sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O Enfoque Missiológico de Paulo

Introdução
 No ensejo de preparar um artigo sobre a Teologia Paulina de Missões, optamos em apresentá-lo conforme se verá a seguir, por entender que uma leitura daquilo que o apóstolo aos gentios acreditava, produzira e vivenciava, é de extrema importância para a Igreja da atualidade, tão descaracterizada em sua teologia e práticas ministeriais, seguindo ensinamentos não fundamentados nas Sagradas Escrituras mas oriundos da mente de homens, muitos deles com objetivos não compatíveis com a santidade do Evangelho. Diante do exposto, pretendemos com a graça divina, fazer ver ao leitor como Paulo encarava a questão missionária e a ênfase que se descobre numa leitura de seus escritos. Isto posto, trataremos primeiramente sobre a Escritura que o apóstolo lia, acreditava e pregava. Essa Escritura, que era a escritura dos hebreus, a primeira parte de nossa Bíblia - o Antigo Testamento, era a parte inicial da revelação divina, tida por Paulo como escritura verídica, autoritária e canônica. Em seguida, examinaremos o assunto das Escrituras produzidas por Paulo, ou seja, o grupo de treze cartas, escritas pelo apóstolo, sob inspiração divina, que faz parte do cânon do Novo Testamento, que legisla sobre quase todos os assuntos ligados à igreja do Senhor, inclusive sobre a obra missionária. Na terceira divisão do trabalho, enfatizaremos a mensagem pregada por Paulo no cotidiano do seu ministério, a mensagem do Evangelho, que tem como pilares a morte e a ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, mensagem essa que para aquele apóstolo era o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. No quarto momento deste trabalho, trataremos da questão do crescimento harmonioso e sadio das comunidades evangélicas fundadas por Paulo ou por outros, mostrando a sua preocupação para com a Igreja do Senhor que ele, como apóstolo, entendia que era responsabilidade sua. Por fim, trataremos da questão social segundo a ótica paulina, através da qual faremos referência a temas como a família, a escravidão, as relações de trabalho, a obediência às autoridades constituídas, os tributos e a ação social da igreja na área da beneficência. Neste trabalho, faremos menção constante das Escrituras principalmente das cartas escritas por Paulo e do livro de Atos dos Apóstolos, no qual encontramos alguns sermões daquele que foi o apóstolo dos gentios. Objetivamos com isto mostrar a atualidade de Paulo bem como a necessidade de uma releitura de suas cartas, para promover uma mudança na postura ministerial de muitos obreiros do Senhor bem como das comunidades que têm o privilégio de dirigir. Evidentemente que este trabalho tem as suas limitações, pois não foi nossa pretensão fazer um minucioso estudo sobre a teologia paulina, o que caberia na atualidade, mas apenas enfocar alguns temas que achamos importantes para a Igreja do século XXI que tem uma forte preocupação missionária. Um aprofundamento da questão paulina deve ser buscado nos abundantes livros já produzidos, principalmente, naqueles ligados à teologia do Novo Testamento ou mesmo à teologia paulina, estando alguns desses livros listados na bibliografia identificada no final deste texto.
 I - As Escrituras que Paulo lia 
 Quando o apóstolo Paulo surgiu no cenário cristão, as escrituras hebraicas, a primeira parte da revelação divina do Cânon Sagrado, já era uma realidade histórica de mais de quatrocentos anos. As escrituras hebraicas compostas dos livros da lei (Torá), dos Escritos e dos Profetas na classificação do judaísmo, que fora compilada pelo sacerdote-escriba Esdras, no período de 464 - 424 a.C. eram a única escritura aceita pelos judeus como canônica na época de Paulo, bem como até ao dia de hoje. Devido à cultura grega ter dominado o mundo antigo, surgiu à necessidade de essa Escritura ser traduzido das línguas originais (hebraico e aramaico) para o grego, o que foi feito entre os anos de 284 - 247 a.C. em Alexandria no Egito, por setenta anciãos de Israel, segundo a tradição judaica. Essa versão conhecida pelo nome de Septuaginta, era a escritura usada livremente pelo povo da época ao contrário do texto em hebraico/aramaico, que tinha o seu uso circunscrito aos serviços religiosos da Sinagoga e do Santuário. A Septuaginta distribuiu os livros por assunto, arrumando-os diferentemente da compilação feita por Esdras (A Lei, os Profetas e os Escritos), em livros da Lei, livros Históricos, livros Poéticos e livros Proféticos, mas mantendo-se fiel aos escritos originais. Paulo, como judeu-romano que era, poliglota, conhecia as Escrituras Hebraicas bem como a sua tradução para o grego, a Septuaginta. Na escola onde Paulo estudou a de Gamaliel, neto do famoso rabino Hillel, fundador da escola liberal de interpretação das Escrituras, aprendeu os Escritos Sagrados, segundo o seu próprio testemunho: “Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me aos pés de Gamaliel, segundo a exatidão da lei de nossos antepassados, sendo zeloso para com Deus, assim como todos vós sois no dia de hoje” At 22.3. Certamente as duas versões das Escrituras eram trabalhadas em sala de aula, na escola de Gamaliel. De maneira que, podemos concluir que Paulo conhecia as Escrituras hebraicas e a sua versão grega e as considerava como a revelação divina, autoritativa, verídica e que continha todo o plano de Deus revelado até então. Paulo entendia que as Escrituras proféticas tinham o seu cumprimento na pessoa e obra de Jesus Cristo nosso Senhor, e na sua argumentação para convencer tanto os judeus apegados ao texto hebraico como aos judeus helenizados, ele fazia uso da mesma de forma abundante. A mensagem de Paulo tinha uma base escriturística muito forte, isto é o que entendemos da leitura de textos como os a seguir identificados: “Saulo, porém, mais e mais se fortalecia e confundia os judeus que moravam em Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo” At 9.22. “Mas, alcançando socorro de Deus, permaneço até ao dia de hoje, dando testemunho, tanto a pequenos como a grandes, nada dizendo, senão o que os profetas e Moisés disseram haver de acontecer, isto é, que o Cristo devia padecer e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, anunciaria a luz ao povo e aos gentios” At 26.22,23. “Havendo-lhe eles marcado um dia, vieram em grande número ao encontro de Paulo na sua residência. Então, desde a manhã até à tarde, lhes fez uma exposição em testemunho do reino de Deus, procurando persuadi-los a respeito de Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas” At 28.23. No poderoso sermão pregado na sinagoga de Antioquia da Pisídia, registrado em Atos 13.16-41, Paulo usou abundantemente as Sagradas Escrituras para provar que o Senhor Jesus Cristo era o Salvador e que todos os que cressem nele seriam justificados diante de Deus. Em Tessalônica, Paulo ao pregar o Evangelho fê-lo argumentando em cima das Escrituras: “Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los, e por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras, expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos; e este, dizia ele, é o Cristo, Jesus, que eu vos anuncio”. At 17.2,3. Em Beréia, a argumentação escriturística fora atentamente acompanhada pelos bereanos, resultando na conversão de muitos deles. No sermão, no areópago em Atenas, registrado em At 17.22-31, perante uma seleta plateia gentia, Paulo usa as Escrituras para testificar àqueles homens a graça divina, inclusive fazendo uma incursão na própria cultura grega, citando um de seus poetas. Em Corinto, na sinagoga que existia naquela cidade, Paulo testemunha aos judeus, baseado nas Escrituras, que Jesus era o Cristo, o Messias esperado (At 18.1-5). Em Éfeso (At 19.8), o apóstolo Paulo prega na sinagoga e o livro texto de seu sermão era as Sagradas Escrituras que chamamos de Antigo Testamento. Também em seu testemunho pessoal sobre a conversão a Cristo Jesus, Paulo faz alusão ao antigo texto sagrado (At 26.1-27). Diante do exposto, concluímos este assunto, realçando que Paulo era um profundo conhecedor das Escrituras hebraicas, e que a interpretava corretamente, e que fazia a sua aplicação de forma contextualizada em suas pregações e ensino ao longo de seu ministério apostólico. Essa postura de Paulo acerca da valoração das Escrituras do Antigo Testamento nos faz refletir sobre a importância dessa parte do Cânon Sagrado bem como do teor das mensagens pregadas hoje nos púlpitos das igrejas evangélicas e nos campos missionários, muitas delas fugindo da real veracidade do texto bíblico, bem como de sua aplicação correta.
