terça-feira, 16 de junho de 2009

O Ministério da Beneficência


Quando o Senhor instituiu a sua Igreja deixou quatro atribuições para ela executar neste mundo, além das ordenanças do Batismo dos novos conversos e da Celebração da Ceia do Senhor, que são: Cultuar a Deus, Promover a edificação espiritual dos crentes, Pregar o Evangelho, e o Atendimento das necessidades dos salvos (Beneficência).
Neste boletim iremos discorrer sucintamente sobre o tema da beneficência porque no culto da noite iremos comemorar o Dia da Beneficência.
É doutrina bíblica que uma das funções da igreja neste mundo é exercer o ministério da misericórdia, ou seja, ajudar aqueles que estão passando necessidades.“Assim, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, principalmente aos da família da fé” Gl 6.10. Escrevendo aos Romanos, Paulo assim se expressou sobre a beneficência: “Comunicai com os santos nas suas necessidades, segui a hospitalidade” Rm 12.13. No Novo Testamento o assunto é tratado também na carta aos Hebreus, quando o escritor inspirado por Deus escreveu: “E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus se agrada” Hb 13.16.
Deus sempre se preocupou com os pobres, com os marginalizados, com os necessitados. No Pentateuco há orientações para que o povo de Deus do passado ajudasse aqueles que eram pobres (Leia Ex 23.11; Lv 19.10; 23.22). Em Provérbios o sábio Salomão também contemplou o assunto com algumas de suas máximas (Pv 14.21; 17.5; 22.22; etc).
A existência do pobre no mundo é uma realidade que ninguém pode questionar. A pobreza tem diversas raízes, como por exemplo: subdesenvolvimento, desemprego, infortúnios, catástrofes, falta de oportunidades, discriminação, preguiça, vícios, pecado, etc. Sejam quais forem as causas da pobreza de uma pessoa, de uma família ou de uma comunidade, a nós não nos compete julgar ninguém. Devemos, em todas as circunstâncias, exercer o ministério da misericórdia tanto individualmente quanto através da igreja a que pertencemos.
A Bíblia diz que Deus deu a uns mais do que a outros. “O rico e o pobre se encontraram: a todos os fez o Senhor” Pv 22.2. Todos nós temos aquilo que Deus, na sua soberania, permitiu que tivéssemos. João Batista disse que o homem não pode receber coisa alguma se não lhe for dada do Céu (Jo 3.27). (Veja ainda Tiago 1.17). A luz desses dois e de outros textos da Bíblia, entendemos que somos mordomos daquilo que Deus nos deu, e no exercício dessa mordomia encontra-se a oportunidade de abençoarmos aos que necessitam, com aquilo que Deus nos deu graciosamente. A presença do pobre no mundo é a grande oportunidade que Deus nos dá de exercer o ministério da misericórdia, que tanto lhe agrada.
Infelizmente, existem muitas pessoas que só pensam em si, inclusive crentes ricos, e se esquecem daqueles que passam necessidades. O apóstolo João questiona a fé daqueles que tem recursos, mas, que não se preocupam com a beneficência. “Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele a caridade de Deus” 1 Jo 3.17. Veja ainda como o assunto foi tratado por Tiago, na sua epístola (Tg 2.14-17).
Assim sendo amados não descuidemos desse ministério.

