segunda-feira, 30 de março de 2015

A Obra Redentora de Cristo

Segundo o estabelecido por Deus na eternidade, o programa redentor começou a ser operacionalizado de fato com a encarnação do Verbo Divino. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua gloria como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” Jo 1.14. O Salvador nasceu em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, cresceu em Nazaré na Galiléia dos tempos bíblicos. Viveu uma vida ímpar, fazendo o bem e libertando aos oprimidos do Diabo, porque Deus era com ele (At 10.38). O seu ministério restringiu-se a Palestina da época (Judeia, Samaria e Galileia), e depois de três anos ele foi traído por um de seus apóstolos, Judas Iscariotes, e condenado à morte pelo tribunal judaico, condenação essa ratificada e executada pelo tribunal romano. A pena de morte de crucificação foi executada fora dos muros de Jerusalém, num monte chamado Calvário. O fato histórico da morte de Cristo está registrado nos quatro evangelhos que constam do Novo Testamento, segunda parte da Bíblia Sagrada. A morte de Cristo não foi mais uma morte qualquer executada pelo império romano da época, mas fazia parte do programa redentor de Deus para salvar o homem da condenação do pecado. Essa morte foi um sacrifício oferecido pelo Filho de Deus para pagar o preço dos pecados do homem. “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” 1 Pe 1.18,19. A morte de Jesus comemorada na sexta-feira da semana santa e, principalmente, na celebração da Ceia do Senhor é o ponto alto do programa redentor de Deus. Com a sua morte Jesus, na cruz, reconciliou o homem com Deus. “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação” 2 Co 5.18. Querido irmão alegre-se por isso e dê muitas graças a Deus pela morte de Jesus. Pastor Eudes Lopes Cavalcanti

Uma panorâmica sobre Cantares

No artigo anterior dissemos que a vida literária de Salomão, como autor inspirado por Deus, teve três fases: Juventude – livro de Cantares; Maturidade – livro de Provérbios; e Velhice - Eclesiastes. Cantares, chamado também de Cântico dos Cânticos, portanto, é o inicio dos labores literários de Salomão onde ele retrata o frescor da vida, quando se tornara rei, o relacionamento afetivo envolvendo um homem e uma mulher. Nesse livro Salomão trata dele mesmo e de uma favorita sua, dentre as mil mulheres que teve, Sulamita, mulher morena e mui formosa. Cantares ainda é uma ode (composição poética de caráter lírico) sobre o relacionamento íntimo entre um homem e uma mulher que se amam, e cujo amor se expressa dentro do matrimônio. Segundo o texto sagrado, Salomão teve mil mulheres (1 Rs 11.1-3), a maioria delas por questões políticas, mas nenhuma delas gozou tanto de sua estima e amor quanto a Sulamita retratada em Cantares. O caso com a Sulamita foi quando o seu harém tinha aproximadamente 50 ou 60 esposas. Segundo Ellisen, Conheça Melhor o Antigo Testamento, o livro tem sido interpretado de duas maneiras: drama e idílio lírico, sendo o mais plausível aquela que o interpreta como idílio lírico, com ênfase no romance e casamento de Salomão com a Sulamita. “Aqueles que consideram o poema um conjunto de idílios, identificam Salomão como o amante em toda a história, que seria a seguinte: O rei Salomão, ao visitar sua vinha do monte Líbano, encontra-se por acaso com a formosa donzela Sulamita, que dele foge. Ele a visita disfarçado de pastor e conquista seu amor. Vem, então, com toda a pompa requisitá-la como sua rainha. Casam-se no palácio real quando o poema principia. Entremeiam-se reminiscências da época da conquista e reflexões feita pelos amantes, bem como coros que realçam as várias figuras”. Cantares é considerado como o grande livro bíblico sobre a “lua de mel”, início da vida matrimonial, sendo insuperável por sua beleza, figuras sutis e profundas verdades humanas. Pelo fato do livro enfatizar muitos aspectos físicos do romance, beleza e amor, muitos o considera um livro erótico e não qualificado para fazer parte do Cânon Sagrado. Segundo os estudiosos bíblicos, Salomão quando escreveu Cantares tinha como objetivo histórico comemorar o seu casamento com a Sulamita e expressar as delicias íntimas do casamento como uma dádiva de Deus. Com essa ênfase fica a lição de se preservar, tanto o homem como a mulher, para o casamento, estando fora de cogitação relações sexuais a parte dessa instituição divina. O objetivo religioso tem como ênfase revelar o amor de Deus por Israel, o seu povo, que é considerado nos livros proféticos como a esposa de Yahweh, bem como dele para com o seu marido, Deus. É importante observar que o relacionamento conjugal de Deus com Israel é tipo do amor do Filho de Deus, Jesus Cristo, pela sua Igreja, que é considerada a noiva do Cordeiro e no futuro escatológico esposa Sua (Ap 21.9). Segundo Ellisen, o livro de Cantares enfatiza duas