 II - As Escrituras produzidas por Paulo 
 Deus, segundo o beneplácito de Sua soberana vontade, escolheu o apóstolo Paulo para ser um dos instrumentos de Sua revelação especial. Paulo, pela graça de Deus, além de ter sido um eficaz pregador foi também um exímio escritor. Ele produziu sob inspiração divina, treze dos vinte e sete livros do Novo Testamento. Dentre as suas cartas, nove foram destinadas a Igrejas organizadas, e quatro a obreiros e colaboradores seus. Paulo em suas epístolas tratou, praticamente, de todos os grandes assuntos da fé cristã, e esses ensinamentos consolidaram o corpo doutrinário como nós o conhecemos hoje. A seguir veremos sucintamente o conteúdo de cada escrito do apóstolo aos gentios: Carta aos Romanos - A mais formal das cartas escritas por Paulo. A epístola aos Romanos apresenta, de maneira sistemática, a doutrina da justificação pela fé e suas ramificações. O tema da epístola é a justiça de Deus (1.16,17). Um bom número de doutrinas fundamentais da fé cristã é discutido: a revelação natural (1.19,20), a universalidade do pecado (3.9-20), a justificação pela fé (3.24), a propiciação através do sangue de Jesus (3.25), a fé (cap. 4), o pecado original (5.12), a união com Cristo (cap. 6), a vida no Espírito (cap. 8), a eleição e rejeição de Israel (cap. 9-11), os dons espirituais (12.3-8) e o respeito às autoridades (13.1-7). Carta aos Coríntios (Primeira) - Essa carta é predominantemente prática em sua ênfase, tratando de problemas espirituais e morais de uma igreja local. É um manual prático de teologia pastoral. Ênfases importantes incluem: a preservação da unidade da igreja (1.10-13), Cristo, o centro da mensagem de Paulo (1.23,24), Cristo, o fundamento da igreja (3.10-15), o tribunal de Cristo (3.11-15), a habitação do Espírito (6.19,20), a glória de Deus (10.31), a ceia do Senhor (11.23-34), o exercício dos dons espirituais (cap. 12-14), o amor (cap. 13), e a ressurreição do corpo (cap. 15). Carta aos Coríntios (Segunda) - Contém detalhes pessoais e autobiográficos da vida de Paulo (4.8-18; 11.22-33). O tratamento mais importante da contribuição cristã, no Novo Testamento, é encontrado nos capítulos 8 e 9. Carta aos Gálatas - O tema justificação pela fé é defendido, explicado e aplicado. Outros assuntos significativos são a estada de Paulo na Arábia por três anos (1.17), sua repreensão a Pedro (2.11), a lei como aio ou pedagogo (3.24) e o fruto do Espírito (5.22,23). Carta aos Efésios - O grande tema dessa carta é o propósito eterno de Deus de estabelecer e completar o Seu povo, a Igreja de Cristo. Ao desenvolver este tema, Paulo trata da predestinação (1.3-14), a liderança de Cristo sobre o corpo, como cabeça (1.22,23; 4.15,16), a Igreja como edifício e templo de Deus (2.21,22), o mistério de Cristo (3.1-21), dons espirituais (4.7-16), o viver do cristão (4.17-32), e a Igreja como noiva de Cristo (5.24-32), e a armadura espiritual do crente (6.10-18). Carta aos Filipenses - Uma das mais importantes passagens doutrinárias do Novo Testamento é Filipenses 2.5-8; nela Paulo apresenta a doutrina da kenosis - a auto-humilhação ou auto-esvaziamento de Cristo. É enfatizada a oração (4.6,7). Um retrato autobiográfico significativo aparece em 3.4-14. Carta aos Colossenses - O tema é a supremacia e plena suficiência de Cristo. Assuntos importantes incluem a pessoa e obra de Cristo (1.15-23), heresia gnóstica (2.8-23) e a união do crente com Cristo (3.1-4). Carta aos Tessalonicenses (Primeira) - As passagens chaves dessa epístola são escatológicas, ou seja, relacionadas aos acontecimentos dos últimos dias, como a segunda vinda de Cristo, o arrebatamento da Igreja (4.13-18) e o dia do Senhor (5.1-11). Carta aos Tessalonicenses (Segunda) - A divisão principal trata sobre o homem do pecado (2.1-12) deve ser comparada com outras passagens na Bíblia que falam desse anticristo (Dn 9.27; Mt 24.15; Ap 11.7; 13.1-10). Carta a Timóteo (Primeira) - Em relação a Timóteo pessoalmente, o tema da carta é “combater o bom combate” (1.18). Em relação à Igreja como um corpo, o tema é “a conduta na casa de Deus” (3.15). Assuntos importantes na epístola incluem a lei (1.7-11), oração (2.1-8), traje e atividades das mulheres (2.9-15), qualificações para bispos ou presbíteros e diáconos (3.1-13), os últimos dias (4.1-3), o cuidado para com as viúvas (5.3-16), e o uso do dinheiro (6.6-19). Carta a Timóteo (Segunda) - O tema pode ser derivado de 2.3, “um bom soldado de Cristo Jesus”. Assuntos importantes na carta incluem a apostasia dos últimos dias (3.1-9; cf. 1 Tm 4.1-3), a inspiração das Escrituras (3.16), e a recompensa do crente fiel (4.8). Carta a Tito - Tópicos importantes discutidos nesta carta incluem as qualificações para o presbiterato (1.5-9), instruções a várias faixas etárias na Igreja (2.1-8), relação entre a regeneração, as obras humanas e o Espírito (3.5). Carta a Filemom - É a mais pessoal das cartas de Paulo. O apóstolo Paulo intercede por um escravo que se tornara cristão através de sua instrumentalidade. Em algumas dessas cartas, observa-se o grande interesse de Paulo em consolidar e estruturar as Igrejas conforme os textos encontrados em 2 Co 11.2,3; 1 Co 4.17; Gl 4.19,20;... Paulo com os seus escritos deu uma contribuição extraordinária à obra missionária, considerando que fazer missões é muito mais do que pregar o Evangelho, mas também edificar igrejas autóctones, sadias, equilibradas. Os ensinos de Paulo em suas cartas têm a finalidade de atender essa necessidade, ou seja, fornecer um padrão estabelecido por Deus para a obra missionária, padrão esse que é o paradigma nessa área em todas as épocas.
 III - A mensagem do Evangelho pregada por Paulo
 A mensagem pregada por Paulo, em seus sermões e escritos, tinha como pontos centrais a morte e a ressurreição do Senhor Jesus Cristo, conforme os textos a seguir identificados: “e, embora não achassem nenhuma causa de morte, pediram a Pilatos que ele fosse morto. Depois de cumprirem tudo o que a respeito dele estava escrito, tirando-o do madeiro, puseram-no em um túmulo. Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos” (At 13.28-30). “expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos, e que este é o Cristo, Jesus, que eu vos anuncio” At 17.3. “Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” At 17.31. Na apresentação da essência do Evangelho, quando escrevia aos Romanos e aos Coríntios, Paulo disse: “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação”. Rm 4.25. “Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão. Porque primeiro vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”. 1 Co 15.1-4. O Evangelho de Cristo que significa boas novas de salvação através de Jesus Cristo, que segundo Paulo é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16,17), é a mensagem redentora proporcionada pela morte de Jesus Cristo que, de acordo com o apóstolo, tinha as seguintes características teológicas: 1) Uma morte expiatória - A expiação é a anulação da culpa ou a remoção do pecado por meio de alguma interposição meritória. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição em nosso lugar, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro”. Paulo vê a morte do Senhor Jesus Cristo como uma morte expiatória. Em várias referências, ele associa distintamente a morte de Cristo com o ritual e conceito de sacrifício do Antigo Testamento. Em Romanos 3.25, Paulo faz uma alusão direta à oferenda pelo pecado que era apresentada pelo sumo sacerdote no ritual judaico do grande Dia da Expiação. Ele descreve a morte de Cristo como oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave (Ef 5.2). O aspecto expiatório da morte de Cristo é visto nas frequentes referências ao Seu sangue, conforme os textos de Rm 3.25; 5.9; Ef 1.7; 2.13 e Cl 1.20. 2) Um sacrifício pelos pecados - a morte de Cristo foi um sacrifício eficaz a favor do pecado do homem. Por conseguinte, cada membro da raça humana nasce em tese sobre a sombra protetora da cruz. Assim como a culpa do pecado de Adão é imputada a sua posteridade, assim também a sua posteridade compartilha da ação meritória da obra redentora realizada por Cristo na cruz do Calvário. A morte de Jesus Cristo é, potencial e provisionalmente, um sacrifício em favor dos pecados do mundo. Nesse sentido, Ele provou a morte em favor de todo homem e a si mesmo se deu em resgate por todos, e é o Salvador dos homens. “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois de fato sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro Pascoal, foi imolado” 1 Co 5.7. Evidentemente que deve ser considerado todos os homens, nesse contexto, como todos aqueles que foram eleitos por Deus para a salvação na eternidade. 3) Uma morte vicária - A morte de Cristo não foi acidental, nem foi um martírio, nem foi motivada porque a merecesse, mas foi uma morte em favor de outros, e não foi por sua própria causa que ele morreu. “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” 1 Co 15.3. A ideia aqui apresentada é de que o sacrifício de Cristo foi um sacrifício vicário, isto é, em favor de outros. Cristo não morreu pelos seus próprios pecados porque não os tinha. A sua morte não foi um acidente, nem foi a morte de um mártir, mas sim uma morte em favor dos outros. Essa é a ideia transmitida por Paulo apreendida da leitura dos textos encontrados em 1 Ts 5.10; Rm 5.8; 8.32; Ef 5.2 e Gl 3.13. 