sexta-feira, 26 de junho de 2009

SÍNTESE DA HISTÓRIA DO POVO JUDEU

1) Os Patriarcas de Israel (O Começo)

a) Abraão - Gn 11.27-25.18
b) Isaque - Gn 25.19-28.9
c) Jacó - Gn 28.10-37.2a
d) Os Doze Filhos de Jacó - Gn 29.32-30.26; 35.16-26

2) O Crescimento, a Escravidão e a Libertação de Israel do Egito

a) Moisés - Ex 2.1-7.13
b) As Pragas - Ex 7.19-12.36
c) A Páscoa - Ex 12.1-12.28
d) Travessia do Mar Vermelho - Ex 14.15-31

3) A Organização da Nação de Israel no Deserto do Sinai

a) A Outorga da Lei, sintetizada nos Dez Mandamentos - Ex 20.1-17
(toda a Lei Moral, Civil e Cerimonial, encontra-se nos livros de Êxodo,
Levítico, Números e Deuteronômio)
b) A Construção do Tabernáculo - Ex 25-27.19; 30-31.18; 36-40.38
c) A Instituição do Sacerdócio Arônico - Ex 28-29.46
d) A Organização do Exército - Nm 1.1-46

4) A Jornada no Deserto com Destino a Canaã

a) O Maná - Ex 16.1-36
b) A batalha contra os amalequitas – Ex 17.8-16
c) A Nuvem e a Coluna de Fogo - Nm 9.15-23
d) A Água da Rocha - Ex 17.1-22; Nm 20.7-13
e) Os Espias - Nm 13.1-33
f) A Incredulidade, a Desobediência e o Castigo de Deus - Nm 14.1-45

5) A Passagem do Jordão, A Conquista e a Divisão da Terra, sob o Comando de Josué

a) Josué - Nm 27.18-22; Js 1.1-9
b) A Passagem do Jordão - Js 1.10-4.24
c) A Conquista da Terra (Canaã Central, Canaã Sul e Canaã Norte) Js 6.1-13.7
d) A Repartição da Terra - Js 13.8-22.34

6) O Período dos Juízes (Pecado, Opressão, Arrependimento e Libertação) - Os juízes
Otoniel, Eúde, Sangar, Débora e Baraque, Gideão, Tola, Jair, Jefté, Ibsã, Elom,
Abdom, Sansão, Eli e Samuel – Jz 1.1-21.25; I Sm 1.1-7.17)
7) O Reino Unido

a) O Primeiro Rei: Saul - 1 Sm 9.1-31.13
b) O Segundo Rei: Davi - 1 Sm 16.1-31.13; 2 Sm 1.1-24.25; I Cr 10.1-29.20
c) A Conquista de Jerusalém por Davi - 2 Sm 5.6-10; 1 Cr 11.1-12.40
d) O Terceiro Rei: Salomão - 1 Rs 1.32-11.43; I Cr 29.21-30; 2 Cr 1.1-9.31
e) A Construção do Templo - 1 Rs 6.1-8.66; 2 Cr 2.1-7.22

8) O Reino Dividido

a) O Reino do Norte (10 Tribos, Capital Samaria, 09 Dinastias, 19 Reis, Período 931- 722 a.C., Intensa Atividade Profética, Cativeiro Assírio) 1 Rs 12.1-22.53;
2 Rs 1.1- 17.41 (Os livros proféticos, exceto Ageu, Zacarias e Malaquias).
b) O Reino do Sul (02 Tribos, Capital Jerusalém, Dinastia de Davi, 19 Reis, Período 931- 586 a.C, Intensa Atividade Profética, Cativeiro Babilônico, Destruição de Jerusalém) 1 Rs 12.1-22.53; 2 Rs 1.1-25.21; 2 Cr 10.1-36.23. Jr 52.1-34; Lm 1.1-5.22 (Os livros proféticos, exceto Ageu, Zacarias e Malaquias).