sábado, 6 de junho de 2009

A Exclusividade da Graça de Deus em Cristo

Numa recente palestra sobre a Cristologia, ministrada por um jovem teólogo brasileiro, autor de um livro que está chegando ao mercado evangélico e que aborda sobre a deidade de Cristo, no final da mesma, o autor fez uma menção sobre a salvação só pela graça divina. Até ai tudo bem, mas uma preocupação patenteou-se quando ele afirmou que as pessoas que não tiveram o privilégio de ouvir falar do Cristo histórico eram salvas pelo favor imerecido que Deus dispensa ao homem pecador (a graça de Deus). A afirmação do jovem teólogo foi objetada por um dos presentes, mas devido ao escasso tempo o assunto não pode ser tratado e concluído satisfatoriamente, pois já estávamos saindo da área da Cristologia para a área da Soteriologia (a doutrina da salvação), o que não era a proposta da palestra.
Como estávamos presente ao conclave, achamos por bem discorrer sobre o assunto devido à nuvem que pairou no ambiente com a afirmação do palestrante. Assim sendo, iremos enfocar o assunto, realçando-o conforme está intitulado acima.
Não restam dúvidas de que o tratamento de Deus com o homem em todas as eras sempre foi de forma graciosa, inclusive na área redentiva. O fato de Deus criar o homem parecido consigo mesmo, que nós chamamos em Teologia de Imago Dei, isso já nos mostra uma manifestação da Sua graça. De todos os seres que Deus criou o ser humano é o único que traz consigo a imagem de Deus. O jardim do Édem criado por Deus para ser o habitat do homem, foi também um ato gracioso de Deus. Quando surgiu o episódio da queda do homem Deus graciosamente o procurou e tratou do seu pecado, cobrindo a sua nudez com vestes que o próprio Deus confeccionara. Apesar do drama do pecado, o Criador continuou dispensando a sua graça fazendo com que a terra continuasse sendo a habitação do homem com tudo o necessário para a sua sobrevivência, em todos os tempos, o que se chama em Teologia de graça comum.
Tratando-se da questão redentiva que foi justamente a problemática surgida no final da palestra do ilustre teólogo, é de fundamental importância que entendamos que, em todas as épocas, a redenção sempre foi um ato gracioso de Deus com a definição de que esse ato só é manifestado graciosamente em Cristo, isto muito antes do Redentor surgir no cenário mundial como um personagem histórico. Quando o Todo-Poderoso instituiu os decretos relacionados à salvação, um deles definiu que a salvação do pecador seria através do Filho de Deus que encarnaria no futuro, e que morreria pelos pecados dos homens. Em apocalipse 13.8 encontramos que o cordeiro (Cristo) foi morto antes da fundação do mundo. (Veja ainda 1 Pe 1.19,20)
Na história, o assunto começou a ser revelado pela primeira vez ao homem por ocasião da sua queda, conforme encontrado em Gn 3.15. A promessa de que o descendente da mulher iria esmagar a cabeça da serpente, é considerada pelos teólogos como o proto-evangelho, ou seja, a primeira vez em que a mensagem do evangelho foi proclamada para reconciliar o homem com Deus e salvá-lo da perdição eterna provocada pelo pecado. Essa mensagem ganhou mais consistência quando o próprio Deus matou animais e da pele desses animais fez vestimentas para cobrir a nudez do primeiro casal. “E fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu” Gn 3.21. É interessante observar que uma vítima teve de morrer, sangue teve que ser derramado para poder cobrir a nudez do homem. Essa mensagem de redenção através da semente da mulher, tipificada na morte daqueles animais, foi acreditada por Abel, filho de Adão e Eva, que quando cultuou a Deus o fez oferecendo um sacrifício cruento, ou seja, com sangue, que tanto agradou a Deus. “E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta” Gn 4.4. (Veja ainda Hb 11.4). Podemos observar nesses dois episódios e também no costume que os homens redimidos da antiguidade tinham de oferecer sacrifícios com derramamento de sangue no seu relacionamento cultual com Deus, que essa crença se popularizara. Era a poderosa mensagem da salvação graciosa de Deus através do seu Filho Jesus Cristo que, na época, estava sendo anunciada, sendo que Ele ainda não encarnara, mas que o plano redentor estava tendo o seu curso através da progressividade da revelação divina. Na época patriarcal nos é revelado na Bíblia que Abraão creu em Deus e que pela fé foi justificado. Qual foi a mensagem que alcançou Abraão? Em Gálatas 3.8, encontramos: “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti”. O apóstolo Paulo nos diz que foi a promessa do descendente da mulher que iria abençoar todas as famílias da terra e que essa descendência era Cristo “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” Gl 3.16. Com o advento da lei mosaica o sistema sacrificial foi instituído por ordem de Deus como tipo do que iria acontecer quando o Verbo de Deus encarnasse, principalmente o sacrifício da Páscoa. Tanto é assim que o Senhor Jesus, o Redentor, foi identificado pelo seu precursor João Batista como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, fazendo alusão ao cordeiro que era sacrificado na festividade da Páscoa judaica (Jo 1.29). Lembremo-nos de que Paulo chamou de Jesus a nossa Páscoa, que fora sacrificado por nós (1 Co 5.7). Ainda sobre o assunto da progressividade da revelação e de que ela falava do Redentor que haveria de vir, o evangelista Lucas registrou o seguinte acerca da ministração que o Senhor fez ao coração dos dois discípulos a caminho da aldeia de Emaús: “E, começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a seu respeito em todas as Escrituras” Lc 24.27. O apóstolo Paulo quando tentava persuadir os judeus acerca da salvação, falava da exclusividade de Cristo constante da revelação até então conhecida: “Tendo marcado um dia, muitos foram encontrar-se com ele em sua casa. Desde a manhã até a noite, Paulo lhes explicava com bom testemunho o reino de Deus e procurava convencê-los acerca de Jesus, tanto pela Lei de Moisés como pelos Profetas” At 28.23 (A Lei de Moisés era uma expressão usada na época para fazer referência ao Pentateuco, inclusive o livro de Gênesis).
Queremos com isso afirmar que, mesmo antes da encarnação do Verbo de Deus ou da manifestação da Sua graça através do Cristo histórico, a salvação sempre foi um ato gracioso de Deus através daquele que haveria de vir na plenitude dos tempos, como disse Paulo em Gal 4.4,5. Nas épocas pré-patriarcal, patriarcal e pós-patriarcal sempre a salvação foi anunciada através das profecias diretas acerca de Cristo, o Redentor, através dos tipos e das figuras usadas por Deus como parte da revelação messiânica. Na carta aos Hebreus nos é dito, em seu início, que Deus sempre falou ao homem através dos seus servos e profetas de muitas maneiras (Hb 1.1). Nessa fala de Deus o plano redentor estava sendo anunciado através das profecias, dos tipos e das figuras ao longo da história mui especialmente depois da organização do estado israelita e da entrega da lei, da construção do tabernáculo, da instituição do sacerdócio, e da instituição do sistema sacrificial, sendo o povo israelita destinado por Deus para ser o agente propagador da mensagem redentora. “Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome: anunciai a sua salvação de dia em dia. Anunciai entre as nações a sua glória; entre todos os povos as suas maravilhas” Sl 96.2,3.
No Novo Testamento, quando o Verbo de Deus encarnou, essa exclusividade de Cristo como único Redentor, ficou mais patenteada como observamos nos textos que falam da anunciação do nascimento do Senhor (Mt 1.21; Lc 2.11), no testemunho do próprio Jesus no Evangelho de João 14.6; 11.25,26, no testemunho de Pedro em At 4.12 e nos escritos apostólicos de Paulo (1 Tm 2.5), de Pedro (1 Pe 1.18-20) e de João (Jo 3.16,17; 1 Jo 5.10-12; Ap 1.5; 5.9).
Num contexto missiológico, ninguém estar autorizado a declarar que Deus, por ser gracioso, salva as pessoas que não tiveram a oportunidade de ouvir o Evangelho, e que a salvação é pela graça de Deus sem complementar que essa graça se manifesta através de Cristo. O apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos disse que o homem é indesculpável diante de Deus, pois ele tem ao seu dispor a revelação natural que testifica do Deus Criador (Rm 1.18-32). Paulo disse também nessa mesma carta que os que sem lei pecaram sem lei perecerão (Rm 2.12).
Se no plano eterno de Deus foi decretado que a salvação seria através do sacrifício do Filho de Deus, e que o Cordeiro (Cristo) na mente divina já tinha realizado o sacrifício pelos pecados antes que houvesse mundo (Ap 13.8), e que os eleitos que seriam alcançados também já tinham sido identificados e preordenados para a salvação antes que o mundo viesse a existir, e que os seus nomes já estão escritos no livro da Vida (Ap 17.8) não há dúvidas de que a exclusividade de Cristo como Redentor é definida, mesmo levando-se em consideração a progressividade da revelação desse assunto ao longo da história da redenção do homem, pois Deus nunca teve mais de uma maneira de tratar com o homem no seu plano redentor senão através de Cristo.
Resumindo queremos dizer que a salvação sempre foi um ato gracioso de Deus através de Cristo e que, antes da encarnação de Cristo, as pessoas para ser salvas deviam crer naquele que haveria de vir e depois dela elas são salvas crendo no Cristo que já veio.
“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” Rm 11.33.
João Pessoa, junho de 2009
Rev. Eudes Lopes Cavalcanti (Ministro Congregacional da ALIANÇA)

Evidências de uma vida cheia do Espírito

No boletim do domingo dia 24/05 fizemos uma reflexão com o título “Um crente cheio do Espírito Santo”. Nessa reflexão fundamentamos a doutrina da concessão do Espírito Santo aqueles que, de fato, crê em nosso Senhor Jesus Cristo. Dizemos também que grande são as possibilidades da execução de um trabalho profícuo por parte daquele que vive uma vida cheia do Espírito. Dissemos ainda que o dom do Espírito é uma benção exclusiva para aqueles que crêem em Cristo em todas as épocas.
Neste boletim iremos enfatizar as evidências de uma vida cheia do Espírito Santo.
Primeiramente vamos enfocar o que não é evidência da plenitude do Espírito na vida de um crente. Não é evidência o crente falar em línguas estranhas. No Dia de Pentecostes quando o Espírito desceu sobre aqueles cento e vinte irmãos todos foram cheios do Espírito Santo e, no entanto, não falaram línguas estranhas. Aqueles irmãos receberam miraculosamente a capacidade de falar em línguas estrangeiras, ou seja, compreensíveis pelos ouvintes que estavam naquela reunião. “Como pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?” At 2.8. Também não são evidências o crente se arrepiar, perder o controle de si, cair, rodopiar, marchar e outras bobagens que se observam no meio neo-pentecostal. Não é ainda ter visões, revelações, profetizar. Não é o exercício dos dons espirituais ou o uso dos dons naturais na obra do Senhor. Nem ainda a entrega das ofertas e dízimos ao Senhor como uma obrigação ou uma barganha, ou seja, eu te dou se tu me abençoares.
A primeira grande evidência na vida de um crente cheio do Espírito Santo é a produção do fruto do Espírito conforme identificado na carta de Paulo aos Gálatas 5.22: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança”. Essa sim é a grande evidência de uma vida cheia do Espírito. Esse fruto brota naturalmente da vida daqueles que estão cheios do Espírito de Deus. Outras evidências também podem ser observadas tais como um intenso desejo pelas coisas de Deus (At 2.46); e ainda um intenso desejo de estar reunido com os irmãos em Cristo para celebrar ao Senhor nos cultos programados pela Igreja (At 2.44,46,47); e ainda um profundo sentimento de liberalidade, ou seja, de entregar a Deus os dízimos e as ofertas para a manutenção da Sua obra através da Igreja da qual é membro (At 2.45; 4.32,34-37); e ainda um profundo zelo pelas coisas de Deus (At 5.3,4); e ainda um profundo desejo de se envolver com a obra de evangelização (At 4.29-31,33); e ainda constantes vitórias sobre o pecado, sobre a natureza pecaminosa (Rm 8.2,13; Gl 5.24,25); e ainda um profundo amor pelo Senhor, a ponto de, se preciso for, morrer por Cristo (At 21.13); e ainda dar testemunho ousado da fé cristã (At 4.16-20); e ainda a perseverança nas atividades da Igreja (At 2.42,46); e ainda um profundo sentimento de respeito pela pessoa de Deus e por tudo aquilo que Lhe diz respeito (At 2.43); e ainda um intenso desejo de orar, de buscar a presença de Deus, participar dos cultos de oração da Igreja (At 2.42; 4.23,24; 12.5); e coisas semelhantes.
Se na sua vida querido irmão essas coisas forem uma realidade saiba que você é uma pessoa que vive na plenitude do Espírito Santo de Deus.

domingo, 24 de maio de 2009

Um crente cheio do Espírito Santo

No seu plano redentor, Deus determinou que as pessoas que cressem no Senhor Jesus Cristo recebessem o dom do Espírito Santo. “E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem;...” Jo 7.39. “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” Ef 1.13. “E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” Gl 4.6. A presença do Espírito Santo na vida do salvo em Cristo é uma das gloriosas bênçãos comunicadas a ele, graciosamente como dom específico de Deus. É o selo distintivo de quem pertence a Cristo. As pessoas que não são crentes em Cristo não têm dentro de si o Espírito Santo. “... mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo esse tal não é dele” Rm 8.9.
Ainda de acordo com o Seu plano eterno é do propósito de Deus que os crentes em Cristo vivam uma vida cheia do Espírito Santo. “... mas enchei-vos do Espírito” Ef 5.18.
Um crente cheio do Espírito é uma pessoa operosa na obra do Senhor e que produz no seu viver diário o fruto do Espírito que é identificado em Gl 5.22: “Mas o fruto do Espírito é amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança”.
Ser cheio do Espírito Santo é deixar-se dominar por Ele. É submeter-se a Sua direção. Uma pessoa que está cheia do Espírito tem prazer de fazer a vontade de Deus, tem prazer de está em sua presença, tem prazer nos cultos, engaja-se voluntariamente na obra do Senhor que para ela é a maior prioridade, contribui financeiramente, enfim, dá a sua parcela de contribuição para que a obra do Senhor seja realizada.
Um crente cheio do Espírito Santo é um instrumento poderoso nas mãos do Senhor, é o que podemos observar ao longo da revelação bíblica. Vemos essa benção na vida de Moisés, de Josué, dos juízes Gideão, Jefté, Sansão, do rei Davi e de outros servos de Deus do Antigo Testamento. Do Novo Testamento identificamos Pedro, Filipe, Paulo e os outros apóstolos. Podemos observar ainda essa benção na vida de inúmeros servos de Deus ao longo da história da Igreja, e para identificar alguns, citamos os nomes de Lutero, Calvino, Zuinglio, Jonathas Edwards, Wesley, Whitefield, Finney, Moody, Billy Granham, homens esses que viveram uma vida cheia do Espírito e foram poderosos instrumentos nas mãos de Deus em sua geração. A exemplo dos servos de Deus do passado, uma pessoa cheia do Espírito Santo realiza uma grande obra no reino de Deus, de acordo com os dons que o Espírito Santo venha a lhe conceder.
Lembre-se querido irmão, de que essa benção não foi uma exclusividade desses homens que deixaram um grande legado no Reino de Deus. Lendo o texto de Atos 2.39, encontramos que a dádiva do Espírito Santo, acompanhada com o respectivo infundir do poder de Deus, é uma promessa para todos aqueles que professam o nome de Jesus. “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar”.
Assim sendo, enchamo-nos do Espírito de Deus e façamos com autoridade a obra do Senhor, pois esse é o Seu propósito para nossas vidas.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

EU, UM IDÓLATRA?


As Sagradas Escrituras nos revelam da existência de um só Deus verdadeiro. “Porque há um só Deus...” 1 Timóteo 2.5. Esse Deus revelado é um único Deus, e subsiste em três pessoas: o Pai, Filho e o Espírito Santo, da mesma essência e possuidoras dos mesmos atributos. “Porque três são os que testificam no céu: O Pai, a Palavra (O Verbo), e o Espírito Santo; e esses três são um” 1 João 2.7.
A Bíblia ainda nos revela que só a esse Deus é devido à adoração. “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás”. Mateus 4.10. Diz ainda a Palavra de Deus que esse Deus deve ter em tudo a primazia em nossas vidas. “Mas buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça,...” Mateus 6.33. Diz ainda as Escrituras que devemos amar a Deus sobre todas as coisas. “E Jesus disse-lhes: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma e de todo o teu pensamento” Mateus 22.37.
Tratando-se de idolatria devemos entender que a Bíblia a condena veementemente porque os ídolos erigidos pelo povo de Deus no passado (estátuas, figuras,...) estavam recebendo adoração, honras e louvores só devidos ao Deus dos céus. Esses ídolos de pedra, de ouro, de prata, de madeira, de ferro, de bronze e de barro estavam usurpando a adoração ao verdadeiro Deus. O povo de Deus estava dando mais atenção aos falsos deuses (ídolos) do que ao Senhor, cultuando-os e deixando-os cativar os seus corações. Graças a Deus que a idolatria no meio do Israel bíblico foi erradicada a partir do cativeiro babilônico.
No meio evangélico, até aonde sabemos, não se cogita a adoração a ídolos visíveis. Mas considerando que o ídolo não é somente uma estátua que é erigida, reverenciada e venerada, e sim qualquer coisa que ocupe o primeiro lugar no coração do homem, que roube a prioridade de Deus em sua vida, podemos entender que o problema continua no meio do povo de Deus, a Igreja. Nesse contexto, vemos hoje uma Igreja mesclada de idólatras, de pessoas que se dizem crentes em Cristo, mas, que não permitem que Deus ocupe o primeiro lugar em suas vidas.
A idolatria hoje se tornou mais sutil, mais sofisticada. Pode ser o dinheiro que colocamos como a principal coisa em nossas vidas (a avareza é comparada à idolatria - Veja Colossenses 3.5). Pode ser ainda o negócio que o cristão tem. Pode ser o cônjuge, o filho, o automóvel, a casa, um programa de televisão, um lazer, ou qualquer outra coisa que desloque Deus do centro de nossas vidas. Enfim, tudo aquilo que amamos mais do que a Deus constitui-se idolatria.
Diante do exposto, achamos que a pergunta feita no título desta reflexão é pertinente no contexto atual da Igreja, pois estamos assistindo apreensivo, apesar dos inúmeros apelos feitos através dos nossos boletins, das pregações e das pastorais, um desinteresse dos crentes nas coisas de Deus e o apego às coisas deste mundo, coisas essas que são mais valorizadas do que as de Deus. Essa apatia torna-se visível na negligência aos cultos da Igreja, na avareza em entregar o dízimo do Senhor, na negligência na evangelização dos perdidos... Já é hora, irmãos, de nos arrependermos desse pecado e abandonarmos aquilo que ocupa o lugar de Deus em nossas vidas.

