domingo, 11 de dezembro de 2011

Discurso do Patrono

Seminário Teológico Evangélico Congregacional de João Pessoa

Colação de Grau – 10/12/2011

Discurso do Patrono

Sr. Presidente da ALIANÇA, Sr. Diretor do Departamento Teológico da ALIANÇA, Sr. Diretor do STEC/JPA, demais autoridades eclesiásticas, irmãos em Cristo em geral e, especialmente, caríssimos formandos:

Honra-nos muito a escolha da turma concluinte para ser o seu patrono e nos sentimos extremamente lisonjeados com isso. Agradecemos a deferência.

Nestas breves palavras aos formando queremos enfatizar uma dicotomia que reputamos de magna importância para aqueles que foram chamados por Deus para ministrar em Sua casa no excelentíssimo ministério da Palavra, que são: o conhecimento bíblico e a piedade.

Tratando-se do conhecimento bíblico queremos enfatizá-lo em sua maior amplitude e não só o conhecimento teológico, da doutrina, aprendido em Seminários. É sabido que Deus graciosamente se revelou a Si mesmo através da natureza e principalmente através das Sagradas Escrituras. Tudo aquilo que Deus quis que conhecêssemos acerca dele (o Seu ser, os Seus atributos, o Seu caráter e principalmente a Sua vontade) está registrado na Sua Santa Palavra. Isso faz da Bíblia um livro especial que deve ser conhecido por todos aqueles que professam a fé em Cristo, principalmente aqueles que labutam como obreiro na seara do Senhor. Conhecer todo o conselho de Deus é imprescindível para o ministro do evangelho. A Bíblia Sagrada é o manual por excelência daquele que é obreiro do Senhor. Diante disso, urge que nos debrucemos diante da Palavra de Deus de dia e de noite como foi recomendado pelo Senhor a Josué. “não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita nele dia e noite, para que tenhas o cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e então prudentemente te conduzirás” Js 1.8.

Particularmente somos de opinião de que não se precisa, necessariamente, conhecer a profundidade de todas as heresias que grassam no meio evangélico, que brotaram do inferno para confundir a igreja, mas é imprescindível que o ministro do Senhor conheça toda a verdade revelada na Palavra de Deus. A razão disso é simples: a verdade de Deus enchendo o coração de uma pessoa rechaça com facilidade o erro, de onde ele vier, por mais sutil que seja.

A piedade, o segundo tema da dicotomia proposta, enfoca a vivência dos ensinamentos contidos na Palavra de Deus. O ministro do Senhor deve ser uma pessoa piedosa e essa piedade passa necessariamente pela vida de oração do obreiro, pela integridade de caráter e pela dedicação ao serviço na igreja, a casa do Senhor. Alguém já disse com propriedade sobre a oração, o seguinte: “muita oração muito poder, pouca oração, pouco poder, e nenhuma oração, nenhum poder”. No seu programa eterno Deus colocou a oração como o instrumento que deve ser utilizado para nos relacionarmos com Ele. Tiago, o irmão do Senhor, em sua carta disse que a oração de um justo pode muito em seus efeitos. O Salvador disse através de uma parábola que deveríamos orar sempre e nunca desfalecer. Paulo, um dos paradigmas como obreiro, ensinou sobre a necessidade do crente orar sem cessar. A prática da oração perseverante atrai o poder de Deus para a vida do ministro do Senhor.

Quanto à integridade de caráter, é isso de fundamental importância para que a mensagem pregada pelo servo de Deus não caia no vazio, não perca a sua força, se a mesma for proferida por quem não vive uma vida exemplar. Alguém já disse que os nossos atos falar muito mais alto do que as nossas palavras. O Salvador censurou fortemente os fariseus da sua época porque eles falavam em nome do Senhor, mas não viviam aquilo que ensinavam ao povo de Deus. Queira o bondoso Deus livrar os senhores formandos da hipocrisia, pois ela descredencia o ministério.

Tratando-se do serviço na casa do Senhor, nada neste mundo é mais importante do que ele. Assim entende a alma crente, redimida, que foi regenerada pela instrumentalidade do Espirito Santo. O serviço divino é prioridade na vida de todos aqueles que professam a fé em Cristo, principalmente para aqueles que foram convocados por Deus para o ministério da Palavra. Discordamos visseralmente daqueles que são ministros do evangelho, consagrados, que vivem imiscuídos em questões seculares, principalmente na política. Esses ministros perderam a visão do reino de Deus, perderam o foco da vida cristã. O apóstolo Paulo já dizia pelo Espirito Santo, que ninguém que milita como soldado no reino espiritual deve se embaraçar com os negócios desta vida (2 Tm 2.4). Espera-se do ministro do evangelho uma dedicação exclusiva. Isso se extrai facilmente das palavras do Salvador ditas a um homem chamado por Deus para o ministério, quando ao ouvir a chamada quis protelar alegando que tinha compromisso com a sua família. O Salvador disse para ele enfaticamente: “... Deixa aos mortos o sepultar os seus mortos; porém tu vais e anuncia o reino de Deus” Lc 9.60.

Amados formandos, terminamos as nossas palavras desejando de coração que o Deus dos céus faça todas as provisões para que vocês tenham um ministério profícuo para a glória de Deus.

Um abraço fraternal do pastor e amigo,

Eudes Lopes Cavalcanti

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Um exemplo admirável

A Bíblia Sagrada orienta ao povo de Deus a observar e a imitar ou procurar fazer aquilo que outros servos de Deus fizeram na sua jornada aqui neste mundo, no que se refere à fé que tiveram em Deus e as obras que realizaram pela graça divina. “Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo” 1 Co 11.1. “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver” Hb 13.7.

O maior de todos os exemplos, evidentemente, é o do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo o qual devemos imitar em tudo. “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados” Ef 5.1. “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” Fp 2.5.

Neste boletim queremos enfatizar o exemplo de uma mulher idosa (oitenta e quatro anos) que é mencionada pelo evangelho de Lucas (Lc 2.36-38). O exemplo de Ana está sendo enfocado devido ser ela uma mulher, o que na cultura da época já tinha as suas discriminações e por ser idosa, o que também em muitos casos há discriminação.

Ana era uma israelita, uma pessoa componente do povo de Deus. Era ela da tribo de Aser. (Interessante observar que as tribos de Israel perderam a sua identidade como tal quando dos cativeiros assírio (722 A.C.) e babilônico (586 A.C.), sendo no caso a tribo de Aser componente do primeiro grupo. Observando a ênfase que o N. T. dá a essa tribo ficamos maravilhados pelo fato de que depois de mais de setecentos anos as genealogias tribais israelitas estavam preservadas, pelo menos as mais importantes. Tudo indica que aquela mulher fazia parte de uma família importante daquela tribo). Isso quer dizer que o povo de Deus tem uma identidade, são assinalados, conhecidos nos Céus.

A segunda coisa a considerar é que aquela mulher apesar da sua idade, quando muitos descartam essa fase da vida, rotulando os idosos de velhos gagás era ela uma profetisa, e tinha um oficio ativo no meio de Israel, cujo ministério foi instituído por Deus para consolar, exortar e edificar o Seu povo. “E estava ali a profetisa Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Esta era já avançada em idade, e tinha vivido com o marido sete anos, desde a sua virgindade” Lc 2.36.

A terceira coisa a considerar na vida de Ana é que ela vivia profundamente a sua fé, servindo intensamente a Deus com jejuns e orações e era uma frequentadora assídua das reuniões que aconteciam na casa do Senhor. “e era viúva, de quase oitenta e quatro anos, e não se afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia” Lc 2.37.

No exemplo daquela mulher ressaltamos a sua vida devocional onde a oração e o jejum, e o serviço a Deus, e o estudo sistemático das Escrituras ocupavam papel preponderante. A oração acompanhada de jejum era uma constante na vida de Ana. Ela entendia, podemos assim deduzir, que sem oração não era possível manter a comunhão com Deus adequada. Ela entendia também que o jejum era um poderoso instrumento para alavancar a sua vida espiritual, por isso o praticava continuamente. Ainda outro ponto que convém realçar era o serviço que ela prestava a Deus. Esse serviço que era de acordo com o dom profético que Deus lhe dera, o de profetisa, era desempenhado na força e no poder do Senhor que envolvia a sua vida por causa da prática constante do jejum e da oração. Ainda falando sobre a vida devocional de Ana, não se deve esquecer do seu apego às Escrituras, isto se deduz da prática do seu oficio profético, bem como da sua desenvoltura em falar do Messias que estava ali diante dela como criança. Observem que no texto abaixo nos é dito que ela falava a todos a respeito do Messias que chegara. “E, sobrevindo na mesma hora, ela dava graças a Deus e falava dele a todos os que esperavam a redenção em Jerusalém” Lc 2.38.

Irmãos, espelhemo-nos na vida dessa preciosa mulher que dedicou a sua vida ao serviço do Senhor, e que mesmo na velhice dava frutos para a glória de Deus.

Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Simão, o mágico (At 8.9-13) No relato do texto em apreço, nos é apresentada a figura de um homem famoso na cidade de Samaria, onde De...