9) Retorno do Cativeiro Babilônico

a) Reconstrução do Templo (Zorobabel) - Ed 1.1-6.18
b) Reconstrução da Cidade de Jerusalém (Neemias) Ne 1.1-7.73
c) Restauração do Culto (Esdras) - Ed 7.1-10.40; Ne 8.1-10.39
d) Atividade Profética de Ageu, Zacarias e Malaquias - Ed 5.1,2; Os livros dos
Profetas citados
e) A Compilação do Antigo Testamento por Esdras, o sacerdote escriba

10) O Período Interbíblico ou Silêncio Profético (400 anos)

a) Os Impérios Grego, Grego Dividido e Romano
b) Os Macabeus
c) As Sinagogas
d) O Sinédrio
e) Os Partidos Religiosos (Fariseus, Saduceus, Essênios)
f) Os Partidos Políticos (Sicários e Herodianos)
g) Os Escribas
h) Os Livros Apócrifos

11) O Período do Novo Testamento

a) A Dominação Romana
b) Nosso Senhor Jesus Cristo (Os Evangelhos)
c) Os Apóstolos
d) A Igreja
e) As Escrituras do Novo Testamento
f) A Destruição de Jerusalém (70 d.C.)
g) A Dispersão dos Judeus (135 d.C.)

12) Os Judeus nas Idades Antiga (135-476 d.C.), Média (476-1453 d.C.), Moderna
(1453-1789) e Contemporânea (1789-?)

a) Obscurantismo
b) Perseguição Religiosa (Vaticano)
c) A Terra de Israel Dominada por Povos Estrangeiros (Romanos: 135-638,
Muçulmanos: 639-1099, Cruzados: 1099-1187, Mamelucos: 1250-1517,
Otomanos: 1517-1917, Ingleses: 1922-1947

13) A Fundação do Moderno Estado de Israel

a) Movimento Sionista - Theodor Herzl - 1897
b) Declaração de Independência - David Ben Gurion - maio de 1948
c) As Guerras Contra os Árabes (1956, 1967 e 1973)
d) Democracia Parlamentarista (Knesset)
e) Potência Militar

15) Israel no Futuro (Visão Dispensacionalista)

a) Reconstrução do Templo - Dn 9.27; 2 Ts 2.3,4; Mt 24.15
b) O Pacto com o Anticristo - Dn 9.27
c) A Grande Tribulação - Dn 12.1; Mt 24.21,22
d) A Perseguição aos Judeus - Dn 9.27; Ap 12.1-6
e) A Segunda Vinda do Messias - Ap 1.7; Mt 24.29-31
f) A Salvação Nacional - Rm 11.26,27; Ap 1.7
g) Armagedom - Ap 19.17-21; Zc 12.3,4
h) Milênio - Ap 11.15-17; 20.1-5

16) Israel no Futuro (Visão Amilenista)

Não há futuro como nação para Israel como se encontra no Dispensacionalismo. O Estado Israelita, que teve um papel preponderante no passado bíblico, não recebe nenhum tratamento especial na visão amilenista, é apenas reconhecido como qualquer outra nação do mundo; os judeus como indivíduos, segundo a eleição da graça, serão contemplados no programa geral da Igreja, que é chamada de o novo Israel, que é composta de judeus e gentios. (Ef 2.11-19; Rm 11.1-32; Gl 3.28,29; 6.15;...).