facetas do amor: ternura e paixão, a primeira no cuidado carinhoso para com o outro cônjuge e a segunda no arrebatado zelo da proteção ciumenta (o amor é forte como a morte). Ainda segundo o autor de Conheça Melhor o Antigo Testamento, o amor verdadeiro está expresso em Ct 8.7: “Nem muitas águas conseguem apagar o amor; os rios não conseguem levá-lo na correnteza. Se alguém oferecesse todas as riquezas de sua casa para adquirir o amor, seria totalmente desprezado”. Cantares, na cultura israelita da época, era lido na festa da Páscoa, que é a primeira festa do ano do povo de Deus do passado. Como a Páscoa fala de uma aliança de Deus com o seu povo, que é simbolizada numa relação matrimonial, a mensagem de Cantares fala sobre o amor de Deus pelo seu povo, numa relação como que de casados. Quanto a Cristologia, como foi dito acima, o livro tipifica Cristo como o noivo celestial e a igreja como sua noiva, que se unirão em núpcias no grande dia da segunda vinda do Senhor. “Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou” Ap 19.7. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Pregação Pr Eudes Lopes Cavalcanti 29/03/2015

sábado, 21 de março de 2015

Uma panorâmica sobre Eclesiastes

Uma panorâmica sobre Eclesiastes A vida literária de Salomão como autor inspirado por Deus teve três fases, correspondendo aos três livros que escreveu e que fazem parte do Cânon Sagrado. Cantares pode ser creditado à primeira fase, a de sua juventude. A segunda fase corresponde ao livro de Provérbios que é fruto de uma vida adulta, madura, onde a experiência encontra-se ali retratada, e o livro de Eclesiastes o de sua velhice, onde ele faz uma profunda reflexão sobre o significado da existência do homem debaixo do sol. É bom lembrar também que a vida de Salomão começou bem, mas terminou mal, pois diz a Bíblia que as suas muitas mulheres estrangeiras perverteram-lhe o coração, fazendo com que ele abandonasse o Senhor seu Deus e servisse aos deuses estrangeiros. Depois do seu desvio espiritual e o retorno ao Senhor já na velhice, Salomão escreveu Eclesiastes que é o livro mais filosófico da Bíblia. O capitulo chave do livro é o de nº 12 quando ele descreve, de uma forma simbólica, a degradação da vida humana com o passar dos anos, após fazer um apelo ao homem a se lembrar de Deus na sua mocidade; e o versículo chave é Ec 12.13,14 onde ele diz: “Este é o fim do discurso; tudo já foi ouvido: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é todo o dever do homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau”. Para se compreender o livro de Eclesiastes é preciso considerar que ele foi escrito na perspectiva da vida do homem debaixo do sol, porque se não for assim vamos cair no erro de alguns estudiosos bíblicos de não considerá-lo inspirado por Deus. É bom lembrar também que esse livro foi escrito por um sábio com o objetivo de ensinar aos seus leitores sobre a brevidade da vida, sobre a futilidade de viver em função das coisas que o mundo oferece e desprezar a Deus. Nessa perspectiva, esboçando o livro podemos dividi-lo em duas partes. A primeira parte trata da Futilidade de procurar o significado da vida sem Deus (caps. 1-6), e a segunda parte trata da Felicidade de achar o significado da vida com Deus (caps. 7-12). Os temas dos capítulos são identificados a seguir: Capitulo 1 – Futilidade da mera sabedoria natural; Capitulo 2 – Futilidade do prazer e do lucro; Capitulo 3 – Futilidade do desprezo à eternidade; Capitulo 4 – Futilidade da extrema labuta e do sucesso; Capitulo 5 – Futilidade da religião vazia e das riquezas; Capitulo 6 – Futilidade das meras realizações terrenas. Os temas dos capítulos da segunda parte são os seguintes: Capitulo 7 – O Valor da formação do bom caráter; Capitulo 8 – Responsabilidade do bom cidadão; Capitulo 9 – Necessidade de considerar a vida em função da morte; Capitulo 10 – Necessidade de sabedoria para viver; Capitulo 11 – Necessidade de semear sabiamente para colheita futura; Capitulo 12 – Necessidade de lembrar-se de Deus nos dias da mocidade. Apesar de aparentemente ser um livro pessimista, nele se encontra uma ênfase sobre a alegria de viver dentro de uma perspectiva divina. “Ele é o livro do Antigo Testamento que mais apresenta conselhos para que homens e mulheres tenham prazer na vida. Quem tiver uma divina perspectiva de vida, é chamado a regozijar-se em todos os seus aspectos” (Ellisen, Conheça Melhor o Antigo Testamento). O livro ainda enfatiza a soberania divina na vida do ser humano em diversas áreas. Deus cumpre o seu propósito na vida dos homens, inclusive utilizando-se dos ímpios para essa finalidade. Essa soberania é identificada pelo uso do nome de Deus “Elohim” mencionado 40 vezes. Esse nome enfatiza a soberania e o poder criativo de Deus. Outra ênfase encontrada no livro é aquela que se refere à eternidade e ao julgamento divino depois da morte. O homem não é composto só de matéria, mas também de uma alma imortal. O corpo se desfaz no pó da terra por ocasião da morte e a alma se projeta na eternidade. Deus julgará o homem no devido tempo. Diante dessa revelação, o sábio orienta as pessoas a gozar a vida com responsabilidade e a lembrar-se de Deus na sua mocidade. Quanto a Cristologia, o livro tem poucas referências a ela. Cristo é retratado como o único pastor, o bom pastor, e a verdade. Nas festividades israelitas, Eclesiastes era lido, anualmente, na festa dos Tabernáculos. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sexta-feira, 13 de março de 2015