4) Uma morte redentora - O termo resgate pressupõe o livramento por meio de um substituto, de um cativo ou devedor incapacitado de efetuar seu próprio livramento. Segue-se, naturalmente, que a emancipação e a restauração resultam do pagamento do resgate. Cristo remiu-nos da maldição imposta por uma lei desobedecida, ao fazer-se maldição em nosso lugar. Sua morte foi o preço do resgate que foi pago. “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” Gl 4.4,5. O homem, segundo Paulo, está sob o controle do pecado, sendo seu escravo. A morte redentora de Cristo o libertou da escravidão do pecado, do império das trevas e o transportou para o reino do Filho do seu amor (Cl 1.13). A ideia geral é que essa redenção foi possível graças ao preço pago por ela, a morte de Jesus. Os textos de Paulo que consolidam o assunto são Tt 2.14; 1 Tm 2.6; Rm 3.24,25; Ef 1.7; l Co 6.19,20; 1 Co 7.22,23; Gl 3.13; 4.4;5. 5) Uma morte propiciatória - O caráter propiciatório da morte de Jesus é adiante apoiado pelo texto de Rm 3.25,26. A morte de Cristo foi um ato de justiça, uma demonstração de que Deus era de fato um Deus justo e que puniria o pecado do homem. A ira de Deus contra o pecador fora aplacada pela morte de Seu filho. Uma propiciação foi concedida, para livrar os seres humanos da ira de Deus, que é revelada nos céus contra toda sorte de impiedade e injustiça dos homens (Rm 1.18). 6) Uma morte substitutiva - O nosso Senhor sendo inocente (2 Co 5.21) não tinha porque morrer como morreu. Sua morte não foi o resultado de seu próprio pecado ou culpa; ela foi sofrida no lugar de outros, que eram culpados e mereciam morrer. Por causa de sua morte não merecida, os pecadores são libertados da condenação à morte e da experiência da ira de Deus que eles grandemente mereciam. Os textos de Paulo sobre o assunto se encontram em Gl 2.20; 1 Tm 2.6; 2 Co 5.15; Gl 3.13. O segundo ponto sobre o qual a mensagem do Evangelho está fundamentada, segundo a ótica paulina, é a ressurreição de Cristo. No entendimento de Paulo, a ressurreição de Cristo autenticou a eficácia da obra redentora realizada na cruz do Calvário. A ressurreição de Cristo está tão intimamente ligada a Sua morte que os apóstolos dentre eles, Paulo, entendiam que a primeira (a morte de Cristo) implicaria necessariamente na segunda (a ressurreição de Cristo) e que a segunda seria consequência natural da primeira. Eles diziam que era impossível que Jesus fosse retido pela morte (At 2.24) ou que era necessário que assim acontecesse, pois, estava escrito que o Cristo deveria morrer e que ressuscitaria no terceiro dia (At 2.25-31). O apóstolo Paulo que ministrou sob a direção e inspiração do mesmo Espírito que operara nos outros apóstolos, estava alinhado com a ideia da importância crucial da ressurreição de Jesus no programa redentor de Deus. Nas suas pregações, Paulo fazia referência à ressurreição do Senhor tanto quanto à Sua morte ignominiosa. “Depois de cumprir tudo o que a respeito dele estava escrito, tirando-o do madeiro, puseram-no em um túmulo. Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos” At 13.29,30. “Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras, expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos” At 17.2,3. “Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” At 17.31. Segundo Paulo, esse ponto era de fundamental importância para a redenção do pecador. Na sua argumentação acerca da ressurreição do salvo, no capítulo 15 de sua primeira carta aos Coríntios, embasando o assunto, fazendo referência à ressurreição de Cristo ele nos revelou a importância dela na mensagem do Evangelho, conforme registros encontrados a seguir: a) Quanto à confiabilidade da pregação o Evangelho - “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação...” 1 Co 15.14; b) Quanto à validade da fé salvadora - “E, se Cristo não ressuscitou... também é vã a vossa fé” 1 Co 15.14. c) Quanto ao perdão dos pecados – “E, se Cristo não ressuscitou... ainda permaneceis nos vossos pecados” 1 Co 15.17 c) Quanto à salvação eterna da pessoa - “E, se Cristo não ressuscitou... os que dormiram em Cristo estão perdidos” 1 Co 15.18. d) Quanto à ressurreição do salvo - “Mas, agora, Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem” 1 Co 15.20. “Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias; depois os que são de Cristo na sua vinda” 1 Co 15.23. Concluímos este assunto, enfatizando que a mensagem pregada por Paulo e pelos seus colegas apóstolos era a pura mensagem do Evangelho de Cristo, que de forma autoritativa dizia que as boas novas para redenção do homem fora possível graças à morte e à ressurreição do Senhor. “Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei; o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” 1 Co 15.1-4. Contextualizando o assunto, entendemos que a Igreja da atualidade deve se espelhar em Paulo e voltar a pregar a verdadeira mensagem do Evangelho, fazendo ver a todos que Cristo morreu pelos pecados e ressuscitou para a justificação do homem, conforme o apóstolo escreveu em Romanos 4.25.
 IV - O ensino Paulino visando o crescimento harmonioso da Obra Missionária
 No entendimento de Paulo, a obra missionária não se restringia apenas à pregação do Evangelho, mas também arregimentar os salvos, organizando-os em ekklesia e estruturando-os para que pudessem se edificar mutuamente, visando um crescimento espiritual sadio. Paulo não entendia a obra missionária apenas como campanhas evangelísticas itinerantes, mas como um profundo trabalho local, autóctone. Na sua vida como ministro do Evangelho se percebia isso de forma clara. No livro de Atos dos Apóstolos (14.23), na sua primeira viagem missionária, encontramo-lo promovendo a eleição de liderança para que o trabalho tivesse a sua forma adequada conforme o propósito de Deus. “E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em que haviam crido”. Essa era a sua prática: Pregava o Evangelho, as pessoas eram convertidas e, à medida que o grupo crescia, Paulo tratava logo de organizar uma igreja, instituindo sua liderança - os Presbíteros, que haveriam de tomar conta do trabalho dali por diante. Em suas instruções a Timóteo e a Tito, dois ministros do Evangelho, seus colegas, Paulo trata da questão. Na carta a Timóteo ele traça o perfil da liderança presbiterial bem como da liderança diaconal, que haveriam de gerir os negócios da Igreja cada um na sua área específica de atuação (1 Tm 3.1-13). Na carta a Tito, Paulo orienta aquele ministro a, democraticamente, escolher com os membros da Igreja os Presbíteros, traçando também o perfil dos mesmos (Tt 1.5-9). Esse posicionamento de Paulo, dirigido pelo Espírito Santo, consolidava a obra missionária, porque a tendência natural da igreja organizada era crescer e avançar na pregação do Evangelho. “Porque de vós repercutiu a palavra do Senhor não só na Macedônia e Acaia, mas também por toda a parte se divulgou a vossa fé para com Deus, a tal ponto de não termos necessidade de acrescentar coisa alguma” 1 Ts 1.8. “Desde que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os santos; por causa da esperança que vos está preservada nos céus, da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho, que chegou até vós: como também, em todo o mundo, está produzindo fruto e crescendo, tal qual acontece entre vós,...” Cl 1.4-6. Sabia Paulo que, uma coisa era uma pessoa sozinha pregar o Evangelho, ou mesmo fazer isso acompanhado de outra pessoa, mas outra coisa era o esforço feito na pregação do Evangelho por uma igreja organizada, contando com a colaboração de seus membros e congregados, todos imbuídos de um só propósito de fazer o Reino de Deus avançar neste mundo. Paulo tinha conhecimento de que esse esforço organizado pela comunidade eclesial produzia o crescimento numérico da mesma para a glória de Deus. Além disso, preocupava-se o apóstolo do Senhor com o crescimento espiritual (qualitativo), através dos dons espirituais distribuídos por Deus a Igreja, conforme os registros encontrados em suas cartas destinadas aos Romanos (Rm 12.6-8), aos Coríntios (1 Co 12.4-11) e aos Efésios (Ef 4.10-16). Na compreensão de Paulo, os dons espirituais de diversas naturezas, principalmente os dons de liderança, foram dados a Igreja visando o crescimento harmonioso do corpo de Cristo. “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos, para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo”. Ef 4.11-13. Hoje, temos a tendência de exaltar o ministério pastoral como completo em si mesmo e capaz de atender a todas as demandas da Igreja. Paulo não pensava assim. No seu entendimento, os dons eram diversos, inclusive os de liderança, e dados a pessoas diferentes, com a finalidade como já dissemos, de promover o crescimento espiritual da Igreja do Senhor. “Os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos” 1 Co 12.4-6. “Mas um só e o mesmo Espírito, realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um individualmente” 1 Co 12.11. Não havia na visão de Paulo, um ministério só que concentrasse todos os dons do Espírito que seriam usados na edificação da Igreja, e sim uma multiplicidade de ministérios, todos úteis para o crescimento tanto quantitativo como qualitativo do corpo místico de Cristo, a Igreja. Paulo compreendia também que a Igreja fora instituída para cumprir diversas funções neste mundo, sendo as mais importantes a adoração (1 Co 14.1-40), a edificação espiritual (Ef 4.11-16), a evangelização (Rm 1.16,17; 1 Co 9.16) e a beneficência (2 Co 8, 9; Gl 6.9,10; 2 Ts 3.13).
 V - O Ensino Paulino enfocando a questão social
 O apóstolo Paulo, o instrumento de Deus, usado para a produção da maior parte dos escritos do Novo Testamento, não deixou escapar esse assunto de tão relevância na vida da Igreja aqui neste mundo. Paulo não somente trabalhou a questão espiritual em todas as áreas, mas dedicou uma boa parte de seus escritos para trabalhar essa questão que muitos acham que não merece atenção. Ele tinha uma visão holística da Igreja, ou seja, via a Igreja em todas as áreas, tanto no plano espiritual quanto no plano do cotidiano da vida social da mesma, e assim, movido pelo Espírito e pela visão que tinha, feriu esse assunto para servir de regras ou normas para obediência da comunidade eclesial, principalmente no que se refere ao seu testemunho. Paulo entendia que a pessoa mesmo se tornando crente pela graça de Deus, regenerada, cidadã do Céu, assentada nos lugares celestiais em Cristo Jesus, possuidora da vida eterna, herdeira de Deus, continuaria a viver na sociedade durante um tempo determinado por Deus. Enquanto vivessem no mundo, essas pessoas estavam inseridas dentro de um contexto social do qual eram participantes ativos. Não há no corpus paulinus (escritos de Paulo) aquela ideia de isolamento, de reclusão visando uma busca de uma vida santificada, afastada das pessoas que vivem no mundo. O que Paulo ensinava era que os crentes vivessem dentro do contexto social, com uma vida ilibada, santa, deixando transparecer neles a glória de Cristo. Assim sendo, investiguemos nos escritos de Paulo, os assuntos sociais a seguir identificados: 1) A Escravidão - Esse assunto que para nós do século XXI é um anátema, era para o mundo antigo uma realidade aceita e vivenciada, inclusive nos dias de Paulo. Interessante observar que Paulo sendo um homem capacitado por Deus, com uma ética cristã refinada, não pregou nenhuma rebelião armada ou de qualquer outra maneira nem fomentou nenhuma revolução dos escravos, visando à liberdade. Quando feriu o assunto, ele o fez de forma sutil, principalmente, no que tange as comunidades evangélicas das quais se sentia responsável como apóstolo diante de Deus. Isso é o que entendemos analisando os seus escritos. “Foste chamado, sendo escravo? Não te preocupes com isso; mas, se ainda podes tornar-te livre, aproveita a oportunidade. Porque o que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; semelhantemente, o que foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo” 1 Co 7.21,22. Observe no texto citado, que Paulo alertava aos crentes escravos a que se aparecesse a oportunidade de se tornarem livres, aproveitassem. Noutra escritura, na carta a Filemon, Paulo fez uma calorosa petição a um crente identificado pelo nome de Filemon, em favor de um escravo seu foragido chamado Onésimo, que o apóstolo ganhara para Cristo, quando ambos estava preso em Roma. Nessa carta, Paulo nivela em Cristo a diferença social existente na época, conclamando Filemom a receber Onésimo não mais como escravo, mas como irmão caríssimo no Senhor. “Peço-te por meu filho Onésimo, que gerei nas minhas prisões; o qual noutro tempo te foi inútil, mas agora a ti e a mim muito útil; eu to tornei a enviar. E tu tornas a recebê-lo como às minhas entranhas... não já como servo, antes, mais do que servo, como irmão amado, particularmente de mim: e quanto mais de ti, assim na carne como no Senhor? Assim pois, se me tens por companheiro, recebe-o como a mim mesmo” Fm 10-17. 2) As Relações Trabalhistas - Outro tema abordado por Paulo, dentro da questão macro social, foi o tema das relações trabalhistas, ou seja, a relação entre patrão e servo, entre servo e patrão, no que se refere a execução dos trabalhos e na retribuição pertinente. Paulo se revelou, através de suas instruções, como expert em gerência de recursos humanos, quanto tratou da questão. Sabia ele das tensões nessa área, por isso visando sempre à glória de Deus e as relações harmoniosas dentro da comunidade evangélica, legislou sobre o assunto em três de suas cartas. Na carta aos Efésios, o grande apóstolo escreveu dirigindo-se aos empregados ou servos nestes termos: “Quanto a vós outros, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus; servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens, certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre” Ef 6.5-8. E aos patrões, assim: “E vós, senhores, de igual modo procedei para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que para com ele não há acepção de pessoas” Ef 6.9. Na carta aos Colossenses, Paulo escreveu dirigindo-se aos servos nestes termos: “Servos, obedecei em tudo ao vosso senhor segundo a carne, não servindo apenas sob vigilância, visando tão somente agradar homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor. Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, temendo ao Senhor. Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, Senhor, é que estais servindo; pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas”. Cl 3.22-25. Dirigindo-se aos patrões, Paulo disse: “Senhores, tratai os servos com justiça e com equidade, certos de que também vós tendes Senhor no céu”. Cl 4.1. Na primeira carta a Timóteo, Paulo também trata dessa questão, geralmente tempestuosa: “Todos os servos que estão debaixo de jugo estimem a seus senhores por dignos de toda a honra, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. E os que têm senhores crentes não os desprezem, por serem irmãos; antes os sirvam melhor, porque eles, que participam do benefício, são crentes e amados, Isto ensina e exorta” 1 Tm 6.1,2. Os crentes da atualidade também devem se pautar por essas instruções de Paulo, porque foram inspiradas pelo Espírito Santo e entregue a Igreja para obediência. Nessa relação, que muitas vezes torna-se tempestuosa e angustiante, os servos de Deus, tanto no seu papel de senhor como no papel de servo, devem se portar convenientemente para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. 3) A Obediência às Autoridades - No entendimento de Paulo, a sociedade organizada, com as suas autoridades constituídas eram dádivas de Deus, para possibilitar o funcionamento ordeiro da vida social da mesma. Paulo compreendia e ensinava que toda a autoridade era constituída por Deus, e por isso a obediência a ela se fazia necessária, e quem resistisse às autoridades, estava resistindo a Deus. “Todo o homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmo condenação” Rm 12.1,2. É interessante observar que a carta de Paulo que trata com mais profundidade a questão da obediência às autoridades, aos Romanos, foi escrita a uma Igreja que estava sob a jurisdição política, econômica e social, daquilo que era considerado o centro do império romano - a cidade de Roma, governada, na época, por um dos seus mais cruéis e desajustados governantes, Nero. Escrevendo a Tito (3.1), o apóstolo orientou aquele ministro do Evangelho a instruir a igreja que pastoreava a que se sujeitasse as autoridades e as obedecesse. Paulo ensinava também que os crentes orassem pelas autoridades constituídas para que a comunidade cristã tivesse uma vida quieta e sossegada. “Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade. Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador” 1 Tm 2.1-3. Evidentemente, que quando Paulo levava os crentes nessa direção, ele o fazia com critério, porque sabia que a obediência às autoridades não era de uma forma incondicional e que deveria ser feita desde que as leis humanas não colidissem com a lei maior que é a Palavra de Deus. Muitas coisas ruins, comprometedoras e nocivas à fé cristã eram legisladas no império romano como, por exemplo, o culto ao imperador. É claro que a obediência nesse caso não era obrigatória aos olhos de Deus, pois a Bíblia diz que só Deus deve ser adorado. “... Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto” Mt 4.10. Paulo, ainda sobre o assunto, tratou da questão de pagamento de tributos, como uma obrigação legal de todos, inclusive dos membros da Igreja. Escrevendo aos Romanos, disse o apóstolo do Senhor: "Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a esse serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto: ..." Rm 13.6,7. A fraude e a sonegação fiscal estavam fora, na ótica paulina, da ética cristã vivenciada e ensinada por ele. 4) A Beneficência ou ação social da Igreja - Outra questão social trabalhada por Paulo em suas cartas, foi a questão da beneficência. O apóstolo entendia e ensinava que os irmãos mais abastados financeiramente deveriam ajudar aos irmãos carentes. A ênfase apostólica era de que a ajuda fosse de indivíduo para individuo. "Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé" Gl 6.10. Escrevendo a Timóteo, Paulo voltou a ferir a questão. "Se algum crente ou alguma crente tem viúvas, socorro-as, e não se sobrecarregue a igreja...". 1 Tm 5.16. Ainda nessa mesma carta, quando fazia referência àqueles irmãos a quem Deus dera abastança, Paulo disse: "que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prestos a repartir;..." 1 Tm 6.18. Paulo entendia, ainda, que a responsabilidade social não era só do crente enquanto indivíduo, mas de toda a comunidade cristã organizada. Isto percebemos da leitura dos textos: "Se algum crente tem viúvas em sua família, socorro-as e não sobrecarregando a igreja, para que esta possa socorrer as que são verdadeiramente viúvas" 1 Tm 5.16. Nessa mesma carta, o apóstolo dá algumas diretrizes a Timóteo quanto ao cadastramento de crentes carentes para receber a assistência social da Igreja. Na segunda carta aos Coríntios, o apóstolo leva a Igreja a levantar uma oferta para atender aos santos necessitados de Jerusalém (2 Co 8.1-9.15). É interessante observar que o apóstolo não fez nenhuma observação quanto à causa da pobreza dos irmãos carentes, quer como comunidade quer como indivíduos. Paulo em nenhum momento diz que a pobreza foi ocasionada por falta de profundidade na vida espiritual, ou por pecado cometido, ou por falta de fé. Nem tampouco ele diz que todos os crentes deveriam ser ricos, abastados, cabeça e não pés. Ele não pregava a Teologia da Prosperidade. O seu coração, cheio do amor de Deus, via apenas a necessidade dos amados do Senhor que deveriam ser supridas, e usando de todo o seu prestígio e do poder que lhe dera o Senhor, ele tenta mobilizar a Igreja para ocupar esse espaço tão importante aos olhos de Deus. 5) A questão da família – Paulo deu uma ênfase especial a essa que é maior de todas as instituições sociais. Nos seus escritos, respondendo a uma pergunta feita pela igreja de Corinto (1 Co 7), encontramos mandamentos que valorizam o matrimônio. Nesse capítulo a monogamia (casamento com um só cônjuge), a heterodoxidade (casamento de macho e fêmea) e a indissolubilidade do matrimônio são enfocadas, Tratando-se da indissolubilidade do casamento Paulo identifica duas situações em que ela possa ser quebrada: no caso de adultério e no caso da deserção irreversível, sendo essa última envolvendo um cônjuge crente e outro descrente quando o descrente não quer mais viver com o crente por questão da fé em Cristo. Paulo trata também das relações dentro do lar envolvendo marido e mulher e pais e filhos (Ef 5.22-33; 5.1-4; Cl 3.18-21). Nessas relações a submissão da mulher ao seu marido é identificada bem como o amor que o marido deve devotar a sua mulher. Ainda Paulo quando trata de pais e filhos e diz que os primeiros devem criar os seus filhos no temor do Senhor e não provocá-los a ira e ao segundo que devem obedecer em tudo aos seus pais, exceto no pecado. Essa preocupação social de Paulo visava, além de atender necessidades específicas, um viver cristão digno do povo de Deus no meio de uma sociedade corrompida e perversa. Conclusão 
 Vimos neste artigo questões diversas atinentes à vida ministerial do apóstolo Paulo, registradas no cânon do Novo Testamento. Procuramos mostrar que Paulo era um profundo conhecedor das Escrituras do Antigo Testamento e as usava nas suas pregações e argumentações teológicas. Vimos também que Paulo foi um exímio escritor, produzindo, sob inspiração divina, treze dos vinte e sete livros do Novo Testamento e que essas escrituras contribuíram para a consolidação do corpo doutrinário da Bíblia. Vimos ainda que Paulo pregava a mensagem do Evangelho em sua essência, em sua pureza, fundamentando-a na morte e na ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Trabalhamos também a questão do crescimento da Igreja tanto no seu aspecto quantitativo como no seu aspecto qualitativo, segundo a ótica paulina e por fim tratamos da questão social segundo fica subentendida da leitura das cartas daquele servo de Deus. Essas questões trazidas a lume nos faz refletir sobre o posicionamento das igrejas da atualidade e da obra missionária em geral quanto aos assuntos tratados neste trabalho. Pensamos que todos nós devemos fazer uma releitura dos escritos de Paulo e deixarmos que eles nos pautem a vida, para que possamos viver de uma forma que realmente agrade a Deus. Se assim fizermos, temos certeza de que as nossas vidas e as nossas comunidades evangélicas viverão de maneira que o nome do Senhor Jesus será nelas glorificado e que serão mais eficazes na realização da obra missionária.
 Bibliografia
 ____________ Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida no Brasil, com letras grandes. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1998. BANCROFT, Emery H. Teologia Elementar. Traduzido por João Marques Bentes. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1966. BRUCE, F. F. Paulo, o apóstolo da graça – sua vida, cartas e teologia. Traduzido por Hans Udo Fuchs. São Paulo: Shedd Publicações, 2003. CERFAUX, Lucien. Cristo na Teologia de Paulo. Traduzido pelas Monjas Beneditinas de Santa Maria, São Paulo. São Paulo: Editora Teológica, 2003. CERFAUX, Lucien. O Cristão na Teologia de Paulo. Traduzido por José Raimundo Vidigal. São Paulo: Editora Teológica, 2003. CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol 2 e 5. Traduzida por João Marques Bentes. São Paulo: Editora e Distribuidora Candeia, 1991. KASËMANN, Ernst. Perspectivas Paulinas. Traduzido por Benôni Lemos. São Paulo: Editora Teológica, 2003 LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento. Traduzido por Darci Dusilek e Jussara Marindir Pinto Simões Árias. Rio de Janeiro: Junta de Educação Religiosa e Publicações, 1985. REGA, Lourenço Stelio. Paulo, sua vida e sua presença ontem, hoje e sempre. Organizador: Lourenço Stelio Rega. São Paulo: Editora Vida, 2004. RIDDERBOS, Herman. A Teologia do Apóstolo Paulo. Traduzido por Suzana Klassen. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.
 Rev. Eudes Lopes Cavalcanti

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A Segunda Vinda do Senhor

A Segunda Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo é dentre os eventos escatológicos o mais bem documentado do Novo Testamento. Em quase todos os livros dessa porção das Escrituras temos pelos menos um registro desse glorioso evento. Três palavras foram usadas pelos escritores do Novo Testamento quando faziam referência a Segunda Vinda do Senhor: Parousia (1 Ts 3.13; 4.15;...) que tem o sentido transliterado de presença, vinda, chegada; Apocalipse (1 Co 1.7; 2 Ts 1.6,7; 1 Pe 4.13;...) que significa revelar, trazer à luz aquilo que estava oculto; e Epifania (1 Tm 6.14; 2 Tm 4.8; Tt 2.13,14;...) que significa aparecimento. O Senhor Jesus, ao longo de seu ministério terreno, já vinha profetizando que depois que realizasse a obra redentora e voltasse ao Pai, aos Céus, voltaria a este mundo para buscar a Sua Igreja, que resgatara com o Seu precioso sangue. Em João 14.2, encontramos uma dessas profecias: "E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também". A segunda vinda de Jesus é o próximo grande evento escatológico tendo como consequência imediata o Arrebatamento da Igreja. O apóstolo Paulo escrevendo aos Tessalonicenses explica como isso acorrerá: "Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor" 1 Ts 4.16,17. As características da segunda vinda do Senhor são: Será uma vinda pessoal. O texto de Tessalonicenses diz que o Senhor mesmo descerá dos céus. Em Atos 1.11 encontramos dois anjos dizendo aos discípulos do Senhor: "Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir". A segunda característica é que será uma vinda física e, consequentemente, visível, ou seja, o Senhor Jesus voltará com o corpo que ressuscitou dos mortos, dando ensejo para que todos O possam ver: "Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu,..." Mt 24.30. (Veja ainda Ap 1.7). A terceira característica é que será uma vinda gloriosa. Jesus veio a primeira vez em humilhação, mas virá a segunda vez com poder e grande glória. "... e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória" Mt 24.30. (Veja ainda Mt 25.31). Quanto à data da Segunda Vinda não nos foi revelado nem pelo Senhor nem pelos Seus apóstolos. O Senhor Jesus disse que daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos nem o próprio Filho como homem sabia (Mt 24.36; 25.13;...). É uma data da exclusiva competência de Deus. A Igreja não está autorizada a marcar a data da Segunda Vinda do Senhor, e todos aqueles que tentaram fazer isso erraram. Quando à época da Segunda Vinda em relação ao período tribulacional, existem pelos menos três posições escatológicas: O Pré-Tribulacionismo que ensina que a Segunda Vinda e o consequente Arrebatamento da Igreja, ocorrerão antes do estabelecimento da Grande Tribulação. O Meso-Tribulacionalismo que prega que a Segunda Vinda e o consequente Arrebatamento, ocorrerão no meio do período tribulacional e o Pós-Tribulacionismo que ensina que a Segunda Vinda ocorrerá logo após a Grande Tribulação. Amados irmãos, a Segunda Vinda do Senhor Jesus é certa, preparemo-nos, portanto, para esse grande e glorioso evento. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

ESTATUTO IGREJA CONGREGACIONAL (MODELO)

MODELO DE ESTATUTO PARA UMA IGREJA CONGREGACIONAL Capítulo I Da Instituição, Natureza, Fins e Governo Art. 1° - A Igreja ------------- organizada em -----------, é uma entidade religiosa sem fins lucrativos, com sede na cidade de João Pessoa, Estado da Paraíba, tendo como objetivos principais: celebrar cultos a Deus em espírito e em verdade; edificar os crentes através do ministério das Sagradas Escrituras; difundir o santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo para salvação de pecadores; e cuidar dos santos necessitados através do ministério da Beneficência. Art. 2º - Esta Igreja compõe-se de ilimitado número de membros de ambos os sexos, de qualquer nacionalidade e condição social, crentes em nosso Senhor Jesus Cristo, e tem como única regra de fé e prática e fonte de toda autoridade, as Sagradas Escrituras do Velho e do Novo Testamentos e aceita como síntese doutrinária os Vinte e Oito Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo. Art. 3º - Esta Igreja só reconhece por seu cabeça o nosso Senhor Jesus Cristo, e em matéria de culto, de doutrina, de disciplina e de conduta, sua constituição é a Bíblia Sagrada, donde emana toda a sua autoridade. Art. 4º - Como forma de governo eclesiástico, esta igreja usa o sistema Congregacional, onde seu órgão maior é a sua assembléia de membros regularmente convocada que decide, como última instância, todas as questões da comunidade. Art. 5º - Esta Igreja funciona por tempo indeterminado e é autônoma e soberana em matéria administrativa, espiritual e disciplinar. Art. 6º - Esta Igreja em matéria espiritual e doutrinária tem como seus representantes diretos os oficiais Pastores e Presbíteros, conforme a possibilidade de eleição dos mesmos, e no que concerne as coisas temporais o seu órgão gestor é o Departamento de Patrimônio, cuja diretoria é eleita pela assembléia da Igreja, dentre os seus membros, bienalmente. Parágrafo Único - Essa diretoria ou administração executará as resoluções das assembleias a ela afetas, e qualquer resolução que tomar será ad-referendum das assembleias da Igreja. Capítulo II Dos membros – Seus Direitos, Deveres e Penalidades. Art. 7º - A membrezia da Igreja é composta de todas as pessoas crentes em nosso Senhor Jesus, de ambos os sexos, recebidas pelo batismo, ou por transferência de outra igreja que professe os mesmos princípios básicos da fé em Cristo. Farão parte da Igreja ainda aqueles crentes recebidos por jurisdição, independente de terem sido transferidos. Parágrafo Único – Os novos crentes serão admitidos à membrezia da Igreja através do batismo por aspersão. Os admitidos através de transferência ou por jurisdição mesmo se tiverem sido batizados por imersão não serão obrigados a se submeterem ao batismo praticado pela Igreja. Art. 8º A pessoa civilmente incapaz poderá se tornar membro da igreja, através do batismo ou caso já tenha sido batizado em outra igreja evangélica, se tiver a idade mínima de quatorze anos de idade. § 1º – O exercício pleno da membrezia por parte da pessoa civilmente incapaz ou relativamente incapaz terá restrições no que se refere a sua presença na assembléia da igreja, não podendo ser arrolada como presente, votar, ser votada ou usar da palavra. Essa restrição acabará quando ela adquirir a maioridade civil ou a emancipação. § 2º - O menor de idade só poderá ser recebido como membro mediante a autorização, por escrito, do responsável legal. Art. 9º - Todo o membro em plena comunhão com esta igreja tem o privilégio de votar e ser votado para alguma função dentro da mesma; usar da palavra nas suas reuniões obedecendo à ordem regimentar; apresentar propostas e discuti-las calmamente; participar da Santa Ceia; comunicar ao Pastor ou aos Oficiais qualquer ocorrência ou fato anormal referente à si próprio ou a qualquer membro da Igreja, sendo este último caso acompanhado de uma testemunha; e finalmente tomar parte em todas as reuniões da comunidade. Art. 10 - É dever de todo o membro da Igreja assistir ao culto público e as demais reuniões; comparecer a todas as assembleias; exercer com zelo e lealdade os cargos que lhe forem confiados por nomeação ou por eleição; contribuir alegre e voluntariamente com o dízimo e ofertas para a manutenção da Igreja; evitar por todos os meios comentários impróprios, agressivos à Igreja, ao Pastor, aos Oficiais ou a qualquer outro membro; acatar e respeitar o Pastor, prestando-lhe as honras devidas próprias ao seu elevado cargo, comparecer imediatamente à Sessão dos Oficiais (Pastores e Presbíteros), quando para isso for convidado e finalmente promover pelo exemplo a boa ordem e a reverência no recinto sagrado. Art. 11 - É passivo de pena o membro da Igreja que se afastar dos Vinte e Oito Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo, que se opor à doutrina do Espírito Santo, conforme exposta nas Sagradas Escrituras, que relatar a quem quer que seja o que se passar nas assembléias reservadas; que promover escândalo; que cometer ato incompatível com os sagrados preceitos do Evangelho quer doutrinários quer morais. Art. 12 - As penas disciplinares são assim classificadas: § 1º - Censura eclesiástica, se houver acusação provada contra qualquer membro de uma falta com certa gravidade. Esse tipo de disciplina será aplicado pelos Pastores e Presbíteros em exercício. § 2º - Suspensão da comunhão por tempo determinado ou indeterminado, quando provado que qualquer membro tenha cometido uma falta grave que venha a escandalizar o Evangelho. Esse tipo de disciplina será aplicado pelos Pastores e Presbíteros em exercício e comunicado a assembléia da Igreja para registro em ata. § 3º - Exclusão ou eliminação no caso do disciplinado não se mostrar arrependido do seu ato pecaminoso. A exclusão também alcançará a quem apostatar da fé ou abandonar a Igreja por seis meses sem dar satisfação à direção da mesma. Esse tipo de disciplina só será aplicado pela Igreja reunida em assembléia. § 4º - Tratando-se dos dois primeiros tipos de disciplina (censura eclesiástica e suspensão de comunhão), se houver interesse do membro penalizado, ele pode recorrer à assembléia da Igreja. Art. 13 – Uma vez sob disciplina máxima (exclusão) ou por desligamento voluntário os membros perdem todos os direitos que antes tinham. E os membros faltosos objeto de suspensão de comunhão terão os seus direitos suspensos até serem reabilitados. Parágrafo Único- Os membros suspensos, excluídos ou eliminados, poderão ser reabilitados à comunhão da Igreja e a todos os demais privilégios como membros regulares, desde que dêem provas concretas do seu arrependimento. Art. 14 – Nenhum membro da Igreja será disciplinado sem a instauração de um processo em que sejam arroladas testemunhas, e sem que seja dado ao acusado o amplo direito de defesa. Capítulo III Do Patrimônio e Sua Administração. Art. 15 - O Patrimônio da Igreja será constituído das contribuições feitas pelos seus membros e congregados, por donativos, legados, móveis e imóveis, títulos e apólices da dívida pública, juros e quaisquer outros rendimentos permitidos pela legislação em vigor em nosso País. Art.16 - A Diretoria do Patrimônio, órgão gestor da administração da Igreja, será eleita bienalmente dentre os membros da Igreja em plena comunhão e constará de Diretor, Vice Diretor, 1º e 2º Secretários e Tesoureiro. Art.17 - Aos administradores compete dirigir e zelar todos os negócios da Igreja, concernentes ao seu patrimônio, dando conhecimento as assembleias de todos os seus atos. Art.18 - Os administradores do Patrimônio reunir-se-ão, regularmente, em dias convencionados, sob a direção do Diretor, para tomar conhecimento do estado das finanças da Igreja; providenciar sobre os arranjos necessários à limpeza, boa ordem e decência do recinto sagrado. Parágrafo Único – A Diretoria de Patrimônio deve arrolar, em livro apropriado, todos os bens da igreja móveis e imóveis para controle e para prestar relatório quando for pedido pela assembléia ou pelas autoridades do País. Art.19 - A aquisição ou a venda de imóveis só poderá ser efetuada mediante prévio consentimento da Igreja, consoante preceitua o parágrafo único do art. 6º deste Estatuto. Art.20 – Por ocasião da assembléia ordinária da igreja, o tesoureiro da Diretoria do Patrimônio apresentará um balancete financeiro à Igreja. § 1º - Os dízimos e as ofertas entregues a Igreja, depois de contabilizados, serão depositados em conta corrente e/ou poupança num Banco a sua escolha, e que será movimentada pelo Pastor da Igreja e pelo Diretor do Patrimônio ou pelo tesoureiro na impossibilidade do segundo, sempre com assinaturas conjuntas. § 2º - O tesoureiro ficará de posse de um determinado valor a ser definido pela Diretoria de Patrimônio para fazer face a pequenas despesas. Art. 21 - O Pastor Titular da Igreja é o Presidente ex-ofício (por força do seu ofício) da administração da mesma, cabendo-lhe a liderança também dos trabalhos de natureza administrativa. Capítulo IV Da Departamentalização da Igreja Art. 22 – As diversas atividades da Igreja serão executadas através de seus departamentos devidamente organizados, que terão uma diretoria composta de diretor, vice-diretor, secretario e tesoureiro. Art. 23 – Cada segmento de pessoas dentro da Igreja (homens, mulheres, jovens, adolescentes e crianças) fará parte do departamento correspondente que terá a sua diretoria escolhida pelas pessoas do próprio segmento, exceto a do de crianças que será nomeada pelo Pastor da Igreja, ouvidos os Presbíteros. Parágrafo Único – Os Departamentos que contemplam os segmentos de pessoas dentro da Igreja terão um conselheiro nomeado pelo Pastor da mesma. Art. 24 – Os demais departamentos (missões, beneficência, música, contabilidade, educação religiosa, e outros) terão a sua diretoria nomeada pelo Pastor da Igreja ouvidos os Presbíteros da Igreja. Parágrafo Único - As diretorias escolhidas serão apresentadas a Igreja para sua homologação em assembléia. Capítulo V Dos Oficiais da Igreja Art. 25 -- São três as categorias de oficiais desta Igreja: Pastores, Presbíteros e Diáconos. Art. 26 -- Os Pastores são os oficiais chamados por Deus e consagrados para exercerem o ministério pastoral segundo a graça divina. Para exercerem o ministério nesta Igreja eles são eleitos conforme definido nos Arts. 38, 39 e 40, e empossados para o exercício de seu mandato. Parágrafo Único – Dentre os Pastores um será eleito como Pastor Titular que se responsabilizará pela direção da Igreja em sua plenitude. O Pastor Titular é o representante oficial da Igreja perante a Denominação a que a Igreja pertence, perante as outras instituições e perante os órgãos governamentais. Art. 27 -- O pastor titular será sustentado financeiramente pela Igreja que lhe pagará mensalmente a título de prebenda no mínimo cinco salários mínimos vigentes no País. Além disso, terá ele direito ao FGTM (8% sobre o salário pastoral), férias, décimo terceiro salário e outros benefícios orientados pela Denominação à que a Igreja é filiada. § 1º - Caso a igreja não tenha condições financeiras de atender o pastor conforme explicitado no artigo em questão poderá haver uma negociação quanto ao sustento pastoral. § 2º - Os outros pastores que auxiliam o ministério terão, de acordo com as possibilidades da Igreja, o seu sustento garantido, ficando a cargo da assembléia da Igreja definir esse assunto. Art. 28 -- Os Presbíteros são os oficiais eleitos pela Igreja para auxiliar o Pastor Titular no governo da mesma, principalmente na área de pastoreio do rebanho, cabendo-lhe o ministério da visitação, da oração pelos membros e congregados da Igreja e o zelo pela doutrina, santidade e pureza da mesma. Parágrafo Único – O Pastor Titular poderá delegar aos Presbíteros a realização de atos pastorais tais como celebrar a Ceia, ministrar a bênção apostólica após os cultos da Igreja e realizar cerimônias fúnebres. Essa delegação contemplará aos Presbíteros dirigentes das Congregações e Pontos de Pregação da Igreja e será registrada em ata da assembléia. Art. 29 -- Os Diáconos são os oficiais escolhidos pela Igreja para cuidar especialmente dos crentes necessitados. Cabe ainda ao ministério diaconal zelar pela boa ordem do culto, distribuir a Ceia do Senhor e outros serviços na Casa do Senhor. Art. 30 – Poderão ser eleitos oficiais da Igreja pessoas do sexo masculino, maior de vinte e um anos de idade, que goze de boa reputação dentro e fora da mesma, e que tenham vida piedosa e apego pela Igreja da qual é membro. Parágrafo Único – Os oficiais da Igreja, inclusive os Pastores, devem atender ao perfil delineado nas Sagradas Escrituras (Diáconos - At 6.3; 1 Tm 3.8-10,12; Pastores e Presbíteros – 1 Tm 3.2-7; Tt 1.6-9). Art. 31 -- Os oficiais Pastores e Presbíteros se reunirão periodicamente sob liderança do Pastor Titular para oração e avaliação do desenvolvimento do trabalho do Senhor através do ministério da Igreja. Parágrafo Único – É vedada a reunião de oficiais sem a presença do Pastor Titular da Igreja ou sem a sua autorização. Capítulo VI Das Assembleias da Igreja. Art. 32 - As assembleias da Igreja são classificadas como ordinárias, extraordinárias e especiais. § 1º - Entende-se por assembléia ordinária a que é realizada bimestralmente para tratar de assuntos corriqueiros da Igreja. § 2º - Entende-se por assembléia extraordinária a que é realizada em qualquer época, para tratar de assuntos urgentes que exijam uma decisão da Igreja. § 3º - Entende-se por assembleias especiais as que se realizam com a finalidade de eleger ou destituir Pastores, Presbíteros e Diáconos, organizar igrejas, e só poderão funcionar em primeira convocação com no mínimo cinquenta por cento mais um dos membros em atividade, e em segunda convocação, trinta minutos depois, com no mínimo trinta por cento dos membros da Igreja. Art. 33 - As assembleias ordinárias e extraordinárias poderão funcionar até com um terço dos membros em atividade, isto em primeira convocação. Na segunda convocação, trinta minutos depois da primeira, funcionará com qualquer número de membros. Art. 34 – Quando se tratar de aquisição ou venda de imóveis ou de outro assunto qualquer que pela sua magnitude exija uma participação maior dos membros da Igreja o quorum exigido é o mesmo de uma assembléia especial. Art. 35 - Todas as assembleias serão convocadas por editais que serão colocados nos quadros de avisos e nos órgãos informativos da Igreja, além do anúncio no púlpito e em suas reuniões. Parágrafo Único – Todas as assembleias terão o seu registro em livro de atas para adquirirem os seus efeitos legais. Art. 36 - Ao Pastor Titular compete convocar e presidir todas as assembleias, na qualidade de presidente da comunidade. Nas suas impossibilidades ele nomeará o co-Pastor para presidir as assembleias. Não tendo co-Pastor, ele nomeará um dentre os pastores da Igreja em exercício ou dos Presbíteros em exercício para presidir as assembleias. No impedimento do Pastor Titular, um dos Pastores ou Presbíteros, no exercício da função, do consenso do colegiado de Pastores e Presbíteros, presidirá a assembléia, desde que esteja em consonância com a denominação a que esteja filiada. Capítulo VII Das Eleições da Igreja Art. 37 - Serão considerados eleitos, legalmente, para os diversos departamentos da Igreja, os irmãos que obtiverem maioria absoluta de votos. Parágrafo Único - Se no primeiro escrutínio, havendo concorrência, o candidato não tiver maioria absoluta de votos, proceder-se-á novo escrutínio, entre as duas pessoas mais votadas. Art. 38 - Os Pastores, Presbíteros e Diáconos serão eleitos em assembléia especial convocada exclusivamente para este fim, e só serão destituídos dos seus cargos antes do término do mandato por assembléia da Igreja da mesma natureza. Art. 39 - Os Oficiais Pastores, Presbíteros e Diáconos, serão eleitos para um mandato de acordo com os respectivos ofícios na igreja local por tempo indeterminado. Art. 40 - Só serão eleitos os Pastores e Oficiais que obtiverem maioria