das bênçãos do pacto da graça, e a promessa de pertencermos ao Senhor.

Ref. Mt 28.19; Jo 3.5; Rm 6.1-11; Gl 3.27.


PERGUNTA 95. A quem deve ser ministrado o Batismo?

R. O Batismo não deve ser ministrado àqueles que estão fora da igreja visível, enquanto não professarem sua fé em Cristo e obediência a Ele; mas os filhos daqueles que são membros da igreja visível devem ser batizados.

Ref. At 18.8; Gn 17.7-14; At 2.38-39; 1Co 7.14.


PERGUNTA 96. O que é a Ceia do Senhor?

R. A Ceia do Senhor é o sacramento no qual, dando-se e recebendo-se pão e vinho, conforme a instituição de Cristo, se anuncia a sua morte, e aqueles que participam dignamente tornam-se, não de uma maneira corporal e carnal, mas pela fé, participantes do seu corpo e do seu sangue, com todas as suas bênçãos para o seu alimento espiritual e crescimento em graça.

Ref. 1Co 11.23-26; At 3.21; 1Co 10.16.


PERGUNTA 97. Que se exige para participar dignamente da Ceia do Senhor?

R. Exige-se daqueles que desejam participar dignamente da Ceia do Senhor que se examine sobre o seu conhecimento em discernir o corpo do Senhor, sobre a sua fé para se alimentarem dele, sobre o seu arrependimento, amor e nova obediência; para não suceder que, vindo indignamente, comam e bebam para si a condenação.

Ref. 1Co 11.27; 31-32; Rm 6.17-18.


PERGUNTA 98. O que é Oração?

R. A Oração é um santo oferecimento dos nossos desejos a Deus, por coisas conformes com a sua vontade, em nome de Cristo, com a confissão dos nossos pecados, e um agradecido reconhecimento das suas misericórdias.

Ref. Sl 10.17; 145.19; 1Jo 5.14; 1.9; Jo 16.23-24; Fp 4.6.


PERGUNTA 99. Qual é a regra que Deus nos deu para nos dirigir em oração?

R. Toda palavra de Deus é útil para nos dirigir em oração, mas a regra especial de direção é aquela forma de oração que Cristo ensinou aos seus discípulos, e que geralmente se chama a Oração Dominical.

Ref. Rm 8.26; Sl 119.170; Mt 6.9-13.


PERGUNTA 100. Que nos ensina o prefácio da Oração Dominical?

R. O prefácio da Oração Dominical, que é: "Pai nosso que estás no Céu", ensina-nos que nos devemos aproximar de Deus com toda a santa reverência e confiança, como filhos a um pai poderoso e pronto para nos ajudar, e também nos ensina a orar com os outros e por eles.

Ref. Lc 11.13; Rm 8.15; 1Tm 2.1-2.


PERGUNTA 101. Pelo que oramos na primeira petição?

R. Na primeira petição que é: "Santificado seja o Teu nome" pedimos que Deus nos habilite a nós e aos outros a glorificá-lo em tudo aquilo em que se dá a conhecer; e que disponha tudo para sua glória.

Ref. Sl 67.1-3; Rm 11.36; Ap 4.11.


PERGUNTA 102. Pelo que oramos na segunda petição?

R. Na segunda petição, que é: "Venha o Teu reino", pedimos que o reino de Satanás seja destruído e que o reino da graça seja adiantado; que nós e os outros a ele sejamos guiados e nele guardados, e que cedo venha o reino da glória.

Ref. Sl 68.1; Jo 12.31; Mt 9.37-38; 2Ts 3.1; Rm 10.1; Ap 22.20.


PERGUNTA 103. Pelo que oramos na terceira petição?

R. Na terceira petição, que é: "Seja feita Tua vontade, assim na terra como no Céu", pedimos que Deus, pela sua graça, nos torne capazes e desejosos de conhecer a sua vontade, de obedecer e submeter-nos a ela em tudo, como fazem os anjos no Céu.