Uma panorâmica sobre Provérbios

Provérbios é o segundo livro do grupo chamado livros de Sabedoria (Jó, Provérbios e Eclesiastes). O livro de Provérbios tem como finalidade formar um caráter de um homem segundo o coração de Deus. A exceção dos capítulos 30 e 31 do livro, o restante é de autoria do grande rei de Israel, Salomão. Neste livro e no de Eclesiastes a sabedoria que Deus dera a Salomão é evidenciada. Em 1 Rs 4.32, encontramos que Salomão proferiu três mil provérbios. Um provérbio é uma sentença geralmente curta (máxima) que ensina uma verdade de natureza moral ou espiritual (teológica). Um provérbio estava sempre na boca de um grupo seleto de pessoas em Israel. chamados de sábios. O sábio, juntamente com o profeta e o sacerdote, era a consciência moral e espiritual da sociedade israelita. Quando o livro de Provérbios foi compilado, o seu autor tinha em mente dois objetivos: 1) “Ensinar e focalizar os grandes benefícios que advêm aos seres humanos da mente disciplinada e do modo de vida orientado por Deus e, inversamente”; 2) “Advertir acerca dos grandes perigos que resultam inevitavelmente de seguir os ditames da natureza ou paixões inferiores”. O livro de “Provérbios é uma coleção clássica de ditados selecionados sobre a formação de um caráter piedoso. Seu objetivo é contrastar dois modos de vida – sabedoria e insensatez, demostrando ser absoluta loucura viver dominado pelas emoções. Realça a necessidade de estar com Deus desde a juventude, disciplinar-se para atingir valores mais altos e duradouros e conhecer o poder e o potencial que podem ser adquiridos por meio de caráter forte e vida espiritual. O livro não é uma miscelânea de provérbios soltos, ao contrário, são provérbios relacionados que valorizam a sabedoria, demonstram sua vantagem e concluem com a modelar descrição de quem dela se apropriou: a encantadora mulher virtuosa e vivaz do último capitulo”. Ela é o modelo ou paradigma de uma pessoa sábia. A palavra chave do livro é Sabedoria. Essa palavra adquire no livro, três enfoques: 1) “Sabedoria - Esse termo expressa um discernimento moral entre o bem e o mal, entre o certo e o errado. Aplica-se também à prudência secular nos negócios”; 2) “Entendimento – Significa uma habilidade para discernir entre a verdade e o erro ou entre a realidade e a ficção”; 3) “Sensatez – Significa um discernimento espiritual ou divino da verdade, desenvolvido por um longo conhecimento da Palavra de Deus. É a habilidade de considerar a vida numa perspectiva divina ou utilizar princípios divinos nos hábitos diários”. Outra palavra importante destacada no livro de Provérbios é “Insensato”. Ela tem três conotações, contrastando com a Sabedoria, a saber: a) Inexperiente ou tolo - É a pessoa ingênua, um tanto inocente, destituída de entendimento, que se deixa levar facilmente pelos outros, principalmente na questão moral; b) Louco ou Insensato – ambos os termos referem-se aqueles que rejeitam a verdade, desprezam a sabedoria, odeiam o conhecimento e encontram prazer na má conduta; c) Zombador – É o desordeiro que deliberadamente zomba da integridade e ridiculariza qualquer tipo de correção. Segundo Ellisen (Conheça Melhor o Antigo Testamento), o livro de Provérbios utiliza-se de vários mecanismos literários a fim de apresentar máximas práticas para a vida por meio de figuras criativas, analogias surpreendentes e contrastes. Os provérbios são apresentados no livro: a) em pares – um dístico em que a primeira linha expressa um pensamento e a segunda o suplementa, e um dístico em que ambas as linhas expressam o pensamento em forma de contraste; b) em grupos – grupos de provérbios sobre um tema comum; c) epigramas – um provérbio ampliado que tem em seu âmago duas linhas que expressam o pensamento; d) soneto – uma composição poética de 14 versos; e) monólogo dramático – objetos inanimados ou ideias abstratas são personificados para admoestar ou enfatizar sua natureza ou objetivo; f) Acróstico – poema usando o alfabeto hebraico (22 letras). (Pv 31.10-31). O livro tem poucas referências cristológicas, sendo a sabedoria, indiretamente uma referência a Cristo, que é a verdadeira sabedoria. Paulo diz que Cristo é a sabedoria de Deus. (1 Co 1.24). (Veja ainda Cl 2.3).
 Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sexta-feira, 6 de março de 2015

Uma panorâmica sobre Salmos

O livro de Salmos é uma coletânea de cento e cinquenta salmos. O rei Davi, o homem segundo o coração de Deus, escreveu quase a metade (73) desses salmos. Os outros autores são: Ezequias (15), Asafe (12), Os filhos de Corá (10), Salomão (2), e Moisés, Hemã, Etã, Jeremias, Ageu, Zacarias e Esdras, todos escreveram cada um, um salmo. O restante dos salmos não tem os seus autores identificados, são anônimos. O livro de Salmos, como foi dito na panorâmica sobre o livro de Jó, é um dos livros chamados hínicos, o outro é o de Cantares. Esse precioso livro serviu como hinário de Israel e da Igreja cristã durante séculos. Esse precioso livro foi escrito com as seguintes finalidades: 1) “Foram escritos pelos salmistas como reações sinceras diante de Deus ao experimentarem as inúmeras alegrias, tristezas e provações da vida; b) Eram veículos de expressão do povo de Deus por meio de toda uma gama de experiência que os tornava aptos a apresentar os sentimentos e pedidos ao Senhor em termos significativos e intensos; c) Serviam para expressar os anseios de Israel pela vinda do Messias, revelando, por inspiração divina, muitos detalhes proféticos de sua primeira e segunda vinda; d) Eram o hinário de Israel para muitos rituais e cerimônias, tais como festividades religiosas, culto no templo e reuniões locais e nacionais” (Stanley Ellisen, Conheça Melhor o Antigo Testamento). Os salmos são classificados, segundo Leopold Sabourin, citado pelo livro de Ellisen, da seguinte maneira: a) Hinos de Louvor (31 salmos); b) Lamentos, expressões de confiança em Deus, ou ação de graças individuais (59 salmos); c) Lamentos, confiança ou ação de graças da comunidade (27 salmos); d) Salmos reais (10); e) Salmos de instrução ou didático (23 salmos). Outra divisão do livro de Salmos informa que o mesmo compõe-se de cinco livros. O primeiro livro corresponde aos salmos 1-41; o segundo aos salmos 42-72; o terceiro aos salmos 73-89; o quarto aos salmos 90-106; e o quinto aos salmos 107-150. Uma correlação interessante é feita por Ellisen entre o livro de Salmos e o Pentateuco, levando em consideração o tema de cada um dos cinco livros, senão vejamos: o livro 1 corresponde ao livro de Gênesis e o tema é “O homem justo e seus caminhos”; o livro 2 corresponde ao livro de Êxodo e o tema é “Ruína e redenção de Israel”; o livro de nº 3 corresponde ao livro de Levítico, e o tema é “Santuário e congregação de Israel”; o livro 4 corresponde ao livro de Números cujo tema é “Reincidência e restauração de Israel”; e o livro 5 corresponde a Deuteronômio cujo tema é “Palavra de Deus e louvor universal”. Um enfoque especial deve ser dado aos Salmos Messiânicos, pois os mesmos falam da pessoa, do caráter, das obras e das funções do Messias. Em relação à pessoa do Messias ele é retratado nesses salmos como homem (Sl 8.4,5), como Deus (Sl 45.6,11), como ser eterno (Sl 102.25-27) e como Filho de Deus (Sl 2.7,12). Em relação ao caráter do Messias esses salmos retratam-no como benévolo (Sl 72.4,12-14), justo (Sl 45.7) e santo (Sl 89.18). Quanto a sua obra esses salmos falam sobre obras na vida do Messias (Sl 40.6-8), na morte (Sl 22), na ressurreição (Sl 16.10), na ascensão (Sl 68.18), no julgamento (Sl 72.2-14; 86.13; 98.9) no domínio (Sl 72.8; 96.10; 103.19). Quanto às funções do Messias, os salmos messiânicos retratam-no como profeta (Sl 22.22; 40.9,10), sacerdote (Sl 110.4), juiz (Sl 72.2; 96.10-13) e rei (Sl 2.6; 89.27). Duas palavras usadas nos salmos precisam de uma explicação especial, que são: “Selá” e “Aleluia”. Quanto à palavra Selá os estudiosos não são unânimes, sendo a explicação de maior aceitação aquela que diz que “Selá” “pede uma pausa ou um interlúdio, ou para os instrumentos musicais ou para solene reflexão dos declamadores”. Quanto a “Aleluia” ela é traduzida em nossas Bíblias como “Louvai ao Senhor”, sendo essa palavra composta de duas palavras hebraicas “hallel” (louvar) e Yah (abreviatura de Yahweh, um dos nomes de Deus no Antigo Testamento). “Aleluia é uma aclamação empregada pela liturgia hebraica e retomada em todas as liturgias cristãs como expressão de alegria e de louvor”. No Novo Testamento essa palavra é empregada quatro vezes e só no livro de Apocalipse (Ap 19.1,3,4,6). Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