Os Oficiais da Igreja Congregacional



A Igreja, na sua expressão local, organizada de acordo com o padrão encontrado no Novo Testamentário, é uma instituição divina, segundo as Sagradas Escrituras: “à Igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos,...” 1 Co 1.2. “Mas, se tardar, para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade” 1 Tm 3.15.
Para ministrar na Igreja local, Deus deu três categorias de oficiais cujos ministérios estão ligados intimamente a ela (Pastor, Presbíteros e Diáconos). Esses oficiais são escolhidos por Deus e referendados pela Igreja em sua assembléia de membros, que lhes dá um mandato para ser executado com a graça divina.
O primeiro desses ofícios bíblicos é o de Pastor cuja escolha e ordenação é segundo a vontade soberana de Deus. Ao Pastor Deus deu a direção geral da Igreja sendo o mesmo responsável por ela diante do Senhor, diante das Igrejas irmãs, diante da Denominação e diante do Estado Brasileiro. No livro de Apocalipse os Pastores são chamados de anjos da Igreja. Em Jeremias 3.15 e em Efésios 4.11 nos é dito que os Pastores são dádivas de Deus a Igreja para promover a sua edificação espiritual.
O segundo dos ofícios dentro da Igreja é o de Presbíteros que são conhecidos também por Anciãos, e que significa aqueles que recebem a incumbência de supervisionar a obra de Deus realizada pela Igreja. Os Presbíteros são classificados em Presbíteros Regentes e Presbíteros Docentes sendo esses últimos chamados também de Pastores ou Bispos. Os Presbíteros têm a função de pastoreio e estão ligados ao ministério da Igreja local para ajudar ao Pastor a apascentar a Igreja do Senhor. “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a Igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” Atos 20.28. Pedro, a exemplo de Paulo, reforça a idéia de pastoreio por parte dos Presbíteros. “Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbíteros com eles,... apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto” 1 Pedro 5.1,2. O ministério de pastoreio implica em que os Presbíteros devem ajudar o Pastor no seu ministério, cabendo-lhes atribuições pastorais, tais como ensinar a doutrina, dirigir cultos, pregar o Evangelho, zelar pela vida espiritual da Igreja, visitar os enfermos, orar por eles e realizarem alguns atos pastorais delegados pelo Pastor da Igreja (celebrar a Ceia, oficiar cerimônia fúnebre, impetrar a bênção apostólica).
O terceiro dos ofícios é o de Diáconos que foi instituído por Deus para cuidar das temporalidades da Igreja mui especialmente dos crentes que passam necessidades, segundo se extrai de Atos 6.1-3. Aos Diáconos compete ainda cuidar da boa ordem do culto, zelar pela Casa de Deus, distribuir a Ceia do Senhor e outras atividades delegadas pelo Pastor da Igreja. Os Diáconos que servirem bem tem da parte de Deus uma benção especial. “Porque os que servirem bem como Diáconos adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus” 1 Tm 3.13. O trabalho dos Diáconos deve ser em harmonia com os outros oficiais citados visando o crescimento da Igreja. Na carta aos Filipenses Paulo os identifica em sua saudação como representantes daquela Igreja juntos com os Bispos (Pastores e Presbíteros) Fp 1.1.
As qualificações desses ofícios encontram-se nos textos de 1 Tm 3.1-7; Tt 1.5-9 (Pastores e Presbíteros) e At 6.3 e 1 Tm 3.8-13 (Diáconos).
Todos esses ofícios são dádivas do Senhor para cuidar da Igreja do Deus Vivo coluna e firmeza da verdade. Esses oficiais devem ainda trabalhar em harmonia com o Pastor da Igreja, servindo a Deus com humildade e dedicação. Para todos eles Deus tem reservado recompensas neste mundo e na eternidade (Ml 3.18; Jo 12.26; 1 Co 15.58; 1 Pe 5.4).