A IGREJA CONGREGACIONAL


A Igreja Congregacional surgiu na Europa (Inglaterra), no século XVII, e se expandiu nas colônias inglesas das terras americanas no século seguinte. O surgimento desse segmento evangélico deu-se por ocasião do desejo de irmãos inconformados com uma igreja controlada pelo Estado. As origens da Igreja Congregacional remontam a época dos puritanos, poderoso movimento de caráter espiritual que buscava uma vida de santidade de acordo com a Palavra de Deus.
No Brasil a Igreja Congregacional surgiu com o trabalho do missionário inglês Robert Reid Kalley, na época do Brasil Império, no governo de Dom Pedro II. A Igreja Congregacional começou em nossa Pátria em 1855 com uma escola bíblica dominical, sendo ela pioneira na organização de um trabalho em língua portuguesa no Brasil. Em seu ministério, Dr. Kalley fundou a Igreja Fluminense no Rio de Janeiro e a Igreja Pernambucana em Recife, ambas de governo congregacional.
No Nordeste brasileiro, a Igreja Congregacional ganhou um poderoso impulso com a obra de renovação espiritual principalmente nos estados da Paraíba e de Pernambuco, isto nas décadas de 60 e 70.
A Igreja Congregacional se caracteriza no aspecto espiritual pelo seu apego as Sagradas Escrituras como única regra de fé e prática e pela sua ênfase na oração como instrumento de crescimento espiritual. Os seus cultos têm uma liturgia simplificada onde o louvor, a oração, a leitura e exposição da Palavra de Deus ocupam papel preponderante.
A Igreja Congregacional pratica sistematicamente as duas ordenanças deixadas por nosso Senhor Jesus: a Ceia do Senhor e o Batismo Cerimonial. Quanto a Ceia ela é realizada de forma aberta o que permite que membros de outras Igrejas participem. O batismo ministrado pela Igreja é o batismo por aspersão, quando o derramar da água sobre o batizando simboliza a purificação produzida pelo sangue de Jesus e o derramar do Espírito Santo sobre o salvo.
A Igreja Congregacional tem como ponto alto em sua eclesiologia, seguindo o modelo bíblico, a assembléia de membros que é o órgão maior dentro dela e que a governa. Ainda a Igreja Congregacional é uma organização completa em si mesma com existência independente e autônoma. A filiação de uma Igreja Congregacional a uma convenção de Igrejas da mesma fé e ordem é voluntária.
Os Pastores, Presbíteros e Diáconos são os obreiros que recebem da assembléia da Igreja delegação, através de seus instrumentos normativos, para dirigi-la na área de suas competências. Ao Pastor da Igreja cabe a liderança maior dentro dela tanto na área espiritual como na administrativa, sendo ele o anjo da Igreja, responsável pela Igreja diante de Deus, da Denominação a que pertence bem como diante do Estado Brasileiro. Os Presbíteros são os oficiais escolhidos pela Igreja, segundo ordenação do Senhor, para ajudar o Pastor no pastoreio da mesma (visitar os irmãos enfermos, orar pelos membros, instruí-los na doutrina, enfim cuidar da vida espiritual do rebanho). Os Diáconos têm a atribuição de cuidar dos crentes necessitados, de zelar pelo bom andamento do trabalho na casa do Senhor, distribuir a Ceia,... Ainda se tem numa Igreja Congregacional, a delegação de outras tarefas que são executadas pelos seus diversos departamentos e que funcionam sob a orientação geral do Pastor da Igreja. A Igreja Congregacional também tem extensões que se chamam de Congregação, Ponto de Pregação e Núcleo de Oração.
Louvemos a Deus por pertencermos a uma Igreja que é uma instituição divina e que existe para promover a glória de Deus, a edificação dos crentes, para proclamar o Evangelho e cuidar dos santos necessitados.

As Sagradas Escrituras


Deus por graça e misericórdia revelou-se as suas criaturas através da natureza e através das Sagradas Escrituras. A primeira revelação é chamada de Revelação Geral e a segunda de Revelação Especial. Na Revelação Geral Deus revelou-se como o Deus Todo-poderoso, como o Criador de todas as coisas, tanto as visíveis quanto as invisíveis. Na Revelação Especial Deus revelou o seu ser, o seu caráter, os seus atributos e a sua vontade. Revelou ainda Deus nas Sagradas Escrituras o seu programa redentor através do seu Filho Jesus Cristo.
Essa Revelação Especial foi feita através dos livros inspirados pelo Espírito Santo que se encontram no Cânon Sagrado, conforme o conhecemos. As Sagradas Escrituras compõem-se de duas partes: Antigo e Novo Testamento, tendo a primeira trinta e nove livros e a segunda, vinte e sete, assim classificados: Antigo Testamento: Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio); Históricos (Josué, Juízes, Rute, 1º e 2º Samuel, 1º e 2º Reis, 1ª e 2ª Crônicas, Esdras, Neemias e Ester); Poéticos (Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares); Proféticos (Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias). Novo Testamento: Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João); Histórico (Atos dos Apóstolos); Epístolas Paulinas (Romanos, 1º e 2º Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1º e 2º Tessalonicenses, 1º e 2º Timóteo, Tito e Filemom); Epístola aos Hebreus; Epístolas Gerais (Tiago, 1º e 2º Pedro, 1º, 2º e 3º João, Judas); Apocalipse.
Deus de acordo com o seu plano usou para escrever os livros do Cânon Sagrado quarenta escritores num espaço de tempo de dezesseis séculos. Os autores dos livros sagrados foram todos inspirados por Deus para fazer o registro da verdade divina de acordo com o que Deus revelara. “Toda a Escritura é inspirada por Deus é útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” 2 Tm 3.16. “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” 2 Pe 1.20,21.
A inspiração fez da Bíblia Sagrada um livro especial, de origem divina, infalível, digno da aceitação e crença por parte dos homens. “... e a Escritura não pode falhar” Jo 10.35.
A Bíblia é uma dádiva de Deus ao mundo e mui especialmente a Igreja, sendo ela a sua única regra de fé e prática. “Tu ordenaste os teus mandamentos, para que diligentemente os observássemos” Sl 119.4.
Sendo as Sagradas Escrituras a autêntica revelação especial de Deus e que nela encontramos, até onde Deus queria nos revelar, informações sobre o Seu ser, os Seus atributos, o Seu caráter, a Sua vontade e o Seu programa redentor, deve merecer por parte dos crentes uma atenção especial. Os crentes devem ter um grande apreço pelas Sagradas Escrituras, lendo-a diariamente, examinando-a com atenção, buscando a iluminação do Espírito Santo, procurando ouvir a voz de Deus, e obedecendo aos seus mandamentos. Eles devem ler a Bíblia para serem sábios e obedecer aos seus mandamentos para serem santos. “Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia” Sl 119.97.


sexta-feira, 24 de abril de 2009

Questões Simuladas de Teologia Sistemática

1) O que é Revelação segundo a Bíblia?
2) O que é Revelação Geral? Justifique biblicamente a resposta.
3) O que é Revelação Especial? Justifique biblicamente a resposta.
4) O que é Inspiração da Bíblia? Justifique biblicamente a resposta.
5) Descreva sucintamente sobre as teorias da Inspiração da Bíblia.
6) O que é um atributo quando relacionado a Deus?
7) O que é atributo natural de Deus? Usando a Bíblia, mencione cinco deles.
8) O que é atributo moral de Deus? Usando a Bíblia, mencione cinco deles.
9) Defina o que é Trindade.
10) Justifique biblicamente a existência da Trindade no Velho e no Novo Testamento.
11) O que é a Providência de Deus? Cite três fatos bíblicos onde a Providência de Deus pode ser observada.
12) A doutrina que estuda o homem do ponto de vista teológico chama-se __________________ .
13) Em relação à constituição do homem, discorra sobre as teorias existentes. Embase com a Bíblia a sua preferência.
14) Sobre a origem da alma, quais são as teorias existentes? Descreva-as sucintamente.
15) O que é a imago Dei?
16) O que é pecado?
17) Segundo a Bíblia, o pecado está inerentemente arraigado a ______________________ . Justifique biblicamente a resposta.
18) Quais as conseqüências do pecado sobre o ser humano?
19) Justifique biblicamente a morte em seus aspectos físico, espiritual e eterno.
20) Prove biblicamente a natureza humana de Cristo.
21) Prove biblicamente a natureza divina de Cristo.
22) O que é união hipostática das naturezas de Cristo. Justifique biblicamente a resposta.
23) Quais são os estágios do Estado de Humilhação de Cristo? Justifique biblicamente a resposta.
24) Quais são os estágios do Estado de Exaltação de Cristo? Justifique biblicamente a resposta.
25) Quais os Ofícios de Cristo? Descreva sucintamente cada um deles provando-os biblicamente.
26) O que é Arminianismo e qual a seqüência dos passos ensinados pelo mesmo quanto à ordem dos decretos de Deus, no que se refere à salvação?
27) O que é Calvinismo e qual a seqüência dos passos ensinados pelo mesmo quanto à ordem dos decretos de Deus, no que se refere à salvação?
28) O que é Justificação segundo a Bíblia. Prove biblicamente a resposta.
29) O que é Adoção segundo a Bíblia. Prove biblicamente a resposta.
30) O que é Redenção segundo a Bíblia. Prove biblicamente a resposta.
31) O que é Regeneração segundo a Bíblia. Prove biblicamente a resposta.
32) O que é Santificação segundo a Bíblia. Prove biblicamente a resposta.
33) Quais os aspectos teológicos da morte de nosso Senhor Jesus Cristo. Use a Bíblia na resposta.
34) O que é Igreja local?
35) O que é Igreja invisível?
36) Quais os tipos mais conhecidos de governo de Igreja. Comente sucintamente cada um deles.
37) Quais as ordenanças deixadas por nosso Senhor Jesus para a Igreja? Comente sobre cada uma delas, usando a Bíblia.
38) Que são anjos?
39) Os anjos bons (eleitos) foram confirmados por Deus na ____________ e os anjos maus foram confirmados por Deus na ________________.
40) Existe uma gradação entre os anjos (maus e bons)? Comente o assunto a luz da Bíblia.
41) O que é Escatologia?
42) Qual a divisão do estudo da Escatologia?
43) Quais os assuntos tratados em cada uma dessa divisão da Escatologia?
44) Sucintamente, comente sobre o Estado Intermediário?
45) Prove biblicamente a Segunda Vinda do Senhor?
46) Prove biblicamente o Arrebatamento da Igreja?
47) Quais são as teorias Tribulacionistas do Arrebatamento da Igreja? Comente-as sucintamente.
48) O que são Amilenismo, Pós-Milenismo e Pré-Milenismo?
49) O que é o Juízo Final? Comprove biblicamente o assunto.
50) O que é o Estado Eterno. Comprove biblicamente o assunto.

(Contribuição do Pastor Eudes Lopes Cavalcanti)

RELAÇÃO DE LIVROS BÁSICOS PARA UM OBREIRO CRISTÃO

1. Uma Bíblia Comentada (Genebra, NVI, Shedd, Anotada, Vida Nova, Pentecostal, Thompson...)

2. Uma Concordância ou Chave Bíblica

3. Um Dicionário Bíblico (O Novo Dicionário da Bíblia, J. D. Douglas, Edições Vida
Nova)

4. Um Compêndio de Teologia Sistemática (Berkhof, Bancroft, Millard,...)

5. Um Comentário Bíblico (Novo Comentário da Bíblia, F. Davidson M. A., Edições Vida Nova)

6. Um livro de Introdução ao V.T. (Conheça Melhor o Antigo Testamento, Stanley A.
Ellison, Edições Vida)

7. Um livro de Introdução ao N.T. (Introdução ao Novo Testamento, D. A. Carson,...
Edições Vida Nova)

8. Um livro de História da Igreja (Cristianismo Através dos Séculos, Earle E. Cairns.
Edições Vida Nova)

9. Um livro sobre Escatologia (A Bíblia e o Futuro, Anthony Hoekema, Editora Cultura Cristã)

10. Um livro de Teologia do V.T. (Teologia do Antigo Testamento, Ralph L. Smith, Edições Vida Nova)

11. Um livro de Teologia do N.T. (Teologia do Novo Testamento, George Eldon Ladd,
HAGNOS)

12. Um livro de Geografia Bíblica (Geografia Bíblica, Osvaldo Ronis,)

13. Um livro de Hermenêutica (A Interpretação Bíblica, Roy B. Zuck, Editora Vida)

14. Um livro de Homilética (Como preparar Mensagens Bíblicas, James Braga, Editora
Vida)

15. Um livro de Teologia Pastoral (O Pastor Aprovado, Richard Baxter, Editora PES)

16. Um Manual Bíblico (Manual Bíblico de Halley, Editora Vida)

OBS.: Existem outros livros de autores diferentes sobre os temas acima, tão bons quantos eles.

(Contribuição do Pastor Eudes Lopes Cavalcanti)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO

Mas eis aqui estou vivo

No livro de Apocalipse encontramos logo no capítulo primeiro uma poderosa revelação do Cristo glorificado nos Céus. João o viu como um homem vestido de vestes cumpridas, cingido com um cinto de ouro, a cabeça coberta de cabelos alvíssimos, tendo os olhos como chama de fogo, os pés reluzentes como latão, a voz poderosa como o ruído de uma cachoeira, tendo na sua mão direita sete estrelas, da sua boca saía uma espada afiada, e o rosto brilhava como o sol na sua força. Quando viu essa visão gloriosa, João caiu aos pés do Senhor como morto, mas Jesus pôs a sua mão direita sobre ele e o confortou com a seguinte declaração: “Não temas; Eu sou o primeiro e o último; E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno” Ap 1.17,18.
Essa visão do Cristo glorificado nos Céus, evidentemente, está cheia de simbolismo que não será objeto de explicação nesta reflexão. Iremos apenas nos ater a gloriosa declaração: “Mas eis aqui estou vivo para todo o sempre”.
Comecemos por se reportar ao evento histórico da morte e da ressurreição de Cristo. As Escrituras nos relatam que o Senhor Jesus morreu crucificado no monte Calvário. Relata também que ele foi sepultado num sepulcro cedido por um membro do Sinédrio judaico chamado José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus, em oculto. Ainda, as Escrituras nos relatam, isto em todos os quatro evangelhos, que ao terceiro dia, Cristo ressuscitou vitorioso dentre os mortos, conforme profetizara em alguns momentos do seu ministério. Depois de ressurreto, o Senhor ainda esteve com os seus discípulos quarenta dias, falando do que se reportava ao reino de Deus. Em seguida, a Bíblia relata a sua ascensão aos Céus onde se assentou à direita de Deus, reassumindo a glória que tinha como o eterno Filho de Deus.
Para nós os cristãos a ressurreição de Cristo é o coroamento da obra redentora que ele veio realizar neste mundo. Sem a ressurreição de Cristo a sua morte perderia todo o sentido, pois o Senhor seria um Cristo morto, vencido, destruído pela força da fragilidade comum aos homens. Mas, graças a Deus que Cristo ressuscitou vitorioso dentre os mortos e está vivo, poderoso nos Céus. Lá, a destra do Pai, o Senhor continua exercendo o seu papel de sumo sacerdote, que começou com o grande sacrifício de Si mesmo na cruz. Agora ele vive intercedendo pela Igreja e essa poderosa intercessão é que nos mantém de pé diante de sua augusta presença.
Amados, neste domingo, quando comemoramos a ressurreição de Cristo, regozijemo-nos e nos alegremos, pois, o nosso Salvador e Senhor está vivo nos céus, revestido de glória e de poder, controlando todas as coisas, mui especialmente aquelas que dizem respeito ao seu povo a quem remiu pelo poder do seu sangue derramado na cruz. “Mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno”.

Cristo Ressuscitou

A Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo é um dos fatos mais gloriosos do Cristianismo. Ela aconteceu conforme prevista nas Sagradas Escrituras no livro de Salmos e pelo próprio Senhor Jesus ao longo do dia-a-dia de seu ministério. “Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu santo veja a corrupção”. Sl 16.10. “Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muito dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto e ressuscitar ao terceiro dia”. Mt 16.21.
A ressurreição do Senhor Jesus é um dos fatos mais bem documentados do Novo Testamento. Muitas são as evidências da ressurreição do Senhor, por exemplo: o túmulo vazio, o testemunho de seres angelicais, o testemunho daqueles que o viram ressuscitado e principalmente as suas aparições às testemunhas previamente selecionadas por Deus durante o espaço de quarenta dias, inclusive no dia da Sua ascensão aos céus.
Dentre as aparições do Senhor Jesus merece destaque, na nossa opinião, a aparição feita aos onze apóstolos agora com a presença de Tomé tendo em vista o mesmo ter declarado numa reunião com os seus colegas de apostolados que já tinham visto ao Senhor que não acreditava no testemunho dado por eles se não visse com os seus próprios olhos e se não tocasse nas mãos feridas pelos cravos e não colocasse a mão no lugar do corpo do Senhor que fora ferido pela lança do soldado romano. O Tomé incrédulo ao ver ao Cristo ressurreto, sem nenhuma dúvida mais em seu coração, exclamou: “Senhor meu e Deus meu”.
A morte do Senhor Jesus e a sua ressurreição são os fundamentos da mensagem do Evangelho. “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para a nossa justificação”. Rm 4.25
Graças à ressurreição de Cristo, a sua morte redentora foi autenticada. Nós adoramos a um Deus vivo, que morreu e ressuscitou dos mortos, subiu aos céus onde está glorificado, assentado à destra da Majestade nas alturas, estando-Lhe subordinado os poderes, as potestades e tudo mais.

A Ressurreição de Cristo

Estamos hoje como Igreja comemorando um dos fatos mais gloriosos do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Sua ressurreição com corpo glorificado, depois de três dias de sepultado.
A ressurreição de Cristo não foi um ato intempestivo de Deus, pois, a mesma já estava prevista dentro do programa redentor, e inclusive já revelada através de profecia. “Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim: por isso que ele está a minha mão direita, nunca vacilarei. Portanto está alegre o meu coração e se regozija minha glória: também a minha carne repousará segura. Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitiras que o teu Santo veja a corrupção. Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há abundância de alegria; à tua mão direita há delicias perpetuamente” Salmo 16.8-11. Essa profecia foi citada por Pedro em seu sermão no Dia de Pentecostes quando tratou da ressurreição de Cristo (Atos 2.25-28).
O Senhor Jesus ao longo do seu ministério, especialmente quando se aproximava de sua consumação fez menção, em diversas ocasiões, de sua morte bem como de sua ressurreição (Mateus 16.21; 17.23; 20.19. As citações de Mateus são corroboradas pelos evangelistas Marcos e Lucas e João).
O fato histórico da ressurreição de Cristo foi registrado nos quatro Evangelhos (Mateus 28.1-10; Marcos 16.1-8; Lucas 24.1-12; João 20.1-18). Também no livro de Atos, nas epístolas paulinas e petrinas, em Hebreus, e no livro de Apocalipse o fato é referenciado.
Nos evangelhos citados, em Atos dos Apóstolos e na 1ª epistola aos Coríntios encontramos as evidências da ressurreição do Senhor Jesus. Essa gloriosa ressurreição foi anunciada pelos anjos de Deus e teve como testemunhas oculares diversos crentes, escolhidos especialmente por Deus para serem testemunhas da ressurreição do Salvador. “Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando do que respeito ao reino de Deus” Atos 1.3. “A este ressuscitou Deus ao terceiro dia, e fez que se manifestasse, não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus antes ordenara;...” Atos 10.40,41.
A ressurreição de Cristo tem profundas implicações teológicas dentro do plano de Deus: 1) Ela confirma a deidade do Senhor Jesus (Rm 1.4); Ela é o modelo da ressurreição em glória dos santos quando do segundo advento de Cristo (Fp 3.20,21); Ela autentica a pregação do Evangelho (1 Co 15.14); Ela autentica também a fé em Cristo (1 Co 15.17); Ela confirma o perdão de nossos pecados (1 Co 15.17);...
O corpo ressurreto de Cristo foi o mesmo corpo que Ele morreu, na sua aparência visual, mas revestido de glória, não sujeito mais a corrupção, composto de outras propriedades que não sabemos especificar. Com esse corpo o Senhor Jesus foi assunto aos Céus e assentou-se a direita de Deus, revestido de glória e majestade como Deus-Homem.
A grande mensagem da ressurreição de Cristo é que ela autenticou a obra redentora realizada pelo Senhor na cruz do Calvário. A outra grande mensagem é que, através de sua ressurreição, Cristo comprovou a sua divindade. Ainda a outra grande mensagem é que a ressurreição de Cristo (o corpo glorificado) é o modelo da ressurreição da Igreja, na Sua segunda vinda.
Amados irmãos, o nosso Salvador é o Senhor ressurreto, vivo, poderoso, Senhor dos Céus e da terra e que com sua autoridade controla todas as coisas e é o Cabeça da Igreja. Portanto celebremos ao Senhor neste dia, dia em que comemoramos a Sua gloriosa ressurreição. “Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito...”.