MISSÕES NO ANTIGO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO Entendemos pelo estudo das Sagradas Escrituras que o pecado de nossos primeiros pais (Adão e Eva) atingiu toda a humanidade, sua descendência, conforme Rm 3.23 e Rm 5.12. Entendemos também pelas Escrituras que o programa redentor de Deus, através do Seu Filho Jesus Cristo, alcança toda a humanidade desde os seus primórdios. Isso se deduz da proclamação do Evangelho em sua fase embrionária pelo próprio Deus ao casal Adão e Eva que caíra (Gn 3.15), da promessa feita por Deus a Abraão quando disse que na sua descendência (Cristo) seriam abençoadas todas as famílias da terra (Gn 12.3), da profecia sobre o servo sofredor, proferida por Isaías no capitulo cinquenta e três do seu livro, e da grande comissão quando o Senhor mandou que o Evangelho fosse proclamado a toda a criatura, no mundo inteiro, conforme Mt 28.18-20; Mc 16.15,16; Lc 24.47 e At 1.8. No livro de Apocalipse podemos ver o resultado dessa proclamação em todas as épocas e em toda a face da terra. “Depois destas coisas, olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos” Ap 7.9. Assim sendo, não podemos limitar o programa redentor de Deus apenas a nova dispensação que foi inaugurada com a encarnação do Verbo Divino e sim pensar que Deus sempre teve interesse em alcançar o mundo inteiro com a sua mensagem redentora. Apresentaremos neste artigo a ação poderosa da mensagem redentora na vida de outros povos, no contexto exclusivista judaico, e até antes do aparecimento desse povo. I - MISSÕES NO PERIODO PRÉ PATRIARCAL Antes da chamada de Abraão, através do qual é inaugurada a era patriarcal, o homem já existia na face da terra há milhares de anos. Antes daquele patriarca não existia um povo de Deus exclusivo neste mundo, mas o Senhor tratava com todas as etnias, que passaram a existir com o episódio da torre de Babel e a consequente diversificação das línguas. a) OS PRIMEIROS MISSIONÁRIOS DO ANTIGO TESTAMENTO Se Missões é a disseminação da mensagem redentora entre os seres humanos, os primeiros missionários que existiram entre os homens foram Adão e Eva. Com a falha desse casal, Deus anunciou para eles a mensagem redentora dizendo que da semente da mulher nasceria aquele que esmagaria a cabeça da serpente (Gn 3.15). Essa mensagem proclamada audivelmente por Deus logo após a queda, tipificada com a morte de animais feita pelo próprio Deus, que falava de seu programa redentor através do Cordeiro de Deus que iria ser imolado pelos pecados do mundo no futuro, foi absorvida pelo casal, que a experimentou e a compartilhou com os seus filhos. O resultado dessa obra missionária foi a conversão de Abel, segundo filho de Adão e Eva, que é considerado o primeiro herói da fé, cuja galeria encontra-se em Hebreus 11. Também foi alcançado Sete, outro filho de Adão que deu origem a uma geração piedosa, chamada de filhos de Deus (Gn 6.2). A obra missionária continuou alcançando Enos, que a partir dele o grande nome do Senhor passou a ser invocado. (Gn 4.25,26). Também há de se considerar a vida de Enoque, o sétimo depois de Adão, que foi alcançado, tudo indica, pela obra missionária de Adão, sendo este homem trasladado vivo para o Céu porque agradara a Deus em seu viver de fé (Gn 5.21-24; Hb 11.5). b) A OBRA MISSIONÁRIA REALIZADA POR NOÉ Com o crescimento da humanidade e a consequente corrupção generalizada, Deus resolveu destruir o mundo antigo com água (o diluvio). A obra missionária iniciada por Adão foi sendo disseminada pelos seus descendentes a ponto de Noé ter sido alcançado. A obra da graça de Deus foi tão poderosa na vida daquele homem que Deus se agradou dele, pois as Escrituras nos revelam que Noé andava com Deus. Noé pregou a mensagem redentora durante cento e vinte anos, mas do ponto de vista numérico foi muito acanhado o seu resultado, pois somente oito pessoas, inclusive ele, foram salvas da destruição provocada pelo dilúvio (Gn 6.3,13; 7.13; Hb 11.7; 1 Pe 3.19,20). II – MISSÕES NO PERIODO PATRIARCAL a) O MINISTÉRIO MISSIONÁRIO DE ABRAÃO Abraão era um habitante da cidade de HUR dos caldeus, portanto um idólatra, mas Deus graciosamente o alcançou, fez-lhes promessas preciosíssimas, dentre elas de que, através de um de seus descendentes (o Messias, o Cristo), seriam abençoadas todas as famílias da terra. Abraão recebeu ordem de Deus de sair da sua terra e da sua parentela para viver em Canaã e ali, através de seu exemplo de homem de Deus, monoteísta, adorador de Javé, disseminar a obra transformadora produzida pela mensagem redentora. Observem que Abraão aonde chegava erguia um altar onde adorava ao Deus dos Céus. Mas o grande fruto de sua obra missionária foi o seu filho Isaque que seria o continuador da obra do seu pai. (Gn 12.1-3; 2.63). Outra pessoa alcançada pela obra missionária de Abraão foi o seu servo Eliezer, tornando esse homem num homem de confiança, temente a Deus e piedoso. Abraão, como missionário, lutou com Deus em oração em favor de Sodoma, mas Deus já tinha determinado destruir aquela cidade, e a sua oração não foi atendida, pois o Senhor não encontrou nela sequer dez justos conforme a súplica de Abraão (Gn 18.32). Desse episódio só escaparam da destruição, como fruto da atividade missionária de Abraão, Ló e suas duas filhas e a sua mulher, sendo esta última transformada numa estátua de sal por ter desobedecido a Deus. b) A OBRA MISSIONÁRIA DE JÓ Jó viveu no período patriarcal. Há quem diga que ele foi contemporâneo de Abraão. O livro de Jó faz parte do conjunto de livros conhecidos como livros poéticos devido ao estilo literário dos mesmos. O livro de Jó nos diz em seu início que aquele homem de Deus fez uma grande obra missionária em sua casa, tendo alcançado a sua família. Além de ser um missionário de vida limpa, exemplar, ele era uma pessoa que a muitos ensinara a justiça e fortalecera os joelhos trôpegos. Veja o testemunho dado por Elifaz, um dos seus amigos que