terça-feira, 16 de junho de 2009

O Ministério da Beneficência


Quando o Senhor instituiu a sua Igreja deixou quatro atribuições para ela executar neste mundo, além das ordenanças do Batismo dos novos conversos e da Celebração da Ceia do Senhor, que são: Cultuar a Deus, Promover a edificação espiritual dos crentes, Pregar o Evangelho, e o Atendimento das necessidades dos salvos (Beneficência).
Neste boletim iremos discorrer sucintamente sobre o tema da beneficência porque no culto da noite iremos comemorar o Dia da Beneficência.
É doutrina bíblica que uma das funções da igreja neste mundo é exercer o ministério da misericórdia, ou seja, ajudar aqueles que estão passando necessidades.“Assim, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, principalmente aos da família da fé” Gl 6.10. Escrevendo aos Romanos, Paulo assim se expressou sobre a beneficência: “Comunicai com os santos nas suas necessidades, segui a hospitalidade” Rm 12.13. No Novo Testamento o assunto é tratado também na carta aos Hebreus, quando o escritor inspirado por Deus escreveu: “E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus se agrada” Hb 13.16.
Deus sempre se preocupou com os pobres, com os marginalizados, com os necessitados. No Pentateuco há orientações para que o povo de Deus do passado ajudasse aqueles que eram pobres (Leia Ex 23.11; Lv 19.10; 23.22). Em Provérbios o sábio Salomão também contemplou o assunto com algumas de suas máximas (Pv 14.21; 17.5; 22.22; etc).
A existência do pobre no mundo é uma realidade que ninguém pode questionar. A pobreza tem diversas raízes, como por exemplo: subdesenvolvimento, desemprego, infortúnios, catástrofes, falta de oportunidades, discriminação, preguiça, vícios, pecado, etc. Sejam quais forem as causas da pobreza de uma pessoa, de uma família ou de uma comunidade, a nós não nos compete julgar ninguém. Devemos, em todas as circunstâncias, exercer o ministério da misericórdia tanto individualmente quanto através da igreja a que pertencemos.
A Bíblia diz que Deus deu a uns mais do que a outros. “O rico e o pobre se encontraram: a todos os fez o Senhor” Pv 22.2. Todos nós temos aquilo que Deus, na sua soberania, permitiu que tivéssemos. João Batista disse que o homem não pode receber coisa alguma se não lhe for dada do Céu (Jo 3.27). (Veja ainda Tiago 1.17). A luz desses dois e de outros textos da Bíblia, entendemos que somos mordomos daquilo que Deus nos deu, e no exercício dessa mordomia encontra-se a oportunidade de abençoarmos aos que necessitam, com aquilo que Deus nos deu graciosamente. A presença do pobre no mundo é a grande oportunidade que Deus nos dá de exercer o ministério da misericórdia, que tanto lhe agrada.
Infelizmente, existem muitas pessoas que só pensam em si, inclusive crentes ricos, e se esquecem daqueles que passam necessidades. O apóstolo João questiona a fé daqueles que tem recursos, mas, que não se preocupam com a beneficência. “Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele a caridade de Deus” 1 Jo 3.17. Veja ainda como o assunto foi tratado por Tiago, na sua epístola (Tg 2.14-17).
Assim sendo amados não descuidemos desse ministério.

sábado, 6 de junho de 2009

A Exclusividade da Graça de Deus em Cristo

Numa recente palestra sobre a Cristologia, ministrada por um jovem teólogo brasileiro, autor de um livro que está chegando ao mercado evangélico e que aborda sobre a deidade de Cristo, no final da mesma, o autor fez uma menção sobre a salvação só pela graça divina. Até ai tudo bem, mas uma preocupação patenteou-se quando ele afirmou que as pessoas que não tiveram o privilégio de ouvir falar do Cristo histórico eram salvas pelo favor imerecido que Deus dispensa ao homem pecador (a graça de Deus). A afirmação do jovem teólogo foi objetada por um dos presentes, mas devido ao escasso tempo o assunto não pode ser tratado e concluído satisfatoriamente, pois já estávamos saindo da área da Cristologia para a área da Soteriologia (a doutrina da salvação), o que não era a proposta da palestra.
Como estávamos presente ao conclave, achamos por bem discorrer sobre o assunto devido à nuvem que pairou no ambiente com a afirmação do palestrante. Assim sendo, iremos enfocar o assunto, realçando-o conforme está intitulado acima.
Não restam dúvidas de que o tratamento de Deus com o homem em todas as eras sempre foi de forma graciosa, inclusive na área redentiva. O fato de Deus criar o homem parecido consigo mesmo, que nós chamamos em Teologia de Imago Dei, isso já nos mostra uma manifestação da Sua graça. De todos os seres que Deus criou o ser humano é o único que traz consigo a imagem de Deus. O jardim do Édem criado por Deus para ser o habitat do homem, foi também um ato gracioso de Deus. Quando surgiu o episódio da queda do homem Deus graciosamente o procurou e tratou do seu pecado, cobrindo a sua nudez com vestes que o próprio Deus confeccionara. Apesar do drama do pecado, o Criador continuou dispensando a sua graça fazendo com que a terra continuasse sendo a habitação do homem com tudo o necessário para a sua sobrevivência, em todos os tempos, o que se chama em Teologia de graça comum.
Tratando-se da questão redentiva que foi justamente a problemática surgida no final da palestra do ilustre teólogo, é de fundamental importância que entendamos que, em todas as épocas, a redenção sempre foi um ato gracioso de Deus com a definição de que esse ato só é manifestado graciosamente em Cristo, isto muito antes do Redentor surgir no cenário mundial como um personagem histórico. Quando o Todo-Poderoso instituiu os decretos relacionados à salvação, um deles definiu que a salvação do pecador seria através do Filho de Deus que encarnaria no futuro, e que morreria pelos pecados dos homens. Em apocalipse 13.8 encontramos que o cordeiro (Cristo) foi morto antes da fundação do mundo. (Veja ainda 1 Pe 1.19,20)
Na história, o assunto começou a ser revelado pela primeira vez ao homem por ocasião da sua queda, conforme encontrado em Gn 3.15. A promessa de que o descendente da mulher iria esmagar a cabeça da serpente, é considerada pelos teólogos como o proto-evangelho, ou seja, a primeira vez em que a mensagem do evangelho foi proclamada para reconciliar o homem com Deus e salvá-lo da perdição eterna provocada pelo pecado. Essa mensagem ganhou mais consistência quando o próprio Deus matou animais e da pele desses animais fez vestimentas para cobrir a nudez do primeiro casal. “E fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu” Gn 3.21. É interessante observar que uma vítima teve de morrer, sangue teve que ser derramado para poder cobrir a nudez do homem. Essa mensagem de redenção através da semente da mulher, tipificada na morte daqueles animais, foi acreditada por Abel, filho de Adão e Eva, que quando cultuou a Deus o fez oferecendo um sacrifício cruento, ou seja, com sangue, que tanto agradou a Deus. “E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta” Gn 4.4. (Veja ainda Hb 11.4). Podemos observar nesses dois episódios e também no costume que os homens redimidos da antiguidade tinham de oferecer sacrifícios com derramamento de sangue no seu relacionamento cultual com Deus, que essa crença se popularizara. Era a poderosa mensagem da salvação graciosa de Deus através do seu Filho Jesus Cristo que, na época, estava sendo anunciada, sendo que Ele ainda não encarnara, mas que o plano redentor estava tendo o seu curso através da progressividade da revelação divina. Na época patriarcal nos é revelado na Bíblia que Abraão creu em Deus e que pela fé foi justificado. Qual foi a mensagem que alcançou Abraão? Em Gálatas 3.8, encontramos: “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti”. O apóstolo Paulo nos diz que foi a promessa do descendente da mulher que iria abençoar todas as famílias da terra e que essa descendência era Cristo “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” Gl 3.16. Com o advento da lei mosaica o sistema sacrificial foi instituído por ordem de Deus como tipo do que iria acontecer quando o Verbo de Deus encarnasse, principalmente o sacrifício da Páscoa. Tanto é assim que o Senhor Jesus, o Redentor, foi identificado pelo seu precursor João Batista como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, fazendo alusão ao cordeiro que era sacrificado na festividade da Páscoa judaica (Jo 1.29). Lembremo-nos de que Paulo chamou de Jesus a nossa Páscoa, que fora sacrificado por nós (1 Co 5.7). Ainda sobre o assunto da progressividade da revelação e de que ela falava do Redentor que haveria de vir, o evangelista Lucas registrou o seguinte acerca da ministração que o Senhor fez ao coração dos dois discípulos a caminho da aldeia de Emaús: “E, começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a seu respeito em todas as Escrituras” Lc 24.27. O apóstolo Paulo quando tentava persuadir os judeus acerca da salvação, falava da exclusividade de Cristo constante da revelação até então conhecida: “Tendo marcado um dia, muitos foram encontrar-se com ele em sua casa. Desde a manhã até a noite, Paulo lhes explicava com bom testemunho o reino de Deus e procurava convencê-los acerca de Jesus, tanto pela Lei de Moisés como pelos Profetas” At 28.23 (A Lei de Moisés era uma expressão usada na época para fazer referência ao Pentateuco, inclusive o livro de Gênesis).
Queremos com isso afirmar que, mesmo antes da encarnação do Verbo de Deus ou da manifestação da Sua graça através do Cristo histórico, a salvação sempre foi um ato gracioso de Deus através daquele que haveria de vir na plenitude dos tempos, como disse Paulo em Gal 4.4,5. Nas épocas pré-patriarcal, patriarcal e pós-patriarcal sempre a salvação foi anunciada através das profecias diretas acerca de Cristo, o Redentor, através dos tipos e das figuras usadas por Deus como parte da revelação messiânica. Na carta aos Hebreus nos é dito, em seu início, que Deus sempre falou ao homem através dos seus servos e profetas de muitas maneiras (Hb 1.1). Nessa fala de Deus o plano redentor estava sendo anunciado através das profecias, dos tipos e das figuras ao longo da história mui especialmente depois da organização do estado israelita e da entrega da lei, da construção do tabernáculo, da instituição do sacerdócio, e da instituição do sistema sacrificial, sendo o povo israelita destinado por Deus para ser o agente propagador da mensagem redentora. “Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome: anunciai a sua salvação de dia em dia. Anunciai entre as nações a sua glória; entre todos os povos as suas maravilhas” Sl 96.2,3.
No Novo Testamento, quando o Verbo de Deus encarnou, essa exclusividade de Cristo como único Redentor, ficou mais patenteada como observamos nos textos que falam da anunciação do nascimento do Senhor (Mt 1.21; Lc 2.11), no testemunho do próprio Jesus no Evangelho de João 14.6; 11.25,26, no testemunho de Pedro em At 4.12 e nos escritos apostólicos de Paulo (1 Tm 2.5), de Pedro (1 Pe 1.18-20) e de João (Jo 3.16,17; 1 Jo 5.10-12; Ap 1.5; 5.9).
Num contexto missiológico, ninguém estar autorizado a declarar que Deus, por ser gracioso, salva as pessoas que não tiveram a oportunidade de ouvir o Evangelho, e que a salvação é pela graça de Deus sem complementar que essa graça se manifesta através de Cristo. O apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos disse que o homem é indesculpável diante de Deus, pois ele tem ao seu dispor a revelação natural que testifica do Deus Criador (Rm 1.18-32). Paulo disse também nessa mesma carta que os que sem lei pecaram sem lei perecerão (Rm 2.12).
Se no plano eterno de Deus foi decretado que a salvação seria através do sacrifício do Filho de Deus, e que o Cordeiro (Cristo) na mente divina já tinha realizado o sacrifício pelos pecados antes que houvesse mundo (Ap 13.8), e que os eleitos que seriam alcançados também já tinham sido identificados e preordenados para a salvação antes que o mundo viesse a existir, e que os seus nomes já estão escritos no livro da Vida (Ap 17.8) não há dúvidas de que a exclusividade de Cristo como Redentor é definida, mesmo levando-se em consideração a progressividade da revelação desse assunto ao longo da história da redenção do homem, pois Deus nunca teve mais de uma maneira de tratar com o homem no seu plano redentor senão através de Cristo.
Resumindo queremos dizer que a salvação sempre foi um ato gracioso de Deus através de Cristo e que, antes da encarnação de Cristo, as pessoas para ser salvas deviam crer naquele que haveria de vir e depois dela elas são salvas crendo no Cristo que já veio.
“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” Rm 11.33.
João Pessoa, junho de 2009
Rev. Eudes Lopes Cavalcanti (Ministro Congregacional da ALIANÇA)

Evidências de uma vida cheia do Espírito

No boletim do domingo dia 24/05 fizemos uma reflexão com o título “Um crente cheio do Espírito Santo”. Nessa reflexão fundamentamos a doutrina da concessão do Espírito Santo aqueles que, de fato, crê em nosso Senhor Jesus Cristo. Dizemos também que grande são as possibilidades da execução de um trabalho profícuo por parte daquele que vive uma vida cheia do Espírito. Dissemos ainda que o dom do Espírito é uma benção exclusiva para aqueles que crêem em Cristo em todas as épocas.
Neste boletim iremos enfatizar as evidências de uma vida cheia do Espírito Santo.
Primeiramente vamos enfocar o que não é evidência da plenitude do Espírito na vida de um crente. Não é evidência o crente falar em línguas estranhas. No Dia de Pentecostes quando o Espírito desceu sobre aqueles cento e vinte irmãos todos foram cheios do Espírito Santo e, no entanto, não falaram línguas estranhas. Aqueles irmãos receberam miraculosamente a capacidade de falar em línguas estrangeiras, ou seja, compreensíveis pelos ouvintes que estavam naquela reunião. “Como pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?” At 2.8. Também não são evidências o crente se arrepiar, perder o controle de si, cair, rodopiar, marchar e outras bobagens que se observam no meio neo-pentecostal. Não é ainda ter visões, revelações, profetizar. Não é o exercício dos dons espirituais ou o uso dos dons naturais na obra do Senhor. Nem ainda a entrega das ofertas e dízimos ao Senhor como uma obrigação ou uma barganha, ou seja, eu te dou se tu me abençoares.
A primeira grande evidência na vida de um crente cheio do Espírito Santo é a produção do fruto do Espírito conforme identificado na carta de Paulo aos Gálatas 5.22: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança”. Essa sim é a grande evidência de uma vida cheia do Espírito. Esse fruto brota naturalmente da vida daqueles que estão cheios do Espírito de Deus. Outras evidências também podem ser observadas tais como um intenso desejo pelas coisas de Deus (At 2.46); e ainda um intenso desejo de estar reunido com os irmãos em Cristo para celebrar ao Senhor nos cultos programados pela Igreja (At 2.44,46,47); e ainda um profundo sentimento de liberalidade, ou seja, de entregar a Deus os dízimos e as ofertas para a manutenção da Sua obra através da Igreja da qual é membro (At 2.45; 4.32,34-37); e ainda um profundo zelo pelas coisas de Deus (At 5.3,4); e ainda um profundo desejo de se envolver com a obra de evangelização (At 4.29-31,33); e ainda constantes vitórias sobre o pecado, sobre a natureza pecaminosa (Rm 8.2,13; Gl 5.24,25); e ainda um profundo amor pelo Senhor, a ponto de, se preciso for, morrer por Cristo (At 21.13); e ainda dar testemunho ousado da fé cristã (At 4.16-20); e ainda a perseverança nas atividades da Igreja (At 2.42,46); e ainda um profundo sentimento de respeito pela pessoa de Deus e por tudo aquilo que Lhe diz respeito (At 2.43); e ainda um intenso desejo de orar, de buscar a presença de Deus, participar dos cultos de oração da Igreja (At 2.42; 4.23,24; 12.5); e coisas semelhantes.
Se na sua vida querido irmão essas coisas forem uma realidade saiba que você é uma pessoa que vive na plenitude do Espírito Santo de Deus.