Ref. Mt 24.39; Fp 1.9-11; Sl 103.20-21.


PERGUNTA 104. Pelo que oramos na quarta petição?

R. Na quarta petição, que é: O pão nosso de cada dia nos dá hoje", pedimos que da livre dádiva de Deus recebamos uma porção suficiente das coisas boas desta vida, e gozemos com elas de suas bênçãos.

Ref. Pv 30.8-9; 1Tm 6.6-8; Pv 10.22.


PERGUNTA 105. Pelo que oramos na quinta petição?

R. Na quinta petição, que é: "E perdoa-nos as nossas dividas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores", pedimos que Deus, por amor de Cristo, nos perdoe gratuitamente os nossos pecados, o que somos animados a pedir, porque, pela Sua graça somos habilitados a perdoar de coração ao nosso próximo.

Ref. Sl 51.1-2, 7; Mt 18.35.


PERGUNTA 106. Pelo que oramos na sexta petição?

R. Na sexta petição, que é: "E não nos deixes cair em tentação", pedimos que Deus nos guarde de sermos tentados a pecar, ou nos preserve e livre, quando formos tentados.

Ref. Mt 26.41; Sl 19.13; Jo 17.15; 1Co 10.13.


PERGUNTA 107. Que nos ensina a conclusão da Oração Dominical?

R. A conclusão da Oração Dominical, que é: "Porque Teu é o reino, o poder e a glória, para sempre. Amém", ensina-nos que na Oração devemos confiar somente em Deus, e louvá-lO em nossas orações, atribuindo-Lhe reino, poder e glória. E em testemunho do nosso desejo e certeza de sermos ouvidos, dizemos: Amém.

Ref. Dn 9.18-19; Fp 4.6; 1Cr 29.11-13; 1Co 14.16; APERGUNTA 22.20-21.


OS DEZ MANDAMENTOS

Ex 20.3-17

1. Não terás outros deuses além de mim.

2. Não farás para ti imagem de escultura, nem figura alguma de tudo que há em cima no céu, e do que há em baixo na terra, nem de coisa que haja nas água debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto, porque Eu sou o Senhor teu Deus, o Deus zeloso, que vinga a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e que usa de misericórdia com milhares daqueles que me amam e que guardam os meus preceitos.

3. Não tomarás em vão o nome do Senhor teu Deus, porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar em vão o nome do Senhor seu Deus.

4. Lembra-te de santificar o dia de Sábado. Trabalharás seis dias e farás neles tudo o que tens para fazer. O sétimo dia, porém, é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nesse dia obra alguma, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu animal, nem o peregrino que vive das tuas portas para dentro. Porque o Senhor fez em seis dias o céu e a terra, e tudo o que neles há, e descansou no sétimo e o santificou.

5. Honrarás a teu pai e a tua mãe, para teres uma vida dilatada sobre a terra que o Senhor teu Deus te há de dar.

6. Não matarás.

7. Não adulterarás.

8. Não furtarás.

9. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

10. Não cobiçarás a casa de teu próximo; não desejarás a sua mulher, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença.

RESUMO DOS DEZ MANDAMENTOS

Lc 10.27

Amarás ao Senhor teu Deus de todo o coração, de toda tua a alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e ao teu próximo como a ti mesmo.

ORAÇÃO DOMINICAL

Mt 6.9-13

Pai nosso que estás nos Céus, santificado seja Teu nome; venha o Teu reino; seja feita a Tua vontade, assim na terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal; porque Teu é o reino, o poder e a glória para sempre . Amém.

CREDO

Creio em Deus Pai, todo poderoso, Criador do céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, Seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu em Hades; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à mão direita de Deus Pai todo poderoso; donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na santa Igreja universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Entendendo a mensagem do Apocalipse


O livro de Apocalipse é o último livro do Canon do Novo Testamento. Ele foi escrito por João, apóstolo, quando estava exilado na Ilha de Patmos por causa do evangelho, sob o governo de Domiciano, provavelmente em 95 d.C. O livro foi escrito visando consolar a Igreja do Senhor Jesus que sofria oposição e perseguição por parte da potência mundial da época, o império romano. Ele foi escrito num estilo literário conhecido como apocalíptico em que, dentre outras coisas, a mensagem é apresentada através de símbolos e figuras. Esse estilo literário foi usado de forma abundante por escritores religiosos do período entre 100 a.C a 100 d.C. No Canon Sagrado temos o livro de Apocalipse escrito nessa linguagem, partes de Daniel, de Isaías, de Ezequiel, e de Zacarias. Existem ainda diversos outros livros que usam esse tipo de linguagem, mas apócrifos. A mensagem básica passada pelos apocalípticos era que o povo de Deus estava sofrendo nas mãos dos ímpios, mas que tivesse paciência porque Deus, no devido tempo, se manifestaria punindo os opressores e libertando o seu povo e dando-lhe um futuro feliz.
No meio acadêmico conhece-se quatro escolas de interpretação do livro de Apocalipse: a preterista, que trata os acontecimentos do livro como acontecidos no primeiro século da era cristã, ficando pendente apenas a consumação – segunda vinda do Senhor e o consequente juízo final. A historicista que identifica os acontecimentos do livro de Apocalipse com os acontecimentos ao longo da historia da humanidade a partir do século primeiro. A futurista que ensina que apenas os capítulos um, dois e três pertencem à história da Igreja, sendo o restante do livro objeto do futuro após o arrebatamento da mesma. A idealista que ensina que o livro de apocalipse trata de princípios revelados por Deus no que se refere ao sofrimento da Igreja, o cuidado de Deus sobre ela e o Seu juízo sobre os perseguidores da mesma, bem como o futuro glorioso do povo de Deus.
Fazendo uma análise crítica das escolas citadas no item anterior podemos chegar às seguintes conclusões: a preterista mostra o Apocalipse como um livro que é apenas um referencial e que não traz uma mensagem objetiva para a igreja, pois praticamente tudo é passado. Para essa escola o Apocalipse não serve para a igreja depois do século primeiro. Essa concepção faz do livro apenas uma fonte informativa sem mensagem para a Igreja a não ser uma vaga esperança escatológica. A historista cai no grave erro de tentar identificar os acontecimentos passados da história do mundo com os selos, trombetas e taças do Apocalipse, etc. Observem que para os autores dessa escola os acontecimentos referem-se praticamente ao mundo ocidental. A futurista faz do livro mais judaico do que cristão já que a igreja será arrebatada no final do capítulo terceiro, pois no capítulo quatro ela está nos céus com Jesus. Assim sendo, o livro perde o seu objetivo que é consolar uma igreja que enfrentou, enfrenta e enfrentará oposição neste mundo. Outra ênfase equivocada dessa escola é ensinar explicitamente que haverá mais de uma ressurreição corporal de mortos (a dos santos da velha dispensação, da igreja, dos salvos da grande tribulação e dos salvos do milênio - isto está subtendido no programa dessa escola, e dos ímpios). Ainda outro problema grave da escola futurista é enfatizar uma interpretação literal do livro em grande parte quando o mesmo foi escrito num estilo de linguagem em que a mensagem é transmitida através de símbolos e figuras de linguagem (literatura apocalíptica). Fica a escola idealista que vê o livro como uma forte mensagem para a igreja em todas as suas épocas até a sua consumação, visto que o mesmo é uma mensagem de conforto para a Igreja do Senhor que sofre no mundo com a oposição e perseguição do diabo, do mundo e da falsa religião. Segundo a escola idealista o livro de Apocalipse divide-se em duas partes: capítulos 1-11 que trata da luta do mundo político/econômico/social/militar posto no maligno contra a Igreja do Senhor; e 12-22 que trata da luta de satanás e seus aliados (as duas bestas, a prostituta, e os aliados da besta) contra Cristo e sua Igreja, ou seja, a luta aqui na terra é o reflexo de uma batalha maior no reino espiritual. Essa escola ainda identifica no livro sete seções paralelas (todas cobrem o mesmo período, do primeiro ao segundo advento de Cristo, sendo reveladas algumas coisas novas e variando outras de intensidade à medida que se aproxima do fim de todas as coisas), conforme explicitado pelo Dr. William Hendricksen no seu livro Mais que Vencedores (os mistérios do Apocalipse desvendados com profundidade e fidelidade), Editora Cultura Cristã: 1ª seção, capítulos 1.1-3.22 - Cristo no meio da sua igreja (sete candeeiros de ouro) ao longo de sua existência; 2ª seção, capítulos 4.1-7.17 - A visão do Céu e dos sete selos; 3ª seção, capítulos 8.1-11.19 - As sete trombetas; 4ª seção, capítulos 12.1-14.20 - o dragão perseguidor da igreja; 5ª seção, capítulos 15.1-16.21 - As sete taças; 6ª seção, capítulos 17.1-19.21 - A queda da Babilônia; 7ª seção, capítulos 20.1-22.21 - A grande consumação. Essa escola ainda considera que os juízos de Deus através dos sete selos, das sete trombetas e das sete taças, são eventos paralelos ou simultâneos e não seqüenciais, considerando que nos últimos setes (selos, trombetas e taças) encontram-se a descrição de um mesmo evento que é a consumação de todas as coisas com o segundo advento de Cristo.
Tratando do livro em si, ele começa com a identificação da autoria divina do mesmo (revelação de Jesus Cristo), do meio utilizado para trazer essa mensagem (pelo seu anjo) e do instrumento humano que iria lançar mão da pena para escrevê-lo (João). Em seguida o livro identifica os destinatários do mesmo (as sete igrejas da Ásia Menor: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia). Ainda no capítulo primeiro nos é apresentado o Senhor da Igreja, glorificado, através de uma figura aterradora (cabelos brancos como a neve, olhos como chamas de fogo, espada que sai da boca, pés semelhante a latão reluzente, etc), Tendo cada descrição um significado aderente aos atributos e ofícios de Cristo (onisciência, onipotência, onipresença, santidade, eternidade, ofícios sacerdotal e real, supremo juiz, etc).
Nos capítulos dois e três encontramos a parte epistolar do livro, as sete cartas destinadas às sete igrejas da Ásia Menor. Nessas cartas encontramos quatro coisas em comum: 1) uma apresentação de Jesus a Igreja tirada do capitulo primeiro; 2) uma análise da vida interna de cada igreja onde são identificados pelo Senhor os pontos positivos e os negativos delas; 3) uma advertência a Igreja; 4) e uma promessa ao vencedor. Ainda em cada carta encontramos frases em comum, como segue: ao anjo da Igreja escreve; eu sei as tuas obras; quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz as Igrejas; e, ao que vencer, dar-lhe-ei. Quanto à análise interna, em duas delas não foram identificados pontos negativos (Esmirna e Filadélfia) e numa não foram identificados pontos positivos (Laodicéia). Quanto ao destinatário imediato das cartas (anjo da igreja) eles são os responsáveis humanos pelas comunidades locais (o pastor auxiliado pelos presbíteros. Veja At 20.28; 1 Pe 5.1-4).
No capitulo quatro encontramos uma visão do trono de Deus. Nessa visão é descrita o fulgor do trono de Deus e os seres que estavam diante dele (seres celestiais - quatro seres viventes, e seres humanos glorificados, vinte e quatro anciãos que representam o povo de Deus da antiga e da nova dispensação). Nesse capítulo é proclamada a santidade de Deus pelos seres viventes e também Deus é exaltado e celebrado pela sua obra criadora. “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder, porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas” Ap 4.11.
No capitulo cinco é visto na mão direita do que está assentado no trono um livro selado com sete selos. Esse livro contém o programa de Deus para o mundo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, que é revelado, paulatinamente, com a abertura de cada selo. A seguir a visão dominante do capítulo é a do Cordeiro que foi morto, que com a sua dignidade e com o que Ele fez (redenção do povo de Deus pelo sacrifício de si mesmo) o credencia a abrir o livro e a desatar os seus sete selos. Isto quer dizer que o Senhor Jesus é o Senhor da história e que as coisas que aconteceram, acontecem e acontecerão na história do mundo principalmente aquelas relacionadas à Igreja estão sob o Seu controle ou comando. Ainda na visão do Cordeiro que foi morto são realçados dois atributos Seus: a onipotência (sete chifres) e a onisciência (sete olhos). Ainda nesse capitulo o Cordeiro é reverenciado e adorado por anjos e pelos homens redimidos representados pelos vinte e quatro anciãos. Nessa celebração a Cristo é dada ênfase a sua obra redentora realizada na cruz do Calvário. “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra” Ap 5.9,10.
No capítulo seis encontramos os sete selos, que revelam o juízo de Deus sobre o mundo ímpio perseguidor da Igreja. Esses juízos são derramados (foram, estão sendo, e serão) na história do período da igreja, desde o seu nascedouro até a sua consumação. Os cavaleiros montados nos cavalos branco, vermelho, perto e amarelo, representam respectivamente Cristo vencendo através da pregação do Evangelho, a guerra contra a Igreja, o desequilíbrio da economia provocado pela guerra e a morte que se segue a guerra e a fome. Observem que Deus pune os homens sempre em função do seu povo, no caso a sua Igreja. Ainda nesse capítulo encontramos a revelação da vida após a morte (imortalidade da alma) naquelas almas debaixo do altar quando se abre o quinto selo. Na abertura do sexto selo encontramos cataclismos na natureza semelhantes aos mencionados por Jesus no seu sermão escatológico que antecederão de imediato a segunda vinda do Senhor (Mt 24.29).
No capítulo sete encontramos duas visões parentéticas (entre as duas séries de juízos de Deus através de selos e trombetas), ambas falando da Igreja do Senhor. A primeira visão, a dos 144.000 selados refere-se à Igreja do Senhor, o novo Israel de Deus, que está sendo selada pelo Espírito Santo ao longo da sua história. Na visão a Igreja é apresentada com todos os seus componentes. A visão seguinte refere-se à igreja completa, vencedora, nos céus, composta de todos os salvos de todas as épocas e de todas as tribos, povos, línguas e nações. Esses amados vieram de grande tribulação durante as suas existências e, principalmente, no período de intensa tribulação que ocorrerá antes da segunda vinda do Senhor.
Nos capítulos oito e nove e parte do onze encontramos a visão dos toques das sete trombetas que engloba o mesmo período contemplado pelos sete selos (o panorama da história da Igreja delineado, desde o seu nascedouro até a sua consumação). Observem que o sexto selo (Ap 6.12-17) é similar a sétima trombeta (Ap 11.15-19). Ambos terminam com a segunda vinda do Senhor e o consequente juízo final. Nas trombetas nos é mostrado acontecimentos mais detalhados do que nos sete selos.
No capítulo dez e parte do capítulo onze, encontramos outras duas visões parentéticas, a do livrinho comido por João e a das duas testemunhas, referindo-se as duas ao mesmo assunto que é o testemunho da Igreja ao longo de sua história. Um testemunho que traz prazer aos que são alcançados pela mensagem do Evangelho e perspectiva de juízo para quem não aceita (doce ao paladar e amargo no ventre), e o testemunho que é dado pela Igreja no poder do Espírito, mas que recebe oposição e enfrenta martírio provocado pelo diabo, seus aliados e pelo mundo que jaz no maligno (as duas testemunhas). Em momentos da história da Igreja o seu testemunho é parecido como se ela tivesse sido morta, mas em outros momentos, vivo, poderoso como se tivesse ressuscitado, principalmente antes do fim da presente era.
Nos capítulos doze e treze nos é apresentado os formidáveis inimigos do povo de Deus que atuam contra ele ao longo da sua história, principalmente da história da Igreja, mui especialmente quando do final da sua existência aqui na terra: o dragão (satanás), a besta que sai do mar (o mundo político representado pelo anticristo), e a besta que sai da terra (as falsas religiões representadas pelo falso profeta). Nesse capítulo nos é revelado o ódio que o dragão tem pela Igreja, não lhe dando trégua, mas revela também a proteção divina sobre ela em seus momentos de perseguições.
No capitulo quatorze encontramos outra visão da Igreja glorificada após o seu traslado para os céus. Nessa visão a Igreja é novamente representada pelos 144.000 mil selados. Ainda nos é revelado que os seus componentes foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro e que estão sempre com Ele. “... estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes são os que dentre os homens foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro. E na sua boca não se achou engano; porque são irrepreensíveis diante do trono de Deus” Ap 14.4,5. Encontramos também uma descrição do terrível juízo de Deus por ocasião da consumação de todas as coisas com o segundo advento de Cristo.
Nos capítulos quinze e dezesseis encontramos a consumação da ira de Deus através do derramar de sete taças. Essas taças contemplam todo o período da história da Igreja, ou seja, é outra visão do mesmo juízo de Deus derramado sobre o mundo ímpio, opositor da Igreja. Isto quer dizer que os sete selos, as sete trombetas e as sete taças contemplam o mesmo período da história da Igreja desde o seu nascedouro em Pentecostes até a sua consumação por ocasião da segunda vinda do Senhor. Observem que os juízos de Deus através de selos, trombetas e taças trazem certa similaridade, e as diferenças que existem são mais luzes que se nos traz sobre o tratamento de Deus com o mundo ímpio perseguidor da Igreja. A questão da simultaneidade de selos, trombetas e taças, é similar aos relatos dos quatro evangelhos, quando um relato de um evangelista lança mais luz sobre o mesmo relato feito por outro evangelista, dando-nos no todo, na análise conjunta, um relato completo daquilo que Deus queria nos revelar.
Nos capítulos dezessete, dezoito e parte do capítulo dezenove (19.1-10), encontramos uma descrição sobre Babilônia, a grande prostituta que seduz os homens com os seus encantos. Encontramos ainda a revelação do juízo de Deus sobre Ela e a repercussão desse juízo entre aqueles que se prostituíram com ela. Essa grande Babilônia não é uma cidade física e sim o mundo com o seu encanto e sedução, que está sob a influência do diabo. Esse mundo posto no maligno (Mt 4.8,9; Ef 2.2; 1 Jo 5.19) é expressado pelos grandes impérios que dominaram o mundo (assírio, babilônico, persa, grego, romano, etc), que seduziram a alma do homem e perseguiram o povo de Deus. Ainda nessa visão é revelado o regozijo nos Céus quando da execução do juízo de Deus sobre o mundo perseguidor da Igreja (Ap 19.1-10).
No capítulo dezenove (19.11-21) encontramos um relato da segundo vinda do Senhor em glória para buscar a sua Igreja e para trazer juízo sobre o mundo ímpio na grande batalha de Armagedom. O Senhor vem nessa visão como um guerreiro poderoso, com os seus anjos para trazer juízo sobre os aliados do dragão. Observem os dois símbolos desse juízo: a espada que sai da boca do Senhor para ferir as nações, e as vestes salpicadas de sangue. O juízo de Deus é descrito assim: “E vi um anjo que estava no sol, e clamou com grande voz, dizendo a todas as aves que voavam pelo meio do céu: Vinde e ajuntai-vos à ceia do grande Deus, para que comais a carne dos reis, e a carne dos tribunos, e a carne dos fortes, e a carne dos cavalos e dos que sobre eles se assentam, e a carne de todos os homens, livres e servos, pequenos e grandes. E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo e ao seu exército. E a besta foi presa e, com ela, o falso profeta, que, diante dela, fizera os sinais com que enganou os que receberam o sinal da besta e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no ardente lago de fogo e de enxofre. E os demais foram mortos com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes” Ap 19.17-21. Nesse juízo é dada ênfase sobre o julgamento do anticristo e do falso profeta. (Ap 19.20), representantes máximos, respectivamente, do mundo e da falsa religião..
No capitulo vinte encontramos uma solene descrição do juízo final quando todos irão comparecer diante de Deus para prestar conta dos seus atos enquanto viveram. Neste capitulo encontramos uma ênfase sobre o castigo imputado ao diabo e seus anjos (subtendido em relação aos anjos caídos) bem como aos seus adeptos. É-nos dito nesse capitulo (Ap 20.1-3) que o diabo estava sobre certo castigo de Deus durante a dispensação da Igreja (amarrado por mil anos, o tempo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo), tendo o seu raio de ação limitado, pois Cristo o venceu na cruz e o expôs ao desprezo e a ignomínia, conforme nos foi revelado por Paulo (Cl 2.15) e por Pedro (1 Pe 3.22). Esse capítulo ainda fala sobre a libertação do diabo depois de sua prisão por mil anos. Significa que lhe será dada mais liberdade para atuar nos dias que antecederem de imediato a segunda vinda do Senhor. Isso quer dizer que quando da aproximação da vinda de Jesus a ação diabólica será mais intensa. Isso se coaduna com o que está escrito no capítulo 9 de Apocalipse com o toque da quinta trombeta (Ap 9.1-12). Ainda nesse capítulo há uma referência a um reino de mil anos. Considerando que a linguagem do apocalipse é uma linguagem simbólica, entende-se esses mil anos como o tempo total da história da Igreja quando a mesma reina com Cristo na esfera espiritual (Ef 2.6; Cl 3.1; Ap 1.6; 5.10). Entende-se ainda que esse milênio simboliza a vida perfeita que os crentes goza no reino espiritual, assentados nos lugares celestiais com Cristo Jesus, gozando de salvação, paz com Deus graças a poderosa obra do Espírito Santo em suas vidas. Há ainda uma referência a uma primeira e a uma segunda ressurreição dos mortos. A primeira ressurreição, no entendimento dos teólogos reformados, refere-se à ressurreição espiritual quando da conversão do pecador a Cristo. Observe que o texto diz que sobre esses a morte não tem poder algum, coadunando-se assim com o que disseram o Senhor Jesus (Jo 5.25) e Paulo (Ef 2.1,5; Rm 8.1,2). A segunda ressurreição identificada nesse capitulo é a ressurreição corporal dos mortos (salvos e perdidos) num bloco só conforme explicitado por Daniel (Dn 12.2), pelo Senhor Jesus (Jo 5.28,29) e por Paulo (At 24.15).
Nos capítulos vinte e um e vinte e dois encontramos uma descrição dos novos céus e da nova terra (o lugar eterno dos santos), resultado da purificação feita por Deus no mundo, conforme revelado também pelo apóstolo Pedro em sua segunda carta, (2 Pe 3.7,10-13). Encontra-se também nesse capítulo uma revelação surpreendente sobre a glória que envolve a Igreja do Senhor na consumação de todas as coisas (a nova Jerusalém, a esposa do Cordeiro - Ap 21.9-27). Ainda se encontra no capitulo vinte e dois um convite do Senhor ao pecador perdido para que ele aceite a mensagem do Evangelho pregada pela Igreja mediante o poder do Espírito, uma advertência para os leitores e uma reiteração da promessa da segunda vinda do Senhor e a ministração de uma benção sobre a vida da Igreja.