viera se condoer com ele, por causa de suas agruras: “Eis que ensinaste a muitos e esforçaste as mãos fracas. As tuas palavras levantaram os que tropeçavam, e os joelhos desfalecentes fortificaste” Jó 4.3,4. c) O MINISTERIO MISSIONÁRIO DE ISAQUE A vida de Isaque foi uma vida pacata como pastor de ovelhas. Houve alguns incidentes, mas o testemunho daquele homem foi o grande legado de sua obra missionária. O seu testemunho de um homem de Deus falava mais alto do que as suas palavras. Isaque também como seu pai Abraão foi um dos heróis da fé. O texto sagrado não nos diz, mas podemos inferir que Isaque testemunhara à sua família da promessa redentora de Deus, pois ele a tinha experimentado. Esse homem de vida limpa e crente na obra redentora é conhecido também como um herói da fé (Hb 11.20). d) O MINISTÉRIO MISSIONÁRIO DE JACÓ A vida de Jacó foi uma vida tumultuada, com fatos pitorescos, e também com outros eticamente inaceitáveis, mas ele também foi agraciado por Deus com a benção da salvação e, depois da visão que teve de uma escada que ligava o céu a terra e a visão de Deus no topo da mesma, fez com que a vida de Jacó tomasse um novo rumo e, a partir daquele maravilhoso momento, ele resolveu viver para a glória de Deus. A partir daí Jacó começou a erigir altares onde adorava a Deus. Isto era visto pela sua família e por todos aqueles que o cercavam. Certamente que o testemunho daquele homem trouxe bênçãos para os seus e para os que o cercavam. Jacó também é computado como um dos heróis da fé (Hb 11.21). III – MISSÕES NO PERÍODO ANTERIOR A MONARQUIA O período anterior à monarquia é composto de dois momentos: um de conquista sob Josué, o sucessor de Moisés e o outro de anarquia, o período dos juízes. Vejamos abaixo dois exemplos de ação missionária, sendo um em cada período anterior a monarquia que seria estabelecida com Saul em Israel. a) A OBRA MISSIONÁRIA NO PERIODO DA CONQUISTA (RAABE e família) Nesse período de aproximadamente sete anos não temos a informação de uma obra efetiva de missões, mas a mensagem de salvação fora propagada por missionários anônimos de tal maneira que os habitantes de Jericó tinham conhecimento da ação poderosa de Deus no Egito, e na vida do Seu povo no percurso entre aquele País e a terra de Canaã (Js 2.9-11). A prostituta Raabe foi alcançada por essa mensagem, temeu a Deus, aceitou e O serviu protegendo os dois espias de Canaã, enviados por Josué, sendo ela também uma missionária, pois falou aos seus parentes sobre o acordo com os espias, e os abrigou em sua casa que fora marcada com um fio de escarlate, que representava a proteção divina, sendo ela e os seus poupados da destruição de Jericó (Js 2.1-24). Mais tarde, Raabe, casa com um crente e dá continuidade à linhagem messiânica (Mt 1.5). b) A OBRA MISSIONÁRIA DE NOEMI No período dos Juízes vemos também em vislumbre uma obra missionária feita por uma serva de Deus chamada Noemi que fora peregrinar nas terras de Moabe, devido a terrível fome que assolava, na época, a terra pertencente à tribo de Judá. Noemi fora com seu marido e dois filhos para aquele país estrangeiro, casando-se os seus filhos com mulheres moabitas. O testemunho de Noemi foi tão poderoso naquela terra estrangeira, com a vida e as palavras, que Rute, a nora moabita, foi alcançada pela mensagem redentora. Rute num momento de decisão optou pelo Deus de Israel, acompanhando sua sogra no seu retorno para a terra de Judá. Rute, a moabita, como Raabe é arrolada na linhagem messiânica, conforme registro de Mateus (Mt 1.5). IV – MISSÕES NO PERIODO MONARQUICO No período monárquico da história de Israel, aconteceram episódios missionários nos reinados de Davi, Salomão e nos dias dos reis Josafá, Ezequias e Josias, quando tiveram ocasião, através destes três últimos reis, poderosos movimentos missionários no Reino de Judá. a) A OBRA MISSIONÁRIA NA ÉPOCA DE DAVI Davi, rei, poeta, músico e cantor, enfatizou muito a obra missionária nacional e também transcultural através de seus salmos, como por exemplo: “A minha boca relatará as bênçãos da tua justiça e da tua salvação todo o dia, posto que não conheça o seu número. Sairei na força do Senhor Deus; farei menção da tua justiça, e só dela” Sl 71.15,16. “Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome; anunciai a sua salvação de dia em dia. Anunciai entre as nações a sua glória; entre todos os povos, as suas maravilhas” Sl 96.2,3. Veja o que diz também o versículo 10 desse mesmo salmo: “Dizei entre as nações: O Senhor reina! O mundo também se firmará para que se não abale. Ele julgará os povos com retidão”. b) A OBRA MISSIONÁRIA NA ÉPOCA DE SALOMÃO No livro de Provérbios que, em sua maior quantidade de capítulos, foi escrito por Salomão há uma ênfase na obra missionária, quando se diz que, quem ganha alma sábio é. “O fruto do justo é árvore de vida, e o que ganha almas sábio é” Pv 11.30. Em Eclesiastes, outro livro escrito por Salomão, encontramos um texto interessante que fala da obra missionária, quando se diz: “Lança o teu pão sobre as águas, porque, depois de muitos dias, o acharás. Reparte com sete e ainda até com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra” Ec 