absoluta de votos dos presentes na assembléia. Capítulo VIII Do Conselho FiscaI Art. 41 – Esta Igreja terá um Conselho Fiscal composto de cinco membros titulares e três suplentes que substituirão os titulares em suas ausências, eleitos pela assembléia da Igreja de três em três anos, para fiscalizar a movimentação financeira da mesma, sendo um deles escolhido por eles para ser o relator. Parágrafo Único - Os conselheiros não podem ser parentes dos gestores da Igreja até 3º grau. Art. 42 – Os conselheiros poderão a qualquer hora auditar todas as tesourarias das diversas áreas da Igreja e responderão unicamente a assembléia da mesma. Art. 43 – Anualmente a movimentação financeira da Igreja será submetida à apreciação do Conselho Fiscal para o seu parecer do exercício fiscal do ano anterior, junto à primeira assembléia do ano, Capítulo IX Disposições Gerais e Transitórias Art. 44 - Além deste Estatuto, a Igreja poderá adotar um regimento interno para a boa ordem de seus trabalhos regulares. Art. 45 - Os membros da Igreja responderão pelas obrigações contraídas pela administração aprovadas ou homologadas pelas assembleias. Art. 46 - Caso a experiência mostre futuramente a necessidade de ser reformado o presente Estatuto, só poderá acontecer isso em uma assembléia especial convocada para essa finalidade. Parágrafo Único – Na possível reforma deste Estatuto os Artigos constantes do Capítulo I não podem ser alterados. Art. 47 - Os casos omissos no presente Estatuto e no Regimento Interno serão resolvidos pela Igreja em suas assembleias. Art. 48 - Caso esta Igreja venha a se dividir, o seu patrimônio móvel, imóvel e financeiro pertencerá à parte que continuar a apoiar e a praticar os princípios congregacionais e as doutrinas expressas nos Vinte e Oito Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo. Se ambas as partes os aceitarem in totum, passará a pertencer àquela que estiver com a maioria de votos na assembléia. Art. 49 - Caso esta Igreja venha a dissolver-se por qualquer circunstância, de sorte que não restem doze membros, dentre eles um Presbítero e um Diácono, que funcionem como Igreja regular, todos os seus móveis, imóveis e disponibilidades financeiras se reverterão em favor da Igreja que organizou a Igreja dissolvida, ou na ausência dela a Denominação a que a Igreja pertencia, ou ainda na ausência das citadas a uma Igreja Evangélica que professa a mesma fé e ordem que a Igreja extinta professava, nessa ordem, a critério dos remanescentes. Art. 50 - O presente Estatuto foi aprovado em assembléia especial realizada em ............ e entrará em vigor a partir do seu registro no Cartório correspondente, ficando revogadas todas as disposições em contrário. @@@@@@@ João Pessoa, abril de 2010 (Contribuição do Pastor Eudes Lopes Cavalcanti)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O Período Tribulacional

Dando continuidade ao estudo da Escatologia trataremos neste boletim, e nos outros que se seguem sobre a Escatologia Geral, e começamos abordando o período tribulacional ou a grande tribulação. É sabido pelo estudo das Escrituras que devido ao caráter santo e justo de Deus, Ele não se permitir deixar passar em branco os pecados dos homens, e Deus os pune de acordo com a sua sábia e soberana vontade. As catástrofes naturais (tsunamis, terremotos, maremotos, etc) ou as provocadas pelos homens como, por exemplo, a guerra, e as manifestações do juízo de Deus (o diluvio universal, a destruição de Sodoma e Gomorra) são maneiras usadas por Ele para punir o homem. A Bíblia fala de um período de intensa aflição que atingirá toda a humanidade antes da segunda vinda de Jesus, conhecido no A.T. como o grande e terrível dia do Senhor. “Diante dele tremerá a terra, abalar-se-ão os céus; o sol e a lua se enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor... porque o dia do Senhor é grande e mui terrível, e quem o poderá sofrer?” Jl 2.10,11. O Senhor Jesus descreveu esse período assim: “porque haverá, então, grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco haverá jamais. E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos escolhidos, serão abreviados aqueles dias” Mt 24.21,22. Que essa grande tribulação acontecerá antes da segunda vinda do Senhor, nos é dito pela Palavra de Deus desta forma: “E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então,aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” Mt 24.29,30. No livro de Apocalipse encontramos que essa grande tribulação será ocasionada pela abertura dos sete selos, pelo toque das sete trombetas e pelo derramar de sete taças. Nesses juízos a natureza e os homens marcados com o sinal da besta serão atingidos. Através desses juízos e, principalmente, através do derramar das sete taças, será consumada toda a ira de Deus sobre um mundo iníquo (Ap 15.1). Sobre esses três sete (selos, trombetas e taças) entendemos que os acontecimentos catastróficos que tem atingido a humanidade ao longo da história da Igreja são apenas vislumbres do que ocorrerá no futuro quando estivermos perto do fim. O Salvador revelou que nos últimos dias a iniquidade aumentaria (Mt 24.12) e em consequência disso a amor de muitos esfriaria. Paulo também feriu o assunto quando descreveu o perfil dos homens dessa última geração: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus...” 2 Tm 3.1-9. Também nesse período entrará em cena o homem do pecado (o anticristo), auxiliado pelo falso profeta, sendo esses dois capitaneados pelo dragão (o diabo), que moverá uma intensa perseguição contra a Igreja (Ap 12.7-17), mas será destruído quando do segundo advento de Cristo (2 Ts 2.1-12; Ap 13.1-18; 19.11-21). Ainda esse período será caracterizado por uma intensa opressão demoníaca, pois demônios perigosos que estão hoje aprisionados serão soltos para afligir os que habitam na face da terra (Ap 9.1-12). Uns estudiosos acham que esse período de intensa aflição para toda a humanidade será de sete anos. Outros acham que será de curta duração, sem definir a quantidade de anos, simbolizado pelos dez dias de tribulação, de Apocalipse 2.10. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Pregação Pastor Eudes, 09/09/12

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O Estado Intermediário

Como foi dito no primeiro artigo publicado recentemente num dos boletins de nossa Igreja sobre Escatologia, a mesma se divide em Escatologia Individual e Escatologia Geral. A Escatologia Individual por sua vez se subdivide em três temas, a saber: a morte, a imortalidade da alma e o estado intermediário, sendo esse último objeto deste artigo, devidos os outros dois já terem sido publicado em boletins anteriores. Tratando-se do Estado Intermediário é bom que entendamos que há uma escassez de material bíblico sobre o assunto, por isso surgiram diversos ensinamentos errôneos sobre o mesmo, tais como o purgatório, a doutrina do aniquilamento, o sono da alma, imortalidade condicional, etc, mas a escassez de material bíblico não quer dizer que a doutrina não possa ser definida, pois existem textos bíblicos que a consolidam, principalmente quando os mesmos são analisados à luz da doutrina geral encontrada na santa Palavra de Deus. Conceituamos Estado Intermediário como aquele estado em que as almas que partiram para eternidade subsistem, num período de tempo que não se pode precisar, entre a morte do indivíduo e a ressurreição do seu corpo. Dissemos que não se pode especificar o período de tempo porque o mesmo está condicionado à Segunda Vinda do Senhor que, segundo as Escrituras, ocorrerá numa data que não foi revelada. Vimos no artigo sobre a imortalidade da alma que a mesma tem existência eterna, não se extingue quando o indivíduo morre fisicamente. Esse elemento imortal (a alma) quando se separa do corpo projeta-se na eternidade, para um dos dois lugares preparados por Deus: Céu para a alma redimida pelos méritos de Cristo e inferno (Hades) para a alma não redimida. Nesse período chamado Estado Intermediário as almas que partiram para a eternidade, por ocasião da morte física do ser humano, estão subsistindo de forma consciente, com todas as suas faculdades (inteligência, vontade e emoções) ativas. Isso pode ser visto com facilidade na parábola do Rico e Lázaro (Lc 16.19-31) bem como na abertura do quinto selo do livro de Apocalipse (Ap 6.9-11). Observem que no texto de Lucas nos é dito que Lázaro no seio de Abraão (Abraão nesse texto representa Deus) estava sendo consolado enquanto o rico estava sendo atormentado. Observem ainda que Deus disse, respondendo a um pedido do rico, que os lugares onde estavam Lázaro e ele eram incomunicáveis e intransponíveis. “E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá” Lc 16.26. O apóstolo Paulo nos revelou a sua expectativa de que depois da morte, mesmo desencarnado, continuaria existindo na presença do Senhor, e ali gozaria das beatitudes celestiais. “Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” Fp 1.23. (Veja ainda 2 Co 5.8; Fp 1.21). As almas que partiram para a eternidade permanecerão nesse estado intermediário até o grande dia da Segunda Vinda do Senhor, dia esse em que todas as almas que lá se encontram sairão de seus respectivos lugares onde estavam e retornarão, numa fração de segundo, a terra para reassumir o corpo com o qual viveu neste mundo, agora ressuscitado. Os salvos receberão corpos glorificados e serão arrebatados pelo Senhor, e os perdidos corpos especiais para se apresentar a Deus no grande dia do Julgamento Final, onde cada um será julgado e depois destinado para o seu lugar definitivo, o lago que arde com fogo e enxofre. Pr. Eudes Lopes Cavalcanti