Ainda no livro de apocalipse encontram-se sete bem aventuranças:
“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” Ap 1.3.
“Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam” Ap 14.13.
“Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas” Ap 16.15.
“E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus” Ap 19.9.
“Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele mil anos” Ap 20.6.
“Eis que presto venho. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro” Ap 22.7.
“Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à árvore da vida e possam entrar na cidade pelas portas” Ap 22.14.
Quanto à numerologia da literatura apocalíptica, veja o quadro abaixo:
N.º
Significado
1
Idéia de unidade, ou de existência independente.
2
Fortaleza, confirmação, coragem e energia redobrada (as duas testemunhas)
3
N.º divino, Trindade
4
O mundo em que os homens vivem, labutam e morrem
5
Perfeição humana física (cinco dedos dos pés e mãos)
6
N.º de homem (falha, queda, derrota)
7
N.º divino, perfeição, inteireza (sete Espíritos, sete Igrejas, sete anjos, sete castiçais)
3 1/2
Coisa incompleta
10
(5x2)
Completo, poderio humano absoluto (dez reis, dez chifres, dez mandamentos)
12
Religião organizada no mundo (doze tribos, doze apóstolos, doze portas)
24
(12x2)
Espectro abrangente da religião organizada no mundo (24 anciãos)
70
(7x10)
Idéia de ilimitado (setenta discípulos, setenta anciãos, setenta membros do Sinédrio)
144.000
(12x12x10)
N.º representativo da religião perfeita (144.000 selados)
A literatura apocalíptica apresenta características peculiares, a seguir:
a) Significação Histórica - Toda a literatura apocalíptica está associada a uma contexto histórico bem definido. O conhecimento dessa situação facilita a compreensão da mensagem do autor.
b) Uso de Pseudônimo - Os autores desses escritos, geralmente, usavam pseudônimos, isto é, nomes de personagens importantes das Sagradas Escrituras e, quase nunca, os seus próprios nomes.
c) A Mensagem Apresentada por Meio de Visões - Os escritores desse tipo de literatura geralmente apresentavam a sua mensagem fazendo uso de visões, sendo esse um dos principais métodos para expressar aquilo que se queria dizer.
d) Uso do Elemento Preditivo - A literatura apocalíptica trata de acontecimentos futuros ou escatológicos. A predição é feita das coisas principais e se refere mais ao caráter do evento predito do que aos seus detalhes.
e) Uso Intensivo de Símbolos - Na literatura apocalíptica, encontramos um elaborado sistema de símbolos secretos e de figuras de linguagem para expressão das idéias espirituais. O uso da simbologia dificulta sensivelmente a interpretação da mensagem, principalmente, para quem não está com ela familiarizado.
f) Uso de Figura de Linguagem Dramática - A literatura apocalíptica é caracterizada pelo sentido de um iminente drama. Frequentemente, os símbolos são usados de forma dramática para enfatizar a seriedade da mensagem.
Observação: as divisões do livro de apocalipse em duas partes e em sete seções, o quadro com a numerologia e as informações sobre as características da literatura apocalíptica é fruto de pesquisa. Exceto os textos bíblicos transcritos, o restante é de autoria deste pastor.
Para uma compreensão mais detalhada desse extraordinário livro (Apocalipse) recomendamos a bibliografia abaixo, principalmente o livro de William Hendricksen:
- Apocalipse, o futuro chegou – Hernandes Dias Lopes, Editora Cultura Cristã
- Apocalipse – Simon Kistermaker, Editora Cultura Cristã
- A Igreja e as Últimas coisas – Dr. Martyn Lloyd-Jones, PES
- A Mensagem do Apocalipse – Michael Wilcock, ABU
- Mais que Vencedores (os mistérios do Apocalipse desvendados com profundidade e fidelidade) – William Hendricksen, Editora Cultura Cristã

Rev. Eudes Lopes Cavalcanti
Ministro congregacional da ALIANÇA