11.1,2. Salomão ainda se envolveu com a obra missionária, no caso transcultural, quando testemunhou diante da rainha de Sabá das grandezas de Deus, fazendo com que aquela mulher exaltasse o grande nome do Deus de Israel. “Então, (ela) disse ao rei: Foi verdadeira a palavra que ouvi na minha terra acerca dos teus feitos e da tua sabedoria. Porém não cria nas suas palavras, até que vim, e meus olhos o viram; e eis que me não disseram a metade da grandeza da tua sabedoria; sobrepujaste a fama que ouvi. Bem-aventurados os teus homens, e bem-aventurados estes teus servos, que estão sempre diante de ti e ouvem a tua sabedoria! Bendito seja o Senhor, teu Deus, que se agradou de ti para te pôr como rei sobre o seu trono, pelo Senhor, teu Deus, porquanto teu Deus ama a Israel, para o estabelecer perpetuamente; e pôs-te como rei sobre eles, para fazeres juízo e justiça” 2 Cr 9.5-8. c) A OBRA MISSIONÁRIA DE JOSAFÁ Josafá governou o Reino de Judá, conhecido também como o Reino do Sul, que se compunha das tribos de Judá e Benjamim, na mesma época em que Acabe governava o reino de Israel, chamado de Reino do Norte, composto das tribos restantes. O piedoso rei Josafá movido pelo Espirito de Deus empreendeu uma poderosa obra missionária em todo o seu reino. Ele comissionou os levitas (componentes da tribo de Levi) a percorrerem o território do seu reino para ensinar ao povo a Lei do Senhor. O resultado da ministração da Palavra de Deus gerou um poderoso avivamento espiritual, uma grandiosa obra da graça onde milhares foram alcançados. “E ensinaram em Judá, e tinham consigo o livro da Lei do Senhor, e rodearam todas as cidades de Judá, e ensinaram entre o povo. E veio o temor do Senhor sobre todos os reinos das terras que estavam em roda de Judá e não guerrearam contra Josafá” 2 Cr 17.9,10. d) A OBRA MISSIONÁRIA DE EZEQUIAS Ezequias foi outro piedoso rei da casa de Davi, que liderou uma poderosa obra missionária no seu reino, conforme registros de 2 Cr 29; 30; 31; e 32. Além da obra de restauração do culto a Javé que fora deteriorada na gestão de seu pai, Acaz. Ezequias convocou, através de uma carta missionária, a todos os habitantes do seu reino bem como algumas tribos do Reino de Israel, os remanescentes, pois esse Reino fora destruído pelos assírios em 722 a.C., a se reunirem em Jerusalém. O resultado desse apelo missionário é que se fez naquela cidade uma celebração só rivalizada a feita nos dias de Salomão. “Foram, pois, os correios com as cartas das mãos do rei e dos seus príncipes por todo o Israel e Judá e segundo o mandado do rei, dizendo: Filhos de Israel, convertei-vos ao Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, para que ele se volte para aqueles de vós que escaparam e escaparam das mãos dos reis da Assíria. E não sejais como vossos pais e como vossos irmãos, que transgrediram contra o Senhor, Deus de seus pais, pelo que os pôs em assolação como o vedes. Não endureçais, agora, a vossa cerviz, como vossos pais; dai a mão ao Senhor, e vinde ao santuário que ele santificou para sempre, e servi ao Senhor, vosso Deus, para que o ardor da sua ira se desvie de vós. Porque, em vos convertendo ao Senhor, vossos irmãos e vossos filhos acharão misericórdia perante os que os levaram cativos e tornarão a esta terra; porque o Senhor, vosso Deus, é piedoso e misericordioso e não desviará de vós o rosto, se vos converterdes a ele... E em Judá esteve a mão de Deus, dando-lhes um só coração, para fazerem o mandado do rei e dos príncipes, conforme a palavra do Senhor. E ajuntou-se em Jerusalém muito povo para celebrar a Festa dos Pães Asmos, no segundo mês; uma mui grande congregação... “E houve grande alegria em Jerusalém, porque, desde os dias de Salomão, filho de Davi, rei de Israel, tal não houve em Jerusalém” 2 Cr 30.6-26. e) A OBRA MISSIONÁRIA DE JOSIAS Josias começou a reinar muito moço sobre Judá, mas desde cedo norteou os seus caminhos segundo os mandamentos do Senhor. A obra realizada por esse piedoso rei começou quando de uma reforma feita no templo de Jerusalém e os reconstrutores encontraram “perdido” o livro da Lei de Deus. O livro lido gerou no coração do Rei Josias um profundo desejo de envolver toda a nação sob o seu controle, especialmente a capital do seu reino, Jerusalém. Veja o que o texto bíblico diz: “Então, o rei convocou e ajuntou todos os anciãos de Judá e Jerusalém. E o rei subiu à Casa do Senhor com todos os homens de Judá e os habitantes de Jerusalém, e os sacerdotes, e os levitas, e todo o povo, desde o maior até ao menor; e ele leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro do concerto, que se tinha achado na Casa do Senhor. E pôs-se o rei em pé em seu lugar e fez concerto perante o Senhor, para andar após o Senhor e para guardar os seus mandamentos, e os seus testemunhos, e os seus estatutos, com todo o seu coração e com toda a sua alma, cumprindo as palavras do concerto, que estão escritas naquele livro. E fez estar em pé a todos quantos se acharam em Jerusalém e em Benjamim; e os habitantes de Jerusalém fizeram conforme o concerto de Deus, do Deus de seus pais. E Josias tirou todas as abominações de todas as terras que eram dos