A Entronização de Cristo

No estudo da doutrina da pessoa do Senhor Jesus, temos um tema conhecido pelo nome de Os Estados de Cristo. O primeiro Estado é conhecido pelo nome de Estado de Humilhação que consiste das fases: Encarnação, Nascimento, Sofrimento, Morte e Sepultamento de Cristo. O segundo Estado de Cristo é chamado de Estado de Exaltação que consiste das fases: Ressurreição, Ascensão, Entronização e Segunda Vinda de Cristo em glória.
Nesta reflexão teceremos um breve comentário sobre a fase conhecida como a Entronização de Cristo. A Bíblia diz que o Senhor Jesus como o eterno Filho de Deus habitava na glória celeste e estava revestido da glória que Lhe era própria como Deus Filho. “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” Jo 17.5. Com a encarnação, o Verbo, o Senhor Jesus, esvaziou-se daquela glória que tinha e assumiu uma natureza humana, limitada, frágil, sujeita as tentações e a morte. Com a entronização, Cristo reassumiu a glória que Lhe pertencia por direito eterno. “Ora a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus a destra do trono da majestade” Hb 8.1. “Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte,...” Hb 2.9.
Esse estado atual de Cristo tem uma implicação muito profunda na vida da Igreja tendo em vista a Bíblia dizer que estão sujeitas a Cristo todas as coisas. “Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos, e pondo-o a sua direita nos céus. Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da Igreja” Ef 1.20-22.
Diante disso a Igreja pode se regozijar na revelação da Palavra de Deus de que Jesus exerce um poder soberano sobre tudo e todos. É Ele quem controla e mantém todas as coisas. O escritor aos Hebreus nos diz que Ele sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder (Hb 1.3). Tudo está sob o controle do Senhor, inclusive as nossas vidas, os nossos projetos, os nossos empreendimentos, portanto, dependamos dele e confiemos nele e tudo correrá bem.

segunda-feira, 30 de março de 2009

OS PRESBÍTEROS SÃO PASTORES?

Numa recente Convenção Regional de nossa Denominação um dos preletores, numa de suas palestras, trouxe “uma nova verdade” para os convencionais, dizendo que os Presbíteros de uma igreja local são os seus Pastores, indistintamente. O palestrante baseou a sua assertiva no texto de 1 Pe 5.1-4. Na sua exposição o ilustre Pastor, ou melhor, Presbítero já que ele disse que era a mesma coisa, não fez nenhuma diferenciação entre Pastores e Presbíteros, e, consequentemente, não identificou os Pastores como os líderes de uma igreja local. Para reforçar o seu argumento ele fez menção ao sacerdócio universal dos crentes, em que todos os crentes são iguais e que não existe entre eles uma hierarquia sacerdotal como se tinha na antiga dispensação.
A palavra do Pastor, aliás, Presbítero, foi muito boa a não ser num detalhe sutil, mas perigoso para o ministério convencional das Igrejas Congregacionais, que já enfrentam, algumas delas, muitas dificuldades na área de liderança.
À bem da verdade, é de suma importância que tragamos um esclarecimento sobre o assunto, baseado nas Escrituras já que presentes a essa Convenção estavam Pastores, Presbíteros, Evangelistas, Missionárias e delegados de igrejas que não ocupam posição de liderança dentro delas no que se refere aos seus ofícios.
Observem os irmãos que Pedro no início de suas duas cartas apresenta aos seus leitores a credencial de apóstolo de nosso Senhor Jesus Cristo (1 Pe 1.1; 2 Pe 1.1). “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo...” 1 Pe 1.1. Na sua primeira carta, no capítulo 5.1-4, Pedro se identifica com os Presbíteros no que se refere ao ministério de supervisão da igreja. “... admoesto eu, que sou também presbítero como eles” 1 Pe 5.1. Na leitura desses dois textos podemos constatar com facilidade que o ofício de Pedro na igreja do Senhor era o de Apóstolo e desse ofício ele não abria mão, como enviado que era do Senhor com comissão exclusiva (Veja Mt 10.1-5), mas que também era um Presbítero no sentido de ser um supervisor da obra do Senhor, ou seja, Pedro era Apóstolo e era também Presbítero, mas os Presbíteros não eram Apóstolos, pois para isso teriam que ter uma chamada exclusiva para aquela função, conforme os Apóstolos tiveram.
Escrevendo aos Efésios (4.11), o apóstolo Paulo, outro que não abria mão de seu ofício nem de sua autoridade apostólica, revela que Deus graciosamente deu a igreja para promover o seu crescimento harmonioso, dons de liderança, com as identificações de Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Pastores e Mestres. “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres” Ef 4.11. Destacamos neste texto que os ministros citados são dádivas exclusivas de Deus a igreja, e isto pressupõe uma chamada específica para esses ministérios. Como os ofícios estão blocados num texto só, não temos dúvidas de usar o mesmo critério de interpretar a questão como foi tratados os textos de 1 Pe 1.1. e 1 Pe 5.1 e, por analogia, concluir, que assim como o ofício de Apóstolo é distinto do ofício de Presbítero por natureza, assim também o é o ofícios de Pastor, ou seja um Pastor é um Presbítero também no sentido de ter sobre si a responsabilidade de pastorear o rebanho de Deus, mas nem todo Presbítero é um Pastor, porque para esse último pressupõe uma chamada exclusiva conforme explicitado acima.
Não nos revela a Escritura que exista uma chamada especifica para ser Presbítero de uma igreja neotestamentária. Os textos que tratam do assunto mostram um líder (Apóstolo ou Pastor) capitaneando o processo de escolhas desses oficiais, como foi o caso dos Apóstolos Paulo e Barnabé em At 14.23 e o Pastor Tito em Tt 1.5. Observando o perfil dos Presbíteros delineado por Paulo em 1 Tm 3.1-7 e Tt 1.5-9, e o contexto dessas duas escrituras, podemos concluir que necessariamente não haveria a necessidade de uma chamada específica para exercer esse ministério no seio da Igreja, mas uma vez aprovado pela igreja e consagrado, esses oficiais passaram a ser constituídos por Deus para ajudar no pastoreio da Igreja do Senhor, conforme At 20.28 e 1 Pe 5.1-4. A diferença é sutil, é verdade, mas fundamental. Nunca se ouviu alguém manifestar um intenso desejo de ser Presbítero de uma igreja e em função dessa chamada deixar tudo e priorizá-la sobre tudo e todos para se envolver no pastoreio do rebanho, muito pelo contrário, o contexto nos dá a entender e a história eclesiástica o confirma que muitos Presbíteros continuaram ou continuam em seus afazeres seculares a exercerem essa função na Igreja. Para o pastorado é diferente. Aqueles que são de fato Pastores, chamados por Deus para esse ofício, sentem em sua alma a indelével chama do Espírito a impulsioná-lo para realizar o ministério para o qual foi chamado, pois ele é uma dádiva de Deus a igreja, conforme o texto de Ef 4.11.
O palestrante nas entrelinhas também questionou a doutrina reformada que enfoca essa área, e enfatiza uma diferenciação entre Pastores e Presbíteros, mas é importante observar que ela não está errada quando advoga uma diferenciação entre os Presbíteros docentes (os Pastores) e regentes (os não Pastores). Olhando para texto de 1 Tm 5.17, Paulo ensina a igreja para que olhe com mais deferência para os Presbíteros que se afadigam no ministério da Palavra, fazendo Paulo assim uma certa distinção entre aqueles que foram chamados para o ministério da Palavra e aqueles que simplesmente ajudam no governo espiritual da Igreja. “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina” 1 Tm 5.17.
As sete cartas do Apocalipse foram destinadas as sete igrejas que na época existiam na Ásia Menor, e nelas são identificadas as pessoas responsáveis por elas diante de Deus, chamadas de anjos das Igrejas. Os melhores comentadores bíblicos, dentre eles o Ph.D. Simon Kistemaker, autor do comentário do livro de Apocalipse, editado pela Editora Cultura Cristã, dizem que esse anjo é o pastor da igreja, aquele que tem a liderança dentro delas, sendo responsabilizado por Deus pelo desempenho da mesma. [“Ao anjo da igreja em Éfeso, escreva.” Jesus instruiu João a escrever uma breve carta endereçada ao pastor da igreja em Éfeso].
O Dr. William Hendriksen comentando a carta aos Efésios, sobre o assunto em questão, disse o seguinte: “Posto que aqui em 4.11 todos os que servem a igreja de uma forma especial (grifo nosso) – não somente os apóstolos, profetas e evangelistas, mas também pastores e mestres – são designados como dons de Cristo para a igreja, eles devem ser objetos do amor de toda a igreja”. Ainda comentando esse mesmo assunto na parte que cabe a pastores e mestres, ele disse: “O que temos aqui, portanto, é uma designação de ministros de congregações locais, presbíteros docentes (ou supervisores) (grifo nosso). Por meio da exposição da Palavra estes homens pastoreiam os seus rebanhos”.
Escrevendo a Tito, um jovem Pastor seu companheiro de ministério, Paulo orienta aquele obreiro a instituir Presbíteros nas igrejas locais de Creta. “Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei” Tt 1.5. Observe os irmãos, neste texto, um detalhe importante: Quem iria liderar o processo de estabelecimento de Presbíteros dentro das igrejas eram os próprios membros das igrejas ou uma pessoa que tinha um ofício reconhecido de liderança no meio do povo de Deus? A resposta é clara, pois Paulo delegou essa tarefa ao Pastor Tito.
É verdade que o Novo Testamento usa as palavras Presbíteros, Bispos e Anciãos como termos gregos intercambiáveis, ou seja, que significam a mesma coisa. Mas é verdade também que Paulo quando fala dos dons do ministério de Cristo em Efésios 4.11, usa uma grega palavra diferente para nomear Pastores. “Esta é a única ocasião no NT em que o substantivo poimen ocorre como título de um líder da Igreja. Sem dúvida é a palavra proveniente da aplicação da figura de linguagem do pastor, a qual caracterizava o relacionamento do Senhor Jesus com seus discípulos. Jesus é o bom pastor (o poimen ho kalos)”. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo (Efésios, Colossenses, Filemom), Arthur G. Patzia.
Mesmo não existindo uma hierarquia dentro da Igreja do Senhor, a exemplo de que existe nos meios empresariais, militares e em algumas instituições eclesiásticas, pois todos os crentes estão nivelados no que se refere a serem receptáculos das bênçãos oriundas da obra redentora de Cristo, há de se observar que o Senhor fez uma distinção entre quem tem um ofício dentro da Igreja e quem não tem, senão vejamos: “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” Hb 13.17. “Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos os santos em Cristo Jesus, que estão em Filipos, com os bispos e diáconos” Fp 1.1.
Concluímos este artigo dizendo que existe uma diferenciação entre Pastor e Presbíteros, sendo Presbítero, que significa supervisor, um termo genérico e Pastor um termo especifico, apesar de a eles pertencerem à mesma atividade de pastoreio do rebanho do Senhor, conforme explicitado em At 20.28 e 1 Pe 5.1-4. Ainda nesta conclusão é conveniente lembrar que os Congregacionais têm como paradigma, em relação ao assunto, o que se segue: “Ministro do Evangelho é o ofício perpétuo a que são consagrados os formados em Teologia ou, em casos especiais, os não formados, com privilégios e deveres específicos, sendo este ofício o primeiro em dignidade na Igreja” “Designa-se pastor o cargo do Ministro do Evangelho eleito e empossado em uma ... Igreja, com responsabilidade executiva e administrativa”. “Presbítero é o oficial auxiliar do ministro que pastoreia na administração dos interesses espirituais das igrejas”. Ainda nesta conclusão lembramos aos irmãos que nós da ALIANÇA temos em alta estima os Presbíteros, e que este signatário sugestionou quanto era relator da reforma dos instrumentos normativos da Denominação, a criação de um quadro especial de ministros para contemplar os Presbíteros, dando-lhes certos privilégios e também responsabilidades, sendo os mesmos jurisdicionados também por nossa Denominação.
JPA, 28/03/2009, Rev. Eudes Lopes Cavalcanti
Pastor da III IEC/JPA

Simão, o mágico (At 8.9-13) No relato do texto em apreço, nos é apresentada a figura de um homem famoso na cidade de Samaria, onde De...