filhos de Israel; e a todas quanto se achara em Israel obrigou a que com tal culto servissem ao Senhor, seu Deus; todos os seus dias não se desviaram de após o Senhor, Deus de seus pais” 2 Cr 34.29-33. V – A OBRA MISSIONÁRIA NO PERÍODO PROFÉTICO a) A OBRA MISSIONÁRIA NA PRÓPRIA NAÇÃO Os profetas dividem-se em profetas da escrita e profetas da palavra. Essa divisão está relacionada ao Cânon Sagrado. Os profetas foram levantados por Deus em época de crise na vida do povo de Israel. Eles ministravam geralmente para um contexto puramente israelita, mas também alcançando outras nações que de alguma maneira tiveram relacionamentos com o povo de Deus. Essas mensagens traziam uma palavra de exortação, ou de edificação ou de consolação. Poderosos profetas foram levantados por Deus, tanto no Reino do Norte como no Reino do Sul, tanto escritores como não escritores. O profeta, por excelência, no que se refere a missões em Israel foi o profeta Isaías, prestando a sua profecia também para o mundo inteiro. Foi ele quem mais falou do Redentor que haveria de vir. Dentre as célebres profecias acerca do Redentor encontramos aquelas de Is 7.14; 9.6,7 e a do capítulo 53 que fala do Messias sofredor, de sua morte expiatória. b) A OBRA MISSIONÁRIA ENTRE OS CATIVOS DE JUDÁ As dez tribos do Norte (o reino de Israel) foram destruídas pelos Assírios em 722 a.C. Os assírios, como tinham por costume, fizeram uma baldeação de povos. Tiraram os judeus do seu território e os espalharam pelo mundo antigo e trouxeram povos estrangeiros e os colocaram no lugar dos judeus, fazendo assim uma miscigenação, dando origem aos samaritanos (2 Rs 17.24-41). O reino de Judá (tribos Judá e Benjamim) foi destruído pelos babilônicos em 586 a.C. Os judeus foram levados cativos pelos caldeus e lá na Babilônia, entre os cativos, trabalharam como missionários os profeta Ezequiel e Daniel, o primeiro no meio do povo e o outro no palácio de Nabucodonosor, Belsazar, Dario e Ciro, enquanto Jeremias ficou ministrando no meio do remanescente que estava em Judá, tudo de acordo com a providência de Deus. Daniel exerceu uma poderosa influencia missionária junto aos mandatários babilônicos (Nabucodonosor e Belsazar) e persas (Dario, Ciro). Veja o que esses reis confessaram sobre o Deus de Daniel: “Então, o rei Nabucodonosor caiu sobre o seu rosto, e adorou a Daniel, e ordenou que lhe fizessem oferta de manjares e perfumes suaves. Respondeu o rei a Daniel e disse: Certamente, o vosso Deus é Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador dos segredos, pois pudeste revelar este segredo” Dn 2.46,47. (Veja ainda Dn 4.34,35). “Então, o rei Dario escreveu a todos os povos, nações e gente de diferentes línguas, que moram em toda a terra: A paz vos seja multiplicada! Da minha parte é feito um decreto, pelo qual em todo o domínio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel; porque ele é o Deus vivo e para sempre permanente, e o seu reino não se pode destruir; o seu domínio é até ao fim. Ele livra, e salva, e opera sinais e maravilhas no céu e na terra; ele livrou Daniel do poder dos leões” Dn 6.25-27. Também podemos mencionar nesse período a ação missionária de Neemias, copeiro do rei da Pérsia, que certamente com a sua vida e com as suas palavras testificou da grandeza do Deus dos Céus, bem como a do sacerdote escriba Esdras que foi o homem usado por Deus para restaurar o culto quando do retorno dos cativos para a sua terra natal. c) A OBRA MISSIONÁRIA TRANSCULTURAL (JONAS) Jonas profetizou no reino do Norte, na época de Jeroboão II, quando aquele reino, sob esse rei, teve um grande desenvolvimento econômico (2 Rs 14.23-28). Deus comissionou Jonas a ir pregar na cidade de Nínive, capital da Assíria, a potência militar da época. O profeta a contra gosto, depois da amarga experiência de ter passado três dias e três noites no ventre do grande peixe por ter desobedecido a Deus na primeira vez que Deus o comissionara, pregou em Nínive, que distava do seu campo de trabalho uns 1.000 quilômetros, entregando uma curta e duríssima mensagem aos habitantes daquela capital. Graciosamente Deus operou de uma maneira tão poderosa que a cidade inteira foi convertida, poupada da destruição. Inexplicavelmente o profeta Jonas não gostou do resultado do seu trabalho. Diante dessa expectativa mesquinha Deus amorosamente lhe deu uma lição onde é enfatizada a sua graça perdoadora e a sua soberania. (Leia o livro de Jonas). CONCLUSÃO Concluímos este artigo enfatizando que o Antigo Testamento, desde o primeiro livro até o último, Malaquias, está permeado de fatos que mostram que missões era uma realidade naquelas épocas passadas. Isso nos mostra a preocupação de Deus em alcançar os seus eleitos que estão espalhados em toda a face da terra, em todas as épocas. Hoje também precisamos entender que o homem é o mesmo, que Deus é o mesmo, que o programa redentor é o mesmo e que existe a necessidade da Igreja, que é a comunidade que tem a responsabilidade de anunciar esse programa redentor, proclame as virtudes salvadoras de Jesus Cristo, pois para isso ela foi comissionada pelo seu Senhor. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti